EDUCAR EM DIÁLOGO
20/05/26
Os burgueses
16/05/26
22/04/26
Pela infância !
Abril é o Mês Internacional da Prevenção dos Maus-tratos na Infância. O tema, recorrente, lembra-nos que educar uma criança é responsabilidade de todos e de todos os dias. Como diz o provérbio, “é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança”. Educar uma criança é garantir os seus cuidados básicos, o seu bem-estar físico e emocional, e respeitar os seus direitos: à vida, saúde, educação, igualdade, amor, segurança, brincar, identidade...
A infância também teve o seu 25 de Abril. Esse momento corresponde à criação das Comissões de Protecção de Menores (DL nº 189/91 de 17/5) um sistema de protecção e prevenção dos maus-tratos que permitiu uma defesa mais eficaz dos seus direitos.
A Declaração dos Direitos da Criança (1959) e a Convenção sobre os direitos da Criança (1989) foram instrumentos fundamentais para esta evolução.
Como foram importantes as intervenções de tantas pessoas de que recordo João dos Santos, inspirador da criação do Instituto de Apoio à Criança (IAC) ou de Bairrão Ruivo com o trabalho realizado no Centro de Observação e Orientação Médico-Pedagógico (COOMP). Ou ainda o papel de Rui Epifânio na criação das Comissões de Protecção e o de Armando Leandro na estruturação e consolidação do sistema de protecção da infância em Portugal, uma rede de protecção envolvendo toda a comunidade.
Numa sociedade ecológica e moralmente equilibrada, as crianças deviam ser integralmente poupadas à guerra, à fome e protegidos os seus direitos. Mas mesmo numa sociedade democrática como a nossa, é constante a situação de perigo a que estão sujeitas. Refiro apenas estes números:
Em 2024, as CPCJ receberam 58 436 comunicações de situações de perigo.
Os maus-tratos físicos aumentaram para 3282, em 2024, representando 5,2% do total. Os maus-tratos psicológicos registaram 1981 casos, representando 3,2% do total. O abuso sexual representou 1329 casos, ou seja, 2,1% do total, com um aumento de 67 casos em relação a 2023. Também a categoria abandono, com 702 casos, representando 1,1% do total. (Relatório Anual de Avaliação da Atividade das CPCJ, em 2024).
Haverá muitas razões para que isto aconteça. Para além das condições económicas e sociais é necessário ter em conta as mudanças na forma de socialização e a redução da influência das instituições como a família e a escola.
Na realidade a educação infantil - ser criança - está sujeita aos condicionalismos do tempo e do modo, e da moda, no processo de socialização: (con)viver com as redes sociais e o acesso a conteúdos aditivos da internet, do jogo à pornografia, às agressões (bullying) de colegas e influencers que põem em risco a vida e a saúde física e mental das crianças.
A escola, a rua e a família, com o perigo online sempre presente, tornaram-se lugares menos seguros e devemos ter consciência de que do iceberg dos maus-tratos conhecemos apenas a parte visível.
É preciso cuidar destas crianças em primeiro lugar pela prevenção de situações de maus-tratos e, depois, pelo acompanhamento terapêutico, tentando minorar as consequências perniciosas para o desenvolvimento da identidade e personalidade.
Recentemente, participei no V Encontro das Comissões Diocesanas de Protecção de Crianças e Pessoas Vulneráveis. No final foi-nos oferecida uma vela e com ela a procura de uma intenção para a sua luz. Na obscuridade do caminho, o significado só pode ser: Pela infância !
02/04/26
Entre o parque jurássico e a guerra das estrelas
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A situação pode ainda complicar-se. Quando são duas ou mais crianças no mesmo estádio de desenvolvimento ou em estádios contíguos, pré-operatório e operações concretas, por ex., podem surgir mais conflitos porque o que um quer o outro também quer, o mais novo a sombra do mais velho, os dois querem sempre ganhar e a brincadeira às vezes termina com choro ou agressão... E nós, sempre temos a desculpa de que são irmãos, não é? Quem tem irmãos sabe que é assim...
