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28/08/26

O vírus da irracionalidade


 

Quem nunca disse "Não tenho sorte nenhuma" após um dia difícil ou exclamou "Tu nunca ajudas!" numa discussão? Olhamos para estas frases como reacções normais ao stress, mas a psicologia cognitiva diz-nos que são sintomas de um vírus silencioso que com mais ou menos peso todos carregamos: as crenças irracionais (1)

A Terapia Racional Emotiva Comportamental (TREC), desenvolvida pelo psicólogo Albert Ellis ajuda-nos a compreender como estas crenças moldam a nossa vida. O princípio fundamental da TREC refere que não são os acontecimentos da vida que nos perturbam, mas sim a forma como os interpretamos. Ellis organizou esta dinâmica através do Modelo ABC. Imagine que o evento activador (A) é uma negativa num exame. A maioria de nós acredita que a consequência emocional (C), como a raiva ou o desespero, nasce directamente desse azar. No entanto, este modelo demonstra que existe um intermediário crucial: a nossa crença (B). É o filtro mental que aplicamos ao facto que determina se vamos reagir com uma tristeza saudável ou com uma depressão paralisante.


As crenças irracionais são ideias rígidas, absolutas e irreais que distorcem a realidade. Fazem parte da tirania dos deveres" (Karen Horney) - a tendência neurótica de exigir que o mundo, os outros ou nós próprios sejamos perfeitos. Quando dizemos "Eu devia ter conseguido aquela promoção" ou "As pessoas têm de me aceitar", criamos uma armadilha dogmática. Se a realidade não corresponde ao nosso "deveria", caímos na "catastrofização", transformando um contratempo banal num cenário apocalíptico. (2)

A afirmação "Não tenho sorte nenhuma" é o exemplo desta sabotagem. Sob a perspectiva da TREC, esta frase revela erros lógicos:  a generalização, que transforma um evento negativo isolado numa lei universal; o filtro mental, que força o cérebro a focar-se apenas nos azares, ignorando as centenas de vezes em que tudo correu bem; e o “locus” de controlo externo, onde nos demitimos da responsabilidade da nossa vida e nos assumimos como vítimas desamparadas do destino.

A cura para a irracionalidade passa ainda por duas fases do modelo: a Disputa (D) onde confrontamos os nossos pensamentos de forma científica e empírica. Quando a mente ditar um absolutismo, devemos questionar: Que provas reais tenho de que nunca tenho sorte? Pensar assim ajuda-me a resolver o problema ou apenas me paralisa? (3)


O objetivo final da TREC é atingir o Efeito (E) de uma nova filosofia de vida assente na aceitação de que o azar e os imprevistos são apenas probabilidades da experiência humana, não uma conspiração do mundo contra nós e contra tudo o que fazemos. Não podemos controlar o vento e as tempestades, mas controlamos as velas e podemos abrigar-nos melhor. Substituir a rigidez mental por um pensamento flexível — "Isto correu mal e é frustrante, mas eu consigo lidar com isso" — é a única forma de recuperar o nosso controle mental e equilíbrio emocional.

 

Seria interessante se nas grandes e nas pequenas opções políticas fosse utilizada a  metodologia da TREC ajudando a identificar e questionar crenças irracionais que alimentam a polarização, o fanatismo e a angústia gerada pelo debate partidário. Esta abordagem mostraria que não são os acontecimentos políticos que causam raiva ou desespero, mas sim a interpretação rígida que fazemos deles e, portanto, a necessidade de mudar de paradigma.

 

 

_____________________ 

 (1) “O mapa não é o território“ (Xavier Guix, Ni me explico, ni me entiendes - Los laberintos de la comunicación, p. 28-29)


(2) Podemos encontrar na internet listas de crenças para todos os gostos mas o importante é reconhecer que muitas crenças limitam ou fortalecem os nossos comportamentos, causam sofrimento e ou limitam as suas possibilidades. (por exemplo: Katie Sullivan Porter- 55 crenças limitantes que impedem os lideres de alcançar sucesso e realização; As 4 principais crencas que causam sofrimento segundo Albert Ellis; 10 tipos de crenças mais comuns moldam maneira-ser/  ...

 

(3) Formulário de auto-ajuda TREC

 

 


 

22/05/26

Prestação de contas



...

"Este documento, de prestação de contas e motor de políticas públicas para a infância, reflete o trabalho consistente, exigente e silencioso de todos os profissionais que, diariamente asseguram a proteção das crianças e a promoção dos seus direitos."
...

"O ano de 2025 foi um marco histórico do Sistema de Proteção de Crianças e Jovens em Perigo (mais um) uma vez que neste ano, finalmente, todas as comunidades passam a beneficiar da existência da CPCJ nos seus territórios. São, assim, 315 CPCJ que, num contexto social marcado por desafios complexos e em constante transformação, revelam uma notável capacidade de resposta, demonstrando a preponderância da articulação interinstitucional, pluridisciplinar e a importância das decisões terem como azimute o superior interesse da criança." Ana Isabel Valente, Presidente da CNPDPCJ.





