11/12/17

Direitos das crianças



Criada pelas Nações Unidas, a UNICEF iniciou suas actividades em 11 de Dezembro de 1946.  "Agência das Nações Unidas que tem como objectivo promover a defesa dos direitos das crianças, ajudar a dar resposta às suas necessidades básicas e contribuir para o seu pleno desenvolvimento.
A UNICEF rege-se pela
Convenção sobre os Direitos da Criança, e trabalha para que esses direitos se convertam em princípios éticos permanentes e em códigos de conduta internacionais para as crianças."

10/12/17

Maldade: o caso das crianças desaparecidas

Há casos de crianças desaparecidas mais mediáticos que outros e, por isso, certamente, todos nos lembramos do caso Rui Pedro, Maddie ou, mais recentemente, Maëlys, uma menina que desapareceu num casamento, em França.
No entanto, todos os dias há crianças que desaparecem, são raptadas, traficadas e até escravizadas. Num ano, são dadas como desaparecidas 250 mil crianças na Europa.
Na sociedade em que vivemos muitas pessoas manifestam emoções de bondade e de perdão, de compaixão e empatia. Porém este é também o mundo em que há gente muito perigosa que surge em qualquer sítio ou situação mesmo nos espaços mais inocentes e, aparentemente, com pouco risco, como é um casamento. Claro que esta prática é hoje facilitada pelas redes sociais.
A mente humana é capaz de criar maravilhosas obras de arte ou extraordinários mecanismos tecnológicas mas igualmente a mente humana é responsável pela crueldade. Por que é que isto acontece, porque há pessoas que têm prazer em serem cruéis ? Não só as classificadas como psicopatas ou condenadas por crimes violentos, mas também os bullies nas escolas, os trolls na internet e até membros da sociedade tidos como respeitáveis… (Delroy Paulhus)
Nenhum país está ao abrigo da actuação destes criminosos. Seja pouco ou muito desenvolvido, desaparecem crianças, sem deixar rasto…

No entanto, havendo tanta maldade na nossa realidade, não encontramos a palavra “maldade", nos diversos dicionários de psicologia pesquisados. 1 No Dicionário temático Larousse – Psicologia, Círculo de Leitores, existe malignidade. propensão para fazer o mal. "Certas pessoas sentem prazer em suscitar cabalas, em propagar boatos malévolos em relação ao próximo. Nas crianças a malignidade exerce-se essencialmente sobre os animais e sobre os companheiros mais fracos, que martirizam física e moralmente; por vezes a malvadez toma por alvo um adulto, contra o qual são referidas acusações odiosas. Esta forma de perversão agressiva é frequentemente causada por distúrbios de desenvolvimento afectivo."

Para o psicólogo Delroy Paulhus, o mundo é complexo e não claramente dividida entre pessoas boas e más mas com muitas situações escuras, com personalidades escuras, socialmente aversivas. O seu interesse começou pelo maquiavelismo, narcisismo e psicopatia a que acrescentou o sadismo ("sadismo quotidiano").
Para o psiquiatra Michael Stone, actualmente, a palavra “maldade” não é considerada um termo médico e tampouco faz referência a alguma desordem mental. Mas deveria ser. 
Embora se possa discordar da sua análise, valorizando o papel dos valores sociais, religiosos e culturais que mudam com o tempo, ela tem vantagem pelo facto de se compreender que o leque de pessoas problemáticas nesta área é vasto. 
A partir do estudo de diversos casos de assassinatos em série e tratar alguns deles, ele criou e publicou um “índice da maldade”,  que inclui 22 tipos diferentes de maldade que variam do mais brando até ao mais grave. Assim, as pessoas perigosas andam por aí e vivem connosco, desde os que têm problemas passionais, ciúme, raiva, narcisistas e egocêntricos, até aos psicopatas que mostram prazer no mal que infligem aos outros, há uma série de situações consideradas no índice de maldade.
Estes indivíduos podem actuar em rede que vai desde o que fecha os olhos até ao que lucra com o negócio  ou ao que age, tortura e escraviza.
Porque a maldade existe, toda a prevenção, todo o cuidado dos pais é extremamente importante mas a sociedade tem que ter tolerância zero para estas situações. (Na internet encontra vários sítios que ajudam a ensinar a criança a proteger-se. P.ex.: 1; 2 ; 3 ... )
Vem aí mais um Natal em que os pais destas crianças nada vão saber do que aconteceu aos seus filhos. Uma dor inaudita continuará a habitar nos seus corações.


29/11/17

Direitos das crianças


 M. - 7;3(10)

Comemorou-se, a 20 de Novembro, mais um   Dia Universal dos Direitos das Crianças. Foi neste dia, em 1959, que se proclamou mundialmente a Declaração dos Direitos das Crianças e a 20 de Novembro de 1989 que se adoptou a Convenção sobre os Direitos da Criança , com o objectivo de salientar e divulgar os direitos das crianças de todo o mundo, consciencializar a população para a situação das crianças no mundo e para a necessidade de agir no sentido da promoção do seu bem-estar e do seu desenvolvimento saudável.
Todos conhecemos  os Direitos das Crianças que, basicamente, são os Direitos Humanos, como o direito à vida, à liberdade, à protecção contra a violência, à não discriminação, a um nome  e uma nacionalidade, à alimentação, habitação, a brincar,  saúde, educação...

Tenho-me dedicado, especialmente, a defender e promover a aplicação do artº 6º da Declaração,  que diz:
“A criança precisa de amor e compreensão para o pleno e harmonioso desenvolvimento da sua personalidade.
Na medida do possível, deverá crescer com os cuidados e sob a responsabilidade dos seus pais e, em qualquer caso, num ambiente de afecto e segurança moral e material; salvo em circunstâncias excepcionais, a criança de tenra idade não deve ser separada da sua mãe. A sociedade e as autoridades públicas têm o dever de cuidar especialmente das crianças sem família e das que careçam de meios de subsistência. Para a manutenção dos filhos de famílias numerosas é conveniente a atribuição de subsídios estatais ou outra assistência.”

Apesar da evolução que tem havido no nosso país, em que a maioria das crianças tem os seus “direitos básicos” assegurados, temos que melhorar em muitos aspectos. Um deles diz respeito à promoção da Saúde Psicológica.
A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) apresenta alguns dados que  merecem ser reflectidos :
- O aumento do número de crianças que sofrem de problemas de Saúde Psicológica relacionados com violência nos vários contextos em que vivem;
- O nível de pobreza e de exclusão social (2,6 milhões de Portugueses em risco);
- As falhas nos apoios às crianças / jovens com Necessidades Educativas Especiais (NEE);
- As crianças em idade escolar são muitas vezes vítimas de bullying – cerca de 1 em cada 5 – estimando-se que apenas 10% a 15% recebam a ajuda de que precisam;
- Em 2016, 3,7% das crianças e jovens Portuguesas (71.016) foram  acompanhados pelas Comissões de Promoção e Protecção das Crianças e Jovens (CPCJ), cerca de 33% das mesmas por "Exposição a Comportamentos que podem comprometer o bem-estar e o desenvolvimento" e 8,6% devido a maus-tratos: físicos (4,8%), psicológicos (2,1%) ou a abuso sexual (1,7%).

