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05/04/19

"Mitos climáticos" 3


 
 Ricardo Felício – 'Aquecimento global é fraude'

"Mitos climáticos" 2


"O messianismo climático colocou na agenda política as alterações climáticas devidas à utilização de combustíveis fósseis e à desflorestação. criou de caminho um mercado de biliões de euros para algumas empresas, de generosos financiamentos para grupos de investigação e departamentos universitários em risco de desaparecimento, bem como muitas ONGs. Gerou assim uma legião de seguidores e de grupos de interesses, que atacam os que põem em causa as suas conclusões ou a pertinência das suas medidas, como sendo anti-ciência ao serviço das petrolíferas, das multinacionais do carvão, ou de interesses obscuros...

...Os desastres climáticos locais, de que os furacões Katrina ou Sandy são exemplo, tal como as catastróficas cheias de Lisboa em 1967, das chuvas e deslizamentos de terras na Madeira e no Rio de Janeiro, ou as que resultam de ondas de calor e de frio têm pouco ou nada que ver com emissões de CO2, mas sim com a criminosa imprevidência que a ganância ou a ignorância provocam. Invocar tais desastres como efeito de emissões de CO2, apenas serve para impedir a clara identificação e responsabilização dos verdadeiros responsáveis."

José Delgado Domingos, Anuário JANUS 2013, Biblioteca virtual da Universidade Autónoma de Lisboa, pags. 56-57.

04/04/19

"Mitos climáticos"

1. No dia 15 de Março, uma sexta-feira, por todo o mundo, jovens faltaram às aulas para participaram num protesto, reivindicando mais acções na sustentabilidade e defesa do clima ...
Em Portugal, um pouco por todo o lado, também foi seguido o padrão oficial sobre o clima e foram também muitos os eventos realizados, com direito a debate no prós e contras, neste caso prós e prós, porque estavam todos de acordo.1
A doutrina oficial, do Secretário-Geral da ONU, A. Guterres, a muitos governos, como o de A. Costa,  até aos alunos de uma qualquer escola, é a união contra o mal que os seres humanos estão a fazer ao clima, provocando o aquecimento global...

2. De facto, muita gente está convencida da verdade oficial sobre o clima: da ONU, da União Europeia, de ONG ou da chamada “comunidade cientifica” …
No entanto, para não mentirem aos jovens sobre as alterações climáticas, talvez não seja despiciendo ler o que pensam outras pessoas, cientistas, críticos, sobre uma das invenções intencionais mais lamentáveis do nosso tempo.

3. Contra esta concordância generalizada, no entanto, há vozes discordantes. São vozes que manifestam uma grande coragem de remar contra a corrente.

4. José Delgado Domingos, antigo professor catedrático do IST, falecido em 2014, com 79 anos, foi uma dessas vozes da oposição ao nuclear mas também um crítico das alterações climáticas.
Delgado Domingos refere o que está a acontecer na "comunidade científica": "Silenciar os cientistas críticos".
"...Propuseram-se mesmo alterar as regras de aceitação das publicações para consideração nos Relatórios do IPCC (Painel Intergovernamental sobre a Mudança do Clima) de modo a suprimir as críticas fundamentadas às suas conclusões. Em resumo, procuraram subverter, em seu benefício, toda a ética científica da prova, da contraprova e de replicação de resultados que está no cerne do método científico, controlando o próprio processo da revisão por pares. Em conjunto, conseguiram impedir que fossem publicados a maioria dos dados e conclusões que pusessem em causa e com fundamento o seu dogma do aquecimento global devido às emissões de CO2eq." ("O Climategate e a Conferência de Copenhaga")


5. Mitos climáticos, é o nome do blog de Rui Moura, também antigo professor do IST, falecido em 2010. Rui Moura criou este blog em 2005, e conjuntamente com Jorge Pacheco Oliveira, traduziu o livro "A Ficção Científica de Al Gore", de Marlo Lewis Jr..
Publicou no seu blog o texto de Geraldo Luís Lino "História (quase) secreta do aquecimento global", que por seu lado refere Elaine Dewar que descreve a atuação de Strong, em Estocolmo *:
"Quando a Conferência de Estocolmo foi instalada (iniciada), em 1972, Strong advertiu urgentemente sobre o advento do aquecimento global, a devastação das florestas, a perda da biodiversidade, os oceanos poluídos e a bomba-relógio populacional. Ele sugeriu um imposto sobre a movimentação de cada barril de petróleo e o uso desses fundos para criar uma grande burocracia da ONU, para chamar a atenção sobre a poluição onde quer que ela se encontrasse. Na medida em que eu lia esse velho discurso, eu compreendia que ele quase poderia ser repetido na Cúpula do Rio [em 1992]. Como essas mesmas questões poderiam estar na mesa vinte anos depois?"

