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21/12/18
15/09/17
29/07/16
De desígnio nacional a inimigo principal
A CEE/UE foi-nos "vendida" como o grande desígnio nacional pelos avós dos que estão actualmente no poder.
"Os motivos que me levaram a requerer a adesão à CEE ‐ que muitos portugueses na altura contestaram, mas que partidos maioritários na Assembleia da República apoiaram – não foram, ao contrário do que alguns ainda hoje julgam, essencialmente, económicos. Foram políticos e tiveram a ver com um grande desígnio para Portugal: a consolidação da democracia pluralista e civil, liberta há pouco tempo da tutela militar; e também o reconhecimento de que o ciclo imperial tinha terminado com a descolonização." (Comemorações da adesão de Portugal à União Europeia, Mário Soares)
Não deixa de ser estranho que a vemos agora promovida a alvo de todos os ataques por ser responsável pelos insucessos que temos vindo a coleccionar. É com estranheza que, vemos, ouvimos e lemos, tem de se bater o pé, dizer não, ameaçar com processos e tribunais a essa desgraçada que nos rouba a capacidade de decisão e a soberania económica.
A rábula das sanções parece que está a chegar ao fim pelo menos por enquanto. Já a invenção do inimigo principal vai continuar em modo estival moderado, agora que a Europa saiu derrotada pela nossas forças e daqueles que sempre foram contra a Europa.
Por enquanto a batalha foi ganha e por isso há um jogo que vale a pena ser jogado. "Vale a pena jogar o jogo das regras" europeias, frisou o chefe da diplomacia portuguesa, insistindo que o "mais importante" na decisão da Comissão foi o "dar razão a Portugal" e aos seus argumentos.
O quê? Não, não. "O jogo da Comissão Europeia, o jogo da União Europeia, não é um jogo que valha a pena ser jogado, é a roleta russa, e por muito que tenhamos ganho desta vez, continua a ser a roleta russa em setembro, por isso nós sabemos que Portugal não ganha por jogar pelas regras, Portugal ganha por defender a dignidade de quem aqui vive e por não ceder à pressão." ("Notícias de catástrofe" até aprovação do OE",Catarina Martins)
O inimigo principal, portanto, é a União Europeia, nem sequer a Comissão Europeia ou a actual Comissão Europeia. Por isso, tem-nos à perna, é preciso não jogar pelas regras ou como escrevia António Barreto, gritar "Às armas!" ( DN, "Sem emenda", de 17 de julho de 2016). A culpa é dos outros.Tem sido assim na história e ultimamente a culpa é da Europa. Os europeus “…São eles os responsáveis pelas nossas dívidas, os causadores das nossas perdas, os obreiros da nossa crise e os culpados das nossas dificuldades!"
"Em vez de procurar valorizar o que temos, de aproveitar o que sabemos e de organizar a economia; em vez de investir, de diminuir o desperdício e de fazer obra útil; em vez de apenas gastar o que temos, de atrair investimento externo e de trabalhar e poupar; em vez de estudar, de nos governarmos com mais sabedoria e de fazer com que o Estado respeite os cidadãos, em vez disso, procuram as autoridades comover os sentimentos, confundir os espíritos e mobilizar contra alguém, o inimigo, o adversário, a ficção dos que querem mandar em nós, a invenção dos que não respeitam os portugueses e a fantasia dos que não honram uma nação com oito séculos de história!”…
É confrangedor assistir à parceria "estratégica" Costa/Catarina que levantaram voo com a vaca e vivem cada um no seu mundo mas os dois igualmente virtuais: onde a Europa é a fonte de todo o mal.
E, afinal (oh inanidade!): "A correspondência do Governo português e a Comissão é isso mesmo: a correspondência do Governo português e a Comissão." (A. Costa, 5/7/2016).
30/06/16
Foi por ela
Foi por ela - Fausto
O resultado do referendo na Grã-Bertanha "disse" que a maioria dos cidadãos britânicos decidiram sair da União Europeia. Dito de outro modo, este resultado mostrou, de facto, que a maioria dos britânicos não está interessada num futuro comum. Mais uma vez se prova que a falar nos desentendemos e voltamos aos tempos de Yalta e à primazia dos interesses, como se dizia aqui.