Refere ainda a OPP que a "violação" destes Direitos afecta o dia-a-dia das crianças e  o seu futuro:
- está associada ao insucesso e abandono escolar, ao aumento da violência, à instabilidade no emprego ou ao défice no funcionamento social,
-  a vulnerabilidades emocionais, à psicopatologia,
- e à transmissão intergeracional de padrões de relacionamento e de comportamento disfuncionais que se reflectirão nas gerações futuras.
- "Muitos destes padrões conduzem frequentemente a uma espiral de desvantagens e de vulnerabilidades, difíceis de reverter, e que representam custos sociais e económicos elevados, contribuindo para um País mais desigual e com menos coesão social.”

Neste dia, como em todos os dias, é necessário defender e promover os Direitos das Crianças de forma a que cada criança tenha “o amor e compreensão de que necessita para o desenvolvimento da sua personalidade".

Hoje apetece-me ouvir: George Harrison

 
George Harrison, (25/21943 – 29/11/2001)
 Dear One

24/11/17

Tudo tem um fim

Seria mais um jantar... não fora  dar-se o caso de o sr. primeiro ministro resolver reagir estranha e excessivamente ao repasto da web summit, isto é, da cimeira tecnológica, “a maior conferência tecnológica do mundo”.
É realmente uma reunião de negócios importante*, em forma de show off. Por isso, estiveram lá "todos": 1º ministro, presidente da câmara municipal de Lisboa e até Marcelo.
Terminou (11/11/17) com "um jantar exclusivo com convidados da Web Summit na nave central do Panteão Nacional, em que participaram presidentes executivos, fundadores de empresas e ‘startups’, investidores de alto nível, entre outras personalidades. O jantar em questão chama-se ‘Founders Summit’…" (Observador)
Provavelmente a indignação do sr. primeiro ministro  terá nascido da intuição de que havia ali matéria para responsabilizar o governo anterior por tamanha falta de respeito aos nossos maiores.
Vai daí, reagiu assim: “A utilização do Panteão Nacional para eventos festivos é absolutamente indigna do respeito devido à memória dos que aí honramos”, referiu o gabinete do primeiro-ministro, em comunicado. Acrescentou que a situação estava contemplada num “despacho proferido pelo anterior Governo” e informou que vai alterar o regime “para que situações semelhantes não voltem a repetir-se, violando a história, a memória coletiva e os símbolos nacionais”. (TSF)
O Panteão Nacional pode não ser local apropriado para fazer jantares de negócios, para alguns até pode ser, como foi, mas o mesmo não se diga relativamente a outros eventos culturais de qualquer das áreas, por exemplo, onde brilharam e continuam a brilhar alguns dos heróis nacionais cujos restos mortais repousam naquele edifício.
Para além disso, o que há aqui que mereça perder mais tempo com este ”caso”?
1. Mais uma vez este governo nega a responsabilidade que lhe compete em acontecimentos negativos ou controversos...
Ora vai-se a ver este parece ter sido o 10º jantar ocorrido no local, o Panteão Nacional. Além disso, quando o primeiro ministro era presidente da câmara de Lisboa, também decorreu aí um jantar similar...

2. O sítio, Panteão Nacional, podia ser o local certo para mostrar a vida efémera do ser humano e, logo, da  web summit, se esse fosse o objectivo deste jantar.  E é aqui que pode residir o engano ou a claridade.
Em  entrevista a Clara Ferreira Alves (Expresso,     ), a propósito do seu último livro, A estranha ordem das coisas, António Damásio procura consciencializar para que "tudo tem um fim", alertar para o que se passa em Silicon Valey onde tudo parece ser possível no futuro, criar tudo, até eventualmente dar vida a robots. "Silicon Valey terá um despertar doloroso" porque aquilo que não estão a perceber é que "tudo tem um fim".  Podem até criar robots mais inteligentes que o ser humano, porém nunca lhe poderão dar sentimentos como acontece com os humanos.
Damásio refere no seu livro que  " Parte das sociedades que celebram a ciência e a tecnologia modernas, e que mais lucram com elas, parece estar numa situação de bancarrota “espiritual”, tanto no sentido secular como religioso do termo. A julgar pela aceitação despreocupada das crises financeiras problemáticas – a bolha da Internet de 2000, os abusos hipotecários de 2007 e o colapso bancário de 2008 – parecem igualmente estar numa situação de bancarrota moral. Curiosamente, ou talvez não tanto, o nível de felicidade nas sociedades que mais beneficiaram com os espantosos progressos do nosso tempo mantém-se estável ou em declínio, caso possamos confiar nas respectivas avaliações.(p.290-291)

3.O fait divers ou o erro de uma decisão, se o foi, foi da responsabilidade dos serviços tutelados por A Costa, veio por a nu a questão essencial com que se depara a humanidade, a sua finitude, e de como aqueles que pensam que tudo é possível, até a imortalidade, faz com que os panteões de hoje sejam os pandemónios de amanhã.

_________________________
* "Em certos setores da sociedade portuguesa, há ainda algum ceticismo relativamente à importância da Web Summit. As críticas incidem em questões que vão desde o deslumbramento tecnológico ao retorno económico do evento, passando pela descrença na viabilidade, competitividade e valor das startups. Existe também quem se limite a valorizar o evento pelas receitas turísticas que produz e pela promoção internacional do país, o que é manifestamente redutor.
A questão mais importante é certamente a do retorno económico da Web Summit, na qual o Estado português investe 1,3 milhões de euros por ano. Ora, sobre o impacto imediato já há dados concretos: em 2016, o retorno direto do evento foi de 200 milhões de euros e, nesta edição, prevê-se que seja de 300 milhões, subida que se justifica pelo aumento do número de participantes. Já o retorno indireto, que é de facto o que interessa ao país, é mais difícil de contabilizar, não só por se tratar de um impacto a médio/longo prazo, mas também por gerar um valor muitas vezes intangível."Vale a pena continuar a acolher a Web Summit?"  Adelino Costa Matos, Presidente da ANJE 14 Nov 2017.

09/11/17

Cem anos de complexo de esquerda


A  7 de Novembro, passaram cem anos da  revolução russa. As repercussões infelizmente foram brutais não só para esse país que foi a sua principal vítima, como para mais alguns, provocando milhões de vitimas. Mesmo assim, muitos anos depois, ainda há quem comemore esta tragédia.

