02/06/24
Activas, proactivas, hiperactivas
22/05/24
Educar é crescer juntos (2)
Correndo o risco de parecer paternalista, Crescer juntos é um livro de Carlos Gonzalez que recomendo a todos os educadores e, em particular, aos pais e professores.
"Crescer juntos” é uma forma saudável de educar, adequada ao desenvolvimento das crianças e dos alunos mas também dos pais e de instituições como a escola. “Crescer juntos” significa que os pais estão implicados no processo educativo dos filhos assim como a escola e as instituições da sociedade.
Saber como exercer a parentalidade ou qual é a melhor forma de exercer a autoridade ou de como as teorias psicológicas podem ser usadas na educação dos filhos, tendo em conta o desenvolvimento resultante do crescimento e maturação, faz parte de uma forma natural de educar que não exclui a intervenção do adulto na aprendizagem de ambos.
Mas as grandes questões que se colocam aos pais sobre a educação dos filhos passam por questionar diagnósticos como a perturbação de hiperactividade com défice de atenção (PHDA) ou outras formas desajustadas de classificar ou rotular as crianças como “crianças índigo” ou “crianças orquídea”...
Há métodos educativos discutíveis em relação à alimentação, ao sono, à aplicação de castigos. O que é um castigo? O que é a “cadeira de pensar”? O que é ensinar pelas consequências ? Quando se deve medicar uma criança?
Por estas razões, e muitas outras que não referimos aqui, a presença dos pais na escola, individualmente, ou através das Associações de Pais, é cada vez mais importante. E ao contrário da desconfiança mútua que pode, por vezes, existir, deve haver maior colaboração e cooperação. Pais e professores trabalham para o mesmo objectivo: o desenvolvimento integral dos filhos e educandos.
Os pais têm uma palavra a dizer sobre o currículo: disciplinas, programas, manuais, actividades e projectos, avaliação...
Estive dos dois lados, como psicólogo (SPO) e professor e também como pai e representante da Associação de Pais da escola dos meus filhos e foi o que procurei fazer. Nessa altura como agora, a palavra de ordem deve ser: "sempre ao lado dos pais, sempre ao lado dos professores, para estar sempre ao lado dos alunos”.
Não faz sentido o que se vê/lê nas redes sociais: a divisão entre pais que educam e professores que ensinam, ou seja, os meninos devem vir educados de casa e a escola poderá então fazer o seu papel de instrução.
Em algum momento, pode haver maior intervenção dos professores no currículo escolar mas os pais não podem ser descartados. O currículo envolve tudo o que faz parte da educação e instrução do aluno.
A família tem papel fundamental na educação dos filhos mas nem sempre as crianças têm um lar, uma família, e, por diversas razões, as crianças são entregues a instituições.
Também há crianças que nem sempre têm uma família mentalmente saudável. Quem as deve educar? Com certeza, ambas as instituições.
A escola às vezes tem que ensinar as competências mais básicas da educação: a higiene, as refeições, o reforço alimentar, saber ser e estar, resolver conflitos com os colegas e adultos...
Para estas crianças a escola é o primeiro e último recurso. E a escola devia ter orgulho em fazer esse papel. Mesmo quando os recursos são insuficientes e a escola não faz mais porque humanamente não pode.
Até para a semana.
19/05/24
Obviamente, pode! O resto é censura
Constituição da República Portuguesa
PARTE I - Direitos e deveres fundamentais
TÍTULO II - Direitos, liberdades e garantias
CAPÍTULO I - Direitos, liberdades e garantias pessoais
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Artigo 37.º - (Liberdade de expressão e informação)
17/05/24
Educar é crescer juntos
Neste mundo tão complexo que é o nosso, o papel dos pais na educação dos filhos é cada vez mais importante. É por isso necessário que os pais estejam atentos a tudo o que tem implicações na vida dos seus filhos.
As consequências da pandemia devido ao isolamento social manifestam-se não só a nível das aprendizagens como a nível emocional. Podemos já dizer que “não ficou tudo bem” e que “nada vai ser como dantes”.
Muitas mudanças porém já se faziam sentir e a peste emocional (W. Reich) existe no coração dos homens mesmo sem pandemia. O que mudou no interior da família, o que mudou na parentalidade?
Carlos Gonzalez em Crescer juntos - Da infância à adolescência com carinho e respeito, fala-nos sobre os pais que crescem com o crescimento dos filhos.