Seja qual a for a opinião que cada um tem sobre este acontecimento, uma coisa é certa, como escreve António Barreto:
"Não há quem possa compensar o que desaparece. Ninguém, nenhum país poderá preencher o vazio agora criado. O que a União europeia perdeu, de facto, não tem substituição. Perdeu uma das nações mais antigas e influentes do mundo e da história. Talvez o povo com o maior apego à liberdade que se possa imaginar. A mais antiga e experiente democracia do mundo. O único país que não conheceu, nos últimos séculos, a ditadura. A mais consolidada tradição de autonomia individual perante o Estado…"
Como referimos, Dorothy Tennov propõe três etapas para construção do futuro comum: a fusão, a construção do ninho, a negociação das margens respectivas de liberdade e intimidade individual.
Como acontece no amor, parece-me que também as sociedades que querem construir um futuro comum vão encontrando maiores dificuldades nas etapas dessa construção. Certamente, a negociação das margens de liberdade será sempre difícil de concretizar à vontade de cada um. Mas esse é o caminho do amor.
Inicialmente, parecia uma coisa natural. Para quem viajava pela Europa ou ia apenas ali a Espanha. Fazia sentido que houvesse comunicações, liberdade de circulação, relações comerciais comuns, até uma moeda comum.
Nesta fase de fusão não nos demos conta de que o processo era pouco democrático, mas era preciso entrar e assim foi, com pompa e circunstância, como nas grandes cerimónias. Lá estão as placas comemorativas na calçada em frente aos Jerónimos, em Lisboa.
Foi por ela, uma canção de Fausto, exprime bem esta fase da fusão.
“Foi por ela que amanhã me vou embora
ontem mesmo hoje e sempre ainda agora
sempre o mesmo em frente ao mar também me cansa
diz Madrid, Paris, Bruxelas quem me alcança
em Lisboa fica o Tejo a ver navios
dos rossios de guitarras à janela
foi por ela que eu já danço a valsa em pontas
que eu passei das minhas contas foi por ela
Esta fase, a fusão, fica bem expressa nos últimos versos:
“foi por ela que eu deixei de ser quem era
sem saber o que me espera foi por ela”
Pouco importava o desconhecido que, em todo o caso, parecia um mar de rosas. Na segunda fase, a construção do ninho, "devem assumir-se novos compromissos para garantir infraestruturas adequadas à vida em comum e se e necessário muda-se de local de trabalho, de lugar geográfico. O amor expressa-se menos com beijos e carícias e mais com cuidados, trabalho e contratos que cimentam uma plataforma comum sustentável." (E. Punset)
Os erros cometidos nesta fase têm consequências a longo prazo e foram talvez esses erros que fizeram com que seja tão difícil estabelecer os limites da terceira fase: a delimitação negociada dos campos respectivos de liberdade.
Depressa nos esquecemos o que de bom se fez nos países após a adesão à União Europeia, os aspectos negativos tem sempre outro impacto . E são esses que sobressaem.
É nessa perspectiva que estamos.
Mas mesmo com todos os defeitos desta União Europeia, este é um dos melhores sítios para se poder viver com dignidade, liberdade, democracia e justiça.
Mas mesmo com todos os defeitos desta União Europeia, este é um dos melhores sítios para se poder viver com dignidade, liberdade, democracia e justiça.
Estamos quase a ir de férias esperemos que tudo fique mais claro com o repouso que merecemos. Boas férias.
30/03/16
Tribos políticas e justiça
A Justiça, em granito, em frente ao Supremo Tribunal Federal, Brasília, de Alfredo Ceschiatti
Perante os factos mais inverosímeis do quotidiano, costumamos dizer que já nada nos surpreende. Mas não é verdade. Estamos sempre a surpreender-nos. E é de espanto que se fazem os nossos dias.
Assistimos com frequência ao aparecimento de regimes ainda mais autoritários do que aqueles que caíram com as supostas “primaveras” políticas e sociais transformando-se nos piores “invernos” para as populações, com as "revoluções" da América latina transformando-se em regimes ditatoriais...
As políticas têm implicações directas na vida das pessoas e devem garantir a defesa da vida, a segurança do dia a dia, a tranquilidade e uma vida com alguma qualidade mas em vez disso assistimos todos os dias, à destruição de famílias, de cidades, da cultura…
As democracias são ameaçadas todos os dias pelo terrorismo externo, mas também pelas oligarquias internas, que António Barreto ("Moral e política") chama de “tribos políticas”, que numa atracção fatal pela perpetuação no poder, usam todas as artimanhas para essa manutenção.
