30/12/17

O 13º terror de Natal

13. Mensagem de Natal do primeiro-ministro
Que agnóstico convicto daria importância a um Natal, em que não acredita,  se não fosse estar associado à fama do Pai Natal, que usa barba, apesar de branca, e veste de vermelho. Desejar bom  Natal aos outros quem não acredita nele é para ficar desvanecido...
Quem podia deixar de concordar com esta invasão de prendas - "mais crescimento, melhor emprego, maior igualdade"? Será já coisa de campanha eleitoral? A prenda concreta no sapatinho dos partidos, sem limite no financiamento e sem IVA, foi colocada pelo Pai Natal da AR, apoiado pela larga maioria dos seus ajudantes bons. Este "ano saboroso", não podia acabar melhor.

Texto alternativo, pode ser "Liderança de malucos":
"... Depois, essas aparições recentes de António Costa nos locais dos grandes incêndios do Verão, quando alguma obra vai aparecendo, e esse discurso de Natal, cheio de sentimento e afecto, quando na altura da primeira tragédia mais não fez do que pirar-se para férias, deixando o povo à sua sorte...
Seguiu-se essa lei ignóbil do financiamento e da isenção de IVA dos partidos políticos, logo quando em 2018 a carga fiscal sobre os portugueses aumenta em 2018, os quadros do OE o confirmam, contra aquilo que a geringonça mentirosamente, com ar matreiro, vai dizendo. 
E, cereja no topo do bolo, perante o despropósito da lei e o alarido geral, alguns dos partidos que na véspera aprovaram a lei, vêm no dia seguinte dizer que a mesma “não espelha a posição de fundo sobre esta matéria”...
E é nesta liderança de malucos que temos que ir vivendo..." (4R-Quarta República, Pinho Cardão)

Os outros 12 terrores estão aqui.

Ou aqui: The 12 Terrors of Christmas by Edward Gorey x John Updike.


27/12/17

Concerto de Natal

17-12-2016. Concerto de Natal dos Seis Órgãos da Basílica de Mafra 
com o Coro da Academia de Música de Sta Cecília 

Programa de 2017, informação da RTP 2:
Concerto de Natal na Basílica do Palácio de Mafra com a participação do coro da Academia de Música de Santa Cecília
Concerto de Natal a seis orgãos na Basílica do Palácio de Mafra com a interpretação de cerca de 300 vozes da Academia de Música de Santa Cecília, que entoam canções de natal bem conhecidas bem como dos compositores Eurico Carrapatoso e Carlos Garcia, em estreia nestes concertos.
Direção Musical
António Gonçalves
Soprano
Rafaela Faria
Ensemble Vocal Da Amsc
Coro Do 2º Ciclo Da Amsc
Coros Do 3º Ciclo E Secundário da Amsc
Órgão Da Epístola
Rui Paiva
Órgão Do Evangelho
Flávia Almeida Castro
Órgão De S. Pedro d´Alcântara
Carlos Garcia
Órgão Do Sacramento
João Valério
Órgão Da Conceição
Liliana Silva
Órgão De Santa Bárbara
Afonso Dias
 

21/12/17

Taxas e taxinhas: TMPC (2)

"O Tribunal Constitucional (TC) declarou inconstitucional a Taxa Municipal de Proteção Civil (TMPC) aplicada pela Câmara de Lisboa. O presidente da câmara Fernando Medina garantiu, esta terça-feira, que irá devolver dinheiro aos munícipes, num total de 58 milhões de euros." (Observador, 19-12-2017)
A facilidade com que se atiram ao bolso do contribuinte, conforme aqui sugeria, era demasiado escandalosa!

20/12/17

Natal da família

Resultado de imagem para ana e joaquim 
Sagrada Família com São Joaquim e Santa Ana (Nicolás Juarez, 1699)

Costumamos associar o Natal às crianças, com propriedade, mas o Natal é de toda a família.
Todos sabemos que a população portuguesa acima dos 65 anos (2,1 milhões de pessoas) continua a aumentar. Por outro lado, as pessoas idosas com vidas activas, saudáveis e produtivas atingem níveis etários cada vez mais mais elevados.
Porém, a fragilidade física e mental vai acontecendo e nem sempre são acompanhadas pela família e sociedade, respeitando os seus direitos, sendo, ao contrário, muitas vezes, vítimas de maus tratos.
Segundo a Associação de Apoio à Vítima (APAV), “a violência contra as pessoas idosas pode ter várias formas e implicar a prática de vários crimes".
Violência Física: qualquer comportamento que implique agressão física, por exemplo, crimes de ofensa à integridade física, maus tratos físicos, sequestro, intervenções e tratamentos médicos arbitrários.
Violência Psicológica/Verbal: Provocar intencionalmente na pessoa idosa dor, angústia através de ameaças, humilhações ou intimidação de forma verbal ou não verbal, por exemplo, insultos, ameaças, humilhação, intimidação, isolamento social, proibição de atividades.
Violência Sexual: Violência na qual o agressor abusa do poder que tem sobre a vítima para obter gratificação sexual, sem o seu consentimento, sendo induzida ou obrigada a práticas sexuais com ou sem violência.
Negligência e Abandono: é o ato de omissão de auxílio do responsável pela pessoa idosa em providenciar as necessidades básicas, necessárias à sua sobrevivência, por exemplo, o crime de omissão de auxílio e não providenciar acesso a cuidados de saúde.
Violência Financeira/económica: qualquer prática que visa a apropriação ilícita do património de uma pessoa idosa e pode ser realizada por familiares, profissionais e instituições.
Violência Doméstica: Infligir, de forma continuada ou não, maus tratos físicos ou psíquicos, a pessoa particularmente indefesa em razão da sua idade ou dependência económica que consigo coabite, por exemplo, castigos corporais, privações da liberdade e ofensas sexuais.”
Segundo a APAV, “Negligência e abandono é a primeira causa mais comum da violência sobre idosos, seguida da violência Psicológica ou Verbal. Os sinais de negligência e abandono são os seguintes:
“Perda de peso, má nutrição, desidratação;
Falta de condições de higiene do quarto;
Encontrar-se sujo ou sem ter tomado banho;
Roupa ou agasalhos inadequados para a estação do ano;
Falta de condições de segurança da habitação (aquecimento, material elétrico sem proteção);
Desaparecimento do idoso em local público.”
É exactamente no Natal e no Verão que aumenta o abandono de idosos nos hospitais, em Portugal. Não faz sentido que num período em que mais falamos de amor, a realidade seja a do abandono. Não faz sentido, que no final da vida de trabalho, ou na parte final da vida, e numa quadra festiva como o Natal que devia ser de acolhimento, sejam principalmente os mais frágeis que são abandonados.
Em quatro anos, entre 2013 e 2016, a violência contra idosos aumentou 34%, em Portugal. Os agressores são na maioria os filhos (39,6%), o cônjuge (26,5%), mas também há casos em que são os vizinhos (4,4%) e os netos (36%). (APAV)
A nossa sociedade está confrontada com o envelhecimento da sua população e é necessário que as famílias se consciencializem de que mais tarde ou mais cedo se vão confrontar com esta situação. E há-de chegar a nossa vez de sentir, de dar ou necessitar de apoio, ou de alguém sentir a nossa ausência porque, como na poesia de David Mourão-Ferreira, “Há-de vir um Natal e será o primeiro” ("Ladainha Dos Póstumos Natais").
É, por isso, necessário tomar medidas legais contra os que maltratam os idosos. Mas mais importante do que isso, será compreender o espírito do Natal e fazermos a mudança do nosso coração para o modo do afecto e da compaixão para com os nossos familiares idosos.

