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30/03/19

Vitaminas para a alma




Algumas das mais ricas manifestações culturais do concelho de Idanha-a-Nova têm lugar, durante a Quaresma e Páscoa, numa série de eventos de natureza religiosa cristã.
Tradições ancestrais, algumas com vários séculos, continuam a ser realizadas da mesma forma que o foram pelos nossos antepassados e, quando participamos nestas manifestações, temos a certeza de que vivemos momentos idênticos aos que eles viveram.

Reconhecendo a importância destas tradições, a Câmara Municipal liderada pelo seu presidente Armindo Jacinto, propôs a candidatura dos “Mistérios da Páscoa”, à Comissão Nacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).
Para A. Jacinto, estes eventos são um "excelente exemplo" das melhores práticas de salvaguarda do património cultural imaterial do território.
O projecto é sustentado em 250 manifestações de piedade popular que se desenrolam ao longo de 90 dias em todo o concelho, desde a Quarta-feira de Cinzas ao Domingo de Pentecostes.
Com o trabalho realizado foi possível “ recuperar e revitalizar manifestações, passando de 163 em 2009, para mais de 250, na atualidade".

O concelho de Idanha-a-nova tem vindo a editar todos o anos uma Agenda com o título “Mistérios da Páscoa em Idanha” que identifica os eventos que ocorrem durante este tempo nas freguesias do concelho.
Muito do mérito desta actividade pertence ao Prof. António Catana cujo trabalho merece forte elogio pelo empenho e dedicação à recolha e também à compreensão destes acontecimentos singulares das vivências e religiosidade de cada um dos povos que dão uma caracterização específica a cada uma das localidades que mantêm estas tradições.
Todos os anos a Agenda tem como tema principal os eventos de uma das freguesias. A Agenda de 2019 dos "Mistérios “, tem como tema principal as actividades culturais e religiosas que durante a Quaresma e Páscoa têm lugar em S. Miguel d' Acha..

Destaco duas dessas tradições em que habitualmente participo e que merecem realce por vários motivos: a Ladainha e o Terço Cantado realizados pelos homens no percurso onde se encontram os nichos correspondentes aos respectivos Passos.
Nestas tradições, podemos encontrar formas muito antigas de meditação e oração. O canto do mantra "rogai por nós", como na Ladainha, ou outros mantras, como o do Pai-Nosso, do Terço Cantado, canto repetitivo de frases simples que narram os acontecimentos de um evento excepcional da história que teve lugar há dois mil anos, são formas de meditação e de oração que mantêm uma elevada espiritualidade que existiu desde sempre ente os cristãos.

Esta espiritualidade e religiosidade também correspondem a uma genuína forma de meditação e oração que ajudam a mente em busca de tranquilidade para a vida complexa e complicada de qualquer pessoa.
Essa característica é procurada na actualidade de muitas maneiras, como forma de terapia.
Podemos procurar a espiritualidade em qualquer lugar. Alguns fazem a experiência a oriente, no Nepal, na Índia ou no Tibete.
Para nós, no entanto, aqui e agora, na nossa região, participar nestes "Mistérios" é um privilégio: tranquilidade para a mente e vitaminas para a alma.

19/03/19

Pais para sempre

Podem inventar as tretas que quiserem para os documentos da escola, para o cartão de cidadão ou outro qualquer que ... pai há-de sempre ser pai.


"... Ser pai é amar, amar e amar. Sem intervalos nem férias. E sermos tomados pelo medo que o céu desabe sobre a cabeça dos nossos filhos, se não estivermos por perto. E, por isso mesmo, não nos sentirmos autorizados nem a morrer nem a desistir. E termos, na exacta medida daquilo que eles esperam de nós, a secreta certeza que, mesmo quando não estivermos, seremos pais. Sempre pais. Muito para lá de sempre." (Eduardo Sá, "Ser pai, é fazer de super-homem")

26/12/18

De Josefa de Óbidos a Chiara Lubich


ver detalhe da imagem
Josefa de Óbidos, Adoração dos Pastores - óleo sobre tela (1669) - Museu Nacional de Arte Antiga de Lisboa.


