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21/09/16

Monsanto: simbolismo e bom senso


Reconquista, 15 de Setembro de 2016




Reabertura da escola de Monsanto, uma escola de pequena dimensão que nunca deveria ter passado pelo processo aqui descrito. Os alunos e as famílias não o mereciam. As políticas de régua e esquadro podem servir na 5 de Outubro mas não são úteis para as populações. Tantas vezes defendemos as políticas de Crato mas neste aspecto elas eram erradas e prejudiciais para os alunos e famílias. Esta alteração é, aliás, uma excepção, porque para o actual governo nada mudou de substancial em relação a estas escolas.
Merecem reconhecimento os autarcas que compreendem as preocupações das famílias com a educação dos seus filhos. Aposto que os burocratas não desejam melhor educação para os alunos do que os seus pais e de quem está no terreno.
Além disso, há a visão dos autarcas que sabem que se não há pessoas nas aldeias, em breve elas faltarão nas sedes do município e vão até ao limite para que, de acordo com os pais e encarregados de educação, se mantenham as escolas abertas.
Temos defendido aqui (1, 2, 3, 4, 5 ...)  as escolas de pequena dimensão. Esta reabertura é um acontecimento feliz para a educação destas crianças.


06/10/15

Escolas de pequena dimensão


É tempo dos "crescidos" resolveram o problema da liberdade de educação. Não deviam meter as crianças nisto, nem castigá-las devido a indecisões, más decisões, desorganização e incapacidade para resolver um problema bem simples: a criação de uma rede de escolas de pequena dimensão, que aqui temos vindo a pedir em nome das crianças. E não vamos desistir.

04/10/15

Escolas de pequena dimensão

Discordo do método e do timing, mas...
É necessário olhar para esta situação, a nível nacional. Os pais querem que os seus filhos frequentem a escola local. Neste processo, os mais frágeis são as crianças e os pais e é por isso que  devem ser ouvidos e apoiados. Esta é, aliás, uma posição progressista, ao contrário do que pensam os "engenheiros do parqueamento" dos alunos em escolas "desligadas" do que é essencial: a proximidade dos pais.


Daqui

"O nosso objectivo é que reabram a escola, mas também queremos que nos expliquem porque é que esta escola fechou e outras que tinham menos alunos continuam a funcionar", acrescentou Marta Sousa, mãe de duas crianças, uma das quais a frequentar o primeiro ano do ensino básico."

"Vestidos de preto em sinal de luto, e com folhas que colocaram no local em que pedem "igualdade", os manifestantes recordam argumentos antigos, designadamente o facto de as crianças serem obrigadas a andar de transportes diariamente para irem para a escola de acolhimento, que fica a cerca de cinco quilómetros."

"Garantem ainda que a decisão não se traduziu numa poupança, já que é necessário assegurar transportes e alimentação para as 17 crianças."

16/09/15

Escolas de pequena dimensão

Continua a saga do fecho de escolas. Não há interesse em alternativas ou, pelo menos, em estudar alternativas ao fecho de escolas. Outros interesses são sempre mais importantes que o desenvolvimento das crianças e o seu bem-estar pessoal e familiar.
Os pais e alguns autarcas, principalmente os que estão ligados às aldeias, continuam, quixotescamente, a lutar pela sua escola.
Os srs presidentes de câmara só se indignam com o mapa judiciário, os centros de saúde ou outras áreas que lhes são retiradas dos concelhos, muitas vezes em nome da boa gestão. 
Tanto o poder central como o local, com excepções como a referida abaixo, não vêem a diferença ?
No caso das escolas o que está em causa são crianças dos 6 aos 10 anos, dependentes, longe dos pais durante um dia inteiro, com viagens longas,  numa altura em que a ligação aos pais ainda é muito importante para o eu desenvolvimento.
O ministério da educação e as autarquias não podiam criar uma rede de escolas de pequena dimensão nos locais onde famílias e autarcas considerassem essa prioridade para o desenvolvimento das crianças?
Desta vez, enfim, e é apenas um exemplo, foram os...
Gazeta do interior, nº1394, 2-9-2015

26/06/14

Fechar escolas racionalmente



Como disse: "Alguns autarcas têm sabido e conseguido fazer valer o princípio da proximidade afectiva sobre o princípio do reluzente e desértico centro escolar, até que seja razoável a existência da escola que, por exemplo, um número de alunos muito reduzido já não justifique e que pela vontade dos pais seja preferível frequentarem outra escola."
Tem sido assim, no concelho de Castelo Branco. E espero que assim continue.
"Na proposta de reorganização da rede procurou-se ter em conta a importância de uma oferta de proximidade que evite deslocações incómodas e preocupações relacionadas com a concentração da oferta, que permite melhores condições na qualidade dos serviços educativos prestados." (Parque escolar de Castelo Branco, 2010, pag. 5).