Feliz Natal para todas as famílias.

13/12/17

"Fora do lugar"

Pelo sonho é que vamos, escrevia Sebastião da Gama. Quando olhamos para o mundo rural e para a desertificação humana que o caracteriza vale a pena continuar a sonhar. Há indícios de que a mudança se vai fazendo à medida que se pretende ter qualidade de vida, um estilo de vida que passa pelo mundo rural no que tem de mais identitário e original e pelo mundo urbano no que tem de excelência na criatividade e modernidade.
Uma grande permeabilidade entre o meio urbano e o mundo rural atenua diferenças e é uma inevitabilidade a globalização da informação e comunicação: o vizinho mais próxima encontra-se no teclado de um computador, temos a actualidade a ser debitada a todo o momento na internet, acedemos aos serviços em segundos e com frequência estamos fisicamente num mundo ou no outro. É um inconveniente mas também uma vantagem em relação ao passado.
Um dos factores que contrariam esta ideia é a tendência para seguir modas. Ao fazerem isso, as pessoas que estoicamente continuam a querer viver em espaços mais descentralizados como os espaços rurais, correm o risco de perderem a sua identidade.

O problema, então, é quando todos vão realizando projectos semelhantes e as mesmas actividades. Foram as rotundas, as piscinas, os polidesportivos, os parques infantis, as universidades da 3ª idade ... agora temos as feiras medievais, as festas das TVs, os festivais de verão...
Quando afinal o que distingue é a identidade inscrita no património construído e na cultura, nas tradições populares, na música, no artesanato, na relações de vizinhança e entreajuda.

A estratégia da câmara municipal de Idanha-a-Nova foi a aposta na música, fazendo parte da rede de cidades criativas da UNESCO - organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.
Em Idanha destacou-se a música e a ligação profunda a instrumentos tradicionais como o adufe e a manifestações musicais populares e religiosas.
Neste contexto, decorreu, no concelho de Idanha a 6ª edição do programa - "Fora do Lugar - Festival internacional de músicas antigas". A identidade aberta à música intemporal com intérpretes de todo o mundo.

Tive a oportunidade de estar em dois momentos "fora do lugar":
O primeiro, “conversa mesmo ao pé”, com o professor Jorge Paiva, biólogo e botânico da Universidade de Coimbra, com 84 anos de idade. Falou da biodiversidade de uma forma encantadora e simples. E só quem sabe muito consegue falar de forma simples de assuntos verdadeiramente complexos.
Sem facciosismos, considera que todas os políticos de todas as cores têm responsabilidade naquilo que estão a fazer ao mundo, em que os negócios e a devastação das florestas por causas humanas, e a comunicação social que desenfreadamente noticia durante imenso tempo os incêndios florestais.
Diz-nos que não são só as fábricas apenas que estão a destruir o ambiente. Mais importante é a devastação das florestas e da biodiversidade. Fala da necessidade da biodiversidade e das plantas que podem conter a resposta para muitas doenças da humanidade.
Jorge Paiva tem esperança em dias melhores e por isso manda anualmente as boas festas aos políticos com a fotografia de uma árvore de Natal especial.

O segundo momento foi o "concerto mesmo ao pé"- Musick's Recreation, com Milena Cord-to-Krax, flauta, (Alemanha), Alex Nicholls, violoncelo, (Austrália) e César Queruz, tiorba, (Colômbia), apresentado num local “fora do lugar”, o Centro de Dia de S. Miguel d’Acha, sem dúvida uma ideia óptima que leva música de excelência a quem é capaz de apreciar, a pessoas idosas que merecem o melhor.

Não faz parte do festival “fora do lugar”, mas podia, a exposição de pintura na casa da cultura de S. Miguel d'Acha dedicada ao tema "migração", com obras da colecção de Paulo Lopo: Gracinda Candeias, Júlio Pomar, Mário Cesariny, Lourdes Castro, José de Guimarães, Joaquim Martins Correia, M. Helena Vieira da Silva, Manuel Cargaleiro, Nadir Afonso. Todos têm em comum o facto de terem estado em algum momento das suas vidas noutro país.
Tem ainda em exposição uma obra de Carlos Farinha uma tela, de 2013, justamente intitulada “Migração” que pelas suas dimensões (220X700 cm) ficou exposta na igreja de S. Miguel.
Podemos dizer, parafraseando Sebastião da Gama,  que “pela cultura é que vamos”...
 

11/12/17

Direitos das crianças



Criada pelas Nações Unidas, a UNICEF iniciou suas actividades em 11 de Dezembro de 1946.  "Agência das Nações Unidas que tem como objectivo promover a defesa dos direitos das crianças, ajudar a dar resposta às suas necessidades básicas e contribuir para o seu pleno desenvolvimento.
A UNICEF rege-se pela
Convenção sobre os Direitos da Criança, e trabalha para que esses direitos se convertam em princípios éticos permanentes e em códigos de conduta internacionais para as crianças."

10/12/17

Maldade: o caso das crianças desaparecidas

Há casos de crianças desaparecidas mais mediáticos que outros e, por isso, certamente, todos nos lembramos do caso Rui Pedro, Maddie ou, mais recentemente, Maëlys, uma menina que desapareceu num casamento, em França.
No entanto, todos os dias há crianças que desaparecem, são raptadas, traficadas e até escravizadas. Num ano, são dadas como desaparecidas 250 mil crianças na Europa.
Na sociedade em que vivemos muitas pessoas manifestam emoções de bondade e de perdão, de compaixão e empatia. Porém este é também o mundo em que há gente muito perigosa que surge em qualquer sítio ou situação mesmo nos espaços mais inocentes e, aparentemente, com pouco risco, como é um casamento. Claro que esta prática é hoje facilitada pelas redes sociais.
A mente humana é capaz de criar maravilhosas obras de arte ou extraordinários mecanismos tecnológicas mas igualmente a mente humana é responsável pela crueldade. Por que é que isto acontece, porque há pessoas que têm prazer em serem cruéis ? Não só as classificadas como psicopatas ou condenadas por crimes violentos, mas também os bullies nas escolas, os trolls na internet e até membros da sociedade tidos como respeitáveis… (Delroy Paulhus)
Nenhum país está ao abrigo da actuação destes criminosos. Seja pouco ou muito desenvolvido, desaparecem crianças, sem deixar rasto…

No entanto, havendo tanta maldade na nossa realidade, não encontramos a palavra “maldade", nos diversos dicionários de psicologia pesquisados. 1 No Dicionário temático Larousse – Psicologia, Círculo de Leitores, existe malignidade. propensão para fazer o mal. "Certas pessoas sentem prazer em suscitar cabalas, em propagar boatos malévolos em relação ao próximo. Nas crianças a malignidade exerce-se essencialmente sobre os animais e sobre os companheiros mais fracos, que martirizam física e moralmente; por vezes a malvadez toma por alvo um adulto, contra o qual são referidas acusações odiosas. Esta forma de perversão agressiva é frequentemente causada por distúrbios de desenvolvimento afectivo."

Para o psicólogo Delroy Paulhus, o mundo é complexo e não claramente dividida entre pessoas boas e más mas com muitas situações escuras, com personalidades escuras, socialmente aversivas. O seu interesse começou pelo maquiavelismo, narcisismo e psicopatia a que acrescentou o sadismo ("sadismo quotidiano").
Para o psiquiatra Michael Stone, actualmente, a palavra “maldade” não é considerada um termo médico e tampouco faz referência a alguma desordem mental. Mas deveria ser. 
Embora se possa discordar da sua análise, valorizando o papel dos valores sociais, religiosos e culturais que mudam com o tempo, ela tem vantagem pelo facto de se compreender que o leque de pessoas problemáticas nesta área é vasto. 
A partir do estudo de diversos casos de assassinatos em série e tratar alguns deles, ele criou e publicou um “índice da maldade”,  que inclui 22 tipos diferentes de maldade que variam do mais brando até ao mais grave. Assim, as pessoas perigosas andam por aí e vivem connosco, desde os que têm problemas passionais, ciúme, raiva, narcisistas e egocêntricos, até aos psicopatas que mostram prazer no mal que infligem aos outros, há uma série de situações consideradas no índice de maldade.
Estes indivíduos podem actuar em rede que vai desde o que fecha os olhos até ao que lucra com o negócio  ou ao que age, tortura e escraviza.
Porque a maldade existe, toda a prevenção, todo o cuidado dos pais é extremamente importante mas a sociedade tem que ter tolerância zero para estas situações. (Na internet encontra vários sítios que ajudam a ensinar a criança a proteger-se. P.ex.: 1; 2 ; 3 ... )
Vem aí mais um Natal em que os pais destas crianças nada vão saber do que aconteceu aos seus filhos. Uma dor inaudita continuará a habitar nos seus corações.


29/11/17

Direitos das crianças


 M. - 7;3(10)

Comemorou-se, a 20 de Novembro, mais um   Dia Universal dos Direitos das Crianças. Foi neste dia, em 1959, que se proclamou mundialmente a Declaração dos Direitos das Crianças e a 20 de Novembro de 1989 que se adoptou a Convenção sobre os Direitos da Criança , com o objectivo de salientar e divulgar os direitos das crianças de todo o mundo, consciencializar a população para a situação das crianças no mundo e para a necessidade de agir no sentido da promoção do seu bem-estar e do seu desenvolvimento saudável.
Todos conhecemos  os Direitos das Crianças que, basicamente, são os Direitos Humanos, como o direito à vida, à liberdade, à protecção contra a violência, à não discriminação, a um nome  e uma nacionalidade, à alimentação, habitação, a brincar,  saúde, educação...

Tenho-me dedicado, especialmente, a defender e promover a aplicação do artº 6º da Declaração,  que diz:
“A criança precisa de amor e compreensão para o pleno e harmonioso desenvolvimento da sua personalidade.
Na medida do possível, deverá crescer com os cuidados e sob a responsabilidade dos seus pais e, em qualquer caso, num ambiente de afecto e segurança moral e material; salvo em circunstâncias excepcionais, a criança de tenra idade não deve ser separada da sua mãe. A sociedade e as autoridades públicas têm o dever de cuidar especialmente das crianças sem família e das que careçam de meios de subsistência. Para a manutenção dos filhos de famílias numerosas é conveniente a atribuição de subsídios estatais ou outra assistência.”