"Aquele menino !

Quando Te rezamos, Jesus, no nosso coração, quando Te adoramos na Sagrada Eucaristia do Altar, quando conversamos Contigo, presente no Céu, e a Ti dizemos o nosso obrigado pela vida e em Ti lançamos o arrependimento das nossas faltas e de Ti invocamos as graças de que necessitamos, pensamos-Te sempre adulto, Senhor.
Ora eis que, luz sempre nova, em cada ano, de novo volta o Natal e como uma renovada revelação mostras-Te menino, acabado de nascer, num berço, e uma onda de comoção nos invade. E já não sabemos formular palavras, nem ousamos pedir, nem nos sentimos com coragem de ser um peso para tão minúsculas forças, embora omnipotentes.
O mistério faz-nos calar e o silêncio da alma em adoração confunde-se com o de Maria que, perante o testemunho dos pastores que ouviram o celeste canto dos anjos «conservava todas estas coisas, meditando-as no Seu coração»
O Natal ...: aquele Menino sempre nos aparece como um dos mistérios mais profundos da nossa fé, porque é o princípio da revelação do amor de Deus por nós, que depois se manifestará em toda a Sua divina, misericordiosa e omnipotente majestade."
(Chiara Lubich, Saber perder, p.108-109)



03/12/18

Era uma vez em Paris

J’ai deux amours - Madeleine Peyroux

"J'ai deux amours
Mon pays et Paris"


Erik Satie - Once Upon A Time In Paris (Gymnopedie No.1)



Por outro lado,

"Ce que nous avons vu à l'intérieur de l'Arc de triomphe saccagé." "«Gilets jaunes» : les images de l'Arc de Triomphe saccagé." (Le Figaro)

"A violência que ocorreu no sábado em Paris durante a manifestação dos "coletes amarelos" provocou 133 feridos e 412 pessoas foram detidas, das quais 378 ficaram sob custódia policial, segundo dados deste sábado da polícia francesa.
Entre os 133 feridos, 23 são polícias, detalhou a sede da polícia de Paris." (TSF)

Macron (ou seja lá quem for o presidente) será  capaz de levar à justiça os "profissionais da destruição"?


07/10/18

"Amitié amoureuse"

 Aïe Mourir Pour Toi -  Amália Rodrigues - Charles Aznavour

Aïe mourir pour toi
A l'instant où ta main me frôle
Laisser ma vie sur ton épaule
Bercé par le son de ta voix
Aïe mourir d'amour
T'offrir ma dernière seconde
Et sans regret quitter le monde
En emportant mon plus beau jour
Pour garder notre bonheur
Comme il est là
Ne pas connaître la douleur
Par toi
Et la terrible certitude
De la solitude
Aïe mourir pour toi
Prendre le meilleur de nous-mêmes
Dans le souffle de ton je t'aime
Et m'endormir avec mes joies
Parle-moi
Console-moi
J'ai peur du jour qui va naître
Il sera le dernier peut-être
Que notre bonheur va connaître
Serre-moi
Apaise-moi
Quand j'ai l'angoisse du pire
Ne dis rien quand tu m'entend dire
Qu' au fond mourir pour mourir


Aïe mourir pour toi
Prendre le meilleur de nous mêmes
Dans le souffle de ton je t'aime
Et m'endormir avec mes joies
Mourir pour toi

 «Amália pediu-lhe uma canção, ele escreveu Ai, morrer por ti, uma letra apaixonada que ela gravou num disco em francês. Ficaram amigos até à morte dela, em 1999. Semanas antes, jantaram juntos: "Falámos de tudo, de nada, de fados, do passado, da amitié amoureuse que partilhámos".» Ana Sousa Dias, «Aznavour: o cantor que teve uma "amitié amoureuse" com Amália», DN, 07 Dezembro 2016