Fechar escolas - o mapa

Infografia: O mapa das escolas do 1º ciclo que vão fechar, 25 Junho 2014, por Rui Santos - Negócios 


0 - 10 escolas que vão encerrar 
11 a 20 escolas que vão encerrar
21 a 30 escolas que vão encerrar
31 a 40 escolas que vão encerrar
41 a 50 escolas que vão encerrar
mais de 50 escolas que vão encerrar            
Escolas / Viseu

25/06/14

Fechar escolas


O país silente.

"...O silêncio plúmbeo num dia de sol por não se ouvirem os gritos das crianças que preenchiam ainda a recordação daquele sítio. Tinham sido dali levadas, pela manhã, por uma carrinha da freguesia para o centro escolar na sede do concelho onde se concentram agora professores e crianças..."

"Quem abre escolas fecha prisões"

É uma famosa afirmação de Victor Hugo. Tem vindo a ser demonstrada ao longo dos tempos pela investigação que tem sido feita. 
Mas agora estamos a percorrer o caminho inverso. Estamos a fechar escolas. Bom, digamos que estamos a reorganizar  (ou  desorganizar) o sistema educativo.  
Todos os anos, por esta altura, o assunto da educação é o fecho de escolas, a régua e esquadro. É dos episódios mais  cansativos a que assistimos anualmente. 
Primeiro, são umas  quantas escolas que fecham, depois são menos, depois depende das autarquias... As regras devem ser cumpridas nuns locais e depois podem não ser cumpridas noutros.
Esta notícia (Lusa/SOL) de 12-4-2014, é um resumo do que se tem passado sobre o encerramento de escolas.
O ministro da Educação, Nuno Crato, afirmou hoje, em Macau, China, que o encerramento de escolas com menos de 21 alunos "não é assunto novo", considerando que o fecho "é normal e já estava previsto há bastante tempo".
"Não é assunto novo, são escolas que estavam, na sua esmagadora maioria, com autorização de funcionamento extraordinária e já estava previsto o seu encerramento há bastante tempo", afirmou Nuno Crato, hoje em Macau, à chegada para uma visita oficial.
Questionado sobre quantas escolas com menos de 21 alunos estão em risco de fechar, o governante disse não se lembrar do número exacto, reiterando, no entanto, que se trata de "uma situação normal já prevista há muito tempo à semelhança do que está a ser feito nas autarquias".
Os municípios receberam a indicação do Ministério da Educação de que as escolas que ainda restam com menos de 21 alunos são para fechar no próximo ano lectivo, segundo disse à Lusa na sexta-feira o presidente da Comunidade Intermunicipal de Trás-os-Montes, Américo Pereira.
Com o anúncio do encerramento de 239 escolas do primeiro ciclo no ano lectivo em curso, subiu para 3.720 o número de estabelecimentos de ensino encerrados desde 2005, segundo dados do Ministério da Educação.
O número de escolas fechadas ultrapassa as que se mantêm abertas, no âmbito da política de concentração de alunos em 332 novos centros escolares e de encerramento de escolas isoladas, uma vez que estavam em funcionamento 2.330 escolas do primeiro ciclo, no ano lectivo 2012/2013.
A reorganização da rede escolar teve o seu grande impulso * com a ministra da Educação entre 2005 e 2009, Maria de Lurdes Rodrigues, que determinou o encerramento das escolas com menos de 10 alunos e apoiou a construção de centros escolares integrados. Em 2010, a decisão de encerrar escolas foi alargada aos estabelecimentos com menos de 21 alunos, decisão que se mantém.
A nível local temos aqui um resumo.

