21/05/12

Televisão gratuita ?

"Pode continuar a receber televisão de forma gratuita"... 


Mas depois todos os meses paga, com a sua factura de electricidade, uma "contribuição áudio-visual" e o respectivo imposto sobre a contribuição que é um imposto.


Actualizado em 13-6-2012
E ainda mais esta sobre a qual incide o imposto, perdão, contribuição.

Actualizado em 12-8-2012
O "Sol" de 10-8-2008, informa-nos:
TDT favoreceu operadoras. "Apagão" da rede analógica empurrou 276 mil lares para a televisão paga, o que renderá mais 118 milhões de euros aos privados.


Isto é o que se chama ganhar a dois carrinhos: pela via da "contribuição" e pela via do "empurrão".

16/05/12

O bom, o mau e o desejável



O stress é a resposta fisiológica e de comportamento de um indivíduo que se esforça para se adaptar e ajustar a estímulos internos e externos. (Ballone)
O stress é também um fenómeno subjectivo. É diferente de pessoa para pessoa e aquilo que é perturbador para alguns indivíduos pode ser agradável para outros.
Se as pessoas reagem de forma diferente aos estímulos da vida, elas também terão limiares diferentes de esgotamento devido ao stress.
De um modo geral, um baixo stress é considerado normal e desejável para a nossa saúde. Este stress positivo aumenta a vitalidade, o optimismo e a motivação…
Há investigações (com ratos) que mostraram que o stress agudo, como o de um pequeno evento stressante, melhora a memória. *
Por outro lado, o stress exagerado e prolongado pode ser patológico e tem consequências prejudiciais para a saúde. Os elevados níveis de cortisol, provocam alterações de áreas do cérebro acabando por resultar num enfraquecimento da memória. **
Podem aparecer a fadiga, irritabilidade, falta de concentração, depressão, queda da resistência imunológica, dores de cabeça, dores de barriga, dores musculares, insónia, dificuldade de concentração; dificuldade de aprendizagem, etc.
Os factores de stress encontram-se no meio em que vivemos e nas mudanças que ocorrem nas nossas vidas e sobretudo na velocidade dessas mudanças às quais temos que nos adaptar para sobrevivermos.
Para além dos factores de stress familiar, como a exposição a contextos familiares permanentemente violentos, os alunos têm alguns factores acrescidos de stress que os podem afectar nas suas aprendizagens.
As situações de avaliação como testes e exames, são situações stressantes e o stress pode ser maior ou menor conforme a confiança que o aluno tem em si próprio e nas suas capacidades.
Por isso, os pais, os professores e os técnicos devem ajudar os alunos a enfrentar esta situação:
- as estratégias de controlo emocional, levando a maior confiança do aluno nas suas capacidades.
- o confronto com as tarefa que têm a ver com o treino a que o aluno é sujeito para enfrentar as situações stressantes da avaliação, evitando surpresas, e tornando o processo de avaliação como um procedimento normal da aprendizagem.
É por isso que não faz muito sentido a existência de testes surpresas, para além de não fazerem parte do sistema de avaliação…
- o aluno deve saber que há pessoas de confiança na escola: os professores são de uma maneira geral um factor de protecção para os alunos e a interface humana com as instituições sociais de protecção.
- os professores e os técnicos podem aconselhar e orientar os alunos nas suas dúvidas e dificuldades,
reduzindo assim a ansiedade que muitas situações relacionadas com a escola provocam, para além da avaliação, como a mudança de escola, a mudança de nível de ensino, a mudança de professor...
Podemos concluir que há bom e mau stress e até stress desejável mas os sintomas que os alunos apresentam são para levar a sério.
Saber distinguir os factores de stress que podem fazer mal daqueles que podem ser motivadores deve ser também uma competência dos educadores.

* Zhen Yan,  Universidade de Buffalo, EUA.
** Sonia Lupien , Universidade McGill de Montreal, Nature Neuroscience

Situações ordenadas em função da capacidade para provocar stress
(Enciclopédia de Psicologia, vol. 3, Oceano, pag. 486)

12/05/12

Os meus discípulos...

O perigo: queremos que a mudança seja a nossa mudança. É por isso que


"Do que você precisa, acima de tudo,
é de se não lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim,
pense sempre por você;
fique certo de que mais valem todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu do que todos os acertos, se eles foram meus, não são seus.

Se o criador o tivesse querido juntar muito a mim não teríamos talvez dois corpos distintos ou duas cabeças também distintas.
Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha.
É possível que depois da oposição, venha a pensar o mesmo que eu;
mas, nessa altura já o pensamento lhe pertence.
São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim;
porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem."

