28/12/11

Revisão curricular: mais um remendo


O título é já em si uma crítica favorável a esta revisão curricular porque a estrutura curricular que existe bem precisa de ser remendada.
Tem havido várias maneiras de fazer revisões da estrutura curricular. Numa classificação rápida, podemos resumir o que tem acontecido na educação nesta matéria:
- A demagógica, populista /basista
- A autoritária, porque sim e extra-terrestre
- A democrática e realista
A primeira foi no tempo de Guterres/Já não me lembro, ah ! Grilo/Benavente
A segunda no tempo de Sócrates/Rodrigues /Lemos
A terceira era bom que fosse a de Coelho/Crato/ Ainda não sei.
Crato sabe que é necessário mudar. Como nós sabemos. Mas há um problema: é que esta revisão ainda é pouco realista. No terreno as necessidades são outras. Principalmente depois dos desconcertos do governo anterior.
Crato vem de um pensamento anti-eduquês mas cria uma revisão que não deixa de dever ao pensamento eduquês. Porque é feita nos gabinetes sem conhecer as reais necessidades das escolas ou do terreno.
Diga-se que o problema não é apenas deste país nem deste sistema educativo. É de sistemas educativos de muitos países desenvolvidos. Como em França. Veja-se o que se diz no "Eduquês: um flagelo sem fronteiras".
Esta revisão é um reajustamento que se impunha no que diz respeito às ciências e às humanidades. No entanto, não se pode deixar de discordar no que diz respeito às artes. O problema está na questão das ciências mas não só. O problema está na cultura que também passa pelas artes: visuais, literárias, musicais e do espectáculo.
É nestas áreas que algumas personalidades se podem desenvolver porque são as áreas onde há maiores potencialidades divergentes para as crianças e jovens poderem realizar os seus sonhos. Por isso, esta revisão é importante mas é insuficiente de dois modos:
Primeiro, porque em si mesma continua a dar pouco relevo às artes e, em segundo lugar, porque era necessário fazer uma reforma do sistema e não apenas do currículo.
Com este currículo ou com outro os problemas vão manter-se e disso já temos aqui falado por várias vezes.
O que acontece aos alunos que não querem fazer o secundário: em que escolas, em que currículos se vão integrar?
O que acontece aos alunos que nem sequer se interessam pelo 3º ciclo?
O que acontece aos alunos com NEE ?
O que acontece à formação, às escolas profissionais, ao sistema de aprendizagem, à articulação educação/formação?
Não quero ir tão longe como Ramiro Marques, mas que há muito de verdade aqui, lá isso há.
Raramente estou de acordo com Daniel Sampaio no que se refere à educação. Mas está ali ao lado uma teoria das três escolas que mostra bem a preocupação que já havia nessa altura (1998).Talvez não três escolas mas três ou mais percursos podiam fazer sentido a partir do 7º ano. Os percursos seriam definidos pelo Ministério e o resto seria deixado à autonomia dos agrupamentos.

Natal é pobreza em espírito


Reli. Faz talvez mais sentido  nestes tempos de um Natal que acontece em altura de grandes modificações sociais e económicas.
Pobreza em espírito é “a adesão incondicional do homem ao seu próprio ser, a fidelidade determinante para com a sua pobreza fundamental, o suporte contra o «escândalo» provocado pela renúncia de si mesmo…”
A pobreza acompanha-nos durante a vida, é inerente à fragilidade do ser humano e ela opõe-se ao orgulho, o termo-nos demasiado em conta.
Algumas formas dessa pobreza são:
A pobreza da vulgaridade
A pobreza da pobreza, a da miséria
A pobreza da grandeza e particularidade invioláveis
A pobreza da provisoriedade
A pobreza daquilo que termina
A inevitável pobreza da morte.
Somos seres vulgares, somos seres que existimos «contra toda a esperança», somos seres únicos e insubstituíveis que queremos fugir de nós próprios mas que ninguém pode substituir, a pobreza do transitório, relacionada com a anterior condição profundamente determinante da nossa existência histórica que não se detém na tranquilidade do momento presente.
Não é fácil aceitar esta pobreza mas ela contém o verdadeiro espírito de Natal. Diria que a aceitação destas várias pobrezas é a riqueza do ser humano.

27/12/11

V centenário do nascimento de Amato Lusitano


É um bom trabalho jornalístico,  este suplemento do Jornal do Fundão (10-11-2011). Verdadeira excepção.
Vem cheio de coisas que podem ser “dinamite cerebral” (como diria P. Pereira).  A começar pelo “Juramento” que, nos dias de hoje, é um código de conduta para todas as profissões.
Depois traz entrevistas a pessoas  que respeitamos e gostamos.
E poesia…  como este excerto de Melo e Castro

                                                           ...da
liberdade viva, só a vida me vive, porque
não morro aonde morro, nem
moro aonde moro, mas sim aonde
a liberdade vive, livre

21/12/11

Outro canto, a mesma Europa

Amanhã, 22 de Dezembro, haverá lugar na FNAC do Colombo a uma apresentação do CD, com um momento musical do Coro Gregoriano de Lisboa.
"O Canto Gregoriano surgiu como elemento primordial de um processo de unificação da Europa que constituiu tanto na reunião de cantos antigos como na criação de cantos novos."

Referências: Aqui

20/12/11

Natal é respeitar o próximo


A mentalidade de alguns portugueses (do português ?) não mudou grande coisa ao longo dos tempos.
A liberdade para muitos é fazer o que apetece. Continuamos a conviver com indivíduos que só sabem ameaçar os outros. É gente que anda por aí a fazer o que quer.
Não pagam o condomínio. E por que devem pagar se há outros que lhe põem o elevador a funcionar, lhe lavam as escadas, e eles podem passar à vontade?
Não pagam os impostos e põem o dinheiro nos offshores. E por que hão-se pagar se há outros que o fazem escrupulosamente ?
São indivíduos que estacionam em frente das portas de entrada dos outros. E por que não hão-de estacionar se as multas são só para alguns ?
E tudo o resto de que falava Alberto Pimenta, em 1995. E, mesmo que gostemos de ser o que somos, portugueses, como não havemos de concordar com ele ?
...
Há um total desprezo do próximo, uma falta de noção dos direitos e deveres urbanos civilizacionais. Soube agora de um caso que se passa num prédio normal do centro da cidade. Há alguém que guarda a moto do filho de família no patamar entre o terceiro e o quarto andares e, quando lhe vão dizer que não o pode fazer, essa gente que é licenciada fecha a porta, dizendo: «A moto é minha, eu faço o que eu quero!» Tal e qual como o sapateiro que bate no filho e diz: «O filho é meu, eu faço o que quero!». É a sociedade do «salve-se quem puder». A maior parte das discussões que se geram em bichas, em lugares públicos onde se reclama um direito, resulta da falta de noção muito exacta que qualquer alemão, francês ou italiano tem dos seus direitos e deveres. Aqui é tudo uma
«questão particular». Passa a não ser uma sociedade organizada mas um clã.
...
Enquanto a Europa é urbana e civilizada há muito tempo, em Portugal o crescimento faz-se por saltos muito grandes. Temos a ideia de que o progresso é deitar fora o que há e substituir pelo novo, o que mostra que não o conseguimos integrar. Em cada época, há elementos que definem o novo-riquismo.
...
Na Segunda Guerra, houve o boom dos novos-ricos do volfrâmio e dizia-se que eles comiam a sardinha assada com pão-de-ló. Hoje continua e, apesar do novo-riquismo destes anos em que já somos europeus, basta por o pé para lá da fronteira para perceber que somos cada vez menos em termos culturais. Temos o mito das melhores praias, dos melhores vinhos, mas quanto tempo vão durar? Há terrenos próximos de Lisboa, na zona do Ribatejo, que estavam classificados para agricultura exclusivamente. Há três ou quatro anos saiu um decreto que permite utilizá-los para campos de golfe desde que sejam reconvertíveis. Daqui a 15 anos, comeremos bolas de golfe em vez de couves...
Há coisas que não custam dinheiro e que não têm a ver com a crise como ser educado e respeitar o próximo, por exemplo. 
Um bom Natal e que o Menino Jesus nos ajude a respeitar os outros!

