03/12/18

Era uma vez em Paris

J’ai deux amours - Madeleine Peyroux

"J'ai deux amours
Mon pays et Paris"


Erik Satie - Once Upon A Time In Paris (Gymnopedie No.1)



Por outro lado,

"Ce que nous avons vu à l'intérieur de l'Arc de triomphe saccagé." "«Gilets jaunes» : les images de l'Arc de Triomphe saccagé." (Le Figaro)

"A violência que ocorreu no sábado em Paris durante a manifestação dos "coletes amarelos" provocou 133 feridos e 412 pessoas foram detidas, das quais 378 ficaram sob custódia policial, segundo dados deste sábado da polícia francesa.
Entre os 133 feridos, 23 são polícias, detalhou a sede da polícia de Paris." (TSF)

Macron (ou seja lá quem for o presidente) será  capaz de levar à justiça os "profissionais da destruição"?


30/11/18

Orçamento «tira do "lete" e põe no "caféi"» - parte 4




1. O quarto* e último orçamento do governo minoritário do dr. Costa, grande artista suspenso no trapézio dos amigos pessoais e dos amigos de ocasião, vai ser estatisticamente  aprovado.
A fraude pós-eleitoral, como referiu Rui Ramos, tem assim o seu epílogo, porque convém não esquecer que não ganhou as eleições e, além disso, esta maioria de esquerda, politicamente, é um erro de consequências desastrosas para o socialismo democrático e, portanto, para o país (depois da fonte luminosa, seria absolutamente impensável).

2. Como nos orçamentos anteriores, o de 2019 segue o mesmo princípio: tira de um lado, principalmente por via dos impostos indirectos e cativações, e, pelo outro, distribui pelas causas e exigências dos outros trapezistas, os da esquerda velha e os da esquerda infantil.

3. Politicamente, a palavra-chave deste governo foi, desde o início, reverter**. No entanto, é um governo que à conta de tanta reversão acabou a reverter-se a si próprio. Como provam algumas minudências como as seguintes:
- A transferência do Infarmed para o Porto, cinco vezes afirmada mas bastou uma para a negar.
- A licenciatura de 5 anos equiparada a mestrado afinal já não vai avançar.
- Na justiça fica Joana, mas afinal sai Joana. Apesar da estratégia de Marcelo ser obscura, a de Costa é límpida. Se a questão é a da limitação de mandatos, devia aplicar-se no futuro depois da alteração da legislação e já agora que se aplicasse a outras instituições. Como sabemos, nas autarquias houve aquela lei que proibiu mais do que três mandatos na mesma a autarquia… mas, infelizmente, vieram depois explicar que podia haver outros mandatos, no limite até ao fim da vida, desde que fosse noutra autarquia mais longe ou ali ao lado.
- Nas reformas antecipadas a teoria era de que podia ser aos 40 anos de serviço e aos 60 de idade, mas afinal não é bem assim.
- Em Tancos o ministro da defesa tem toda a confiança do primeiro-ministro mas no dia seguinte sai ele e mais três. Na maior trapalhada de que há memória depois do PREC ou de que não há memória de haver outra igual. Além do mais, num sector onde se devia lidar com cuidado que, como diz Marcelo, a democracia e as forças armadas têm alguma relação.
Mas fica o enigma de Costa: "um dia se saberá o que cada um dos que aqui estão sabe sobre o assunto" (referia-se no parlamento a Tancos)
- Palavra de primeiro-ministro de que o ministro da saúde não está de saída do governo. Em entrevista ao jornal Expresso, António Costa diz que a demissão de Adalberto Campos Fernandes não iria resolver os problemas na Saúde. Pois não, de facto a saúde há muitos anos que não vivia momentos tão dramáticos.
- Para a ERSE vai o deputado indicado pelo partido mas afinal não vai, vai outro por mérito do parlamento.
- Dez anos depois de 2009 vai haver aumentos para toda a função pública mas não vai ser bem assim porque só há 50 milhões para distribuir. E isso não chega para aumentos e promoções. Nem vale a pena pensar nos professores.
- Sim, porque na educação não sabem fazer as contas da contagem do tempo de serviço e revertem a decisão do orçamento do ano passado. Não perceberam o valor real, nem simbólico, dos 9 anos, 4 meses e 2 dias.
- O automóveis ficam mais caros, o mesmo acontece com os combustíveis, quer dizer a gasolina, afinal, baixa mas o gasóleo não.
- O iva da electricidade baixa, afinal baixa só para os contadores. Além disso, não se queixem, podem sempre "contratar uma potência mais baixa".
- O imposto da protecção civil, era inconstitucional em Lisboa, mas vai passar a ser aplicado em todo o país, ou já não vai ser outra vez, porque o parlamento não deixa.
- Sobre essa coisa "incivilizada" das touradas, eles têm todas as (pro)(contra)posições.
- ...

