16/09/15

Heróis e vilões

1. Há uma comunicação social livre que mostra a realidade da vida das pessoas, por vezes contraditória com o poder e, por isso, sujeita a todas as formas de violência incluindo a morte.
"O Comitê de Proteção aos Jornalistas "afirma que, desde 1992, mais de mil jornalistas foram mortos, a maioria dos quais estava cobrindo política, guerra ou corrupção."

Daqui
Como consequência do seu trabalho, "os jornalistas expõem a corrupção, mudam as leis, reformam as práticas empresariais e melhoram vidas."
Em 2014, "66 profissionais foram assassinados e outros 178 foram presos, segundo um balanço anual publicado esta terça-feira pela organização não-governamental Repórteres sem Fronteiras (RSF)."
Estes jornalistas que todos os dias informam, em condições muitas vezes difíceis, são merecedores de admiração, verdadeiros profissionais que dão credibilidade e prestígio à sua profissão.
A sociedade necessita do seu serviço e deve reconhecer e agradecer o seu trabalho e esforço para podermos ter comunicação social livre e vivermos em regimes democráticos.

2. No entanto, também há promiscuidade entre jornalistas que comentam, interpretam e brincam com a informação e comentadores que informam, desinformam e puxam a "brasa à sua sardinha".
As notícias são tratadas como peças humorísticas e para o receptor, não se sabe onde  termina a informação e começa a interpretação ou o achincalhamento dos factos e das pessoas. No entanto,
“1. O jornalista deve relatar os factos com rigor e exactidão e interpretá-los com honestidade. Os factos devem ser comprovados, ouvindo as partes com interesses atendíveis no caso. A distinção entre notícia e opinião deve ficar bem clara aos olhos do público.” Código Deontológico do Jornalista
3. Há dependências, compromissos, favores, desfavores,  pressões, ameaças através de sms, grosseiras ou subtis, políticas, empresariais, que mostram a dificuldade em que trabalham alguns profissionais, e que acabam por favorecer o jornalismo-voz-do-dono.


4. Por isso, não sei se são injustas as opiniões sobre jornalismo. Como esta:  "O jornalismo que se faz em Portugal é um jornalismo de matilha" (Emídio Rangel, 10-2-2010, RTP, Programa "Directo ao assunto").  
Ou esta: "Como aves de arribação, os jornalistas desembarcam todos no mesmo lugar da crise aguda, e desembarcam assim que se torna crónica, gerando o desinteresse colectivo. A isto chama-se, no jargão, comportamento de matilha, responsável pela repetição ad nauseam das mesmas histórias, escritas e reescritas ao espírito do tempo. Nunca chegamos a ver a continuação do filme, e muito menos o fim." (Clara F. Alves, A Revista do Expresso, nº 2230, 25-7-2015 , "Pluma caprichosa - silly season"). 

5. As imbecilidades de "matar o mensageiro", como por ex., se passa nos regimes ditatoriais, onde o longo braço do poder dos ditadores silencia jornalistas em qualquer parte do mundo, mas também as outras técnicas mais soft, como a denominada comunicação social de referência, a uniformização da agenda informativa, o auto ou hetero silenciamento, como sabemos, também não são inócuas ou irrelevantes.

6. Como noutra profissão qualquer há heróís e vilões. Heróis são também os que não querendo ser uma coisa ou outra, desempenham com profissionalismo e competência o seu trabalho, confrontam as dificuldades e pressões dentro ou fora das redacções.