Magia na diferença

 Beethoven 

15/12/11

Quando as letras fazem sentido


A avaliação dos alunos, no final do 1º período, é um momento de reflexão para a escola, professores, pais e encarregados de educação.
A avaliação, para além dos grandes números das estatísticas, deve ter em conta os alunos em concreto.
Um particular cuidado deve ser posto em relação aos alunos que entraram para o primeiro ciclo porque é fundamental, nesta altura, saber se a criança se adaptou bem e se começou a fazer as aquisições da leitura escrita e cálculo.
Com frequência, é quando os pais se confrontam pela primeira vez com algumas dificuldades de comportamento ou de aprendizagem dos filhos, podendo surgir alguma desilusão face às expectativas dos pais.
Os problemas escolares são multifactoriais. Dependem da própria criança e de tudo o que está à sua volta: a comunidade em que vive, a família, a escola os professores.
A culpabilização ou a vitimização são uma simplificação. Temos pais que se culpam a si próprios ou culpam imediatamte a escola ou o professor.
Mas tudo na escola é muito mais complexo: a relação pedagógica é a interacção de duas pessoas que estão em desenvolvimento, o aluno e o professor, que trazem para a escola a narrativa familiar.
Por outro lado, alguns problemas escolares ainda não são compreendidos ou esclarecidos pela ciência e ainda não é fácil fazer o diagnóstico.
A ligeireza das avaliações pode fazer pensar que todo o problema se deve ao desinteresse do aluno pela escola ou que é preguiçoso, infantil e imaturo.
Está, certamente envolvida a responsabilidade do aluno, mas há que evitar tomar medidas à sorte que geram alguns dramas familiares:
O mais à mão, e o mais pernicioso, passa pela punição física,
As punições mais soft que hoje em dia são: retirar à criança a quinquilharia electrónica: computador, playstation, telemóvel, video…
A punição "pedagógica": horas intermináveis de “estudo” que levam ao desespero dos pais e da criança, transformam  o problema escolar no centro da vida familiar.
Ou então retirar actividades de que a criança gosta particularmente como praticar um determinado desporto ou outra actividade física, estar com os amigos, ir ao cinema
Já sabemos que estas atitudes não resolvem nem melhoram o problema e, por vezes, até o agravam.
Por isso, é preferível ir à raiz do problema.
A experiência diz-nos que nem todas os alunos aprendem da mesma maneira mas a metodologia é a mesma para todos. Por isso, convém saber se os métodos que estão a ser usados com aquela criança concreta são para ela os mais adequados ou não.
Quando se muda de método, podemos ficar perante uma criança motivada para quem as letras podem começar a fazer sentido e as coisas de que falamos podem estar simbolizadas num conjunto de letras, as coisas grandes em poucas letras e as coisas muito pequenas e invisíveis em palavras maiores.
Quando uma pessoa tem um problema de saúde ou outro qualquer o que é que fazemos? Ajudamos. Com as crianças não é assim. Com as crianças que têm um problema, castigamos.
É por isso que devemos mudar de método e de atitude. A família deve então cumprir o seu papel e agir ao contrário daquilo que é costume: ajudar em vez de castigar.

08/12/11

Magia na diferença


No dia 5 de Dezembro comemorou-se o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. Os progressos feitos no nosso país em relação às pessoas portadoras de deficiências foram enormes.
No que diz respeito à educação temos princípios, definições e leis sobre as diferenças. Desde a Constituição da República Portuguesa à Declaração de Salamanca, desde o direito de todos à educação, à cultura e às escolas inclusivas.
Mas na realidade nem tudo se passa assim tão facilmente. Eduardo Sá alerta para essas dificuldades:
É importante falarmos da escola com justeza. Porque são de menos as pessoas que, na escola, se surpreendem com magia. São de menos as histórias que as comovem. E são de menos os conhecimentos que as divertem, as remexem e as arrumam. É por isso que devemos dizer que não é verdade que a escola seja um lugar ameno e divertido onde caiba toda a gente: os cobardes e os audazes; os atinados e os rebeldes; os preguiçosos e os tenazes. (“Ir à Lua aprender”, 11-11-11, Pais e Filhos)
De facto, o desenvolvimento depende de muitos factores e a escola, o meio em que a criança passa grande tempo da sua vida, podia fazer muito mais pelas pessoas com diferenças. A inclusão é muito mais do que por a pessoa numa sala de aula com outros alunos. Porque
A integração é a nossa maneira de ouvir os outros.
A integração é uma acção recíproca, mútua, permanente".
(Han Fortmann)
A inclusão envolve a interacção entre pessoas. Pessoas que também elas estão em desenvolvimento. Porque o meu desenvolvimento faz parte do desenvolvimento do aluno. Como no poema de Walt Witman:
Era uma vez um menino a crescer dia após dia.
E a primeira coisa que viu nela o menino se tornou
E essa coisa ficou a ser parte dele todo o dia
            ou só por umas horas desse dia,
Ou então por muitos anos ou por um certo tempo
Por outro lado, no desenvolvimento, o afecto não deve nem pode ficar para o dia seguinte, nem pode ser intermitente, sob pena de por em risco a confiança básica entre as pessoas em interacção.
E podemos aprender que a “luta pela vida” é, para as pessoas diferentes, sempre mais difícil do que para os que não passam por essas dificuldades.
É por isso que as evidências não passam apenas pelos números frios dos resultados quantitativos mas também pelas evidências intangíveis da inclusão:
- há escolas  sensíveis ao acolhimento dos alunos com diferenças,
- há escolas que desenvolvem o mais possível os talentos e as forças de cada aluno,
- há escolas onde aprender a lidar com as emoções é tão importante como aprender a ler e a escrever,
- há escolas com muitos sorrisos e empatia...
E estas evidências fazem-nos pensar que se quisermos falar da escola com justeza, podemos virar "do avesso" as palavras de Eduardo Sá,
porque são muitas as pessoas que, na escola, se surpreendem com magia. São muitas as histórias que as comovem.
E são cada vez mais os que acham que a escola há-de ser um lugar ameno e divertido onde caiba toda a gente.
Não é, certamente, um objectivo fácil de atingir… Mas consegue-se com um pouco de magia. 

