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30/01/19

Toda a gente é pessoa


Uma pequena estória.
"— O que deseja? —voz impessoal, ar distraído ou impaciente ou indiferente.
— Venho à consulta. Trago uma guia. Olhe, desejava ser visto pelo Dr. Fulano.
— Está bem. Espere.
— Aonde?
— Aí onde os outros estão.
— Então não existe uma sala de espera?
— Há o corredor.
— Mas tem os bancos todos ocupados.
— Não sei, isso não é comigo. Ninguém se costuma queixar. Quem segue?
O homem olha em redor. Velhos em ruínas, novos arruinados, olhando-o como animal raro, ou apenas indiferentes. Amontoados nos bancos ou contra as paredes. Esperam, esperam o médico que há-de vir, quando vier, se vier.”
Esta é a parte inicial de uma pequena estória referindo  a assistência hospitalar,  antes do 25 de Abril. O seu  autor é  Manuel Barão da Cunha, com quem trabalhei em determinada altura da minha vida profissional no Ministério da qualidade de vida/Defesa do consumidor. Está incluída no livro “Os párias e os outros”,  um conjunto de estórias e textos sobre os excluídos da sociedade.
E é neste sentido que  a utilização do termo “párias” é para aqui chamado. A tantos anos do 25 de Abril, vemos como, apesar das “melhoras” no sistema de saúde, continuam as mesmas falhas sociais seja na saúde (1), segurança social, educação ou habitação.
Continua a haver episódios como o ocorrido recentemente no chamado bairro da Jamaica, Seixal, e voltaram novamente os comentários do costume sobre o racismo, sendo que o masoquismo de afirmar que Portugal é um país racista veio novamente à tona por parte da comentadoria e do achismo nacionais. (2) Para esta gente há um país racista mas que nunca é o deles nem lhes diz respeito. Desta vez houve até a vitimização do primeiro ministro !
Esta associação de racismo à intervenção das forças de segurança vem essencialmente da (dita) esquerda que pensa que colhe dividendos com a afirmação, em alto volume, ou em vídeos (ou partes de vídeos) nas redes sociais, de que os outros são e eles não são. Pertencem a uma casta de moralistas que patrulham tudo o que mexe e lhes cheira a racismo e sexismo, em especial quando envolve organizações e instituições do estado, com destaque para as forças de segurança.
Podemos dizer que em Portugal há racismo desde que isso seja aplicado a todos os outros países do mundo e nesse sentido não é uma característica deste ou daquele país. O que equivale a dizer que o racismo acabou. (2)
O problema é então outro e verifica-se desde há longos anos: o da discriminação, seja de quem for, o dos excluídos de todas as cores, formas e feitios. O problema é então que continua a haver “os párias": os “velhos, reformados, doentes, deficientes, desempregados” e os “outros”: os das elites, da esquerda ou da direita, e “todos os que se mantêm indiferentes ao drama daqueles por quem praticamente nada se tem feito.”
Os problemas dos bairros degradados é o resultado das políticas sociais erradas na habitação, como no caso vertente, que radicam na educação com valores errados transmitidos e nas  mentalidades criadas…
Ser pessoa é, por isso, o que interessa na educação e transformação de cada individuo, habite neste ou noutro bairro qualquer.
Ser pessoa “é ser um polo de responsabilidade, um sujeito activo de relação."(3)
Em termos psicológicos, acompanhamos a visão de Carl Rogers: “O ser humano subjectivo tem um valor importante… não interessa como seja etiquetado e avaliado, acima de tudo é uma pessoa  humana.” (O livro da psicologia, Marcador)
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(1) O que se passa actualmente no Serviço Nacional de Saúde é igual ou pior do que isto.
(2) Há excepções como o artigo de Gabriel Mithá Ribeiro.
(3) Rubrica da RDP/Antena 1 -  "Toda a gente é pessoa"

19/07/17

O meu lindo país azul

 
Alfredo Keil (1850-1907)
O meu lindo país azul
Luís Pipa, piano


Esta é uma questão de todos, devia, por isso, ser tratada por todos, sem censuras ("lei da rolha") de qualquer tipo.  
Não tinha passado muito tempo, ainda ardia a floresta com "a informação devidamente organizada e estruturada", e já uma "Comissão" recomendava à Porto Editora para "apagar" a venda de cadernos de actividades para meninos e meninas. 