26/07/18

Da beleza e da feiura

1. Os comportamentos de assédio sexual, que acontecem fora dos estádios ou dentro deles, não se podem confundir com a questão de proibir ou evitar filmar "mulheres atraentes" sob pena de entrarmos em mais um plano inclinado onde a proibição passa a chamar-se censura.
Por outro lado, é claro que focar "mulheres atraentes" não pode desfocar-nos  do importante: a luta, legal e policial,  cada vez mais necessária, e enquanto houver uma vítima desta prática. 
É ainda uma questão de educação para valores éticos e morais ou para relativismos culturais (a que nem sequer o poder judicial é alheio) em que os primeiros não podem tolerar os segundos porque não respeitam aqueles valores, os valores universais dos direitos humanos.

2. Nem sempre as piores expectativas se confirmam. Poderá ser uma excepção, mas é uma boa experiência que mostra o caminho a seguir: "Como aprendi a amar os homens frequentando estádios de futebol".

3. Podíamos continuar a colocar imagens  consideradas, subjectivamente, de pessoas atraentes (Vão proibir estas imagens?): pessoas do público do estádio, atletas de várias modalidades,  políticos, artes, música, cinema, teatro...  sendo que a gravidade está em começar a proibir "não se sabe bem o quê atraente" e acabar por proibir qualquer imagem contaminada com o rótulo de "tudo o que seja atraente" em qualquer actividade.
Mais grave ainda se o propósito estiver bem definido: levar à proibição de mulheres frequentarem estádios de futebol, como acontece aqui (ou aqui e aqui), e, onde a FIFA não se sente incomodada pela ausência de liberdade das mulheres para assistirem a um jogo de futebol.

4. O que é uma "mulher atraente"? Porquê mulher e não homem atraente ou pessoas atraentes ?
Bom, parece que a  internet está cheia de gente que sabe o que isso é. Há até curso para homem e para mulher ficar atraente, respectivamente, para mulher e para homem. Os clichés são os que já se conhecem.
Coisas que os homens acham atraente em uma mulher (de acordo com a ciência) ; A visão masculina de uma mulher atraente ; Descubra quando uma mulher é atraente para os homens; 19 qualidades que tornam um homem atraente para mulheres.

5. Mas tudo se baralha quando não sabemos o que escolher: a Bela ou o Monstro.   O problema é que  depois de se "informar" talvez continue com as mesmas dúvidas que já tinha. Ou seja, com que critérios se pode tomar uma medida, que será referência da FIFA, para ser aplicada pelos realizadores de programas de futebol?

6. O que é a beleza ? O que é a beleza feminina ? Não é a mesma coisa nem para os homens nem para as mulheres. Nem hoje nem ao longo de 28000 anos.

7. Beleza ou feiura são caminhos subjectivos que dependem do olhar de cada um e dos padrões culturais que o influenciam, das subculturas e das modas a que cada um se submete ou converte, que cada um pensa que corresponde à sua forma de beleza ou de feiura, mesmo quando a feiura é procurada deliberadamente por algumas pessoas, tal como a beleza, havendo sempre subjacentes diversos objectivos motivacionais: evidenciar-se por ser diferente, evidenciar-se pelo estranho, liderar grupos de fãs,  jovens ou não, tirar vantagens como objecto de consumo, afirmar-se como modelo de imitação, modelo sexual (sex symbol), modelo de sucesso,  ou esperto videirinho...

8. Beleza e feiura são uma construção cultural, em que os atributos considerados belos ou feios constituem a representação social de beleza ou feiura. Assim, são valorizados certos traços considerados esteticamente belos ou feios num determinado espaço e num tempo em que o consumo impõe as suas regras.
Para Umberto Eco, a beleza nunca foi algo de absoluto e imutável, mas assumiu rostos diferentes segundo o período histórico e a região; não só no que diz respeito à beleza física (do homem, da mulher, da paisagem), mas também em relação à beleza de Deus ou dos Santos ou das ideias...