02/12/11

Saber e sabedoria

"A sabedoria é uma questão antiga, milenária e, também uma questão psicológica actual".
Não é um assunto ultrapassado ou uma coisa das pessoas idosas. A sabedoria foi sempre preocupação dos povos e as características das pessoas sábias são descritas desde há muito séculos. Falamos de sabedoria popular, da sabedoria da velhice, da sabedoria dos que nos governam ou da falta dela. Há o Livro da sabedoria e ficou famosa a sabedoria de Salomão...
A psicologia trata a sabedoria como um conceito complexo que apresenta diversas dimensões: a dimensão cognitiva, a dimensão afectiva e a dimensão da vontade.
Quem é sábio deve ter várias competências:
- elevado conhecimento sobre os problemas do quotidiano;
- capacidades reflexivas e de análise;
- elevado conhecimento sobre as diferenças de valores e de prioridades;
- capacidade para compreender e para gerir a incerteza
- e elevados níveis de desenvolvimento do eu.
Por isso podemos ver que são raros os sujeitos que manifestam sabedoria. E todos os dias nos surpreendemos com o comportamento do ser humano: os casos de corrupção, de favorecimento próprio ou de amigos, os interesses das famílias políticas, de lóbis, de grupos organizados mais ou menos secretos  têm mostrado que o ser humano é pouco sábio.
A sabedoria põe em equilíbrio os interesses do indivíduo, dos outros e do contexto em que vive: o interesse pelo seu país, pela sua cidade ou pelo meio ambiente (Sternberg)
Num estudo sobre o desenvolvimento do juízo reflexivo os sujeitos que se situam no nível mais elevado são capazes de:
- desenvolver juízos acerca de problemas difíceis da vida,
- reconhecer os limites do conhecimento pessoal,
- manifestar consciência das incertezas que caracterizam o conhecimento humano,
- reconhecer que o conhecimento resulta de um complexo processo de síntese de evidências e de opiniões,
- mostrar humildade quanto à potencialidade do seu raciocínio face a tais limitações.
Estes aspectos são um pré-requisito da sabedoria (Kitchener e Brener).
Num estudo efectuado em Portugal, verificou-se que havia
- poucas respostas de sabedoria,
- um número mais elevado de respostas de sabedoria no grupo de adultos da meia idade do que nos restantes grupos de idade,
- respostas equivalentes nos professores e nos profissionais não professores.
Isto quer dizer que hoje precisamos de pessoas sábias.
O saber não parece ser suficiente para se ser sábio. O saber poderá ser um pré-requisito para se ser sábio mas isto não significa que as pessoas sejam sábias. Temos até muitas pessoas que sabem muito. Veja-se a quantidade de comentadores-políticos e políticos-comentadores (ou economês-politiquês) que têm muito saber e pouca sabedoria dada a crise que aí está.
O mais interessante é que se zangam muito uns com os outros e são completamente incapazes de analisar o ponto de vista do outro mesmo que esteja certo.
Os clichés, as cassetes, são repetidos até à exaustão. Os mais velhos que deveriam ter entrado na idade da sabedoria andam muito crispados (para usar um termo inventado pelos próprios), falam de revolução, de rua, uns, ou de Salazar, outros.
Ora a essência da sabedoria reside na consciência de que o conhecimento é falível e limitado, isto é, na consciência do que se sabe mas também do que não se sabe e na assunção de uma atitude crítica face às crenças, valores, conhecimentos, informações e capacidades que levam, simultaneamente, a saber duvidar.
A sabedoria não se manifesta no que a pessoa sabe mas no modo como encara e usa o conhecimento que possui em si próprio, na relação com os outros e no meio em que vive.

Baseado no artigo de
Marchand, H. (2006) «Por que a sabedoria dificilmente poderá ser ensinada nas escolas - uma resposta a Robert Sternberg», in Simões, M.C.T. et al. (ed.) - Psicologia do desenvolvimento - Temas de investigação: Coimbra: Almedina

23/11/11

" Rumos novos, contos velhos"

A gerontocracia é uma forma de poder oligárquico em que uma organização é governada por líderes que são significativamente mais velhos do que a maior parte da população adulta. Por vezes, aqueles que detêm o poder não ocupam formalmente as posições de liderança, mas dominam quem as ocupa.(Wikipedia).


Com Szent-Györgyi (cap. XII d' "O macaco louco"), podemos pensar na gerontocracia:
... só no inicio da vida se podem implantar noções no cérebro; mais tarde o cérebro endurece e deixa de ser maleável.
...
No homem, esse endurecimento cerebral parece ocorrer cerca da quarta década; depois dessa idade o cérebro é cada vez mais incapaz de assimilar novas ideias...
O nosso mundo actual é uma gerontocracia, dominado por pessoas cujos cérebros endureceram antes da era atómica. Tomam medidas que poderão ter sido acertadas antes desta era, mas que já não se aplicam à nova ordem.
...
Segui atentamente pela televisão a convenção democrática e a republicana de 1968. Três coisas me saltaram aos olhos. Primeiro, não vi jovens. 55 % das pessoas do mundo de hoje, a maioria portanto, têm menos de 30 anos.
...
Somos uma gerontocracia. A gerontocracia é um bom sistema em épocas de evolução lenta e quando o principal problema é a preservação dos valores, mas torna-se muitíssimo perigosa em períodos de evolução rápida, como o actual, em que a existência do homem depende da sua capacidade de se adaptar e de criar um mundo novo.
...
O segundo aspecto em que reparei, nas duas convenções nacionais do Verão de 1968, foi que não houve debates sobre princípios de governo nem sobre qualquer dos grandes problemas do nosso tempo. Tratava-se meramente de poder, de quem estaria «dentro» e de quem estaria «fora».
...
Os nossos partidos políticos, que foram criados para estabelecer e apoiar os princípios de governo, tornaram-se nada mais que instrumentos de ambição pessoal.
...
A terceira coisa que observei foi que não havia mulheres nas convenções. Onde estavam as mulheres ? As mulheres são mais sensatas do que os homens e os seus votos são tão bons como os deles. Além disso, são elas quem produz a carne para canhão.
...
Segundo parece, a gerontocracia busca o futuro no passado.
É disso que se trata aqui. A gerontocracia no seu pior. Concedo: tem um ou outro jovem e uma ou outra mulher mas também no seu pior.