22/04/26

Pela infância !


 

Abril é o Mês Internacional da Prevenção dos Maus-tratos na Infância. O tema, recorrente, lembra-nos que educar uma criança é responsabilidade de todos  e de todos os dias. Como diz o provérbio, “é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança”. Educar uma criança é garantir os seus cuidados básicos, o seu bem-estar físico e emocional, e  respeitar os seus direitos: à vida, saúde, educação, igualdade, amor, segurança, brincar, identidade...

A infância também teve o seu 25 de Abril. Esse momento corresponde à criação das Comissões de Protecção de Menores (DL nº 189/91 de 17/5) um sistema de protecção e prevenção dos maus-tratos que permitiu uma defesa mais eficaz dos seus direitos.

A Declaração dos Direitos da Criança (1959) e a Convenção sobre os direitos da Criança (1989) foram instrumentos fundamentais para esta evolução.

Como foram importantes as intervenções de tantas pessoas de que recordo João dos Santos, inspirador da criação do Instituto de Apoio à Criança (IAC) ou de Bairrão Ruivo com o trabalho realizado no Centro de Observação e Orientação Médico-Pedagógico (COOMP). Ou ainda o papel de Rui Epifânio na criação das Comissões de Protecção e o de Armando Leandro na estruturação e consolidação do sistema de protecção da infância em Portugal, uma rede de protecção envolvendo toda a comunidade. 

Numa sociedade ecológica e moralmente equilibrada, as crianças deviam ser integralmente poupadas à guerra, à fome e protegidos os seus direitos. Mas mesmo numa sociedade democrática como a nossa, é constante a situação de perigo a que estão sujeitas. Refiro apenas estes números:

Em 2024, as CPCJ receberam 58 436 comunicações de situações de perigo. 

Os maus-tratos físicos aumentaram para 3282, em 2024, representando 5,2% do total. Os maus-tratos psicológicos registaram 1981 casos, representando 3,2% do total. O abuso sexual representou 1329 casos, ou seja, 2,1% do total, com um aumento de 67 casos em relação a 2023. Também a categoria abandono, com 702 casos, representando 1,1% do total.  (Relatório Anual de Avaliação da Atividade das CPCJ, em 2024).

Haverá muitas razões para que isto aconteça. Para além das condições económicas e sociais é necessário ter em conta as mudanças na forma de socialização e a redução da influência das instituições como a família e a escola.

Na realidade a educação infantil - ser criança - está sujeita aos condicionalismos do tempo e do modo, e da moda, no processo de socialização: (con)viver com as redes sociais e o acesso a conteúdos aditivos da internet, do jogo à pornografia, às agressões (bullying) de colegas e influencers que põem em risco a vida e a saúde física e mental  das crianças.

A escola, a rua e a família, com o perigo online sempre presente, tornaram-se lugares menos seguros e devemos ter consciência de que do iceberg dos maus-tratos conhecemos apenas a parte visível.

É preciso cuidar destas crianças em primeiro lugar pela prevenção de situações de maus-tratos e, depois, pelo acompanhamento terapêutico, tentando minorar as consequências perniciosas para o desenvolvimento da identidade e personalidade.

Recentemente, participei no V Encontro das Comissões Diocesanas de Protecção de Crianças e Pessoas Vulneráveis. No final foi-nos oferecida uma vela e com ela a procura de uma intenção para a sua luz. Na obscuridade do caminho, o significado só pode ser: Pela infância !

 





21/03/26

Salvar a alma

 



Perante qualquer possibilidade de existência de conflito, o diálogo deveria ser sempre o método, o caminho a seguir. Que sentido faz iniciar uma guerra se sempre tem que acabar num diálogo mais ou menos consensual que possa estabelecer um compromisso, cessar-fogo, acordo, tratado... entre os que ganham  e os que perdem nem que seja supostamente?

Perante novos conflitos ou conflitos já requentados (o histórico, como diria A. Guterres) podemos sempre aprofundar conflitos até ao limite, até à destruição. As guerras são sempre assim, não resolvem nada. E os vencedores de hoje podem vir a ser os perdedores de amanhã. Como se tem visto com o fim dos impérios ao longo da história.

Para gente tão evoluída como a que chegou ao sec. XXI, há nisto pelo menos um erro de metodologia: primeiro devia estar sempre o diálogo e, falhado este, não deveria seguir-se a guerra mas mais diálogo com outros parceiros com outras perspectivas. A escalada não é solução. Ao ódio histórico que justifica tudo, por esta via, juntam-se mais episódios de ódio e o círculo vicioso é interminável: o que acontece é que se continua a achar que primeiro há que andar à pancada, depois não se pode perder a face, congela-se a situação, e depois sobre as ruínas e os mortos, o cessar-fogo e poder (re)construir. E o que se perdeu?

