31/08/12

"Repor a luz"

 1ª edição: Setembro de 2011
 
 
 ERGUER DO CHÃO...
Erguer do chão a haste da ternura
quando a rajada nos oprime a face
e deixar que ela vença a tempestade
que em nossas veias gélida perdura,

e dessa haste os cálidos arbustos
ver rebentarem cada vez mais bastos
e com eles      vernais e enlaçadas
s'anunciarem brotos a ser frutos.

Não é sonho a maré de confiança
que se espraia no íntimo desejo
de se alcançar, após a intempérie,

algum calor que a invernia aqueça,
uma propícia           fúlgida manhã
que ponha fim à noite agraz      infrene.
 
 
Mais um extraordinário livro de poesia de António Salvado. Reconfortante, de paz, para repor a luz na nossa vida.


Flower blossom



Não quero ser injusto. Acho que  Flower Blossom, da Häagen-Dazs, com seis sabores, merece um primeiro lugar. Nas Amoreiras.

Montessori




O Google recorda Maria Montessori, extraordinária pedagoga, na passagem do 142º aniversário do nascimento (31/8/1870 – 6/5/1952).
Sites com interesse: The Montessori Method , Montessori blog, Maria Montessori Institute .

 

 

28/08/12

Os sonhos dos jovens

1. Éramos todos, ou quase, de esquerda. Porém, de várias esquerdas. Ou de uma esquerda que era contra todas as outras esquerdas e os que não eram de esquerda não se sabia quem eram.
Havia esquerdas para todos os gostos, umas mais (in)tolerantes do que outras, que se degladiavam entre si: a uec, as facções m-l, o mrpp, os da 4ª, a udp, o mes...
Alguns dos seus representantes permaneceram iguais a si próprios e continuam, hoje, com o mesmo discurso. Que “coerência” ! Continuam hoje como já os ouvíamos na cantina velha, em Ciências ...

2. Também já conhecíamos os versos "vemos, ouvimos e lemos,  não podemos ignorar" (Sofia). Tínhamos lido sobre a revolução cultural chinesa e, no mínimo, ficávamos apreensivos. Como era possível que alguém pudesse acreditar e defender aquilo ? Como era possível que alguém pudesse apostar que o sol vinha dessas pátrias do socialismo real ?
Líamos coisas de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht, de  Antonie Pannekoek, de Alexandra Kollontai, sobre Kronshtadt, coisas libertárias ou pseudolibertárias... e percebíamos que as tutelas do estado fascista ou socialista ou capitalista tinham muitas semelhanças.
Era rídiculo ver uma juventude moralizadora da outra juventude que não queria aquela esquerda nem se identificava com aquelas ideologias.
Nem tudo era admitido pelas esquerdas. Muito menos dentro da universidade ou nas aulas. Excepto se fosse m-l. Criticar o leninismo, enfim, criticar o maoismo nem pensar.
Éramos jovens universitários, almoçávamos pelas cantinas onde militantes, académicos e jotas, nos chateavam com os discursos acalorados duma ou outra esquerda enquanto devorávamos o prato do dia...
Em Ciências, na cantina, onde comíamos em cima de caixotes de fruta, vínhamos até cá fora, porque as mesas já estavam cheias ou simplesmente para respirarmos outros ares, para não aturarmos aqueles indivíduos.
Um folclore político, cada facção cada dia mais radical na resolução dos problemas do mundo, cada uma mais "coerente" do que a outra, acusando-se mutuamamete de serem capitalistas, fascistas, social-fascistas e professando fidelidade à classe operária, vanguarda da revolução... e a gente só queria mesmo estudar e acabar o curso.
Ficámos vacinados contra estes jotas e académicos. Muitos são, agora, dirigentes políticos. Nunca me comoveram, nunca me inspiraram, nunca senti que falassem uma verdade desinteressada. Nunca fizeram parte dos meus sonhos enquanto jovem.

3. Maio 68 tinha sido há pouco tempo. E as coisas por cá sentiam-se ainda desse fluxo que em ondas sucessivas iam chegando. Professores duvidosos com cursos de sabe-se lá que universidades francesas traziam mais da mesma cultura.
Havia outro lado. Estes queridos professores: Bairrão Ruivo, Luís Soczka, José Gabriel P. Bastos...  Uns que marcaram mais do que outros a nossa vida e foram responsáveis por disciplinas estruturantes do curso. Recordo bem a "Psicopedagogia especial" e a "Observação e Avaliação Psicológica". Ainda são desse tempo as bases da minha profissão.

Fragmento de uma fotografia do Expresso/Revista

Alguns deles interessaram-nos, de facto, por aquilo que ia ser a nossa profissão. Bairrão, exigente, na avaliação, a escala de 0 a 20 valores, foi fundamental numa altura em que ser de esquerda significava não fazer exames...

4. A equipa, os grupos de trabalho, o grupo do "faz-se o que se pode" deambulando ali pela cidade universitária. Não tínhamos um "café des trois colombes" mas tínhamos a piscina do campo grande, o caleidoscópio, o apolo 70... as rge, rga, as manifestações...
 
5.  A pouco e pouco fui percebendo que a (re)solução dos problemas da humanidade era a mudança interior, a mudança de atitude, o esforço, o trabalho, individual, de equipa, o trabalho solidário.
Com o tempo havia de perceber essa diferença como aconteceu com alguns daqueles jovens de sonho errado.
Já havia tantas evidências de que os ditadores de esquerda ou de direita são todos e sempre iguais...

