26/03/15

Envelhecimento activo


As notícias e informações sobre pessoas com mais idade em que são chamadas de “velhos de 50 anos” ou “velhos de 60 anos” deixam-me um sorriso sarcástico mas também apreensivo. Mas mais grave do que isso é haver, por parte da sociedade, quando chegados a uma idade mais avançada, atitudes e comportamentos que as excluem expressamente ou discretamente do mercado de trabalho, da vida social, da vida sexual…


Podemos dizer que há um preconceito de idade constituído por muitas ideias erróneas, estereótipos positivos e negativos, sobre o envelhecimento.
As pessoas mais velhas são vistas, em geral, como “cansadas, têm pouca coordenação e são propensas a infecções e acidentes, que a maioria delas vive em instituições ou passa a maior parte do tempo na cama, que elas não conseguem se lembrar nem aprender, não têm interesse em relacionamentos sexuais, estão isoladas dos outros e dependem da televisão e do rádio, não usam seu tempo de maneira produtiva, e são rabugentas, autopiedosas, facilmente irritáveis e mal-humoradas”.
Por outro lado, os estereótipos positivos, que retratam esta idade como “idade de ouro e de paz na qual as pessoas colhem os frutos do trabalho de toda uma vida ou desfrutam de uma segunda infância despreocupada vivida ociosamente no campo de golfe ou na mesa de cartas não são mais precisos ou tampouco proveitosos.” (Diane E. Papalia e Sally W. Olds, Desenvolvimento humano)
Os esforços para combater o preconceito da idade estão a progredir devido aos casos de notoriedade de adultos idosos activos e saudáveis*.
A crítica social começa a ser mais frequente. Como no caso em que foi reduzida a indemnização a pagar a uma mulher vítima de um erro médico, por se entender que o sexo não é tão importante aos 50 anos como em idades mais jovens.
Por outro lado, devíamos saber mais do desenvolvimento humano e, neste caso, do desenvolvimento das pessoas idosas.
Na realidade a última etapa da vida é muito diversificada em termos individuais mas, mesmo assim, podemos distinguir três períodos (Diane E. Papalia e Sally W. Olds, idem) :
o dos velhos jovens - de 65 a 74 anos,
o dos velhos velhos - de de 75 a 84 anos,
e o dos velhos mais velhos - de 85 anos ou mais.

O envelhecimento é um processo natural dos seres humanos, dinâmico, progressivo e irreversível e está ligado a factores fisiológicos, ficando o sistema nervoso central cada vez mais comprometido **. Com o envelhecimento, o ser humano apresenta também mudanças psicológicas: perda da auto-estima, alterações nos papéis sociais, perdas afectivas, principalmente de familiares, perda de autonomia, perda da independência e do poder de decisão; isolamento...

Erik Erikson (teoria do desenvolvimento psicossocial) define oito estádios de desenvolvimento, sendo o último, o 8º, a partir dos 60 anos, chamado de integridade/desespero. É a hora do balanço e da avaliação da vida. Dizemos que há integridade quando o balanço do seu percurso vital é positivo e desespero quando se considera a vida mal sucedida, pouco produtiva e realizadora. A virtude social desenvolvida é a sabedoria.
Não respeitarmos ou cuidarmos dos mais velhos é deitar fora esta sabedoria.





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* O prémio Drª Maria Raquel Ribeiro promovido pela Associação Portuguesa de Psicogerontologia visa destacar pessoas com mais de 80 anos pelos seus exemplos de vida ativa e participativa. O prémio divide-se em diferentes categorias, nomeadamente Intervenção Social, Arte e Espectáculo, Ciência e Investigação, Politica e Cidadania, Ética e Saúde, Família e Comunidade. 
** As neurociências vêm dar um novo enfoque a este assunto. Ver o artigo de Martine Fournier, "Longue vie aux vieux cerveaux!" , Le cercle psy, nº 16, pag 80-83.

