15/10/14

“A escola dos nossos sonhos”

Augusto Cury (123) propõe dez técnicas para melhorar a escola, em “Pais brilhantes, professores fascinantes”(2003) que constituem “O projeto escola da vida”.
Para Cury este projecto pode “promover o sonho do construtivismo de Piaget, da arte de pensar de Vigotsky, das inteligências múltiplas de Gardner, da inteligência emocional de Goleman.” Eu acrescentaria a perspectiva de “felicidade e bem-estar”, de Seligman e o “desenho universal para a aprendizagem", de D. Rose, pelo menos…
Este projecto de escola conta, essencialmente, com o material humano: os professores, a sua formação e a mudança da cultura educacional.
O livro não é recente mas as técnicas propostas são perfeitamente actuais tendo em conta que as práticas pedagógicas raramente as integram.
Estas técnicas “objetivam a educação da emoção, a educação da auto-estima, o desenvolvimento da solidariedade, da tolerância, da segurança, do raciocínio esquemático, da capacidade de gerir os pensamentos nos focos de tensão, da habilidade de trabalhar perdas e frustrações. Enfim, formar pensadores.” São elas:
1. Música ambiente em sala de aula
2. Sentar em círculo ou em U
3. Exposição interrogada: a arte da interrogação
4. Exposição dialogada: a arte da pergunta
5. Ser contador de histórias
6. Humanizar o conhecimento
7. Humanizar o professor: cruzar a sua história
8. Educar a auto-estima: elogiar antes de criticar
9. Gerir os pensamentos e as emoções
10. Participar de projectos sociais
Estas técnicas têm dado resultado nas escolas e salas de aula onde são aplicadas. O que é interessante é que nenhuma delas precisa de grandes alterações ou de grandes acções de formação e, dito de outra maneira, todos os professores e educadores já têm alguma formação sobre elas.
O que pode ser novo é a sua aplicação porque, de facto, regra geral, não são aplicadas.. Nem as escolas tomam a iniciativa de as aplicar nem o sistema cria políticas educativas que torne fácil a sua aplicação.
Pelo contrário, assistimos nos últimos 20 anos, à medida que todos vamos acumulando queixas da escola, a um afastamento destas técnicas.
Assim :
Os programas das disciplinas merecem toda a atenção. Veja-se como, actualmente com o problema da não colocação de alguns professores, já se pede o corte dos programas.

Muitas escolas tiveram obras, outras são novas construções e o que acontece é que as as salas de aula foram desenhadas em muitas situações para 26 alunos o que quer dizer que quando as turmas têm mais alunos (até 30) não cabem praticamente na sala. Obviamente que qualquer disposição espacial que facilite a aprendizagem e  a comunicação não é possível.

Continua a técnica do enfileiramento. “Este método nunca mudou” e o mais grave é quando se fazem filas de acordo com os conhecimentos dos alunos… “Os alunos precisam ver o rosto uns dos outros” mas continuam a ver os colegas pelas costas.
Geralmente, é usada na sala de aula, a "carteira bipessoal". Se há situações em que isso funciona há outras em que é fonte de conflito permanente entre alunos.

Para alunos com excesso de actividade em vez de ambiente calmo, com musica ambiente, para aliviar a síndroma do pensamento acelerado (SPA), não há música e as aulas passaram a ser de 90 minutos.
A diferença de estatutos das disciplinas foram levadas ao máximo não só com a realização de exames daquelas que são consideradas mais importantes, como foram reduzidos os tempos e apoios das outras.

Os modelos dos professore, dos produtores do conhecimento, dos cientistas, estão arredados dos conteúdos, e daí a dificuldade em os alunos seguirem comportamentos ou profissões. A modelagem dos alunos é feita, principalmente, pelos  media.
Em vez de humanizar a sala de aula, tivemos a fase dos computadores "Magalhães" que foi, feliz e rapidamente ultrapassada, até porque se calhar já nenhum funciona.
“Os computadores podem informar os alunos, mas apenas os professores são capazes de formá-los.”

Muito se tem falado de emoção e de auto-estima, mas a prática quotidiana tem de continuar a “vacinar contra a discriminação, promover a solidariedade, resolver conflitos em sala de aula, filtrar estímulos estressantes, trabalhar perdas e frustrações.”
Não é estimulante da auto-estima, certamente, a possibilidade e voltar às “classes especiais”, para “colmatar dificuldades” como recentemente foi aprovado.

A escola dos nossos sonhos  -  Projecto escola da vida – Técnicas
(Augusto Cury)
Técnica
Objectivos
1. Música ambiente em sala de aula
desacelerar o pensamento, aliviar a ansiedade, melhorar a concentração, desenvolver o prazer de aprender, educar a emoção.
2. Sentar em circulo ou em U
desenvolver a segurança, promover a educação participativa, melhorar a concentração, diminuir conflitos em sala de aula, diminuir conversas paralelas.
3. Exposição interrogada: a arte da interrogação

aliviar a SPA (síndroma do pensamento acelerado), reacender a motivação, desenvolver o questionamento, enriquecer a interpretação de textos e enunciados, abrir as janelas da inteligência.
4. Exposição dialogada: a arte da pergunta

desenvolver a consciência crítica, promover o debate de ideias, estimular a educação participativa, superar a insegurança, debelar a timidez, melhorar a concentração.
5. Ser contador de histórias

desenvolver criatividade, educar a emoção, estimular a sabedoria, expandir a capacidade de solução em situações de tensão, enriquecer a socialização
6. Humanizar o conhecimento
estimular a ousadia, promover a perspicácia, cultivar a criatividade, incentivar a sabedoria, expandir a capacidade crítica, formar pensadores
7. Humanizar o professor: cruzar a sua história
desenvolver a socialização, estimular a afectividade, construir ponte produtiva nas relações sociais, estimular a sabedoria, superar conflitos, valorizar o "ser".
8. Educar a auto-estima: elogiar antes de criticar
 educar a emoção e a auto-estima, vacinar contra a discriminação, promover a solidariedade, resolver conflitos em sala de aula, filtrar estímulos stressantes, trabalhar perdas e frustrações.
9. Gerir os pensamentos e as emoções.

resgatar a liderança do eu, resolver a SPA, prevenir conflitos, proteger os solos da memória, promover a segurança, desenvolver espírito empreendedor, proteger a emoção nos focos de tensão.
10. Participar de projectos sociais


desenvolver a responsabilidade social, promover a cidadania, cultivar a solidariedade, expandir a capacidade de trabalhar em equipe, trabalhar os temas transversais: a educação para a saúde, para a paz, para os direitos humanos.
























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