10/10/26

" A saúde mental é um autocolante"



Factors-that-Impact-Health






1. Já noutros 10 de Outubro escrevi sobre a saúde mental, como em saúde mental ou saúde mental para todos ... ou dia mundial da saúde mental ou saúde mental e inclusão escolar ...
Passa hoje mais um Dia mundial da saúde mental. Talvez, mais um dia em que tudo vai começar a mudar. Quero ser optimista e pensar que a comemoração vai servir para mudar alguma coisa e não ser apenas mais uma rotina de forma a que tudo fique na mesma..

2. Como refere Eduardo Sá (Adolescentes - Manual de Instruções, p. 229-230), "Dos autocolantes mais em voga nos últimos anos o que mais se destaca será o da saúde mental. Seja como for, no entretanto, e apesar do autocolante, as crianças continuam a trabalhar as mesmas 12 horas por dia. A viver debaixo de uma exigência doentia de resultados. E a brincar cada vez menos; mesmo ao fim de semana. Os pais continuam a ter as mesmas horas insanas de trabalho e a viver numa espiral inflacionista. E acumulam stress e sofrimentos com que perdem, todos os dias, qualidade de vida...
A saúde mental exige que nos conheçamos sempre um pouco melhor. Que sejamos mais verdadeiros connosco e com os outros. Supõe que falemos daquilo que sentimos. Que estimemos e cultivemos as relações. Que olhemos por nós. E para a frente e para trás. Que tenhamos tempo. Que cuidemos de sonhos e de projetos.
Que tenhamos, pelo menos, um "vou por aqui!". Que sejamos humildes. Que saibamos escutar. Que não sejamos indiferentes à bondade e a beleza. Que não deixemos que o controle nos parta entre uma parte que sente e outra que domestica emoções e sentimentos. Que trabalhemos para que a nossa vida tenha a nossa cara. Que ousemos ser pessoas melhores. E que pensemos! Sozinhos ou com ajuda. 
Mas se há um aspeto sério nisto tudo é que a saúde mental não é um autocolante que disfarce tudo o resto que não muda."

3. Na mensagem do Sr. Presidente da República, temos também a visão de que a saúde mental está na confluência de vários factores, que é preciso mudar, de imediato,  para que cada um possa alterar a sua situação e todos a do nosso país.

"Em Portugal, mais de um quinto da população sofre de algum tipo de perturbação psiquiátrica, o que nos coloca entre os países com a mais elevada prevalência de doenças psiquiátricas da Europa, situação que urge reverter e que requer um esforço coletivo.

A saúde mental constrói-se ao longo da vida: na primeira infância, quando se formam os alicerces do desenvolvimento; na adolescência e na juventude, tempo de construção da identidade; na vida adulta, perante exigências que nos põem à prova; e, mais tarde, junto daqueles que merecem ser acompanhados com dignidade e especial afeto.
Constrói-se também no dia a dia: dormir o suficiente, mexer o corpo, comer bem, ter tempo para os outros e para nós próprios. São hábitos simples, mas tantas vezes difíceis de adotar.

Por isso, é preciso agir igualmente sobre causas mais profundas, como a pobreza, a desigualdade, a violência e a solidão. Juntam-se desafios do nosso tempo, como as alterações climáticas, a dimensão tecnológica do quotidiano e novas dependências.

A resposta tem de estar perto das pessoas: nos estabelecimentos de saúde, nas escolas, nos locais de trabalho e na comunidade. Tem de colocar a saúde mental ao alcance de todos e apostar, essencialmente, na prevenção.
Esta é uma obrigação de todos. "





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