A gratidão na velhice
Walt Whitman, Folhas de erva
A gratidão na velhice
Walt Whitman, Folhas de erva
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A situação pode ainda complicar-se. Quando são duas ou mais crianças no mesmo estádio de desenvolvimento ou em estádios contíguos, pré-operatório e operações concretas, por ex., podem surgir mais conflitos porque o que um quer o outro também quer, o mais novo a sombra do mais velho, os dois querem sempre ganhar e a brincadeira às vezes termina com choro ou agressão... E nós, sempre temos a desculpa de que são irmãos, não é? Quem tem irmãos sabe que é assim...
Mais difícil ainda quando estão com pais, avós, primos. Em família alargada com autoridade mais diluída a obediência também fica mais fluida: "Tu não mandas em mim", "tu não és meu pai", "o pai ainda não disse", "oh mãe, a avó disse...", "deixa-me em paz", "pára, pára"...
Mas, na realidade, o mais difícil é gerir a tralha electrónica: tv e o respectivo comando, telemóvel, tablet ou iPad. Séries infindáveis como Os Mistérios dos bichos, Spidy, Barbapapa, Rubble e companhia... no canal panda, disney junior, nickjr, etc... É deveras difícil mas tem que ser levado em conta para não passarem manhãs e tardes inteiras de passividade motora. Há que esperar o protesto dos mais novos que sempre querem mais e as regras ainda não importam...
Os adultos são responsáveis por gerir a situação relacional e educativa. Um adulto deve conseguir resolver estas crises com segurança, controlo emocional, compreensão de que se fossemos nós teríamos as mesmas atitudes e comportamentos. São de facto crianças muito pequenas para perceberem a necessidade de mudança de actividade e de passar para as tarefas das rotinas diárias: almoçar, jantar, sair...
Os adultos têm também que perceber quando se trata de desorganização ou de acumulação pura e simples de objectos sem função lúdica. Neste caso o problema é querer sempre mais tralha o que leva à dispersão e à dificuldade em se concentrar ou focar numa determinada actividade dificultando a conclusão de qualquer trabalho.
Por estes longos dias de férias podemos ver como a liberdade de escolher actividades, brinquedos, brincadeiras, nos revela as muitas capacidades que as crianças têm para interagir, para desenvolver a criatividade, para inventar jogos, actividades, às vezes a partir de qualquer coisa aparentemente insignificante que lhes desperte a atenção.
É uma boa estratégia a

- Podemos passear na quinta e ter a sensação da terra acabada de lavrar. Que bom que é caminhar na terra como se se estivesse na lua! Afinal podemos ir à lua e andar suavemente quase sem sentir o chão debaixo dos pés.
E fazer corridas até ao fim da leira como se fosse uma pista de atletismo. É mais suave do que na praia ... Pouco importa se, no fim, é pó por todo o lado, da cabeça até aos pés.
- Podemos construir uma casa. Não importa se para isso é preciso desfazer as camas, mudar de sítio as almofadas, lençóis...
- À noite podem surgir ideias interessantes como fazer uma representação, um espectáculo de bateria com tachos e panelas, mesmo que o público seja apenas os dois avós mas é como se estivesse a sala cheia.
- Podemos organizar a "A feira das pipocas" com um stand para venda com os respectivos preços.
Moral da história: A actividade, brincar, é fundamental para o desenvolvimento harmonioso das crianças. A prevenção, necessariamente, deve ter em conta os riscos decorrentes dessa actividade. Ou seja, a actividade da criança tem inúmeras vantagens para o seu desenvolvimento mesmo face a alguns riscos calculados que dela possam advir. No caminho para a autonomia tudo envolve algum nível de risco. É por isso que a supervisão do adulto deve ser permanente. Isso também significa que podem ser feitas actividades que envolvem algum risco. Por isso a prevenção é a melhor protecção. (4)
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(1) Ilustrações de M. 9:4, Atelier "Verão por um fio", Museu Cargaleiro.
(3) Finalmente, o governo "arriscou" regular a utilização de telemóveis no espaço escolar para o 1º e 2º ciclos (DL n.º 95/2025, de 14 de agosto); Como combater dependência do telemóvel, CUF.
(4) Temos de ter a consciência de que os acidentes domésticos são a principal causa de morte em crianças e jovens. Maria Luisa Faleiro "Acidentes domésticos aprenda a preveni-los", CUF; "A seguranca na água", APSI.
A música desperta as mais diversas emoções em cada um de nós. Por experiência própria, sabemos que a música muda o nosso estado emocional. Momentos de alegria e de tristeza têm a sua música apropriada. Momentos que vamos vivendo ou recordando ao longo da vida estão muitas vezes associados a determinadas músicas.