25/03/15

A falsa igualdade e o falso progresso


"Outro ponto marcante da sua intervenção foi “a garantia da igualdade no ensino” – um ponto em que fez duras críticas ao atual Governo. “Recusaremos liminarmente a ideia de antecipar para o Básico as diferenciações vocacionais, porque, sobretudo numa idade precoce, representa prolongar na sociedade de forma duradoura fraturas sociais. Custa-me que 40 anos depois do 25 de Abril de 1974 se tente voltar ao período anterior à reforma de 1973. Esse é um retrocesso que não podemos aceitar e que temos de fazer uma muralha, uma linha vermelha sobre a qual não é possível transigir”, frisou o secretário-geral do PS."

Observador, 24-3-2015

24/03/15

Portugal +


É detestável o "nós por cá todos bem" mas mais detestável ainda é o "nós por cá todos mal". Continuar a fazer crer que as coisas não são o que são é o ludíbrio em que gostavam de viver os pessimistas sociais e políticos e a "cultura" onde germina o insucesso.
As vitórias têm que ser conquistadas "com muito esforço, sacrifícios, muitos erros e, sim, sofrimento. Com paixão e alegria, também", e é o que as pessoas e as famílias estão a fazer.
Temos surpresas quando nos vêm dizer bem do país que amamos com uma energia invulgar.
Beatriz Rubio faz isso e ganha prémios
É necessário ser contra as carpideiras do sistema que se comprazem na auto-flagelação. Que admitem que o país está melhor, mas só para chinês ver.
Cada um de nós precisa de projectos motivadores e se os políticos não os têm nem os promovem, ainda assim, pode contar consigo e com a sua equipa de trabalho.


Conquistando a Vitória


23/03/15

Hoje apetece-me ouvir: Diana Ross and The Supremes

Diana Ross and The Supremes - The Happening




Está aqui. Fantástico. Diana Ross and The Supremes - The Happening.

"As artistas que melhor representam o espírito da Motown, as primeiras raparigas negras a tomar de assalto os olhos e ouvidos da classe média branca americana, Diana Ross, Florence Ballard e Mary Wilson podem ser para muitos apenas o modelo a seguir para inúmeras e pouco originais bandas femininas subsequentes, e é certo que terminaram a sua colaboração em termos menos felizes, mas, alimentadas pelos êxitos do trio de compositores Holland-Dozier-Holland, operaram uma das maiores revoluções na história da música popular, criando a banda sonora para uma geração inteira, plena de alegria, inocência e esperança. Sem elas, para nos ficarmos pelo óbvio, muito dificilmente teria havido En Vogue, TLC, All Saints, Destiny’s Child ou Sugarbabes. Sujeitas a muitas mudanças no seu alinhamento, foi Diana ainda assim a que conseguiu vingar a solo." (Colecção Génios do Soul, nº 8, pag.34, Sábado)

The Happening
Hey life look at me, I can see the reality
Cause when you shook me, took me out of my world
I woke up, suddenly I just woke up to the happening.

When you find that you left the future behind
Cause when you got a tender love you don't
Take care of, then you better beware of the happening.
...