O necessário diálogo com os outros pressupõe o necessário diálogo consigo ou se quisermos com a sua  cadeira vazia. O que dirá cada um dos que fazem a guerra à sua cadeira vazia? O que fez cada um deles para chegar até aqui. Como se sente em saber que uma decisão sua vai matar uma ou mil pessoas? O que tem de especial o seu poder para desencadear a guerra e  o que pretende com isso? Há alguém que possa ter esse poder? O que dá o direito de liquidar os que pensam de outra forma? A guerra como solução é um absurdo e o conflito  devia ser fundamentalmente um problema de comunicação e o diálogo a sua forma de lhe pôr fim. 

"Sobre a guerra na Ucrânia, o jornalista Rudiger Kronthaler perguntou ao Santo Padre se considerava que deviam ser fornecidas armas ao país ucraniano, naquilo que pode ser encarado como uma ajuda à autodefesa.

“Esta é uma decisão política, que pode ser moral, moralmente aceite, se for feita de acordo com as condições de moralidade, que são muitas. Mas pode ser imoral se for feita com a intenção de provocar mais guerra, vender armas, ou descartar armas de que já não se precisa. A motivação é a que em grande parte qualifica a moralidade deste acto. Defender-se não é somente lícito, mas também uma expressão de amor à Pátria”, começou por dizer Francisco.

O conceito de “guerra justa” voltou a ser abordado e o Santo Padre fez questão de lembrar outras guerras que se encontram a acontecer um pouco por todo o mundo. Referindo que neste momento nos encontramos numa guerra mundial, Francisco diz que o negócio das armas é “assassino” e que deve sempre tentar-se alcançar a paz.

“Acho que é sempre difícil entender o diálogo com os Estados que iniciaram a guerra, e parece que o primeiro passo foi dado de lá, daquele lado. É difícil, mas não devemos descartar isto, devemos dar a oportunidade de diálogo a todos, a todos! Porque há sempre a possibilidade de que no diálogo se possam mudar as coisas, e também oferecer outro ponto de vista, outro ponto de consideração. Não excluo o diálogo com qualquer potência, seja em guerra, seja o agressor…”, explicou." (Papa Francisco: “Não excluo o diálogo com qualquer potência, seja em guerra, seja o agressor” )

Albert Szent-György  a quem se deve a descoberta da vitamina C, e, por isso,  foi premiado com o Nobel da medicina, em 1937, escreveu em O macaco louco:  "O nosso complexo militar-industrial, que faz perigar o futuro da humanidade, deve muito da sua estabilidade ao facto de tantas pessoas dependerem dele para viver. 

O  facto é verdadeiro para todos nós, incluindo eu próprio. Quando recebi o Prémio Nobel, a primeira e única grande soma de dinheiro que vi até agora, tive de fazer qualquer coisa com ele.  A maneira mais fácil de largar aquela batata quente era investir, comprar ações. Eu sabia que a segunda guerra mundial estava iminente e temia poder vir a desejar a guerra se possuísse ações que subissem  no caso de ela deflagrar. Por isso pedi ao meu corretor que comprasse acções cujo valor descesse em caso de guerra. Ele assim fez. Perdi o dinheiro e salvei alma."

Então quem ganha dinheiro com a guerra tem que perguntar qual é para si o valor da vida humana. Quem ganha dinheiro com a guerra tem que se interrogar sobre as suas  decisões poderem estar erradas e não ficará na história como um ser empático e de moralidade superior mas como torcionário indiferente ao sofrimento de milhões de pessoas  a começar por aquelas que pela sua fragilidade fariam parar qualquer possibilidade de guerra, como são as crianças.

O tempo passa, a guerra prolonga-se e as cadeiras vazias esperam urgentemente que sejam ocupadas por interlocutores que desejem a paz. Há muito para dizer a cada uma das cadeiras. Cada uma delas pode ser o outro, nosso inimigo, nosso aliado, ou eu, inimigo ou aliado de mim próprio. 

Por isso, se ainda têm uma, será que vão a tempo de salvar a alma?




09/03/26

Compaixão e altruísmo




As pessoas são singulares e, por isso, não se substituem, sucedem-se, mas os valores mantêm-se. Este foi o caminho de Marcelo e a expectativa é de que tenham continuidade com Seguro. 








27/01/26

Um hino para o tempo presente







Podemos tocar os sinos que ainda podem tocar. Não há soluções perfeitas mas há sempre uma falha por onde entra a luz, a esperança  e a mudança.

Que outra coisa temos visto que não seja uma grande desilusão? A pomba da paz é capturada novamente, um pouco por todo mundo. Os conflitos que matam crianças inocentes recrudescem sempre de novo. Não há sequer um pequeno intervalo de compaixão. Não há lugar para a pomba sagrada da paz. O tempo presente é feito de maldade e sem esperança num lugar longe, muito longe, da felicidade.

