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07/03/19

A condição masculina


1. A nível governamental, a preocupação com a situação das mulheres iniciou-se, de forma embrionária, em 1970. Com o 25 de Abril de 1974, Maria de Lourdes Pintasilgo, quando Ministra dos Assuntos Sociais, criou a Comissão da Condição Feminina (CCF),
Em 1990, passou a designar-se CIDM (Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres) e em 2007, passou a CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género.(1)
Desde a sua criação, muitos anos passaram, muitos estudos, projectos e decisões importantes para as mulheres foram tomadas, que também o foram para os homens, porém, faz falta ter em conta, principalmente nos dias de hoje, uma visão diferente da condição masculina, o que seria importante também para as mulheres.
Há sem dúvida um conjunto de especificidades que atrapalham a vida dos homens e que os tornam nas primeiras vítimas dos seus comportamentos, da sua cultura, da sua vida social.

2. Isto não pode justificar qualquer insensibilidade à discriminação e desvantagem das mulheres em relação aos homens, principalmente no que toca à violência. Doméstica ou não. (2) .

3. No entanto, se queremos mudar alguma coisa é também necessário reflectir sobre alguns factos que mostram desvantagens dos homens, expressas nas várias áreas da sociedade.
Resultado de vicissitudes biológicas, culturais e sociais manifestam-se em comportamentos evidenciados pelas estatísticas no que se pode designar como "masculinidade tóxica”:
"Nos Estados Unidos das 45.000 pessoas que se suicidam, 77% são homens . A OMS refere que mais de metade das mortes violentas nos homens corresponde a suicídios. Num estudo da ONG Promundo “numa amostragem com 1500 jovens concluiu-se que quase um em cada cinco tinha já considerado o suicídio para os seus problemas. E os mais sujeitos a este tipo de pensamento eram aqueles para os quais ser homem significa mostrar-se forte, não falar sobre os seus problemas, não exprimir as suas emoções.” (3)

4. Entre nós, por exemplo, devido à sua biologia, psicologia ou cultura, podemos elencar alguns dados preocupantes em que os homens são as principais vítimas dos seus comportamentos: (4)
- O número de presos corresponde a 93% de homens
- No consumo de álcool “os homens permanecem sendo os maiores consumidores".
- O género masculino tende a ser o mais afectado pelo consumo de drogas.
- O número de casos atendidos nas Comissões de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) é superior no sexo masculino.
- Mais de metade (62%) dos alunos com NEE são rapazes.
- De 60 a 80% dos diagnósticos de dislexia são do sexo masculino.
- O diagnóstico de perturbação de hiperactividade com défice de atenção (PHDA) é mais frequente no sexo masculino, com uma relação de 2:1.
- O abandono escolar precoce é superior nos rapazes 14, 7 % em relação a 8,7 nas raparigas.
- O número de homens matriculados no acesso ao ensino superior, em 2018, é de menos 28283.
- O número de diplomados pelo ensino superior, em 2017, é 32422 rapazes contra 44.612 raparigas.
- Os rapazes manifestam mais agressividade do que as raparigas. Daniel Goleman (Inteligência Emocional) refere que a tendência para o crime manifesta-se cedo nestas crianças (pág. 258); "a impulsividade em garotos de 10 anos constitui um previsor da futura delinquência três vezes mais certeiro do que o QI." (pag 259)

5. Também o psicanalista franco-canadiano Guy Corneau, em “Filhos do silêncio” explica estes comportamentos do seguinte modo: "o pai está sujeito a uma regra de silêncio". Mostra a dificuldade das conversações íntimas entre os homens de diferentes gerações…
Os pais têm dificuldade e resistem a dar reconhecimento e aprovação aos filhos.
A intervenção do pai junto dos filhos parece assim ser um ponto fulcral de desvantagem para os homens a quem se nega a oportunidade de expressar os seus afectos pelos filhos ao mesmo tempo que estes se vêem privados dele. (O Livro da Psicologia, Marcador)

6. É tempo de mudar de paradigma. Podemos começar por esta sugestão de Jordan Peterson
_______________________
(1) Nos últimos anos, esta área da governação não tem sido pacífica quer a nível  das nomeações dos dirigentes para a Secretaria de Estado da Cidadania e Igualdade quer de algumas  intervenções que esta Comissão tem feito sobre a igualdade de género que passou a ser vista como ideologia de género.
Dar luta à ideologia de género é tarefa de qualquer democrata. 
O caminho parece ser o que é expresso pela presidente da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, Teresa Fragoso, quando reconhece que “ainda há um longo caminho a percorrer para que as mulheres tenham as mesmas oportunidades que os homens” mas que “os homens também são altamente prejudicados pela forma como a sociedade está organizada”. (Negócios)

(2) Das 9.176 vítimas registadas pela APAV em 2017, mais de 80% eram do sexo feminino.