Mais difícil ainda quando estão com pais, avós, primos. Em família alargada com autoridade mais diluída a obediência também fica mais fluida: "Tu não mandas em mim", "tu não és meu pai", "o pai ainda não disse", "oh mãe, a avó disse...", "deixa-me em paz", "pára, pára"...
Mas, na realidade, o mais difícil é gerir a tralha electrónica: tv e o respectivo comando, telemóvel, tablet ou iPad. Séries infindáveis como Os Mistérios dos bichos, Spidy, Barbapapa, Rubble e companhia... no canal panda, disney junior, nickjr, etc... É deveras difícil mas tem que ser levado em conta para não passarem manhãs e tardes inteiras de passividade motora. Há que esperar o protesto dos mais novos que sempre querem mais e as regras ainda não importam...
Os adultos são responsáveis por gerir a situação relacional e educativa. Um adulto deve conseguir resolver estas crises com segurança, controlo emocional, compreensão de que se fossemos nós teríamos as mesmas atitudes e comportamentos. São de facto crianças muito pequenas para perceberem a necessidade de mudança de actividade e de passar para as tarefas das rotinas diárias: almoçar, jantar, sair...
Os adultos têm também que perceber quando se trata de desorganização ou de acumulação pura e simples de objectos sem função lúdica. Neste caso o problema é querer sempre mais tralha o que leva à dispersão e à dificuldade em se concentrar ou focar numa determinada actividade dificultando a conclusão de qualquer trabalho.
Por estes longos dias de férias podemos ver como a liberdade de escolher actividades, brinquedos, brincadeiras, nos revela as muitas capacidades que as crianças têm para interagir, para desenvolver a criatividade, para inventar jogos, actividades, às vezes a partir de qualquer coisa aparentemente insignificante que lhes desperte a atenção.
É uma boa estratégia a

- Podemos passear na quinta e ter a sensação da terra acabada de lavrar. Que bom que é caminhar na terra como se se estivesse na lua! Afinal podemos ir à lua e andar suavemente quase sem sentir o chão debaixo dos pés.
E fazer corridas até ao fim da leira como se fosse uma pista de atletismo. É mais suave do que na praia ... Pouco importa se, no fim, é pó por todo o lado, da cabeça até aos pés.
- Podemos construir uma casa. Não importa se para isso é preciso desfazer as camas, mudar de sítio as almofadas, lençóis...
- À noite podem surgir ideias interessantes como fazer uma representação, um espectáculo de bateria com tachos e panelas, mesmo que o público seja apenas os dois avós mas é como se estivesse a sala cheia.
- Podemos organizar a "A feira das pipocas" com um stand para venda com os respectivos preços.
Moral da história: A actividade, brincar, é fundamental para o desenvolvimento harmonioso das crianças. A prevenção, necessariamente, deve ter em conta os riscos decorrentes dessa actividade. Ou seja, a actividade da criança tem inúmeras vantagens para o seu desenvolvimento mesmo face a alguns riscos calculados que dela possam advir. No caminho para a autonomia tudo envolve algum nível de risco. É por isso que a supervisão do adulto deve ser permanente. Isso também significa que podem ser feitas actividades que envolvem algum risco. Por isso a prevenção é a melhor protecção. (4)
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(1) Ilustrações de M. 9:4, Atelier "Verão por um fio", Museu Cargaleiro.
(3) Finalmente, o governo "arriscou" regular a utilização de telemóveis no espaço escolar para o 1º e 2º ciclos (DL n.º 95/2025, de 14 de agosto); Como combater dependência do telemóvel, CUF.
(4) Temos de ter a consciência de que os acidentes domésticos são a principal causa de morte em crianças e jovens. Maria Luisa Faleiro "Acidentes domésticos aprenda a preveni-los", CUF; "A seguranca na água", APSI.
