Io mi sento morire
Partir vorrei ogn' hor, ogni momento:
Tant' il piacer ch'io sento
De la vita ch'acquisto nel ritorno:
Et cosi mill' e mille volt' il giorno
Partir da voi vorrei:
Tanto son dolci gli ritorni miei

Acontece que deixamos o trabalho mas o trabalho não nos deixa. Levamos connosco muita bagagem desnecessária: preocupações, arrelias, frustrações, desilusões, trabalho e equipamentos: portátil, telemóvel, ipad ... E acima de tudo a mesma atitude mental: competição expressa ou inconsciente nos mais pequenos pormenores que compromete aqueles benefícios.
Umas férias pensadas e sonhadas para combater o stress levam a aumentar ainda mais o stress com as bichas de automóveis para a praia, para o supermercado, para o barco, dificuldade para estacionar... Afinal já chegava a bicha para marcar consulta no Centro de Saúde, tratar de um documento na Loja do cidadão, para não falar na AIMA que só de ver na TV me cansa...
O ser humano percebeu que era necessário haver regras para poder funcionar em seu próprio proveito. Mesmo que alguns teimem em não as entender na utilização do condomínio, do trânsito... e da praia. (2)
Por que há-de haver regras num tempo e espaço em que queremos gozar a nossa liberdade? E por que não hei-de ter as minhas regras ?
Não é de estranhar o resultado de um recente inquérito: “os jovens dizem que as proibições nas praias lhes tiram a diversão.” (3)
Uma das últimas guerras de que estaríamos à espera seria a luta pelo domínio de uma espreguiçadeira junto à praia ou à piscina. Uma espreguiçadeira pode ser o meu território. Tenho espreguiçadeira, logo existo. Mas a conquista daquele minúsculo espaço territorial, a necessidade de ficar à frente, ter o melhor lugar junto à praia, exige ter que levantar cedo, correr para a conquista, impondo a minha regra, o espaço marcado pela minha toalha. E esta vitória tem custos: deixam-me completamente stressado.
Por mais que tenha evoluído e tenha abraçado o progresso, trazido pelo turismo de massas, o ser humano está sempre a voltar para os estádios primitivos dessa evolução. Como acontece com todas as guerras em que o homo sapiens manifesta a sua incapacidade para ultrapassar a eliminação física do outro ou os pequenos conflitos interpessoais, inesperados, que ameaçam o velho cérebro que dita o meu domínio territorial: "Os hotéis dizem que sem o controlo das espreguiçadeiras "seria uma selva", uma vez que os turistas competem por lugares privilegiados nos hotéis ao longo da costa espanhola." (4)
O comportamento humano não pára de nos surpreender, preocupar e... divertir. Em vez de tranquilas férias aumentamos o stress, a terapia vira pesadelo, um feliz casamento pode voltar de férias desfeito ou uma boa amizade encontrará o seu ocaso. (5)
O ser humano ainda não se adaptou a estas novas regras. Volta sempre à selva de onde afinal parece nunca ter saído: um lugar ao sol tem uma importância fundamental para um primata em vias de socialização.
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1. Castelo Branco, conta com mais um equipamento social e cultural, aberto ao público em 7/11/2020, o Parque do Barrocal. 1
As várias paisagens conseguidas dos vários mirantes que foram criados dão-nos uma perspectiva diferente da cidade e da paisagem envolvente que se estende até Espanha e a concelhos limítrofes.
O silêncio que se pode usufruir num espaço situado dentro da cidade é tão inesperado como, de repente, sentir-se envolvido pelo tempo que esculpiu, em muitos milhões de anos, figuras geológicas que espantam e nos mostram a nossa pequenez quando nos inscrevemos no friso cronológico do planeta ou na grandiosidade das estruturas naturais ali existentes, em contraste com a modernidade do projecto de arquitectura.
O Barrocal oferece, segundo o prospecto divulgado aos visitantes as seguintes actividades: Visitas com guias especializados, Visitas escolares, Passeios pedestres, Parque infantil, Cursos e workshops, Eventos de Arte na Natureza, Eventos de Desporto na Natureza e os Serviços: Cafetaria, Loja, Eventos privados, Filmagens/ Fotografia.
São enormes as potencialidades do Parque que na minha perspectiva deverão ser, fundamentalmente, nas vertentes natural, cultural, educativa e espiritual. Este espaço pode ainda ser usado numa perspectiva terapêutica não tanto de "banho de floresta" mas como “Terapia da Natureza“ ou seja como “uma prática que promete melhorar nossa saúde física e mental que resulta do nosso contacto com a natureza. 2
Na minha opinião, foi pena que as infra-estruturas ali colocadas, e sei que houve a intenção de mexer o menos possível na natureza, o que necessariamente sempre havia de acontecer, podia, pelo menos, ser em benefício das acessibilidades e segurança.
Nestes aspectos, acessibilidades e segurança, há ainda muito por fazer, e é pena que não tenha sido tomada em conta a legislação sobre o assunto e, mesmo que tecnicamente fosse de difícil execução e encarecesse o projecto, não devia ser esquecida a eliminação de barreiras arquitectónicas e outras que permitiria a todas as pessoas usufruirem deste espaço natural de excelência.
No que diz respeito à segurança e vigilância, certamente estarão asseguradas de forma a prevenir ou a resolver rapidamente qualquer acidente que aconteça.
O parque infantil ali implantado ainda está fechado e ainda bem porque, mesmo não sendo especialista de segurança e não sabendo o risco envolvido, mesmo assim parece-me bastante "radical" ou seja, comportando um factor de risco importante para que aconteça qualquer acidente. Mas admito que possa ter sido testado e não haja qualquer problema de segurança. Em todo o caso, provavelmente, estaria mais bem situado noutro contexto ambiental.
3. Coloca-se ainda o problema da vigilância... O Parque, como qualquer equipamento social, é de todos os que o visitam e é importante preservar a natureza de todo o tipo de contaminações e vandalizações a que os equipamentos sociais, paradoxalmente, estão sujeitos. O Parque será tanto mais aprazível quanto mais estimado for pelos visitantes.
Para já ficaram alguns "graffitis" da treta e asneira que deviam ser retirados para devolver a dignidade ao local sem aquele tipo de poluição visual.
4. Quanto a algumas das minhas dúvidas, devo dizer que fiquei mais descansado mas também expectante em relação ao futuro do Parque. Fui informado por uma atenciosa funcionária da recepção em relação ao desenvolvimento que se seguirá. Apenas uma pequena parte do Parque foi intervencionada. Outras se seguirão que virão melhorar e enriquecer aquele espaço. *
5. Mais do que opinar sobre este equipamento, o melhor será visitá-lo e desfrutá-lo. Digo-lhe que não se vai arrepender. Foi o que fiz e gostei do que senti.
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* Para saber mais sobre o Parque do Barrocal e questões afins: