02/10/25
Humildade - Uma força terapêutica
19/08/25
Florescer
Peggy Lee - É só isso ? (Is that all there is?)
Também existe relação com o luto. "Contudo, a melancolia contém algo mais que o luto normal. Na melancolia, a relação com o objeto não é simples; ela é complicada pelo conflito devido a uma ambivalência. Esta ou é constitucional, isto é, um elemento de toda relação amorosa formada por esse ego particular, ou provém precisamente daquelas experiências que envolveram a ameaça da perda do objeto. Por esse motivo, as causas excitantes da melancolia têm uma amplitude muito maior do que as do luto, que é, na maioria das vezes, ocasionado por uma perda real do objeto, por sua morte. Na melancolia, em consequência, travam-se inúmeras lutas isoladas em torno do objeto, nas quais o ódio e o amor se digladiam; um procura separar a libido do objeto, o outro, defender essa posição da libido contra o assédio." ( Freud, Luto e melancolia)
Também, em Psicologia, falamos de alexitimia (palavra de origem grega: a-falta de, sem; lexis-palavra; thymus-emoção ou ânimo), utilizada pela primeira vez por Peter Sifneos, em 1967. A alexitimia é um construto que "designa a falta de palavras para descrever as emoções. Afetivamente conduz a uma grande dificuldade em reconhecer, descrever e discriminar sentimentos e emoções. Cognitivamente, há um estilo de pensamento muito particular, virado para o concreto e para o exterior e relacionalmente, há relações úteis, pragmáticas e superficiais. Existe uma incapacidade em perceber o outro com uma individualidade própria, os seus sentimentos, havendo portanto uma reduzida empatia e compreensão." (S. Pereira, Alexitimia, ITAD)
* As referências são de M. Seligman, A vida que floresce, estrelapolar/Leya, 2011.
02/04/25
Histórico e ressentimento
11/12/24
Um hino à alegria
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07/12/24
Natal – tempo de afectos
Vivemos mais um tempo de Natal, tempo mágico em que a luz, a árvore, a música e tantos outros símbolos, que estão um pouco por todo o lado, nos apelam para a renovação e transformação da nossa vida e nos reconfortam com expectativas de emoções e sentimentos mais conformes às necessidades de equilíbrio e homeostasia na nossa vida.
Os nossos sentimentos estão associados às vivências sociais e à cultura deste tempo: Paz, união, amor, saúde, perdão, gratidão, felicidade, prosperidade, solidariedade e fé, são algumas palavras que usamos para os expressar.
A nossa vida seria impensável sem estes sentimentos. Como refere António Damásio: sem sentimentos “seria impossível classificar quaisquer imagens como belas ou feias, agradáveis ou dolorosas, de bom gosto ou vulgares, espirituais ou terrenas.” Diz ainda A. Damásio que “são os sentimentos que nos guiam, que servem de bússola ao nosso comportamento.” (Entrevista de J-F Marmion a A. Damásio "Les raciones biologiques de la Culture", Le cercle psi, p.67)
A nossa vida tem na base um funcionamento homeostático de cujo mecanismo fazem parte os sentimentos que nos ajudam a compreender a nossa vida social e cultural.
Se a nossa vida for comparada a uma árvore temos na parte inferior a regulação metabólica, os reflexos básicos, as respostas imunitárias.
Nos ramos maiores, os comportamentos de dor e prazer e, nos ramos mais finos, as pulsões, motivações e emoções e, finalmente, os sentimentos.
Para A. Damásio, “a homeostasia (esse conceito da biologia definido como um processo de regulação pelo qual um organismo consegue a constância do seu equilíbrio) aplica-se à expressão do nosso sentimento pessoal, e estende-se facilmente à família e à tribo mais próxima. O problema é quando esse estado tem de se alargar a milhares de pessoas. Aí conseguir o equilíbrio é muito mais difícil. Isso explica por exemplo o recrudescimento dos extremismos na Europa. A única solução, insisto, é educar. Para que o nosso sentimento seja o de aceitar o outro.” (Teresa Campos, Uma aula com António Damásio, Visão, 31.10.2017)
Apenas um pequeno grupo dos sentimentos funcionam negativamente. É, por isso, chocante que vivências negativas como é o caso da guerra, da violência, da dor e do sofrimento, em especial daquele que atinge os mais desprotegidos, como as crianças, estejam tão presentes na nossa historia recente.