(3) Mário Freire, "Pais em tempos de crises - Masculinidade tóxica", Reconquista, 14/02/2019, dados baseados na revista digital Slate, OMS, ONG Promundo e do seu fundador Gary Baker.
 
(4) - Em 2017, havia 13440 presos, 12584 homens, 856 mulheres, o que corresponde a 93% de homens. (Pordata)
- No consumo de álcool “os homens permanecem sendo os maiores consumidores. Impulsividade e comportamento de risco para a saúde têm estreita relação, havendo na população masculina maior prevalência de comportamentos considerados impulsivo-agressivos.”
- “O género masculino tende a ser o mais afectado pelo consumo de drogas, embora o género feminino, depois da iniciação, tenha um percurso mais rápido e degradante.”
- O número de casos atendidos nas Comissões de Protecção das Crianças e Jovens (CPCJ), em 2017, é superior no sexo masculino.54,5% (38155) são do sexo masculino e 45,5% (31812) do sexo feminino.
- O número de alunos com NEE segundo a DGEEC ,” mais de metade dos alunos com NEE são rapazes: das cerca de 79 mil crianças registadas, 49 mil são do sexo masculino.
- Quanto ao problema da dislexia, de 60 a 80% dos diagnósticos são do sexo masculino, porém isso acontece porque os casos entre o sexo masculino costumam ser mais graves e associados a um maior número de comorbidades que entre o sexo feminino. Em estudos onde todos alunos de uma instituição de ensino são avaliados, a diferença de géneros é significativamente menor.
- O diagnóstico de perturbação de hiperacvidade com défice de atenção (PHDA) é mais frequente no sexo masculino, com uma relação de 2:1, ou seja, por cada rapariga que é diagnosticada com PHDA, são diagnosticados dois rapazes. No período da adolescência esta discrepância é atenuada.
- O abandono escolar precoce é superior nos rapazes, em 2018, 14,7 % em relação a 8,7 % nas raparigas, total 11,8 %. (Pordata)
- O número de homens matriculados no acesso ao ensino superior, em 2018, total 372753, 172.235 homens contra 200518 mulheres. (Pordata)
- O número de diplomados pelo ensino superior, em 2017, total 77034, 32422 homens, contra 44612 mulheres. (Pordata)

12/02/19

Lembranças e esquecimentos


ZAZ - Si jamais j'oublie


Se eu me esquecer

Lembra-me o dia e o ano
Lembra-me do tempo que fazia
E se eu o esqueci
tu podes fazer-me reagir
E se eu quiser ir embora
Fecha-me e deita a chave fora
Com doses de estímulos
Diz como eu me chamo
Se um dia eu esquecer as noites que passei
As guitarras e as vozes
Lembra-me quem eu sou
Porque eu estou viva
Se um dia eu me esquecer de como escapar
Se um dia eu fugir
Lembra-me quem eu sou
O que eu prometia a mim mesmo
Lembra-me de meus sonhos mais loucos
Lembra-me das lágrimas no meu rosto
E se eu esquecer do quanto eu amava cantar
Lembra-me quem eu sou
Porque eu estou viva
Lembra-me do dia e do ano…


A memória pode definir-se como a capacidade de armazenar, processar e recuperar informação que provém de todo o ambiente que nos rodeia captada pelas nossas capacidades sensoriais.
Tanto as lembranças ou recordações como os esquecimentos ou amnésias estão presentes na nossa vida. Todos nós já alguma vez percebemos que nos esquecemos de alguma coisa, como não nos lembrarmos onde deixamos as chaves de casa ou termos o nome de uma pessoa "mesmo debaixo da língua", ou como respondem os alunos, quando são interrogados pelos professores mesmo quando estudaram: "sei mas não me lembro".
Também é engraçado quando nos acontece que nos lembramos de que nos esquecemos de dar um recado, ou de dar os parabéns a alguém.
Os "lapsos de memória" acontecem com frequência e não me refiro àqueles falsos lapsos de memória que acontecem muitas vezes nos tribunais e nas comissões de inquérito parlamentar...

A idade tem influência na frequência dos esquecimentos ou vai tornando mais difícil as lembranças, embora esta dificuldade possa também afectar  os mais jovens.
Muitos de nós têm a ideia de que se lembram de tudo o que ouvem ou fixam tudo o que vêem. No entanto, na realização de um teste psicológico de memória visual, como acontece no teste da Figura Complexa de Rey, acabam por verificar que afinal se esqueceram de muitas coisas, acrescentaram ou modificaram outras.
De facto, o processo de memorização envolve a complexidade do sistema nervoso, por um lado, e, por outro, a complexidade psicológica de todo o processo de aprendizagem, condicionamento operante, do tipo de tarefa e motivação e das emoções que acompanham a realidade da nossa vida.