9. A beleza, afinal, depende da atribuição de cada um, é a existência das coisas "que simplesmente existem", como no poema de Alberto Caeiro, ou "a graça da vida em toda a parte", como no de Miguel Torga.


Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta

Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,
Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Porque sequer atribuo eu
Beleza às coisas.

Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe
Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então porque digo eu das coisas: são belas?

Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as coisas,
Perante as coisas que simplesmente existem.
Que difícil ser próprio e não ver senão o visível!

“O Guardador de Rebanhos”. Alberto Caeiro.


À Beleza

Não tens corpo, nem pátria, nem família,
Não te curvas ao jugo dos tiranos.
Não tens preço na terra dos humanos,
Nem o tempo te rói.
És a essência dos anos,
O que vem e o que foi.

És a carne dos deuses,
O sorriso das pedras,
E a candura do instinto.
És aquele alimento
De quem, farto de pão, anda faminto.

És a graça da vida em toda a parte,
Ou em arte,
Ou em simples verdade.
És o cravo vermelho,
Ou a moça no espelho,
Que depois de te ver se persuade.

És um verso perfeito
Que traz consigo a força do que diz.
És o jeito
Que tem, antes de mestre, o aprendiz.

És a beleza, enfim. És o teu nome.
Um milagre, uma luz, uma harmonia,
Uma linha sem traço...
Mas sem corpo, sem pátria e sem família,
Tudo repousa em paz no teu regaço.

Miguel Torga, «Odes», 1946, Antologia poética, 2ª ed. aumentada, Coimbra, 1985, pg.83-84


15/07/18

Kodály - Esti dal

Kodály - Esti dal (Evening song)

  "Só os melhores professores e só a melhor música deve ser dada às crianças". Kodály

08/07/18

Uma sociedade amiga das crianças


Todos temos alguma experiência negativa relativamente à sociedade e comunidade  em que vivemos sobre a ausência de condições inclusivas para os cidadãos, desde criança até à velhice.
Ter um filho implica grandes necessidades de mudança, de adaptação à vida quotidiana dos pais. É, sem dúvida, verdade que o nascimento de um filho muda a nossa vida, principalmente quando os pais decidem que os filhos os devem acompanhar, sempre que possível, nas suas actividades de lazer, nas férias, na vida social ...
Em 2012, segundo o Relatório da UNICEF ‘Situação Mundial da Infância, estimava-se que, no ano de 2050, 70% da população mundial iria viver em áreas urbanas, o que significa que a maioria das crianças e jovens crescerão em cidades nas próximas décadas.
Viver num mundo urbano coloca mais dificuldades que não favorecem o bem estar das crianças. Há muitas situações em que a vida de quem tem filhos é dificultada por não haver estruturas ou estruturas  amigas das crianças.
Uma sociedade amiga das crianças  tem cidades amigas das crianças, com estruturas arquitectónicas, sociais e educativas amigas das crianças: escolas, currículos escolares amigos das crianças, hospitais, jardins e parques infantis, passeios e passadeiras... amigos das crianças

Em 1996, a UNICEF lançou o conceito “Cidades Amigas das Crianças”,  com o objectivo de colocar “as crianças em primeiro lugar” tanto no mundo em desenvolvimento como no mundo industrializado, em contexto rural ou urbano. *

Uma cidade amiga das crianças tem acessibilidades para todas as crianças. Nas nossas cidades, apesar de ter havido alguma evolução, é uma verdadeira aventura deslocarmo-nos a qualquer sítio, por necessidade ou apenas por lazer, com uma criança  num carrinho de bebé.
A lei sobre acessibilidades ( DL n.º 163/2006, de 8/8, alterado pelo DL n.º 136/2014, de 9/9, e DL n.º 125/2017, de 4/10) continua a ficar sem efeito; mesmo em bairros relativamente novos não são tidos em conta a eliminação de barreiras arquitectónicas: nas passagens de peões, desníveis dos passeios perigosos, com candeeiros, sinais, canteiros, escadas, a interromper, rampas perigosas...