É um livro pré-pandemia que começa por perguntar: “Quem são os pais de hoje?" E a resposta é: “Não sabemos”.
Mas sabemos que houve mudanças na sociedade, com implicações na educação dos filhos. CG refere algumas dessas mudanças: mais dúvidas, culpa, solidão, idade, número de filhos, stress, divórcio, TV. (p. 11-42)
Vejamos algumas dessas implicações.
Há mais dúvidas. As mães antes tinham mais certezas e o conhecimento sobre a educação dos filhos era feito directamente. A realidade é que hoje em dia as mães procuram respostas em livros e revistas ou junto de peritos, pediatras, enfermeiros psicólogos e educadores...
Parece que muitas mães se sentem culpadas pela forma como educam os filhos e há sempre gente disposta a questionar porque é que a mãe faz de uma determinada maneira e não faz de outra...
Ora nós sabemos que não há apenas uma, mas muitas formas diferentes, igualmente válidas, de educar uma criança.
Hoje em dia os pais também estão mais sós do que antigamente, em que era habitual a convivência com os tios, primos, avós, etc. Os avós sempre colaboraram na educação dos seus netos mas era uma colaboração “em paralelo” em que se partilhava o trabalho, responsabilidade e a mesa da família, havia sempre algum adulto em casa ... agora trata-se de uma colaboração “em série”, a criança passa da casa dos pais, para casa dos avós, para a escola... muitas vezes sem comunicação.
Antigamente não havia televisão. A minha geração viu todo o desenvolvimento que os meios de comunicação social tiveram nos últimos 70 anos.
A televisão não deve ter um papel preponderante dentro da família. Infelizmente parece ter lugar destacado em muitas famílias.
Quanto ao uso do telemóvel sabemos a luta que as famílias e as escolas têm que travar para o uso racional deste aparelho. Começamos agora a ter a noção dos prejuízos que um aparelho feito para a comunicação e relação provoca no isolamento social e das consequências do mau uso que os adolescentes lhe dão.
Por isso faz sentido que estejamos atentos, porque sabemos que há outros “educadores externos” à família e, havendo maior diversidade de perspectivas educativas, o papel dos pais ganha mais relevo na educação.
Até pra semana.
08/05/24
A ideologia de género
Ainda a onda da irracionalidade da ideologia de género não tinha chegado ao ponto em que está na Assembleia da República, já Miriam Grossman psiquiatra de crianças, jovens e adultos, em 2009, tinha começado a alertar os pais para o que estava a ser ensinado na escola sobre educação sexual, no livro: “Você está a ensinar ao meu filho o quê?”
Esta racionalidade, inserida na contestação à teoria/ideologia de género é também necessária para que os pais possam argumentar contra frases feitas que são autênticas falsidades.
Contra a expressão “nascer num corpo errado”, Miriam Grossman diz que "nenhuma criança nasce no corpo errado". Para ela, "toda a criança nasce no corpo certo".

Outra falsidade é dizerem que os outros “só têm que respeitar”. Como?
Jean-François Braunstein em A religião woke dedica um capítulo à ideologia de género: "Uma religião contra a realidade - a teoria de género".
29/04/24
Os ex-combatentes
Fala-se de reparações. O Sr. Presidente da República falou de reparações... Talvez uma forma bonita de tratar o assunto seja começar por reparar a casa de todos nós. Por dentro.
Escrevi, em 2019, O som do meu nome - Lembranças para uma autobiografia. É deste livro, o texto que se segue.
“Na guerra do ultramar há um problema de memória. O fervor revolucionário fez esquecer quem lá estava e porque estava, e mais, a guerra do ultramar foi uma das causas do 25 de Abril, talvez a sua génese mais profunda e o locus onde despertou a liberdade e democracia. E como tal deixou marcas naqueles que cumpriram o seu dever. Como escreveu Fernando Assis Pacheco em “Morro do Aragão” (Catalabanza, Quilolo e Volta):
“Passarão anos, nascerão filhos,
Muito antes que eu esqueça.”
Estive lá. Vi muito. Vivi muito. O recalcado. Mais de 25, 30 anos depois, eles, os que estiveram lá, que não fugiram, que não tiveram subterfúgios, falam. São 10 mil, 20 mil? Ou são a razão mesmo que fosse um só homem.
Também é verdade que se esta Pátria trata mais ou menos mal toda a gente porque havia de tratar de modo diferente os ex-combatentes? Não são moral e politicamente responsáveis das decisões que tomaram ?