Mesmo que não se atinjam situações tão graves como em algumas doenças em que se perde a própria identidade, à medida que envelhecemos os esquecimentos tornam-se uma realidade mais frequente. Cerca de 40% das pessoas com idade acima de 65 anos têm algum tipo de problema de memória, e a prevalência aumenta rapidamente com o aumento da idade.
Segundo um relatório da OCDE de 2017, em Portugal, 20 em cada mil habitantes sofrem de demência.  Um valor acima da média da OCDE que está nos 15 casos por mil habitantes (Relatório Health at a Glance, 2017), “A prevalência da demência, cuja forma mais comum é a doença de Alzheimer, é um indicador para monitorizar a saúde da população idosa, acrescentando que o envelhecimento da população tornará a demência mais comum. E os países “com um envelhecimento mais rápido verão esta prevalência mais do que duplicar nos próximos 20 anos”. (Ana Maia, Público, 10/11/2017)

Há uma canção de Zaz -“Se eu me esquecer” - que expressa bem este esquecimento, a necessidade de compreensão e apoio.


24/01/19

Etarismo


Como contraponto à inclusão que é o processo de vida desejável de qualquer sociedade, coloca-se  o problema das muitas formas de discriminação.
Talvez uma das mais actuais e violentas formas de discriminação embora sem se lhe dar essa devida conotação  seja o etarismo.
Por etarismo entende-se a discriminação etária, discriminação geracional. É um tipo de discriminação contra pessoas ou grupos baseado na idade.(1)
"Quando este preconceito é a motivação principal por trás dos atos de discriminação contra aquela pessoa ou grupo, então tais atos constituem-se discriminação por idade". O etarismo embora possa existir em relação a todos os grupos etários, é, sem dúvida em relação aos idosos que assume uma maior expressão. Os idosos  são rotulados de lentos, fracos, dependentes e senis.(Wikipedia)
Pode haver muitas formulações: “é  velhinho, coitadinho”,  não incentivar os netos a beijar os avós;  maus tratos e abandono; os velhos vistos como peste grisalha e ameaça das futuras gerações; a proibição do acesso dos “cotas” a determinados eventos…

Um estudo da Organização Mundial de Saúde que envolveu 53 países coloca Portugal no grupo dos cinco piores no tratamento aos mais velhos, com 39% dos idosos vítimas de violência. (2)

O Presidente da República, Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, tem vindo a interessar-se pelo estatuto dos cuidadores informais e na Assembleia da República discutiu-se a criminalização da violência contra os idosos.
Como sabemos, as propostas dos deputados do CDS-PP e do PAN para criminalizar o abandono de idosos nos hospitais e unidades de saúde foram rejeitadas  no Parlamento. (3)
Também penso que o problema é mais social do que criminal. ("Quem cuida dos idosos?", Felisbela Lopes, JN, 9/2/2018). Mas todos sabemos que o país está envelhecido e torna-se mais urgente não fechar os olhos às necessidades destas pessoas e criar respostas adequadas.

Não deixa de se ser hipócrita quando se criminaliza o abandono e a violência sobre animais domésticos e continuamos a ignorar o que se passa com os idosos. O excesso de sensibilidade vai a questões como não se dever cantar “atirei o pau ao gato” mas podemos humilhar um idoso.

Mesmo quem não lê a Bíblia,  não deixará de concordar com as palavras sábias de uma  das leituras da liturgia recente do  Livro Ben-Sirá (I Sir 3):
"Deus quis honrar os pais nos filhos e firmou sobre eles a autoridade da mãe. Quem honra seu pai obtém o perdão dos pecados e acumula um tesouro quem honra sua mãe. Quem honra o pai encontrará alegria nos seus filhos e será atendido na sua oração. Quem honra seu pai terá longa vida, e quem lhe obedece será o conforto de sua mãe. Filho, ampara a velhice do teu pai e não o desgostes durante a sua vida. Se a sua mente enfraquece, sê indulgente para com ele e não o desprezes, tu que estás no vigor da vida, porque a tua caridade para com teu pai nunca será esquecida e converter-se-á em desconto dos teus pecados."

Estou convicto de que a criação de Comissões de Promoção e Protecção da pessoa idosa  e do estatuto do cuidador informal podia ajudar  a melhorar este estado de coisas. No entanto ainda não passou de  projecto.
Felizmente que em alguns municípios começa a ser criadas estas comissões e, por outro lado, como em Castelo Branco, a sociedade civil começa a organizar-se no sentido da coordenação das estruturas de apoio a pessoas idosas (Reconquista, 29/11/2018) como é o caso da "Rede integrada de apoio à pessoa idosa, em Castelo Branco, ou da “Unidade de Apoio ao Cuidador Informal” (UACI). Os cuidadores informais zelam pelos próprios dependentes contribuindo "para que renunciem ao abandono , mau trato, falta de cuidado e até violência para com os idosos e/ou incapacitados evitando desta forma internamentos hospitalares recorrentes ou a falta de assistência em fim de vida pela família", como referem as criadoras da associação. (Reconquista, 3/1/2019)