Espaços das cidades amigos das crianças são espaços verdes, jardins, feitos para as pessoas e, portanto, para as crianças,  e não para os cães que continuam a andar solta, sem trela, não  têm condições de higiene ou de segurança  para poderem ser frequentados.
Reconheço o esforço que algumas autarquias têm feito com distribuidores de sacos gratuitos, com avisos, com a manutenção dos espaços... mas as autarquias também têm as costas largas quando os cidadãos ou não sabem ler os avisos ou se estão nas tintas para os outros, principalmente se forem crianças.
Uma sociedade amiga das crianças tem escolas amigas crianças. Nesse sentido a  Confederação nacional das associações de pais (CONFAP) criou um selo que é atribuído às Escolas “amigas das crianças” . Para isso, vai avaliar ideias inovadoras em áreas como o espaço de recreio, a alimentação, a segurança ou o envolvimento da família. (Rita Marques Costa, Mais de 300 escolas “amigas das crianças” receberam selo da Confap, Público, 22 de Março de 2018

Uma cidade amiga das crianças tem  creches e jardins de infância para todas as crianças de forma a poder equilibrar o papel profissional dos pais com a necessidade de desenvolvimento das crianças.
Nestas creches, jardins de infância e escolas,  os currículos devem utilizar o Desenho universal para a aprendizagem (UDL), ou metodologias semelhantes. Os currículos devem ser desenhados de forma a que todos os alunos possam ter acesso a eles. A modificação do meio ao nível das acessibilidades, por exemplo, e dos instrumentos de aprendizagem são fundamentais para que o sucesso escolar possa acontecer.

Os equipamentos  e serviços sociais amigos das crianças devem respeitar estas regras. Quando decidimos ir a um restaurante com os filhos ou os netos,  as crianças são bem-vindas. Sabemos que nem sempre assim acontece e há de tudo: alguns são mais ou menos indiferentes, outros pouco simpáticos para a frequência de crianças, porque  fazem barulho, às vezes birras, um empecilho... Não têm cadeirinhas, não têm fraldário, não têm rampas de acesso, etc... nada que tenha em vista o bem-estar das crianças.

Os comportamentos sociais dos adultos deviam ser sempre amigos das crianças, o que se traduz no exercício da cidadania: respeitar as passadeiras, nos automóveis, os pais que devem ter cuidado com a segurança das crianças, não falar ao telemóvel, não fumar sempre que viajam com crianças...  
Está em cada um de nós a capacidade de transformar a nossa cidade numa cidade amiga das crianças. **
 ________________________________
* O programa da UNICEF, "Cidades Amigas das Crianças", ganhou força em 2007, existindo, actualmente, 35 cidades em Portugal que aderiram a esta iniciativa."Os fundamentos para construir uma Cidade Amiga das Crianças assentam nos quatro princípios base da Convenção: não discriminação; interesse superior da criança; sobrevivência e desenvolvimento; ouvir as crianças e respeitar as suas opiniões." (UNICEF) 

** RACAB (Rádio de Castelo Branco - Crónica-de-opinião - 28-06-2018 - "Uma sociedade amiga das crianças"

07/07/18

Magia na diferença - Gillian Lynne


Referimos aqui - Magia na diferença -  Gillian Lynne,  a propósito da sua infância: fraco desempenho escolar e instabilidade. Hoje diríamos hiperactividade.
" O dom de Lynne para dançar foi descoberto por um médico. Ela estava com mau desempenho na escola, então sua mãe levou-a ao médico e explicou sobre sua inquietação e falta de foco. Depois de ouvir tudo o que sua mãe disse, o médico disse a Lynne que precisava conversar com sua mãe em particular por um momento. Ele ligou o rádio e saiu. Ele então encorajou a mãe a olhar para Lynne, que estava dançando para o rádio. O médico notou que ela era uma dançarina e incentivou a mãe de Lynne a levá-la para a escola de dança." (Daqui)
Faleceu aos 92 anos.