6. A mentira fez o seu caminho e é lamentável que com base nela tenha acontecido o relatado no ponto 1. Os principais responsáveis não são os jovens mas os adultos, ao mais alto nível.

7. O que é importante, diz Delgado Domingos, é que os "Problemas ambientais de fundo devem ser atacados."
"Chame-se-lhe variabilidade climática ou alteração climática, os problemas de fundo da sustentabilidade ambiental permanecem e agravam-se pelo que devem ser atacados com determinação e realismo. Se os esforços internacionais mobilizados para Copenhaga (e, acrescento eu, outras conferências) conseguirem ultrapassar a obsessão do aquecimento/emissões (liderado pela UE) para se concentrar na eficiência energética, nas energias renováveis, na minimização dos efeitos das alterações nos usos do solo, no combate à desflorestação, à fome e aos efeitos da variabilidade climática, teremos uma grande vitória para o planeta se a equidade e a justiça social não forem esquecidas.

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1. Apesar de tudo, um dos jovens presentes introduziu um assunto interessante: não interessa apenas o PIB, mas também a FIB, a pegada ecológica... o que nos leva ao tema do "decrescimento sustentável"...
2. Em 1972, realizou-se a Conferência de Estocolmo. U Thant, na altura Secretário-Geral das Nações Unidas, nomeou Maurice Strong Secretário-Geral da Conferência. Esta conferência, considerada "a conferência do terror", de facto, não podia ser mais alarmista.

14/02/18

Contra o espírito do tempo

Somente o necessário. O extraordinário é demais. Ou como diz o Eclesiastes (1,2): "Mαταιότης ματαιοτήτων, τα πάντα ματαιότης". "Vaidade das vaidades , tudo é vaidade".

O livro da selva - Bare necessities  - O necessário - Mogli e Balu

04/07/17

21/06/17

Dor e esperança



A dor chama-se fogo. A dor chama-se estrada nacional 236. A dor pode chamar-se todo o horror que a morte provoca no corpo e na alma das pessoas. As que partem e as que ficam. As que assistem à dor dos outros, as que estão longe na geografia mas perto no coração.
A dor chama-se um filho que fica sem pais, pais que ficam sem filhos. Ou quando não fica ninguém.
A dor, por estes dias, chama-se fogo. Sábado, 17 de Junho, em Castelo Banco, tarde de muito calor com trovoada. À noite, Rui Veloso, voltava a velhos temas “Sei de uma camponesa”, do “ar de rock”, a evocação do mundo rural e urbano… Ao mesmo tempo, quem podia saber?, que esse mundo rural passava por uma experiência traumática, ardia a estrada nacional 236, levando no fogo 47 vidas.
Manhã de choque, de espanto e surpresa, para um país. Famílias desencontradas ou destruídas, aldeias reduzidas a cinza.
Tivera lugar um acontecimento «atípico», com enorme impacto, para a qual construímos explicações para a sua ocorrência depois de o facto ter lugar, um cisne negro (N. Taleb) acontecia sem que alguém tivesse previsto, sem que alguém pudesse reagir a tempo.

Estamos por isso a construir as explicações.
Quem são os responsáveis? São as forças da natureza às quais ninguém consegue opor-se ou a incúria dos homens que nunca espera o pior? Ou a certeza do homem imprevidente que não quer saber da incerteza, do homem maldoso ou do homem doente, do homem da política, do homem especulador dos negócios ?
Talvez, por isso, não haja responsáveis: das informações, da coordenação, do planeamento, da estratégia, operacionais, legisladores …

Que fazer com os que sobreviveram ? A dor é uma experiência subjectiva mas é também uma experiência universal. As culturas, as filosofias e as religiões vêem a dor à sua maneira e podem suavizar o sofrimento indescritível de algumas pessoas mas nunca são suficientes para compreendermos "porquê?"
Tantas informações, debates, explicações, justificações… também não chegam porque a dor da gente não vem nos jornais nem nos telejornais.
A reparação psicológica e a reconstrução material das casas, dos campos, dos animais… vai levar muito tempo. O luto ainda mal começou. Provavelmente, serão lutos muito longos que ficarão na memória por muitos muitos anos, aonde as lembranças voltarão com frequência, não deixarão dormir, não darão sossego, não deixarão ver claro, não deixarão ver a justiça.
Haverá casos de perturbação pós-stress traumático, um problema de ansiedade que surge, quando uma pessoa foi exposta a um acontecimento que constituiu um trauma psicológico, como uma ameaça à sua segurança ou à sua vida, em que terá sentido medo, desespero, falta de ajuda ou horror intenso.