"O que se passa no Brasil, com Lula da Silva à beira de ser nomeado ministro, a fim de evitar ser preso por corrupção, e um juiz federal a tentar impedir aquele gesto, merece toda a atenção. Não para resmungar, mais uma vez, contra a “falta de valores” e a “ausência de moral”, mas sim para perceber o modo como as tribos políticas transformam em virtude não só as suas ideias, como também os seus interesses, os seus crimes e os seus roubos.
No Brasil ou na Venezuela, em Portugal ou em Itália, políticos ou banqueiros, empresários ou sindicalistas, assumem a sua mentira e a sua corrupção como actos legítimos na defesa dos seus interesses e pontos de vista que são obviamente lícitos, contra os dos outros, que os combatem com meios evidentemente ilegítimos. Um governante que mente e rouba, um banqueiro que esconde e desfalca, um empresário que corrompe e disfarça, um gestor que favorece e dissimula ou um deputado que falsifica e engana, tem todo o interesse em demonstrar que os seus inimigos são, não a lei nem as instituições democráticas, mas os opositores, os outros partidos, as outras classes sociais, as outras nacionalidades.
Por isso, os envolvidos nestes casos procuram, na imprensa, nas televisões e na rua, ganhar as batalhas que nunca venceriam na justiça. Por isso há bandidos que tentam vencer, com
a política, o que nunca obteriam com a lei. Por isso, os grandes delinquentes consideram que a justiça e os magistrados estão “ao serviço do inimigo”.
Na América Latina e na Europa, lá como cá, não estamos diante de mais uma escaramuça, mas sim de um grave conflito de cujo resultado depende a democracia. A vitória desta última só pode ser ganha com a justiça. Não chegam as maiorias políticas. Nem os poderes sociais e económicos. Nem a força da rua."
A justiça é um dos pilares da democracia, o último da sua defesa. Mas deixem-me meter Cristo nisto tudo que tinha e tem uma pergunta a fazer: “quando o sal se tornar insípido, com que se salgará?”
É por isso que a justiça não pode perder a sua independência e a sua força face a qualquer poder, político ou não.
25/11/15
Urgência de Eros
Adenauer, depois da 2ª guerra mundial, interrogou a sua consciência sobre o que tinha acontecido para que a guerra tivesse existido.
Havia sinais visíveis do que ia acontecer: a proibição de manifestações culturais, musicais, da correspondência indesejada.
Apesar do contexto de crise na Europa, as memórias da carnificina da guerra de 14-18 ainda eram recentes. Seria possível uma nova guerra porque os homens não aprendem? O que faz com que os homens embarquem numa nova aventura mortífera?
Este é o problema: Existe alguma forma de livrar a humanidade da ameaça de guerra? É do conhecimento geral que, com o progresso da ciência de nossos dias, esse tema adquiriu significação de assunto de vida ou morte para a civilização, tal como a conhecemos; não obstante, apesar de todo o empenho demonstrado, todas as tentativas de solucioná-lo terminaram em lamentável fracasso.
Foi por isso que, em 1932, em plena crise económica e política, Einstein, pacifista empenhado, sob a égide do Comité Permanente para a Literatura e as Artes da Liga das Nações, propôs a Freud a troca de correspondência, pública, sobre o problema da paz.
| Daqui |
Nesta troca de correspondência que se chamou “Porquê a guerra?” Einstein qualifica a sua preocupação como a questão mais importante para a civilização e interroga Freud sobre o que pode levar os homens a afastarem-se da guerra quando se sabia que não havia um organismo internacional poderoso que pudesse fazer com que as nações se submetessem às decisões legislativas e judiciárias em nome da paz e do bem comum.
Quais são os factores psicológicos de peso que paralisam tais esforços a favor da paz ?
Freud recusa que a psicanálise possa caucionar as considerações sobre o bem e o mal inscritos no inconsciente. Há um dualismo pulsional: pulsão de vida e pulsão de morte mas seria desajustado conotar moralmente estas pulsões. Uma é tão indispensável quanto a outra e os fenómenos da vida têm acções conjugadas das duas.