4. Explica Pacheco Pereira: "É o que acontece a Arlequim servidor de dois amos", em que "a sucessão de equívocos e imbróglios, devidos em grande parte à iniciativa de Arlequim que decide servir dois patrões, resolve-se como de costume no final da peça, acabando tudo em bem..."

5. Reversões e cativações, o neoliberalismo austeritário no seu esplendor. Em 3 anos, sem tróica, as cativações foram superiores às do tempo de P. Coelho.

6. Em 2015, Costa classificou o executivo de P. Passos Coelho como "o Governo do passa culpa", por "nunca assumir responsabilidades de nada", seja do "caos" do início do ano lectivo ou dos hospitais no pico da gripe, seja da "completa paralisação" dos tribunais por causa do colapso da plataforma Citius, seja no caso da alegada lista dos contribuintes VIP.
Depois dos incêndios de 2017, de Monchique 2018, de Tancos, de Borba, estamos conversados sobre a gravidade das situações e sobre quem nunca assume responsabilidades.

7. A gente também tem memória da "inventona" das "trapalhadas" de Santana Lopes, que, tendo o apoio de uma maioria na assembleia da república, por elas, Sampaio teve o acinte de dissolver. Para quê ? Para dar lugar a esse governo de Sócrates, de que o dr. Costa fazia parte, que levou o país à falência.

_______________
* O primeiro; O segundo ; O terceiro.
** o governo do revertério, como lhe chama João Gonçalves.




16/11/18

Demain, c'est toi

Zaz - "Demain c'est toi"- "Effet miroir"

Je trace des chemins qui n'attendent que toi
 À toi, l'enfant qui vient, je précède tes pas 
Je murmure ton nom dans le souffle de ma voix 
Je t'offrirai le monde, que je ne connais pas 
Je t'ouvre grand mon cœur comme on ouvre ses mains 
Je t'espère des bonheurs aussi grand que les miens 
Demain, c'est toi 

J'apprends les alphabets de chacun de tes gestes 
Je te chante mes rêves d'espace et de Far West 
Je veux pour toi l'amour, le rare et le précieux 
Toute la beauté du monde à portée de tes yeux 
Les poings chauffés à blanc, je forge pour demain 
Un bonheur que je souhaite aussi grand que les miens 
Demain, c'est toi 

 Je te donne les clés qui ouvrent tous les coffres
 Je pulvérise les murs des prisons que l'on t'offre
 Je cours à l'infini pour ne pas te laisser 
Tout ce que je ne t'ai pas dit, c'est parce que tu le sais 
C'est parce que tu le sais 
À toi, l'enfant qui vient comme un petit matin 
Je t'espère des bonheurs aussi grands que les miens 
Demain, c'est toi


"Effet miroir" - novo álbum de Zaz. Em Demain c’est toi, "elle s’adresse directement à son bébé. Un morceau émouvant qui semble annoncer une heureuse nouvelle, ou peut-être que l’artiste se confie simplement sur ses envies de maternité ? Avec des mots doux et justes, cette délicate chanson est joliment accompagnée au piano."(RFM)


31/10/18

#Ele sim. Para além do ruído...