Logo a seguir ao 25 de Abril, em Junho de 1974, esquerda e direita eram definidas assim  na "Cartilha política do povo":
"Esquerda. Esta palavra aplica-se aos membros de um partido com ideias avançadas, ideias de progresso. Opõe-se à direita, aos conservadores. Na esquerda militam aqueles que consideram injusta para os trabalhadores a situação de explorados. A esquerda é mais uma classificação de pensamento e de actuação política do que uma situação social. Há com efeito, cidadãos bem situados na vida que militam na esquerda para lutarem pelos trabalhadores e por uma maior justiça social….”
"Direita. Este termo relaciona-se com as individualidades que no Senado ficavam à direita do presidente e eram conhecidas pelas suas ideias conservadoras. Hoje o termo emprega-se em política para referir a todos os que não desejam mudanças, que querem o "statu quo" (aquilo que está) e como está. A direita é formada por um conjunto de elementos já instalados na sociedade, geralmente ricos e com uma certa idade, que procuram defender as suas posições de modo a que a sua riqueza, o seu poder e os seus privilégios não sejam abalados pelo povo.”
Desde então tem sido esta concepção que prevalece. Nestas definições é óbvia a preferência pela esquerda mas é evidente que não corresponde à realidade vivida pelas pessoas, designadamente dos países onde  há ou houve ditaduras de esquerda.

Acontece que "... a política portuguesa mudou desde há quase um ano e tem agora uma nova semântica. A oposição entre esquerda e direita voltou à primeira página. No poder e a tentar construir uma solução parlamentar inédita, a esquerda reintroduziu uma liturgia repetitiva que agora serve de pensamento. O que é de esquerda é bom. O que é de direita é mau. E não há mais espaço para argumentação. O Partido Socialista tem-se deixado contaminar por este palavreado." António Barreto,"outono socialista, DN, 14-8-2016.
Ora o problema é, quando nesta história de bons e maus, a esquerda se auto-avalia como a parte boa.
O complexo de superioridade marxista faz sempre uma  auto avaliação positiva das suas realizações e são sempre a maneira de se afirmar na sociedade, para justificar os abusos, no fundo, a sua falência. Têm o único instrumento para análise correcta da sociedade: o marxismo-leninismo. Por isso, consideram-se mais inteligentes** mas também "moralmente superiores", como refere Álvaro Cunhal: “Os comunistas não se distinguem apenas pelos seus elevados objectivos e pela sua acção revolucionária. Distinguem-se também pelos seus elevados princípios morais.”

De facto, quando tudo o que fazem, acham eles, é para bem do povo, certamente os meios justificam os fins mesmo quando isso implique liquidar  milhões de adversários, discordantes ou inocentes que nada tiveram a ver com facções políticas.
Eles acham que são (d)o bem, são a esquerda, a verdadeira esquerda, não a  infantil, não revisionista, não maoista, ou a verdadeira esquerda marxista-leninista-maoista... Automaticamente, acham que a esquerda é tudo o que está bem e a direita tudo o que está mal. Não há mais variações. Não há mais nada, apenas a esquerda e direita que eles  próprios definem. Não há extrema esquerda ou se há é democrática mas há de certeza extrema direita que não tem direito a existir porque é anti-democrática e fascista. Talvez seja por isso que “os fascistas do futuro chamam-se a eles próprios antifascistas”. (Frase atribuída a Winston Churchill)

_____________________
* José Pires, Paulo da Trindade Ferreira, M, Helena de Sá Dias, Vítor Melícias Lopes.
** Até há estudos que o provam (!). Ex.: Os "de esquerda" são mais inteligentes, afirma estudo;Why Liberals Are More Intelligent Than Conservatives.

01/11/17

Para além da crise e dos especuladores

  As primeiras cegonhas chegaram, hoje, a Castelo Branco.

Até Putin !

O memorial feito por Frangulyan
Gueorgui Frangulian... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2017/10/30/putin-repudia-repressoes-na-urss-ao-inaugurar-muro-da-dor-em-moscou.htm?cmpid=copiaecola
Gueorgui Frangulian... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2017/10/30/putin-repudia-repressoes-na-urss-ao-inaugurar-muro-da-dor-em-moscou.htm?cmpid=copiaecola
Gueorgui Frangulian... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2017/10/30/putin-repudia-repressoes-na-urss-ao-inaugurar-muro-da-dor-em-moscou.htm?cmpid=copiaecola
 "Muro da dor"- Do arquitecto Gueorgui Frangulian
Gueorgui Frangulian... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2017/10/30/putin-repudia-repressoes-na-urss-ao-inaugurar-muro-da-dor-em-moscou.htm?cmpid=copiaecola
Gueorgui Frangulian... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2017/10/30/putin-repudia-repressoes-na-urss-ao-inaugurar-muro-da-dor-em-moscou.htm?cmpid=copiaecola
Gueorgui Frangulian... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2017/10/30/putin-repudia-repressoes-na-urss-ao-inaugurar-muro-da-dor-em-moscou.htm?cmpid=copiaecola
 Daqui

"Putin inaugura memorial às vítimas da repressão política". (Agence France-Presse (AFP), 30 de Outubro de 2017).
"O presidente da Rússia, Vladimir Putin, inaugurou na tarde de segunda-feira em Moscou o chamado “Muro da Dor”, um memorial dedicado às vítimas da repressão política na URSS. O memorial, escolhido por concurso, é o projeto de maior envergadura apoiado pelo Estado, feito em lembrança aos mortos nos períodos de terror após a revolução bolchevique de 1917. Esse acontecimento histórico, sobre o qual os russos ainda não chegaram a um consenso, completa um século no próximo dia 7 de novembro. “Esses crimes não podem ter nenhuma justificativa”, disse Putin na cerimônia. A abertura do memorial é, para o presidente russo, “especialmente atual no ano do centenário da revolução”... 
"A inauguração de um monumento nacional às vítimas do terror foi uma ideia expressada pelo líder comunista Nikita Khrushchov em 1961, que a Associação Memorial, dedicada a manter viva a memória histórica, resgatou nos últimos anos da URSS. Putin deu forma a ela em setembro de 2015 ao assinar o decreto para a construção do monumento. Um total de 170 pedras procedentes de diversos campos de concentração do Gulag, de Solovki a Kolimá, foram utilizadas na confecção do conjunto escultórico, que ocupa mais de 5000 metros quadrados em torno a um muro de bronze com um baixo-relevo no formato de atormentados corpos humanos, onde é possível ler a palavra “lembre” em vários idiomas." 

Por cá, "PCP continua a falsificar a História". "O PCP criou um site para celebrar os 100 anos da revolução bolchevique de 1917, mas abre-o logo com uma fotografia falsificada de Lenine. Trata-se apenas da primeira de muitas falsificações históricas",  José Milhazes, O Observador, 24/6/2017.  