A música é fonte das emoções e sentimentos mais positivos como a alegria, gratidão, serenidade, esperança, amor... Ou, pelo contrário, desperta as mais terríveis emoções como n' A Sonata Kreutzer , de L. Tolstói, onde no capítulo 23, explica o "efeito sublime na alma" provocado pela música no despertar do ciúme.
Helena C. Peralta, em "A música (também) faz bem à saúde", Lusíadas, faz referência a Daniel Levitin que "demonstrou que estamos mais musicalmente equipados do que pensamos, pois os nossos cérebros estão naturalmente dotados para a música e esta é, talvez, tão fundamental para a espécie humana como a própria linguagem."
Se não for o Senhor o construtor da casa,será inútil trabalhar na construção.Se não é o Senhor que vigia a cidade,será inútil a sentinela montar guarda.Será inútil levantar cedo e dormir tarde,trabalhando arduamente por alimento.O Senhor concede o sonoàqueles a quem ele ama.Os filhos são herança do Senhor,uma recompensa que ele dá.Como flechas nas mãos do guerreirosão os filhos nascidos na juventude.Como é feliz o homemque tem a sua aljava cheia deles!Não será humilhado quando enfrentarseus inimigos no tribunal. *
"O uso do ritmo siciliano** cria uma atmosfera de repouso quase transcendental, especialmente quando o trecho central, “Cum dederit dilectos suis somnum” ("Quando Ele concede sono aos seus amados"), é repetido de forma meditativa. Essa repetição reforça a ideia de que o verdadeiro descanso é um presente divino, resultado da graça e do cuidado de Deus, e não do esforço humano."
"A obra foi composta por Vivaldi para o Ospedale della Pietà, um orfanato e conservatório em Veneza, o que acrescenta um significado especial. Destinada a jovens em situação de vulnerabilidade, a música traz conforto ao destacar a proteção e a herança divina, como nos versos “Ecce haereditas Domini, filii / Merces, fructus ventris” ("Eis a herança do Senhor, os filhos / Recompensa, fruto do ventre"). A repetição de “fructus ventris” (fruto do ventre) enfatiza a bênção da vida e a esperança para o futuro." (Letras - Nisi dominus, cum denderit)
Que alterações climáticas? Vai chover menos, vai aquecer mais. De certeza? A Clintel que interessa? Enquanto os espertos vão recolhendo os subsídios e a taxa de carbono e se preparam para o anunciado fracasso de futuras COP, o frio, a chuva vieram este ano como há alguns anos já não soía.
Esta noite, entre as 5 e as 6 horas locais, a força da natureza (a depressão Kristin) manifestou-se aqui furiosa e um pouco por todo o país, como se quisesse dizer quem manda e o que acontece àquilo que lhe faz frente quando não se cumprem as suas regras.
Como em 2018, ou em 2025, a chuva não sai da nossa vida. Até ficarmos atolados e cansados...
A parte boa é que, desde sempre, inspira poetas e compositores.
Le jardin du Luxembourg - Joe Dassin
A percepção é um “processo psicológico complexo através do qual o indivíduo tem consciência das suas impressões sensoriais e adquire conhecimento da realidade. É um mecanismo de aquisição da informação através da integração estruturada de dados que procedem dos sentidos; em virtude dessa integração, o indivíduo capta os objectos.”... (Enciclopédia da Psicologia, 4, Oceano, p.149)
De acordo com Maslow, o ser humano para sobreviver precisa que as suas necessidades básicas estejam asseguradas. A necessidade de segurança (segurança física, estabilidade emocional e proteção contra ameaças), faz também parte dessas necessidades essenciais.
As percepções de segurança ou insegurança dependem das experiências pessoais passadas, de variáveis contextuais diversas e das próprias estatísticas... E, assim, podem dar relevo à forma como reagimos às diversas situações da nossa vida.
De certeza que todos queremos viver numa sociedade segura, numa cidade segura. Ninguém quer ver a sua vida em risco ou perigo, ninguém quer ser ferido, ninguém quer ser roubado. Queremos ir para o trabalho, voltar para casa, queremos que os nossos filhos estejam seguros na escola e fora dela, queremos passear, simplesmente, sem que ninguém nos aborreça ou usarmos a internet de forma segura.
Mas também "vemos ouvimos e lemos, não podemos ignorar", Basta haver um caso, passado na nossa rua, ou mesmo longe da nossa casa, ou que veio no jornal, na televisão, para sentirmos medo e ansiedade cada vez que saímos à rua.
Como diz Daniel Pennac, (Mágoas da Escola, p.11), "estatisticamente tudo se explica, pessoalmente tudo se complica".
