11/05/20

"Canções que minha mãe me ensinou"


"Canções que minha mãe me ensinou", por Antonín Dvořák.



É a quarta das sete músicas do ciclo Canções Ciganas, (B. 104, Op. 55), escritas para voz e piano, em 1880. As músicas ciganas são compostas por poemas de Adolf Heyduk.

Orquestra Sinfónica de Gimnazija Kranj
Maestro: maestro Nejc Bečan
Soprano solo: Ernestina Jošt
Maestro dos Coros: Erik Šmid
Arranjo: mag. Jaka Pucihar
Tradução para inglês: Tog Hoath



08/05/20

Para além da covid-19, a peste emocional


o setimo selo jof e mia
"O Sétimo Selo" - A vida e a finitude mas também a esperança  na cura e na salvação.



Fome, peste e guerra são os males que a humanidade ou cada um de nós mais  teme. Ao longo da história fomos vivendo com estes cavaleiros do apocalipse, adormecidos, que aparecem quando menos esperamos.
Nos últimos tempos, houve grandes melhorias na vida das pessoas e reinava algum optimismo: em relação à fome com milhões de seres humanos a saírem da miséria, a guerra passou por uma fase de alguma distensão (détente) ou de confinação a alguns países  e a peste fazia parte das memórias de há cem anos. Mas o encontro com a morte de que nos dá conta Ingmar Bergman n' "O Sétimo Selo" está aí de novo. Podemos adiar o xeque-mate e entreter a morte durante algum tempo mas ela reaparece para nos recordar a nossa fragilidade.
"O Sétimo Selo” passa-se durante a grande praga de peste bubónica, conhecida como Peste Negra. Chegou à Europa em 1347 através de barcos genoveses vindos da Crimeia. A peste que tempos antes assolara a Ásia chegava por via da rota da seda e atacava os comerciantes italianos. Em pouco tempo, devido às pulgas dos ratos e à insalubridade das cidades, a doença alastrou-se a toda a Europa e países mediterrânicos.
As semelhanças com a covid-19 não deixam de ser surpreendentes. A peste actual fez o mesmo percurso de contaminação e veio trazer para primeiro plano a angústia e sofrimento. 

Como então, actualmente, no meio destes medos terríveis da pandemia, os seres humanos e a sociedade, criam os seus próprios problemas.  
Se há problemas que não podemos resolver de imediato, há outros que não se entende porque continuam a existir nas sociedades. 
O que é paradoxal, ao contrário do que acontece com a covid-19, é termos soluções para acabarmos com eles ou pelo menos minimizá-los, e muito pouco fazermos para isso.

Como as grandes catástrofes, nascem dentro de nós ou dentro de portas, casas ou países: a peste emocional (Reich) faz parte do quotidiano, e manifesta-se    
- pela violência doméstica
- pelo abuso de menores
- pela falta de apoio aos sem abrigo
- pelo tráfico de seres humanos 
- pelos dramas causados pela toxicodependência
- pelos grandes negócios da corrupção, do tráfico de armas e de drogas.
- ...
Dois exemplos:
Somos confrontados com frequência com a informação de abuso e violação  de menores como aconteceu esta semana com  mais uma violação de uma menor pelo próprio pai.
E o que faz o poder e a sociedade para além de nos indignarmos ?

O Sr. Presidente da República fez do apoio aos sem-abrigo uma bandeira.
Há em Portugal mais de 4000 pessoas a viver na rua ou em centros de abrigo temporário espalhados pelo país. Quase metade vivem em Lisboa. Os espaços para acolher estas pessoas são insuficientes, com o problema agravado por esta pandemia. Não seria possível haver respostas sociais e psicológicas que dessem aos sem-abrigo condições mínimas de vida digna? 

A peste emocional é um doença que pode ser tratada. É necessário reconhecer que ela existe e procurar ajuda ou levar ajuda a quem precisa.
Até para a semana, com muita saúde.








