cap 1 - Capacidade e incapacidade
1. A dificuldade de estabelecer consensos e ou compromissos, tem sido demonstrada por diversas vezes e foi essa incapacidade que levou à queda do governo minoritário, em 2011.
Em 2009, foi assim:
José Sócrates falou em "extraordinária vitória eleitoral", prometeu que o PS governará "com o seu programa eleitoral" mas não adiantou nem uma vírgula sobre como conseguirá a "estabilidade que esta legislatura merece". Se na pré-campanha deixou antever a vontade de governar sozinho, mesmo sem maioria absoluta, ontem não fechou a porta a nenhum tipo de acordo, nem sequer a coligações." Não foi capaz de concretizar com nenhum partido da dita esquerda ou da dita direita nem sequer com um acordo parlamentar.
No mesmo sentido, o
ministro dos Assuntos Parlamentares argumentou hoje que o programa eleitoral do PS foi sufragado pelos portugueses e que, por isso, governar com esse programa "é o acto mais coerente que seria esperável do Governo".
Este foi o
resultado, em 2011,
2. O mérito de Passos Coelho e Paulo Portas foi o de terem conseguido estabelecer um compromisso de governação, apesar dos sobressaltos (só faltava que não houvesse conflitos políticos numa governação em democracia) que aconteceram designadamente com a saída do ministro das finanças Vítor Gaspar e da demissão (ir)revogável do ministro dos negócios estrangeiros Paulo Portas.
Essa capacidade de fazer compromissos foi fundamental para o perfil politico de um governante que, nos dias de hoje, abdicando das propostas do próprio partido, tendo que fazer cedências, conflituando, chegando perto da rotura, conseguiu que a coligação se mantivesse.
Isto quer dizer que não puderam executar o
programa do respectivo partido, ficando à beira da rotura quando se colocava a chamada linha vermelha (como o problema das pensões) como limite para as cedências (Paulo Portas).
3. Esse compromisso, foi ainda mais relevante porque ao fim e ao cabo tiveram que executar um programa da responsabilidade e acordado pelo governo anterior com a troica, perdão, as instituições de credores, que veio impor as condições, de que resultou perda de soberania e humilhação correspondentes, em cada visita de avaliação do cumprimento do programa de ajustamento pelos técnicos dessas instituições credoras. Humilhação de quem não é capaz de se governar a si próprio como mostraram os governos de Sócrates.
4. Foi ainda fundamental pela resistência ao desgaste dos "casos" das primeira páginas. A um compromisso de governo chamaram casamento de conveniência. Se bem que na Europa são mais os governos que resultam deste tipo de casamentos.
Neste casamento há quem desempenhe muito bem o papel de alcoviteiras políticas. Nada de propostas positivas e construtivas mas intriga recorrente pelas questões mais mesquinhas, todas as possíveis para que o casamento se desfaça como a questão da demissão ter sido por sms, por carta, ou das duas maneiras.
Todas as semanas um caso novo, fez parte da agenda politico-mediática. Mas até onde pode chegar o ridículo? Como é possível fazer um caso com o facto de o calendário escolar começar uma semana mais tarde ou uma semana mais cedo... De imediato pede-se a demissão do ministro.
Habitualmente, a escalada dos pedidos de demissão é sempre a mesma: começa pela demissão de um ministro, quando acontece, devia ser de todo o governo; querem que o ministro peça desculpa pelos erros na colocação de professores, pede desculpa, e depois devia era demitir-se...
5. Passos definiu-se quando na crise Portas/Gaspar afirmou "não me demito e não abandono o meu país". O governo conseguiu resistir e completou a legislatura. De igual modo , quando conseguiu, em quase todos os aspectos da governação, melhorar em relação a 2011.
cap 2 - mitos urbanos
1. Mais uma estória de encantar e, de como com uma cajadada se matam dois coelhos, salvo seja: resolve-se o problema dos refugiados e o das belas florestas nacionais.