Para um sistema de saúde (2)


Alguns subsistemas de  saúde

O sistema de saúde em Portugal é constituído por uma rede de equipamentos e serviços de saúde, composta de vários subsistemas de saúde que concorrem para a protecção da saúde de todos os cidadãos.
Em 1979, "foi instituída uma rede de instituições e serviços prestadores de cuidados globais de saúde a toda a população, financiada através de impostos, em que o Estado salvaguarda o direito à proteção da saúde." Foi, assim, criado o Serviço Nacional de Saúde (SNS). (Lei n.º 56/79, de 15 de Setembro)
No entanto, em paralelo, existem outros subsistemas privados de saúde que têm acordos e convenções com hospitais, clínicas e médicos privados, tais como: subsistema dos seguros de saúde; subsistemas complementares de saúde, como a ADSE; subsistemas de seguradoras - acidentes de trabalho, viação/pessoas e vida; convenções com empresas, associações e outras entidades.
Alguns destes equipamentos e serviços são parcerias público-privadas (PPP), isto é, equipamentos e serviços de saúde concessionados pelo estado à gestão privada.
Inclui ainda acordos com IPSS que desenvolvem actividades no âmbito da saúde, como é o caso das misericórdias que respondem por actividades hospitalares, de cuidados continuados, de cuidados paliativos...
Há áreas que são praticamente asseguradas por privados como é o caso da medicina dentária. ("Os Seguros de saúde privados no contexto do sistema de saúde português", p.7)
E deve-se ainda referir o importante contributo dado pelas farmácias ao sistema de saúde.

Toda esta rede de cuidados de saúde significa que a assistência na saúde de muitos cidadãos é efectuada pelo SNS e/ou por outro subsistema de saúde. "A coexistência no sistema de saúde de serviços públicos com serviços e entidades privadas justifica que o SNS não preste a totalidade dos cuidados… 76% da população tem como único pagador o SNS, os restantes 24% utilizam outros sistemas… (14% da população está abrangida pela ADSE, 5% pelo SAMS (trabalhadores bancários). Com excepção da ADSE, nenhum outro sistema é auto-sustentável, confinando o SNS aos maiores níveis de cuidados." ("O sector da saúde em Portugal: funcionamento do sistema e caracterização sócio-profissional", p.8)
Quando pelo menos um quarto da população tem outro subsistema de saúde que não o SNS, não deixa de ser curioso que todos os cidadãos sejam obrigados a ter médico de família  do SNS, mesmo que não queiram ou que nunca tenham necessidade de ter outro médico de família para além daquele que sempre foi o seu médico.Tudo isto é contraditório e chocante quando sabemos que faltam mais de mil médicos de família para suprir as necessidades que existem, ou seja cerca de um milhão de cidadãos não têm médico de família.

O que podemos concluir é que temos governos que não confiam nos médicos, que gostam de sobreposições e redundâncias de serviços e não sabem articular serviços.
Dois exemplos ajudam a perceber o que se passa: as baixas por doença e as listas de espera para consultas e exames clínicos.
Se uma pessoa faz uma intervenção cirúrgica num hospital particular, porque tem um seguro de saúde, apenas no centro de saúde, em consulta com o/um médico de família, mesmo que não lhe tenha sido atribuído, pode validar a baixa por doença.

Há milhares de situações como esta em que os doentes estão sujeitos à burocracia do SNS, via centro de saúde. Não seria mais fácil se a baixa fosse declarada pelo próprio médico do doente ou pelo médico que fez a cirurgia, fosse de que subsistema foss?
Só encontro uma explicação para não ser assim: a desconfiança dos médicos que não são considerados responsáveis pelo estado e passam baixas fraudulentas. Ora acontece que... com a burocracia do actual SNS "um quinto das baixas médicas controladas estava apto para o trabalho".(Público)

Algumas populações continuam com dificuldade de acesso ao centro de saúde e a consultas externas especializadas ou exames de diagnóstico nos centros hospitalares. Marcar uma consulta no SNS, centro de saúde ou hospital, é um verdadeiro tormento.
Como é possível ainda acontecer que haja cidadãos que têm que aguardar à porta do centro de saúde pela marcação de uma consulta ?
Incapacidade, atraso, ou apenas por maldade se pode fazer isto aos cidadãos mais desprotegidos.
Qualquer funcionário com um mínimo de capacidade saberia resolver esta situação.
Infelizmente continuamos a ouvir notícias destas (p.ex. "Chegar "às quatro da manhã" ao centro de saúde para ter consulta") sobre o pior de nós mesmos.

Desde o início, o problema do SNS foi o despesismo (A história secreta do SNS). Mas também o mau funcionamento que cria dificuldades injustificadas aos doentes, pela
- desconfiança na deontologia profissional dos médicos pois tem necessidade de confirmar por outro profissional o acesso a baixas por doença. Preferência pela burocracia, duplicações e redundâncias quando os médicos dos subsistemas particulares e privados podiam ser os médicos de família de muitos cidadãos que o não têm, podiam comprovar o que se passa com os seus doentes;
- incapacidade de gerir um simples acesso a consultas e exames clínicos obrigando os doentes a intermináveis listas de espera ou a estarem em bicha a horas impróprias, em condições climáticas igualmente impróprias para marcação de consulta.
Assim, os centros de saúde/estado não sabem gerir, articular, poupar... de forma a que a assistência na saúde se traduza num funcionamento eficiente e eficaz.
Com o actual governo foi-se ainda mais longe: a cativação de verbas do sector da saúde torna o SNS, cada dia que passa, mais disfuncional para quem nele trabalha ou dele necessita.


25/10/17

Marcelo: o alfabeto do coração

 Resultado de imagem para incendios a dor de marcelo


1. A dor de Marcelo. A dor de cada um de nós. "A nossa dor neste momento não tem medida". Marcelo decidiu dar importância às pessoas, lá onde elas têm as suas circunstâncias e o seu sofrimento. E sabemos como é difícil ao poder reconhecer e dar importância às pessoas que sofrem, para além dos lindos discursos de solidariedade.
Não é de agora mas o comportamento de Marcelo ainda nos surpreende pelo espontâneo e genuíno sentimento de compaixão, que contrasta com o calculismo de alguns políticos. São centenas de abraços que, parece, nunca o cansam. É importante a abreacção. É importante que a dor de cada pessoa tenha uma expressão: de choro, desabafo e sentimento.
Não é necessário concordar com tudo o que Marcelo fez ou faz. No essencial é com grande inveja que tenho visto a capacidade de um homem expressar um comportamento genuíno, de ser pessoa aqui e agora, de ser gente com gente na frente, de se meter no fato e nos factos do outro.
Excesso de exposição ou a mais profunda solidariedade? Marcelo não tinha necessidade de estar em grande parte das coisas em que tem estado... Mas ainda bem que o tem feito. O contacto, o toque das emoções com os mais frágeis, idosos, crianças, sem abrigo, e agora com as vítimas dos incêndios tem sido apaziguador do conflito interior de quem ficou com nada do trabalho de uma vida inteira. É ainda uma tomada de consciência da incapacidade que foi manifestada pelo executivo de ao menos pedir desculpa e tomar medidas expeditas para minimizar ocorrências semelhantes.