7. Não quero generalizar. Há comportamentos jornalísticos estranhos. Prefiro ficar com a imagem dos que são heróis.



Governando um ninho de cucos...

cap 1 - Capacidade e incapacidade
1. A dificuldade de estabelecer consensos e ou compromissos, tem sido demonstrada por diversas vezes e foi essa incapacidade que levou à queda do governo minoritário, em 2011.
Em 2009, foi assim: José Sócrates falou em "extraordinária vitória eleitoral", prometeu que o PS governará "com o seu programa eleitoral" mas não adiantou nem uma vírgula sobre como conseguirá a "estabilidade que esta legislatura merece". Se na pré-campanha deixou antever a vontade de governar sozinho, mesmo sem maioria absoluta, ontem não fechou a porta a nenhum tipo de acordo, nem sequer a coligações." Não foi capaz de concretizar com nenhum partido da dita esquerda ou da dita direita nem sequer com  um acordo parlamentar.
No mesmo sentido, o ministro dos Assuntos Parlamentares argumentou hoje que o programa eleitoral do PS foi sufragado pelos portugueses e que, por isso, governar com esse programa "é o acto mais coerente que seria esperável do Governo".
Este foi o resultado, em 2011, 

2. O mérito de  Passos Coelho e Paulo Portas foi o de  terem conseguido estabelecer um compromisso de governação,  apesar dos sobressaltos (só faltava que não houvesse conflitos políticos numa  governação em democracia) que aconteceram designadamente com a saída do ministro das finanças Vítor Gaspar e da demissão (ir)revogável do ministro dos negócios estrangeiros Paulo Portas.
Essa capacidade de fazer compromissos foi fundamental para o perfil politico de um governante que, nos dias de hoje, abdicando das propostas do próprio partido, tendo que fazer cedências, conflituando, chegando perto da rotura, conseguiu que a coligação se mantivesse.
Isto quer dizer que não puderam executar o programa do respectivo partido, ficando à beira da rotura quando se colocava a chamada linha vermelha (como o problema das pensões)  como limite para as cedências (Paulo Portas).
3. Esse compromisso, foi ainda mais relevante porque ao fim e ao cabo tiveram que executar um programa da responsabilidade e acordado pelo governo anterior com a troica, perdão, as instituições de credores, que veio impor as condições, de que resultou perda de soberania e humilhação correspondentes, em cada visita de avaliação do cumprimento do programa de ajustamento pelos técnicos dessas instituições credoras. Humilhação de quem não é capaz de se governar a si próprio como mostraram os governos de Sócrates.


4. Foi ainda fundamental pela resistência ao desgaste dos "casos" das primeira páginas. A um compromisso de governo chamaram casamento de conveniência. Se bem que  na Europa são mais os governos que resultam deste tipo de casamentos.
Neste casamento há quem desempenhe muito bem o papel de alcoviteiras políticas. Nada de propostas positivas e construtivas mas intriga recorrente pelas questões mais mesquinhas, todas as possíveis para que o casamento se desfaça como a questão da demissão ter sido  por sms, por carta, ou das duas maneiras.
Todas as semanas um caso novo, fez parte da agenda politico-mediática. Mas até onde pode chegar o ridículo? Como é possível fazer um caso com o facto de o calendário escolar começar uma semana mais tarde ou uma semana mais cedo... De imediato pede-se a demissão do ministro.
Habitualmente, a escalada dos pedidos de demissão é sempre a mesma: começa pela demissão de um  ministro, quando acontece, devia ser de todo o governo; querem que o ministro peça desculpa pelos erros na colocação de professores, pede desculpa, e depois devia era demitir-se...

5. Passos definiu-se quando na crise Portas/Gaspar afirmou "não me demito e não abandono o meu país". O governo conseguiu resistir  e completou a legislatura. De igual modo , quando conseguiu, em quase todos os aspectos da governação, melhorar em relação a 2011.

cap 2 - mitos urbanos
1. Mais uma estória de encantar e, de como com uma cajadada se matam dois coelhos, salvo seja: resolve-se o problema dos refugiados e o das belas florestas nacionais.
Sempre me pareceu que o candidato tinha solução para tudo: para as finanças, para a economia, para o crescimento, para o serviço nacional de saúde que a coligação quer destruir, para a "escola pública" que querem destruir, para a segurança social, para o desemprego, 207 mil empregos, primeiro promessas, depois estimativas, para colocar os milhares de professores que não têm colocação nas escolas, para a segurança social, que o outro candidato concorrente e actual primeiro ministro quer destruir, para a segurança social, outra vez, sem cortes nas pensões... E até para os refugiados tem uma solução que não deixa de ser encantadora: roçar mato. 
Talvez começar por limpar as ruas de Lisboa fosse outra boa solução. Mas agora quem lá manda é um senhor que não foi a eleições...