Do seu extraordinário trabalho, um exemplo. Cats é um musical composto por Andrew Lloyd Webber, dirigido por Trevor Nunn e coreografado por Gillian Lynne. Estreou em Londres em 1981 e esteve dezoito anos em cartaz na Broadway. Para realizar esse espectáculo, Llyod Webber musicou uma série de poemas de T. S. Eliot sobre gatos, onde Memory foi a música de maior sucesso.

"O Livro dos Gatos", no original "Old Possum's Book of Pratical Cats", é uma colectânea de curiosos e animados poemas dedicados à psicologia e sociologia felina.
Foram escritos nos anos 30 por T. S. Eliot e incluídos pelo próprio, sob o nome "Old Possum", nas cartas que enviava aos seus afilhados. Em 1939, a editora que tinha o exclusivo da sua obra decidiu reunir e publicar 15 desses poemas sob a forma de livro.
Recomendado pelo Plano Nacional de Leitura - 5º ano de escolaridade.

Sete mares

Sétima Legião - Sete mares

Pedro Oliveira (voz e guitarra); Rodrigo Leão (baixo e teclas); Nuno Cruz (bateria, percussão); Miguel Teixeira (viola d'arco); Gabriel Gomes (acordeão); Paulo Tato Marinho (gaitas de fole, flautas); Ricardo Camacho (teclas); Paulo Abelho (percussão, samplers); Francisco Ribeiro de Menezes (letras, coros)

29/03/18

O grande poder do mundo

Bach - Paixão seg. S. Mateus - Coral "O Haupt voll Blut und Wunden"
Oh, cabeça lacerada e ferida,
cheia de dor e escárnio!
Oh, cabeça rodeada, ferida,
por uma coroa de espinhos!
Oh, cabeça outrora adornada
com elevadas honras e presentes,
e agora grandemente ultrajada!
Eu te saúdo!

Tu, nobre rosto,
ante a quem o mundo todo
treme e teme,
De que forma escarram sobre Ti!
Quão lívido te achas!
Quem se encolerizou
de forma tão infame
com a luz sem igual de teus olhos?

21/02/18

Contra o espírito do tempo 2


Marco Aurélio foi imperador romano durante 19 anos. O império  era marcado por guerras na parte oriental contra os partas, e na fronteira norte, contra os germanos.  Foi considerado o último dos cinco bons imperadores, é lembrado como um governante bem-sucedido e culto, dedicou-se à filosofia, especialmente ao estoicismo, e escreveu uma obra, Meditações.
O estoicismo é um movimento filosófico que surgiu na Grécia Antiga por Zenão, no início do século III a.C.. Valoriza o conhecimento e a razão  e desvaloriza os sentimentos externos e as emoções. É uma filosofia mas também um modo de vida e mais do que o individuo diz interessa como se comporta.

O que está em questão são os problemas psicológicos de cada pessoa sujeita ao stress e ansiedade, aos estilos de vida que sempre resultam da interacção entre os homens e dos homens com a natureza e o universo. Era assim há dois mil anos na cultura greco-romana como é assim, actualmente, em todas as culturas. Ultimamente, por aqui me perco porque é o melhor sítio para me encontrar, aprendendo todos os dias, meditando com os sábios, procurando obter a serenidade que é a busca mais conforme à natureza e à razão. 