A dor faz parte da vida humana, existe e é inevitável, mas o sofrimento pode ser diminuído e evitado. Os cuidados de saúde física e mental deviam ser garantidos a estas pessoas que estão em sofrimento. Só assim poderá ser feito o luto.
Erguer das cinzas faz parte desse processo: Muitos lutaram, ficaram com a dor e com as marcas para a vida toda e continuam a viver
Onde ficou o silêncio terá lugar o canto das aves, do vento, onde havia cansaço e desânimo terá lugar a esperança.
Erguer das cinzas devia ser uma prioridade, desta vez, feita de maneira diferente dos últimos 40 anos: aprender com a experiência, e aprender, sobretudo, aquilo e com aquilo que não sabemos, para que novos acontecimentos improváveis não voltem a acontecer de forma tão devastadora.

O mito do progresso



Notícias recentes deram conta do incêndio de grande dimensão  que deflagrou na madrugada de 14 de Junho, num edifício, em Londres, uma torre residencial com mais de 20 andares, com vários dezenas de mortes e feridos.
O progresso que aparentemente se encontra nas grandes cidades (megalópoles), traz consigo problemas para os quais não há soluções, não são aplicadas soluções já conhecidas ou não são previstas, por negligência, por  economicismo, etc. A segurança, p.ex., é muitas vezes a questão mais importante mas a que sofre mais com este tipo de atitudes.
Desde há muito que a ideia de progresso é discutida e, aparentemente, para algumas das situações consideradas de progresso, não foram criadas soluções para situações críticas como acontece em acidentes deste tipo, ou da energia nuclear ou do controle de organismos geneticamente modificados...
"O progresso é um mito renovado por um aparato ideológico interessado em convencer que a história tem destino certo e glorioso."  (Gilberto Dupas)

Anselmo Borges em artigo que chama de “Uma sociedade ameaçada” escreve que "a actual sociedade europeia de que fazemos parte tem, na expressão do filósofo E. Husserl, uma nova "forma de vida", isto é, um horizonte novo de vivência, sentido e autocompreensão, a partir de três princípios fundamentais.
Trata-se de uma sociedade à qual foi possibilitado imenso bem-estar, derivando daí novas possibilidades de auto-realização e também um feroz individualismo, que apenas reivindica direitos ignorando deveres.
Por outro lado, as novas tecnologias têm um impacto decisivo nas sociedades, e não só no plano socioeconómico: mudam as mentalidades. Por exemplo, estar ligado à rede, navegando, afecta a vivência de si e do mundo. A concepção de espaço é outra, muda sobretudo a vivência do tempo.
…Paradoxalmente, a ligação global produz solidões penosas. Há um sentimento de quase omnipotência, seguindo-se daí que tudo o que é tecnicamente possível se deve realizar, sem perguntas de outro foro, ético, humanista. A satisfação imediata e o facilitismo são outras características de uma sociedade líquida 1 e mole, cujo deus é o dinheiro.
Desta forma de vida faz parte ainda a crítica religiosa, no sentido de um laicismo agressivo."

As questões ditas fracturantes parecem estar confi(n)adas ao lado dos autoproclamados  progressistas, sendo que o lado do progresso é feudo da dita esquerda e todos os outros são vistos como anti-progressistas, contra a evolução, retrógrados e reaccionários.
A propaganda das grandes realizações socialistas era marcada pelo progresso em todas as áreas da vida, os planos quinquenais traziam o grande desenvolvimento económico, desporto e lazer para todos, igualdade para todos...
Alguns partidos políticos, autoconsiderando-se progressistas, constituiram a Aliança progressista. para a direcção da qual, recentemente, António Costa foi eleito.

A. Borges dá alguns exemplos deste progressismo actual, entre nós:  a gestação de substituição, vulgarmente conhecida por barrigas de aluguer;  a eutanásia; o animal "... que não é coisa mas não é pessoa” 2; a dificuldade de  convivência com o esforço e com a avaliação (como terminar com os exames).

Ora aquilo que acontece é que estamos assistindo a grandes convulsões sociais e políticas, mais ou menos generalizadas: guerras, fome, injustiça, vagas de refugiados, emigração descontrolada,  que provam que não há grande progresso quando os direitos humanos são afrontados de forma tão elementar. 
Há questões que sempre devemos analisar perante aquilo que nos querem vender como progresso: "a quem o progresso serve, quais são os riscos e custos de natureza social, ambiental e de sobrevivência da espécie e que catástrofes futuras ele pode gerar."(G. Dupas)

Em Admirável mundo novo, 1946, Aldous Huxley coloca em epígrafe uma frase de Nicolas Berdiaeff: "As utopias são realizáveis. A vida vai em direcção às utopias. E talvez um século novo comece, um século em que os intelectuais e a classe culta sonharão com os meios de evitar as utopias e de voltar a uma sociedade não utópica, menos “perfeita” mas mais livre".