Tenho argumentado contra o fecho de escolas rurais e de pequena dimensão. Tenho tentado mostrar aqui o enorme erro que se vem cometendo desde há uma década mas com particular violência no período "rodriguista", conforme refere a notícia.
Escrevi sobre o assunto:
fechar escolas - falácia da socialização
o barato sai caro
aberração pedagógica
educação escolar em casa e socialização
small is beautiful
small is beautifull - 2
leio no correio da manhã 24-8-2010
razia
3720


Felizmente tem havido autarcas que compreendem o que significa fechar uma escola: 
- Não é apenas um problema económico. Mesmo que a reorganização não tivesse custos para o estado. E não tem para as autarquias? Quanto custa a construção e manutenção de um centro escolar ? Quanto custam os transportes, a alimentação ? O suficiente para pagar a um professor? 
- Não é um problema de socialização. 
- Não é  moeda de troca do problema da desertificação. 

Se bem que seja também tudo isso, é, principalmente, um problema de educação, da  relação afectiva pais-filhos.
É uma aberração psicológica separar dos pais, durante um dia inteiro, crianças de 5, 6, 7 anos , sujeitas a viagens de horas para outras escolas, às vezes com piores condições, e outras vezes, com melhores condições físicas que nunca compensam a falha afectiva.
É uma questão de visão e planificação de um país.
É uma questão de qualidade de vida.

Tudo isto, feito (quase) sempre contra a vontade dos pais.
Alguns autarcas têm "embarcado" na construção de tais centros escolares para onde levam praticamente todas as crianças do concelho. Mas ficam muito indignados quando lhes querem acabar com outros serviços do estado  e nem sequer vale a pena falar em acabar com juntas de freguesias, concelhos. O fecho das escolas rurais e de pequena dimensão é apenas o primeiro passo.

Alguns autarcas têm sabido e conseguido fazer valer o princípio da proximidade afectiva sobre o princípio do reluzente desértico centro escolar, até que seja razoável a existência da escola que, por exemplo, um número de alunos muito reduzido já não justifique e que pela vontade dos pais seja preferível frequentarem outra escola.
Mas ainda nesses locais poderiam ser  criadas novas possibilidades, à semelhança do ensino doméstico, desde que essa fosse a vontade dos pais.
Fechar escolas não é a mesma coisa que fechar outro serviço qualquer. O problema aqui é que estamos a tratar de crianças muito pequenas, pouco autónomas sem a protecção dos pais.
_______________________________
* É curioso ver os autores da lei criticarem a medida criada por eles próprios, apenas porque está a ser aplicada por outro executivo que entendeu que lhe devia dar continuidade. Vale mais tarde... mesmo assim.

23/07/12

3720

"Com este anúncio, o número de escolas do primeiro ciclo encerradas desde o ano letivo 2005/2006 sobe para 3.720. No próximo ano estarão em funcionamento 2.330 escolas a leccionar até ao quarto ano de escolaridade."
"Por regiões, na área abrangida pela Direcção Regional de Educação do Norte é onde vão encerrar mais estabelecimentos (126), seguida do Centro (66), Lisboa e Vale do Tejo (33), Alentejo (10) e Algarve (três)."

Interessante: fecharam 3720 escolas e vão funcionar 2330.
Afinal, o que é que mudou ?
Estejamos descansados ! É "atendendo à melhoria da qualidade de ensino"!

02/07/12

Fechar escolas: o barato sai caro

aqui nos referimos  a este processo desastroso que tem sido o encerramento de escolas por todo o lado em nome de critérios que estão longe de serem consensuais entre os pais, autarquias e ministério e inconsistentes com os princípios científicos da educação.
A vaidade (e a reeleição para quem faz obra!) levou este país a isto: fizeram equipamentos sociais por todo o lado, piscinas, pavilhões, polidesportivos, parques infantis e de idosos... para (quase) ninguém  e puseram as crianças em parques escolares nas sedes dos concelhos.

No caso das escolas não era preciso obras grandiosas  e não era necessário fazer outras construções. Decidiram acabaram com escolas com menos e muitas com mais de 10 alunos, contra a vontade dos pais, sublinho contra a vontade dos pais, para as levaram para vários quilómetros de distância... e ficarem durante todo o dia em equipamentos dourados mas longe do afecto dos pais.

Tantas alternativas... Por que não se desenvolvem projectos a nível das escolas de pequena dimensão ou das escolas rurais ? A diversidade é uma realidade: o ensino doméstico, os projectos de ensino para alunos hospitalizados, o ensino para os  alunos filhos de profissionais itinerantes...
  