 ______________________

(1) "O termo etarismo - É uma tradução do vocábulo “ageism”, cunhado pelo médico gerontologista Robert Neil Butler em 1969, surge para descrever as formas de intolerância dirigidas a grupos etários. Outras versões menos frequentes são os termos “idadismo” (Lima, 2010); “etaísmo” (Koch Fho, et al., 2010), e “edaísmo” (de Santa Rosa, 2008). A primeira definição do conceito compreendia o preconceito somente contra as pessoas com mais idade, descrevendo-o como “um processo de estereotipação sistemática e discriminação contra pessoas por elas serem velhas” (Butler, 1969 citado em Macnicol, 2006, p. 7). Definições mais amplas, como em Palmore (1999, p. 4), passam a considerar também os jovens como alvos de estereótipos e discriminação: “[...] qualquer prejuízo ou discriminação contra ou a favor de uma faixa etária”. ("Etarismo nas organizações", Nereida da Silveira

(2)"Estamos no topo da Europa como o país que menos investimento tem para os idosos. É um estudo que está publicado e ao qual não podemos ficar alheios, para desempenharmos a nossa função de defesa de direitos humanos, de defesa dos direitos dos idosos e de defesa da cidadania", Antonieta Dias, médica e vice-presidente da Comissão de Protecção ao Idoso.

(3) Além do abandono de idosos, o CDS-PP queria criminalizar a rejeição ou condicionamento da entrada de um idoso numa instituição de acolhimento quando ele se recusasse a doar o seu património ou a pagar valores superiores à mensalidade estipulada. Também previa o agravamento das penas dos crimes de difamação, injúria e burla quando a pessoa for indefesa em função da idade.



29/09/18

Momentos

Há momentos da nossa vida em que precisamos dos outros de uma forma mais intensa, mais empenhada e mais solidária.
Nestes momentos é reconfortante poder ter a esperança de que os enormes progressos científicos e técnicos adquiridos na área da saúde, física e mental, melhorem a nossa qualidade de vida, reduzindo a dor e sofrimento.
É animador poder ter confiança nas qualidades científicas, técnicas e humanas dos profissionais de saúde, médicos, enfermeiros, nas mãos de quem fazemos depender a nossa vida e do pessoal auxiliar que nos ajuda a ultrapassar as nossas limitações resultantes de fragilidades e dependências nas coisas mais básicas do dia a dia.

Nestes momentos entendemos melhor que a inclusão é um processo em que todos estão envolvidos  e de que todos irão precisar em algum momento da vida.

É muito bom poder ler e pensar com Séneca, Marco Aurélio, Epicteto, a filosofia... Nestes momentos mais difíceis, servem-me de lenitivo e refúgio com mais frequência  do que habitualmente.
Ou contar com a ajuda de estratégias como a meditação e oração, neste caso nas formas de obsecração e súplica, como é vista por João Cassiano e por John Main.
É fortalecedor contar com a psicologia positiva, proposta por Seligman, e procurar o bem-estar, conhecendo os pontos fortes da nossa personalidade, e a importância do optimismo como elemento fundamental da recuperação.

Por fim, talvez o mais importante, poder contar com o apoio da família onde, nestes momentos, os vínculos se manifestam com toda a sua força, e com o apoio de verdadeiros amigos que nos confirmam deste modo como gostam de nós.
É esta, verdadeiramente, a melhor sorte que podia ter.

(29 de Setembro - Dia mundial do coração)


31/07/18

Brincar, brinquedos e felicidade


Brincar é fundamental para o desenvolvimento da criança nas diversas áreas da personalidade.
Noutra ocasião, dissemos que brincar, jogar, era uma actividade relacional, factor essencial ao desenvolvimento da personalidade.
Também dissemos que "jogo é o caminho para a conquista da autonomia da criança; "jogo é o écran do quotidiano, ou como entendia Anna Freud, jogo é o contributo para a realização de frustrações, de complexos, de insuficiências, de dificuldades de aprendizagem, de dificuldades relacionais, de reacções regressivas, de tendências agressivas e anti-sociais"

Quando era criança, os brinquedos eram escassos, e tinham que ser fabricados por nós próprios, pelos companheiros, pelos pais e havia brinquedos que todos podíamos ter: bola, bilharda, berlinde, pião... O Bonanza marcava pontos na TV e, na escola, jogávamos à bola ou aos cowboys... Os companheiros de jogo eram quase sempre os que viviam na mesma rua ou nas ruas próximas. A TV, a do café, da Casa do Povo ou do salão da paróquia...
Daqui
Quando, um dia me ofereceram um Borgward Isabella, lembro-me de ter ficado muito feliz…

Hoje não há semelhança com a diversidade de brinquedos, comprados, a imensa variedade de bonecos, de colecções, de jogos electrónicos, de DVD ou com as histórias fantásticas das séries da Netflix, embora, à mistura, haja muita treta de pedagogia duvidosa... e podemos não conhecer os companheiros de jogo.
Brincar, nem antigamente é que era bom pela escassez que aguçava o engenho, nem o é actualmente pela abundância em que pode tornar-se menos activo. Tanto num caso como no outro qualquer brinquedo pode estimular a criatividade, o desenvolvimento psicomotor, a imaginação, os sentidos, o pensamento, a inteligência, as emoções.
Na minha infância, brincar deixava-nos felizes, tal como vemos acontecer com as crianças deste tempo, o mesmo sentimento de felicidade.