22/03/15

Inclusão fiscal


1. É verdadeiramente extraordinário que o "país" tenha andado há mais de uma semana a discutir uma coisa chamada lista vip que ninguém sabe o que é,  nem lista nem vip, porque ninguém sabe o que é vip, que critérios são necessários para se ser vip, a menos que sejam todos aqueles de que trata a revista com o mesmo nome.
2. O problema não é haver um sistema informático com vários níveis de acesso e que se possa saber quem anda a coscuvilhar na vida dos outros, com alertas que possam desincentivar os mais curiosos ou os delatores.
Claro que se isto não existe,  ou não existe ainda, deverá passar a existir e os procedimentos devem ser os de qualquer outro processo com autorização superior.
Trata-se de uma melhoria introduzida no sistema, feita por etapas, e por isso, os técnicos e chefes administrativos deviam ser elogiados e não demitidos devido a uma onda viperina de manipuladores da praça pública.
3. Apesar de sabermos que este sistema é para todos, uma coisa não tira a outra, isto é, apesar de todos sabermos que não é o cidadão comum que está ou estará em causa mas os que em determinado momento têm o poder. Só por ingenuidade se pensaria de outro modo, como aqui se escreve.
A inclusão, seja qual for, também é isso: todos diferentes todos iguais.
4. Face à ideia grega de controlar contribuintes relapsos por estudantes, turistas e vizinhos... por cá, somos uns santos e, por isso, querem distrair-nos com a chicana das listas e pacotes vip...
5. O sr. do sindicato não apresentou documentação comprovativa... Perante esta falha, não seria caso para se demitir? Não me lembro de algum dirigente sindical alguma vez se ter demitido do cargo por ter falhado nas suas propostas, negociações ou intervenções.
Os sindicatos são parte do sistema, pagos pelo sistema com milhões de euros e, portanto, partilham e são parte do poder. Também se aplica a eles os mesmos princípios que querem para os seus parceiros ou não?
Não seria mais interessante o papel dos sindicatos na prevenção de situações que possam pôr em questão os direitos dos cidadãos do que meros acusadores de tudo e de todos, com provas ou sem provas ?
6. Problema a sério será se falhar o sistema informático das finanças, de que tivemos uma ligeira amostra com o citius. Importante seria trabalhar na melhoria das garantias de direitos e liberdades dos cidadãos e  haver um sistema cada vez mais seguro. É que aqui está em causa  poder ficar em risco a soberania. Mas isso não interessa nada, os pequenos poderes sindicais ou políticos é que interessam: o que interessa é demitir alguém. "Se não foste tu foi teu pai". Não chega um DG e ou  um SDG, só um secretário de estado, talvez o ministro, talvez o primeiro ministro, talvez o presidente da república... E, se não for desta vez, virão outras oportunidades. Há que demitir. Todas as semanas há um novo episódio para que a novela "demissão permanente" não termine e haja alguém para demitir.
7. O edil Costa, que continua a "sua" campanha eleitoral,  planta  árvores não sei onde, ou dá o tiro de partida na meia maratona de Lisboa, acha correcto continuar à frente da Câmara Municipal de Lisboa. Ele tem direito à "sua" verdade. Bem pode pôr os vip de molho nos "fortes indícios de práticas criminais" que o tempo tem memória.
8. Ninguém quer saber se há outras situações de exclusão fiscal, como, por exemplo, haver empresas de autoestradas que resolvem os problemas da falta de pagamento dos clientes através do fisco *. É uma situação de privilégio que outras empresas não têm e que resolvem esses problemas através do contencioso. Isto não é um caso  de tratamento vip? Pelos vistos pode haver empresas vip, seja lá o que isso for.
9. Esta prática da chicana, porque se intervém ou porque não se intervém, preso por ter cão ou preso por não ter,  pode resultar em termos imediatos, pode ganhar eleições, pode dar muita primeira página, mas nem todas as águas são boas para a pesca.
10. Apesar disto tudo, talvez daqui resulte uma melhor e maior inclusão fiscal que só pode melhorar com uma administração fiscal mais fiável devendo ter, para isso, todos os alertas e passwords tecnicamente possíveis.
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* Que originou, por ex., esta penhora rídicula. Felizmente, o disparate ainda foi remediado a tempo. Tal como é rídicula esta situação. Era tempo de pôr cobro a esta vergonhosa exclusão fiscal.

17/03/15

Maus tratos a pessoas idosas

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) registou um total de 7 058 processos de apoio de pessoas idosas vítimas de crime e de violência, entre 2000 e 2012.
Para o mesmo período, a APAV assinalou 14 139 factos criminosos, distribuídos segundo as seguintes categorias de crimes:
violência doméstica: 11 334 (80,2%) 
crimes contra as pessoas: 1 733 (12,3%) 
crimes contra o património: 946 (6,7%) 
crimes contra a vida em sociedade e o Estado: 62 (0,4%) 
crimes rodoviários: 35 (0,2%) 
outros crimes: 29 (0,2%)

Como vemos, a violência doméstica regista o maior número de factos criminosos.
A vítima é, em 82,2% dos casos, do sexo feminino. 
54% das vítimas estão entre os 65 e os 75 anos. Isto é, a maioria dos casos diz respeito aos idosos mais novos.
O autor do crime é, maioritariamente, do sexo masculino (68%) e verifica-se em todos os anos em análise (2000 a 2012).
Os autores da violência têm em 21,6% dos casos mais de 65 anos.
Vítima e autor do crime mantêm, em 26,9% das situações, a relação de cônjuge/companheiro, mas em 1º lugar as vítimas são os pais dos agressores (39%). 
Verificamos, então, que estes crimes se situam dentro da família ou envolvem familiares. 