Agostinho da Silva


A fada má e o feiticeiro de Oz




As condições de vida nunca são fáceis (struggle for life) para a maioria das pessoas. No entanto, há períodos da história pessoal e social em que essas dificuldades se acentuam tornando-se insuportáveis.
São períodos da vida em que estamos mais frágeis e o stress é maior. Sabemos que “stress máximo manipulação iminente”. É o que está a acontecer connosco neste momento e por isso é necessária redobrada atenção aos manipuladores.

Vivemos no tempo de todas as informações mas também de todas as manipulações. Às vezes sem darmos por isso a publicidade, o marketing e a doutrinação vão fazendo o seu percurso com as perversidades inerentes.
Se a publicidade e o marketing não servissem para nada não se gastava um cêntimo neles. Certamente servem para aumentar as vendas e os lucros das empresas e não tenhamos dúvidas de que influenciam as nossas decisões. Claro que é difícil sabermos até que ponto estamos sujeitos a estas influências dado que muitos dos mecanismos da manipulação são pouco visíveis.
Os media estão cheios dessas manipulações. A opinião é servida de muitos modos mas sempre com o objectivo de ser eficaz mesmo quandoesses mecanismos não estão identificados, incluindo os comentários dos politólogos e dos tudólogos que com aparência de independentes, todos os dias, nos tentam doutrinar com algumas evidências, durante horas, muitas vezes, sem contraditório.
Esta minha opinião não está isenta dessa componente. Ao escrevê-la estou à espera de que alguém a leia e concorde com ela e esse é o perigo: queremos que a mudança seja a nossa mudança.
O que separa o debate da manipulação ? Onde acaba a educação e começa a doutrinação ?
A manipulação e a doutrinação são lavagem ao cérebro. Tem duas fases: a primeira é eliminar as crenças anteriores e depois instaurar as novas crenças.
Há campos mais fáceis de penetrar como é o caso dos jovens, pelo desejo de pertencer a um grupo em que as convicções de uns membros são suficientes para alimentarem as convicções dos outros.

Vivemos tempos muito interessantes… em que os acontecimentos se sucedem a um ritmo intenso mas tão depressa como surgem, desaparecem. Existem enquanto são falados na comunicação social e quando a comunicação social deixa de falar neles a gente também muda de capítulo: O pingo doce e a Holanda, a corrupção, as reformas dos políticos, as associações secretas, as escutas e os serviços secretos, as crianças desaparecidas, os casos do futebol e … outra vez … o pingo doce.
Temos um regime constitucional e instituições democráticas que têm por função cumprir e fazer cumprir a constituição, mas não deixa de ser preocupante que, entre nós, apareçam os avaliadores da democracia, militares e civis, quais agências de rating politico que fazem peremptórios avaliações: o governo já ultrapassou os limites, o governo já não tem legitimidade para governar, o governo não vai chegar ao fim…
e  Hollande vai mudar a Europa …
Como na estória, o feiticeiro de Oz, depois de aniquilada a fada má do oeste, vai dar cérebro a quem o não tem, coração a quem dele precisa e muita coragem a todos.
O problema é que os que andamos cá nesta terra não temos tal feiticeiro e apenas podemos contar com o nosso trabalho e a nossa esperança.

Nota: o cap. VI, do livro referido, de E. Punset trata do "lavado de cerebro" com referências a Kathleen Taylor, Stanley Milgram, Humberto Trujillo, Juan Martínez.

04/05/12

PIT


Este é o esquema encontrado por uma escola  (há outros...) para se entender uma coisa legislativa que dá pelo nome de PIT - plano individual de trabalho.
É o ex-líbris da legislação burocrático-educativa da governação anterior.
O que é estranho é que se mantém em vigor. Porque será que é preciso tanto tempo para o revogar ?

É urgente a psicologia


Apenas algumas notas do meu moleskine.
O Congresso dos Psicólogos Portugueses foi, para a psicologia, sem dúvida, um importante acontecimento realizado no nosso país ainda que com um atraso assinalável em relação ao desenvolvimento que a psicologia teve noutros países.
Houve intervenções marcantes sobre o momento da psicologia.
Foi numa perspectiva de optimismo que decorreram as intervenções sem se perder de vista o que está a acontecer a uma ciência com cerca de 50 anos em Portugal. Passou-se de uma fase em que praticamente não havia psicólogos, para a linha da frente em número de profissionais de psicologia. A psicologia, em Portugal, tem neste momento 32 cursos universitários, uma ordem com 18 mil inscritos (dos 24000 licenciados) e o país passou a ter o rácio mais elevado da Europa de psicólogos por habitantes.
Genericamente positivo, estes números têm algumas consequências sendo a mais evidente o desemprego existente.
Eduardo Sá falou da psicologia e o futuro. Onde chegamos e o que enfrentamos.
Se a humanidade está mais democrática e mais bonita, fizemos muitos progressos na educação e passámos a ter educação para todos, também há muitas preocupações. Vivemos numa sociedade pouco virada para o futuro.
Continua a verificar-se a fractura entre ciências exactas e ciências humanas.
Temos uma escola que se diz inclusiva mas não é acolhedora.
Vivemos um tempo mais amigo do número do que da palavra.
Mais escola não significa melhor escola.
Uma escola que separa a educação infantil da educação obrigatória.
100 000 crianças reprovam todos os anos no ensino básico.
Aulas de 90 minutos com intervalos de 10 e sem tempo para brincar.
Mas o melhor do mundo são as pessoas e por isso é urgente a psicologia.