Mas, na realidade o que fazia e faz mesmo felizes as crianças? Brincar é relação com o outro mas com os pais, em primeiro lugar.
Fico apreensivo quando, num inquérito de 2016, se fica a saber que os pais inventam desculpas para não brincarem com os filhos, devido ao trabalho. O estudo conclui que 74% dos pais portugueses acham difícil dizer aos filhos que não têm tempo para brincar com eles. (1)
Daqui

Noutro estudo, (Katya Delimbeuf, texto, Carlos Esteves, infografia) as respostas parecem apontar para aquilo que, de tão óbvio, se tende a esquecer: é no tempo passado com a família e nos momentos de brincadeira que as crianças encontram a felicidade.
No estudo, mais de metade dos pais (51,89%) acredita que a origem da felicidade dos filhos está no tempo passado com os pais e familiares, e 34,56% no tempo de brincadeira.
"O afecto ocupa um lugar-chave na felicidade dos mais novos: 33% defendem que é quando os filhos se sentem "ouvidos e queridos" que são mais felizes. Na mesma linha, 14% defendem que é fundamental reforçar a autoestima das crianças "elogiando-as e incentivando-as quando fazem algo bem."

Em 2013, um relatório da UNICEF  que servia para medir a felicidade e o bem-estar em 29 países, incluindo Portugal, concluía que as crianças mais felizes eram as holandesas. Porquê? "Primeiro, os bebés holandeses dormem mais horas; as crianças trazem poucos ou nenhuns trabalhos de casa na escola primária; a liberdade é incentivada desde cedo, podendo os miúdos ir sozinhos de bicicleta para a escola, ou brincar na rua sem supervisão; fazem refeições em família regularmente; passam mais tempo com os pais que nos outros países europeus; não têm uma cultura materialista — brincam com objetos em segunda mão; e, numa nota curiosa, comem cereais de chocolate ao pequeno-almoço."(2)
Neste estudo, Portugal encontrava-se a meio da tabela, no 15º lugar entre 29. Mas nem todas as razões das crianças holandesas parecem adequadas às nossas crianças, felizmente, como, p. ex., ir sozinho de bicicleta para a escola...

Enfim, o melhor presente que os pais podem oferecer aos filhos é estarem presentes, como aqui já dissemos, e brincar com eles é igualmente crucial. Como refere Mário Cordeiro "Os pais são, ainda, o brinquedo favorito do bebé" (O grande livro do bebé - O primeiro ano de vida, pg. 302. (3)

Nas férias não pode haver a desculpa do trabalho. Se houver essa tentação, desligue-se (4) do trabalho e brinque com os seus filhos que, pelos vistos, é a melhor maneira de eles serem felizes.
________________
1. O inquérito foi promovido pela marca de sumos TriNa para assinalar o Dia da Família. Foram inquiridos 410 pais de norte a sul do país, com filhos entre os seis e os 12 anos.
2. Estudo de uma marca de brinquedos (Imaginarium), que entrevistou 1131 pais portugueses de crianças dos 0 aos 8 anos.
3. Ver o Cap. 10 sobre "Brincar".
4. O direito a desligar-se. A discussão já chegou ao parlamento mas, enquanto não se decide, decida você.

26/07/18

Da beleza e da feiura

1. Os comportamentos de assédio sexual, que acontecem fora dos estádios ou dentro deles, não se podem confundir com a questão de proibir ou evitar filmar "mulheres atraentes" sob pena de entrarmos em mais um plano inclinado onde a proibição passa a chamar-se censura.
Por outro lado, é claro que focar "mulheres atraentes" não pode desfocar-nos  do importante: a luta, legal e policial,  cada vez mais necessária, e enquanto houver uma vítima desta prática. 
É ainda uma questão de educação para valores éticos e morais ou para relativismos culturais (a que nem sequer o poder judicial é alheio) em que os primeiros não podem tolerar os segundos porque não respeitam aqueles valores, os valores universais dos direitos humanos.

2. Nem sempre as piores expectativas se confirmam. Poderá ser uma excepção, mas é uma boa experiência que mostra o caminho a seguir: "Como aprendi a amar os homens frequentando estádios de futebol".