07/06/12

"A problemática colocação de um mastro"

"Nós estamos a sofrer, presentemente, de uma idolatria de gigantismo quase universal" (Schumacher, Small is beautifull, pag.59). É esta doença que leva à criação de mega agrupamentos. A ideia de organizações em larga escala confronta-se com a ideia de respostas de qualidade, personalizadas e humanas.
Mas, infelizmente, em nome de um qualquer indefinido progresso, as organizações em larga escala parece que levam a dianteira nas políticas sociais.
Foi assim que, primeiro, acabaram com os postos de correio e com as escolas nas aldeias pequenas. Como isso ainda não era suficiente, logo a seguir, acabaram com as escolas nas aldeias maiores.
Depois construíram grandes parques escolares e fizeram grandes agrupamentos de escolas para juntarem os alunos, às vezes de um concelho inteiro.
Como isso ainda não chega, agora querem construir mega agrupamentos e até giga agrupamentos. ..
A segurança de proximidade também não tem muita importância e foram-se aos postos da gnr. A saúde também fica mais barata longe de casa e acabaram com centros de saúde e com maternidades.
E claro, não sei se é para rir porque algumas câmaras municipais foram coniventes com esta política, agora querem acabar com os tribunais nos concelhos pequenos.
As escolas nas aldeias acabaram em nome do que "eles" dizem que é o progresso e daquilo que "eles" entendem por socialização e sucesso escolar, nunca demonstrados.
Obviamente que não precisam de acabar com as aldeias porque elas acabarão por si quando morrerem os últimos velhos.
A política das organizações em grande escala marcou o governo anterior. E pelos vistos teve sequência no actual governo.
"Eles" gostam de coisas grandiosas, como cantam os Deolinda: "O maior mastro do mundo é português".
Nada disto é novo. A organização em grande escala é a tendência das políticas dos últimos anos. Grande parte dos dossiers do governo anterior estavam inquinados por esta visão grandiosa dos megaprojectos: Milhões de computadores, estradas e mais estradas, concentração em hospitais e maternidades, empresas municipais por todo o lado, e tudo isto feito com ppp, projectos financeiros insustentáveis em que o estado, isto é, em que os nossos impostos eram sacrificados ou a dívida aumentada. E tudo com muita festa, encenação, comida e bebida.
Schumacher propõe uma dimensão humana das organizações porque funcionam melhor, são mais ajustadas às necessidades das pessoas e dão mais liberdade e criatividade às pessoas.
É por isso que há necessidade de entender o desenvolvimento numa outra direcção "que conduza o homem às verdadeiras necessidades do homem, que o mesmo é dizer: às verdadeiras dimensões do homem. O homem é pequeno e por conseguinte o que é pequeno tem beleza. Caminhar para o gigantismo é caminhar para a autodestruição. E qual será o custo de uma reorientação ? Devemos lembrar-nos de que calcular os custos da sobrevivência é uma coisa perversa. Sem dúvida que algum preço terá de ser pago por alguma coisa que valha a pena: reorientar a tecnologia de forma a que ela sirva o homem, em vez de servir para o destruir, requer, antes de mais nada, um esforço de imaginação e abandono do medo." (pag. 133)
Nos políticos, actualmente no e com poder, não se encontrará uma voz discordante da política das organizações de grande escala ?