2. Marcelo diz que devemos ter uma "visão panorâmica": "cada um na sua casa pensa que tem melhor visão do que os outros", referia Marcelo no cimo de uma colina, num destes dias de calamidade.
É esta visão que um político deveria ter sempre para poder ser político. Nesta discussão sobre os incêndios ouvimos todas as opiniões e as suas contrárias. São os eucaliptos, a desertificação, a falta de limpeza das matas, o desordenamento, a falta de meios, de comunicações, de vigilância… Por isso uma metodologia panorâmica parece ser a melhor para encontrar soluções mais do que a solução.

3. Marcelo tem o seu estilo próprio. Poderá haver pessoas que exprimem sentimentos de compaixão de outra forma. No entanto, este estilo é de enaltecer vinda do PR ao lidar com uma tragédia como esta. Podia ou deveria servir de modelo para os políticos que com distância e frieza trataram o assunto e que não deixa de evidenciar um contraste chocante com a realidade das pessoas.
Marcelo mostrou solidariedade e compaixão com a compreensão que fez do estado emocional das outras pessoas. A compaixão usa a delicadeza para com aqueles que sofrem e alivia o sofrimento de outro ser humano.
James Doty criou o “alfabeto do coração” para ser usado como um exercício de meditação. O alfabeto do coração inclui: Compaixão, Dignidade, Equanimidade, Perdão, Gratidão, Humildade, Integridade, Justiça, Bondade e Amor.
Marcelo diz que gosta de tratar as pessoas assim porque gostou da compaixão dos outros quando em sofrimento. Não é mais do que “tratar os outros como gostávamos de ser tratados por eles”.
O alfabeto do coração também inclui:
A dignidade que todo o ser humano deve ter.
Equanimidade, a serenidade encontrada entre os altos e baixos dos acontecimentos.
Saber perdoar aqueles que falharam .
Gratidão por tudo o que conseguimos obter.
Humildade porque não é melhor nem pior do que outros.
Ter integridade, ou seja, orientar as suas acções pela honestidade.
Ter justiça para com aqueles que são mais vulneráveis.
Bondade pelo reconhecimento da humanidade do outro.
E, finalmente, o Amor que contém e liga tudo.

20/10/17

Orçamento «tira do "lete" e põe no "caféi"» - parte 3

Como nos dois orçamentos anteriores já toda a gente percebeu a esperteza da coisa. Tira-se de um lado e põe-se no outro, dá-se com uma mão para tirar com a outra. Tira-se dos mesmos de sempre,  daqueles onde pensam que ainda há qualquer coisa para tirar.
Entretanto, vai-se anunciando aumentos de pensões, descongelamento de carreiras na função pública,  vinculação de professores, a baixa de impostos *, etc. que vão ser pagos com a substituição por impostos indirectos em determinados produtos, combustíveis, recibos verdes...
 
O governo minoritário de Costa, assim nos vai iludindo. Costa vive de tacticismos. Não tem qualquer estratégia política.** Ganhou o silêncio ou passividade dos sindicatos, partidos e associações dominadas pelas ditas esquerdas unidas, incluindo as que sofrem de doença infantil, em troca "esqueceu" qualquer tipo de reforma estrutural que pudesse ajudar a melhorar e consolidar o futuro. Dito de outro modo, "quem não tem uma estratégia vai fazer parte da estratégia de alguém". (Toffler)
Não veio o diabo de que falava Passos Coelho (quer dizer, excluindo esse "pormenor" da dívida) mas, inesperadamente**, veio o inferno dos incêndios, que pôs a nu a verdadeira natureza (crueza) deste governo,  as fragilidades de que falou o Presidente Marcelo e o desprezo pelos mais frágeis quando com um orçamento travestido de reversões e cativações,  sentem bem as dificuldades em todos os sectores, como na Saúde, por ex. ...
 
 ________________________
* "Nos últimos dias gerou-se a ideia de que a proposta de OE2018 baixará os impostos. Trata-se, a meu ver, de uma ideia falsa. E é falsa porque na realidade os impostos vão aumentar. Aumentam em termos nominais e aumentam também em termos reais.
Analisemos, primeiro, o incremento nominal. Ora, segundo consta da página 199 da proposta de OE2018, o aumento dos impostos indirectos equivalerá a 1098 milhões de euros em 2018 (+4,6% face a 2017) e compara com uma redução de 225 milhões de euros nos impostos directos (-1,2% face a 2017). Há, portanto, um aumento líquido de 873 milhões de euros na receita fiscal do Estado.
Em cima destes 873 milhões, teremos ainda outros impostos de diferentes níveis da administração pública que vão elevar a variação positiva da receita fiscal para 1184 milhões (+2,4% face a 2017, conforme p.32).
Passemos agora ao incremento real, para observar o seguinte: não obstante o rácio da carga fiscal (aqui entendido como receitas fiscais mais contribuições fiscais em percentagem do PIB) baixar de 37,9% para 37,7% do PIB, a verdade é que a receita corrente aumenta de 42,7% para 42,8% do PIB (p.32) e, tão ou mais importante ainda, a receita estrutural aumenta de 43,0% para 43,6% do PIB (p.31). Moral da história, a receita aumenta, quer em termos nominais, avaliada em euros de 2018, quer em termos reais, avaliada enquanto receita corrente e estrutural em percentagem do PIB de 2018."
...
Pedro Arroja, "A falsa ideia de que baixam os impostos", Eco.


** A menos que seja esta: "A estratégia do actual governo é a de conseguir um círculo virtuoso de crescimento, emprego, moderada consolidação orçamental, descida de juros, descida do peso da dívida. Na fase de transição, em que ainda estamos, onde é necessário requalificar os serviços públicos e aumentar o investimento, a redução do peso do Estado, deverá ser moderada, e devida, não a cortes de despesa, mas a um crescimento pouco abaixo do crescimento do PIB. Temos defendido que até terminar o período de consolidação orçamental, não há margem para reduções significativas de impostos."
Paulo Trigo Pereira: "OE2018: a estratégia, os compromissos e… os incêndios".

*** Houve muitos avisos, a começar pelos do IPMA.

18/10/17

Taxas e taxinhas: TMPC

"Faço minha esta pergunta
FACE A ESTAS DECLARAÇÕES DO SECRETÁRIO DE ESTADO
“Têm de ser as próprias comunidades a ser pro-activas e não ficarmos todos à espera que apareçam os bombeiros e os aviões para resolverem os problemas. Temos de nos auto-proteger – é fundamental.”
Acabou-se a Taxa Municipal de Protecção Civil?" Helena Matos,18 Outubro, 2017
 
Recebi, hoje, a respectiva. Também "faço minha esta pergunta".



"Parece-me que a única resposta possível a este desafio é óbvia: temos que nos autoproteger, sim, mas destes políticos que nos desertam e nos deixam cada vez mais sozinhos nas nossas aflições." Laurinda  Alves, "Autoproteja-se o senhor!", Observador.


17/10/17

Mogli

Fim-de-semana. Boa altura para estar com os netos e fazer o programa deles. Brinquedos, livros infantis, brincadeiras, parque infantil, cd's e dvd's, músicas e estórias que vamos vendo n vezes. E é garantida a diversão também para os adultos. Desta vez é a história de Mogli que também contei aos meus filhos, em livro e cassete*. Agora em dvd ganha diferente interesse, digo eu. Uma das músicas mais divertidas é cantada por Louis Prima, o tal de "Sing, sing,sing", "Eu quero ser como tu".



________________________
* Mogli, Clássicos Disney, Difusão Cultural. Adaptação do texto de António Avelar de Pinho.

12/10/17

Hoje apetece-me ouvir: The Ray Conniff Singers

The Ray Conniff Singers - Somebody Loves Me
You're the cream in my coffee - Letra e música Ray Henderson, Lew Brown, Buddy DeSylva
Ray Conniff - 6/11/1916-12/10/2002


 You’re the cream in my coffee,
You’re the salt in my stew;
You will always be my necessity--
I’d be lost without you.

You’re the starch in my collar,
You’re the lace in my shoe;
You will always be my necessity--
I’d be lost without you.

Most men tell love tails,
And each phrase dovetails.
You’ve heard each known way,
This way is my own way.

You’re the sail of my love boat,
You’re the captain and crew;
You will always be my necessity--
I’d be lost without you.

You give life savor,
Bring out its flavor;
So this is clear, dear,
You’re my worcestershire, dear.

You’re the sail of my love boat,
You’re the captain and crew;
You will always be my necessity--
I’d be lost without you.

Circulatura do quadrado


Na quadratura do círculo, perdão, de 29-3-2012,  às tantas, o tema era Sócrates.
A. Costa ( presidente da CM de Lisboa): " o passado não interessa" (isto é, falar de Sócrates).
Pacheco Pereira: " e você (Costa) tem um pequeno problema: foi o seu braço direito".

Ontem, Sócrates foi acusado pelo MP.

08/10/17

Mãe e filhos


1. É importante falar, escrever e fazer a divulgação da relevância  para o desenvolvimento da relação da mãe com os filhos. Esta interacção privilegiada, a vinculação 1, coloca em relevo o importante papel que a mãe assume nesse desenvolvimento.  É um comportamento inato dos primatas e em particular dos humanos.
"Embora o conhecimento esteja longe de ser definitivo 2, a investigação permitiu já concluir que os laços que se estabelecem entre mãe e filho constituem o primeiro modelo de relacionamento humano do bebé, potenciando uma sensação  de segurança e de autoestima positiva. Além de que a resposta dos pais aos sinais do bebé também pode influenciar o desenvolvimento social e cognitivo do bebé. Não há, contudo, uma fórmula mágica: é uma experiência pessoal e complexa que não pode ser forçada." (p. 16)
Este processo de vinculação começa muito antes do parto e continua depois do nascimento. De facto, "quando o parto acontece, já se pode dizer que os dois se conhecem, sendo reconhecido que a ligação afetiva que se estabelece durante a gestação é um dos processos mais importantes desses nove meses. É verdade que essa intimidade é sensível a um conjunto de variáveis, nomeadamente a idade da mãe, o apoio familiar e social recebido, o contexto da própria gravidez. Mas também é verdade que, após o nascimento é fundamental consolidar os laços que se começaram a gerar durante a gestação." (p.15)

Há situações, em que por diversas circunstâncias (falecimento, separação forçada pela guerra, acidentes, doença...) a mãe não está presente, e a vinculação é feita a pessoas de referência da criança... Mas esta é uma situação inultrapassável e não há outra resposta mais adequada para o desenvolvimento adequado e seguro da criança.
A adopção surge também como uma dessas possibilidades em que o superior interesse da criança passa por este tipo de resposta, sendo preferível  à institucionalização, p ex..


A partir dos anos 50 do século passado, a psicologia passou a dispor de um conjunto de dados resultante da investigação animal e humana que fundamentaram com segurança este processo de interacção.
Há alguns anos, R. Zazzo recolheu em livro a opinião de vários especialistas sobre  a vinculação. A mudança conceptual que vinha trazer em relação à necessidade primária que a vinculação representava, mostrava uma perspectiva diferente da  relação mãe-filho.  Ficava em questão quer o conceito da psicanálise enquanto defensora de que essa vinculação era secundária em relação à necessidade primária de alimentação, como o do behaviourismo que seria secundária em relação ao reforço.


Para Bowlby (O vínculo mai-filho e a saúde mental, Galiza editora) "a vinculação não é exclusiva da nossa espécie já que existe igualmente tal como o demonstraram outros autores (como Harlow, Hinde e Lorenz) na primeira infância de muitos mamíferos e algumas aves." (p.13)
A teoria da vinculação (apego) é um modo de conceptualizar a tendência dos seres humanos a estabelecerem fortes vínculos afectivos com outros seres particulares e de explicar as múltiplas formas de aflição emocional e transtorno da personalidade que compreendem a ansiedade, a ira a depressão e o desapego emocional a que dão lugar a separação e a perda não desejadas" (p. 27)
O DSM caracteriza a Perturbação reactiva de vinculação da primeira infância e início da segunda infância. (No Brasil, "Transtorno de apego").

2. A gestação de substituição, aprovada em conselho de ministros, (Decreto Regulamentar n.º 6/2017- DR n.º 146/2017, Série I, de 2017-07-31) 3 certamente tem muito a ver com o que se disse antes  e os senhores deputados devem ter ponderado o assunto, seriamente. De facto, a mãe é indispensável para o desenvolvimento da criança. Por isso, para este efeito há necessidade
"d) De uma declaração de psiquiatra ou psicólogo favorável à celebração do contrato de gestação de substituição".
 Apesar do risco, parece compreensivo que haja situações excepcionais em que a gestação de substituição tenha  lugar.

Por outro lado, há cláusulas que não se sabe como vão ser resolvidas, na prática, e como vai ser feito o seu controlo, como:
"k) A gratuitidade do negócio jurídico e a ausência de qualquer tipo de imposição, pagamento ou doação por parte do casal beneficiário a favor da gestante de substituição por causa da gestação da criança, para além do valor correspondente às despesas decorrentes do acompanhamento de saúde efetivamente prestado, incluindo em transportes".

3. Seja como for, o DR estipula as condições da gestação de substituição. Fora destas situações e fora dos limites impostos, trata-se de um negócio que nunca deixará de ser outra coisa senão a compra e venda de crianças.

4. O caso Cristiano Ronaldo, como escreve H. Raposo ou Isabel Stilwell, tendo em conta os direitos da criança a ter uma família não cabe nesta situação porque a legislação portuguesa não o permitiria. Mas a moral também não.  
Podemos ser fãs de Ronaldo, apreciar as suas atitudes e comportamentos nas diversas  situações desportivas, reconhecer a sua caridade ou filantropia para com os outros, nomeadamente as atitudes relativamente a crianças com dificuldades de saúde ou outra ordem, acompanhá-lo até ao fim do mundo, porém, o nosso caminho tem, necessariamente, que acabar aqui. Como Saramago, "até aqui cheguei", mas não daqui em diante.4

5. Do ponto de vista psicológico, qualquer situação deste tipo, configura uma situação de risco de vinculação. Ou seja, uma situação de risco em relação aos direitos da criança.