3. Podíamos continuar a colocar imagens  consideradas, subjectivamente, de pessoas atraentes (Vão proibir estas imagens?): pessoas do público do estádio, atletas de várias modalidades,  políticos, artes, música, cinema, teatro...  sendo que a gravidade está em começar a proibir "não se sabe bem o quê atraente" e acabar por proibir qualquer imagem contaminada com o rótulo de "tudo o que seja atraente" em qualquer actividade.
Mais grave ainda se o propósito estiver bem definido: levar à proibição de mulheres frequentarem estádios de futebol, como acontece aqui (ou aqui e aqui), e, onde a FIFA não se sente incomodada pela ausência de liberdade das mulheres para assistirem a um jogo de futebol.

4. O que é uma "mulher atraente"? Porquê mulher e não homem atraente ou pessoas atraentes ?
Bom, parece que a  internet está cheia de gente que sabe o que isso é. Há até curso para homem e para mulher ficar atraente, respectivamente, para mulher e para homem. Os clichés são os que já se conhecem.
Coisas que os homens acham atraente em uma mulher (de acordo com a ciência) ; A visão masculina de uma mulher atraente ; Descubra quando uma mulher é atraente para os homens; 19 qualidades que tornam um homem atraente para mulheres.

5. Mas tudo se baralha quando não sabemos o que escolher: a Bela ou o Monstro.   O problema é que  depois de se "informar" talvez continue com as mesmas dúvidas que já tinha. Ou seja, com que critérios se pode tomar uma medida, que será referência da FIFA, para ser aplicada pelos realizadores de programas de futebol?

6. O que é a beleza ? O que é a beleza feminina ? Não é a mesma coisa nem para os homens nem para as mulheres. Nem hoje nem ao longo de 28000 anos.

7. Beleza ou feiura são caminhos subjectivos que dependem do olhar de cada um e dos padrões culturais que o influenciam, das subculturas e das modas a que cada um se submete ou converte, que cada um pensa que corresponde à sua forma de beleza ou de feiura, mesmo quando a feiura é procurada deliberadamente por algumas pessoas, tal como a beleza, havendo sempre subjacentes diversos objectivos motivacionais: evidenciar-se por ser diferente, evidenciar-se pelo estranho, liderar grupos de fãs,  jovens ou não, tirar vantagens como objecto de consumo, afirmar-se como modelo de imitação, modelo sexual (sex symbol), modelo de sucesso,  ou esperto videirinho...

8. Beleza e feiura são uma construção cultural, em que os atributos considerados belos ou feios constituem a representação social de beleza ou feiura. Assim, são valorizados certos traços considerados esteticamente belos ou feios num determinado espaço e num tempo em que o consumo impõe as suas regras.
Para Umberto Eco, a beleza nunca foi algo de absoluto e imutável, mas assumiu rostos diferentes segundo o período histórico e a região; não só no que diz respeito à beleza física (do homem, da mulher, da paisagem), mas também em relação à beleza de Deus ou dos Santos ou das ideias...



9. A beleza, afinal, depende da atribuição de cada um, é a existência das coisas "que simplesmente existem", como no poema de Alberto Caeiro, ou "a graça da vida em toda a parte", como no de Miguel Torga.


Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta

Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,
Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Porque sequer atribuo eu
Beleza às coisas.

Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe
Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então porque digo eu das coisas: são belas?

Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as coisas,
Perante as coisas que simplesmente existem.
Que difícil ser próprio e não ver senão o visível!

“O Guardador de Rebanhos”. Alberto Caeiro.


À Beleza

Não tens corpo, nem pátria, nem família,
Não te curvas ao jugo dos tiranos.
Não tens preço na terra dos humanos,
Nem o tempo te rói.
És a essência dos anos,
O que vem e o que foi.

És a carne dos deuses,
O sorriso das pedras,
E a candura do instinto.
És aquele alimento
De quem, farto de pão, anda faminto.

És a graça da vida em toda a parte,
Ou em arte,
Ou em simples verdade.
És o cravo vermelho,
Ou a moça no espelho,
Que depois de te ver se persuade.

És um verso perfeito
Que traz consigo a força do que diz.
És o jeito
Que tem, antes de mestre, o aprendiz.

És a beleza, enfim. És o teu nome.
Um milagre, uma luz, uma harmonia,
Uma linha sem traço...
Mas sem corpo, sem pátria e sem família,
Tudo repousa em paz no teu regaço.