Estes são alguns números vergonhosos do crime e violência contra idosos que são sinalizados a esta associação.
No entanto, muitos outros ocorrerão de que não há conhecimento. Há estudos que nos indicam que apenas um em 14 casos chega ao conhecimento público. (Diane E. Papalia e Sally W. Olds, Desenvolvimento humano, pag. 544)

Os maus tratos a idosos podem ser classificados (Diane E. Papalia e Sally W. Olds, idem) em várias categorias:
Vão do abuso activo,
1- violência física, com intenção de causar danos,
2 - abuso psicológico ou emocional que pode incluir insultos e ameaças como a ameaça de abandono ou internamento,
3 - exploração material ou apropriação indevida de dinheiro ou propriedade.
Ao abuso passivo,
4 - negligência, fracasso, intencional ou não, em atender às necessidades de um idoso dependente.
E também 
5 -Violação dos direitos pessoais (Ass. Americana de Medicina), o direito do idoso de ter privacidade e tomar as suas próprias decisões pessoais e de saúde.

Armando Leandro afirmou, cito de cor, que se vê o nível cultural de um povo pela qualidade da sua infância. Mas podemos acrescentar que também se vê o nível cultural desse povo pela qualidade do tratamento dado aos mais velhos.
Nos anos referidos, aumentou o número de casos de violência contra idosos, de 290 casos para 817, e a comunicação social continua a informar-nos com demasiada frequência de novas situações. 
Todas as situações incomodam mas a violência dentro da família, de pais idosos agredidos pelos filhos, é das que mais nos indigna. 
Alguns pais, para além de serem abandonados, sofrem de maus tratos activos e são atormentados, para não dizer torturados, diariamente, pelos filhos, têm medo de viver em casa e pedem para serem internados em lares ou em locais onde não sofram abusos...
É tempo de a sociedade ter atitudes mais activas para não continuarmos a assistir a esta imoralidade. 
Em algumas comunidades, em especial as câmaras municipais, estão a criar comissões de protecção a pessoas idosas. Parece-me que faz sentido.

13/03/15

Aí vem o sol


Inelutavelmente, a Primavera já se manifesta por todo o lado.


"Aí vem o sol
e eu digo
está tudo bem
tem sido um longo, frio e solitário inverno
parece que se passaram anos desde o que houve aqui
os sorrisos retornando aos rostos
eu sinto que o gelo está lentamente derretendo
parece que se passaram anos desde que isso ficou claro
Aí vem o sol
está tudo bem."


Here Comes The Sun -  George Harrison


A raposa e o galo

Empoleirado numa árvore, cantava o galo, quando passou perto a raposa.
- Grande novidade compadre galo! - gritou a raposa, muito alegre.
- Que novidade?
- Baixou um decreto do Governo que manda acabar a guerra entre os animais e estabelecer a paz geral. Estou contentíssima; desça, compadre, estou com desejo de o abraçar.
- Esse decreto de que fala é já sabido e conhecido de todos os animais? - perguntou o galo.
- É claro; nem a ignorância desculpa o não cumprimento da lei. Porque  faz o compadre essa pergunta?
- Vejo vir do nascente alguns caçadores com muitos cães...
A raposa, mal foi informada da aproximação dos podengos, galgos e perdigueiros, pôs-se ao fresco. Então o galo gritava-lhe:
- Mostre-lhe a lei; mostre-lhe a lei!

(F.V. Ataíde de Oliveira - Contos tradicionais do Algarve, in Abel Guerra, A nossa língua).

Moral da história: Cheira, e muito, a campanha eleitoral.