A escola e a perversidade das boas medidas




A obrigatoriedade da escola básica é em si uma medida que não se deve contestar. Porém muitas questões ficam por esclarecer.
Com o alargamento da escolaridade obrigatória para 12 anos poderá haver ou não graves implicações na vida dos alunos e das famílias?
Quais são os benefícios e quais as desvantagens ?
Parece não haver grandes dúvidas de que foi um grande disparate e demagogia ter acabado com o ensino técnico-profissional e que seria tempo de (re)criar as escolas técnico-profissionais em que o subsistema estatal e o subsistema particular pudessem oferecer cursos alternativos aos alunos.
O que acontece é que, actualmente, não há as respostas necessárias aos alunos e às suas necessidades. Nem todos os alunos têm capacidades para frequentarem o ensino secundário ou não o querem frequentar por motivos culturais, familiares ou pessoais.
Entretanto, o ME fez sair um despacho sobre a avaliação no ensino básico,  em que o 6° ano de escolaridade vai passar a ter exames, em nome do rigor, da exigência e contra o facilitismo.
Sou de opinião de que deve haver exames nos finais de ciclo mas também de que é importante (que para além dos exames se modifiquem as condições escolares de forma a poderem ser superados os consequentes constrangimentos.
Não há dúvidas de que, como aconteceu no 9° ano, no 6° ano vão aumentar as retenções. Aliás não foi exactamente para isso que foram introduzidos os exames? Para seleccionar os que atingem os objectivos do currículo e os que não atingem ?
Penso que este não é o único objectivo do sistema e da avaliação. Certamente que a par da exigência também se tem como objectivo o cumprimento da escolaridade obrigatória.
Sei do sofrimento de alguns alunos que chegados aos 16 anos, sem terem completado o 9°  ano, querem deixar a escola e começar a trabalhar. Não querem ir à escola mas como são obrigados não têm outro remédio.
Escusado será dizer qual vai ser o seu comportamento, a sua falta de interesse, que, após o lento  arrastar-se pelos corredores da escola, acaba em abandono.
O risco de abandono vai ser maior, se, a par da exigência, não tomarmos outras medidas.
Podemos com alguma angústia perguntar o que vai acontecer aso alunos que ficam retidos ? O que vai acontecer aos alunos com NEE ?
É por isso que todo o sistema é incoerente.
Em primeiro lugar, porque as reformas vão no sentido da diminuição dos recursos humanos e esse é um dos graves problemas.
Depois, porque não se faz orientação escolar mais cedo do que no final do 9° ano.
Porque é incoerente uma lei dizer que se pode trabalhar aos 16 anos e outra dizer que se deve andar na escola até aos 18 anos.
E finalmente porque um só currículo não é suficiente para responder às necessidades dos alunos e da sociedade.
Queremos exigência mas também coerência.

18/11/11

Dislexia

Motivação de sucesso: o melhor prémio


O ME anterior instituiu prémios pecuniários para os melhores alunos do ensino secundário.
O actual ministro acabou com o prémio pecuniário individual atribuindo esse valor à escola para dotação de recursos educativos.
Discutiu-se muito sobre o actual ministro ter acabado com a verba de 500 euros para o melhores alunos do ensino secundário.
Podemos concordar que o timing foi de facto desajustado. Para além disso, não vejo motivo para não terminar com o prémio pecuniário individual.
Alguns "indignados" resolveram, mesmo assim, dar o prémio não do seu próprio bolso mas através da angariação de fundos ou de organizações que contribuíssem para a entrega dos prémios reparando o que no seu entender foi uma tremenda injustiça.
O que é interessante é que alguns foram pedir essas verbas a instituições que directa ou indirectamente dependem do estado.
Cada um é livre de fazer o que entenda. Os "indignados" fizeram muito bem e espero que o continuem a fazer nos próximos anos ! Mas seria mesmo bonito se dessem os prémios do seu próprio bolso !
Porém, entendo de outro modo: sou favorável à existência do dia do diploma ou o dia da graduação que em si próprio é o reconhecimento social de uma competência adquirida pelas novas gerações. Mas o prémio de mérito não passa necessariamente pelo dinheiro nem o reconhecimento social depende disso.
Atribuir prémios pecuniários não é de facto a melhor maneira de educar.
E o que pensar de atribuir prémios apenas às competências cognitivas ? Por que não há prémios para o esforço, para os comportamentos e atitudes cívicas e para a solidariedade ? Porque não há prémios de mérito para os alunos do 9º ano ? Ou para os alunos da universidade ?
Parece por isso uma medida ao acaso e até mesmo arbitrária.
A motivação de sucesso é essencialmente uma motivação intrínseca, isto é, o que motiva o sujeito para a realização da tarefa é o sentimento de competência e autodeterminação (Deci) que lhe proporciona a realização dessa mesma tarefa.
A tarefa do aluno é trabalhar para conseguir realizar as suas tarefas com sucesso sem necessitar de outros prémios como os pecuniários.
Precisamos de pessoas que lutem pela superioridade num campo apenas do interesse da realização e não pela recompensa material.
Não é de somenos importância acrescentar que os resultados do secundário são os que conhecemos do ranking mas também sabemos que esses resultados dependem de explicações e de outros factores não considerados.
É por isso que alguns alunos apresentam apenas motivação extrínseca e ganhar dinheiro é a finalidade da vida.
É por isso que é tão importante saber o que nos motiva. E é importante que o façamos desde cedo.
Se soubermos aprender que a motivação é o fundamental da vida podemos compreender a frase de Confúcio: “Descobre o que gostas de fazer e nunca mais precisas de trabalhar.”

14/11/11

Acidente

"A biografia "Van Gogh: The Life", que chegou hoje ao mercado britânico segundo a edição da BBC na Internet, é assinada por Steven Naifeh e Gregory White Smith, que passaram dez anos a esmiuçar a vida do pintor holandês e a contactar tradutores e investigadores.
Vincent Van Gogh morreu em França em 1890, aos 37 anos, e até agora vingava a teoria de que se terá alvejado num campo de trigo em Auberge Ravoux e que morreu dias depois por causa do ferimento.
Agora os autores da biografia garantem que Van Gogh não foi para os campos e trigo para se suicidar e que foi atingido acidentalmente por dois jovens que manejavam uma arma com problemas de funcionamento.
Van Gogh terá encoberto a história para não denunciar os rapazes, que possivelmente seriam acusados de tentativa de homicídio, e atribuiu a si a culpa do disparo, sublinham os biógrafos, que investigaram dezenas de cartas do artista que estavam por traduzir.
Para os dois autores, Van Gogh não procurava a morte, mas aceitou-a, num momento em que passava por dificuldades, não vendia as obras que criava e estava a ser financiado pelo irmão."(Lusa).
Pronto, corrijam lá a biografia e os manuais. Também não será por isso que starry, starry night  (Vincent) de Don McLean   deixará de ser belíssima.