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1 Segundo Bauman, "modernidade líquida".
2 "Repensar o conceito de "pessoa". De acordo com o PAN, que cita estudos científicos, os animais também são dotados de consciência, mas não têm o direito de ser considerados como pessoas. O PAN defende, por isso, o reconhecimento no Código Civil de um eventual terceiro tipo de pessoa, para além da pessoa singular e da pessoa colectiva já existente. 


05/06/17

Ambiente e saúde


Durante esta semana, a 5 de Junho, passa mais uma comemoração do dia mundial do ambiente. Como acontece com as comemorações de outros dias mundiais, desde o seu início, em 1974, o Dia Mundial do Ambiente tem servido para "sensibilizar, consciencializar, chamar a atenção, assinalar que existe um problema por resolver, um assunto importante e pendente na sociedade para que através dessa sensibilização os governos e os estados actuem e tomem medidas ou para que os cidadãos assim o exijam aos seus representantes" (ONU)
Passados 43 anos desde o início do dia mundial do ambiente podemos dizer que os progressos não foram grandes. Por exemplo, a semana passada falámos do problema ambiental relacionado com o Tejo, devido à poluição e à central nuclear de Almaraz, e do significado ecológico e cultural para as populações que vivem ou não na sua proximidade.
Não será por isso que as coisas deixam de ser o que são ou que o aquecimento global deixará de se verificar se nada for feito. Também aqui tem que haver alternativas e o importante é procurar chegar a acordo com todas as partes, realizar estudos aprofundados sobre as suas causas e sobre o que cada estado deve fazer e deve suportar para melhorar o estado do ambiente. Porque  o ambiente é assunto que diz directamente respeito à vida e à saúde das pessoas e não pode deixar de ser um problema actual e para as próximas gerações.
Uma grande e boa surpresa foi a publicação (2015) da Carta encíclica Laudato si, do Papa Francisco, sobre o ambiente e o cuidado da “casa comum”.
A questão inicial é "que tipo de mundo queremos deixar a quem vai suceder-nos, às crianças que estão a crescer ?"
No fundo é uma questão geral sobre o sentido da vida e sobre os valores que a fundamentam: « Para que viemos a esta vida? Para que trabalhamos e lutamos? Que necessidade tem de nós esta terra?»
Francisco refere vários aspectos da actual crise ecológica: As mudanças climáticas, o acesso à água potável, a preservação da biodiversidade, a dívida ecológica.

Foi também uma boa  surpresa o livro de Manuel Pinto Coelho, Chegar novo a velho (2015) pela ligação que estabelece entre saúde ambiental e saúde individual, física e mental. Pinto Coelho  cita Francisco: “ a violência presente nos nossos corações está também reflectida nos sintomas da doença evidente no solo, na água, no ar e em todas as formas de vida” (p 154)
Nesta matéria, “a exposição ambiental às toxinas e metais pesados na nossa sociedade está a tornar-se uma condição clínica cada vez mais significativa nos dias que correm”.
Metais pesados como chumbo, mercúrio, arsénio, níquel, cádmio, alumínio e muitos outros, ou toxinas presentes praticamente em todo o lado: centrais eléctricas, automóveis, diesel, metalúrgicas e fundições, agricultura, esgotos, produtos de cosmética… constituem graves perigos para a saúde.

Francisco sabe que não é fácil reformular hábitos e comportamentos mas a «mudança nos estilos de vida», das pessoas, governos e  empresas, é o caminho.
Como em tantas outras situações, a educação e a formação são instrumentos centrais para essa mudança se concretizar.
Há esperança de que  cada um de nós comece por mudar a sua relação com o ambiente, nas pequenas coisas, como evitar o desperdício de água, luz ou alimentos.
Como diz Francisco: «nem tudo está perdido, porque os seres humanos, capazes de tocar o fundo da degradação, podem também superar-se, voltar a escolher o bem e regenerar-se ».

11/11/16

Construir

Reconquista, 7/7/2016




O que restava da "metalúrgica" já não existe, com excepção das chaminés. Finalmente!
Na capa do Reconquista de 7/7/2016, apresentava-se o projecto de renovação daquela zona.

