01/02/24
De Watson à Assembleia da República
15/10/23
Ser Pai - um testemunho
"Não me cabe conceber nenhuma necessidade tão importante durante a infância de uma pessoa que a necessidade de sentir-se protegido por um pai”. (Freud)
A frase atribuída a Freud, ganha ainda maior relevo na medida em que também para Freud "a criança é o pai do homem".
As relações entre pai e filho com todas as emoções que foram construídas ao longo dos anos, principalmente emoções positivas, são de grande riqueza e complexidade para o desenvolvimento saudável, para o equilíbrio mental e auto-estima de que necessitamos para viver. É, por isso, que ser pai é muito mais que ser progenitor. É este vínculo que se estabelece para sempre.
Nos tempos actuais, é notória a falta de respeito de alguns filhos para com os pais, quando os mais velhos são atirados para fora da família e de sua própria casa, quando são privados até do bem-estar que conseguiram construir ao longo de muitos anos.
Podemos falar muito de como deve ser o relacionamento entre pai e filhos, sobre a parentalidade, sobre a educação... No fim, é determinante o exemplo dos pais. A modelagem funciona e através dela são aprendidos os valores evidenciados e praticados pelos pais.
A melhor forma de sabermos como os pais educaram está no testemunho dos filhos. Sem dúvida que o orgulho dos filhos mostra bem como a educação que receberam dos pais, mesmo que não seja completamente perfeita nem de acordo com todos os critérios dos educadores encartados, é de resultado eficaz.
Permitam-me que partilhe este texto que tirei do Facebook do João Gonçalves. Não pude deixar de me sensibilizar pela forma como os filhos se referem ao seu pai. Há esperança, afinal, e nem tudo se perdeu na voragem da egoísmo reinante.
“Não sabemos exatamente por onde começar.
Descrever o nosso pai é um pouco difícil nestas horas e acima de tudo, pelo seu caráter complexo, levaria muito tempo a escrever.
O nosso pai foi um bom cristão, um grande jurista, um homem corajoso, íntegro, fiel aos seus valores, inteligentíssimo, cultíssimo, com bom gosto, com jeito para fotografia, com algum jeito para a pintura, muito jeito para escrever mas acima de tudo foi um grande PAI que nos amava muito!
É indescritível o amor do meu pai por nós. Só descrevendo os sacrifícios inimagináveis realizados tanto por ele e pela minha mãe, para que nós pudéssemos ter um futuro digno (e conseguiram!), é que se poderia compreender.
O nosso pai foi, é e sempre será o nosso anjo da guarda!
É com muito orgulho e honra que nós (João Oliveira, Pedro Oliveira e Maria Oliveira) dizemos que somos filho/a do António Augusto Alves de Oliveira!
Obrigado Pai por todos os esforços e pelos sacrifícios incalculáveis !
A tua memória e a tua honra serão para sempre salvaguardadas por nós os 3 (+ mãe) até à morte.
Até sempre Pai. Raul Xaves
Ps: o meu pai tinha o hábito de jogar o Euromilhões todas as terças e sextas, para ver se nos saía um milagre…
Ao falar com o meu irmão hoje eu disse-lhe:
-Tivemos muita sorte em tê-lo como pai.
Respondeu-me ele : eu sei, foi o nosso euromilhoes, e ele jogava essa merda todas as semanas e nós já o tínhamos…”
21/11/22
“É preciso acabar com os professores com a casa às costas”
"Apesar do realismo destas medidas nada há a esperar em matéria de reformismo do actual Ministério da educação, ou deste governo, durante o resto do mandato mas a esperança é a árvore frágil que tenta sobreviver a tudo, é "essa menina, que arrasta tudo consigo". (Péguy).