21/03/26
Salvar a alma
Perante qualquer possibilidade de existência de conflito, o diálogo deveria ser sempre o método, o caminho a seguir. Que sentido faz iniciar uma guerra se sempre tem que acabar num diálogo mais ou menos consensual que possa estabelecer um compromisso, cessar-fogo, acordo, tratado... entre os que ganham e os que perdem nem que seja supostamente?
Perante novos conflitos ou conflitos já requentados (o histórico, como diria A. Guterres) podemos sempre aprofundar conflitos até ao limite, até à destruição. As guerras são sempre assim, não resolvem nada. E os vencedores de hoje podem vir a ser os perdedores de amanhã. Como se tem visto com o fim dos impérios ao longo da história.
Para gente tão evoluída como a que chegou ao sec. XXI, há nisto pelo menos um erro de metodologia: primeiro devia estar sempre o diálogo e, falhado este, não deveria seguir-se a guerra mas mais diálogo com outros parceiros com outras perspectivas. A escalada não é solução. Ao ódio histórico que justifica tudo, por esta via, juntam-se mais episódios de ódio e o círculo vicioso é interminável: o que acontece é que se continua a achar que primeiro há que andar à pancada, depois não se pode perder a face, congela-se a situação, e depois sobre as ruínas e os mortos, o cessar-fogo e poder (re)construir. E o que se perdeu?
O necessário diálogo com os outros pressupõe o necessário diálogo consigo ou se quisermos com a sua cadeira vazia. O que dirá cada um dos que fazem a guerra à sua cadeira vazia? O que fez cada um deles para chegar até aqui. Como se sente em saber que uma decisão sua vai matar uma ou mil pessoas? O que tem de especial o seu poder para desencadear a guerra e o que pretende com isso? Há alguém que possa ter esse poder? O que dá o direito de liquidar os que pensam de outra forma? A guerra como solução é um absurdo e o conflito devia ser fundamentalmente um problema de comunicação e o diálogo a sua forma de lhe pôr fim.
"Sobre a guerra na Ucrânia, o jornalista Rudiger Kronthaler perguntou ao Santo Padre se considerava que deviam ser fornecidas armas ao país ucraniano, naquilo que pode ser encarado como uma ajuda à autodefesa.
“Esta é uma decisão política, que pode ser moral, moralmente aceite, se for feita de acordo com as condições de moralidade, que são muitas. Mas pode ser imoral se for feita com a intenção de provocar mais guerra, vender armas, ou descartar armas de que já não se precisa. A motivação é a que em grande parte qualifica a moralidade deste acto. Defender-se não é somente lícito, mas também uma expressão de amor à Pátria”, começou por dizer Francisco.
O conceito de “guerra justa” voltou a ser abordado e o Santo Padre fez questão de lembrar outras guerras que se encontram a acontecer um pouco por todo o mundo. Referindo que neste momento nos encontramos numa guerra mundial, Francisco diz que o negócio das armas é “assassino” e que deve sempre tentar-se alcançar a paz.
“Acho que é sempre difícil entender o diálogo com os Estados que iniciaram a guerra, e parece que o primeiro passo foi dado de lá, daquele lado. É difícil, mas não devemos descartar isto, devemos dar a oportunidade de diálogo a todos, a todos! Porque há sempre a possibilidade de que no diálogo se possam mudar as coisas, e também oferecer outro ponto de vista, outro ponto de consideração. Não excluo o diálogo com qualquer potência, seja em guerra, seja o agressor…”, explicou." (Papa Francisco: “Não excluo o diálogo com qualquer potência, seja em guerra, seja o agressor” )
Albert Szent-György a quem se deve a descoberta da vitamina C, e, por isso, foi premiado com o Nobel da medicina, em 1937, escreveu em O macaco louco: "O nosso complexo militar-industrial, que faz perigar o futuro da humanidade, deve muito da sua estabilidade ao facto de tantas pessoas dependerem dele para viver.
