
21/04/21
Negação e crítica

Ouvir...
OUVI A VOSSA SOLENE MELODIA, TUBOS DE ÓRGÃO
Ouvi a vossa solene melodia, tubos de órgão, no passado domingo
de manhã ao passar pela igreja,
Ventos de Outono, ao atravessar dos bosques, ao crepúsculo, ouvi os
vossos longos suspiros prolongando-se lá no alto, tão tristes,
Ouvi o perfeito tenor italiano cantando na ópera, ouvi o soprano
cantando no meio do quarteto;
Coração do meu amor! a ti também te ouvi murmurar baixinho
através de um dos pulsos à volta da minha cabeça:
Ouvi o teu pulso, ontem à noite, quando tudo estava em silêncio,
soar como pequenos sinos ao meu ouvido.
09/04/21
Uma viagem espacial
Inclusão 2

Símbolo de acessibilidade proposto pela ONU
1. Felizmente, neste tempo que levo de vida, vi acontecer muitas mudanças inclusivas na sociedade: na escola, na segurança social, nas acessibilidades, nos comportamentos das pessoas. Participei em algumas dessas mudanças.
Então, desde há muito aprendi que a inclusão não é uma obra acabada mas um processo em construção a cada momento.
A inclusão é uma atitude necessária da vida, como a liberdade, a democracia e a justiça. Faz parte de qualquer organização social democrática decente.
Esta mudança social tem vindo a fazer-se com a evolução da inclusão concreta na educação com a metodologia "desenho universal de aprendizagem" (UDL), no trabalho, na melhoria das acessibilidades, na linguagem que respeita as diferenças, não seja estigmatizante, adequada à vida das pessoas.
Esta mudança social diz respeito a todos. Sim, todos precisamos de inclusão e todos precisamos de linguagem inclusiva.
2. Sou do tempo em que a educação escolar era feita em escolas separadas para rapazes e raparigas. Foi por isso que a coeducação teve importância na eliminação de muitos dos fenómenos que podiam dar vantagens a uns ou a outros. Os mundos separados da educação, porém, eram compensados pela convivência extra escolar, nas famílias, nos jogos, no tempo de brincadeira que era todo o tempo em que não estávamos na escola. Qualquer défice que pudesse existir na educação formal seria ultrapassado na educação informal.
Ou seja, para quem tinha a ilusão de que a coeducação podia resolver o problema dos estereótipos, do bullying, da violência doméstica ou outra, percebeu, como prova a realidade diária das nossas escolas, que não é assim tão simples...
Muitos comportamentos têm a ver com o desenvolvimento psicológico como, por exemplo, quando raparigas e rapazes têm tendência a criar grupos do mesmo sexo. O contrário é que seria estranho.
3. Sou do tempo do livro único*, que podia ter aspectos vantajosos como o económico para o estado e para as famílias, mas muitas desvantagens. Hoje não teria grande sentido haver manuais escolares aprovados centralmente que divulgassem estereótipos, estatutos e papéis sexuais baseados na diferenciação sexual.
Mas pelos vistos também este não é um factor que, isoladamente, vai resolver o problema do respeito pelas diferenças.
6. Sou do tempo em que a inclusão foi e é um trabalho diário nas escolas ainda mais após a Declaração de Salamanca (10 de Junho de 1994), sobre princípios, políticas e práticas na área das necessidades educativas especiais.
9. Então é necessário trabalhar pela inclusão:
- para não continuarmos a construir casas e equipamentos sociais sem acessibilidades mesmo que a lei obrigue a fazê-lo;
- criar cidades para todas as pessoas, mais importante do que novos símbolos para acessibilidades;
- mudar os métodos de ensino/aprendizagem dando oportunidades educativas aos alunos de acordo com as necessidades de cada um;
- criar acessibilidades a nível do currículo;
- utilizar a informática como instrumento importante no processo ensino/ prendizagem;
- Utilizar uma linguagem inclusiva o que não quer dizer neutra porque a inclusão não é neutra nem a linguagem é neutra. Nunca o foi nem será. E não será uma qualquer geringonça gramatical que tornará a linguagem neutra.