02/12/15

Inteligência ecológica

Está a decorrer em Paris a cimeira do Clima que junta cerca de 190 países, com o objectivo de estabelecer compromissos que levem a estabilizar a emissão de gases com efeito estufa.
Este tipo de cimeiras começou em 1992, no Rio de Janeiro, ano em que foi finalizado o texto da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). 
Esta Convenção foi assinada e ratificada por mais de 175 países.
Em 1997, foi elaborado o Protocolo de Quioto com o objectivo de regulamentar a Convenção Climática e, assim, determinar metas específicas de redução de emissões dos principais gases causadores do efeito estufa. O Protocolo de Quioto só entrou em vigor em 16 de Fevereiro de 2005.
E o que que é que cada um de nós tem a ver com isso? Tudo, não apenas no sentido das alterações climáticas* mas no sentido de que a globalização também deve ser ecológica: o ar que respiramos não tem fronteiras, a poluição dos oceanos tem implicações na vida de todos os países, os produtos que consumimos são fabricados nas mais diversas partes do mundo com materiais e em condições que quase nunca respeitam a ecologia.
Tudo isto nos faz viver num mundo de insegurança e de ansiedade. Não são apenas as várias guerras, terrorismo, criminalidade, que geram essa insegurança, mas também a incerteza sobre os produtos de consumo, para a alimentação, para a saúde….
Um produto pode ter consequências adversas a três níveis, interdependentes (Goleman): Ao nível da geosfera (que incluí o solo, ar, água e clima); da biosfera (os nossos corpos e os das outras espécies assim como toda a flora terrestre) e ao nível da sociosfera (que incluí questões sociais tais como as condições de trabalho).
Felizmente, uma nova realidade está a acontecer: o poder está a passar das empresas produtoras e vendedoras para os consumidores e são estes que podem fazer a mudança.
O que mudaria nas empresas fabricantes de refrigerantes, cosmética ou vestuário se todos nós, sem excepção deixássemos de comprar os seus produtos? Há vários motivos que podem justificar essa atitude, como a exploração do trabalho infantil, a poluição da atmosfera ou a utilização de substâncias perigosas para a saúde.
É necessário, para consumidores e produtores, tornar absolutamente claro o impacto ecológico dos produtos que consumimos diariamente ("transparência radical", Goleman).
Desta forma, numa sociedade onde todos somos, inevitavelmente, consumidores poderemos travar flagelos como os desastres ambientais, a exploração de mão de obra ou a propagação de doenças incapacitantes ou mortais.
É por isso fundamental que cada consumidor tenha uma inteligência ecológica que permita travar a indiferença, o desinteresse, a ignorância ou má fé dos fabricantes dos produtos de consumo.
A inteligência ecológica permite anular ou pelo menos reduzir as ameaças e os danos para nós próprios, para a nossa saúde, para o ambiente e para o planeta. 
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* Nem todos seguem os argumentos do IPCC, como por exemplo: Argumentos contra a teoria do aquecimento global,  Aquecimento global: uma visão crítica.

21/09/15

Crescimento - paraíso perdido

O crescimento tem vindo a ser visto por alguns, gurus da economia, políticos de todos os quadrantes, principalmente os responsáveis pelos programas de ajustamento, pedintes de troicas e pecs, como a panaceia para resolver os nossos problemas (e os de todo o mundo). É o crescimento mágico, paraíso, a solução "milagrosa"...

A solução do crescimento mágico, tornado realidade-pesadelo, entre outros males, tem rebentado com o equilíbrio ecológico, tem imposto um desnivelamento cada vez maior  entre norte e sul, leste e oeste, entre pobreza e riqueza: deslocalização de empresas e consequente desemprego, degradação de ecossistemas, migrações (mediterrâneo, sudoeste asiático), nacionalismos exagerados, guerras...

Por exemplo, o caso do crescimento de Detroit, teve como consequência a insolvência de Detroit. "Veio mostrar como tudo isto é imprevisível e de como tudo se pode desmoronar quando não é sustentável.
O que se passou com Detroit? A cidade que se tornou no século XX o maior centro mundial da indústria automobilística, na década de 1970, entrou em recessão económica, por causa da crescente concorrência de companhias japonesas produtoras de automóveis, e em 18 de Julho de 2013 a cidade declarou bancarrota, tornando-se a maior cidade dos Estados Unidos a declarar bancarrota.
O valor da dívida, adianta por seu lado o New York Times, não é consensual, variando as estimativas "entre os 18 biliões e os 20 biliões de dólares". 

O automóvel tornou-se objecto fetiche de consumo generalizado, o paraíso automóvel, tornou-se um pesadelo individual e social.