10/11/11

Da recusa escolar à motivação de sucesso

Vejo com alguma frequência alunos que mostram desinteresse pela escola. O leque do desinteresse e da desmotivação é grande: vai da pouca vontade de estudar, fazer os tpc, até à recusa da escola e ao seu abandono.
Ouvimos muitas vezes aos pais: não sei como hei-de fazer para que se interesse pela escola, segue a lei do menor esforço, é preciso dizer-lhe mil vezes para estudar,  nunca faz o que lhe mando fazer...
Para os psicólogos, professores e  pais há dificuldade em compreender porque é que uma criança recusa a escola. Não compreendemos porque é que uma criança aparentemente tem todas as condições materiais para viver sem problemas que, afinal, não gosta de nada, não quer fazer nada.
Reconhecendo que são problemas complexos e de difícil solução, podemos tentar compreender o que se passa com a desmotivação destas crianças.
A recusa escolar pode dever-se a fragilidade psicológica da criança relacionadas com agressões como o bullying, experiências de ridículo, críticas, ameaças, lesão  física ou lutas  com outras crianças ou com professores ou adultos demasiado opressivos e punitivos que possam afectar a vida escolar da criança.
São factores externos que podem explicar a situação de recusa. Assim como as mudança  de escola,  estar com muitas crianças numa escola muito grande; o medo dos testes e exames e  medo do insucesso escolar
Acontece  que, geralmente, há factores que predispõem para a recusa escolar que partem da própria família:
- existência de ansiedade ou de depressão nos pais,
- superprotecção e dependência  em relação aos pais,
-  angústia de separação na criança, relação muito estreita da mãe com a criança e relação distante com o marido,
- medo da separação dos pais,
- ciúmes exagerados de um irmão,
- expectativas dos pais face às expectativas da criança: há  pais com expectativas  pouco realistas sobre o rendimento escolar da criança, com exigências de cumprimento de objectivos difíceis de alcançar,
- pais que valorizam  pouco a educação escolar ou que têm atitudes negativas para com a  escola.
Alguns pais reforçam a conduta de recusa de ir à escola devido, por exemplo, ao seu estilo educativo superprotector ou obtêm algum benefício de que as crianças fiquem com eles (como no caso de algumas mães com fobia social).
Além disso, reforçam positivamente os filhos quando  ficam em casa porque  têm mais atenção, mimos, ver TV, realizar jogos no computador, levantar-se tarde.
Pode também acontecer que  a criança se sinta reforçada quando anda na rua com colegas, geralmente mais velhos e também desinteressados da escola.
Os factores são imensos e temos dificuldade em determinar quais deles são essenciais para desencadear a recusa escolar.
E continuamos a fazer a pergunta: Porque é que estas crianças não evoluem no seu comportamento para a motivação de sucesso e para a competência ?
A motivação para a competência é um impulso básico de todos os seres humanos que leva a  poder desenvolver um controlo  sobre o meio  em que vivem.
Algumas crianças parece que não querem o caminho que segue a maioria para  atingir o sucesso. E a sorte ou o destino não explicam tudo.  Não será preferível mudar alguns comportamentos familiares ?

04/11/11

Escola pública, explicações privadas: o que o ranking não avalia

A realidade da escola estatal tem sido mistificada de vários modos. O ranking das escolas do ensino secundário é disso um exemplo. Aquilo que aparece no ranking não são os resultados da escola estatal, são os resultados da escola estatal mais os resultados das explicações. Normalmente a comunicação social não fala disso.
Um grupo de investigadores da Universidade de Aveiro, no âmbito de um estudo sobre este assunto, em Portugal, destaca alguns aspectos desse estudo:
- percentagem  elevada de alunos do ensino secundário que recorrem a explicações;
- percentagem de procura superior nos grupos de maior poder económico e com habilitações académicas mais elevadas;
- oferta mais elevada nos meios urbanos do que nos rurais;
-  procura mais elevada nas disciplinas que conduzem a cursos superiores com melhor estatuto social e maior empregabilidade.

"Os resultados de uma investigação de Costa, Ventura e Neto-Mendes (2003) em quatro escolas secundárias mostraram que na escola mais bem colocada no ranking nacional, 72% dos estudantes usufruíram de explicações, enquanto na escola mais mal posicionada  no ranking menos de metade dos alunos tiveram apoios para além das aulas." *

Não deixam de ser interessantes os motivos do recurso às explicações, apresentados no gráfico seguinte incluído no trabalho de T. Silveirinha *



Não finjam que não existiu


No final do documentário sobre o 11 de Setembro é referido: "agora não finjam que não existiu".
A memória é de facto curta e espera-se algum tempo para que o esquecimento faça o seu trabalho.
A democracia é a possibilidade de alternativas, de alternâncias, de lideranças democráticas substituíveis e de rejeição absoluta dos chamados líderes carismáticos insubstituíveis.
A ideia de que há políticos insubstituíveis, como no governo anterior, afinal, não passava de realidade de teleponto culminando nessa indução religiosa “vocês estão comigo?, precedida do congresso de fidelização de 93,3%.
Em 5 de Junho houve mudança porque, felizmente, muitos cidadãos lutaram democraticamente para que ela fosse possível. Personalidades independentes, como Medina Carreira e António Barreto deram um contributo inestimável à democracia participativa.
A mudança não veio daqueles que na véspera de 5 de Junho ainda afirmavam que Sócrates era a pessoa indicada para continuar na liderança. Mário Soares, num comício no Porto, deu três evidências para manter Sócrates no poder: "ganhou uma experiência excepcional, tem amigos na Europa e conhece toda a gente".
O país pode dever muito a Soares mas não lhe deve certamente o afastamento de Sócrates. 
Parece evidente que, afinal, há líderes políticos, mais competentes, técnica e politicamente, neste país, como haverá quando este governo cair porque é próprio dos governos, em democracia, chegarem ao fim. Os que não caem é porque são “uma nódoa e só saem com benzina” (Eça). O pior como temos visto ultimamente, é quando a queda se faz de forma trágica para os próprios e  para os povos quando um líder tido por carismático se prolonga no poder décadas a fio.
Era necessário algum ar fresco, no estilo, mas também na humildade democrática, no diálogo, na ausência de tiques autoritários, na governação para as pessoas, numa gestão sem confrontos inúteis e, principalmente, na verdade: não há possibilidade de sustentar o apregoado estado social que o neo-socialismo pensa que é ilimitado.
A ideia de que o poder é temporário e de que o pensamento único e unânime é pernicioso e, por isso, o poder deve ser questionado, principalmente quando é de maioria, deverá ser o normal numa democracia.
A crítica interna, é fundamental: o actual poder não sabe a sorte que tem quando é criticado livremente, com mais ou menos razão, de forma mais estruturada ou não, por pessoas como Pacheco Pereira, Marcelo Rebelo de Sousa, Santana Lopes, Ferreira Leite, Cavaco Silva, etc. 
A crítica e todo o contraditório que existe na sociedade, são a essência da vida democrática. Não há ninguém acima da lei e também não há ninguém acima da crítica, muito menos dentro do poder.
“Precisamos de dirigentes que saibam correr riscos e tomem decisões, mas também precisamos que admitam os seus erros”, David Owen.
Gosto das “notas” de PP Coelho e de quando não as segue. No dia em que começar a usar o teleponto por/para tudo e por/para nada começará o fingimento e a decadência.
Afinal, havia outra… politica e maneira de a fazer. Mesmo que as dificuldades sejam imensas.
A memória é curta mas desta vez que leve muito tempo até fingirem que não existiu...