Meditações, de Marco Aurélio, onde  encontro mais semelhanças do que diferenças com as tão na moda meditações de atenção plena (mindfulness), é de uma actualidade fascinante. Mostra que a cultura greco-romana tem muito mais a ensinar do que aquilo que ensinam nas escolas. Provavelmente, a filosofia e a importância dos pensadores que hoje nos fazem meditar sobre a nossa verdadeira natureza e sobre o que  é importante na nossa vida seria um bom contributo terapêutico contra as perturbações de ansiedade.
Epicteto, Marco Aurélio, Epicuro, os estóicos ou os epicuristas, por caminhos diferentes, contra o prazer ou pela sua busca, têm muito a ensinar sobre a felicidade,  sobre a forma de melhorarmos o nosso modo de vida e procurarmos uma sociedade de bem-estar.
O primeiro livro de Meditações podia ser considerado o livro da gratidão. Aí, M. A. agradece aos seus familiares, aos seus mestres e aos deuses tudo o que aprendeu, a sua personalidade, a virtude,  a inteligência, os modelos que teve.  Inicia assim o primeiro ponto: “Aprendi com o meu avô o carácter e a retidão.”
A Razão governa “a natureza (que) é flexível e dócil”. “És dotado de razão?  «Sou.» Então porque não usá-la? Não é tudo o que desejas? Que a razão faça o seu papel?”
O homem faz parte da natureza, o homem vive na presença da morte, que é desfazer-se nos elementos que o compõem, e, por isso, o que é a fama ? O que é o elogio? O que é belo não é sempre belo, sem precisar  de elogio?
Porque será que as pessoas acumulam bens desnecessários? Nos dias em que vivemos, podíamos perguntar: porque se generalizou a corrupção que quase sempre envolve milhões, se, afinal, “somente o necessário” é aquilo que interessa ao homem?  “A maior parte das coisas que dizemos e fazemos não são necessárias. Se conseguires eliminá-las terás mais tempo e tranquilidade. Pergunta-te a cada momento: «Isto é realmente necessário?» (p. 43)

29/01/18

"Só um, amando-te a alma peregrina em ti"

Quando fores velha

Quando já fores velha, e grisalha, e com sono,
Pega este livro: junto ao fogo, a cabecear,
Lê com calma; e com os olhos de profundas sombras
Sonha, sonha com o teu antigo e suave olhar.

Muitos amaram-te horas de alegria e graça,
Com amor sincero ou falso amaram-te a beleza;
Só um, amando-te a alma peregrina em ti,
De teu rosto a mudar amou cada tristeza.

E curvando-te junto à grade incandescente,
Murmura com amargura como o amor fugiu
E caminhou montanha acima, a subir sempre,
E o rosto em multidão de estrelas encobriu.

W. B. Yeats



Os velhos admirando-se na água

Ouvi os velhos, velhos, murmurando:
"Tudo se altera,
E um por um vamos passando."
Tinham mãos como garras, e seus joelhos
Eram torcidos como os espinheiros velhos
Junto da água.
Ouvi os velhos, velhos, murmurando:
"Tudo o que é belo foge, deslizando
como as águas"

W. B. Yeats


(William Butler Yeats - 13/6/1865-28/1/1939)

27/12/17

Concerto de Natal

17-12-2016. Concerto de Natal dos Seis Órgãos da Basílica de Mafra 
com o Coro da Academia de Música de Sta Cecília 

Programa de 2017, informação da RTP 2:
Concerto de Natal na Basílica do Palácio de Mafra com a participação do coro da Academia de Música de Santa Cecília
Concerto de Natal a seis orgãos na Basílica do Palácio de Mafra com a interpretação de cerca de 300 vozes da Academia de Música de Santa Cecília, que entoam canções de natal bem conhecidas bem como dos compositores Eurico Carrapatoso e Carlos Garcia, em estreia nestes concertos.
Direção Musical
António Gonçalves
Soprano
Rafaela Faria
Ensemble Vocal Da Amsc
Coro Do 2º Ciclo Da Amsc
Coros Do 3º Ciclo E Secundário da Amsc
Órgão Da Epístola
Rui Paiva
Órgão Do Evangelho
Flávia Almeida Castro
Órgão De S. Pedro d´Alcântara
Carlos Garcia
Órgão Do Sacramento
João Valério
Órgão Da Conceição
Liliana Silva
Órgão De Santa Bárbara
Afonso Dias
 

13/12/17

"Fora do lugar"