Apesar da evolução que tem havido no nosso país, em que a maioria das crianças tem os seus “direitos básicos” assegurados, temos que melhorar em muitos aspectos. Um deles diz respeito à promoção da Saúde Psicológica.
A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) apresenta alguns dados que  merecem ser reflectidos :
- O aumento do número de crianças que sofrem de problemas de Saúde Psicológica relacionados com violência nos vários contextos em que vivem;
- O nível de pobreza e de exclusão social (2,6 milhões de Portugueses em risco);
- As falhas nos apoios às crianças / jovens com Necessidades Educativas Especiais (NEE);
- As crianças em idade escolar são muitas vezes vítimas de bullying – cerca de 1 em cada 5 – estimando-se que apenas 10% a 15% recebam a ajuda de que precisam;
- Em 2016, 3,7% das crianças e jovens Portuguesas (71.016) foram  acompanhados pelas Comissões de Promoção e Protecção das Crianças e Jovens (CPCJ), cerca de 33% das mesmas por "Exposição a Comportamentos que podem comprometer o bem-estar e o desenvolvimento" e 8,6% devido a maus-tratos: físicos (4,8%), psicológicos (2,1%) ou a abuso sexual (1,7%).

Refere ainda a OPP que a "violação" destes Direitos afecta o dia-a-dia das crianças e  o seu futuro:
- está associada ao insucesso e abandono escolar, ao aumento da violência, à instabilidade no emprego ou ao défice no funcionamento social,
-  a vulnerabilidades emocionais, à psicopatologia,
- e à transmissão intergeracional de padrões de relacionamento e de comportamento disfuncionais que se reflectirão nas gerações futuras.
- "Muitos destes padrões conduzem frequentemente a uma espiral de desvantagens e de vulnerabilidades, difíceis de reverter, e que representam custos sociais e económicos elevados, contribuindo para um País mais desigual e com menos coesão social.”

Neste dia, como em todos os dias, é necessário defender e promover os Direitos das Crianças de forma a que cada criança tenha “o amor e compreensão de que necessita para o desenvolvimento da sua personalidade".

Hoje apetece-me ouvir: George Harrison

 
George Harrison, (25/21943 – 29/11/2001)
 Dear One

24/11/17

Tudo tem um fim

Seria mais um jantar... não fora  dar-se o caso de o sr. primeiro ministro resolver reagir estranha e excessivamente ao repasto da web summit, isto é, da cimeira tecnológica, “a maior conferência tecnológica do mundo”.
É realmente uma reunião de negócios importante*, em forma de show off. Por isso, estiveram lá "todos": 1º ministro, presidente da câmara municipal de Lisboa e até Marcelo.
Terminou (11/11/17) com "um jantar exclusivo com convidados da Web Summit na nave central do Panteão Nacional, em que participaram presidentes executivos, fundadores de empresas e ‘startups’, investidores de alto nível, entre outras personalidades. O jantar em questão chama-se ‘Founders Summit’…" (Observador)
Provavelmente a indignação do sr. primeiro ministro  terá nascido da intuição de que havia ali matéria para responsabilizar o governo anterior por tamanha falta de respeito aos nossos maiores.
Vai daí, reagiu assim: “A utilização do Panteão Nacional para eventos festivos é absolutamente indigna do respeito devido à memória dos que aí honramos”, referiu o gabinete do primeiro-ministro, em comunicado. Acrescentou que a situação estava contemplada num “despacho proferido pelo anterior Governo” e informou que vai alterar o regime “para que situações semelhantes não voltem a repetir-se, violando a história, a memória coletiva e os símbolos nacionais”. (TSF)
O Panteão Nacional pode não ser local apropriado para fazer jantares de negócios, para alguns até pode ser, como foi, mas o mesmo não se diga relativamente a outros eventos culturais de qualquer das áreas, por exemplo, onde brilharam e continuam a brilhar alguns dos heróis nacionais cujos restos mortais repousam naquele edifício.
Para além disso, o que há aqui que mereça perder mais tempo com este ”caso”?
1. Mais uma vez este governo nega a responsabilidade que lhe compete em acontecimentos negativos ou controversos...
Ora vai-se a ver este parece ter sido o 10º jantar ocorrido no local, o Panteão Nacional. Além disso, quando o primeiro ministro era presidente da câmara de Lisboa, também decorreu aí um jantar similar...

2. O sítio, Panteão Nacional, podia ser o local certo para mostrar a vida efémera do ser humano e, logo, da  web summit, se esse fosse o objectivo deste jantar.  E é aqui que pode residir o engano ou a claridade.
Em  entrevista a Clara Ferreira Alves (Expresso,     ), a propósito do seu último livro, A estranha ordem das coisas, António Damásio procura consciencializar para que "tudo tem um fim", alertar para o que se passa em Silicon Valey onde tudo parece ser possível no futuro, criar tudo, até eventualmente dar vida a robots. "Silicon Valey terá um despertar doloroso" porque aquilo que não estão a perceber é que "tudo tem um fim".  Podem até criar robots mais inteligentes que o ser humano, porém nunca lhe poderão dar sentimentos como acontece com os humanos.
Damásio refere no seu livro que  " Parte das sociedades que celebram a ciência e a tecnologia modernas, e que mais lucram com elas, parece estar numa situação de bancarrota “espiritual”, tanto no sentido secular como religioso do termo. A julgar pela aceitação despreocupada das crises financeiras problemáticas – a bolha da Internet de 2000, os abusos hipotecários de 2007 e o colapso bancário de 2008 – parecem igualmente estar numa situação de bancarrota moral. Curiosamente, ou talvez não tanto, o nível de felicidade nas sociedades que mais beneficiaram com os espantosos progressos do nosso tempo mantém-se estável ou em declínio, caso possamos confiar nas respectivas avaliações.(p.290-291)

3.O fait divers ou o erro de uma decisão, se o foi, foi da responsabilidade dos serviços tutelados por A Costa, veio por a nu a questão essencial com que se depara a humanidade, a sua finitude, e de como aqueles que pensam que tudo é possível, até a imortalidade, faz com que os panteões de hoje sejam os pandemónios de amanhã.