2. Disse Costa que "a direita é a troica". Independentemente de saber o que é isso de direita ou de esquerda e quem é de direita ou de esquerda, Costa tem toda a razão. Se a "direita é a troica", Costa e tudo o que ele representa é a bancarrota.
Por mais cambalhotas que invente e queira negar o passado, toda a gente sabe quem foi que chamou e porque chamou a troica. José Gomes Ferreira dá uma ajuda:


José Gomes Ferreira - os três embustes

3. Das inanidades aos bordões políticos, tipo massacre comunicacional até que sejam verdade, o contexto é socrático, autoritário, "habituem-se", o SMS ao jornalista, são o prenúncio: "No passado sábado tivemos um novo caso com a revelação nas páginas do “Expresso” de um SMS claramente prepotente de António Costa. Enviar uma mensagem escrita ameaçadora a um director de um dos jornais mais influentes do país (e a propósito de uma crítica banal às ideias de um grupo liderado pelo economista Mário Centeno) para que o jornalista “não tenha dúvidas” sobre o que Costa pensa a respeito do respectivo jornalista está ao nível dos piores casos de José Sócrates – personagem que fazia questão de intimidar jornalistas pelos decibéis da sua voz." (Luís Rosa, Jornal I, O PS de Costa, a justiça e os media, 6/05/2015).
Tal como na entrevista ao jornalista Vítor Gonçalves, acusa Costa "o sr. está aqui como porta-voz do dr. Passos Coelho ...".  

4. Seguro, pelo menos, antes do golpe "fraterno", reconheceu os erros e fez propostas que não agradaram ao status quo e, por isso, teve o fim que se conhece: saiu completamente derrotado e traído mas quanto a ele com dignidade que tem vindo a manter.
Propostas como, por exemplo, o salário mínimo, em que Pacheco Pereira viu subserviência através do líder da UGT, outro ostracizado, pouco se importando com as empresas que ficarão desesperadas, com a economia social IPSS - lares de idosos, centros de dia...); ou como a revisão da Constituição, com a redução para 180 deputados...

5. Outra estória de encantar que envolve extraterrestres: Bloco central ? "Só se os marcianos descerem à terra" ... (isto é que é o fim da história tal como a conhecemos).

6. Mas, há radicais e  radicais que podem ser aceites por Costa: "Manuela sim, Pacheco, não"... nem com ajuda das críticas deste, supostamente arrasadoras da coligação, Costa se comove.

7. Também é giro dizer que a coligação "traiu os seus compromissos, não merece confiança e os portugueses não perdoarão a traição à palavra dada". Ora traição é uma coisa de que Costa não devia falar.

8. Houve um debate televisivo onde nenhum dos três jornalistas perguntou sobre educação ou revisão constitucional, que se resumiu a questões formais de quem ataca ou quem defende, quem ganha ou quem perde, num jogo da força da técnica contra a técnica da força...

9. De vez e quando um abaixo-assinado. Ontem, Campos e Cunha (Olhos nos olhos) disse que o "manifesto dos 74"  tinha sido assinado "por políticos ou por ignorantes".

cap 3 - o futuro
1. Medina Carreira continua a dizer que "este estado social" consome tudo o que se produz e não chega, e assim, qualquer pequeno erro vai dar um grande sarilho: "poucas fantasias em matéria de despesa pública, porque por aí pode sair o sarilho nos juros em poucos meses".

2. Quem é Passos Coelho? Vimos Passos Coelho governar em estado de necessidade, como será  governar com o seu próprio programa ? 

