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05/11/26
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Gratidão para quem cuida

30/10/26
"Mitos climáticos" 19 - Não há emergência climática
Encontrar alguém que confronte o pensamento mágico das alterações climáticas e da emergência climática é que é uma coisa de sublinhar. Apesar disso, vai ganhado terreno contra a mensagem unânime da catástrofe climática que estamos quase a poder (ou não poder) controlar. Com a devida vénia transcrevo a opinião de Nuno Lebreiro.
"Temos, portanto, a receita perfeita: má ciência, pensamento mágico, crença dogmática na necessidade de controlo — controlo ao qual políticos, investidores e demais oportunistas não dizem que não." ...
"Infelizmente, esse domínio do Homem sobre a Natureza nunca verdadeiramente ocorreu, salvo no imaginário infantil do Homo Ocidentalis. O mundo sempre permaneceu, tal como ainda permanece, em larga medida estranho, os seus mistérios nunca foram completamente resolvidos, pelo que a realidade, apesar de intuída como “controlada”, permanece como sempre o foi: misteriosa, imprevisível, aparentemente injusta e inexplicável. No entanto, perante a angústia do desconhecido que se revela no imprevisto com que o mundo dança em frente dos nossos olhos, mas insistindo na ilusão de que esse imprevisto deriva do nosso descuido, então a resposta ao imprevisto apenas poderá representar a evidência da necessidade de mais e melhor controlo — abre-se um perigoso e perpétuo ciclo vicioso, portanto.
O caso da “emergência climática” é, aliás, paradigmático a todos os níveis. Desde logo, no linguajar próprio que revela o pensamento mágico de transcendência humana que lhe está na base: o problema atente-se, é o carbono, a molécula que permite a vida, pelo que aquilo que se pretende é não deixar “pegada ambiental”, como se os homens pudessem pairar pelo ar, sem respirar, não “emitindo” carbono, não precisando sequer de comer ou beber, verdadeiros deuses que deixaram para trás as agruras da biologia.
Depois, é paradigmático também pela forma como a crença substituiu qualquer resquício de debate ou conversação racional sobre o tema: afinal há um “consenso”, a “verdade científica” está “estabelecida” e apenas malvados “negacionistas” destoam do unanime veredicto pseudo-científico, ainda que detentores de prémios Nobel ou CV de gabarito indiscutível. Ora, não poderia haver maior indigência mental do que esta generalizada crença: primeiro, a boa ciência é precisamente aquela que se debate, e nunca está definitivamente “estabelecida”; depois, se há um ramo da ciência que empiricamente falhou todas as previsões feitas nos últimos 50 anos foi precisamente o da meteorologia, o que deveria fazer desconfiar o mais alienado dos indivíduos. No fim, tudo se verga ao poder do dogma: desde a fotossíntese até todos os outros ramos da “Ciência”: há que estudar, por exemplo, o impacto das “alterações climáticas” — um bom slogan que substituiu o “aquecimento global” para assim poder incluir o arrefecimento — na política, nas relações de género, no imigração, na saúde mental, etc., etc. (Nuno Lebreiro, "A crença na emergência climática", Observador, 02 jul. 2026)
"Mitos climáticos" 18
Sinopse do livro de Judith A. Curry, Alterações Climáticas ( 2019)
"A Terra vive um período de alterações climáticas e de aquecimento global. Sabemos que o comportamento humano e as emissões de CO2 associadas contribuem para esse aquecimento. Mas tanto as alterações climáticas como a sua solução foram ampla e excessivamente simplificadas. De uma forma precoce, uma hipótese passou a teoria dominante, proibindo outras hipóteses e enviesando a investigação científica. Com clareza e frontalidade, uma cientista opõe-se ao actual consenso, que considera desvirtuar o método científico e ser determinado por razões políticas. São muitas as incertezas relativas às interacções gravitacionais e magnéticas do sistema solar, aos vulcões subaquáticos, às oscilações oceânicas a longo prazo e, por isso, este é um livro que nos alerta para o perigo de agirmos sem conhecimento: não resolveremos as alterações climáticas e podemos provocar uma catástrofe humana, gerando atraso, pobreza e morte. Judith A. Curry é climatologista e está na linha da frente do movimento climático céptico. Há 40 anos que a sua investigação incide em furacões, detecção remota, modelação atmosférica, climas polares e interacção ar-mar."