_________________________
* "Em certos setores da sociedade portuguesa, há ainda algum ceticismo relativamente à importância da Web Summit. As críticas incidem em questões que vão desde o deslumbramento tecnológico ao retorno económico do evento, passando pela descrença na viabilidade, competitividade e valor das startups. Existe também quem se limite a valorizar o evento pelas receitas turísticas que produz e pela promoção internacional do país, o que é manifestamente redutor.
A questão mais importante é certamente a do retorno económico da Web Summit, na qual o Estado português investe 1,3 milhões de euros por ano. Ora, sobre o impacto imediato já há dados concretos: em 2016, o retorno direto do evento foi de 200 milhões de euros e, nesta edição, prevê-se que seja de 300 milhões, subida que se justifica pelo aumento do número de participantes. Já o retorno indireto, que é de facto o que interessa ao país, é mais difícil de contabilizar, não só por se tratar de um impacto a médio/longo prazo, mas também por gerar um valor muitas vezes intangível."Vale a pena continuar a acolher a Web Summit?"  Adelino Costa Matos, Presidente da ANJE 14 Nov 2017.

09/11/17

Cem anos de complexo de esquerda


A  7 de Novembro, passaram cem anos da  revolução russa. As repercussões infelizmente foram brutais não só para esse país que foi a sua principal vítima, como para mais alguns, provocando milhões de vitimas. Mesmo assim, muitos anos depois, ainda há quem comemore esta tragédia.

Logo a seguir ao 25 de Abril, em Junho de 1974, esquerda e direita eram definidas assim  na "Cartilha política do povo":
"Esquerda. Esta palavra aplica-se aos membros de um partido com ideias avançadas, ideias de progresso. Opõe-se à direita, aos conservadores. Na esquerda militam aqueles que consideram injusta para os trabalhadores a situação de explorados. A esquerda é mais uma classificação de pensamento e de actuação política do que uma situação social. Há com efeito, cidadãos bem situados na vida que militam na esquerda para lutarem pelos trabalhadores e por uma maior justiça social….”
"Direita. Este termo relaciona-se com as individualidades que no Senado ficavam à direita do presidente e eram conhecidas pelas suas ideias conservadoras. Hoje o termo emprega-se em política para referir a todos os que não desejam mudanças, que querem o "statu quo" (aquilo que está) e como está. A direita é formada por um conjunto de elementos já instalados na sociedade, geralmente ricos e com uma certa idade, que procuram defender as suas posições de modo a que a sua riqueza, o seu poder e os seus privilégios não sejam abalados pelo povo.”
Desde então tem sido esta concepção que prevalece. Nestas definições é óbvia a preferência pela esquerda mas é evidente que não corresponde à realidade vivida pelas pessoas, designadamente dos países onde  há ou houve ditaduras de esquerda.

Acontece que "... a política portuguesa mudou desde há quase um ano e tem agora uma nova semântica. A oposição entre esquerda e direita voltou à primeira página. No poder e a tentar construir uma solução parlamentar inédita, a esquerda reintroduziu uma liturgia repetitiva que agora serve de pensamento. O que é de esquerda é bom. O que é de direita é mau. E não há mais espaço para argumentação. O Partido Socialista tem-se deixado contaminar por este palavreado." António Barreto,"outono socialista, DN, 14-8-2016.
Ora o problema é, quando nesta história de bons e maus, a esquerda se auto-avalia como a parte boa.
O complexo de superioridade marxista faz sempre uma  auto avaliação positiva das suas realizações e são sempre a maneira de se afirmar na sociedade, para justificar os abusos, no fundo, a sua falência. Têm o único instrumento para análise correcta da sociedade: o marxismo-leninismo. Por isso, consideram-se mais inteligentes** mas também "moralmente superiores", como refere Álvaro Cunhal: “Os comunistas não se distinguem apenas pelos seus elevados objectivos e pela sua acção revolucionária. Distinguem-se também pelos seus elevados princípios morais.”

De facto, quando tudo o que fazem, acham eles, é para bem do povo, certamente os meios justificam os fins mesmo quando isso implique liquidar  milhões de adversários, discordantes ou inocentes que nada tiveram a ver com facções políticas.
Eles acham que são (d)o bem, são a esquerda, a verdadeira esquerda, não a  infantil, não revisionista, não maoista, ou a verdadeira esquerda marxista-leninista-maoista... Automaticamente, acham que a esquerda é tudo o que está bem e a direita tudo o que está mal. Não há mais variações. Não há mais nada, apenas a esquerda e direita que eles  próprios definem. Não há extrema esquerda ou se há é democrática mas há de certeza extrema direita que não tem direito a existir porque é anti-democrática e fascista. Talvez seja por isso que “os fascistas do futuro chamam-se a eles próprios antifascistas”. (Frase atribuída a Winston Churchill)

_____________________
* José Pires, Paulo da Trindade Ferreira, M, Helena de Sá Dias, Vítor Melícias Lopes.
** Até há estudos que o provam (!). Ex.: Os "de esquerda" são mais inteligentes, afirma estudo;Why Liberals Are More Intelligent Than Conservatives.

01/11/17

Para além da crise e dos especuladores

  As primeiras cegonhas chegaram, hoje, a Castelo Branco.

Até Putin !