Automóvel - paraíso perdido é uma publicação já antiga (tr. port. de 1974), alertava  para "as raízes de um fenómeno que, a nível individual, faz com que a generalidade das pessoas sintam que viver sem ter o direito reconhecido de coduzir um automóvel não é serem cicidadãos totais da sociedade industrial".
Em texto de Ricardo Abramovay, ninguém nega que "a conquista da mobilidade foi um ganho extraordinário, para as pessoas e para a sociedade. As cidades passaram a ser diferentes "e a sua influência exprime-se no próprio desenho das cidades. Entre 1950 e 1960, nada menos que 20 milhões de pessoas passaram a viver nos subúrbios norte-americanos, movendo-se diariamente para o trabalho em carros particulares. Há hoje mais de 1 bilião de veículos motorizados. Seiscentos milhões são automóveis."


"A produção global é de 70 milhões de unidades anuais e tende a crescer. Uma grande empresa petrolífera afirma em suas peças publicitárias: precisamos nos preparar, em 2020, para um mundo com mais de 2 biliões de veículos.
O realismo dessa previsão não a faz menos sinistra. O automóvel particular, ícone da mobilidade durante dois terços do século 20, tornou-se hoje o seu avesso."

Hoje existem mais de um bilião de veículos no mundo, e dentro de vinte anos, o número vai dobrar, em grande parte, consequência da China e do crescimento explosivo da Índia.
Os especialistas de transporte Daniel Sperling e Deborah Gordon explicam como chegamos a este estado, e o que podemos fazer sobre isso. Sperling e Gordon atribuem a culpa directamente à indústria automobilística, às políticas governamentais de visão curta e aos consumidores.
Alguns  autores têm vindo a chamar a atenção para o problema do crescimento sustentável. Em vez disso, os políticos vêem/lêem empobrecimento, e em vez disso os economista do crescimento vituperam a austeridade. Quando passam à prática não têm alternativas: Hollande em França, Tsipras na Grécia nem sequer um compromisso conseguiu até esta data ...

No entanto, a austeridade continua a ser a má da fita.  É assim que vários teóricos, gurus da economia e simpáticos crescimentistas (ver textos de Tavares Moreira no Quarta República) têm defendido a antiausteridade. De facto, são palavras doces para os ouvidos mas que a realidade desmente..

As universidades embandeiram em arco com esses representantes da antiausteridade que têm consigo a salvação. No meu pequeno país, mas grande em generosidade, Paul Krugman recebeu duma assentada, com grande pompa e circunstância, três galardões - Doutoramento Honoris Causa pelas Universidade de Lisboa,Universidade Técnica e Universidade Nova (2012).
"Reafirmou as suas posições de feroz adversário das políticas de austeridade, o que é simpático para os portugueses e nem tanto assim para o governo; mas reafirmou também que os salários deveriam descer entre 20 e 30%, o que inverte a ordem da simpatia. O que vale – e o que ele provavelmente não sabe - é que já não deve faltar muito para atingir esse desiderato. Valha-nos (mas pouco, porque dentro de poucos anos iremos querer muito ter salários como os deles) que também afirmou que Portugal não tem que reduzir os salários para os níveis chineses.
Ficava no ar um certo tom de contradição: como é que se pode ser contra as políticas de austeridade e defender reduções de salários?"
Por outro lado, Pickety "decretou" que "em Portugal a dívida vai ser reestruturada". Ora, ele é que sabe. E já agora, a folha de excel da troica não é melhor do que os palpites destes crescimentistas ? Isto não é meter-se onde não se é chamado ? A troica é que nos humilhava e os que dão palpites a torto e direito ?

O interessante disto tudo é que a austeridade iniciou-se em Portugal pelo governo PS mas esqueceram-se rapidamente. Em 30/09/2010: "O ministro da Economia, Vieira da Silva, defendeu hoje a importância das medidas de austeridade anunciadas pelo Governo, dizendo que são "fundamentais" para o crescimento económico do país. Julgo que é indiscutível para a maioria dos economistas, que a médio e longo prazo, estas medidas terão um feito positivo", declarou o governante, dizendo ter "a esperança" de que o aumento do IVA e o corte dos salários na Função Pública possam "gerar dinâmica na procura externa".
No final da sua intervenção, que marcou o início da conferência, Vieira da Silva abordou as medidas de austeridade anunciadas na quarta feira pelo Governo para reduzir a despesa pública, entre as quais se inclui a subida do IVA de 21 para 23 por cento e os cortes de 5 por cento na massa salarial da Função Pública.
"As metas que o Governo tem apontado para o crescimento económicos são muito prudentes, não fizemos estimativas baseadas na vontade, mas no realismo", afirmou o governante, justificando assim a convicção de que as previsões de crescimento económico serão concretizadas.
Sobre a contestação que as medidas anunciadas pelo Governo estão já a gerar entre os funcionários públicos e os sindicatos, Vieira da Silva declarou: "a contestação é algo que faz parte da vivência do regime democrático. Ao governo compete fazer o seu trabalho, que é tomar as medidas e chamar a tenção dos portugueses para os riscos que Portugal correria se não as tomasse".