10/10/26
"A saúde mental é um autocolante"
12/09/26
Memória
A inauguração do monumento em memória dos antigos combatentes nascidos em S. Miguel de Acha foi uma cerimónia profundamente emocionante.
Para além da homenagem, o evento transformou-se numa oportunidade única para proclamar a paz. Como sublinhou o General Chito Rodrigues, Presidente da Liga dos Combatentes: “Depois de se ter estado na guerra, não há ninguém que mais a deteste”.
O monumento honra aqueles que, com o sacrifício da própria vida ou dos seus sonhos e expectativas, deixaram para trás tudo o que tinham de mais precioso para defender a Pátria.
Nesta terra, também houve homens que partiram e famílias que ficaram à espera, como disse num testemunho comovente, Cristina Geraldes, Presidente da Junta de Freguesia de S. Miguel de Acha: “O meu pai só me conheceu quando eu já tinha 18 meses”.
Este acto solene veio fazer justiça à memória dos que ainda estão vivos e daqueles que já partiram, tantas vezes esquecidos pelos poderes públicos.
Parabéns aos organizadores (Município de Idanha-a-Nova e Junta de Freguesia de São Miguel de Acha) por este momento tão nobre, que serve para reparar as feridas, físicas e psicológicas, provocadas por conflitos cujos estragos a humanidade continua a insistir em ignorar.
O monumento fica agora erguido, na paisagem e no tempo, para que a história e o esforço destes homens e das suas famílias nunca caiam no esquecimento.
28/08/26
O vírus da irracionalidade
Quem nunca disse "Não tenho sorte nenhuma" após um dia difícil ou exclamou "Tu nunca ajudas!" numa discussão? Olhamos para estas frases como reacções normais ao stress, mas a psicologia cognitiva diz-nos que são sintomas de um vírus silencioso que com mais ou menos peso todos carregamos: as crenças irracionais (1)
A Terapia Racional Emotiva Comportamental (TREC), desenvolvida pelo psicólogo Albert Ellis ajuda-nos a compreender como estas crenças moldam a nossa vida. O princípio fundamental da TREC refere que não são os acontecimentos da vida que nos perturbam, mas sim a forma como os interpretamos. Ellis organizou esta dinâmica através do Modelo ABC. Imagine que o evento activador (A) é uma negativa num exame. A maioria de nós acredita que a consequência emocional (C), como a raiva ou o desespero, nasce directamente desse azar. No entanto, este modelo demonstra que existe um intermediário crucial: a nossa crença (B). É o filtro mental que aplicamos ao facto que determina se vamos reagir com uma tristeza saudável ou com uma depressão paralisante.
As crenças irracionais são ideias rígidas, absolutas e irreais que distorcem a realidade. Fazem parte da " tirania dos deveres" (Karen Horney) - a tendência neurótica de exigir que o mundo, os outros ou nós próprios sejamos perfeitos. Quando dizemos "Eu devia ter conseguido aquela promoção" ou "As pessoas têm de me aceitar", criamos uma armadilha dogmática. Se a realidade não corresponde ao nosso "deveria", caímos na "catastrofização", transformando um contratempo banal num cenário apocalíptico. (2)
A afirmação "Não tenho sorte nenhuma" é o exemplo desta sabotagem. Sob a perspectiva da TREC, esta frase revela erros lógicos: a generalização, que transforma um evento negativo isolado numa lei universal; o filtro mental, que força o cérebro a focar-se apenas nos azares, ignorando as centenas de vezes em que tudo correu bem; e o “locus” de controlo externo, onde nos demitimos da responsabilidade da nossa vida e nos assumimos como vítimas desamparadas do destino.
A cura para a irracionalidade passa ainda por duas fases do modelo: a Disputa (D) onde confrontamos os nossos pensamentos de forma científica e empírica. Quando a mente ditar um absolutismo, devemos questionar: Que provas reais tenho de que nunca tenho sorte? Pensar assim ajuda-me a resolver o problema ou apenas me paralisa? (3)
O objetivo final da TREC é atingir o Efeito (E) de uma nova filosofia de vida assente na aceitação de que o azar e os imprevistos são apenas probabilidades da experiência humana, não uma conspiração do mundo contra nós e contra tudo o que fazemos. Não podemos controlar o vento e as tempestades, mas controlamos as velas e podemos abrigar-nos melhor. Substituir a rigidez mental por um pensamento flexível — "Isto correu mal e é frustrante, mas eu consigo lidar com isso" — é a única forma de recuperar o nosso controle mental e equilíbrio emocional.