O memorial feito por Frangulyan
Gueorgui Frangulian... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2017/10/30/putin-repudia-repressoes-na-urss-ao-inaugurar-muro-da-dor-em-moscou.htm?cmpid=copiaecola
Gueorgui Frangulian... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2017/10/30/putin-repudia-repressoes-na-urss-ao-inaugurar-muro-da-dor-em-moscou.htm?cmpid=copiaecola
Gueorgui Frangulian... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2017/10/30/putin-repudia-repressoes-na-urss-ao-inaugurar-muro-da-dor-em-moscou.htm?cmpid=copiaecola
 "Muro da dor"- Do arquitecto Gueorgui Frangulian
Gueorgui Frangulian... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2017/10/30/putin-repudia-repressoes-na-urss-ao-inaugurar-muro-da-dor-em-moscou.htm?cmpid=copiaecola
Gueorgui Frangulian... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2017/10/30/putin-repudia-repressoes-na-urss-ao-inaugurar-muro-da-dor-em-moscou.htm?cmpid=copiaecola
Gueorgui Frangulian... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2017/10/30/putin-repudia-repressoes-na-urss-ao-inaugurar-muro-da-dor-em-moscou.htm?cmpid=copiaecola
 Daqui

"Putin inaugura memorial às vítimas da repressão política". (Agence France-Presse (AFP), 30 de Outubro de 2017).
"O presidente da Rússia, Vladimir Putin, inaugurou na tarde de segunda-feira em Moscou o chamado “Muro da Dor”, um memorial dedicado às vítimas da repressão política na URSS. O memorial, escolhido por concurso, é o projeto de maior envergadura apoiado pelo Estado, feito em lembrança aos mortos nos períodos de terror após a revolução bolchevique de 1917. Esse acontecimento histórico, sobre o qual os russos ainda não chegaram a um consenso, completa um século no próximo dia 7 de novembro. “Esses crimes não podem ter nenhuma justificativa”, disse Putin na cerimônia. A abertura do memorial é, para o presidente russo, “especialmente atual no ano do centenário da revolução”... 
"A inauguração de um monumento nacional às vítimas do terror foi uma ideia expressada pelo líder comunista Nikita Khrushchov em 1961, que a Associação Memorial, dedicada a manter viva a memória histórica, resgatou nos últimos anos da URSS. Putin deu forma a ela em setembro de 2015 ao assinar o decreto para a construção do monumento. Um total de 170 pedras procedentes de diversos campos de concentração do Gulag, de Solovki a Kolimá, foram utilizadas na confecção do conjunto escultórico, que ocupa mais de 5000 metros quadrados em torno a um muro de bronze com um baixo-relevo no formato de atormentados corpos humanos, onde é possível ler a palavra “lembre” em vários idiomas." 

Por cá, "PCP continua a falsificar a História". "O PCP criou um site para celebrar os 100 anos da revolução bolchevique de 1917, mas abre-o logo com uma fotografia falsificada de Lenine. Trata-se apenas da primeira de muitas falsificações históricas",  José Milhazes, O Observador, 24/6/2017.  


Para um sistema de saúde (2)


Alguns subsistemas de  saúde

O sistema de saúde em Portugal é constituído por uma rede de equipamentos e serviços de saúde, composta de vários subsistemas de saúde que concorrem para a protecção da saúde de todos os cidadãos.
Em 1979, "foi instituída uma rede de instituições e serviços prestadores de cuidados globais de saúde a toda a população, financiada através de impostos, em que o Estado salvaguarda o direito à proteção da saúde." Foi, assim, criado o Serviço Nacional de Saúde (SNS). (Lei n.º 56/79, de 15 de Setembro)
No entanto, em paralelo, existem outros subsistemas privados de saúde que têm acordos e convenções com hospitais, clínicas e médicos privados, tais como: subsistema dos seguros de saúde; subsistemas complementares de saúde, como a ADSE; subsistemas de seguradoras - acidentes de trabalho, viação/pessoas e vida; convenções com empresas, associações e outras entidades.
Alguns destes equipamentos e serviços são parcerias público-privadas (PPP), isto é, equipamentos e serviços de saúde concessionados pelo estado à gestão privada.
Inclui ainda acordos com IPSS que desenvolvem actividades no âmbito da saúde, como é o caso das misericórdias que respondem por actividades hospitalares, de cuidados continuados, de cuidados paliativos...
Há áreas que são praticamente asseguradas por privados como é o caso da medicina dentária. ("Os Seguros de saúde privados no contexto do sistema de saúde português", p.7)
E deve-se ainda referir o importante contributo dado pelas farmácias ao sistema de saúde.

Toda esta rede de cuidados de saúde significa que a assistência na saúde de muitos cidadãos é efectuada pelo SNS e/ou por outro subsistema de saúde. "A coexistência no sistema de saúde de serviços públicos com serviços e entidades privadas justifica que o SNS não preste a totalidade dos cuidados… 76% da população tem como único pagador o SNS, os restantes 24% utilizam outros sistemas… (14% da população está abrangida pela ADSE, 5% pelo SAMS (trabalhadores bancários). Com excepção da ADSE, nenhum outro sistema é auto-sustentável, confinando o SNS aos maiores níveis de cuidados." ("O sector da saúde em Portugal: funcionamento do sistema e caracterização sócio-profissional", p.8)
Quando pelo menos um quarto da população tem outro subsistema de saúde que não o SNS, não deixa de ser curioso que todos os cidadãos sejam obrigados a ter médico de família  do SNS, mesmo que não queiram ou que nunca tenham necessidade de ter outro médico de família para além daquele que sempre foi o seu médico.Tudo isto é contraditório e chocante quando sabemos que faltam mais de mil médicos de família para suprir as necessidades que existem, ou seja cerca de um milhão de cidadãos não têm médico de família.

O que podemos concluir é que temos governos que não confiam nos médicos, que gostam de sobreposições e redundâncias de serviços e não sabem articular serviços.
Dois exemplos ajudam a perceber o que se passa: as baixas por doença e as listas de espera para consultas e exames clínicos.
Se uma pessoa faz uma intervenção cirúrgica num hospital particular, porque tem um seguro de saúde, apenas no centro de saúde, em consulta com o/um médico de família, mesmo que não lhe tenha sido atribuído, pode validar a baixa por doença.