Os desequilíbrios não têm fim, e há quem continue apostado num caminho desequilibrado, em que os sentimentos negativos se vão prolongar nefastamente por várias gerações, dificultando, não só a nível físico, a reparação das infraestruturas destruídas mas, mais profundamente, a reparação das estruturas mentais como os sentimentos de cada vítima da guerra...
O problema é, então, como ultrapassar os sentimentos negativos: a raiva, a vingança, a desconfiança: quando volta a acontecer, quando surge outro ditador, quando teremos, finalmente, Paz.
Dito de outra maneira, como e quando será reposta a homeostasia, essa capacidade de a vida se manter e se desenvolver porque o nosso fito é continuar vivos e pensar no futuro ? (TC, idem)
Os sentimentos que nos vêm da luz, do brilho, da presença, dos abraços deste tempo são o desejo de felicidade para o Natal e de prosperidade para o próximo Ano!
Até para a semana.
29/06/24
“Não me fales nesse tom de voz”
A voz é um instrumento elementar e imediato de que o ser humano dispõe para comunicar com os outros, com o mundo. Nem sempre da melhor maneira. Temos essa experiência. Quando alguém nos irrita começamos a falar mais alto e terminamos a gritar. Basta estarmos mais nervosos para ficamos com a voz mais trémula ou até chegamos a perdê-la (afonia de conversão).
Ou seja, modificamos a voz de forma automática e inconsciente quando estamos em situações dominadas por emoções como raiva, surpresa ou felicidade.
Quando alguém vive em conflito com outra pessoa, o que acontece frequentemente num casal, o tom de voz denuncia esse conflito. Na comunicação interpessoal temos o hábito de ir levantando a voz até chegar ao grito para transmitir a nossa razão. E o hábito muitas vezes passa a ser: falar aos gritos.
“O resultado de uma pesquisa sobre a forma de nós comunicarmos (A. Mehrabian, citado por Xavier Guix, Ni me explico, ni me entiendes, pag. 49) concluiu que a comunicação por palavras corresponde a 7%, o tom de voz a 38% e a linguagem corporal a 55%, quer dizer, o corpo fala mais alto que a voz e que as palavras.“
De facto, a voz é um elemento fundamental da comunicação. “A nossa voz faz ressoar os nossos dados internos. A voz revela tudo de nós ainda que não nos demos conta disso. Os problemas que com frequência temos com a voz, alguns inclusive crónicos, têm uma relação directa com conflitos emocionais não resolvidos.” (idem)
Levantar a voz é uma forma de reagir emocionalmente à fala, às atitudes e comportamentos do outro. E aqui aparecem todos os tipos de voz possíveis que levam à escalada nos decibéis e nos conteúdos mais agrestes ou, pelo contrário, à desescalada e podemos ter uma conversa com as interações que os adultos devem ter (estado Eu Adulto, em Análise Transacional).
Se não houver nenhum problema fisiológico ou uma perturbação da fala, o resto são problemas emocionais.
Conhecemos as pessoas pelo seu tom de voz. Nesse tom de voz há traços da idade, sexo, personalidade e, obviamente, estado emocional do indivíduo.
“Eu conheço esta voz de algum lado”, ou então, como verificamos quando se faz autoscopia, podemos ficar impressionados e incrédulos, pela primeira vez, com a nossa voz. “Este sou eu?” “Horrível !” “Eu falo desta maneira?”
A voz é, de facto, única e nem sempre é agradável e melodiosa mas “rouca”, “gasta”, “irritante”, “cansada”, com disfluências e “bengalas linguísticas” ...
Os filhos conhecem a voz dos pais, ou os alunos a do professor, conforme as suas emoções e adivinham o que se vai seguir na comunicação entre eles: que mensagem se quer transmitir pela palavra, tom de voz e comunicação não-verbal (gestos, olhares, expressões faciais), tornando cada indivíduo único e diferente dos demais.
É importante saber que a nossa voz é única e que podemos melhorar a nossa comunicação com os outros. Os nossos comportamentos estão ligados à nossa voz. Por vezes, temos dificuldade em controlar a nossa voz porque não somos capazes de controlar as nossas emoções.