Margarida Gaspar de Matos falou de optimismo. Ao contrário do que se ouve dizer, a violência na escola tem vindo a descer.
Também sabemos que quando os professores se interessam pelos alunos as coisas correm melhor na escola.
A maioria do jovens (80%) passa a adolescência sem problemas. Os casos graves são cerca de 5%.

José Maria Peiró falou das consequências que a crise tem para as organizações e empresas mas também para as pessoas: os trabalhadores e as famílias.
A crise vem tornar mais evidente a necessidade dos profissionais de psicologia.
Mas nos debates sobre a crise apenas ouvimos falar economistas, banqueiros, políticos quando nos dizem que o problema é de confiança, de credibilidade, de esperança… é um problema das pessoas e por isso devia haver psicólogos a dizerem o que têm a oferecer às pessoas para melhorarem a sua vida.
Cada vez mais trabalhar não é uma questão de mão de obra mas de cabeça de obra e coração de obra
Na vida pode-se ganhar e pode-se perder. Há empresas com boa qualidade de vida laboral mas sem produtividade. E isso é insustentável.
O que pode acontecer nesta crise é sabermos se queremos ambos perder, empresários e trabalhadores, ou se ambos queremos ganhar.
Tem que haver um bem-estar que seja sustentável.

Gillian Hardy trouxe a experiência da intervenção por vários níveis em saúde mental. Algumas pessoas necessitam de apoio psicológico mais ou menos profundo.

Em todos estes campos, os psicólogos podem ajudar.

22/04/12

Os sonhos dos jovens


Têm vindo a ser efectuadas investigações que dão relevo a comportamentos e atitudes maioritárias dos jovens.
M. Gabriela S. e Silva , "Os Sonhos dos Adolescentes", indicam que os jovens “têm ideias muito sérias sobre a vida, que se preocupam com os pais e os avós de idade avançada, que querem ter uma família organizada e constituída e um emprego estável", que “os adolescentes portugueses têm valores, preocupam-se com o bem-estar da família e sonham ter estabilidade emocional e profissional”.
E que os seus sonhos "têm uma ordem bem definida: alcançar a felicidade, obter estabilidade económica e profissional, conhecer o mundo, estabelecer laços familiares, ter saúde, possuir habilitações académicas, ter casa própria, sentir apoio familiar e ajudar a família e os amigos.” 

Estas respostas não são diferentes dos sonhos dos outros jovens dos outros países. Os jovens brasileiros quando questionados sobre o seu maior sonho individual, 55% dos jovens brasileiros responderam que era a formação profissional e emprego; 15% casa própria; 9%  dinheiro (ficar rico ou ter estabilidade financeira); 6% a família; 3% a compra de outros bens materiais (carro/moto/eletrodomésticos).

A reforma curricular vem dar ênfase à aprendizagem dos conhecimentos essenciais. Sem dúvida que esta focalização é essencial mas não é suficiente para preparar o jovem para o futuro.
Os alunos trazem para a escola outros mundos e vivências “Dentro das mochilas muitas vezes, não vão só livros. Vão sonhos desfeitos e dramas familiares.” (M. Gabriela S. e Silva).
“Eles querem acreditar, mas sentem desde logo as dificuldades nas suas casas – pais desempregados, com problemas para pagarem os empréstimos da habitação, do carro, etc. Começam a prever a vida através das dos próprios pais”.
Os jovens passam o dia na escola. Mesmo quando não têm aulas ou quando faltam às aulas, preferem ficar na escola com os amigos, do que voltar a casa ou andar por aí.
Para além da família, a escola é praticamente a única instituição social que pode ajudar a fazer a moratória psicossocial dos jovens.