O ex-ministro Pedro Duarte viu o seu carro assaltado. Essa experiência é determinante para a sua visão da realidade. Diz “não acreditar nas estatísticas oficiais de criminalidade no país, uma vez que o episódio que viveu, tal como "muitos outros" semelhantes ficam por reportar: As pessoas hoje em dia, em determinadas zonas da cidade, não se dão sequer ao trabalho de chamar a polícia, porque sabem que nada vai acontecer. Conheço dezenas de casos, o que torna os relatórios oficiais completamente enganadores. Portanto, quando dizem que as estatísticas mostram que o Porto não tem um problema de segurança, naturalmente que eu não posso levar a sério.” (CNN, 8-9-2025 )
As percepções são fundamentais na interpretação de todo o contexto ambiental e, nessa medida, são fundamentais na compreensão de sistemas e subsistemas em que estamos envolvidos, sejam cognitivos, emocionais ou sociais. *
Mesmo sabendo que as percepções são alteradas pelo medo e a ansiedade, pelas motivações e expectativas...
Mesmo sabendo que as emoções, a paixão e o amor alteram as nossas percepções. Como na canção de Miguel Araújo “Será amor?" "Que será que me deu?", "...até o cheiro a gasolina emana um aroma de rosas no ar."
Mas nada seríamos sem as percepões. Estaríamos permanentemente em risco e perigo, não saberíamos que fazer, nem como fazer.
A estatística é necessária para interpretar a realidade mas não é a realidade.
Os negacionistas da importância da percepção de segurança mudam de opinião no hora em que são confrontados com a insegurança.
E devíamos estar gratos a quem arrisca a vida para podermos ter sossego.
Por isso, as percepções sobre a segurança importam.
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*Perceção de criminalidade e insegurança, Barómetro APAV.
A metodologia UDL (Desenho universal de aprendizagem) de David Rose trouxe uma perspectiva global da inclusão nos diversos níveis de intervenção da sociedade: na educação, nos transportes, na arquitectura, nas empresas... (1)
Obviamente, a inclusão nunca está concluída. Apesar dos sucessos que foram conseguidos muito continua por fazer em muitos sectores. Basta ver o que se passa na questão das acessibilidades nos transportes e nos equipamentos colectivos... deparamos com barreias arquitectónicas mesmo em edifícios recentes, ruas recentes, equipamentos acabados de construir...
Mas o pior foi a deriva relativamente a este tema. Passou-se daquilo que era a inclusão para todos, sem preferências por ninguém, para a exclusão brutal de outros considerados privilegiados.
A inclusão passou a instrumento de ideologias totalitárias como a chamada linguagem neutra, inclusiva e não binária.
De forma dissimulada, quase sem darmos por isso, começamos a achar que quando alguém escreve palavras com @ está tudo bem, até é engraçado. Claro que nem sequer conseguimos ler mas isso que importa? (2)
Porém, de forma mais acintosa, em instituições como universidades, passou a haver maneiras politicamente correctas de estar e falar.
Foram criados manuais, normas e leis absurdas.
E a seguir vieram as ameaças e as perseguições àqueles que não fossem por aí.
Os "ofendidinhos" despontaram por todo o lado. Tudo passou a ser inclusivo: arte inclusiva, cultura inclusiva, linguagem inclusiva... Ou seja, a negação da arte e da cultura e da própria linguagem que se torna incompreensiva. (3)
A consequência deste totalitarismo foi, para quem não aceitou esta visão, passar a ser excluído e até perseguido.
O psicólogo J. Peterson fala sobre a natureza corrupta de sigla DEI (Diversidade, Equidade, Inclusão) e dá testemunho de como não só professores universitários mas os seus alunos são prejudicados nas suas carreiras e empregos por pensarem de forma diferente das politicamente correctas e wokistas. (4)
Mas...
Apesar dos maus tratos que a inclusão tem sofrido, é absolutamente necessário voltar à inclusão em que todos os cidadãos devem ser tratados sem preferências ou vitimizações.
É necessário voltar à inclusão sem as amarras da DEI, e sem a absurda linguagem dita inclusiva, neutra ou não binária, para que todos se sintam integrados na escola e na sociedade.
E mais, lutar contra a inclusão que exclui é uma tarefa de qualquer cidadão livre e democrata. (5)
Até para a semana.
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Os anjos vão dormir...Os anjos vão dormir: a noite caimas libertam os astros para desvendaremo que apaixona os homens sobre a terra,que gritos soltam estes, como fazem guerrase criam desencontros de hora a horae se atropelam sem real razão.Pena que a escuridão seja tão longa,que o reinado de estrelas não dissipeo negro tenebroso da maldade:o breu a consumir cabal alívioou confiança no florescimento.Como saber se os anjos quand' auroravirão, calmos de sono, despertar-nos ?
António Salvado, Repor a luz