11/03/15

Informação

Símbolo da informação Foto de Stock

Com a chegada dos novos media, a informação mudou substancialmente. Temos informações sobre os acontecimentos do mundo, na hora e em directo.
De tal forma é assim que temos dificuldade em apreender tudo o que se passa à nossa volta.
As ditaduras e os regimes totalitários utilizam estas novas formas de informação. Nesses regimes a informação é dominada pelo estado e os cidadãos são informados daquilo que o estado quer. É por isso que a internet não é livre nesses ambientes ou, praticamente, não existe.
O terrorismo sabe disso e uma das armas que utiliza é a divulgação de vídeos na net que tem como objectivo fundamental espalharem o terror e o medo.
Os regimes democráticos ficam expostos à possibilidade de exploração da informação para usos inadequados colocando em causa a liberdade de informação.
Como por exemplo a retirada de circulação de documentos técnicos com dados que poderiam fornecer pistas a terroristas para a produção de armas biológicas e químicas.
Na Europa, houve necessidade de fazer alterações ao Sistema de Informação Schengen. Com a possibilidade e trocas mais rápidas de informação entre Estados-membros e a apreensão dos documentos de suspeitos de terrorismo.
Surgem os sites tipo wikileaks (Julian Assange) que despejam informação secreta de vários países a nível de redes de informações, de estados que espiam outros estados (NSA, E. Snowden), de indivíduos que fogem aos impostos ou que lavam dinheiro (Swissleaks).

Excesso de informação ou informação deturpada*, seja como for, estamos sujeitos ao poder da informação que nos faz pensar, sofrer, desprezar, odiar…
Nos regimes democráticos continuamos a acreditar na informação que obedece à liberdade dos critérios jornalísticos. Mas o cidadão continua com fragilidades na compreensão de tanta informação sem saber aquilo que é relevante ou não, verdadeiro ou falso.
O jornalista J.L.Servan-Schneider descrevia esta grelha de análise (Psychologies, nº 229, Abril 2004, “l’info, notre intox”) que resumo a seguir:
A informação útil, a que pode ter consequências na nossa vida pessoal: descobertas médicas, instalação de um novo radar rodoviário, anúncio de uma greve de transportes. 
A informação espelho, que põe em jogo pessoas como nós mergulhadas em acontecimentos fora do normal: avalanche destruidora, desaparecimento de crianças, poluição marítima. Esta informação é inquietante porque nos lembra que o perigo nos rodeia mas a maior parte do tempo ela tranquiliza-nos, hipocritamente, porque ao menos desta vez não é a nós que nos acontece.
A informação espectáculo, que triunfa com os grandes acontecimentos organizados: jogo de futebol decisivo, jogos do mundial ou do Europeu, casamentos de celebridades, noites de entregas de troféus, óscares… 
A informação acontecimento, que nos oferece um momento único, impressionante e decisivo, como a queda das torres gémeas do World Trade Center, o famoso 11 de Setembro, da queda do muro de Berlim ou da estátua de Saddam.
Enfim, a informação emoção, que é simultaneamente imprevista e sem consequência directa na nossa vida mas turbulenta: é evidentemente a notícia de alguém de quem gostamos que nos reenvia pequenas nostalgias pessoais.

A selecção da informação é uma necessidade no nosso tempo. Mas essa selecção deve ser feita por cada um de nós.
________________
* Por exemplo, a informação sobre alterações climáticas, (aqui  e aqui); as encenações fotográficas ...

(15-3-2015)
Perigo! Infoxicação!

08/03/15

Cáritas



Durante esta semana realiza-se a Semana Nacional da Cáritas, com o tema: “Num só coração, uma só família humana”. A Cáritas Portuguesa pretende, desta forma, chamar a atenção para todas as questões relacionadas com a Família.

Mulher

06/03/15

Palavras e ... mimos






Hoje, 6 de Março, comemora-se o Dia Europeu da Terapia da Fala
Os terapeutas da fala têm um papel fundamental no desenvolvimento da comunicação dos indivíduos. Vamos referir-nos em particular ao desenvolvimento infantil.*
Em geral, podemos dizer que "um bebé aprende pouco a pouco a usar palavras para descrever o que vê, ouve, sente e pensa, à medida que completa as várias etapas do desenvolvimento mental, emocional e comportamental. 
As crianças aprendem a falar durante os dois primeiros anos de vida." 

Primeiro os sons e depois as palavras.
A primeira forma de comunicação do bebé é o choro. Os pais, aprendem a reconhecer os diferentes tipos de choro, para atender melhor às necessidades da criança. 
Pelos 4 meses vai começar a palrar ou balbuciar, combinando consoantes e vogais. 
A partir de 1 ano e meio as crianças aprendem uma média de dez ou mais palavras por dia. Algumas aprendem palavras novas a cada 90 minutos.
Deve-se ter muito cuidado com o que dizemos perante uma criança desta idade! Porque ela vai repetir as palavras ouvidas nos momentos menos convenientes e menos oportunos
Aos 2 anos, usará frases com três palavras. Quando fizer 3 anos, usará a fala sem problemas. 