Mas este tempo também há-de ter uma falha onde vamos aprender com o passado e o presente desastroso das guerras. 
fragilidade da paz há-de romper nas pedras duras das dificuldades e desesperança. Em vez do silvo mortal dos mísseis, o canto dos pássaros, ao romper do dia, será a música do coração dos homens.  

Há sempre uma falha por onde entra a luz...



Hino / Anthem

Os pássaros cantam / The birds they sang
No romper do dia /At the break of day
Comece de novo / Start again
Eu ouço eles dizendo / I heard them say
Não se apoie naquilo / Don't dwell on what
Que passou / Has passed away
Ou naquilo que está para vir / Or what is yet to be

Ah, as guerras / Ah the wars they will
Elas serão lutadas de novo / Be fought again
A pomba sagrada / The holy dove
Ela será apanhada novamente / She will be caught again
Comprada e vendida / Bought and sold
E comprada de novo / And bought again
A pomba nunca está livre / The dove is never free

Toque os sinos que ainda podem tocar / Ring the bells that still can ring
Esqueça sua oferenda perfeita / Forget your perfect offering
Há uma falha em tudo / There is a crack in everything
É assim que a luz entra / That's how the light gets in

Nós pedimos sinais / We asked for signs
Os sinais foram enviados / The signs were sent
O nascimento traído / The birth betrayed
O casamento gasto / The marriage spent
Sim, a viuvez / Yeah the widowhood
De todo governo / Of every government --
Sinais para todos verem / Signs for all to see

Eu não posso mais correr / I can't run no more
Com essa multidão descontrolada / With that lawless crowd
Enquanto os assassinos em lugares altos / While the killers in high places
Fazem suas orações em voz alta / Say their prayers out loud
Mas eles invocaram, eles invocaram / But they've summoned, they've summoned up
Uma tempestade / A thundercloud
E eles vão ouvir de mim / And they're going to hear from me

Toque os sinos que ainda pode tocar / Ring the bells that still can ring

Você pode acrescentar as partes / You can add up the parts
Mas você não vai encontrar a soma / But you won't have the sum
Você pode iniciar a marcha / You can strike up the march
Não há nenhum tambor / There is no drum
Todo coração, todo coração /Every heart, every heart
Virá para amar / To love will come
Mas como um refugiado / But like a refugee

Toque os sinos que ainda pode tocar / Ring the bells that still can ring
Esqueça sua perfeita oferenda / Forget your perfect offering
Há uma falha, uma falha em tudo / There is a crack, a crack in everything
É assim que a luz entra / That's how the light gets in


Produzido por Rebecca De Mornay & Leonard Cohen.  Escrito por Leonard Cohen  e lançado  em 24 de Novembro de 1992.




17/12/25

"A Criança é hoje"



Da capa de A criança e a família, de Françoise Dolto, Pergaminho



Foram trinta e três anos de programas e crónicas na Rádio Beira Interior (RBI), actualmente Rádio Castelo Branco (RACAB). Desde 1992 participei em  programas como “Falar de educação” e “Avenida Central - Falar claro...sobre educação”  e “Conversas Informais” e, desde 2007, faço semanalmente a crónica "Opinião”.

Durante esse tempo aqui, nesta Rádio, falei da importância da  psicologia na vida quotidiana das pessoas e  do relevo que merece a educação e a defesa dos direitos da criança. 

Falei da minha experiência num Serviço de psicologia e orientação (SPO) e dos desafios que este trabalho apaixonante, todos os dias, colocava.

Falei em especial para os pais, educadores e professores.

Estas crónicas são o reflexo do que sou e do que faço, do que acredito, da minha ansiedade e também do que detesto e contesto... 

 

A evolução das políticas de protecção das crianças foi enorme, principalmente a partir de meados dos séc. XX, em todo o mundo, em que as crianças puderam ver os seus direitos reconhecidos na Declaração dos direitos da criança (1959)  e na Convenção dos direitos da criança (1989). 

Também no nosso país a evolução na protecção da infância  deve ser motivo de orgulho, com destaque para os últimos 50 anos, com o acesso generalizado de todos a todos os níveis de educação.

Uma das realizações mais importantes foi a criação das Comissões de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ)  em que participei desde o seu início, em 1993. *

 

É necessário e urgente continuar a criar ambientes seguros e protegidos nas famílias, nas escolas, nas instituições sociais, onde as crianças se possam desenvolver harmoniosamente. Porque, como sabemos, apesar dessa evolução estamos muito longe de cumprir esses direitos. Três exemplos de situações de perigo:

- Segundo a Unicef, morrem à fome um milhão de crianças por ano.

- O número de crianças expostas à violência em zonas de conflito armado atingiu 520 milhões em 2024, fixando um novo recorde pelo terceiro ano consecutivo. (Save the Children)

- O aumento da violência sexual, em particular na internet, é assustador e as crianças estão permanentemente em perigo.