Love and mercy

Como já foi dito, o problema dos refugiados diz respeito a todos os países, desde logo os de origem, os de passagem e os de destino, mas também os que ficam longe, os que estão em guerra e os que apoiam a guerra, os que vendem as armas, os que lavam as mãos porque isto é lá com a Europa...
Há então que agir em três momentos e em três espaços: Em primeiro lugar, nos países de origem "sob pena de estarmos a tratar os sintomas e não a doença", como defende Luís Amado, ”é necessário acabar com o estado islâmico”, “deixou-se uma força como o EI crescer e progredir, ganhar território e poder de terror sobre as populações que a humanidade não pode aceitar."

Por outro lado, parece que não seria muito difícil de resolver o problema se o sr. Obama e o sr. Putin se sentassem à mesa para decidirem parar esta calamidade*, isto é, a Rússia** e os Estados Unidos não podem assistir, indiferentes, a esta desgraça, tal como os estados vizinhos, até porque esses países também têm sido vítimas deste radicalismo.
Sobre os países de passagem há que acolher os refugiados em nome da lei ***, da ética e do humanismo. Isto também quer dizer que a abertura de fronteiras deve ser organizada, com regras, e registo de todos os que pedem asilo de forma a que a grande maioria dos que fogem da guerra não possam ser confundidos e trazer no seu seio os inimigos da democracia.
Provavelmente a Europa, a começar pela Alemanha e a Áustria, é uma parte do mundo em que o cumprimento da lei e do humanismo são mais efectivos e a srª Merkel tem sido disso um bom exemplo. 
Os cidadãos dos países democráticos europeus, têm defendido  duas posições antagónicas mas que merecem ser consideradas: é preciso acolher e melhorar o acolhimento, sem dúvida, e também é compreensivo o medo que algumas pessoas e comunidades sentem face às atrocidades cometidas nos países de origem com que são confrontadas diariamente na comunicação social.
O receio dessas comunidades não pode impedir o direito de asilo mas também não é aceitável a posição dos que com base em problemas no acolhimento, certamente graves mas pontuais, passam o tempo a denegrir a Europa, como aliás, é habitual, na sua atitude de autoflagelação.

Refugiados 2013

O problema dos refugiados é muito mais grave (a invisibilidade dos refugiados) do que aquele também grave que se vive na Europa. É também um fenómeno persistente ao longo da história da humanidade, como o êxodo em 1978-79 dos boat people vietnamitas. É por isso necessário encontrar soluções nos países de origem sendo certo que a resposta aos problemas dos refugiados estará sempre nos regimes democráticos e nas atitudes das comunidades e das pessoas que vivem nesses regimes. É mais do que tempo de nos deixarmos de ismos e darmos um chance à paz (John Lennon).
____________________
* Comunicado da Frontex: "Mais de 500.000 migrantes foram detectados em fronteiras europeias nos primeiros oito meses deste ano, depois de em Agosto ter sido registado o quinto recorde consecutivo com 156.000 pessoas a atravessarem fronteiras europeias", lê-se num comunicado da Frontex. O texto precisa que em todo o ano de 2014 o número de refugiados registado foi de 280.000."
** Seg. notícia de 15-9-2015: " Potências ocidentais recusaram acordo com Rússia para afastar Assad em 2012" - EUA, Reino Unido e França estavam tão convencidos de que o presidente da Síria estaria prestes a cair que ignoraram proposta feita por embaixador russo."...
A Rússia tem sido um dos principais apoios de Bashar al-Assad ao longo dos quatro anos e meio de guerra e sobretudo quando a contestação ao seu regime era imensa, até a nível internacional, e a sua queda parecia iminente. Moscovo terá enviado recentemente aviões de combate e tropas para áreas sob controlo de Damasco, um envolvimento que os EUA consideraram uma porta aberta para a escalada do conflito. O interesse russo na zona prende-se sobretudo com o facto de no porto de Tartus, na Síria, ficar a sua única base naval com acesso ao Mar Mediterrâneo.
*** Convenção de Genebra de 1951, Lei n.º 70/93, de 29 de Setembro, Convenção de Dublin.