Seria interessante se nas grandes e nas pequenas opções políticas fosse utilizada a metodologia da TREC ajudando a identificar e questionar crenças irracionais que alimentam a polarização, o fanatismo e a angústia gerada pelo debate partidário. Esta abordagem mostraria que não são os acontecimentos políticos que causam raiva ou desespero, mas sim a interpretação rígida que fazemos deles e, portanto, a necessidade de mudar de paradigma.
(1) “O mapa não é o território“ (Xavier Guix, Ni me explico, ni me entiendes - Los laberintos de la comunicación, p. 28-29)
(2) Podemos encontrar na internet listas de crenças para todos os gostos mas o importante é reconhecer que muitas crenças limitam ou fortalecem os nossos comportamentos, causam sofrimento e ou limitam as suas possibilidades. Por exemplo: Katie Sullivan Porter- 55 crenças limitantes que impedem os lideres de alcançar sucesso e realização; As 4 principais crencas que causam sofrimento segundo Albert Ellis; 10 tipos de crenças mais comuns moldam maneira-ser/ ...
(3) Formulário de auto-ajuda TREC
23/07/26
Condicionados
Quando, em 1970, Alvin Toffler escreveu Choque do Futuro alertou para as dificuldades de adaptação às novas tecnologias e aos impactos que causariam nas pessoas. A ideia de um homem modular resultante das interacções parciais que temos é bem evidente nas várias plataformas de redes sociais onde desconhecemos quase tudo acerca de quem está do outro lado.
É este condicionamento que nos deixa ligados ao scroll infinito e à reprodução automática de conteúdos, aos likes, às partilhas, à opinião, à contra-opinião, à pesquisa dos mais variados temas, que reforçam o nosso comportamento e nos tornam mais condicionados.
Uma das piores formas de condicionamento refere-se à indignação moral – “uma emoção poderosa que motiva as pessoas a humilhar e punir aqueles que percebem como transgressores.” (p. 59)
Prisioneiros dos ecrãs, dos indignados e “ofendidinhos” de todos os quadrantes somos o alvo de notícias falsas, burlas, todo o tipo de crenças e descrenças que produzem o seu efeito já que dificilmente há imunização para as doenças da internet.
Pedro Afonso escreve sobre o impacto da internet e das redes sociais na saúde física e mental: perturbações do sono, em particular na adolescência, problemas musculoesqueléticos e perturbações na coluna cervical, efeitos neurológicos, aumenta risco de excesso de peso e obesidade em crianças e adolescentes, redução da actividade física diária...
Existem evidências “que implicam o uso dos smartphones e redes sociais no aumento do sofrimento psicológico, nos comportamentos autolesivos e na ideação suicida entre os jovens.” (p. 41)
No entanto, “existe um relativo consenso na comunidade científica de que as redes sociais têm um potencial de tanto beneficiar quanto prejudicar crianças e adolescentes, justificando-se por isso que seja feito um conjunto de alertas junto da opinião pública” (p. 20).
Para além destas medidas legislativas no domínio da informação são necessárias medidas proibitivas e punitivas e também medidas que visam a formação e a investigação.
A regulação implica a auto-regulação. No entanto, não seria honesto deixar tudo à auto-regulação dado que há muitas pessoas, empresas e instituições que nunca respeitarão qualquer forma de auto-regulação.
“Os pais têm um papel fundamental e crucial na gestão e na redução do tempo de ecrã, promovendo a sensibilização, estabelecendo limites e aplicar mecanismos de controle comportamental.” ((Quase) sempre online, p. 53) “De uma forma geral, é essencial que cuidadores, educadores, e profissionais de saúde compreendam os riscos potenciais do uso excessivo de ecrãs e implementem estratégias que promovam um desenvolvimento saudável das crianças incluindo atividades alternativas que estimulem as competências cognitivas, linguísticas e socioemocionais.” (p. 54)
Apesar do condicionamento que as novas tecnologias arrastam consigo, certamente ninguém estará interessado em regressar ao tempo anterior aos anos 90 em que apareceram os primeiros fornecedores de acesso à Internet. Ou mesmo anterior a a 2007 ano de lançamento do iPhone por Steve Jobs.