E pedem tão pouco.
Sei que somos um país com recursos insuficientes para concretizar o bem-estar a que todos têm direito. Mas não será de elementar justiça cuidar daqueles que cumpriram o dever?
Os ex-combatentes que ficaram a sofrer de stress pós-traumático não deveriam ter acesso a medicamentos gratuitos?
Lembro-me que, por exemplo, em Castelo Branco, na Praça da Liberdade (Devesa), havia um pequeno monumento de granito com a inscrição “homenagem ao soldado português pela mulher beirã”. Quando aconteceu o projecto Polis essa pedra desapareceu. Enfim, nem a propósito, faz parte do esquecimento geral.
Mas também aqui há lembranças e memórias dos que sofrem todos os dias em que não conseguem dormir, em que conflituam com a mulher e os filhos, dos desadaptados, dos sem-abrigo. Mas mais do que homenagens, os que estiveram na guerra não como profissionais não como voluntários mas porque a pátria lhes pediu e exigiu, “a pátria honrai que a pátria vos contempla”, não podiam ter algum apoio por parte da pátria? Oito mil voltaram “numa caixa de pinho”. Muitos voltaram para o sofrimento para o resto das suas vidas. Cinquenta mil sofrem de stress pós-traumático. São os danos directos da guerra. Quanto vale um soldado? Pouco preocupa aos governantes os danos centrais da guerra e devia preocupar tanto como todos os outros danos colaterais.
Fui testemunha num desses processos de um furriel que achava que lhe devia e à sua família ser prestado apoio medicamentoso gratuito. Era necessário testemunhar se estávamos ou não sujeitos a situações de perigo que pudessem vir a constituir alterações na saúde mental dos militares a elas expostos.
Só de quem não entendia o que era a guerra na Guiné. Não devia ser questionada sequer esta possibilidade. Não é uma escolha o stress pós-traumático demonstrado por tantos que, em graus diferentes, nunca mais puderam ter uma vida normal, um sono normal, uma pacificação do seu comportamento e da sua mente.”
Até para a semana.
25/04/24
Abril: "Vemos, ouvimos e lemos"

18/04/24
Família e identidade

1. A família é a coisa mais importante da minha vida e penso que da vida de todas as pessoas. Sem família não existíamos e, sem ela, o meu EU não era como é. Isto é, Eu não seria como sou. Foi com ela que formei a minha identidade.
A família é continuidade: A família onde cresci deu lugar à família onde crescem os meus descendentes. E, assim, ao longo das gerações se vai dando continuidade ao ser humano. A família é este intrincado de relações afectivas que nos ligam uns aos outros e que dão substrato a toda nossa vida relacional.
A família é determinante para a sobrevivência (veja-se o problema da natalidade) mas também para a saúde física e para a saúde mental de cada um de nós (e, quando disfuncional, também para a doença mental).
2. Por tudo isto, a família sempre foi tema do meu interesse. Quer pessoalmente quer enquanto assunto que não pode ser ignorado na minha profissão (psicólogo). Não se vive sem uma família, quando está presente ou ausente, quando nos trata bem e quando nos trata mal, quando estamos de relações cortadas ou temos grande proximidade, quando somos pequenos ou quando somos adultos, quando sofremos por perdas irreparáveis ou quando há um novo ser que se junta à família. Ninguém pode apagar a sua família da sua consciência ou do seu inconsciente.
4. Caiu o Carmo e a Trindade porque foi editado um livro, Identidade e família que reproduz a visão de algumas pessoas sobre a família, entre elas algumas ditas ou que se dizem conservadoras.
Vieram imediatamente os chamados “progressistas” e defensores da ideologia de género criticar não só o livro mas a publicação do livro. Chega mesmo a raiar o discurso de ódio apelidando-os de chalupas, fascistas...
Era só o que faltava. Pelos vistos, estas pessoas não têm sequer o direito de poder expressar e publicar a sua opinião, estejamos ou não de acordo. A democracia e a liberdade não se lhes aplica.
5. A realidade integra muitas formas de família: Família tradicional, nuclear ou alargada, monoparental ou reconstituída... chamem-lhe o que quiserem. Desde que haja pelo menos uma criança, então há uma família e isso é o que importa.
O que não se compreende é que não haja políticas de família integradas e se deixe chegar a habitação, ou a educação... ao ponto em que está. Deste esquecimento é que deviam ter vergonha.
Até para a semana.