Escolas de pequena dimensão

Continua a saga do fecho de escolas. Não há interesse em alternativas ou, pelo menos, em estudar alternativas ao fecho de escolas. Outros interesses são sempre mais importantes que o desenvolvimento das crianças e o seu bem-estar pessoal e familiar.
Os pais e alguns autarcas, principalmente os que estão ligados às aldeias, continuam, quixotescamente, a lutar pela sua escola.
Os srs presidentes de câmara só se indignam com o mapa judiciário, os centros de saúde ou outras áreas que lhes são retiradas dos concelhos, muitas vezes em nome da boa gestão. 
Tanto o poder central como o local, com excepções como a referida abaixo, não vêem a diferença ?
No caso das escolas o que está em causa são crianças dos 6 aos 10 anos, dependentes, longe dos pais durante um dia inteiro, com viagens longas,  numa altura em que a ligação aos pais ainda é muito importante para o eu desenvolvimento.
O ministério da educação e as autarquias não podiam criar uma rede de escolas de pequena dimensão nos locais onde famílias e autarcas considerassem essa prioridade para o desenvolvimento das crianças?
Desta vez, enfim, e é apenas um exemplo, foram os...
Gazeta do interior, nº1394, 2-9-2015

11/09/15

Literacia e educação


Na terça-feira passada, 8 de Setembro, comemorou-se o Dia Internacional da Literacia, criado pela ONU e UNESCO em Novembro de 1965 (1967?). O tema para 2015 “Literacia e Sociedades Sustentáveis”, considera que a literacia é essencial para o desenvolvimento sustentável das sociedades.” Com este dia pretende-se destacar a importância da literacia para as pessoas e sociedades.
Também este ano, a ELINET (European Literacya Policy Network), criou a Semana da Literacia como forma de alertar para a necessidade de tomar medidas que permitam aumentar os níveis de literacia. De 8 a 17 de Setembro, decorre por toda a Europa a “Semana da Literacia 2015″. 

De acordo com o UIS (UNESCO Institute for Statistics), 757 milhões de adultos em todo o mundo (1), dois terços dos quais são mulheres, ainda carecem de habilidades básicas de alfabetização. O número de crianças e adolescentes fora da escola está em ascensão, situando-se em 124 milhões, e cerca de 250 milhões de crianças em idade escolar primária não estão a dominar habilidades básicas de alfabetização, mesmo enquanto estão na escola. 
Para haver sucesso pessoal e social não é suficiente saber ler e escrever (2), é necessário que se entenda o que se lê o que levará ao desenvolvimento de competências na vida das pessoas: o consumo, estilos de vida saudáveis e sustentáveis, ecologia e ambiente, redução da pobreza, participação cívica...
Dominar a leitura escrita e cálculo liberta da ignorância, dá poder e autonomia aos indivíduos de forma que possam ser sujeitos críticos, tomar decisões mais acertadas e controlar melhor a sua própria vida.

De acordo com relatório recente da ONU, cerca de 84% da população mundial já pode ser considerada alfabetizada. (3)
O problema é que é necessário que se atinja um nível de literacia mínimo, isto é, que se atinja um nível de leitura funcional, tendo em conta que a literacia é a capacidade de processamento, na vida diária (social, profissional, e pessoal) de informação escrita de uso corrente contida em vários materiais impressos (textos, documentos, gráficos). Este conceito tem dois aspectos:
. permite a análise da capacidade efectiva de utilização na vida quotidiana das competências de leitura escrita e calculo
. remete para um continuo de competências que se traduzem em níveis de literacia com graus de dificuldade distintos 

Num estudo feito em Portugal (4), com população entre os 15 e os 64 anos, sobre os níveis de literacia, a avaliação feita com uma escala de seis pontos (5) manifestou que 79,4 % se encontravam abaixo do nível mínimo para se responder aos desafios diários ( nível 0, um e dois).