24/06/26
Construir
Sabemos como é difícil construir: um projecto, uma casa, um hospital, fazer um curso, dar um concerto, uma pintura, escrever um livro, ganhar o mundial...
Também sabemos como em segundos um mundo caótico, mesmo quando organizado e obediente a chefes autoritários, está à nossa espera e invade a nossa vida social, familiar e pessoal, de que temos mais ou menos consciência, ou somos alertados pelas notícias que alguns chamam percepções, conflitua com a nossa educação, os nossos sentimentos, os valores da paz e os direitos humanos.
É ainda mais estranho que situações socialmente positivas, de vitória, de festa, comemoração, resultem em confronto, vandalismo, manifestações de desordeiros e arruaceiros que vivendo num regime democrático, usam as manifestações para ultrapassarem os limites da liberdade.
Foi o que se verificou, recentemente, com os Incidentes nas celebrações da vitória do PSG que fizeram um morto e 780 detenções ou com os desacatos que se verificaram no final de uma manifestação sindical.
Podemos especular que foi o desenvolvimento com poucos limites, sem latência e pouco superego (Freud), a justificação de tamanha desorientação.
O trabalho educativo, possivelmente, foi descurado pela família e pela escola e, em geral, a socialização foi guiada pela anomia em vez do controle das emoções negativas, a par da desadaptação proveniente da relação excessiva com as tecnologias.
Face à modernidade como reagir? Como refere Alain de Botton precisamos de uma cabana dentro da nossa mente para onde nos retirarmos quando estamos a ser invadidos por valores hostis ao nosso sentimento de equilíbrio e amor-próprio”... “Só nos podemos culpar até certo ponto pelo nosso sofrimento mental. O problema não é que sejamos pessoas frágeis, mas sim que estamos a viver numa época de alta tecnologia que sistematicamente desfaz em pedaços os seus elementos mais sensíveis, na sua obediência ao que um dia irá ser conhecido como etos grosseiramente primitivo e falho em imaginação.” (Uma viagem terapêutica, p. 86,)
“Devemos, por conseguinte, lidar com as emoções destrutivas não apenas por observação mas em termos de transformação interior. À medida que as emoções negativas se introduzem continuamente no espírito, transformam-se em estados de espírito (quadro seguinte) e, eventualmente, em traços de temperamento. Portanto, precisamos de começar a trabalhar com as próprias emoções. (Daniel Goleman, Emoções destrutivas e como dominá-las, p. 100 e 116 )
Estados de espírito destrutivos
Estados de espírito construtivos
Baixa auto-estima
Excesso de confiança
Abrigar emoções negativas
Ciúme e inveja
Falta de compaixão
Incapacidade de ter relações interpessoais próximas
Amor-próprio
Auto-estima (se merecida)
Sentimentos de integridade
Compaixão
Benevolência
Generosidade
Ver o verdadeiro, o bom, o correto
Amor
Amizade
Se saber perder exige saber lidar com emoções negativas, saber ganhar não dá direitos ou vantagens especiais, antes nos mostra a necessidade de a pessoa saber controlar o excesso de confiança e o sentimento de superioridade.
A oportuna encíclica de Leão XIV Magnifica Humanidade propõe duas possibilidades para a humanidade construir o seu futuro: a edificação da Torre de Babel ou o caminho de reconstrução das muralhas de Jerusalém.
Na era da inteligência artificial (IA) é preciso o consenso das nações para dar uma oportunidade à construção do bem. E isso significa construir uma cidade orientada para o bem comum, aceitar os limites da fragilidade humana, construir um mundo onde todos possam “florescer”, usando linguagem evangélica. ( § 7 a 15)
“A grandeza do homem está em construir-se a si mesmo." (Michel Quoist, Construir)
06/06/26
A gratidão na velhice
A gratidão na velhice
Walt Whitman, Folhas de erva