De facto, há alternativas que não são as badaladas pelos simpáticos crescimentistas nem enredadas nas investigações dos peritos. 
Aos países e às pessoas interessa a prosperidade, entendida como algo mais do que o crescimento económico, como refere Tim Jackson: “Definitivamente, não é apenas a capacidade económica de um país, medida pelo PIB”, diz. Segundo ele, quando buscam prosperidade, as pessoas almejam mais do que dinheiro: querem saúde, solidez na família, na comunidade em que vivem… “Todos propósitos que vêm sendo debilitados em nome do crescimento económico”, lamenta. 

Um pequeno exercício sobre crescimento vs austeridade poderá indicar-nos como há crescimento virtuoso e austeridade virtuosa e crescimento vicioso e austeridade viciosa.
1. Mais crescimento e mais austeridade é o que conseguem fazer países com elevado crescimento mas onde a vida das pessoas continua cada vez mais difícil. A existência de matérias primas como o petróleo podia servir para levar mais bem-estar às pessoas e o que acontece é que, em muitos desses países, tudo mudou para pior, sendo a guerra com outros povos ou os conflitos internos que dominam este tipo de sociedades, normalmente não democráticas. Petróleo e paz dificilmente se conjugam.

2. Menos austeridade e mais crescimento é o que têm vindo a apregoar teóricos da economia e políticos crescimentistas de que na Europa os socialistas são um bom exemplo. E é o caminho que vai levar ao desastre: manter o "estado social" (quantas vezes simplesmente não passa de ostentação do estado: ppp rodoviárias, fundações, parque escolar...) com mais dívida.

3. Mais austeridade e menos crescimento tem sido o resultado das políticas aplicadas após a falência de alguns países como na Europa, que levam à necessidade de mais resgates.

4. Talvez reste a possibilidade de uma menor austeridade e de um crescimento menor desde que sustentados. Não vai ser possível continuarmos a viver neste mundo de recursos finitos do mesmo modo que o temos feito. A prosperidade é então uma coisa diferente de consumismo, de consumir para crescer, mas ter padrões de consumo ecológicos, produzir a preços acessíveis, regulados de forma equitativa para todos os países, sem trabalho infantil, sem trabalho sem regras, sem horários descontrolados... que levam à distorção de preços, a concorrência desleal, ao dumping, desemprego, ...

Pode haver "prosperidade sem crescimento".
"Prosperidade sem crescimento foi primeiro publicado em 2009 e colocou em linhas claras um debate de importância vital: para vivermos bem, para sermos «prósperos» e usufruirmos de bem-estar, será realmente necessário que haja crescimento económico? A resposta de Tim Jackson é taxativa: não."

"Mais do que crescimento interessa o florescimento e felicidade. Prosperidade quer dizer que as coisas vão bem para nós. Pergunte às pessoas o que isso significa na prática e elas falarão espontaneamente de sua família, relacionamentos, amigos, segurança. Ter um emprego decente. Sentir-se parte da comunidade. Participar de maneira significativa da sociedade. Prosperidade tem a ver com dar-se bem na vida. Significa florescer - no sentido amplo da palavra."

"O que quer que o futuro nos reserve, uma coisa está clara: a mudança é inevitável. Não existe um cenário confortador no qual simplesmente continuaremos do mesmo jeito. Os que esperam que a economia do crescimento conduza a uma utopia materialista vão se decepcionar. Simplesmente não temos a capacidade ecológica de realizar esse sonho. No final do século, deixaremos nossos filhos e netos com um clima hostil, os recursos naturais exauridos, a perda de habitats, a dizimação de espécies, a escassez maciça de alimentos, a migração em larga escala e a guerra quase inevitável.

"Assim, nossa única chance real é trabalhar para a mudança. Transformar as estruturas e as instituições que moldam o mundo social. Eliminar o pensamento imediatista que assolou a sociedade durante décadas. E substituí-lo por uma visão mais razoável de uma prosperidade duradoura."

"Porque, no fim das contas, a prosperidade vai além dos prazeres materiais. Ela transcende as preocupações materiais. Ela reside na qualidade de nossa vida e na saúde e felicidade de nossa família. Ela está presente na força de nossas relações e de nossa confiança na comunidade. Está evidente em nossa satisfação no trabalho e em nosso senso de significado e propósito compartilhados. Apoia-se em nosso potencial de participar plenamente da vida em sociedade."

