21/10/15

Ansiedade

A ansiedade é um dos problemas psicológicos mais relevantes da vida actual. Aparentemente devíamos ter uma vida mais tranquila permitida pelo desenvolvimento tecnológico que atingimos e que facilitaria a nossa vida relacional mas parece que se verifica o contrário: ser constantemente informado de tudo o que se passa no mundo gera em nós algum desconforto, põe-nos em alerta, às vezes tira-nos o sono e torna-nos mais ansiosos.
Como temos vindo a falar, procuramos uma vida de bem-estar, isto é, uma vida de mais qualidade e significado, maior envolvimento, melhores relações e mais realização pessoal.
Por outro lado, vivemos na era da ansiedade que é um obstáculo ao bem-estar. Acontece que nem todos, nem sempre, temos capacidade para lidarmos com estas situações e reagimos mal ao nível de perigosidade com que nos defrontamos.
A ansiedade excessiva e persistente é fonte de infelicidade e mal-estar porque transforma a nossa vida numa permanente inquietação sem paz de espírito e alegria de viver.

"No mundo desenvolvido a ansiedade é a perturbação psicológica mais comum, seguida da depressão e do abuso de álcool e drogas."
"A ansiedade é uma reacção positiva e natural que o organismo põe em funcionamento para se defender face a uma ameaça ou simplesmente face a uma situação difícil."

Todos já sentimos alguma ansiedade numa avaliação ou exame, numa relação amorosa, num novo emprego. E isso é muito positivo e agradável.



Mas há situações patológicas em que não conseguimos lidar com a ansiedade. É necessário, por isso, reconhecer esta perturbação. A ansiedade manifesta-se no pensamento, no organismo e no comportamento.
A ansiedade pode ser ligeira e dominável (p.ex. tenho receio mas consigo andar de elevador), forte e incapacitante ( p.ex. não me lembro de nada, desisto do exame) ou extrema ( p.ex. vou ficar louco, vou morrer).
A ansiedade provoca alterações no organismo, no sistema nervoso central, vegetativo e endócrino: por exemplo ter palpitações, suar das mãos ou em todo o corpo, respiração acelerada, secura da boca ou alterações menos perceptíveis como aumento da pressão arterial ou aumento da tensão muscular…
Os comportamentos podem ir de pequenos tiques a grandes dependências. As pessoas ansiosas não costumam estar quietas, pelo contrário, executam movimentos repetitivos como a manipulação contínua de objectos, mexem ou arrancam cabelo, roem as unhas, comem em excesso ou recusam comida, abusam de tabaco, álcool e drogas…
Mas o comportamento mais significativo do indivíduo ansioso é a evitação: sente grande ansiedade se tiver que andar de elevador, perante animais, na escuridão… evita tudo o que dê inquietação.
A repetição deste comportamento vai reforçar a ansiedade . As condutas de evitação para neutralizar a ansiedade são bem conhecidas, embora algumas pessoas não as assumam, como fumar, beber ou tomar ansiolíticos, comer constantemente.
A ansiedade está e tem aspectos positivos no nosso contexto de vida. É importante saber lidar com ela para podermos atingir o bem-estar de que falamos,  aprendermos a controlar problemas pessoais e familiares, as perturbadoras noticias sobre o que se passa no mundo para podermos viver mais seguros e tranquilos.
______________________
Baseado em Pilar Varela, Ansiosa-mente, A Esfera dos Livros. (Parte I, Reconhecer a ansiedade, Cap. 1, Como reconhecer a ansiedade)

Sem comentários:

Enviar um comentário