 

Mas o nosso trabalho não é só pôr cobro aos maus tratos. A protecção da criança começa, verdadeiramente, com os bons tratos, de que faz parte o direito ao afecto.

É gratificante saber que cada vez mais a sociedade compreende a relação adulto-criança nesta perspectiva, como bem exprime Manuela Eanes, presidente honorária do Instituto de Apoio à Criança (IAC): "A angústia por falta de amor, por carências graves no aspecto afectivo, marca mais a Criança do que a fome ou o frio. Como dizia  Gabriela Mistral, de uma forma tão bela:

Muito do que precisamos pode esperar. 

A Criança, não.

Não se lhe pode dizer amanhã.

Seu nome é Hoje."

("O papel da Família no desenvolvimento da Criança e da sociedade", in Identidade e Família, p. 94)


Quero deixar, nesta crónica, um grande agradecimento às pessoas com quem trabalhei mais directamente, Isabel Moreira, Graça Lourenço, Manuela Cardoso e Ricardo Coelho,  e igualmente à gestão da RACAB,  pela liberdade de expressão que sempre tive e por me terem ajudado a levar esta informação aos ouvintes que tiveram a paciência de me ouvir durante tantos anos.

 

Muito obrigado.

 

 

_________________

* Inicialmente designada Comissão de Protecção de Menores. A Lei n.º 147/99, de 1 de Setembro, viria estabelecer o Regime jurídico da protecção de crianças e jovens em perigo.





Rádio Castelo Branco






26/11/25

A temperança do 25 de Novembro

 

Temperança - Escultura de Barata Feio

 (Assembleia da República)


Foi há 50 anos. Como disse M. João Avillez no Expresso da meia noite (SIC), com o general Tomé Pinto, o 25 de Novembro foi uma guinada para meter o carro, novamente, na auto-estrada da democracia. Quem é pelo 25 de Abril é pelo 25 de Novembro. E quem é pelo 25 de Novembro é pelo 25 de Abril. São dias "inteiros e limpos", por mais que inventemos divergências inultrapassáveis.
A democracia é o regime que permite análises e interpretações diferentes da realidade social, política, etc. Porém, até onde pode a realidade ser vista com tantas diferenças?
O Presidente da Assembleia da República José Pedro Aguiar-Branco refere que, cinco décadas volvidas, ainda "é estranho ouvir dizer que o 25 de Novembro é uma data que "divide" em vez de "agregar”. E acrescenta: "Sou de Abril, sou de Novembro. Sou hoje e sempre pela democracia representativa, porque Abril abriu a porta da liberdade e Novembro permitiu que houvesse chão firme para continuar".

As tentativas para alguém impor a sua visão dos acontecimentos é uma forma de manipulação. “Alguém que vive uma vida de mentiras tenta manipular a realidade através da percepção, do pensamento e da acção de modo a que apenas um resultado desejado, e predefinido, possa existir.” (J. Peterson, 12 Regras para a vida, "Regra 8 - "Diga a verdade - ou pelo menos não minta", p. 270)
Querem que exista apenas uma verdade: a sua. Como refere J Peterson “Já vi pessoas definirem a sua utopia e depois transformarem a realidade”. (p. 271)
Ser jovem, e sonhar com radicalismo, não era, e pelos vistos não é, tão inusual, porém não faz muito sentido ouvir pessoas da dita esquerda usando a velha versão do tempo em que eram jovens na faculdade e, cheios de ressentimento, não são capazes de ver o que foi o PREC, o COPCON, a 5ª Divisão... ou uma sociedade totalitária e com liberdade condicionada.

Há duas maneiras de ver a realidade. “Aquilo que queria, aconteceu? Não. Então o meu objetivo, os meus métodos estavam errados. Ainda tenho algo para aprender. Essa é a voz da autenticidade.
Aquilo que queria aconteceu? Não. O mundo é injusto. As pessoas têm inveja e são demasiado estúpidas para entender. A culpa é dos outros. Essa é a voz da inautenticidade, que não se diferencia muito de “os outros devem ser detidos”, ou “os outros devem ser castigados, ou, “os outros devem ser destruídos”. Sempre que houve algo incompreensivelmente brutal, é esse tipo de ideias que se manifesta” (p. 276)

Foi particularmente interessante o que disse o Presidente Marcelo na Assembleia da República, em relação a uma visão de sociedade aberta, democrática e livre onde prevalece a temperança.
Para o psicólogo M. Seligman, a temperança manifesta-se através de forças de caráter como perdão, humildade, prudência e autorregulação, ajudando as pessoas a gerir paixões, desejos e impulsos para tomar decisões conscientes e construir um bem-estar duradouro. 
A temperança é o equilíbrio, moderação e autocontrole que nos permite ver o que está ou esteve errado, o que não deu certo, o que é voltar aos tempos indesejados, de antes do 25 de abril, de ditadura, de pobreza e de falta de liberdade, ou voltar aos tempos igualmente indesejados que sucederam ao 25 de Abril.



