30/10/26

"Mitos climáticos" 19 - Não há emergência climática


Encontrar alguém que confronte o pensamento mágico das alterações climáticas e da emergência climática é que é uma coisa de sublinhar. Apesar disso, vai ganhado terreno contra a mensagem unânime da catástrofe climática que estamos quase a poder (ou não poder) controlar. Com a devida vénia transcrevo a opinião de Nuno Lebreiro.

"Temos, portanto, a receita perfeita: má ciência, pensamento mágico, crença dogmática na necessidade de controlo — controlo ao qual políticos, investidores e demais oportunistas não dizem que não." ...

"Infelizmente, esse domínio do Homem sobre a Natureza nunca verdadeiramente ocorreu, salvo no imaginário infantil do Homo Ocidentalis. O mundo sempre permaneceu, tal como ainda permanece, em larga medida estranho, os seus mistérios nunca foram completamente resolvidos, pelo que a realidade, apesar de intuída como “controlada”, permanece como sempre o foi: misteriosa, imprevisível, aparentemente injusta e inexplicável. No entanto, perante a angústia do desconhecido que se revela no imprevisto com que o mundo dança em frente dos nossos olhos, mas insistindo na ilusão de que esse imprevisto deriva do nosso descuido, então a resposta ao imprevisto apenas poderá representar a evidência da necessidade de mais e melhor controlo — abre-se um perigoso e perpétuo ciclo vicioso, portanto.

O caso da “emergência climática” é, aliás, paradigmático a todos os níveis. Desde logo, no linguajar próprio que revela o pensamento mágico de transcendência humana que lhe está na base: o problema atente-se, é o carbono, a molécula que permite a vida, pelo que aquilo que se pretende é não deixar “pegada ambiental”, como se os homens pudessem pairar pelo ar, sem respirar, não “emitindo” carbono, não precisando sequer de comer ou beber, verdadeiros deuses que deixaram para trás as agruras da biologia.

Depois, é paradigmático também pela forma como a crença substituiu qualquer resquício de debate ou conversação racional sobre o tema: afinal há um “consenso”, a “verdade científica” está “estabelecida” e apenas malvados “negacionistas” destoam do unanime veredicto pseudo-científico, ainda que detentores de prémios Nobel ou CV de gabarito indiscutível. Ora, não poderia haver maior indigência mental do que esta generalizada crença: primeiro, a boa ciência é precisamente aquela que se debate, e nunca está definitivamente “estabelecida”; depois, se há um ramo da ciência que empiricamente falhou todas as previsões feitas nos últimos 50 anos foi precisamente o da meteorologia, o que deveria fazer desconfiar o mais alienado dos indivíduos. No fim, tudo se verga ao poder do dogma: desde a fotossíntese até todos os outros ramos da “Ciência”: há que estudar, por exemplo, o impacto das “alterações climáticas” — um bom slogan que substituiu o “aquecimento global” para assim poder incluir o arrefecimento — na política, nas relações de género, no imigração, na saúde mental, etc., etc. (Nuno Lebreiro,  "A crença na emergência climática", Observador, 02 jul. 2026)


 

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