O facto é verdadeiro para todos nós, incluindo eu próprio. Quando recebi o Prémio Nobel, a primeira e única grande soma de dinheiro que vi até agora, tive de fazer qualquer coisa com ele. A maneira mais fácil de largar aquela batata quente era investir, comprar ações. Eu sabia que a segunda guerra mundial estava iminente e temia poder vir a desejar a guerra se possuísse ações que subissem no caso de ela deflagrar. Por isso pedi ao meu corretor que comprasse acções cujo valor descesse em caso de guerra. Ele assim fez. Perdi o dinheiro e salvei alma."
Então quem ganha dinheiro com a guerra tem que perguntar qual é para si o valor da vida humana. Quem ganha dinheiro com a guerra tem que se interrogar sobre as suas decisões poderem estar erradas e não ficará na história como um ser empático e de moralidade superior mas como torcionário indiferente ao sofrimento de milhões de pessoas a começar por aquelas que pela sua fragilidade fariam parar qualquer possibilidade de guerra, como são as crianças.
O tempo passa, a guerra prolonga-se e as cadeiras vazias esperam urgentemente que sejam ocupadas por interlocutores que desejem a paz. Há muito para dizer a cada uma das cadeiras. Cada uma delas pode ser o outro, nosso inimigo, nosso aliado, ou eu, inimigo ou aliado de mim próprio.
Por isso, se ainda têm uma, será que vão a tempo de salvar a alma?
09/03/26
Compaixão e altruísmo

13/02/26
Serenidade e esperança: A música como terapia
A música desperta as mais diversas emoções em cada um de nós. Por experiência própria, sabemos que a música muda o nosso estado emocional. Momentos de alegria e de tristeza têm a sua música apropriada. Momentos que vamos vivendo ou recordando ao longo da vida estão muitas vezes associados a determinadas músicas.
A música é fonte das emoções e sentimentos mais positivos como a alegria, gratidão, serenidade, esperança, amor... Ou, pelo contrário, desperta as mais terríveis emoções como n' A Sonata Kreutzer , de L. Tolstói, onde no capítulo 23, explica o "efeito sublime na alma" provocado pela música no despertar do ciúme.
Helena C. Peralta, em "A música (também) faz bem à saúde", Lusíadas, faz referência a Daniel Levitin que "demonstrou que estamos mais musicalmente equipados do que pensamos, pois os nossos cérebros estão naturalmente dotados para a música e esta é, talvez, tão fundamental para a espécie humana como a própria linguagem."
Se não for o Senhor o construtor da casa,será inútil trabalhar na construção.Se não é o Senhor que vigia a cidade,será inútil a sentinela montar guarda.Será inútil levantar cedo e dormir tarde,trabalhando arduamente por alimento.O Senhor concede o sonoàqueles a quem ele ama.Os filhos são herança do Senhor,uma recompensa que ele dá.Como flechas nas mãos do guerreirosão os filhos nascidos na juventude.Como é feliz o homemque tem a sua aljava cheia deles!Não será humilhado quando enfrentarseus inimigos no tribunal. *
"O uso do ritmo siciliano** cria uma atmosfera de repouso quase transcendental, especialmente quando o trecho central, “Cum dederit dilectos suis somnum” ("Quando Ele concede sono aos seus amados"), é repetido de forma meditativa. Essa repetição reforça a ideia de que o verdadeiro descanso é um presente divino, resultado da graça e do cuidado de Deus, e não do esforço humano."
"A obra foi composta por Vivaldi para o Ospedale della Pietà, um orfanato e conservatório em Veneza, o que acrescenta um significado especial. Destinada a jovens em situação de vulnerabilidade, a música traz conforto ao destacar a proteção e a herança divina, como nos versos “Ecce haereditas Domini, filii / Merces, fructus ventris” ("Eis a herança do Senhor, os filhos / Recompensa, fruto do ventre"). A repetição de “fructus ventris” (fruto do ventre) enfatiza a bênção da vida e a esperança para o futuro." (Letras - Nisi dominus, cum denderit)
* Na Vulgata corresponde ao Salmo 126.