Até para a semana.





Rádio Castelo Branco





13/11/25

O amor não é frágil... mas pode ser mágico



Expensive Soul - O amor é mágico


Como costumamos dizer, passamos a vida toda a aprender e, obviamente, a aprender a amar também. Mesmo quando chegamos aos cinquenta anos de casados? Talvez ainda com mais premência depois de passadas tantas experiências em contextos diferentes, simpáticos ou adversos, é, no entanto, sempre  nesta capacidade de nos ligarmos ao outro que se baseia toda a nossa vida afectiva e relacional da qual depende  a nossa saúde mental.

Acontece também que "as relações modernas têm inscritas no seu cerne, um paradoxo  da melancolia: sabemos que o crescimento afetivo requer amor, mas no terreno, encontramos cada vez menos relacionamentos felizes. “ (Alain de Botton . Uma viagem terapêutica, p. 133)


Num relacionamento, o fracasso ou sucesso resume-se  na essência à presença ou ausência de vários factores, cinco âncoras, como lhes chama Alain de Botton.

Estas cinco âncoras permitem manter a embarcação da vida relacional em equilíbrio. São as seguintes: não defensividade, vulnerabilidade, ternura, atitude terapêutica e  entusiasmo.


A nossa postura defensiva é compreensiva e até necessária (defesas do ego)  mas também pode ser parte do fracasso das nossas relações.

Por experiência ou não, a frase " “ama-me por quem eu sou” é o inevitável grito de guerra de todos os amantes que se encaminham para o desastre". Seria injusto "exigirmos ser amados tal como somos, com a nossa panóplia de falhas, obsessões, neuroses e imaturidades... só devemos esperar ser amados por quem desejamos ser, por quem somos nos nossos melhores momentos..." (p.134-135)

"O amor não é frágil, "pode haver ruturas - e reparações. O amor verdadeiro é resistente. Não será destruído por um pormenor... A defensividade pode ser ultrapassada. Podemos aprender a medir no nosso coração a difrerença entre uma queixa e uma rejeição existencial” (p.137)

Os parceiros devem ter a capacidade de ultrapassar a defensividade, podemos chegar a entender o que podemos reconhecer e superar os pequenos defeitos que todos temos, como por exemplo, na forma como deixamos a casa de banho, podemos comentar que temos mau hálito ou que estamos mal vestidos...(p. 138)


Ser vulnerável é descobrir "um lado em nós que remonta à infância..." (p. 140) e podemos e somos capazes de pedir ajuda.


A ternura está, por exemplo, no comportamento de um pai quando vê uma birra do seu filho que empurra  o prato do jantar para o chão e mesmo assim não o castiga nem o considera “mau” 


Ter uma atitude terapêutica depende essencialmente da capacidade de ambos os parceiros adoptarem em momentos críticos uma atitude terapêutica em relação às compulsões, falhas, fúrias e e excentricidades um do outro...


Finalmente, o entusiasmo. Claro que no principio da relação é fácil viver com entusiasmo. Porém a pouco e pouco "deixamos de nos maravilhar porque nos enredamos inconscientemente em várias formas de irritação não assimilada (p. 148): porque nunca pede desculpa; porque decidiu sem nos consultar; porque... porque...

 

Devemos deixar um tempo para falar daquilo que não correu bem,  não para fazer queixas, não para voltar ao “histórico” que sempre é relevado quando nos irritamos  e vamos buscar pormenores da relação de muitos anos atrás...

Mas em vez disso devemos verbalizar os nossas irritações com regularidade. Tentando compreender o que esteve na atitude do outro.

 

Até para a semana. 

 

 


 

Rádio Castelo Branco







05/11/25

Relação presencial e "efeito aldeia"

 

A vida actual, em que estamos sempre online, leva as pessoas ao isolamento social e afectivo, por mais paradoxal que isso seja. As novas tecnologias, designadamente o telemóvel, a possibilidade de fazer quase tudo online: encomendar o almoço no restaurante, as compras no supermercado, fazer pagamentos, meter combustível ou levantar dinheiro... As reuniões e o trabalho online, a automação e o crescimento do número de pessoas que vivem sós, leva a que os contactos pessoais sejam cada vez mais reduzidos. 


Ora sabemos, há muito tempo,  que a criação de vínculos sociais e afectivos e o relacionamento face a face são importantes para a saúde mental e para uma vida  mais feliz.

Num estudo (1) que é feito desde 1938, época da Grande Depressão, até à actualidade, procurou-se compreender as relações entre saúde física e mental, entre saúde e felicidade. 

As conclusões  têm mostrado que os relacionamentos íntimos, mais do que a fama ou dinheiro, são a fonte da felicidade ao longo da vida. Estes laços protegem as pessoas das frustrações, ajudam a retardar doenças físicas e mentais e são parâmetros mais eficientes na análise da longevidade – mais do que classe social, QI ou até mesmo a genética.