03/11/11

Motivação e força de vontade

Capa de Marta Teixeira

Hoje de manhã custou-me levantar da cama. Há dias em que não nos apetece fazer nada. Ou porque estamos mais cansados ou pura e simplesmente porque não temos força de vontade para tomar decisões para fazermos alguma coisa.
Quando se fala do problema da força de vontade associa-se imediatamente aos jovens e à educação da força de vontade. Partindo do princípio de que os adultos têm esse assunto da força de vontade resolvido, isto é, os adolescentes têm que ser educados porque os adultos já têm isso adquirido.
Educar a vontade é entendido por alguns educadores como a criança ou o adolescente deve “fazer a nossa vontade”. E educar a vontade será treiná-la para fazer a vontade do adulto, aprender a obedecer ao adulto. A aprendizagem da obediência é importante desde que não se retire a autonomia, a iniciativa e a criatividade. E, acima de tudo, que a criança não perca a capacidade de autocontrolo, isto é, que não aprenda que faça ela o que fizer vai sempre fracassar.
Não nos devemos esquecer que a adolescência passa por períodos em que a falta de vontade é mais uma característica do que propriamente uma patologia.
O aborrecimento próprio da adolescência deve apenas indicar-nos que o adolescente se está a desenvolver normalmente e que essa falta de decisão é própria do desenvolvimento.
É necessário entender quando o quadro de aborrecimento e de falta de vontade pode configurar alguma patologia, como acontece quando o rendimento escolar é fraco e o desinteresse por tudo o que o rodeia é assinalável.
Quem tem filhos adolescentes, ou trabalha com adolescentes sabe que não podemos confundir estas situações. Eles cansam-se facilmente, sentam-se frequentemente em situações que requerem actividade física, não lhes apetece nada…
Claro que devemos excluir qualquer problema de saúde. No campo psicológico devemos distinguir o que faz parte do desenvolvimento daquilo que pode ser perturbação. Podemos estar no campo da abulia que é uma incapacidade de tomar decisões ou, o que é mais frequente, da hipobulia ou diminuição da vontade.
A perspectiva da psicologia positiva trata a vontade como uma força que significa sermos capazes de fazer o que devemos e termos força para conseguir atingir os objectivos.
Para isso, necessitamos de ter talento e forças mas devemos distingui-los. O talento pode ser grande mas de facto não ser activado porque as forças não são suficientes. E muita gente desperdiça os talentos que tem.
Obviamente que as coisas prazerosas ou a passividade não requerem grande força de vontade.
Como as actividades difíceis reclamam a força de vontade, estas forças são também consideradas virtudes. Mas hoje falar de virtude entendida como aquilo que não é fácil de realizar, que necessita de esforço e de aplicação, não está na ordem do dia….
Contra a corrente, alguns psicólogos, como Seligman, vêm falando de virtudes e de forças de carácter. Propõe uma classificação de vinte e quatro forças, tais como: a curiosidade, o gosto pela aprendizagem, o pensamento crítico, a bondade e generosidade, apreciar a beleza, a gratidão e o prazer…
Temos apenas que descobrir quais são as nossas principais forças e é nelas que deve assentar o nosso projecto de vida.

01/11/11

Viver no passado *

Ensinaram-nos que a nossa vida depende do nosso passado. Na escola e na universidade os estudos que fizemos passavam por compreender alguns autores que fundamentavam a nossa vida com o nosso passado.
De tal modo que essa passou a ser a crença de muita gente levando a que continuemos a viver como se tudo dependesse do nosso passado.
Por isso quase não questionamos essas grandes teorias defendidas por três grandes autores que sem dúvida marcaram o último século: Darwin, Marx e Freud.
Para Darwin somos o resultado de uma evolução de milhões de anos em que o que somos é uma colecção de características adaptativas que foram sobressaindo ao longo do tempo como  resultado da adaptação às condições ambientais.
Para Marx haveria a luta de classes da qual havia de resultar a vitória do comunismo sobre o capitalismo e uma sociedade sem classes.
E para Freud haveria também um determinismo uma vez que a nossa vida adulta dependeria do nossa infância.
Em termos genéticos, evolutivos ou sociais, estaríamos dependentes do nosso passado.
Sem dúvida há muito de verdade nestas premissas e os contextos do nosso passado influenciam a nossa personalidade no presente e no futuro. Mas o que é determinante ?
Aquilo que está a acontecer à nossa sociedade é porque as nossas instituições não só sofrem a influência do passado mas vivem no passado. São instituições dos século XIX e da primeira metade do século XX.
O sindicalismo tem desenvolvido  acções, greves por tudo e por nada, lutas  em relação a todas as matérias: politicas, sociais, económicas, de gestão, de legislação, etc… mas não se liberta desta visão determinista.
O sindicalismo não quer apenas defender os direitos e interesses dos trabalhadores na relação empregador-empregado  mas  faz parte da luta política: derrubar o governo que está, actual ou outro qualquer, lutar contra as políticas principalmente as  que eles consideram de direita, mesmo quando estão partidos socialistas no poder.
A política de direita deve ser eliminada porque é responsável por tudo o que de mal acontece à sociedade e a luta deve continuar – a luta contínua ou a luta continua -  até um dia termos uma sociedade sem classes. Nessa altura, chegamos ao absurdo de, nessa sociedade, não haver sindicatos ou ficarem com um papel coadjuvante  do capitalismo de estado. Isto é, os sindicatos lutam pela sua própria extinção.
Não lhes interessa propor medidas positivas para resolver os problemas das organizações e das empresas. E muitas vezes algumas soluções vêm mais do colectivo de trabalhadores do que propriamente dos sindicatos que vivem, de facto, do e no passado.
Viver no passado é pensar que é bom deixar extravasar as  emoções sob pena de elas ficarem reprimidas e serem prejudiciais para a saúde.
A raiva deve sair para a rua. A greve geral é prioritária. Contra a violência das medidas do governo, o que lhes ocorre é a greve geral.
Mas estão a ser ultrapassados pelos "indignados", "sentados" ou "ocupas", alguns mais agressivos, espatifando equipamentos públicos ou propriedade privada. Manifestam, assim, comportamentos de raiva pensando que haverá algum benefício, no futuro, para a sociedade ou para a sua qualidade de vida.
É exactamente o inverso.
As pessoas que manifestam mais raiva e se exprimem com mais agressividade são as pessoas que vão ter mais  problemas de saúde, como problemas cardíacos.
É por isso que são tão necessárias as emoções positivas neste momento. Se não voltadas para o passado como a  satisfação, contentamento, orgulho e serenidade, que sejam as voltadas para o futuro: optimismo, esperança, confiança e fé e as voltadas para o presente: as gratificações do dia a dia.

Inspirado em Seligman, M.(2007), Felicidade Autêntica - os princípios da psicologia positiva, pag.91-97

Para além da crise e dos especuladores

As primeiras cegonhas chegaram, ontem, a Castelo Branco.