Por isso era necessário atribuir essa força à escola e aos professores e entender que um professor não é apenas transmissão cognitiva de conhecimentos. Tem uma dimensão pedagógica afectiva relacional.
E tem que ajudar a olhar para os sinais do futuro.
Os sonhos dos jovens provavelmente têm que ser esboçados pelos adultos. O que prevemos para o ano 2020 ?
Isto é, os alunos que actualmente estão no 9º ano, em 2020, estarão a terminar as licenciaturas ou os mestrados. Quais são as profissões que vão ser necessárias em 2020 ?
A escola não está preocupada com isso. E os jovens não têm esta perspectiva de futuro. Têm muita dificuldade em se imaginarem a exercer uma profissão daqui a 20 anos.
Mas, há alguns sinais que começam a mostrar essa preocupação com o futuro.
Na exposição Futurália (21-03-2012), num total de 371 boletins de voto, cerca de 26% dos jovens considera que "criar" é a sua prioridade para o futuro, "viajar" 18%, "trabalhar" (15%), e "aprender" (14%).
James Canton (“Sabe o que vem aí?”) fala da previsão para 2015 e 2020, de uma era completamente nova, com profissões muito diferentes: técnicos de neuromedicina; técnicos de segurança pessoal; clonadores de órgãos; terapeutas do biofuturo; cientistas quânticos; terapeutas promotores de saúde; viabilizadores do cancro…. conselheiros para a gestão do conhecimento; empresários de nanobiologia; artistas, escritores, poetas; caçadores globais de talento.

O nosso sucesso será ajudar os jovens a alcançar os seus sonhos. É esta a realização de um educador: atingimos os nossos  objectivos quando os alunos que educamos atingem os deles.



15/04/12

Regra de ouro

O problema é quando a regra de ouro é: quem tem o ouro é que dita a regra.
Quanto ao resto é fácil concordar.

13/04/12

Os sonhos dos jovens




“Já não o conhecemos. Em pouco tempo mudou completamente.” É o desabafo de muitos pais que não compreendem o que se passa com os filhos que entraram no processo da adolescência.
Tudo muda. Na verdade, o pensamento e os sonhos estão em mudança, e a estranheza dos pais é também a estranheza dos adolescentes com as mudanças que estão a acontecer.
Mas nada de novo há aqui. Os jovens de hoje têm semelhanças com os seus pais. Como antes, esta é uma fase da vida em que se processa a consolidação da identidade pessoal, psicossocial e sexual.
Os sonhos são os de autonomia, independência em relação aos pais. Esta fase tem as características de turbulência, de mudanças, de desafios. E é paradoxal : como ser independente daqueles com que me quero identificar ?
A construção da identidade é um processo de interacções relacionais e, neste caso, ganha maior importância para o jovem o grupo de pares.
Aos 14 anos, os modelos de identificação continuam a ser, geralmente, os pais ou familiares importantes.
Aparecem também os ídolos da própria geração ou até de gerações anteriores. O poder da comunicação social faz com que apareçam ídolos copiados principalmente do facebook ou das redes sociais.
Estes ídolos muitas vezes representam os sonhos dos adolescentes pela independência, rebeldia, sucesso, dinheiro, fama e beleza. Como no passado.
Hoje há uma maior diversidade de modelos dada a oferta que é veiculada através dos media: do desporto à musica, cinema, e compram-se as revistas, os posters, os discos
Talvez agora haja mais dinheiro em circulação e sem dúvida que o acesso aos ídolos é muito maior. Tem-se pelo menos a sensação de uma maior proximidade podendo-se falar em directo nas redes sociais com os nossos ídolos.
O sonho é gostar e possuir coisas, objectos, gadgets. Quando a relação com o outro se torna insuportável eles gostam de se relacionar com as coisas.
Como na canção de Serge Gainsbourg, cantada por Brigitte Bardot: não preciso de ninguém na minha Harley Davidson.
Mas ganhar autonomia está mais difícil. Permanece-se mais tempo na casa dos pais ou na dependência económica dos pais.
Aparentemente são mais autónomos. Só ao abrigo do programa Erasmus, por exemplo, 6.038 jovens saíram de Portugal no ano lectivo de 2010/2011...
Há falsas autonomias muito diferentes da consolidação da identidade pessoal, psicossocial e sexual. A maturidade necessária para fazer escolhas escolares e profissionais é por isso muitas vezes insuficiente.
Além disso hoje, ter uma carreira, é muito diferente do passado.
O emprego muitas vezes não corresponde ao sonho. Querer ter uma profissão é, por vezes, um obstáculo ao emprego, isto é, o pode-se ter "vocação" para uma profissão mas não há empregabilidade correspondente.
Sonhar com uma carreira esbarra na realidade da economia e hoje carreira e vocação profissional são assuntos poucas vezes convergentes.
Ganha por isso cada vez maior importância o papel que a orientação escolar e profissional deve ter na escola.
E como se vê a crise da adolescência necessita de uma intervenção psicológica mais fina do que apenas avaliar os interesses dos alunos relativamente aos cursos a seguir.