14/09/11

Estamos todos parqueados


 Quinta das conchas - Lisboa

 Vivemos na era dos parques. Embora seja difícil definir o que é um parque, tentamos com a Wikipédia:
Um parque é um espaço comummente chamado de "área verde", em geral livre de edificações e caracterizado pela abundante presença de vegetação. Protegido pela cidade, pelo Estado/província ou pelo país no qual se encontra, destina-se à recreação, e à preservação do meio-ambiente natural. Desta forma, um parque pode ser caracterizado como urbano ou natural.
Esta definição deixa de fora muitos parques porque há parques para quase tudo. Além disso, o parque urbano pode ser natural e vice-versa.
Ao longo da nossa vida, começamos por colocar a criança quando é pequena no parque para bebés (devo dizer que não sou adepto destes parques) e, de vez em quando, levamos os nossos filhos até ao parque infantil. Normalmente temos que deixar o carro no parque de estacionamento.
Quando precisamos de mudar o óleo ao carro vamos ao parque industrial e quando precisamos de fazer umas compras vamos ao parque comercial (também se chama outlet).
Como somos todos ecologistas, uns mais verdes outros menos, temos os parques nacionais para visitar, passear, recrear. Neste capítulo a variedade é grande: pode ser um parque florestal, parque ecológico, parque biológico, geopark,  parque integrado.
Podemos ter umas férias  mais em conta se ficarmos no  parque de campismo e, conforme o gosto, com ou sem versão naturista.
Cada vez há mais parques de diversões,  com água ou não, e os parques temáticos: harry potter, etc.
Pelo menos enquanto as crianças são pequenas, não prescindimos de uma visita ao parque zoológico.
De regresso a casa conforme a fome e o acordo da família posso lanchar no parque de merendas.
Quando me apetece um pouco mais de cultura vou ao parque dos poetas ou ao parque arqueológico.
Como alternativa posso praticar desporto no parque desportivo enquanto o filho aproveita para usufruir do skateparque.
E tudo isto cada vez mais verdinho:  por causa das alternativas ao petróleo vou contemplando da scut por onde passo o parque eólico.
Mas o que está na moda mesmo é o parque escolar.
Não sei bem o que é um parque escolar mas parece que inclui os equipamentos escolares de uma zona geográfica e outros equipamentos não escolares como atl, parques infantis, refeitórios, etc . Normalmente dele faz parte o centro escolar que é um grande edifício onde resolveram juntar os alunos de várias escolas de várias localidades, que entretanto encerraram, algumas de forma compulsiva,  variando a distância de poucos ou muitos quilómetros, transformando a escola num equipamento para todos as modalidades de ensino desde o infantil até ao secundário. 
Enfim, parque escolar é uma palavra abençoada para os modernaços que nos têm governado. E é com grande satisfação que os políticos vão inaugurando um pouco por todo o lado os mais diversos parques.
Com tanto parque eu já vivia feliz e achava que não havia necessidade de mais. Eis senão quando de repente me sobressaltou uma ideia: cá para mim, não faltará muito tempo para termos parques para os nossos idosos…
Não é possível, dizia o meu eu ingénuo.  Já mandamos os idosos para fora de suas casas e juntamo-los  em  lares com dimensões perfeitamente desumanas. Faltava só que ...
Já não falta. Afinal criaram também  parques geriátricos. Tomem nota: parques geriátricos.
Portanto, já estamos todos parqueados …
Pode não haver fisioterapia, pode não haver terapia ocupacional, pode não haver cuidados de saúde, mas há parques geriátricos.
E o que são estes parques ? São assim uma espécie de parques infantis para os idosos, têm uma série de equipamentos que permitem aos idosos realizarem exercícios físicos específicos para a sua faixa etária.
Moral da história 1
Por mim, que já não sou novo, nunca irei a um parque destes nem que os equipamentos sejam banhados a ouro, nem que fique no banco de jardim a dar milho aos pombos.
Moral da historia 2
Viva a exclusão! Não seria melhor os idosos terem  espaços onde anda toda a gente ? Porque razão os equipamentos  tal como as acessibilidades não podem ser para toda a população ?
Moral da história 3
O mais interessante é que estes equipamentos têm servido para negociatas.
Moral da história 4
Além disso, como acontece com os parques infantis que se degradam à  velocidade da luz e que nunca são reparados a tempo, podem tornar-se perigosos para quem os frequenta.
Moral da história 5
O que eu acho mesmo é que constroem parques infantis para idosos porque os parques infantis estão muito idosos.
Moral da história 6
Após o 5 de Junho, esperava um corte com o passado em algumas politicas como é o caso dos parques escolares. Este era também um dos dossiers que são autênticas armadilhas para os que vêm a seguir. Esperava que não fosse uma evolução na continuidade porque foram políticas deste tipo que ajudaram a levar ao desastre embora com inaugurações festivas e com foguetório.
Mas é difícil fugir à tentação das inaugurações e de mostrar obra feita.
Moral da história 7
Por mim fico-me mesmo pelo parque jurássico.