"A prosperidade consiste em nossa capacidade de progredir como seres humanos - dentro dos limites ecológicos de um planeta finito. O desafio para nossa sociedade é criar as condições para que isso se torne possível. Essa é a tarefa mais urgente de nosso tempo."


11/06/15

Partilha


Economia da Partilha em Portugal e no Mundo.

Creio que não se ensina nas Universidades nem dá Nobel da economia ou  daqueles doutoramentos honoris causa à duzia.
A diversidade de caminhos que se abrem ao ser humano aumenta a esperança de um mundo melhor.
As coisas vão acontecendo e mudando, como neste caso: banco de partilha social.

13/03/15

Aí vem o sol


Inelutavelmente, a Primavera já se manifesta por todo o lado.


"Aí vem o sol
e eu digo
está tudo bem
tem sido um longo, frio e solitário inverno
parece que se passaram anos desde o que houve aqui
os sorrisos retornando aos rostos
eu sinto que o gelo está lentamente derretendo
parece que se passaram anos desde que isso ficou claro
Aí vem o sol
está tudo bem."


Here Comes The Sun -  George Harrison


11/03/15

Informação

Símbolo da informação Foto de Stock

Com a chegada dos novos media, a informação mudou substancialmente. Temos informações sobre os acontecimentos do mundo, na hora e em directo.
De tal forma é assim que temos dificuldade em apreender tudo o que se passa à nossa volta.
As ditaduras e os regimes totalitários utilizam estas novas formas de informação. Nesses regimes a informação é dominada pelo estado e os cidadãos são informados daquilo que o estado quer. É por isso que a internet não é livre nesses ambientes ou, praticamente, não existe.
O terrorismo sabe disso e uma das armas que utiliza é a divulgação de vídeos na net que tem como objectivo fundamental espalharem o terror e o medo.
Os regimes democráticos ficam expostos à possibilidade de exploração da informação para usos inadequados colocando em causa a liberdade de informação.
Como por exemplo a retirada de circulação de documentos técnicos com dados que poderiam fornecer pistas a terroristas para a produção de armas biológicas e químicas.
Na Europa, houve necessidade de fazer alterações ao Sistema de Informação Schengen. Com a possibilidade e trocas mais rápidas de informação entre Estados-membros e a apreensão dos documentos de suspeitos de terrorismo.
Surgem os sites tipo wikileaks (Julian Assange) que despejam informação secreta de vários países a nível de redes de informações, de estados que espiam outros estados (NSA, E. Snowden), de indivíduos que fogem aos impostos ou que lavam dinheiro (Swissleaks).

Excesso de informação ou informação deturpada*, seja como for, estamos sujeitos ao poder da informação que nos faz pensar, sofrer, desprezar, odiar…
Nos regimes democráticos continuamos a acreditar na informação que obedece à liberdade dos critérios jornalísticos. Mas o cidadão continua com fragilidades na compreensão de tanta informação sem saber aquilo que é relevante ou não, verdadeiro ou falso.
O jornalista J.L.Servan-Schneider descrevia esta grelha de análise (Psychologies, nº 229, Abril 2004, “l’info, notre intox”) que resumo a seguir:
A informação útil, a que pode ter consequências na nossa vida pessoal: descobertas médicas, instalação de um novo radar rodoviário, anúncio de uma greve de transportes. 
A informação espelho, que põe em jogo pessoas como nós mergulhadas em acontecimentos fora do normal: avalanche destruidora, desaparecimento de crianças, poluição marítima. Esta informação é inquietante porque nos lembra que o perigo nos rodeia mas a maior parte do tempo ela tranquiliza-nos, hipocritamente, porque ao menos desta vez não é a nós que nos acontece.
A informação espectáculo, que triunfa com os grandes acontecimentos organizados: jogo de futebol decisivo, jogos do mundial ou do Europeu, casamentos de celebridades, noites de entregas de troféus, óscares… 
A informação acontecimento, que nos oferece um momento único, impressionante e decisivo, como a queda das torres gémeas do World Trade Center, o famoso 11 de Setembro, da queda do muro de Berlim ou da estátua de Saddam.
Enfim, a informação emoção, que é simultaneamente imprevista e sem consequência directa na nossa vida mas turbulenta: é evidentemente a notícia de alguém de quem gostamos que nos reenvia pequenas nostalgias pessoais.

A selecção da informação é uma necessidade no nosso tempo. Mas essa selecção deve ser feita por cada um de nós.
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* Por exemplo, a informação sobre alterações climáticas, (aqui  e aqui); as encenações fotográficas ...

(15-3-2015)
Perigo! Infoxicação!