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08/06/16

20/04/16

"O meu melhor amigo é um cão" ?

Na infância praticamente todos temos um melhor amigo e essa amizade pode durar anos, às vezes toda a vida. Às vezes o melhor amigo pode ser um cão.
Winston Churchill tinha os seus cahorros Rufus.
Freud era acompanhado nas consultas pela sua cadela Jofie, da raça chow-chow. Freud dizia “Eu prefiro a companhia dos animais à companhia humana. (Porquê?) Porque são tão mais simples! Não sofrem de uma personalidade dividida, da desintegração do ego, que resulta da tentativa do homem de se adaptar a padrões de civilização demasiado elevados para o seu mecanismo intelectual e psíquico. O selvagem, como o animal, é cruel, mas não tem a maldade do homem civilizado. A maldade é a vingança do homem contra a sociedade, pelas restrições que ela impõe. As mais desagradáveis características do homem são geradas por esse ajustamento precário a uma civilização complicada. É o resultado do conflito entre nossos instintos e nossa cultura. Muito mais agradáveis são as emoções simples e diretas de um cão, ao balançar a cauda, ou ao latir expressando seu desprazer…" (Entrevista a George Sylvester Viereck).

Grouxo Marx em “Memórias de um pinga-amor” também escreve "o meu melhor amigo é um cão". E escreve isto por causa das más línguas que inventam histórias sobre ele. “ E agora inventaram que não gosto de cães. Pois quê, se tenho um amigo no mundo, é a minha cadela "Grand Danois” Zsa-Zsa. Há anos que somos absolutamente inseparáveis. Nos oito anos que temos estado juntos, Zsa-Zsa e eu nunca brigámos. É certo que de quando em vez ela me morde mas quando isso acontece eu mordo-a logo a seguir. Hei-de ensinar-lhe quem manda.
“Não gasto mais com o guarda roupa da Zsa-Zsa do que alguma vez gastei com qualquer garota e nem uma só vez ela me pediu uma coleira nova só porque o cão do outro lado da rua apareceu com uma coleira nova..." 
É de facto muito vantajoso ter um cão como melhor amigo. Ou pelo menos era assim até há pouco tempo. Parece que as coisas mudaram. Nos dias que correm os melhores amigos são ainda as pessoas, como é o caso dos políticos em que os melhores amigos são empresários. Isto é muito mais vantajoso do que um cão. O cão não tem interesses financeiros como os amigos humanos.
Os casos Panama Papers, Marquês, Lava Jato, assessorias especiais e muitos outros, revelam-nos que os melhores amigos estão dispostos a dar a camisola e também a terem uma conta bancária em nosso nome, muitas empresas em nosso nome e não ganham nada com isso. O nosso melhor amigo empresário ou político está para tudo e por tudo.  Os melhores amigos sabem tudo da nossa vida, têm procurações nossas, levam e trazem dinheiro vivo nosso ou deles, tanto faz. É a pessoa em quem nós mais confiamos, mais do que na própria família. O nosso melhor amigo sabe os nossos segredos mais íntimos e que segredo mais íntimo pode haver do que aquele que tem a ver com o "nosso" dinheiro?
Que saudades do tempo em que a moral andava pelos "amigos, amigos, negócios à parte!"

18/05/15

Rivalidades: Bandas e bandos...

É um dos episódios mais pitorescos da rivalidade, no campo da música, descrito por F. Lopes-Graça (Disto e Daquilo, Ed Cosmos, Lisboa,1973, cap. "Recodações em dó maior").
Termina com a tradicional rivalidade clubística benfiquista-sportinguista que, nos dias de hoje, é mais portista-benfiquista... De resto, não mudou nada.

"Quanto aos restantes dois organismos musicais tomarenses, esses não dividiam os espíritos: rachavam as cabeças dos seus respectivos prosélitos.
Eram eles a Banda Republicana Marcial Nabantina, com sede no bairro de Aquém-da-Ponte; e a Sociedade Filarmónica Gualdim Pais, que se agremiava no bairro de Além-da-Ponte, também chamado «Espanha». À rivalidade politico-económica existente entre os dois bairros da cidade correspondia, naturalmente, a rivalidade artística das suas respectivas filarmónicas. Esta rivalidade traduzia-se magnìficamente nas apelações populares de cada uma das filarmónicas, apelações derivadas de certa particularidade dos seus uniformes, e que vale a pena registar, apesar do seu picaresco algo despejado.
Os filarmónicos da Gualdim Pais encimavam os seus bonés por uma pluma enristada; ao passo que os barretes dos da Nabantina se distinguiam por um estranho orifício praticado logo acima da pala. Daí advinha o chamarem à Gualdim Pais a «Música do pau teso» e à Nabantina a «Música do cu aberto». Está-se a ver que com tão frescas e irreverentes alcunhas aquilo devia ser mesmo um sarilho... E era. Sempre que as duas bandas se enfrentavam, tínhamos a música desafinada. Festa ou romaria abrilhantada por ambas elas desandava ordinàriamente em heróica e homérica refrega, da qual saíam os trombones amachucados, as flautas rachadas, os bombos estoirados, à força de serem utilizados como armas agressivas ou pararem os golpes do adversário. E é bem de ver que nem só os pobres dos instrumentos pagavam as custas da rivalidade entre as duas bandas, transforrnadas em dois autênticos bandos, com os seus competentes partidários, que, em geral, são os mais assanhados nestas contendas clubistas. Aquilo era mesmo como as actuais e por vezes sangrentas lutas entre «benfiquistas» e «sportinguistas»..."