O diabo está nos pormenores

Está aqui ao lado no "corta -fitas". Em cima e em baixo, o mesmo empenho.

24/08/12

Eu e tu, agora, somos o chefe



Eram cinco. As crianças brincavam e tentavam organizar a brincadeira. Tratava-se de fazer uma cova, daquelas que as crianças e alguns adultos, eu incluído, costumam fazer na praia.
Uma delas, virando-se para a que era mais activa, diz-lhe: “eu e tu, agora, somos o chefe”.
Duas delas acharam que não era assim e separaram-se porque não estavam para fazer o que ela achava. E foram fazer a sua própria brincadeira.
Passado algum tempo, uma do primeiro grupo vai convidar os dois desistentes para regressarem ao grupo. Recusam. Então diz-lhes: "não faz mal, vocês agora são só dois e isso está pouco fundo”.
Esta teoria da dinâmica de grupo, infantil e de praia, recorda-me outra ainda mais radical. Fui proposto para um projecto de equipa de trabalho. A querida amiga que estava a liderar o projecto achou, pura e simplesmente: “ a equipa sou eu”.
Muito temos a aprender com as crianças e com os nossos próprios "amigos". 
As lideranças bicéfalas não são lideranças. Mas as lideranças devem saber trabalhar em equipa. Nesse caso nunca é dramática a fase seguinte. Caso contrário, é nisto que resultam os chamados líderes carismáticos: não têm sucessor. Ou a sucessão é sempre uma tragédia: quando a sucessão é familiar-dinástica, com a indicação do sucessor ou dos sucessores. Mesmo o simulacro eleitoral, quando existe, serve apenas para confirmar a escolha efectuada.
Normalmente, tudo isto também é cómico. Herman é que sabe quem é o líder.

15/08/12

Decrescimento


Já pouca diferença se encontra nas mudanças governativas. Na última, embora a "oxigenação" fosse necessária, foi com a mesma desconfiança que “os” vi assumir funções. Mais do mesmo, pensava. Mais crise menos crise mas tudo como dantes.
Mas parece que há algo de novo no panorama do status quo nacional.  Será que alguém percebeu  que não é possível continuar como quase todos querem na assembleia da república e fora dela? E estar disposto a perder eleições em nome da verdade, do realismo, e pelo país, é uma visão (só conversa?) diferente da habitual, de que lixar é o que menos importa, excepto para a espuma dos dias e do consumismo comunicacional ?
Decrescimento é uma palavra que não só é utópica mas também tabu, entre nós. Era a isto que se referia PP Coelho quando falava de “empobrecimento” ? É preciso explicar.
Mas o caminho não é certamente como continua a reivindicar a chamada esquerda: É preciso é crescer. Mas, em primeiro lugar, não diz como e, em segundo lugar, para quê ? Podemos antecipar com uma pergunta o que costuma acontecer: para consumir mais e gastar mais?
A oposição têm dois slogans “crescer” e ”mais tempo”. Que intelligentzia
O primeiro está completamente fora da realidade ecológica, económica, social, política e o segundo é a procrastinação do costume: alguém há-de pagar.
João César das Neves falou da questão com Medina Carreira em “Olhos nos olhos”. Todos querem crescer: a Alemanha, a Espanha, a França, a Grécia, a Itália … mas como? (Sobre)produzindo mais o quê? E à custa de quê ?
E, se isto da economia global funciona como um sistema, para um ter superavit, alguém tem que ter défice.
Além disso, sabemos que o crescimento não é ilimitado ("the finite pie").
Serge Latouche propõe  “uma sociedade do decrescimento e descreve como se deveria realizar essa transição nas sociedades consumistas, evitando, deste modo, uma catástrofe ecológica e humana, pois os recursos do planeta não são inesgotáveis. Para Serge Latouche, o decrescimento é uma 'utopia concreta': não podemos continuar a perseguir infinitamente o crescimento, a economia e o progresso económico, quando o nosso planeta se encontra em declínio – é preciso um modelo alternativo, uma filosofia e um modo de vida gradual e serenamente decrescente.”
Daniel Bessa, no Expresso/Economia, de 11-8-2012, "Um resultado fantástico", diz que  "este excesso de absorção interno provocou um endividamento externo muito elevado (os 2 milhões de euros por hora, em cada uma das 24 horas dos 365 dias do ano... ) que, por insustentável, é uma das razões que explica o período de dificuldades por que estamos a passar".
Não sei o que se passou em Quarteira, mas parece que esta é a questão do crescimento.

Volta(r)

Castelo Branco, Devesa, 14-8-2012. Início da 74ª volta a Portugal em bicicleta.


Nas voltas da vida, voltar pode ser a melhor solução.
"A nossa luta: atrair pessoas... e fixá-las". (Joaquim Morão)

07/08/12

Lisboa

Lisboa, 7-8-2012, Vista da Pollux


"Lisboa é Luz boa         Lisboa é Pessoa
Lisboa tem Chiado    Tem Alfama e tem Fado
Da era da severa          Das tuas colinas
D'um tempo que já era   Milagres e sinas
    Nas ruas de Lisboa        Nas praças, rainhas
Eu vou                       Flores e Rimas
  
Lisboa       Eu vou"

Melody Gardot - The Absence - Lisboa