O meu lindo país azul... não pode ter essa tonalidade de azul. *
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*  Revisto em 31/8/2017

04/07/17

01/02/17

"Filhos do coração"



O ser humano foi capaz de instituir excelentes princípios, como a declaração universal dos direitos humanos e a convenção sobre os direitos da criança.
É capaz de multiplicar informações e realizar acções para sensibilizar, alertar e tentar fazer cumprir esses princípios. 
Apesar disso, a violação desses direitos não só existe como  continua a crescer. Em 2014, “em cada três vítimas conhecidas de tráfico humano uma é criança - 5 % de aumento comparado com o período de 2007-2010. De cada 3 vitimas duas são meninas e com as mulheres constituem 70% de todo o tráfico mundial.” (The 2014 Global Report on Trafficking in Persons )
Segundo a UNICEF, “em casos extremos, as crianças podem tornar-se invisíveis, efetivamente desaparecendo dentro de suas famílias, de suas comunidades e de suas sociedades, assim como desaparecem para governos, doadores, sociedade civil, meios de comunicação e até mesmo para outras crianças. Para milhões de crianças, a principal causa de sua invisibilidade são as violações de seu direito à proteção…"
"Entre as crianças afetadas por esses fatores estão aquelas que não foram registradas ao nascer, crianças refugiadas e deslocadas, órfãos, crianças de rua, crianças em prisões, crianças em casamentos precoces, em trabalho perigoso ou em conflitos armados, crianças vítimas do tráfico, e crianças presas a contratos. “

Esta é a realidade actual um pouco por todo o mundo. "O tráfico infantil não é uma brincadeira de crianças, é um negócio de gente grande" e também existe em muitos países desenvolvidos, com mais ou menos visibilidade, com mais ou menos escândalo.
Sabemos da distância entre os princípios e a realidade mas é necessário perguntar como é que a comunidade internacional, as Nações Unidas, podem permitir que esteja a acontecer esta violação elementar dos direitos das crianças de forma tão brutal e descarada.
Perante esta situação, é necessário "resgatar estas crianças" deste negócio sujo, para que possam ser crianças. Alguns sinais de  mudança têm vindo da sociedade civil, de organizações não governamentais.

Está em curso a “Campanha Resgate Sorrisos” promovida pela Associação “Filhos do Coração:  uma acção de sensibilização e angariação de fundos, de 28 de Janeiro a 6 de Fevereiro de 2017, na rede de supermercados Pingo Doce.

Conheci o projecto “Filhos do coração” quando alguns dos meus alunos da Escola Superior de Educação, me ofereceram o livro "Filhos do coração - a adopção explicada a pais e filhos”, com uma dedicatória que não poderei esquecer:  "Assim como há filhos do coração também existem professores que nos ficam no coração!"
O conceito de adopção é, no fundo, o conceito do amor. ”Só as crianças adoptadas são felizes… por sorte, na sua grande maioria elas são adoptadas pelos seus pais biológicos.” (Laborinho Lúcio)
É tudo o que precisamos: sermos adoptados, sermos amados, nascermos num grande coração que nos ama.
Esta é a atitude que dá significado à nossa ajuda a estas crianças que precisam de ser resgatadas. Então, tudo o que possa  ser feito para acabarmos com tanto sofrimento infantil merece apoio da sociedade e de cada um de nós.

15/08/15

Portugal +


"A iniciativa Athletes Gone Good elegeu os 20 desportistas que mais se envolveram em causas solidárias no último ano, e colocou o astro português do Real Madrid em primeiro lugar.

Entre as razões apontadas estão os donativos do madeirense para a luta contra o cancro, o pagamento das despesas de cirurgia ao cérebro de uma criança de 10 anos e o seu envolvimento em campanhas de combate à fome infantil e de defesa do ambiente."

14/05/15

Portugal positivo e solidário



Alguns portugueses têm vindo a mostrar-se como pessoas de sucesso e solidárias.
São pessoas que são capazes de inovar, de criar novas respostas face aos novos problemas e aos novos desafios das mudanças na sociedade.
São pessoas que mostram o melhor de si que, independentemente das próprias dificuldades, ou da política do momento, são capazes de compreender as dificuldades dos outros.