Na vida social, na relação familiar, na educação das crianças, o domínio da voz é fundamental. Então, comecemos por controlar as nossas emoções melhorando o tom de voz tantas vezes desagradável para os outros. Claro que não é fácil...
29/02/24
Meditar à minha maneira
Por esta altura da Quaresma acontecem actividades várias um pouco por todo o País que outra coisa não são que formas de meditação profunda.
Na nossa cultura, o tempo pede essa reflexão sobre nós próprios, requer a concentração na vida efémera, no sofrimento que nos atormenta mas, por mais atroz que possa ser, também se oferece como forma de superação.
Este é o tempo, quando pensamos nesta vida, que nos traz momentos de felicidade mas que nos alerta para todo o background que marca a nossa existência, a começar pelo sofrimento psíquico, medo, tristeza, stress, irritações e injustiças...
Então é possível procurar momentos de serenidade, paz, segurança, o conforto comigo próprio, que se não for felicidade não deixa de ser um estado verdadeiramente tranquilo em que "nada me perturba, nada me espanta" (Sta Teresa D' Ávila), nada interfere na minha vida .
Os benefícios da meditação são verificáveis na medida em que as pessoas que a praticam são mais felizes e vivem mais satisfeitas do que a média. E isto é muito importante para a sua saúde:
- Reduz as perturbações mentais como a ansiedade, a depressão e a irritabilidade
- Melhora as relações interpessoais
- Ajuda no impacto que podem ter doenças graves na nossa vida como a dor crónica... etc.
É necessário desfazer alguns mitos:
- A meditação não é uma religião embora muitas pessoas que a praticam possam ser religiosas
- Podemos meditar em qualquer lado e em qualquer posição. Para praticar, não é necessário sentar-se numa posição especial ou respirar de maneira específica.
- E, muito importante, “a meditação não é aceitar o inaceitável. É ver o mundo com maior clareza permitindo-lhe agir de forma mais sábia e fundamentada e mudar aquilo que precisa de ser mudado.”(Williams, M. e Penman, D. - Mindfulness - Atenção plena, Lua de papel, p.16)
A “Ladainha” e o “Terço cantado” são manifestações de meditação que se realizam em S. Miguel d’ Acha e que são levadas a efeito todas as 5.as e 6.as feiras da Quaresma. *
Rezar e meditar não são a mesma coisa mas têm uma ligação muito forte, podendo até ser assimiladas uma à outra.
Podemos dar a esta forma de meditar a designação de Meditação guiada ou Meditação cantada. O mantra “Rogai por nós” ou a repetição do "Pai nosso", p.ex., levam-nos, como refere John Main, para “um modo de oração profunda que nos encaminhará para a experiência da união, longe das distracções superficiais e da autocomiseração.“
“O fundamental é exercitar a focalização da mente num ponto, num objeto, pensamento ou atividade em particular, visando alcançar um estado de clareza mental e emocional.“ (Meditação cristã: como surgiu e como praticar)
Como tal, também o fundamento da meditação cristã é contemplar diferentes aspectos da vida de um Ser exemplar que se oferece como modelo para a nossa vida.
Esta possibilidade está à disposição de quem quiser meditar durante 30 minutos às 5.as feiras e durante uma 1H30 às 6.as feiras durante o tempo da Quaresma.
Até para a semana.
28/07/23
Os sonhos dos jovens

Acontece por estes dias a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), não só em Lisboa mas por todo o país mesmo nas aldeias mais recônditas.
Conforme refere a Organização da Jornada, a “Jornada Mundial da Juventude (JMJ) é um encontro dos jovens de todo o mundo com o Papa. É, simultaneamente, uma peregrinação, uma festa da juventude, uma expressão da Igreja universal e um momento forte de evangelização do mundo juvenil. Apresenta-se como um convite a uma geração determinada em construir um mundo mais justo e solidário. Com uma identidade claramente católica, é aberta a todos, quer estejam mais próximos ou mais distantes da Igreja.”
Há 37 anos (1986) realizou-se a primeira JMJ. Os adultos de hoje foram os jovens dessa Jornada. Entretanto, aconteceram grandes mudanças principalmente a nível da comunicação. Para o pior e para o melhor. Será que motivação idêntica caracteriza os jovens dessa altura e os de hoje? O que é ser jovem em 2023? O que mudou e se mantem nos sonhos dos jovens?