Sempre me pareceu que o candidato tinha solução para tudo: para as finanças, para a economia, para o crescimento, para o serviço nacional de saúde que a coligação quer destruir, para a "escola pública" que querem destruir, para a segurança social, para o desemprego, 207 mil empregos, primeiro promessas, depois estimativas, para colocar os milhares de professores que não têm colocação nas escolas, para a segurança social, que o outro candidato concorrente e actual primeiro ministro quer destruir, para a segurança social, outra vez, sem cortes nas pensões... E até para os refugiados tem uma solução que não deixa de ser encantadora: roçar mato.
Talvez começar por limpar as ruas de Lisboa fosse outra boa solução. Mas agora quem lá manda é um senhor que não foi a eleições...
2. Disse Costa que "a direita é a troica". Independentemente de saber o que é isso de direita ou de esquerda e quem é de direita ou de esquerda, Costa tem toda a razão. Se a "direita é a troica", Costa e
tudo o que ele representa é a bancarrota.
Por mais cambalhotas que invente e queira negar o passado, toda a gente sabe
quem foi que chamou e
porque chamou a troica. José Gomes Ferreira dá uma ajuda:
José Gomes Ferreira - os três embustes
3. Das inanidades aos bordões políticos, tipo massacre comunicacional até que sejam verdade, o contexto é socrático, autoritário, "habituem-se", o SMS ao jornalista, são o prenúncio: "No passado sábado tivemos um novo caso com a revelação nas páginas do “Expresso” de um SMS claramente prepotente de António Costa. Enviar uma mensagem escrita ameaçadora a um director de um dos jornais mais influentes do país (e a propósito de uma crítica banal às ideias de um grupo liderado pelo economista Mário Centeno) para que o jornalista “não tenha dúvidas” sobre o que Costa pensa a respeito do respectivo jornalista está ao nível dos piores casos de José Sócrates – personagem que fazia questão de intimidar jornalistas pelos decibéis da sua voz." (Luís Rosa, Jornal I, O PS de Costa, a justiça e os media, 6/05/2015).
Tal como na entrevista ao jornalista Vítor Gonçalves, acusa Costa "o sr. está aqui como porta-voz do dr. Passos Coelho ...".
4. Seguro, pelo menos, antes do golpe "fraterno", reconheceu os erros e fez propostas que não agradaram ao status quo e, por isso, teve o fim que se conhece: saiu completamente derrotado e traído mas quanto a ele com dignidade que tem vindo a manter.
Propostas como, por exemplo, o
salário mínimo, em que Pacheco Pereira viu subserviência através do líder da UGT, outro ostracizado, pouco se importando com as empresas que ficarão desesperadas, com a economia social IPSS - lares de idosos, centros de dia...); ou como a revisão da Constituição, com a redução para 180 deputados...
5. Outra estória de encantar que envolve extraterrestres: Bloco central ? "Só se os marcianos descerem à terra" ... (isto é que é o fim da história tal como a conhecemos).
6. Mas, há radicais e radicais que podem ser aceites por Costa: "Manuela sim, Pacheco, não"... nem com ajuda das críticas deste, supostamente arrasadoras da coligação, Costa se comove.
8. Houve um debate televisivo onde nenhum dos três jornalistas perguntou sobre educação ou revisão constitucional, que se resumiu a questões formais de quem ataca ou quem defende, quem ganha ou quem perde, num jogo da força da técnica contra a técnica da força...
9. De vez e quando um abaixo-assinado. Ontem, Campos e Cunha (Olhos nos olhos) disse que o "manifesto dos 74" tinha sido assinado "por políticos ou por ignorantes".
cap 3 - o futuro
1. Medina Carreira continua a dizer que "este estado social" consome tudo o que se produz e não chega, e assim, qualquer pequeno erro vai dar um grande sarilho: "
poucas fantasias em matéria de despesa pública, porque por aí pode sair o sarilho nos juros em poucos meses".
2. Quem é Passos Coelho? Vimos Passos Coelho governar em estado de necessidade, como será governar com o seu próprio programa ?