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24/10/16

O pior perigo


Estas desenfreadas e esfarrapadas justificações das medidas políticas que vão desde "perder a vergonha" para sacar a quem "acumula", à justificação de que "quem não deve não teme" para espiolhar  a vida dos outros que significa, em resumo, que tudo é justificável e que os fins justificam os meios, colide com a tentativa de libertação de uma doutrinação que vem das universidades, desde 1974, e que ainda mantém o mesmo discurso que tantas vezes ouvi na cantina velha aos representantes da dita esquerda que era quem estava "autorizada" a discursar.
A "teoria" do sem-vergonhismo ignora realmente muita coisa.

Ortega y Gasset no capítulo sobre  o pior perigo: a estatização de toda a vida das pessoas.
"Este é o maior perigo que hoje ameaça a civilização: a estatização da vida, o intervencionismo do Estado, a absorção de toda espontaneidade social pelo Estado; quer dizer, a anulação da espontaneidade histórica, que em definitivo sustenta, nutre e impele os destinos humanos. Quando a massa sente uma desventura, ou simplesmente algum forte apetite, é uma grande tentação para ela essa permanente e segura possibilidade de conseguir tudo — sem esforço, luta, dúvida nem risco — apenas ao premir a mola e fazer funcionar a portentosa máquina. A massa diz a si mesma: "o Estado sou eu", o que é um perfeito erro."
Nada de novo, portanto desde 1937. Há um e-book aqui.

" A paixão doentia pelo Estado é um caso patológico da politologia portuguesa, para quem os direitos civis são um óbice, um obstáculo e – crescentemente – uma ninharia que põe em causa os interesses absolutos e intocáveis do Estado. Uma sociedade civil fraca, sem opinião, invejosa, ressentida, pateta, rendida ao argumento de «quem não deve não teme», aceita tudo – o poder discricionário do Estado, a inversão do ónus da prova, a violação da privacidade, sucessivos e injustificados agravamentos fiscais, a má gestão da coisa pública, o assalto aos rendimentos em nome dos interesses de um Estado mal gerido e gastador, investimentos mal estudados e mal realizados, tudo. E vota em conformidade, vota por simpatia, porque é mais fácil, porque é mais facilmente convencida e ludibriada – e porque quer ser convencida e ludibriada. Para esta sociedade civil delapidada e privada de si mesma, ressentida e silenciosa, é normal que os constitucionalistas forneçam pareceres à medida do Estado. Nada a prende à Constituição, que é uma espécie de disco voador."

J. Rentes de Carvalho traz-nos uma página de Eça de Queiroz que vai no mesmo sentido.

09/06/16

O populismo explicado aos donos das "vacas que voam"


"Es muy interesante el concepto de gratuidad que mencionas en tu discurso, ¿qué quieres decir con eso?
El populista en sus discursos siempre habla de estos abstractos, la nación siente, la nación opina, la nación piensa, y realmente cuando te pones a pensar, tanto el Estado como la nación, no son más que un cúmulo de individuos tomando decisiones.
Cuando alguien te habla en esa generalización de abstractos y te dice “el Estado paga”, a la gente se le olvida que el Estado no es un ente que genere dinero por sí mismo, sino que son un montón de individuos que reciben recursos de otro montón de individuos, que deciden cómo se van a administrar esos recursos."
Nada es gratis. Es decir, tenemos que estar conscientes de que todo viene con el costo de algo. Y en mi país, de cada 10 actividades económicas solo dos pagan impuestos. Todo el mundo quiere exigir del Estado, y es muy fácil exigir si no contribuís."

Da entrevista de  Belén Marty a Gloria Álvarez,  7 Nov. 2014, PanAmPost

08/04/11

Liberalismo

"Cometemos erros, damo-nos conta deles mas não queremos corrigi-los, dando assim uma prova de liberalismo com relação a nós próprios. Eis a décima primeira forma de liberalismo."
Mao Tse Tung, Obras, 3, Publicações «O proletário Vermelho», Lisboa, 1975, pag. 119.

"Livre-se da avaliação de desempenho"


Sete razões de Samuel Culbert  contra a avaliação de desempenho individual : "Get Rid of the Performance Review! It destroys morale, kills teamwork and hurts the bottom line. And that's just for starters."

06/04/11

Avaliação de desempenho

Não.Vasco Pulido Valente, Marcelo Rebelo de Sousa, Miguel Sousa Tavares, que me merecem todo o respeito, não têm razão quando defendem esta avaliação de desempenho individual dos professores ou da função pública.
Creio que não sabem do que falam porque, provavelmente, nunca foram avaliados por estes tipos de avaliação de desempenho individual.
Esta avaliação de desempenho individual é uma forma de gestão ultrapassada. Além disso, os estudos realizados sobre avaliação de desempenho demonstram que cria mais problemas do que resolve.
Ao defendê-la estão a defender a manipulação do sistema pelo longo braço do partido politico que está no poder ?
Ao defendê-la estão a defender o controle das mentes, das vontades e dos lugares sob a capa do desempenho?
Não sou professor mas como técnico superior, conheço bem o sistema educativo e a função pública: fui avaliado durante toda a vida de trabalho e, por isso, sei bem do que falo.
Acham credível fazer depender uma carreira profissional como, por exemplo, a de técnico superior, da avaliação de desempenho ?
Se um trabalhador for avaliado com excelente, em todos os anos da sua vida de trabalho, são necessários 56 anos de trabalho para chegar ao topo da carreira.
Mas se o trabalhador for classificado com muito bom, precisa de 70 anos de serviço para chegar ao topo da carreira.
Se for classificado com bom, o trabalhador precisa de 140 anos para chegar ao topo da carreira…
Acham que isto é sério ? 


Acham credível uma avaliação de desempenho com uma burocracia altamente rígida e interminável ?



Mas então para que servirá uma carreira assim, se nenhum trabalhador vai por meios normais chegar ao topo dessa carreira ?
Na realidade não sei. Mas podemos imaginar que será para posicionar os assessores políticos conforme convém. E nenhum deles começa do início.
No caso dos professores a avaliação de desempenho é ainda mais duvidosa. Como pode ser credível uma avaliação realizada pelos pares, do tipo este ano avalias tu, para o ano, quem sabe, avalio eu ?
Não parece fácil de mais dizer que o que os professores não querem é avaliação de desempenho?
Serão todos da oposição, ignorantes,  irresponsáveis, corporativistas ?
Conheço dirigentes do sindicato dos quadros técnicos (STE) a que pertenço, que são pessoas responsáveis e avaliam esta avaliação como catastrófica. Dizem eles:
• Não contribui para a melhoria dos resultados fomentando antes a degradação do ambiente de trabalho;
• Constitui um ataque aos trabalhadores, vinculando-os à avaliação do desempenho, mas não aos dirigentes e membros do Governo, que podem incumprir sem que lhes aconteça o que quer que seja;
• Sujeita os trabalhadores a um sistema de quotas irracional e sem qualquer responsabilização do Governo que, até hoje, não publicitou qualquer levantamento com resultados susceptíveis de serem questionados;
• É a total opacidade de um sistema absolutamente iníquo e que tem efeitos demolidores nas carreiras dos trabalhadores.
Aliás, a crítica que se pode fazer a alguns sindicatos é que ainda pensam que a avaliação de desempenho individual serve para alguma coisa. Quando se sabe que a avaliação de desempenho é prejudicial à organização.
Não. Vasco Pulido Valente, Marcelo Rebelo de Sousa, Miguel Sousa Tavares, estão errados.

02/04/11

Saber perder, luto e política

Saber ganhar e saber perder são aspectos muito importantes da nossa vida. Algumas pessoas não sabem ganhar. É nas alturas de grandes vitórias militares, desportivas e políticas, por exemplo, que algumas dessas pessoas têm provado que não sabem ganhar. Assistimos a violências inomináveis quando vemos os vencedores entregarem-se às práticas mais bárbaras sobre os vencidos.
No desporto assistimos a cenas de grande violência entre os adeptos de um ou de outro lado, ou de adeptos entre si. Quando não é assim, viram-se contra as instituições, contra a propriedade pública ou privada, partindo tudo o que encontram no seu caminho. A força da multidão é incontrolável e pela indução do grupo ou da multidão praticam-se actos que pensamos impensáveis.
Mas saber perder não é menos importante. Principalmente quando nos tomamos por insubstituíveis e assumimos um papel que ninguém nos conferiu.
Este mundo está cheio de egos insufláveis. Depois de conquistarem o poder consideram-se divindades e tratam de assegurar que os filhos ou familiares continuem a missão que, supostamente, lhes foi confiada pelas (chamadas) massas. Estão tão certos desse poder, divino ou quase, que não admitem a liberdade de pensamento aos outros, nem alternativas e alternâncias.
A arrogância não deixa ver que ao fim de 15, 20 , 40 anos o seu tempo passou, que há partes de nós que não foram boas nem bem conduzidas, que aquilo que amamos, não nos ama mais e que algo chegou ao fim.
Assume-se então o papel de vítima: vejam só o que me fizeram, são uns irresponsáveis !
Da vitimização parte-se para a agressividade. Perdido por cem perdido por mil. Há então que estafar o que resta, colocar nos lugares os amigos de maior confiança, recorrer aos amigos que ainda pensam que existem, internos e externos, mesmo que os amigos externos sejam os amigos dos adversários internos.
Há que não deixar que as alternativas surjam. Dizimá-las logo à nascença. Vilipendiá-las com clichés que ainda pegam: liberalismo, neo-liberalismo, ambição do poder, irresponsabilidade, coligação negativa, não há nada melhor do que nós, não têm alternativas, não há alternativas.
Oh! É a sofreguidão do poder, diz o poder. E nós tão inocentes, tão desprendidos que fazemos tudo para os outros, despimos a camisa pelos nossos queridos concidadãos. Depois de nós o caos !
Cada possibilidade de alternativa tem ressonância negativa nos comentadores oficiosos, que a máquina do regime já assegurou nos respectivos lugares. É, por isso, que as agências noticiosas são controladas pelo poder.
A lavagem cerebral acontece todas as noites no prime time.
Os violinos do poder escondem a música da arrogância, do status quo, da continuidade, da falta de alternativas democráticas, da conformação, da ausência da mudança democrática.
É por isso que saber perder é tão difícil. Saber reconhecer que os outros também têm qualidades e que é preciso percebê-las em cada momento.
Mas o povo, as pessoas que todos os dias perdem alguma coisa, costumam entender quando é tempo de aceitar as dificuldades e mudar… porque a vida continua.
Como refere Freud, “reconstruiremos tudo o que a guerra destruiu, e talvez em terreno mais firme e de forma mais duradoura do que antes”. Substitua-se apenas guerra por crise.

19/05/10

A regra mais cretina

               
A regra “saem dois entra um” na função pública que nos habituámos a ouvir e à qual já não reagimos ou que até alguns defendem, é uma das regras mais cretinas que alguma vez podia ter existido.
O longo braço do estado vai até às mais pequenas coisas da nossa vida e por isso deve sair de muitas actividades e muitos serviços podendo ser substituído por entidades privadas que não dependam do estado para poderem sobreviver.
Mas esta regra já começou a fazer sentir os seus efeitos nefastos e isto é só o princípio .
De repente, no sector de saúde, percebeu-se que iam sair cerca de 600 médicos e que não seria possível prescindir do seu serviço sob pena de haver prejuízo para os doentes.
Mesmo que fosse possível reduzir a função pública a metade ou a um terço, a regra não podia ser cega. Será realista imaginar que saem dois médicos e entra um, saem dois engenheiros e entra um, saem dois professores e entra um, saem dois polícias e entra um, etc…
Como é que na Saúde e na Educação podem reduzir para metade os trabalhadores existentes ?
Mas não há pessoal a mais? Se há, e isso não é líquido, o que há a fazer é cortar o que está a mais. Aí estamos de acordo. E o que está a mais nós sabemos o que é.
E também sabemos que no que está a mais não se mexe porque aí é necessário que continue a triunfar o longo braço do estado, para que o aparelho ideológico funcione de forma bem oleada.
Nos governos civis, nas empresas municipais, nas associações subsidio dependentes, no outsourcing, nos projectos encomendados, nas obras megalómanas, TGV, aeroporto, auto-estradas, polis, magalhães, parcerias publico-privadas, indemnizações compensatórias, novas oportunidades, actividades de enriquecimento, etc.
Mudou-se o estatuto dos funcionários públicos e o que se ganhou ou ganha com isso em termos de eficiência e eficácia ?
Já agora porque não passa a função pública a ter um estatuto privado abrindo, assim, o caminho para se aplicarem as regras privadas ao sector público ?
Porque não há uma inspecção de trabalho para a função pública?
Muito teria que fazer no controle dos horários de trabalho feito para além do estabelecido, as reuniões fora do horário, a disponibilidade, o desmantelamento, na prática, das carreiras, a ausência de concursos de acesso, o sistema de avaliação que não funciona…
A função pública é o bode expiatório sistemático da crise, do despesismo, do mau funcionamento do país.
Já se nota a desarticulação que vai surgindo nos serviços, a falta de continuidade no acompanhamento dos casos e dos projectos, a ausência de cultura de empresa ou de serviço, a falta de vínculos afectivos que vinham do trabalho colectivo, a sobrecarga do trabalho, o stress e o assédio laboral…
O caminho que se tem seguido é o da desestruturação do estado. Não é liberalismo, não. É bagunça. E este é um caminho sem futuro.