Três exemplos transmitidos pela comunicação social: 
A 25 de Abril, no Nepal, um terramoto matou 8 mil pessoas. Aliás atingido terça-feira passada por novo terramoto.
Os portugueses Pedro Queirós e Lourenço Macedo Santos que estavam no Nepal a viver a tragédia, não regressaram a Portugal e ficaram no local para apoiarem as pessoas em dificuldade.
Para eles “As pessoas do Nepal, Portugal e já de outros países, não param de nos apoiar. Somos uns sortudos por estarmos a viver tudo isto desta maneira tão intensa. Por podermos ajudar e por poder partilhar com toda a gente aqui pelo Facebook. Porque nos sentimos embaixadores não só de Portugal, mas também da raça humana…”

Maria da Conceição queria ser a primeira mulher portuguesa a escalar o Evereste. Conseguiu e, em 2013, tornou-se a primeira mulher portuguesa a alcançar o topo do Evereste.
O seu desafio, a que deu o nome de 777 Challenge, e através do qual pretendia correr sete ultramaratonas, em sete continentes, durante sete semanas.
O objectivo da atleta era conseguir um milhão de dólares (730,4 mil euros) para a Fundação Maria Cristina, que criou no Dubai, e que ajuda crianças pobres dos bairros de lata do Bangladesh. 
Maria da Conceição é hospedeira de bordo e presidente de uma organização que ela própria criou, a Fundação Maria Cristina. O nome é uma homenagem à mulher que a criou em Portugal, quando a sua mãe adoe­ceu, aos 2 anos, e morreu quando ela tinha 10 anos, mas a ideia é continuar es­se espírito honrando a sua memória. O di­nheiro dos patrocinadores será para promover pro­jectos educativos para 600 crianças pobres do Bangladesh.

Um grupo de médicos voluntários está a dar consultas gratuitas, de várias especialidades (dermatologia, cirurgia, urologia, ginecologia, ortopedia e pneumologia, entre outras), no interior do distrito de Bragança, para que os cidadãos não tenham que se deslocar aos hospitais dos centros urbanos.
"Fazemos cirurgias e outros tratamentos e resolvemos alguns problemas de saúde a uma população muito envelhecida como é a das zonas interiores do país e que de outra forma teriam dificuldade em se tratar", afirmou à Lusa António Massa, presidente da Sociedades Portuguesa de Dermatologia (SPD) e um dos mentores do projecto.
Para isso, os clínicos abdicam de parte dos seus tempos livres.
Pretendem alargar o projecto a outras zonas do país. 

Estes são exemplos de que conhecemos alguns nomes mas há muitos outros profissionais que são seres humanos maravilhosos na nossa vida de todos os dias tentando melhorar a vida de outros seres humanos mais fragilizados. Trabalham nos hospitais, nas escolas, nas empresas, nas associações solidárias… têm um a visão positiva da vida, estão altamente motivados e contribuem para um país cada vez mais positivo e mais solidário.

03/05/15

Portugal +

"Fazemos cirurgias e outros tratamentos e resolvemos alguns problemas de saúde a uma população muito envelhecida como é a das zonas interiores do país e que de outra forma teriam dificuldade em se tratar", afirmou à Lusa António Massa, presidente da Sociedades Portuguesa de Dermatologia (SPD) e um dos mentores do projeto.As especialidades médicas são, entre outras, a dermatologia, cirurgia, urologia, ginecologia, ortopedia e pneumologia.Este trabalho está em curso em Freixo de Espada à Cinta, distrito de Bragança, havendo um projeto de o alargar a outras zonas do país, o qual deverá estar concluído no próximo outono. Para isso, os clínicos abdicam de parte dos seus tempos livres."

Não sabemos todos os nomes mas estes médicos são verdadeiramente solidários e merecem ser louvados pela capacidade de empatia com o sofrimento dos mais desprovidos de apoio médico do nosso país. 

Era bom que este exemplo fosse adoptado por outras regiões, como é referido que vai ser, onde, por exemplo, as carências a nível da oftalmologia sempre foram injustificáveis, não só após 2009. 

Um dia acabarão as listas de espera se houver médicos que, como estes, tiverem inteligência e coração para não se desculparem com os ministérios e todas as outras desculpas, justificáveis algumas, que não dão saúde a ninguém.