Miguel Torga, «Odes», 1946, Antologia poética, 2ª ed. aumentada, Coimbra, 1985, pg.83-84


08/07/18

Uma sociedade amiga das crianças


Todos temos alguma experiência negativa relativamente à sociedade e comunidade  em que vivemos sobre a ausência de condições inclusivas para os cidadãos, desde criança até à velhice.
Ter um filho implica grandes necessidades de mudança, de adaptação à vida quotidiana dos pais. É, sem dúvida, verdade que o nascimento de um filho muda a nossa vida, principalmente quando os pais decidem que os filhos os devem acompanhar, sempre que possível, nas suas actividades de lazer, nas férias, na vida social ...
Em 2012, segundo o Relatório da UNICEF ‘Situação Mundial da Infância, estimava-se que, no ano de 2050, 70% da população mundial iria viver em áreas urbanas, o que significa que a maioria das crianças e jovens crescerão em cidades nas próximas décadas.
Viver num mundo urbano coloca mais dificuldades que não favorecem o bem estar das crianças. Há muitas situações em que a vida de quem tem filhos é dificultada por não haver estruturas ou estruturas  amigas das crianças.
Uma sociedade amiga das crianças  tem cidades amigas das crianças, com estruturas arquitectónicas, sociais e educativas amigas das crianças: escolas, currículos escolares amigos das crianças, hospitais, jardins e parques infantis, passeios e passadeiras... amigos das crianças

Em 1996, a UNICEF lançou o conceito “Cidades Amigas das Crianças”,  com o objectivo de colocar “as crianças em primeiro lugar” tanto no mundo em desenvolvimento como no mundo industrializado, em contexto rural ou urbano. *

Uma cidade amiga das crianças tem acessibilidades para todas as crianças. Nas nossas cidades, apesar de ter havido alguma evolução, é uma verdadeira aventura deslocarmo-nos a qualquer sítio, por necessidade ou apenas por lazer, com uma criança  num carrinho de bebé.
A lei sobre acessibilidades ( DL n.º 163/2006, de 8/8, alterado pelo DL n.º 136/2014, de 9/9, e DL n.º 125/2017, de 4/10) continua a ficar sem efeito; mesmo em bairros relativamente novos não são tidos em conta a eliminação de barreiras arquitectónicas: nas passagens de peões, desníveis dos passeios perigosos, com candeeiros, sinais, canteiros, escadas, a interromper, rampas perigosas...

Espaços das cidades amigos das crianças são espaços verdes, jardins, feitos para as pessoas e, portanto, para as crianças,  e não para os cães que continuam a andar solta, sem trela, não  têm condições de higiene ou de segurança  para poderem ser frequentados.
Reconheço o esforço que algumas autarquias têm feito com distribuidores de sacos gratuitos, com avisos, com a manutenção dos espaços... mas as autarquias também têm as costas largas quando os cidadãos ou não sabem ler os avisos ou se estão nas tintas para os outros, principalmente se forem crianças.
Uma sociedade amiga das crianças tem escolas amigas crianças. Nesse sentido a  Confederação nacional das associações de pais (CONFAP) criou um selo que é atribuído às Escolas “amigas das crianças” . Para isso, vai avaliar ideias inovadoras em áreas como o espaço de recreio, a alimentação, a segurança ou o envolvimento da família. (Rita Marques Costa, Mais de 300 escolas “amigas das crianças” receberam selo da Confap, Público, 22 de Março de 2018

Uma cidade amiga das crianças tem  creches e jardins de infância para todas as crianças de forma a poder equilibrar o papel profissional dos pais com a necessidade de desenvolvimento das crianças.
Nestas creches, jardins de infância e escolas,  os currículos devem utilizar o Desenho universal para a aprendizagem (UDL), ou metodologias semelhantes. Os currículos devem ser desenhados de forma a que todos os alunos possam ter acesso a eles. A modificação do meio ao nível das acessibilidades, por exemplo, e dos instrumentos de aprendizagem são fundamentais para que o sucesso escolar possa acontecer.

Os equipamentos  e serviços sociais amigos das crianças devem respeitar estas regras. Quando decidimos ir a um restaurante com os filhos ou os netos,  as crianças são bem-vindas. Sabemos que nem sempre assim acontece e há de tudo: alguns são mais ou menos indiferentes, outros pouco simpáticos para a frequência de crianças, porque  fazem barulho, às vezes birras, um empecilho... Não têm cadeirinhas, não têm fraldário, não têm rampas de acesso, etc... nada que tenha em vista o bem-estar das crianças.

Os comportamentos sociais dos adultos deviam ser sempre amigos das crianças, o que se traduz no exercício da cidadania: respeitar as passadeiras, nos automóveis, os pais que devem ter cuidado com a segurança das crianças, não falar ao telemóvel, não fumar sempre que viajam com crianças...  
Está em cada um de nós a capacidade de transformar a nossa cidade numa cidade amiga das crianças. **
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* O programa da UNICEF, "Cidades Amigas das Crianças", ganhou força em 2007, existindo, actualmente, 35 cidades em Portugal que aderiram a esta iniciativa."Os fundamentos para construir uma Cidade Amiga das Crianças assentam nos quatro princípios base da Convenção: não discriminação; interesse superior da criança; sobrevivência e desenvolvimento; ouvir as crianças e respeitar as suas opiniões." (UNICEF) 