Apesar destes resultados, há muitos sinais positivos conseguidos ao longo dos anos:.
. Primeiro, creio que já todos aprendemos que estas coisas da educação funcionam a longo prazo. Foram necessários mais de 100 anos para que a ideia generosa da 1ª república de luta contra o analfabetismo, atingisse objectivo de uma sociedade escolarizada e, mesmo assim, ainda não conseguido na totalidade. 
. Segundo o censo de 2011, há 5,2 % de portugueses que continuam sem saber ler nem escrever, ou seja, mais ou menos 5 em cada 100 portugueses, continuando as mulheres mais penalizadas (mulheres 6,8%; homens 3,5 %).

. A alfabetização e literacia vão deixando de ser campo de disputa político-partidária (como as campanhas de dinamização cultural do MFA da famosa 5ª divisão, em 74-75; ou o programa “novas oportunidades” ).
. A inclusão de todos os alunos na escola tem vindo a ser cada vez mais efectiva de forma a que também os níveis de literacia sejam mais elevados. Por isso, há que dar oportunidades agora a todos os alunos que frequentam a escola estatal ou privada.
____________________________
1) De acordo com o CIA World Factbook, quase 75% dos 775 milhões de analfabetos no mundo estão concentrados em dez países (em ordem decrescente: Índia, China, Paquistão, Bangladesh, Nigéria, Etiópia, Egito, Brasil, Indonésia e a República Democrática do Congo). 
2) agora mesmo ! Grupo de peritos de alto nível sobre literacia da UE, Síntese, Setembro de 2012.
3) Alguns países tem 100% da população alfabetizada o que, certamente, não corresponde à realidade.
4) Benavente, Rosa, Costa e Ávila, A literacia em Portugal. Resultados de uma pesquisa Extensiva e Monográfica (1996).
5)  O UIS desenvolveu uma Avaliação da Literacia e Programa de Monitorização (LAMP) para fornecer as informações de diagnóstico necessárias para monitorizar e melhorar as competências de literacia.

09/09/15

Entrada na escola: latência activa


Bem-vindos à “opinião” das quintas-feiras. Vamos continuar a falar de psicologia e da sua importância para as nossas vidas, dos nossos comportamentos, da vida pessoal, social, comunitária, politica e cultural.
Em especial, vamos falar de psicologia da educação, do desenvolvimento humano, dos comportamentos na infância e adolescência.
A psicologia tem a ver com todas estas áreas e por isso teremos que falar dos comportamentos das pessoas no seu quotidiano.
Se não fosse por esse motivo seria por uma questão de cidadania. Como escrevia Walt Whitman:
       "Esta é a cidade e eu sou um dos cidadãos,
      o que quer que interesse aos outros, também me interessa, política, guerras, mercados,             jornais, escolas,
      o presidente da Câmara e as assembleias, bancos, tarifas, navios,
      fábricas, mercadorias, armazéns, bens mobiliários e imobiliários."