Nem sempre o ritmo de desenvolvimento da linguagem apresenta estes padrões* e muitas vezes surgem preocupações dos pais e dos educadores em relação ao desenvolvimento…
É importante perceber se há problemas de audição. Os bebés com problemas de audição param de balbuciar por volta dos 6 meses.
Se não emite nenhum som (nem mesmo tenta fazê-lo) nem olha nos seus olhos;
embora algumas crianças comecem a formar palavras com 9 meses, muitas vão fazer isso só depois do primeiro aniversário, até 1 ano e 3 meses;
 Se a criança ainda não fala nenhuma palavra com essa idade, ou você ainda não consegue entender nenhuma palavra do que ele diz, 
Se até aos 3 anos a criança continuar a trocar e a comer consoantes...
Em vez de fazer diagnósticos apressados e muitas vezes, lamentavelmente, em  frente da criança, como dizer "está muito atrasado na fala", "é um trapalhão"..., ou castigar, o melhor será consultar um especialista. E neste caso o terapeuta da fala.

No entanto, não devemos esquecer que o desenvolvimento resulta de pequenos gestos e atitudes podem ajudar a resolver as dificuldades da criança:
1. Ouvir e falar com a criança
2. Ler histórias em voz alta ou inventar histórias 
3. Aproveitar todos os suportes orais e escritos para desenvolver a linguagem: livros, embalagens,  internet, DVD...
4. Brincar com a criança ...

E acima de tudo não nos esquecermos de que o desenvolvimento de uma criança é feito de palavras e mimos, como refere, Carlos Gonzalez:  "… devemos tratar os nossos filhos com carinho e respeito… O que se passa é que alguns pensam que podem amar os filhos sem ter de lhes pegar ao colo ou consolá-los quando choram. Isso coloca um problema: como é que a criança sabe que gostam dela se ninguém o demonstra? Nós, adultos, demonstramos o nosso amor fisicamente: abraçamos os amigos e beijamos os cônjuges. Não é suficiente dizer a um namorado ou namorada “amo-te”. Um adulto necessita mais do que palavras para se sentir amado e um bebé, que não as entende, ainda mais." 

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*Um site interessante sobre o desenvolvimento infantil, como este.  

04/03/15

Tumbao

E, sem esperarmos, um jornalista, Carlos Daniel, mostra aquilo que não é habitual nestas reportagens.

Merece este tumbao da grande Celia Cruz.
Também ela gostava da liberdade.

Para exemplificar:
Carlos Daniel/ Pedro Amanajás
01 Mar, 2015, 20:55 / atualizado em 02 Mar, 2015, 08:46
A oposição cubana garante que se a população pudesse votar votava esmagadoramente a favor de uma mudança de regime. Nas ruas de Havana é mais fácil ouvir gritar "revolução" do que "liberdade", uma palavra quase dita em surdina, como constatou o enviado especial da RTP a Cuba Carlos Daniel.

Carlos Daniel/Pedro Amanajás
27 Fev, 2015, 14:18 / atualizado em 27 Fev, 2015, 14:22
Arranca hoje em Washington a segunda ronda negocial entre os Estados Unidos e Cuba para concretizar a retoma de relações diplomáticas. Apesar disso, continua a ser muito difícil para os cubanos obter um visto de entrada em território norte-americano. Os enviados especiais da RTP a Cuba, Carlos Daniel e Pedro Amanajás, mostram-lhe a ilusão e a desilusão, de centenas de pessoas que diariamente procuram, em Havana, uma autorização para viajar.

Carlos Daniel/Pedro Amanajás
28 Fev, 2015, 14:26 / atualizado em 28 Fev, 2015, 15:02
Uma das principais provas de mudança em Cuba é o aparecimento, nos últimos anos, de milhares de pequenos negócios privados. Apesar de o Estado ainda empregar mais de 70 por cento dos trabalhadores, a ação dos novos empresários já começou a alterar o dia a dia de Havana.