___________________
1. Maria Rita Silva, «Mãe e filhos: uma relação única», PH, nº 15, Maio-Junho 2017.

2. Discute-se a questão da vinculação e critica-se que "La relation mère-enfant devient le seul objet de l’évaluation, elle est donc réalisée indépendamment de la relation paternelle (ici les absents n’ont pas toujours tort), de l’environnement familial élargi et du contexte culturel, économique et social dans lequel l’enfant a évolué." Le cercle psy
" Surtout diverses enquêtes, dont celles qui ont servi de base à la notion de résilience, montrent que bon nombre d’individus mal partis déjouent tous les pronostics. Inversement, d’autres tournent mal alors qu’ils ont bénéficié d’un soutien parental sans faille. L’attachement sécure est un atout, pas une baguette magique. Ni sans doute un ingrédient indispensable." J.- F. Marmion, Le cercle psy

3. A designação  "barrigas de aluguer" mostra bem que a natureza deste negócio não se coaduna com a letra ou o espírito do normativo  (Decreto Regulamentar n.º 6/2017DR).

4. Mesmo com a militância política de Saramago é necessário reconhecer-lhe a grandeza moral de condenar o regime cubano. De facto, quando "O governo cubano executou na sexta-feira passada três homens sumariamente condenados por assaltar uma balsa com o propósito de fugir para os EUA" , Saramago escreveu: "Até aqui cheguei. De agora em diante, Cuba seguirá seu caminho, e eu fico onde estou. Discordar é um direito que se encontra e se encontrará inscrito com tinta invisível em todas as declarações de direitos humanos passadas, presentes e futuras. Discordar é um ato irrenunciável de consciência." 16 de Abril de 2003, Folha de S. Paulo.

29/09/17

Obrar

Depois de várias tentativas eleitorais em que nos prometeram mudanças, "agora é que é", ou  como na colocação do "maior mastro do mundo" (Deolinda), os programas eleitorais continuam a ser lindos e megalómanos mas, na realidade, as prioridades da actividade municipal continuam a ser:
Obrar.  De norte a sul. Vira o país em estaleiro e  ninguém tem descanso com o barulho dos martelos pneumáticos e retroescavadoras, incluindo trabalho aos sábados, trabalho até mais tarde, para que a 1 de Outubro tudo pareça pronto a inaugurar; o que não se fez em quatro anos, ou mesmo em oito, faz-se agora da noite para o dia; com dinheiro ou sem ele, o importante é apresentar obra que se veja porque sem obra autarca fica invisível. É uma espécie de absolvição para todas as "irregularidades": "corrupto  mas com obra feita".
Praça das Flores, Lisboa
Vangloriar-se. Revêem-se na obra feita, publicitada em cartazes que inundam avenidas e rotundas. Concorrem para oferecerem mais obras e serviços gratuitos, livros, infantários, casas ... a gratuitidade em todo o lado.
Gostam de dar o nome a ruas, estádios de futebol, bibliotecas... e sonham ser comendadores.
Enquanto assim for, situação e oposição, os que saem e os que entram,  estão bem uns para os outros e, sem dúvida, que: "El postito portugués/Solo es grandito en pequenez".
Denunciar. É este o tempo preferido para denunciar os que estiveram antes ou querem ficar agora,  surgem denúncias ligadas a "irregularidades": "revelações" sobre os  escândalos maiores, mais pequenos, indícios...
"Sacrificar-se". Pelos outros. No entanto, não quiseram que a  lei da limitação de mandatos os libertasse desse pesado sacrifício. Afinal, foi esclarecido, a lei só se referia à mesma autarquia e, passado um ano de nojo, poderiam voltar a sacrificar-se, e foi o que aconteceu este ano com alguns veteranos das autarquias que estão dispostos a ficar até caírem da tripeça. Três mandatos de sacrifício a somar a outros três, para terminarem não como comendadores mas como santos.
Falir e taxar.  É o que acontece a alguns municípios, porque tudo vai continuar na mesma. Sabemos, no entanto, quanto custa a gratuitidade a quem paga  impostos: IRS (9% dos cidadãos paga 70% deste imposto), IMI, Taxas e taxinhas...
Desleixar.  Falta de passadeiras, falta de locais nos passeios para passagem de cadeiras de rodas, carrinhos de bebé, pessoas com dificuldades de mobilidade...
Quinta das Conchas, Lisboa
A mistura de irresponsabilidade município/munícipes. Nojento é como se pode descrever o estado de algumas ruas, lixo por todo lado, restos de obras, pedras que saltaram do sítio, papeleiras estragadas e insuficientes, parques infantis inseguros, árvores cortadas sem serem repostas, troncos das árvores e jardins desleixados que servem de lixeira/estrumeira aos cães dos munícipes que gostam de animais, mas também gostam de deixar os dejectos na rua deles e dos outros, que gostam tanto de animais que os abandonam, porque só os abandona quem os tem, e vagueiam pela cidade.
Garantir. O futuro dos familiares e amigos fica assegurado. Tudo boa gente, tudo gente que se vai sacrificar para liderar as autarquias e ficar a obrar para a comunidade, se bem que obrem mais para os próprios e respectivos familiares e amigos.
Votar? "A esperança é a última a morrer"?
_______________________________
Sobre o assunto acabei de ler "Tu és a revolução", de Clara F. Alves, "Pluma caprichosa", A revista do Expresso, nº 2344, de 29/9/2017.

21/09/17

As minhas serigrafias: Artur José

Artur José - Composição


Técnica: Serigrafia
Suporte: Papel Fabriano D5 GF 210g; Dimensão da Mancha: 41,6x34 cm; Dimensão do Suporte: 70x50 cm
N.º de cores: 20
Data: 1994
Nº de Exemplar: 29/200

"Nasceu em Lisboa no ano de 1931 e morreu na mesma cidade em 2010. Nas artes-plásticas, destacou-se principalmente pelo seu trabalho como ceramista. Como reconhecimento do seu trabalho a sua obra foi diversas vezes distinguida: Prémio “Sebastião de Almeida”; Prémio Casa da Imprensa, em Cerâmica; 1ª. Medalha “VIII Salão da Primavera”, “X Salão da Primavera”, “XI Salão de Outono” e no “XV Salão da Primavera” (J.T.C.S.); 2º. Prémio em Cerâmica na “II Exposição Antoniana” (J.T.C.S.); 2º. Prémio de Salão (1º. em Cerâmica) no “XI Salão de Primavera” e “X Salão de Outono” (J:T:C:S:); 1º Prémio no “III Salão Motivos da Costa do Sol” (Casino do Estoril). Realizou diversas exposições individuais em Portugal e no estrangeiro e, participou em várias colectivas, destacando-se em países como o Brasil, o Japão, Angola e França. Está representado em colecções de museus na Suíça e nos E.U.A e na “Casa de Portugal” em Estocolmo; faz parte de colecções particulares em países tão diferentes como a Alemanha, o Brasil, a Suécia ou a Nigéria. Em Portugal o seu trabalho encontra-se no Museu do Azulejo e na Caixa Geral de Depósitos, entre outras instituições e colecções."