Pelo sonho é que vamos, escrevia Sebastião da Gama. Quando olhamos para o mundo rural e para a desertificação humana que o caracteriza vale a pena continuar a sonhar. Há indícios de que a mudança se vai fazendo à medida que se pretende ter qualidade de vida, um estilo de vida que passa pelo mundo rural no que tem de mais identitário e original e pelo mundo urbano no que tem de excelência na criatividade e modernidade.
Uma grande permeabilidade entre o meio urbano e o mundo rural atenua diferenças e é uma inevitabilidade a globalização da informação e comunicação: o vizinho mais próxima encontra-se no teclado de um computador, temos a actualidade a ser debitada a todo o momento na internet, acedemos aos serviços em segundos e com frequência estamos fisicamente num mundo ou no outro. É um inconveniente mas também uma vantagem em relação ao passado.
Um dos factores que contrariam esta ideia é a tendência para seguir modas. Ao fazerem isso, as pessoas que estoicamente continuam a querer viver em espaços mais descentralizados como os espaços rurais, correm o risco de perderem a sua identidade.

O problema, então, é quando todos vão realizando projectos semelhantes e as mesmas actividades. Foram as rotundas, as piscinas, os polidesportivos, os parques infantis, as universidades da 3ª idade ... agora temos as feiras medievais, as festas das TVs, os festivais de verão...
Quando afinal o que distingue é a identidade inscrita no património construído e na cultura, nas tradições populares, na música, no artesanato, na relações de vizinhança e entreajuda.

A estratégia da câmara municipal de Idanha-a-Nova foi a aposta na música, fazendo parte da rede de cidades criativas da UNESCO - organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.
Em Idanha destacou-se a música e a ligação profunda a instrumentos tradicionais como o adufe e a manifestações musicais populares e religiosas.
Neste contexto, decorreu, no concelho de Idanha a 6ª edição do programa - "Fora do Lugar - Festival internacional de músicas antigas". A identidade aberta à música intemporal com intérpretes de todo o mundo.

Tive a oportunidade de estar em dois momentos "fora do lugar":
O primeiro, “conversa mesmo ao pé”, com o professor Jorge Paiva, biólogo e botânico da Universidade de Coimbra, com 84 anos de idade. Falou da biodiversidade de uma forma encantadora e simples. E só quem sabe muito consegue falar de forma simples de assuntos verdadeiramente complexos.
Sem facciosismos, considera que todas os políticos de todas as cores têm responsabilidade naquilo que estão a fazer ao mundo, em que os negócios e a devastação das florestas por causas humanas, e a comunicação social que desenfreadamente noticia durante imenso tempo os incêndios florestais.
Diz-nos que não são só as fábricas apenas que estão a destruir o ambiente. Mais importante é a devastação das florestas e da biodiversidade. Fala da necessidade da biodiversidade e das plantas que podem conter a resposta para muitas doenças da humanidade.
Jorge Paiva tem esperança em dias melhores e por isso manda anualmente as boas festas aos políticos com a fotografia de uma árvore de Natal especial.

O segundo momento foi o "concerto mesmo ao pé"- Musick's Recreation, com Milena Cord-to-Krax, flauta, (Alemanha), Alex Nicholls, violoncelo, (Austrália) e César Queruz, tiorba, (Colômbia), apresentado num local “fora do lugar”, o Centro de Dia de S. Miguel d’Acha, sem dúvida uma ideia óptima que leva música de excelência a quem é capaz de apreciar, a pessoas idosas que merecem o melhor.

Não faz parte do festival “fora do lugar”, mas podia, a exposição de pintura na casa da cultura de S. Miguel d'Acha dedicada ao tema "migração", com obras da colecção de Paulo Lopo: Gracinda Candeias, Júlio Pomar, Mário Cesariny, Lourdes Castro, José de Guimarães, Joaquim Martins Correia, M. Helena Vieira da Silva, Manuel Cargaleiro, Nadir Afonso. Todos têm em comum o facto de terem estado em algum momento das suas vidas noutro país.
Tem ainda em exposição uma obra de Carlos Farinha uma tela, de 2013, justamente intitulada “Migração” que pelas suas dimensões (220X700 cm) ficou exposta na igreja de S. Miguel.
Podemos dizer, parafraseando Sebastião da Gama,  que “pela cultura é que vamos”...