Freud acha que não faz sentido querer suprimir as tendências agressivas dos homens.
Mas pode-se lutar contra a agressividade humana pelo reforço de Eros, tudo o que leva às ligações entre os homens não pode ser senão conta a guerra.
Tudo o que desenvolva estes importantes traços comuns convoca sentimentos partilhados, isto é, identificações. A psicanálise recomenda o reforço das ligações pulsionais pelo amor e pelas identificações.
Para Freud, a guerra é uma regressão, um regresso à violência das origens e uma destruição da aptidão profunda do homem pela civilização.
A cultura é certamente destruída pela guerra mas ela é também o baluarte que promove o desenvolvimento do ser humano e que trabalha contra a guerra.
A publicação do texto foi proibida pelos nazis. Martin, o filho mais velho de Freud, vai ocupar-se da sua difusão clandestina na Áustria.
A 1 de Setembro de 1939 as tropas alemãs invadiam a Polónia.
No tempo presente, com sinais tão preocupantes, vale a pena ter presente a correspondência entre Einstein e Freud. Não só em relação à violência entre as nações mas à volência que está dentro de cada um de nós.
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Brigitte Bergmann, "Freud et Einstein: Pourquoi la guerre?", Le cercle psy, nº 16, 2015, pag. 94-95.
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Brigitte Bergmann, "Freud et Einstein: Pourquoi la guerre?", Le cercle psy, nº 16, 2015, pag. 94-95.
14/01/15
O sonho europeu
Desde o sua criação, a União Europeia procura ser uma sociedade com mais humanidade.
Apesar dos euroconvictos, dos eurocépticos, dos euromoderados, dos eurohipócritas, dos antieuropeus, … a Europa foi e é o sonho dos cidadãos dos vários países que aderiram aos princípios e valores que a europa representa e põe em prática: direitos civis e políticos, sociais e económicos, educativos e culturais, direitos do ambiente e protecção dos consumidores.
Com todas as dificuldades que hoje sentimos, ainda assim, a Europa é o local do mundo onde esses objectivos atingiram maior concretização...
A dignidade da pessoa humana é o direito fundamental que faz com que a Europa seja o lugar do sonho, porque é o lugar do humanismo e onde o ser humano se pode realizar.
Como escrevia Jacques Delors: “Entre o colectivismo alienador e estéril de uns e o individualismo exuberante e socialmente insuportável de outros, a Europa democrática soube manter o equilíbrio num humanismo vivo que só a ela pertence.” (pag. 44)*
O sonho europeu foi em primeiro lugar dos próprios europeus que construíram a União Europeia e é o sonho daqueles que, aos milhares, correndo risco de vida, querem viver na Europa.
O que leva tantas pessoas a correrem risco de vida para virem para a Europa, como mostram a tragédia de Lampedusa e outras, é o sonho de poder concretizar uma vida digna.
Muitas críticas à Europa são justas. O papa Francisco “referiu por várias vezes a necessidade de reforçar a dignidade da pessoa humana, Francisco disse que um debate marcadamente técnico e económico corre o risco de reduzir o ser humano a uma "mera engrenagem dum mecanismo que o trata como se fosse um bem de consumo a ser utilizado". E que é descartado quando não é mais útil a esse sistema.”
Mas não se podem aceitar as atitudes e comportamentos dos que querem acabar com a liberdade e a liberdade de expressão. Ou que lhe querem impor limites. A liberdade não tem nem pode ter limites. Impor limites à liberdade de expressão é o primeiro passo para que não haja liberdade de expressão. Ou seja, os limites, numa democracia, são aqueles que existem na lei de um estado democrático. É à justiça, e apenas a ela, que cabe punir e reparar qualquer ofensa e não a qualquer individuo, grupo ou comunidade.
Podemos achar ofensivos, de mau gosto, provocadores, os cartoons do Charlie Hebdo ou de outras publicações sobre Maomé. Cabe à justiça resolver esse problema. Se não for assim quem vai definir os limites da liberdade de expressão: os políticos, os religiosos, os ateus, os consumidores ?