Para o psiquiatra Robert Waldinger, o nível de satisfação com os relacionamentos, na idade de 50 anos, foi mais importante para avaliar a saúde física do que níveis de colesterol por exemplo... As pessoas mais satisfeitas aos 50 anos eram os mais saudáveis aos 80.

As pessoas que mantêm relacionamentos calorosos vivem mais e com mais felicidade e aquelas que se sentem solitárias morrem mais cedo. 


Por tudo isto, os amigos são muito importantes.

Podemos falar de três níveis de amizade (2) (Arthur Brooks): O primeiro é o dos amigos com base na utilidade, que nos ajudam a conseguir determinadas coisas, com os quais trocamos favores, que estão sempre disponíveis e para quem o estamos também.

O segundo  é o dos amigos com base no prazer, que nos ajudam a descansar, porque partilhamos gostos, saídas, distrações;  são amigos com quem não temos conversas demasiado profundas e, como os nossos gostos e entretenimentos vão variando,  pessoas que entram e saem com facilidade da nossa vida.

Por último, há os amigos “inúteis”, que  são aqueles dos quais não queremos nada de especial: queremo-los a eles; trocamos favores com eles, evidentemente, e talvez partilhemos gostos e interesses, mas a amizade está radicada a um nível mais profundo...

São  estes amigos a quem podemos telefonar a meio da noite quando estamos  doentes ou assustados...


E também é importante a relação face a face. 

A psicóloga Susan Pinker (3) mostrou que o contacto e a integração sociais são muito mais importantes para a longevidade e o bem-estar do que fatores como dietas e exercícios físicos.

Fala do “efeito aldeia”  ou seja da necessidade de contactos pessoais  e presenciais que  superam, sem dúvida, os contactos online


Até para a semana

_____________________________

(2) Classificação de Arthur Brooks, referida por Isabel Sánchez, Cultura do Cuidado, p.141-142.

(3) "Susan Pinker destaca o valor das relações presenciais para a longevidade"; "Susan Pinker tem o segredo da vida"



Rádio Castelo Branco




28/10/25

É sempre assim, não é ?


Le jardin du Luxembourg - Joe Dassin


Là où cet enfant passe, je suis passé 
Il suit un peu la trace que j'ai laissée 
Mes bateaux jouent encore sur le bassin 
Si les années sont mortes 
Les souvenirs se portent bien.







22/10/25

Respeitar a infância

 

Antes de olharmos para os nossos filhos  e vermos neles uma quantidade enorme de problemas, problemas de alimentação, sono, ciúmes, violência, egoísmo..., poderíamos encontrar muitas qualidades. Afinal os nossos filhos são boas pessoas. Como nos diz muito bem o pediatra Carlos Gonzalez. (Bésame mucho - Como criar os seus filhos com amor, Pergaminho, p.108)


As crianças têm uma série de qualidades a que se calhar não damos importância. É mais fácil percebermos os problemas que são muitas vezes criados por nós do que as qualidades que as crianças apresentam na sua relação com os adultos e com os pares.

Quando acontece um caso de violência intrafamiliar ficamos chocados e é a oportunidade para algumas pessoas porem em questão a educação sem violência das crianças e, provavelmente, arranjamos sempre uma desculpa para justificarmos práticas punitivas e humilhantes, que achamos que, essas sim,  funcionam... A criança ainda é vista como um ser que precisa de ser “endireitado” para se tornar adulto. 

Ora a criança não nasce ensinada e também pode não aprender à primeira. Pode ser necessário repetir para aprender. Afinal como qualquer ser humano. 


O respeito pela infância é uma marca da qualidade da infância que por sua vez é uma marca da qualidade de vida da nossa sociedade.

O respeito, a par com o carinho, são as grandes vias para a educação responsável e justa. 

Os nossos filhos e os nossos alunos são muito melhores do que pensamos. 

A facilidade com que atribuímos incapacidades às crianças, e aos alunos na escola, é surpreendente: “Não trabalha”, “é preguiçoso”, “é hiperactivo”, “está sempre na lua”, “fala pelos cotovelos”, “nunca participa”, “é implicativo”...

Mas a realidade diz-nos que essas crianças precisam de nós e do nosso trabalho para crescerem ...


A realidade confronta-nos, todos os dias,  com as maldades que os adultos fazem às crianças. Os maus tratos físicos de todo o tipo, os abusos sexuais, o tráfico de menores,... provam que não estamos no caminho certo da proteção da infância e do respeito que nos merece.

Mas não é apenas a maldade activa, é também o abandono, a ausência, o afastamento das pessoas de ligação - os pais - que deviam  estar presentes de algum  modo na vida dos filhos, transmitindo aprendizagens por modelagem e regulando as circunstâncias, as dificuldades e os problemas da vida, o diálogo permanente, sabendo que, no fim da linha, a autoridade são os pais e a decisão final pertence aos pais.