27/10/11

As emoções do avesso

alfazema - lavanda - erva do amor

As emoções fazem parte da nossa vida e constituem o mundo complexo da nossa vida psicológica.
São padrões de resposta a certos estímulos como os instintos, outras emoções especialmente as mais primitivas e actividades cognitivas. (Pedro Luzes)
Há muitas emoções. Podemos dizer que há mais palavras para descrever as emoções do que emoções propriamente ditas. Muitas vezes trata-se de tonalidades que as emoções podem apresentar.
Há as emoções primárias que são inatas. Como o medo, amor, raiva ou ira, felicidade e tristeza.
Há ainda as emoções secundárias que se aprendem como resultado de processos individuais, sociais e culturais.
A nossa vida do dia a dia ou da vida dos outros a que de alguma forma assistimos pelos meios de comunicação social, fazem com que muitas dessas emoções negativas sejam vivenciadas com alguma preocupação.
Mas não precisamos de trazer exemplos do mundo para evidenciarmos que é assim. Cá por casa, as medidas violentas do governo despertam nas pessoas diversos sentimentos e emoções.
Saber lidar com as nossas emoções é sempre importante principalmente quando vivemos debaixo de stress como no tempo presente.
Desde logo saber distinguir aquilo que é a expressão legítima dessas emoções e aquilo que é a manipulação das nossas emoções.
Por isso, é importante conhecer onde nascem as emoções.
A raiva pode nascer da falta de atenção dos pais aos filhos, desinteressando-se dos problemas que os venham a atingir. Ao longo do desenvolvimento, a criança sente-se desamparada e passada para segundo plano.
Erramos quando damos preferência a um dos filhos. Não nos podemos admirar que surjam ciúmes, desinteresse da escola, falha na auto-estima e, por vezes, aparece a agressividade descontrolada no jardim de infância ou no 1º ciclo.
Pode ainda ter respostas mais desajustadas como o desejo de vingança. Desejamos que algo de mal aconteça a essa pessoas. E às vezes passamos à prática.
Ou invejamos aquilo que as outras pessoas possuem. Achamos devemos ter o que os outros têm.
Surgem sentimentos morais como a indignação que às vezes é apenas  imaturidade moral, porque não somos capazes de nos colocarmos na pele do outro mas apenas queremos ter o que os outros têm.
Descobrir e expressar os sentimentos é sem dúvida importante para a nossa vida. Mas garantir o equilíbrio das nossas emoções é crucial para a nossa saúde mental.
A raiva é a resposta aos desequilíbrios internos ou externos. Às vezes volta-se para dentro de nós ou pode voltar-se para os outros de forma violenta.
A manifestação da raiva não é boa ou má em si. No entanto, se for excessiva, a manifestação da raiva pode levar-nos ao descontrolo o que acontece frequentemente quando estamos em grupo, podendo levar a extremos que ultrapassam  todos os princípios éticos.
Se a raiva e as outras emoções negativas levam a evitar ou enfrentar a ameaça, as emoções positivas, como a alegria, satisfação, gratidão e amor aumentam a flexibilidade do pensamento e do comportamento.
O ideal, o “número mágico” da felicidade seria 75% de emoções positivas e 25% de emoções negativas. (Fredrickson).
O que acontece é que parece que a nossa vida emocional anda virada do avesso: tantas emoções negativas para tão poucas positivas…

14/10/11

Verdade

"As medidas são minhas mas o défice não é meu". As medidas são nuas e cruas, o défice  não devia deixar de o ser para não restarem dúvidas do estado em que deixaram o país. Porque a negação da responsabilidade se mantém e o reconhecimento dos erros  é coisa que não se vislumbra.

12/10/11

A coisa mais importante



A educação é "gente com gente na frente". A entrevista de Steve Jobs a Daniel Morrow, é de 1995 quando começou, neste país, o equívoco de não ser.
The Role of Computers in Education
SJ: I absolutely don't believe that. As you've pointed out I've helped with more computers in more schools than anybody else in the world and I absolutely convinced that is by no means the most important thing. The most important thing is a person. A person who incites your curiosity and feeds your curiosity; and machines cannot do that in the same way that people can. The elements of discovery are all around you. You don't need a computer. Here - why does that fall? You know why? Nobody in the entire world knows why that falls. We can describe it pretty accurately but no one knows why. I don't need a computer to get a kid interested in that, to spend a week playing with gravity and trying to understand that and come up with reasons why.
DM: But you do need a person.
SJ: You need a person. Especially with computers the way they are now. Computers are very reactive but they're not proactive; they are not agents, if you will. They are very reactive. What children need is something more proactive. They need a guide. They don't need an assistant. I think we have all the material in the world to solve this problem; it's just being deployed in other places. I've been a very strong believer in that what we need to do in education is to go to the full voucher system. I know this isn't what the interview was supposed to be about but it is what I care about a great deal.

As artes e a felicidade




Continuo hoje a defender a relevância que as artes devem ter no currículo escolar.
A poesia "felicidade", de Vinicius de Morais, tem um verso que diz "tristeza não tem fim, felicidade sim". No entanto, pode acontecer que seja cada vez menos real se soubermos distinguir o importante do essencial e se soubermos dar importância às artes na nossa vida. Dessa forma a felicidade será mais duradoura.
Investigações recentes vieram mostrar essa relevância para a aprendizagem e estrategicamente as artes são um contributo significativo para a felicidade das pessoas.
Conhecemos por experiência própria os efeitos que a música provoca na nossa personalidade. A música pode ajudar-nos a ultrapassar algumas situações desagradáveis: acalma-nos quando estamos nervosos e ansiosos, ajuda-nos a relaxar e a ficar mais tranquilos, a sentir alegria e prazer quando estamos tristes, ajuda-nos a ultrapassar os nossos lutos. Também pode provocar emoções: podemos sentir tristeza, alegria, angústia quando ouvimos determinadas músicas.
Na realidade temos algumas evidências de que é assim. Há fundamentos biológicos que nos ajudam a compreender o que se passa.
Investigações revelaram que a música ao actuar no SNC aumenta os níveis de endorfinas, assim como de outros neurotransmissores como a dopamina, a acetilcolina e oxitoxina. (1)
Como se sabe as endorfinas dão motivação, energia perante a vida e alegria e optimismo diminuem a dor e contribuem para a sensação de bem estar estimulam os sentimentos de gratidão e satisfação existencial.
Num estudo de A Goldstein, metade das pessoas estudadas experimentava euforia enquanto ouvia musica. (1)
Outro estudo de 1996 a estimulação da musica aumenta a libertação de endorfinas e diminui a necessidade de medicamentos e é também um meio para se abstrair da dor e aliviar a ansiedade.1
Na Universidade de Michigan (EUA), médicos pesquisadores descobriram que o som da harpa alivia os pacientes portadores de sintomas histéricos e que os solos de violino podem eliminar dores de cabeça e diminuir a enxaqueca.(1)
Num estudo de 2001, mostra-se que as respostas prazerosas à musica estão correlacionadas com a actividade das regiões do cérebro implicadas nos mecanismos de recompensa e emoção, entre os quais se encontra a amígdala, o córtex pré-frontal, o córtex orbifrontal e outras estruturas que também se activam em resposta a outros estímulos indutores de euforia como a comida o sexo e as drogas. (1)
Sabemos hoje que a música é um primeiro meio de expressão que serve para comunicar.
A musica precede a linguagem e era utilizada pelos grupos de hominídeos quando ainda não sabiam vocalizar (tese de Steven Mithen). (1)
Podemos verificar em qualquer criança de 8-9 meses que ao ouvir música a criança é capaz de reagir à música pois sabe que essa é uma forma de comunicar e, com o balanceamento do corpo, mostrar que identifica aquela situação que é também prazerosa.
Ao contrário do que pensávamos a música não teria a ver apenas com uma questão cultural mas também com uma questão genética e haveria uma predisposição para o gozo artístico situado nos genes.
Em tempos de dificuldades a música pode ser um bom calmante para prolongarmos a felicidade e o verso de Vinicius ser menos verdadeiro.

(1) Referido por Punset, E. - El viaje a la felicidad - Las nuevas claves cientificas.

07/10/11

Dia de Outono

Castelo Branco, 6-10-2011, 19H25 





Dia de Outono

                                        Senhor: é tempo. O Verão foi muito longo.
                                        Lança a tua sombra sobre os relógios de sol
                                        e solta os ventos sobre os campos.