No passo seguinte estamos a achar que a televisão não pode passar o filme “pato com laranja”, o Herman não pode fazer a rábula sobre “a última ceia de Cristo”, não podemos fazer o presépio, usar um crucifixo, as mulheres têm que voltar a vestir saias até aos tornozelos, como as nossas avós…
Querer impor limites à liberdade é abrir caminho a um terrível processo em que os fins justificam os meios e onde a justiça é feita pelas próprias mãos, como se viu em Paris na semana passada.
Liberdade, democracia e justiça são os três pilares de qualquer civilização.
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*Europa, uma Sociedade mais Humana - Texto de Georges de Kerchove d' Exaerde (1990)
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*Europa, uma Sociedade mais Humana - Texto de Georges de Kerchove d' Exaerde (1990)
29/05/14
Construir a Europa
Passaram mais umas eleições europeias. Provavelmente por incapacidade minha não (ou)vi praticamente discutir sobre a Europa. Federalistas, europeístas convictos, eurocépticos, europeus críticos, europeus optimistas, europeus pessimistas, antieuropeus... todos ávidos por um lugarzinho no parlamento europeu. Estiveram, aliás, mais interessados em discutir o que se passa na política interna e, nesse sentido, parece que não foi apenas problema meu. O que se seguiu após os resultados, e ainda a procissão vai no adro, veio confirmar que, afinal, havia outras contas internas a ajustar.
O Presidente da República pediu que se discutisse a Europa mas isso também não adiantou. Talvez por isso, o povo tenha ficado mais confuso... mas será que a ideia era esclarecer?
Ora a Europa deve ser discutida. Somos europeus, não há duvida, por mais "jangadas de pedra" que inventemos.
É tanto mais importante quanto sabemos a que levaram as convulsões recentes nos Balcãs, ou que se passam na Ucrânia, actualmente.
“A seguir à segunda guerra mundial desencadeou-se um intenso movimento de reflexão sobre o espírito europeu, a construção europeia, o humanismo, a violência, a guerra, a cultura, o progresso técnico e o progresso moral e tópicos relacionados. A identidade europeia não é nem pode ser um facto imobilizado no tempo. É antes um processo em marcha..."
O erro será, porventura, o convencimento de que a Europa é uma realidade estática e conseguida.
Depois das eleições, e já foi assim anteriormente, ficamos sempre com a sensação de que a maioria dos europeus não quer saber. Há um divórcio entre as elites políticas e os diferentes povos da União Europeia. Talvez, por isso, porque a Europa não é uma realidade construída por cada um, por cada comunidade, por cada país, o divórcio se aprofunde.
Impõe-se por isso a pergunta: “a Europa terá mesmo uma identidade cultural ? Em que sentido se poderá falar de uma comunidade de valores partilhados ?”
“A história da Europa não é linear e também não o é a sua identidade possível". Muitas contradições e conflitos, inquietações e incertezas... Mas, como a Fénix, é necessário renascer das próprias cinzas ou das próprias fraquezas.
Alguns passos dados parece que têm servido mais para afastar os europeus do que para os unir. Será mesmo necessário o federalismo para haver uma união europeia com politicas comuns no campo monetário, económico, social, educativo e cultural ?
O tratado de Lisboa em vez de esbater problemas veio acrescentar alguns, inclusive para Portugal, ao instituir mais desigualdade entre os estados-membros.
Certamente há-de haver uma forma de articular e cooperar entre os pequenos e grandes países que não seja a fingir, como até agora.
Não vale a pena partir do princípio falso de que os países são iguais. Aliás nunca assim foi desde o início: os países do Benelux precisavam de ter na Alemanha um mercado para os seus produtos, a política agrícola comum foi estabelecida para resolver os problemas da França.
Neste momento as diferenças sociais entre países são enormes, como é o caso da Segurança Social. Basta ver o que acontece com os anos necessários para a reforma, o que se passa com os apoios à maternidade, e em geral a todas as políticas sociais… e o que aí vem com a queda do crescimento demográfico, o envelhecimento progressivo da população e o desemprego.
Não será possível outra política de segurança neste mundo globalizado, com tráfico de armas, de droga e de seres humanos, rever o acordo de Schengen ou encontrar formas de superar os problemas de segurança?
Tem que ser possível dar passos consistentes de forma a aproximar as políticas sociais, etc..
Se não for assim, o que é a identidade cultural europeia ? Como se construirá a identidade cultural europeia?
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