Há milhares de situações como esta em que os doentes estão sujeitos à burocracia do SNS, via centro de saúde. Não seria mais fácil se a baixa fosse declarada pelo próprio médico do doente ou pelo médico que fez a cirurgia, fosse de que subsistema fosse?
Só encontro uma explicação para não ser assim: a desconfiança dos médicos que não são considerados responsáveis pelo estado e passam baixas fraudulentas. Ora acontece que... com a burocracia do actual SNS "um quinto das baixas médicas controladas estava apto para o trabalho".(Público)

Algumas populações continuam com dificuldade de acesso ao centro de saúde e a consultas externas especializadas ou exames de diagnóstico nos centros hospitalares. Marcar uma consulta no SNS, centro de saúde ou hospital, é um verdadeiro tormento.
Como é possível ainda acontecer que haja cidadãos que têm que aguardar à porta do centro de saúde pela marcação de uma consulta ?
Incapacidade, atraso, ou apenas por maldade se pode fazer isto aos cidadãos mais desprotegidos.
Qualquer funcionário com um mínimo de capacidade saberia resolver esta situação.
Infelizmente continuamos a ouvir notícias destas (p.ex. "Chegar "às quatro da manhã" ao centro de saúde para ter consulta") sobre o pior de nós mesmos.

Desde o início, o problema do SNS foi o despesismo (A história secreta do SNS). Mas também o mau funcionamento que cria dificuldades injustificadas aos doentes, pela
- desconfiança na deontologia profissional dos médicos pois tem necessidade de confirmar por outro profissional o acesso a baixas por doença. Preferência pela burocracia, duplicações e redundâncias quando os médicos dos subsistemas particulares e privados podiam ser os médicos de família de muitos cidadãos que o não têm, podiam comprovar o que se passa com os seus doentes;
- incapacidade de gerir um simples acesso a consultas e exames clínicos obrigando os doentes a intermináveis listas de espera ou a estarem em bicha a horas impróprias, em condições climáticas igualmente impróprias para marcação de consulta.
Assim, os centros de saúde/estado não sabem gerir, articular, poupar... de forma a que a assistência na saúde se traduza num funcionamento eficiente e eficaz.
Com o actual governo foi-se ainda mais longe: a cativação de verbas do sector da saúde torna o SNS, cada dia que passa, mais disfuncional para quem nele trabalha ou dele necessita.


25/10/17

Marcelo: o alfabeto do coração

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1. A dor de Marcelo. A dor de cada um de nós. "A nossa dor neste momento não tem medida". Marcelo decidiu dar importância às pessoas, lá onde elas têm as suas circunstâncias e o seu sofrimento. E sabemos como é difícil ao poder reconhecer e dar importância às pessoas que sofrem, para além dos lindos discursos de solidariedade.
Não é de agora mas o comportamento de Marcelo ainda nos surpreende pelo espontâneo e genuíno sentimento de compaixão, que contrasta com o calculismo de alguns políticos. São centenas de abraços que, parece, nunca o cansam. É importante a abreacção. É importante que a dor de cada pessoa tenha uma expressão: de choro, desabafo e sentimento.
Não é necessário concordar com tudo o que Marcelo fez ou faz. No essencial é com grande inveja que tenho visto a capacidade de um homem expressar um comportamento genuíno, de ser pessoa aqui e agora, de ser gente com gente na frente, de se meter no fato e nos factos do outro.
Excesso de exposição ou a mais profunda solidariedade? Marcelo não tinha necessidade de estar em grande parte das coisas em que tem estado... Mas ainda bem que o tem feito. O contacto, o toque das emoções com os mais frágeis, idosos, crianças, sem abrigo, e agora com as vítimas dos incêndios tem sido apaziguador do conflito interior de quem ficou com nada do trabalho de uma vida inteira. É ainda uma tomada de consciência da incapacidade que foi manifestada pelo executivo de ao menos pedir desculpa e tomar medidas expeditas para minimizar ocorrências semelhantes.

2. Marcelo diz que devemos ter uma "visão panorâmica": "cada um na sua casa pensa que tem melhor visão do que os outros", referia Marcelo no cimo de uma colina, num destes dias de calamidade.
É esta visão que um político deveria ter sempre para poder ser político. Nesta discussão sobre os incêndios ouvimos todas as opiniões e as suas contrárias. São os eucaliptos, a desertificação, a falta de limpeza das matas, o desordenamento, a falta de meios, de comunicações, de vigilância… Por isso uma metodologia panorâmica parece ser a melhor para encontrar soluções mais do que a solução.

3. Marcelo tem o seu estilo próprio. Poderá haver pessoas que exprimem sentimentos de compaixão de outra forma. No entanto, este estilo é de enaltecer vinda do PR ao lidar com uma tragédia como esta. Podia ou deveria servir de modelo para os políticos que com distância e frieza trataram o assunto e que não deixa de evidenciar um contraste chocante com a realidade das pessoas.
Marcelo mostrou solidariedade e compaixão com a compreensão que fez do estado emocional das outras pessoas. A compaixão usa a delicadeza para com aqueles que sofrem e alivia o sofrimento de outro ser humano.
James Doty criou o “alfabeto do coração” para ser usado como um exercício de meditação. O alfabeto do coração inclui: Compaixão, Dignidade, Equanimidade, Perdão, Gratidão, Humildade, Integridade, Justiça, Bondade e Amor.
Marcelo diz que gosta de tratar as pessoas assim porque gostou da compaixão dos outros quando em sofrimento. Não é mais do que “tratar os outros como gostávamos de ser tratados por eles”.
O alfabeto do coração também inclui:
A dignidade que todo o ser humano deve ter.
Equanimidade, a serenidade encontrada entre os altos e baixos dos acontecimentos.
Saber perdoar aqueles que falharam .
Gratidão por tudo o que conseguimos obter.
Humildade porque não é melhor nem pior do que outros.
Ter integridade, ou seja, orientar as suas acções pela honestidade.
Ter justiça para com aqueles que são mais vulneráveis.
Bondade pelo reconhecimento da humanidade do outro.
E, finalmente, o Amor que contém e liga tudo.

20/10/17

Orçamento «tira do "lete" e põe no "caféi"» - parte 3

Como nos dois orçamentos anteriores já toda a gente percebeu a esperteza da coisa. Tira-se de um lado e põe-se no outro, dá-se com uma mão para tirar com a outra. Tira-se dos mesmos de sempre,  daqueles onde pensam que ainda há qualquer coisa para tirar.
Entretanto, vai-se anunciando aumentos de pensões, descongelamento de carreiras na função pública,  vinculação de professores, a baixa de impostos *, etc. que vão ser pagos com a substituição por impostos indirectos em determinados produtos, combustíveis, recibos verdes...
 