20/07/11

654-266=ludíbrio

Sabemos que muitos dossiers do ME estão cheios de enviesamentos e alçapões. É necessário e urgente tomar medidas mas não desta forma. Não será por isso de admirar que uma pessoa sinta que, afinal, se trata de ludíbrio, como fala Santana Castilho, aqui. 
"Como já afirmei publicamente, o expediente da suspensão do encerramento das 654 escolas, não é mais do que uma manobra política de duplo efeito: imediatamente, recolhem-se louros e popularidade; verdadeiramente, verifica-se o que está pronto e o que está atrasado, quanto às construções em curso. E, porque é isso que está no programa do Governo, continuar-se-á a política de criação de mega agrupamentos, aprofundando a desertificação do interior e tornando irreversível um deplorável crime pedagógico. No início de Julho, Nuno Crato suspendeu o fecho de 654 escolas. Dias volvidos, confirmou que 266 das 654 encerrariam imediatamente. Não teremos de esperar muito para confirmar o ludíbrio total."
O dossier "escolas de pequena dimensão" merece uma reflexão. A decisão tomada contra autarcas e, principalmente, pais é, no fundo, uma atitude contra as crianças e contra a educação das crianças. Estou a falar de crianças muito pequenas, entre os 5/6 e os 10 anos.
Há gente que gosta de gaiolas douradas que foi aquilo em que transformaram os parques escolares.
Não sei se será "ludíbrio total". Mas quando voltará a racionalidade lá para os lados da 5 de Outubro?

05/07/11

A mãe é que é bonita e não os parques escolares


Vieram "vender-nos" a ideia de que os parques escolares é que eram bons para todos os alunos. Que a socialização não ficava comprometida, que os resultados eram melhores, etc…
Ainda não vi provas irrefutáveis de que isso seja assim. Pelo contrário, o que se passa com as experiências em escolas rurais, em escolas de pequena dimensão, e com o ensino doméstico prova que não é assim.
Estamos a falar do 1º ciclo e de crianças muito pequenas que têm que abandonar os pais aos 5/6 anos de idade, para fazerem longos percursos de autocarro, seja Inverno ou Verão, para ficarem todo o dia (é mesmo todo o dia) “parqueados” nesses maravilhosos centros que fazem inveja ao “berço de Skinner”…
O ser humano é muito mais do que um ser cognitivo.
A análise e interpretação da longa duração da evolução humana (filogénese) e também da longa infância e adolescência do homem (neotenia) devia fazer-nos pensar que pode haver muitas possibilidades evolutivas. Veja-se, por exemplo, algumas diferenças entre os primatas e o homem.


Primatas
Homem
Dependência maternal
2 anos
6-9  anos
Maturidade sexual
4-8 anos
13-15 anos
                                                       (Fonseca, 1989)
A neotenia não significa que o ser humano nasça com falta de competências. Pelo contrário, sabemos que o bebé vem dotado de um equipamento senso-perceptivo impressionante que lhe permite uma precocidade relacional fundamental para o seu desenvolvimento.
O ser humano necessita de permanecer muito tempo junto dos progenitores para fazer um conjunto vastíssimo de aprendizagens que mais nenhum animal faz mas tem como contrapartida torná-lo dependente durante muito mais tempo do que acontece com qualquer outro animal.
Mas é esta dependência  que vai fazer com que se torne diferente dos outros animais.
Como vemos no quadro, essa dependência vai até cerca dos 10 anos, isto é, fica abrangida a faixa etária correspondente ao primeiro ciclo.
Por isso, faz muito sentido que a criança tenha contacto com os progenitores, ou seus substitutos durante este tempo.
Por isso, não há parque escolar por mais sofisticado que seja que seja melhor do que a proximidade e o colo dos pais.
O equilíbrio entre vinculação e autonomia, sendo que uma leva à outra, não se faz ao tirar, demasiado cedo e com alguma violência, a criança à família .
A ideia de que as condições materiais são importantes para o desenvolvimento tem razão de ser e é bom que existam condições ambientais para conseguir esse objectivo. Mas essas são condições menos importantes do que o afecto.
E a dependência de que falo não é propriamente dependente da vontade deste ou daquele governante.


19/09/10

Fechar escolas: a falácia da socialização

Contra as certezas da justificação do fecho de escolas de pequena dimensão com o argumento da socialização, aqui estão muitas interrogações de Rui Trindade: "Fechar as escolas rurais: A socialização como argumento" (a página da educação).
Não provam a existência de problemas de socialização, inclusivé, nos casos de ensino doméstico nos Estados Unidos, como já aqui referimos.
...
"A socialização de uma criança é um processo mais vasto e complexo, depende, sobretudo, da qualidade das interacções com o meio físico, social e simbólico que a rodeia, depende da vivência que estabelece com outras crianças, mas também com os adultos e dos espaços de referência onde esses encontros acontecem. Um encontro que lhes permita construir-se como pessoa, um encontro que não se programa, já que depende das vicissitudes da vida e das necessidades da mesma."
 ...
 "Só a aceitação tácita de que a solução de retirar as crianças das suas aldeias é sempre a melhor solução é que poderá explicar o silêncio ensurdecedor que se faz sentir sobre esta problemática. É tempo de questionarmos tal atitude e de promover o debate, conferindo visibilidade às dimensões mais relevantes dos projectos que se encontram em desenvolvimento, sejam aqueles que ocorrem em Melgaço ou Alfândega da Fé sejam os outros, de carácter diferente, que acontecem, por exemplo, na escola da Ouguela, lá no Alto Alentejo."