** RACAB (Rádio de Castelo Branco - Crónica-de-opinião - 28-06-2018 - "Uma sociedade amiga das crianças"

07/07/18

Magia na diferença - Gillian Lynne


Referimos aqui - Magia na diferença -  Gillian Lynne,  a propósito da sua infância: fraco desempenho escolar e instabilidade. Hoje diríamos hiperactividade.
" O dom de Lynne para dançar foi descoberto por um médico. Ela estava com mau desempenho na escola, então sua mãe levou-a ao médico e explicou sobre sua inquietação e falta de foco. Depois de ouvir tudo o que sua mãe disse, o médico disse a Lynne que precisava conversar com sua mãe em particular por um momento. Ele ligou o rádio e saiu. Ele então encorajou a mãe a olhar para Lynne, que estava dançando para o rádio. O médico notou que ela era uma dançarina e incentivou a mãe de Lynne a levá-la para a escola de dança." (Daqui)
Faleceu aos 92 anos.

Do seu extraordinário trabalho, um exemplo. Cats é um musical composto por Andrew Lloyd Webber, dirigido por Trevor Nunn e coreografado por Gillian Lynne. Estreou em Londres em 1981 e esteve dezoito anos em cartaz na Broadway. Para realizar esse espectáculo, Llyod Webber musicou uma série de poemas de T. S. Eliot sobre gatos, onde Memory foi a música de maior sucesso.

"O Livro dos Gatos", no original "Old Possum's Book of Pratical Cats", é uma colectânea de curiosos e animados poemas dedicados à psicologia e sociologia felina.
Foram escritos nos anos 30 por T. S. Eliot e incluídos pelo próprio, sob o nome "Old Possum", nas cartas que enviava aos seus afilhados. Em 1939, a editora que tinha o exclusivo da sua obra decidiu reunir e publicar 15 desses poemas sob a forma de livro.
Recomendado pelo Plano Nacional de Leitura - 5º ano de escolaridade.

01/06/18

Jogo e desenvolvimento psicológico

Atividades para crianças: férias criativa e divertida 


jogo finalidade em si (Janet)
jogo energia vital que ultrapassa as necessidades imediatas e estimula o crescimento (Huizinga)
jogo realização do ego do indivíduo (Claperède e M. Mead)
jogo contágio e incubação de valores sócio-culturais
jogo secreção da actividade psicomotora
jogo "loisir" recriação como meio de libertação das preocupações e cansaço
jogo"momento de cultura"onde a criança se encontra com todas as possibilidades de expressão
         corporal, estética, coreográfica, literária, teatral, desportiva, científica
jogo expressão de uma vitalidade mental e concretização de um dom psicomotor
jogo"écran" onde se projecta o que ocupa, ou que invade o espírito e sensibilidade da criança
jogo recapitulação na ontogénese da filogénese (Stanley Hall)
jogo expressão psicomotora e sociomotora
jogo factor de libertação e formação
jogo realização psicomotora que não tende para nenhuma finalidade senão ela própria
jogo obstáculo à solidão, eclosão extra-espacial
jogo relação com os outros, factor essencial ao desenvolvimento da personalidade
jogo caminho para a conquista da autonomia da criança
jogo "écran"do quotidiano
jogo contributo para a realização de frustrações, de complexos, de insuficiências, de dificuldades de
       aprendizagem, de dificuldades relacionais, de reacções regressivas, de tendências agressivas e
       anti-sociais (Anna Freud)
jogo meio terapêutico no âmbito das perturbações psicomotores como também na esfera de
        prevenção de dificuldades escolares
jogo meio de expressão e libertação de forças não utilizadas (Schiller-Spencer)
jogo exercício de preparação para a vida séria (Gross)
jogo agente de crescimento dos órgãos dado que estimula a acção do sistema nervoso (Carr)
jogo exercício de tendências geralmente não utilizadas (Konrad-Langue)
jogo é tudo isto
        mas não é só isto...

***
Todas as crianças do mundo deviam ter direito a brincar, hoje, dia da criança, e todos os dias, em vez de estarem a lutar pela sobrevivência.

Artigo 31
1. Os Estados Partes reconhecem à criança o direito ao repouso e aos tempos livres, o direito de participar em jogos e actividades recreativas próprias da sua idade e de participar livremente na vida
cultural e artística.
2. Os Estados Partes respeitam e promovem o direito da criança de participar plenamente na vida cultural e artística e encorajam a organização, em seu benefício, de formas adequadas de tempos livres e de actividades recreativas, artísticas e culturais, em condições de igualdade.

(Convenção sobre os Direitos da Criança - Adoptada pela Assembleia Geral nas Nações Unidas, em 20 de Novembro de 1989 e ratificada por Portugal em 21 de Setembro de 1990).