Glauco Velásquez (1884-1914) - Alma minha gentil (Camões), (voz e orquestra) (1913)

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida descontente,
Repousa lá no Céu eternamente,
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento Etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente,
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Alguma coisa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

Luís Vaz de Camões, Sonetos

Uma "parceria" luso-brasileira que não sei se é de esquerda ou de direita. Nem quero saber. Porque a cultura é isso mesmo. E também sei que onde há cultura não há corrupção.
Os grandes artistas e personalidades da (dita) esquerda que levaram livros para a votação e também aquelas deputadas portuguesas da (dita) esquerda do #Ele não merecem esta modesta homenagem. Estão bem uns para as outras!


07/10/18

"Amitié amoureuse"

 Aïe Mourir Pour Toi -  Amália Rodrigues - Charles Aznavour

Aïe mourir pour toi
A l'instant où ta main me frôle
Laisser ma vie sur ton épaule
Bercé par le son de ta voix
Aïe mourir d'amour
T'offrir ma dernière seconde
Et sans regret quitter le monde
En emportant mon plus beau jour
Pour garder notre bonheur
Comme il est là
Ne pas connaître la douleur
Par toi
Et la terrible certitude
De la solitude
Aïe mourir pour toi
Prendre le meilleur de nous-mêmes
Dans le souffle de ton je t'aime
Et m'endormir avec mes joies
Parle-moi
Console-moi
J'ai peur du jour qui va naître
Il sera le dernier peut-être
Que notre bonheur va connaître
Serre-moi
Apaise-moi
Quand j'ai l'angoisse du pire
Ne dis rien quand tu m'entend dire
Qu' au fond mourir pour mourir


Aïe mourir pour toi
Prendre le meilleur de nous mêmes
Dans le souffle de ton je t'aime
Et m'endormir avec mes joies
Mourir pour toi

 «Amália pediu-lhe uma canção, ele escreveu Ai, morrer por ti, uma letra apaixonada que ela gravou num disco em francês. Ficaram amigos até à morte dela, em 1999. Semanas antes, jantaram juntos: "Falámos de tudo, de nada, de fados, do passado, da amitié amoureuse que partilhámos".» Ana Sousa Dias, «Aznavour: o cantor que teve uma "amitié amoureuse" com Amália», DN, 07 Dezembro 2016



03/10/18

#Ele não ou, talvez, #Ele sim. Para além do ruído...

Heitor Villa-Lobos (5/3/1887 - 17/11/1959) - Bachianas Brasileiras N° 5, por Renée Fleming 

"Tarde uma nuvem rósea lenta e transparente.
Sobre o espaço, sonhadora e bela!
Surge no infinito a lua docemente,
Enfeitando a tarde, qual meiga donzela
Que se apresta e alinda sonhadoramente,
Em anseios d'alma para ficar bela
Grita ao céu e a terra toda a Natureza!

Cala a passarada aos seus tristes queixumes
E reflete o mar toda a Sua riqueza...
Suave a luz da lua desperta agora
A cruel saudade que ri e chora!
Tarde uma nuvem rósea lenta e transparente
Sobre o espaço, sonhadora e bela!"

"Irerê, meu passarinho
Do sertão do cariri,
Irerê, meu companheiro,
Cadê viola?
Cadê meu bem?
Cadê maria?
Ai triste sorte a do violeiro cantadô!
Sem a viola em que cantava o seu amô,
Seu assobio é tua flauta de irerê:
Que tua flauta do sertão quando assobia,
A gente sofre sem querê!

Teu canto chega lá do fundo do sertão
Como uma brisa amolecendo o coração.

Irerê, solta teu canto!
Canta mais! Canta mais!
Pra alembrá o cariri!

Canta, cambaxirra!
Canta, juriti!
Canta, irerê!
Canta, canta, sofrê!
Patativa! Bem-te-vi!
Maria-acorda-que-é-dia!
Cantem, todos vocês,
Passarinhos do sertão!

Bem-te-vi!
Eh sabiá!
Lá! Liá! liá! liá! liá! liá!
Eh sabiá da mata cantadô!
Lá! Liá! liá! liá!
Lá! Liá! liá! liá! liá! liá!
Eh sabiá da mata sofredô!

O vosso canto vem do fundo do sertão
Como uma brisa amolecendo o coração."