** Forma musical barroca de carácter lento, bucólico e melancólico, frequentemente em modo menor.
29/01/26
A paixão pelo poder absoluto
Pur ti miro, pur ti godo / Mas eu te contemplo, mas eu te desfruto
Pur ti stringo, pur t'annodo; / Mas eu te abraço, mas eu te prendo;
Più non peno, più non moro / Não sofro mais, não morro mais
O mia vita, o mio tesoro! / Ó minha vida, ó meu tesouro!
Io son tua, tuo son io / Sou teu, sou teu
Speme mia, dillo, di': /Minha esperança, diga, diga:"
Tu sei pur l'idolo mio" / "Tu és meu ídolo"
Sì, mio ben, sì mio cor / Sim, meu amor, sim, meu coração
Mia vita, sì! / Minha vida, sim!
28/01/26
Chuva ... Chuva... e um regresso nostálgico à infância
Que alterações climáticas? Vai chover menos, vai aquecer mais. De certeza? A Clintel que interessa? Enquanto os espertos vão recolhendo os subsídios e a taxa de carbono e se preparam para o anunciado fracasso de futuras COP, o frio, a chuva vieram este ano como há alguns anos já não soía.
Esta noite, entre as 5 e as 6 horas locais, a força da natureza (a depressão Kristin) manifestou-se aqui furiosa e um pouco por todo o país, como se quisesse dizer quem manda e o que acontece àquilo que lhe faz frente quando não se cumprem as suas regras.
Como em 2018, ou em 2025, a chuva não sai da nossa vida. Até ficarmos atolados e cansados...
A parte boa é que, desde sempre, inspira poetas e compositores.
Klaus Groth (1819 - 1899)
27/01/26
Um hino para o tempo presente
Os pássaros cantam / The birds they sang
No romper do dia /At the break of day
Comece de novo / Start again
Eu ouço eles dizendo / I heard them say
Não se apoie naquilo / Don't dwell on what
Que passou / Has passed away
Ou naquilo que está para vir / Or what is yet to be
Ah, as guerras / Ah the wars they will
A pomba sagrada / The holy dove
Ela será apanhada novamente / She will be caught again
Comprada e vendida / Bought and sold
E comprada de novo / And bought again
A pomba nunca está livre / The dove is never free
Toque os sinos que ainda podem tocar / Ring the bells that still can ring
Esqueça sua oferenda perfeita / Forget your perfect offering
Há uma falha em tudo / There is a crack in everything
É assim que a luz entra / That's how the light gets in
Nós pedimos sinais / We asked for signs
Os sinais foram enviados / The signs were sent
O nascimento traído / The birth betrayed
O casamento gasto / The marriage spent
Sim, a viuvez / Yeah the widowhood
De todo governo / Of every government --
Sinais para todos verem / Signs for all to see
Eu não posso mais correr / I can't run no more
Com essa multidão descontrolada / With that lawless crowd
Enquanto os assassinos em lugares altos / While the killers in high places
Fazem suas orações em voz alta / Say their prayers out loud
Mas eles invocaram, eles invocaram / But they've summoned, they've summoned up
Uma tempestade / A thundercloud
E eles vão ouvir de mim / And they're going to hear from me
Toque os sinos que ainda pode tocar / Ring the bells that still can ring
Você pode acrescentar as partes / You can add up the parts
Mas você não vai encontrar a soma / But you won't have the sum
Você pode iniciar a marcha / You can strike up the march
Não há nenhum tambor / There is no drum
Todo coração, todo coração /Every heart, every heart
Virá para amar / To love will come
Mas como um refugiado / But like a refugee
Toque os sinos que ainda pode tocar / Ring the bells that still can ring
Esqueça sua perfeita oferenda / Forget your perfect offering
Há uma falha, uma falha em tudo / There is a crack, a crack in everything
É assim que a luz entra / That's how the light gets in
Produzido por Rebecca De Mornay & Leonard Cohen. Escrito por Leonard Cohen e lançado em 24 de Novembro de 1992.