01/09/10

Escola de proximidade e de sucesso

A questão do fecho das escolas de pequena dimensão e dos mega-agrupamentos, aqui e não só, passa pelos mesmos argumentos (falsos), para lá da esquerda e da direita.

"Tout doit disparaître
Là au moins, on comprend... et on en frémit : d’un côté on va « bourrer » les classes, de l’autre on va pousser à la roue des regroupements. C’est en milieu rural que les conséquences seront les plus brutales. Car c’est là où se rencontrent les plus petites structures et les classes les moins chargées - autant de « gisements d’efficience » à exploiter sans états d’âme, sans égards pour l’aménagement du territoire, l’intérêt des enfants, l’avis des parents, des élus, des enseignants... Partout où les communautés rurales ont porté leurs efforts sur l’éducation, en créant des regroupements non pas comptables mais pédagogiques, en se battant avec succès pour préserver une école qui soit à la fois de proximité et de qualité (études et chiffres le prouvent) mais aussi un lieu de vie et d’attractivité pour leur territoire, le bulldozer gouvernemental veut faire table rase. Tout doit disparaître.
...
Ecole rurale, école de la réussite
Refrain connu et maintes fois éprouvé : quand on veut tuer son chien, on dit qu’il a la rage. Ainsi - et cela ne date pas de notre entrée en Sarkozie... - ceux qui veulent faire des économies comptables sur le dos de l’école et de l’avenir de nos enfants n’ont-ils de cesse de dénigrer l’école de proximité. Classe unique, classes à niveaux multiples, rôle des enseignants, moyens pédagogiques... rien ne trouve grâce aux yeux de ceux qui semblent penser que plus c’est grand, mieux ça marche. Une posture qui rappelle étrangement celle de ces technocrates qui, au nom de la « rationalisation », ont entrepris depuis des années de démanteler avec acharnement le tissu des hôpitaux de proximité, ceux-là même qui ont permis aux Français de bénéficier de soins parmi les meilleurs au monde en portant au plus près des populations l’hôpital, ses compétences et sa technicité." (Olivier Chartrain)

31/08/10

Nós por cá todos bem...


Escola do 1º ciclo de S. Miguel d'Acha

Noticiou a Gazeta do Interior que "o distrito perde 11 escolas no novo ano lectivo, mas sem polémicas". Pois é. No que diz respeito a S. Miguel d' Acha, pelo menos,  houve e há mesmo polémica. Muitos pais não concordam com o fecho da escola. A freguesia perde a escola, mas perde muito mais do que isso. Perdem as crianças, perdem os pais e perdem todos.
O fecho da escola foi mesmo polémico.
Mas a polémica pouco me interessa. Os pais dos alunos queriam apenas a escola aberta!

24/08/10

Fecho de escolas

Leio no Correio da Manhã , de 24-8-2010
....
Os habitantes de Santana do Campo, no concelho de Arraiolos, vão amanhã manifestar-se contra o encerramento da escola primária da pequena aldeia alentejana.
....
O protesto tem origem na Comissão de Pais, Avós, Encarregados de Educação e Comunidade de Santana do Campo. "A Comissão considera que esta é uma escola com sucesso e que não se devem considerar as crianças apenas como números", pode ler-se no documento a que o CM teve acesso. A acção, que também está a ser comunicada através de SMS, conta com o apoio da Câmara Municipal de Arraiolos.

....

O bispo de Lamego, D. Jacinto Botelho, alertou para as implicações familiares e sociais do encerramento de escolas primárias. Só no concelho de Lamego, vão fechar 21 estabelecimentos. "Estamos a retirar das nossas populações, já tão carenciadas e esquecidas, um meio que ainda poderia ser um agente de atracção, pelo que o encerramento das escolas é um factor que no futuro contribuirá, sem dúvida, para uma maior desertificação", sublinhou D. Jacinto Botelho, defendendo a manutenção de escolas com mais de dez alunos.

Fecho de escolas

Releio no Reconquista de 7-5-1999