3. Estabilização dos recursos humanosNegociar com os sindicatos de professores o tempo de serviço de 9 A 4 M 2 D: as formas possíveis de gestão deste tempo efectuado pelos professores e que de forma nenhuma lhes pode ser sonegado.Alterar o sistema de recrutamento e selecção de professores: terminar com a centralização dos concursos, com benefício para a redução da deslocação de professores, contra o centralismo educativo saloio e provinciano do ministério da educação: concursos de professores, parque escolar...Número limite de turmas/professor. Não faz sentido que um professor possa leccionar 500 alunos, como um professor de TIC, por exemplo, uma vez por semana...Técnicos especializados: psicólogos, terapeutas da fala, intérpretes de LGP, formadores/prof de LGP - eliminação da precariedade e entrada no quadro após 3 anos de serviço efectivo.A gestão estratégica dos recursos humanos da educação passa por um "Programa de rejuvenescimento do corpo docente", proposto por António Costa Silva, com o qual estou de acordo (Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica de Portugal 2020-2030)
Aqui fica a notícia da Lusa/ Público com foto e tudo...
“Não há nenhuma razão para que isto aconteça”, frisou António Costa a propósito de os professores nunca saberem se vão ficar perto ou longe de casa.
Lusa, 19 de Novembro de 2022, 15:27
15/09/22
A primeira vez: a entrada na escola
M. (6;3) - Pré-escrita. *
(Dois pedidos para o jantar)
Como costumamos dizer há sempre uma primeira vez para tudo. A entrada na escola é a primeira vez de muitas outras que se seguirão. É talvez, no nosso percurso escolar, a primeira vez mais importante que fica na nossa memória.
A minha ficou e lembro-me de que no primeiro dia fui com minha mãe que me apresentou e me entregou à responsabilidade do Sr. professor António Mendes...
e lembro-me de como foi difícil esse primeiro dia apesar de conhecer todas as crianças que entraram naquele ano e naquela sala, da escola dos rapazes.
Para os pais a situação não é mais fácil. Fui percebendo, como pai, e agora como avô, como é difícil a separação destes pequenos grandes homens e mulheres de 6 anos, que ingressam no 1º ano.
O 1º ano do 1º ciclo é a primeira grande separação das crianças dos seus pais.
Como já aqui e aqui escrevi: “O primeiro dia de escola é para a criança um acontecimento importante caracterizado objectivamente pela separação da família e pelo encontro com um novo mundo. É também importante pelas expectativas que lhe foram criadas pelos adultos e pelas outras crianças."
Verifico com curiosidade que o governo, ao anunciar algumas medidas para fazer face à crise económica e social actual, usou o lema : “Famílias primeiro”.
Seria motivo suficiente para apoiar incondicionalmente não fosse, como de costume, a suspeita de que se trata apenas de retórica.
As famílias – que para o serem tem que haver uma criança no agregado - deviam, de facto, estar em primeiro lugar, porque ao olhar para elas não podemos deixar de ficar impressionados com as suas fragilidades em contraste com as exigências que são feitas a pais e filhos para frequentarem a escola.
A entrada na escola é uma das situações críticas da vida familiar. A família enquanto organização dinâmica sofre mudanças permanentemente, mudanças que são crises normativas como as que já sabemos que vão ocorrer ou não-normativas se forem imprevisíveis, acidentais e inesperadas.
Podem ainda ser mistas quando ocorrem crises acidentais ao mesmo tempo de crises previsíveis.
Todos os pais conhecem esta crise previsível: a dificuldade de escolha da escola que consideram mais adequada para os seus filhos, pública, particular, social, e das características que oferece: qual o projecto educativo, número de alunos, número de alunos por sala, os horários das aulas, os intervalos, as actividades, os transportes, quem são os professores, os preços...
Depois vem a preparação necessária: os materiais, livros, a roupa, a farda, os transportes, as refeições, ir levar e buscar... e conjugar tudo com os horários e trabalho dos pais.
Para que tudo funcione é necessário haver uma rede de confiança nos outros intervenientes para poderem ir trabalhar com alguma tranquilidade e, mesmo assim, com todas as preocupações. É que no mundo e nas comunidades a confiança e segurança não melhorou. Pelo contrário...
Por isso, nada pode ser deixado ao acaso, tudo tem que ser conjugado e articulado com os vários intervenientes que devem ser competentes no seu ofício e cuja personalidade mereça confiança...