A linguagem não é neutra, felizmente, e a inclusão é outra coisa.
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* Sobre os manuais escolares e livro único.
25/03/21
O neutro falso
1. Sou do tempo em que a Comissão da condição feminina publicava textos sobre isso mesmo, a condição feminina, do tempo em que os estereótipos sexuais marcavam excessivamente a cultura e, tão importante ou mais importante do que isso, um tempo em que eram as condições de vida que marcavam o nosso quotidiano de homens, mulheres, raparigas e rapazes. O acesso à educação e ao mundo do trabalho influenciou e influencia a modificação das relações entre homens e mulheres.
Tem sido uma lenta e necessária mudança para que todos possamos estar em condições de igualdade nas oportunidades que nos são dadas, à partida, numa sociedade em que não pode haver ignorados ou excluídos.
2. Dos vários trabalhos que começaram a colocar este tipo de questões, podemos referir dois: Ivone Leal escreveu “O masculino e o feminino em literatura infantil, de 1982, sobre a literatura infantil tão marcada por estereótipos sexuais, pelo sistema de crenças e valores que por sua vez influenciam o nosso presente e futuro.
O estudo de Maria Isabel Barreno, O falso neutro – um estudo sobre a discriminação sexual no ensino, de 1985, evidencia o funcionamento do ensino no uso destas diferenças nos planos de estudo, programas e livros. Embora a igualdade esteja constitucionalmente garantida acontece que na prática o feminino era desvalorizado.
Por isso, impunha-se a necessidade de alterar as imagens transmitidas pelos diversos instrumentos de gestão educativa: planos, programas, manuais escolares, etc ....
3. Surge agora, embora não inesperadamente, a agenda ideológica politicamente correcta dos "guiões da linguagem" dita neutra e dita inclusiva.
Não se trata de evolução social mas tão só de ideologia que pretende alterar e desconstruir os fundamentos da nossa vida social. E, ao mesmo tempo, de excluir os outros que passaram a ser acusados de fóbicos.
É-nos exigida uma linguagem neutra e inclusiva... Mas não é neutra nem inclusiva porque desde logo é uma linguagem imposta que exclui todos os que não se revêem nessa ditadura da linguagem.
Além disso, muitas vezes é ridícula, como no caso dos "camarados e camaradas", no uso da @ em vez do "a" ou do "o", e, como se trata de uma coisa impronunciável, do uso de "e" em vez do "a" e do "o", etc.
Não faz qualquer sentido, nem tem qualquer fundamento, como lembrava Francisco José Viegas que referia Claude Lévi-Strauss: “o género gramatical não tem a ver com o género natural”.
A imposição de uma linguagem é uma tendência que atinge instituições como a ONU, Comissão Europeia, Conselho económico e social (CES), algumas escolas...
4. Foi assim que passámos do falso neutro ao neutro falso. O neutro falso é ditatorial, é violência e exclusão de toda a gente. E eu, que defendo a inclusão, não sou neutro e, portanto, sou um dos excluídos.
19/03/21
Quem te mandou meter nisto, José?
18/03/21
Inclusão
12/03/21
Da utopia à distopia
05/03/21
Pensamento crítico
E eu concordo com ele.
Até para a semana com muita saúde.
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* Algumas "personalidades" com pensamento crítico:
Joana Marques, Carta aberta à carta aberta, Jornal de Notícias.
01/03/21
Ostinato ou ser Português
Por: Ensemble Formosa; Dir: Daniel Tate.
Os Portugueses só podem sentir orgulho na sua cultura que criou um património material e imaterial tão belo como os Jerónimos ou esta música.
O Presidente Marcelo tem todo o mérito na compreensão que faz dos Portugueses: "Somos os melhores dos melhores". Mesmo que tenhamos defeitos como todos os outros.
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* Compositor português da época do Renascimento tardio e Barroco inicial. Foi o mais famoso compositor português da sua época. Em conjunto com Filipe de Magalhães, Manuel Cardoso e o Rei D. João IV, é considerado um dos músicos da "época dourada" da polifonia portuguesa. (Wikipédia)