Os nossos filhos apresentam qualidades que mostram que são boas pessoas como refere Carlos Gonzalez (p.108-121):

o seu filho é desinteressado. O amor de uma criança é assim: puro, absoluto e desinteressado,

o seu filho é generoso mesmo quando parece egoísta,

o seu filho chora, claro!  quando tem razões para isso,

o seu filho sabe perdoar sem fingimentos e sem reservas, não guarda ressentimento,

o seu filho é sincero e facilmente diz o que pensa,

o seu filho é sociável, basta observar quando brinca sem reservas com outras crianças,

o seu filho é compreensivo, e sabe confortar quando vê alguém  em sofrimento...


O desenvolvimento de uma criança é feito de palavras e mimos, "… devemos tratar os nossos filhos com carinho e respeito…pegar-lhes ao colo ou consolá-los quando choram.” (" 'Todos os castigos são inúteis', diz o pediatra do contra, Carlos Gonzalez", Entrevista de  Ana Cristina Marques, Observador, 26-5-2014)

Tal como gostávamos que nos acontecesse a nós.

 


Até para a sem
ana.



Rádio Castelo Branco




02/10/25

Humildade - Uma força terapêutica



Alain de Botton, em Uma viagem terapêutica, releva a importância da psicoterapia que todos podemos praticar na nossa vida diária, designadamente nos sítios que por mais pessoais que sejam, são também os lugares onde pode ocorrer mais atrito entre as pessoas.
"Os paradigmas da psicoterapia não pertencem apenas à prática clínica; aplicam-se, de forma mais abrangente ao quarto e, sobretudo, ao lado de fora da porta da casa de banho, à meia-noite, durante aquelas discussões acesas sobre quase nada. Quando as relações se tornam difíceis como invariavelmente acontece, as noções terapêuticas podem fornecer-nos os meios para lidar empaticamente com muitos dos aspetos mais estranhos em nós próprios e nos nossos parceiros.“ (p. 152).

Assim, há conceitos terapêuticos que poderão ser muito úteis para a nossa vida cotidiana. Muitos destes conceitos têm a ver com as atitudes que adoptamos quando pretendemos uma comunicação compreensiva e eficaz na nossa vida. 
Podemos relevar, por exemplo, a escuta reflexiva, deixar espaço para a solidão e suavizar a linguagem:
- a escuta reflexiva significa escutar mais do que falar, usar a paráfrase, sublinhando o que o outro nos diz não como eco das suas palavras mas com palavras novas e diferentes que validam a sua experiência e narrativa.
- espaço para a escuridão – não devemos negar a gravidade do que a pessoa está a sentir e que acabou de nos transmitir.
- suavizar a linguagem – evitar a forma directa como tentamos incutir as nossas ideias na mente do outro, não emitir sentenças sob pena de sermos rejeitados com violência e indignação ... "mas assinalar claramente que estamos a explorar possibilidades"... (p. 152-162)

Outro importante conceito terapêutico é a humildade. 
No Livro de Ben-Sirá podemos ler: “em todas as tuas obras procede com humildade e serás mais estimado do que o homem generoso. Quanto mais importante fores, mais deves humilhar-te e encontrarás graça diante de Deus.”

A humildade, para o psicólogo M. Seligman, é uma força de carácter que integra a virtude da temperança, tal como a misericórdia: prática do perdão e da compaixão, evitando atitudes vingativas; a prudência: o cuidado com as atitudes, e o autocontrole: a capacidade de controlar as suas emoções e impulsos. (1)

A humildade consiste em não se ver como alguém melhor do que os outros. 
A humildade aparece também ligada à modéstia, ou é traduzida por modéstia, “não tem nada a ver com falta de ambição, mas com uma aspiração mais consciente a algo que passámos a reconhecer como principal ingrediente da felicidade: a paz de espírito.” (p. 83)
A humildade é um antídoto para o orgulho, o sentimento de superioridade em relação a tudo e a todos. O orgulho patológico caracteriza-se pela vaidade, soberba, arrogância e pretensiosismo. É uma atitude de superioridade e um sentimento de desprezo em relação aos outros. O orgulhoso tem um auto-conceito exagerado de si próprio.

A humildade interessa na terapia de algumas perturbações psicológicas, como, por exemplo, na terapia para recuperação de uma depressão. A humildade permite a aprendizagem do que é importante na vida e, desta forma, ajuda a superar a doença. (2)
A humildade pode ser um remédio para a fobia de impulsão. Na justa medida em que quisermos ser humildes e não ceder à tentação do orgulho de “sermos os maiores”.

Até para a semana. 

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(1) Martin Seligman, A vida que floresce.
(2) É, nesta perspectiva, muito interessante a Entrevista de João Vieira de Almeida ao Observador.



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Rádio Castelo Branco