Finalmente, para as crianças começa esta grande aventura... E os seus pais são os grandes heróis desta etapa da vida familiar por conseguirem ultrapassar esta crise repleta de todos estes problemas e porque, mesmo sabendo de tudo isto e de todos estas dificuldades, há pais que querem continuar a ter filhos e a amá-los acima de todas as coisas.
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* A pré-escrita é uma etapa do desenvolvimento da expressão gráfica da criança. É, entre outros procedimentos, uma boa indicação de que atingiu a maturidade necessária para iniciar as aprendizagens escolares.
23/06/22
Ansiedade
Todos sabemos o que é. A ansiedade passou a ser uma palavra do nosso quotidiano e de alguma forma já a vivenciámos, já todos passámos por algum tipo de perturbação neurótica.
“Os psiquiatras consideram a ansiedade a primeira causa de todas as perturbações mentais e mostram-se convencidos de que, se se pudesse eliminar o excesso de ansiedade que existe no mundo, veríamos desaparecer grande parte das doenças mentais e, com elas, grande parte dos sofrimentos que afligem a humanidade.” (F. Canova, A Ansiedade, p. 19).
A prevalência anual de perturbações de ansiedade, em Portugal, situa-se em 16,5% (nos Estados Unidos este valor é de 19%), enquanto as perturbações de humor são 9%, as perturbações do controlo de impulsos 3,5% e perturbações por uso de álcool 1,6%. (J. M. Caldas de Almeida, A saúde mental dos portugueses, p. 49)
A ansiedade afecta o nosso bem-estar e acompanha-nos nos momentos positivos ou negativos da nossa vida.
A ansiedade tem algumas vantagens (dons). Sabemos que "o rendimento de um indivíduo tanto na actividade física como na actividade mental baixa notoriamente quando falta o impulso da ansiedade”. A ansiedade alimenta o arrojo e a coragem para inovar e tentar novas acções, impulsiona a sociabilidade, o sentido de antevidência dos perigos ... (Canova, p. 15)
Porém, ela é mais conhecida pelos seus malefícios, pelo sofrimento que causa ao indivíduo dificultando a sua adaptação à sociedade.
É, por isso, importante conhecer os sintomas gerais da ansiedade.
“Os sintomas psicológicos de ansiedade incluem um sentimento de apreensão dirigido ao futuro, como se algo ameaçasse a pessoa, inquietação, irritabilidade e dificuldade de concentração, enquanto os sintomas físicos podem manifestar-se através da boca seca, tensão muscular, tremor, sudação, vertigens, insónia, sintomas cardiovasculares (taquicardia, palpitações, dor precordial, acessos de calor), sintomas digestivos (cólicas abdominais, aerofagia, náuseas, vómitos), sintomas respiratórios (opressão torácica, dificuldade em respirar).” (Caldas de Almeida, p. 117)
As diferentes perturbações de ansiedade apresentam sintomas específicos: Na perturbação de ansiedade generalizada, os sintomas de ansiedade são persistentes. A perturbação de pânico, apresenta sintomas de ansiedade aguda. As crises de pânico podem começar de forma súbita causando sintomas físicos muito fortes. Nas perturbações fóbicas, os sintomas de ansiedade são intermitentes. As fobias sociais acontecem em circunstâncias de exposição social ou pública. Na perturbação obsessiva-compulsiva, surgem pensamentos persistentes e um desejo incontrolável de repetição de um determinado acto. A ansiedade está quase sempre presente. Na perturbação de stress pós-traumático, a ansiedade é intensa.
No entanto, todos os ansiosos vivem a sua ansiedade de modo muito pessoal e isto mostra a grande variedade das perturbações de ansiedade e dos sintomas que a caracterizam.
A ansiedade está presente desde o início do nosso desenvolvimento, quando somos deixados na creche ou jardim de infância e, ansiosamente, ficamos à espera que nos venham buscar; ou quando na nossa vida adulta somos atingidos pela doença, perda do emprego, dificuldades financeiras; ou quando os lutos e perdas de pessoas de referência e de perspectivas falhadas se atravessam no nosso percurso e nem sempre são fáceis de ultrapassar...
02/06/22
Saúde mental na escola - o lugar da compaixão
O sofrimento, e o sofrimento psicológico, faz parte da vida, mas muito do sofrimento é evitável ou pode ser minimizado. Para isso devemos investir no bem-estar como o modo normal de viver em sociedade *.
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* Tento compreender os comportamentos e, para isso, volto a: Crescer vazio, Interiores, Preciso de ti (Pedro Strecht), A bondade e o perdão (Amaral Dias), Eu já posso imaginar que faço (Amaral Dias/J. Sousa Monteiro) e Emoções destrutivas e como dominá-las - Um diálogo científico com o Dalai Lama (Daniel Goleman).
01/06/22
Saúde mental na escola
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28/09/21
Reformar e investir em educação 2
27/05/21
O ranking das escolas à espera do Super-homem
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* Como se constatou com o programa Head Start.
09/04/21
Inclusão 2

Símbolo de acessibilidade proposto pela ONU
1. Felizmente, neste tempo que levo de vida, vi acontecer muitas mudanças inclusivas na sociedade: na escola, na segurança social, nas acessibilidades, nos comportamentos das pessoas. Participei em algumas dessas mudanças.
Então, desde há muito aprendi que a inclusão não é uma obra acabada mas um processo em construção a cada momento.
A inclusão é uma atitude necessária da vida, como a liberdade, a democracia e a justiça. Faz parte de qualquer organização social democrática decente.
Esta mudança social tem vindo a fazer-se com a evolução da inclusão concreta na educação com a metodologia "desenho universal de aprendizagem" (UDL), no trabalho, na melhoria das acessibilidades, na linguagem que respeita as diferenças, não seja estigmatizante, adequada à vida das pessoas.
Esta mudança social diz respeito a todos. Sim, todos precisamos de inclusão e todos precisamos de linguagem inclusiva.
2. Sou do tempo em que a educação escolar era feita em escolas separadas para rapazes e raparigas. Foi por isso que a coeducação teve importância na eliminação de muitos dos fenómenos que podiam dar vantagens a uns ou a outros. Os mundos separados da educação, porém, eram compensados pela convivência extra escolar, nas famílias, nos jogos, no tempo de brincadeira que era todo o tempo em que não estávamos na escola. Qualquer défice que pudesse existir na educação formal seria ultrapassado na educação informal.
Ou seja, para quem tinha a ilusão de que a coeducação podia resolver o problema dos estereótipos, do bullying, da violência doméstica ou outra, percebeu, como prova a realidade diária das nossas escolas, que não é assim tão simples...
Muitos comportamentos têm a ver com o desenvolvimento psicológico como, por exemplo, quando raparigas e rapazes têm tendência a criar grupos do mesmo sexo. O contrário é que seria estranho.
3. Sou do tempo do livro único*, que podia ter aspectos vantajosos como o económico para o estado e para as famílias, mas muitas desvantagens. Hoje não teria grande sentido haver manuais escolares aprovados centralmente que divulgassem estereótipos, estatutos e papéis sexuais baseados na diferenciação sexual.
Mas pelos vistos também este não é um factor que, isoladamente, vai resolver o problema do respeito pelas diferenças.
6. Sou do tempo em que a inclusão foi e é um trabalho diário nas escolas ainda mais após a Declaração de Salamanca (10 de Junho de 1994), sobre princípios, políticas e práticas na área das necessidades educativas especiais.
9. Então é necessário trabalhar pela inclusão:
- para não continuarmos a construir casas e equipamentos sociais sem acessibilidades mesmo que a lei obrigue a fazê-lo;
- criar cidades para todas as pessoas, mais importante do que novos símbolos para acessibilidades;
- mudar os métodos de ensino/aprendizagem dando oportunidades educativas aos alunos de acordo com as necessidades de cada um;
- criar acessibilidades a nível do currículo;
- utilizar a informática como instrumento importante no processo ensino/ prendizagem;
- Utilizar uma linguagem inclusiva o que não quer dizer neutra porque a inclusão não é neutra nem a linguagem é neutra. Nunca o foi nem será. E não será uma qualquer geringonça gramatical que tornará a linguagem neutra.
A linguagem não é neutra, felizmente, e a inclusão é outra coisa.
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* Sobre os manuais escolares e livro único.