Como nesse tempo, os jovens estão perante opções de vida fundamentais, hoje ainda mais difíceis de tomar do que antes. As armadilhas em que tropeçam são muitas e oscilam entre as falinhas mansas de que a felicidade está ao virar da esquina e as profecias climáticas, culpando tudo e todos e negando-lhes o futuro, entre o facilitismo na educação em que deixa de haver exame a matemática num curso de ciências e a ideologia de género dizendo-lhes que eles podem ser aquilo que quiserem, e a incultura woke que lhes proíbe as suas raízes culturais e pratica o cancelamento, a higienização, a censura, a proibição de livros e o proselitismo.
Não sabemos muito bem o que é a juventude e o que são os jovens. A “juventude” é segundo a ONU uma categoria fluida e mutável. Ser jovem pode variar muito em todo o mundo. O critério etário não é preciso, se "jovens" são pessoas entre 15 e 24 anos, por outro lado também define criança até aos 18 anos. Por vezes considera-se a juventude até aos 29/30 anos...
Segundo a ONU os jovens manifestam a imaginação, a criatividade e a energia que são vitais para o desenvolvimento contínuo das sociedades.
Seja como for, aquilo que continua a ser importante, antes e agora, é que os jovens sejam capazes de atingir estádios de desenvolvimento cognitivo e moral (estádio das operações formais e estádio pós-convencional) que lhes permitam ter capacidade para determinar o certo e o errado, com base em parâmetros sociais democraticamente pré-estabelecidos, compreender que as leis são como contratos sociais e não imposições rígidas e imutáveis feitas seja por quem for, políticos, influencers, gurus, wokistas, e ainda ter a capacidade de resistir à arregimentação e às investidas do proselitismo.
Se a JMJ contribuir para o desenvolvimento da autonomia dos jovens de forma a permitir que emocional e racionalmente se tornem pessoas dirigidas por princípios éticos universais, a JMJ terá valido a pena. Os sonhos dos jovens serão realizados se esta sólida formação moral estiver nos seus objectivos.
09/02/23
Onde estás felicidade ?
Depois de um terrível século XX, como entender o que se passa no início deste século em que o Caos parece reinar em relação à Ordem, com as várias catástrofes que têm vindo a acontecer: as guerras, como na Ucrânia, a pandemia e agora o terramoto na Turquia e Síria?
Somos motivados com frequência, pela publicidade, pelos livros de auto-ajuda, etc., nas mais diversas circunstâncias da vida a buscar a nossa própria felicidade. Ora mesmo nas coisas mais simples da vida sabemos que assim não é. Como diz a canção de Madalena Iglésias: “Onde estás felicidade que não te encontrei?”
Então de que felicidade se trata ?
Jordan Peterson (12 regras para a vida - Um antídoto para o caos) questiona que a felicidade seja o objetivo mais ideal para a nossa vida, pois sabemos que o sofrimento faz parte dela, e propõe entender a felicidade num sentido mais profundo.
Constatou que as grandes histórias do passado tinham mais a ver com o desenvolvimento do carácter face ao sofrimento do que com a felicidade.
A vida tem os dois lados: Ordem e Caos. Ordem “quando as pessoas ao nosso redor agem de acordo com normas sociais bem definidas, comportando-se de forma previsível e cooperante”; Caos é onde – ou quando - acontece algo inesperado” como a guerra ou perder o emprego...
Como organizar-se mentalmente do ponto de vista individual, familiar e social? De facto, “as pessoas necessitam de princípios ordenadores, caso contrário, surge o caos. Precisamos de regras, padrões, valores - individualmente e em conjunto.” (p.17)
O ser humano procura a felicidade mas neste sentido mais profundo que envolve os momentos difíceis da vida, que existem, e sabemos que podem ser superados. Quando parece que tudo está perdido uma nova ordem pode surgir da catástrofe e do caos, sem nos deixarmos submergir no niilismo ou na ordem excessiva e rotineira da normose.
Aprendemos com as experiências vividas por nós, observadas nos outros, de que a vida é constituída por ordem e caos.
Para Jordan Peterson podemos criar a ordem a partir do caos e vice-versa. E escreve: “Nos meus momentos de maior escuridão, no submundo da alma, dou por mim frequentemente assombrado e maravilhado pela capacidade das pessoas para fazerem amizades, para amar o seus parceiros e pais e filhos, e de fazerem o que devem para manter a maquinaria do mundo a funcionar.