O governo minoritário de Costa, assim nos vai iludindo. Costa vive de tacticismos. Não tem qualquer estratégia política.** Ganhou o silêncio ou passividade dos sindicatos, partidos e associações dominadas pelas ditas esquerdas unidas, incluindo as que sofrem de doença infantil, em troca "esqueceu" qualquer tipo de reforma estrutural que pudesse ajudar a melhorar e consolidar o futuro. Dito de outro modo, "quem não tem uma estratégia vai fazer parte da estratégia de alguém". (Toffler)
Não veio o diabo de que falava Passos Coelho (quer dizer, excluindo esse "pormenor" da dívida) mas, inesperadamente**, veio o inferno dos incêndios, que pôs a nu a verdadeira natureza (crueza) deste governo,  as fragilidades de que falou o Presidente Marcelo e o desprezo pelos mais frágeis quando com um orçamento travestido de reversões e cativações,  sentem bem as dificuldades em todos os sectores, como na Saúde, por ex. ...
 
 ________________________
* "Nos últimos dias gerou-se a ideia de que a proposta de OE2018 baixará os impostos. Trata-se, a meu ver, de uma ideia falsa. E é falsa porque na realidade os impostos vão aumentar. Aumentam em termos nominais e aumentam também em termos reais.
Analisemos, primeiro, o incremento nominal. Ora, segundo consta da página 199 da proposta de OE2018, o aumento dos impostos indirectos equivalerá a 1098 milhões de euros em 2018 (+4,6% face a 2017) e compara com uma redução de 225 milhões de euros nos impostos directos (-1,2% face a 2017). Há, portanto, um aumento líquido de 873 milhões de euros na receita fiscal do Estado.
Em cima destes 873 milhões, teremos ainda outros impostos de diferentes níveis da administração pública que vão elevar a variação positiva da receita fiscal para 1184 milhões (+2,4% face a 2017, conforme p.32).
Passemos agora ao incremento real, para observar o seguinte: não obstante o rácio da carga fiscal (aqui entendido como receitas fiscais mais contribuições fiscais em percentagem do PIB) baixar de 37,9% para 37,7% do PIB, a verdade é que a receita corrente aumenta de 42,7% para 42,8% do PIB (p.32) e, tão ou mais importante ainda, a receita estrutural aumenta de 43,0% para 43,6% do PIB (p.31). Moral da história, a receita aumenta, quer em termos nominais, avaliada em euros de 2018, quer em termos reais, avaliada enquanto receita corrente e estrutural em percentagem do PIB de 2018."
...
Pedro Arroja, "A falsa ideia de que baixam os impostos", Eco.


** A menos que seja esta: "A estratégia do actual governo é a de conseguir um círculo virtuoso de crescimento, emprego, moderada consolidação orçamental, descida de juros, descida do peso da dívida. Na fase de transição, em que ainda estamos, onde é necessário requalificar os serviços públicos e aumentar o investimento, a redução do peso do Estado, deverá ser moderada, e devida, não a cortes de despesa, mas a um crescimento pouco abaixo do crescimento do PIB. Temos defendido que até terminar o período de consolidação orçamental, não há margem para reduções significativas de impostos."
Paulo Trigo Pereira: "OE2018: a estratégia, os compromissos e… os incêndios".

*** Houve muitos avisos, a começar pelos do IPMA.

18/10/17

Taxas e taxinhas: TMPC

"Faço minha esta pergunta
FACE A ESTAS DECLARAÇÕES DO SECRETÁRIO DE ESTADO
“Têm de ser as próprias comunidades a ser pro-activas e não ficarmos todos à espera que apareçam os bombeiros e os aviões para resolverem os problemas. Temos de nos auto-proteger – é fundamental.”
Acabou-se a Taxa Municipal de Protecção Civil?" Helena Matos,18 Outubro, 2017
 
Recebi, hoje, a respectiva. Também "faço minha esta pergunta".



"Parece-me que a única resposta possível a este desafio é óbvia: temos que nos autoproteger, sim, mas destes políticos que nos desertam e nos deixam cada vez mais sozinhos nas nossas aflições." Laurinda  Alves, "Autoproteja-se o senhor!", Observador.


17/10/17

Mogli

Fim-de-semana. Boa altura para estar com os netos e fazer o programa deles. Brinquedos, livros infantis, brincadeiras, parque infantil, cd's e dvd's, músicas e estórias que vamos vendo n vezes. E é garantida a diversão também para os adultos. Desta vez é a história de Mogli que também contei aos meus filhos, em livro e cassete*. Agora em dvd ganha diferente interesse, digo eu. Uma das músicas mais divertidas é cantada por Louis Prima, o tal de "Sing, sing,sing", "Eu quero ser como tu".



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* Mogli, Clássicos Disney, Difusão Cultural. Adaptação do texto de António Avelar de Pinho.

12/10/17

Hoje apetece-me ouvir: The Ray Conniff Singers

The Ray Conniff Singers - Somebody Loves Me
You're the cream in my coffee - Letra e música Ray Henderson, Lew Brown, Buddy DeSylva
Ray Conniff - 6/11/1916-12/10/2002


 You’re the cream in my coffee,
You’re the salt in my stew;
You will always be my necessity--
I’d be lost without you.

You’re the starch in my collar,
You’re the lace in my shoe;
You will always be my necessity--
I’d be lost without you.

Most men tell love tails,
And each phrase dovetails.
You’ve heard each known way,
This way is my own way.

You’re the sail of my love boat,
You’re the captain and crew;
You will always be my necessity--
I’d be lost without you.

You give life savor,
Bring out its flavor;
So this is clear, dear,
You’re my worcestershire, dear.

You’re the sail of my love boat,
You’re the captain and crew;
You will always be my necessity--
I’d be lost without you.