05/09/17

10 anos de "Educar em Diálogo"

  http://3.bp.blogspot.com/-grU5hLd1UOY/TslEkLurQyI/AAAAAAAAAuM/e6uWGXaxx9k/s980/DSC01466%2Bblog%2Bicon%2Ba.jpg
  
10 anos de "Educar em diálogo". O objectivo inicial foi o de trazer algumas ideias sobre  a educação que na altura passava por caminhos controversos e autoritários, com uma ministra da educação, Maria de Lurdes Rodrigues, que tinha dos professores a ideia de que eram o fracasso do sistema educativo e que era preciso ensinar-lhes as boas maneiras para serem professores. Muitos projectos eram os do regime "socrático": novas oportunidades, "magalhães", parque escolar, avaliação de desempenho altamente burocratizada, a divisão entre professores e professores titulares, a escola a tempo inteiro (AEC), as alterações do DL 3/2008 e as escolas de referência, a CIF, o número mágico de 1,8% de crianças com NEE, com a exclusão de muitas do apoio da educação especial, o encerramento de escolas rurais e de pequena dimensão... (A crise na educação)
O que mais chocava era a atitude arrogante do poder, em particular  num sector onde o diálogo,  como método,  devia ser o caminho para tomar decisões e  melhorar a educação.

10/08/17

Confiança básica

 ...
"Olha-me. Nunca me irei embora; mesmo quando já cá não estiver, basta-te abrir pernas e braços, pôr o peito para cima e fechar os olhos, dessa vez fecha os olhos, para me veres onde estou: aí dentro. Quando essa cabeça quiser pensar em nada, que serei eu dentro de ti, fecha os olhos. Nós os dois aqui, um ao lado do outro, a boiar no mar calmo de olhos postos no céu imenso.

A extraordinária relação pai-filho que nasce nas pequenas coisas da vida, da aprendizagem do quotidiano, da confiança básica (E. Erikson), do amor profundo entre dois seres. Muito gratificante. 
Obrigado AAA. 
Partilhei no facebook.

09/08/17

Vinho, mulheres e canções


Valsa "vinho, mulheres e canções"
Orquestra Sinfónica da Rádio de Hamburgo - Dir. de Gudolff Rendel

Talvez aqui.
 


O título da valsa de Johan Strauss só por si, e para os dias que vão correndo, é um tratado do politicamente incorrecto, talvez, até um insulto, para os fracturantes de pacotilha.
É muito mais do que versar sobre a vida desregrada, a que Jeroen Dijsselbloem se referia, como o caminho a evitar, é o encantamento da vida - o principio do prazer.
Embora Dijsselbloem seja do norte disse o que se pode aplicar a todos os povos de todas as geografias, como a ele próprio.  O azar dele foi tê-lo feito de forma focada nos europeus do sul quando isso também é coisa dos europeus do norte, como aqui se vê.
Também já não era o tempo próprio para isso. Quer dizer, foi aqui que nos trouxe o retrocesso em que estamos.

Por estes dias de embandeirar em arco, aliás o nosso querido presidente Marcelo já começou a travar tanta exuberância, principalmente depois das desgraças dos incêndios e de  Tancos, o país que todos procuram pelo sol, pela comida, pela simpatia das pessoas, afinal também tem defeitos. Nada que surpreenda o que refere, no Labirinto da saudade, Eduardo Lourenço: "somos um povo de pobres com mentalidade de ricos". Como as críticas são "de casa", podem dizer o que pensam e o que entendem sobre  a choldra ignóbil, apropriada ao "estado a que chegámos".
Mas não fomos sempre assim ? Podemos voltar ao passado, por altura dos descobrimentos, quando se criticava aqueles que comiam pão-de-ló com sardinha  assada. Mas isso eram outros tempos?

Resta-nos a verdadeira paixão pela música, autêntica evolução no campo da igualdade de direitos. 
Como referia E. Cintra Torres a propósito de "Duetos imprevistos".  "A arte aprende-se. Os compositores, diz-nos Duetos, não são apenas homens do seu tempo: têm as paixões do momento e de sempre. Tal como eles, os dois apresentadores estão sempre à mesa comendo e bebendo (como Bruckner), falando das apaixonadas e do seu papel na música (Liszt, o Strauss das valsas), e procurando também assim recriar o seu amor pela música, religiosa, popular ou o que seja. No écrã, recriam-se pulsões dos compositores: vinho, mulheres e canções (Wein, Weib und Gesang: é o título de uma valsa de Strauss)."

04/08/17

Todo o Mundo e Ninguém

 

Todo o Mundo e Ninguém, entremez do Auto da Lusitânia, escrito por Gil Vicente em  1531, e representado pela primeira vez em 1532, está mais actual do que nunca, não só pela estória da utilização da música dos 1111 num dos temas do álbum “4:44”, de Jay-Z, mas porque, passados 500 anos, podia ter sido escrito um dia destes, se ainda houvesse homens como Gil Vicente.

Nesse sentido interroga-se A. Barreto: "Que é feito dos homens livres do meu país? Estão assim tão dependentes da simpatia partidária, dos empregos públicos, das notícias administradas gota a gota, dos financiamentos, dos subsídios, das bolsas de estudo e das autorizações que preferem calar-se? Que é feito dos autarcas livres do meu país? Onde estarão eles no dia e na hora do desastre? Talvez à porta do partido quando as populações pedirem socorro e conforto." (A. Barreto, Jacarandá)

Gil Vicente conhecia bem os vícios do seu tempo. Dinato e Belzebu, encarregues de relatar a Lúcifer tudo o que se passa (ver Auto da Lusitânia), escutam o diálogo entre Todo o Mundo e Ninguém.
Um rico mercador, chamado "Todo o Mundo" e um homem pobre cujo nome é "Ninguém", encontram-se e põem-se a conversar sobre o que desejam neste mundo. Em torno desta conversa, dois demónios (Belzebu e Dinato) tecem comentários espirituosos, fazem trocadilhos, procurando evidenciar temas ligados à verdade, à cobiça, à vaidade, à virtude e à honra dos homens.

Ninguém:
Que andas tu aí buscando

Todo o Mundo:
Mil cousas ando a buscar:
delas não posso achar,
porém ando porfiando
por quão bom é porfiar.

Ninguém:
como hás o nome, cavaleiro?

Todo o Mundo.:
Eu hei nome Todo o Mundo,
e meu tempo todo inteiro
sempre é buscar dinheiro,
e sempre nisto me fundo.

Ninguém:
Eu hei Ninguém,
e busco a consciência.

Belzebu:
Esta é boa experiência:
Dinato, escreve isto bem.

Dinato:
Que escreverei, companheiro?

Belzebu:
Que Ninguém busca consciência,
e Todo o Mundo dinheiro.
...