IMG_2161.JPGÉ precisamente pela educação que quero começar: a entrada na escola, uma latência muito activa
A entrada na escola foi e é um dia marcante para qualquer um de nós, porque o é na realidade e também pela carga afectiva, social... que as famílias e a sociedade colocam nesse dia.
Por isso, o primeiro dia de escola provavelmente é dos episódios da nossa infância que lembramos mais facilmente .
Sei precisamente quem me levou à escola no primeiro dia, a minha mãe, que me “entregou” ao meu professor e ali fiquei com a lágrima no olho, a imaginar o que me podia acontecer naquele meio desconhecido.
Este é um momento de grande apreensão e ansiedade para os pais e para as crianças. Por isso, merece que estejamos atentos aos sinais que surgem.
Quem é a criança que vai entrar na escola ?
Conhecer o nosso filho é fundamental para iniciar uma boa escolaridade. Mesmo assim, vamos encontrar algumas surpresas nem sempre agradáveis .
Aos 6 anos ,como se costuma dizer, a criança chega à idade da razão. A partir desta idade a criança torna-se operatória, isto é, capaz de raciocinar de forma concreta e de realizar operações concretas. 
Os psicólogos da segunda metade do século XX trouxeram um grande conhecimento para compreensão do desenvolvimento da criança. A criança passou a ser vista como um indivíduo em desenvolvimento, que esse desenvolvimento é feito por estádios e que a criança é activa e não um ser passivo onde se inscreve tudo o que se quiser.
A inteligência é a adaptação às circunstâncias que vai encontrar: Adaptação à classe, aos companheiros, ao professor, ao trabalho escolar
Freud designou este período de desenvolvimento como latência.. É um período muito importante para a formação da autoridade, aprendizagem dos limites e aprendizagem de sentimentos relacionados com a ética e a estética.
A criança está interessada nas aprendizagens de coisas novas, como a leitura e escrita e de tudo o que se passa no meio social.
Esta criança está a ser avaliada, pela primeira vez,  e com ela os pais estão também a ser avaliados como bons ou maus educadores.

08/09/15

Dia Internacional da Literacia


"O futuro começa com o alfabeto." Director-Geral da UNESCO 


O tema do Dia Internacional da Literacia 2015 é Literacia e Sociedades Sustentáveis. A literacia é um fator-chave para o desenvolvimento sustentável. Competências de literacia são o pré-requisito para a aprendizagem de um conjunto mais amplo de conhecimentos, habilidades, atitudes e valores, necessários para a criação de sociedades sustentáveis. Ao mesmo tempo, o progresso em áreas de desenvolvimento sustentável, tais como a saúde e a agricultura, serve como um factor favorável à promoção da alfabetização e ambientes letrados.

07/09/15

Informação e manipulação

Resultado de imagem para wikipedia
Wikipedia expulsa 381 editores que manipulavam informação


"Editores expulsos iludiam a vigilância dos outros colaboradores porque funcionavam em rede: uns validavam o trabalho dos outros. Rede recebia dinheiro para promover pessoas e empresas.

A maior enciclopédia digital colaborativa do mundo, a Wikipedia, expulsou 381 editores que criavam e manipulavam artigos sobre pessoas e empresas a troco de dinheiro. O fundador da Wikipedia, Jimmy Wales, revelou ao jornal espanhol El País que baniram centenas de perfis devido a "fraude"."
...

06/09/15

Hoje apetece-me ouvir

Kiev At Night, Ukraine HD wallpaper for Standard 4:3 5:4 Fullscreen UXGA XGA SVGA QSXGA SXGA ; Wide 16:10 5:3 Widescreen WHXGA WQXGA WUXGA WXGA WGA ; HD 16:9 High Definition WQHD QWXGA 1080p 900p 720p QHD nHD ; Other 3:2 DVGA HVGA HQVGA devices ( Apple PowerBook G4 iPhone 4 3G 3GS iPod Touch ) ; Mobile VGA WVGA iPhone iPad PSP Phone - VGA QVGA Smartphone ( PocketPC GPS iPod Zune BlackBerry HTC Samsung LG Nokia Eten Asus ) WVGA WQVGA Smartphone ( HTC Samsung Sony Ericsson LG Vertu MIO ) HVGA Smartphone ( Apple iPhone iPod BlackBerry HTC Samsung Nokia ) Sony PSP Zune HD Zen ; Tablet 2 Android 3 DVGA HVGA HQVGA devices ( Apple PowerBook G4 iPhone 4 3G 3GS iPod Touch ) ;
Praça da independência - Kiev - Ucrânia

I: Tango, II: Serenata, III: Intermezzo, IV: Canção de embalar;