                                        Ordena aos últimos frutos que amadureçam;
                                        dá-lhes ainda dois dias meridionais,
                                        apressa-os para a plenitude e verte
                                        a última doçura no vinho pesado.
                                        Quem agora não tem casa já não vai construí-la.
                                        Quem agora está só, assim ficará por muito tempo,
                                        velará, lerá, escreverá longas cartas
                                        e vagueará inquieto pelas alamedas acima e abaixo,
                                        quando caírem as folhas.
                                        R. M. Rilke, O livro das imagens, Relógio d' Água

04/10/11

As manigâncias * da espionagem


No livro referido, já tínhamos reparado que a espionagem interna é bastante velha e serve para favorecer os amigos. 
"As amizades cúmplices que a política faz nunca são estranhas; só parecem sê-lo a quem não conhece o meio. No caso de Richard Nixon, não obstante uma presença na politica norte-americana durante os últimos vinte e cinco anos, esse meio tem passado notavelmente despercebido, ou tem sido, quando alguém se debruça sobre ele, notavelmente incompreendido; por conseguinte, os amigos de Nixon têm ficado numa obscuridade invulgar tanto em relação ao público como aos pontífices da politica que geralmente se ocupam dessas questões..."
"As amizades nixonianas, as pessoas cujas convicções o presidente exprime e cujos interesses defende, são, de modo geral, os soberanos económicos, da orla meridional da América, a chamada «zona de sol», que vai, desde o Sul da Califórnia, passa pelo Arizona e pelo Texas e termina na Florida. São, na maioria, homens de dinheiro fresco, sem as fortunas familiares e os ascendentes próprios da riqueza dos estados do Este (Rockefellers, Du Ponts, etc.), homens que construíram a sua fortuna nas décadas do pós-guerra, especialmente nas novas indústrias ligadas à exploração espacial e à defesa, petróleo, gasolina e negócios afins, em geral mais no plano interno do que internacional e em operações de bens imobiliários no decorrer da explosão populacional na zona de sol, no pós-guerra." 
 (Kirkpatrick Sale, "Por trás de Watergate", pag 9 e 10)
"Há um aspecto da embrulhada de Watergate que tem sido objecto de maior atenção no estrangeiro do que nos Estados Unidos, e que foi resumido pelo «Observer» de Londres, cujo editorial dizia: «A maneira como este escândalo está actualmente a ser implacavelmente exposto, deveria [ ...] dar força à pretensão americana de ser a mais aberta de todas as sociedades. Têm acontecido manigâncias políticas em muitos países, mas em poucos desses países poderiam essas manigâncias ter sido expostas tão publicamente como está acontecendo nos Estados Unidos.»
O cíníco jornal humorístico francês «Le Canard Enchainé» conclui sarcasticamente: «Em França, este género de coisa não nos impressiona. Se tivesse de haver um escândalo de cada vez que os príncipes que nos governam encarregassem a polícia de escutar os telefonemas dos dirigentes da oposição, dos jornalistas, dos seus próprios aliados políticos e dos vários chefes dos serviços de polícia, nunca mais acabaríamos. ..
«Pobres e ingénuos americanos, que levam a tribunal um simples caso de espionagem electrónica! Em França, não caímos nessa. Um novo centro de registo de comunicações acaba justamente de ser inaugurado, ainda que discretamente, a despeito da sua quase completa ilegalidade. ..e isto, evidentemente, sem que um jornalista, um par1amentar ou  um magistrado (para só mencionar alguns dos possíveis interessados) tenha dito uma palavra sequer.
«É preciso ser-se americano para ficar escandalizado com ninharias destas.»
A verdade é que todas as democracias contemporâneas têm sido manchadas, de tempos a tempos, com práticas imorais..."

(C.L. Sulzberger - "Exceptuando todos os  outros", pag.55 e 56)
*manigância   s. f. - [Informal] Manha ou arte com que se fazem habilidades de mãos. [Figurado] Manobras ocultas com que se fazem bons negócios.

30/09/11

Desaprender para se ser feliz...


Ser felizes é, no fundo, aquilo que pretendemos que nos aconteça. Mas o que é que nos faz felizes ?
Já vimos que o dinheiro não nos faz felizes e não há uma relação directa entre felicidade e produto interno bruto (PIB). Ou seja, para além do crescimento económico e do desenvolvimento material, a felicidade depende do desenvolvimento das emoções.
Sabemos que as emoções e os sentimentos negativos, como a tristeza, a angústia e a raiva influenciam a saúde.
Os psicólogos falam de uma "psicologia positiva" (Seligman) que visa determinar o peso das emoções positivas no equilíbrio físico e mental.
Para sermos felizes podemos começar por separar o essencial do importante. Existem muitas coisas importantes na nossa vida. No entanto, a maior parte delas não são essenciais.
É fácil reconhecer que as três primeiras dezenas de anos da nossa vida são de um  grande e rápido desenvolvimento que esgota os recursos que nos tornam facilmente felizes.
Os quarenta anos seguintes são um pouco redundantes e então devemos perceber que não se trata apenas do ser humano se reproduzir mas da forma como vai fazer a sua  manutenção nesses quarenta anos.
A manutenção de uma vida feliz tem a ver com saber emocionar-se mas ao mesmo tempo saber controlar as emoções.
Quais são então os factores que não nos deixam ser felizes ?
- A ausência de desaprendizagem. Por isso, temos que desaprender muitas coisas principalmente aquelas que não podemos confirmar pela experimentação.
- Muitas coisas que resultam da memória grupal, como acontece com tantas coisas como o preconceito...
- A felicidade é essencialmente a ausência de medo. Por isso o que deve dominar a nossa actividade não é a emoção básica de medo mas o aperfeiçoamento de competências pessoais e interpessoais.
Também podem reduzir a nossa felicidade os factores que resultam da carga genética e hereditária que cada um de nós possui. Desde logo, porque podemos ter algumas alterações genéticas que não nos permitem utilizar os nossos recursos da melhor maneira.
Os materiais biológicos de que somos feitos vão ficando desgastados e o envelhecimento é um desses sintomas. A felicidade depende de sabermos evitar as agressões a que o nosso organismo está sujeito.
A persistência de sistemas políticos não democráticos e a presença de governos corruptos tem muita importância nos índices de felicidade.
Por outro lado, o homem, contrariamente aos outros animais, não necessita de entrar na situação concreta para entrar em stress. Basta imaginar uma situação de perigo para desencadear as suas emoções básicas, como o medo.
Ser feliz depende de factores tais como "minimizar as aprendizagens inúteis, que nos condicionam, minimizar o pensamento acrítico do grupo, minimizar os processos automáticos de comportamento, minimizar o medo e as cargas genéticas herdadas, tendo especial vigilância ao poder político".
Além disso ser felizes depende da emoção que colocamos nos nossos projectos, a atenção ao pormenor, o desfrutar da pesquisa e da expectativa e das  relações pessoais.*
Como dizia o Solnado, façam o favor de ser felizes.
*Condensado do cap.8 de Punset, E. - El viaje a la felicidad - Las nuevas claves cientificas, Barcelona: Ediciones Destino, S. A.