Acredito que este tipo de heroísmo quotidiano é a regra e não a exceção. A maioria dos indivíduos tem de lidar com algum problema de saúde enquanto continua a ser produtivo sem se queixar. Se alguém tem felicidade de desfrutar de um raro período de graça e saúde impecável, então, é provável que haja algum membro da família que atravesse uma crise. No entanto, as pessoas prevalecem e continuam a fazer tarefas difíceis, que exigem esforço, para se manterem unidas à família e à sociedade ... Merecem por isso uma admiração genuína e sentida...” (p. 92)
É esta Ordem que temos visto, e esperamos continuar a ver, no Caos do início deste século.
Até para a semana.
01/02/23
Porque hoje é domingo - O palco* das bem-aventuranças
1. O Evangelho do passado Domingo falava das bem-aventuranças. Em 2014, disse aqui que as bem-aventuranças eram as Regras para uma vida feliz.
Esta perspectiva remete-nos para a Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate, de 19 de Março de 2018, do Papa Francisco, sobre a chamada à santidade no mundo actual e onde apresenta cada uma das bem-aventuranças como um caminho de felicidade para qualquer pessoa.
2. Martin Seligman é um dos meus psicólogos inspiradores e tenho aqui dedicado muito tempo a espalhar as ideias sobre "felicidade autêntica" e "bem-estar" que podemos resumir nas seis virtudes e nas vinte e quatro forças de carácter que integram a nossa personalidade.
Permitam-me que vá buscar a ideia de forças de assinatura e integre no inventário de Seligman esta ideia de bem-aventuranças.
Como refere Francisco: “64. A palavra «feliz» ou «bem-aventurado» torna-se sinónimo de «santo», porque expressa que a pessoa fiel a Deus e que vive a sua Palavra alcança, na doação de si mesma, a verdadeira felicidade.”
Ou seja, não se é feliz por se ser pobre ou por chorar ou se sentir injustiçado... a última palavra não é da pobreza, nem da tristeza, nem da injustiça mas da possibilidade que temos de ser felizes no desapego, na mansidão, na compaixão, na justiça, na misericórdia, na pureza do coração e na paz:
- a felicidade da pobreza em espírito e do desapego...
- a felicidade da mansidão num mundo de discussões, agressões, violências...
- a felicidade que vem da compaixão, de sermos solidários com os que sofrem e de partilhar as suas dificuldades e as suas dores.
- «Fome e sede» de justiça que correspondem a necessidades primárias, de sobrevivência. A justiça é, assim, uma necessidade básica nas relações sociais e políticas.
- A felicidade da misericórdia é o caminho da ajuda, do serviço dos outros, da compreensão e do perdão.
- A pureza de um coração que sabe amar.
- A felicidade que vem do caminho da paz.
- Os bem-aventurados, as pessoas felizes, vivem com autenticidade, questionam e incomodam a sociedade com a sua vida.
3. Ao mesmo tempo, nesta semana, discute-se o palco da Jornada Mundial da Juventude, a pala, o happening, a requalificação, revalorização de uma zona degradada de Lisboa e Loures, as coisas básicas da vida, como a limpeza, os wc, a água, a comida... e os milhões envolvidos.
Mais uma vez apareceu a falha na organização de um evento desta magnitude. Nada de novo. Simplesmente o espelho da nossa desorganização caseira, dos interesses mesquinhos, político-partidários, de aproveitamento para justificar as próprias posições... Penso no que esconde a máscara de cada um, desde os responsáveis directos pelas decisões que têm sido tomadas até ao último dos jovens que estão a dar o seu melhor para participarem nesta Jornada. **
O que será que interessa nesta Jornada? Tudo, portanto. Mas o sentido tem de ser o do caminho que se abre à juventude, do acesso à sua felicidade e bem-estar, numa vida com sentido como o traçado pelas bem-aventuranças.
Até para a semana.
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* "Ao ver a multidão, subiu a um monte, e, depois de Se ter sentado, aproximaram-se d'Ele os discípulos. Tomando então a palavra, começou a ensiná-los, dizendo..." (Mt, 5)
** Que modelagem temos para apresentar a estes jovens ?
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