01/05/20

Para ouvir... em tempos de covid-19

Jacques Brel - Lers vieux
Os velhos

Os velhos já não falam ou então somente por vezes pelo canto dos olhos
Mesmo ricos eles são pobres, já não têm ilusões e não têm senão um coração por dois
Com eles cheira a tomilho, a limpeza, a lavanda e ao verbo do passado
Mesmo vivendo em Paris, todos vivemos na província quando vivemos muito tempo
É de ter rido muito que a sua voz se quebra quando falam sobre ontem
E de ter chorado muito que as lágrimas ainda escorrem nas suas pálpebras
E se eles tremem um pouco é de ver envelhecer o pêndulo de prata
Que ronrona na sala, que diz sim que diz não, que diz: Eu espero-vos

Os velhos ja não sonham, os seus livros estão adormecendo, os seus pianos estão fechados
O gatinho está morto, o moscatel de domingo já não os faz cantar
Os velhos já não mexem os seus gestos têm muitas rugas, o seu mundo é muito pequeno
Da cama para a janela, depois da cama para o sofá e depois da cama para a cama
E se eles ainda saem de braços dados, todos vestidos de forma rígida
É para seguir ao sol o enterro de um mais velho, o enterro de uma mais horrível
E o tempo de um soluço, esqueçer por uma hora o pêndulo de prata
Que ronrona na sala, que diz sim, que diz não e depois que os espera

Os velhos não morrem, adormecem um dia e dormem muito tempo
Eles dão as mãos, têm medo de se perder e, no entanto, perdem-se
E o outro fica lá, o melhor ou o pior, o gentil ou o severo
Não importa, aquele que dos dois fica, reencontram-se no inferno
Pode vê-lo talvez, vê-lo-eis, às vezes à chuva e com tristeza
Atravessar o presente enquanto já pede desculpas por não estar mais longe
E fugir diante de ti uma última vez o pêndulo de prata
Que ronrona na sala, que diz sim que diz não, que lhes diz: estou à tua espera
Que ronrona na sala, que diz sim, que diz não e depois que nos espera

(Tradução: CT)







Consequências psicológicas do confinamento físico


O confinamento físico das crianças e jovens junto das suas famílias, resultante da situação inusitada da covid-19 está no oposto daquilo que devia ser o contexto interactivo de qualquer pessoa e por maioria de razão de qualquer criança ou jovem. A criança é por definição activa e necessita de uma variedade de estímulos suficiente e equilibrada para o seu desenvolvimento. Os estudos e experiências psicológicas provam que o desenvolvimento sensoriomotor e simbólico é fundamental para a saúde mental do ser humano, ou seja, a realização de experiências sensoriomotoras a nível da percepção, memória, comunicação não verbal, linguagem e realização de operações cognitivas, que são acompanhadas do afecto da interacção com os pais e com os pares.

Não é só a aprendizagem cognitiva dos conteúdos disciplinares que estão em questão, como parece ser a grande preocupação do ministério da educação, mas todas as outras aprendizagens que levam uma criança ou um adolescente a tornar-se uma pessoa integrada na sociedade.

Mais do que atribuir responsabilidades sobre o estado da educação, esta crise mostrou a importância da interação famílias-escolas na educação e instrução das crianças 
Há que ter em conta que o estádio de desenvolvimento e as circunstâncias do confinamento terão consequências diferentes para cada uma das crianças ou jovens e maneira de lidar com essas circunstâncias...
Mas há aspectos semelhantes. O confinamento físico é, desde logo, um confinamento do corpo que entra em contacto fisico com outros. Esse contacto físico é um sinal de comunicação não verbal que constitui a forma mais primitiva de acção social e está presente em todos os animais.

Nesta situação, como sempre, funcionam os princípios de aprendizagem, os princípios do reforço do comportamento, e isso depende muito de cada família e de cada contexto.
Também depende de como cada um vê a escola, ou seja das expectativas e da valorização que ela merece. 
Os que não gostam da escola e os que se sentem mal na escola ou têm "mágoas da escola” (Pennac), os alunos que são vitimas de bullying ou os alunos com fobia da escola, poderão sentir-se, momentaneamente, aliviados com esta situação.
Mas, por outro lado, a distância social pode reforçar estes comportamentos desajustados e também as falhas de inúmeras situações de aprendizagem social e emocional.

O confinamento físico pode então levar a um afastamento e distanciamento psicológico e social que, por seu lado, pode levar os jovens a situações de desmotivação, de isolamento e exclusão social, de desânimo, de cansaço e de ansiedade generalizada que, em alguns casos, pode ser de pânico .
Muita atenção por isso aos casos em que já há isolamento social, ou seja, em que os jovens não têm interesse pelo estudo, em interagir com os colegas da sua idade, sem motivação para terem uma actividade desportiva, artística ou laboral.

Em síntese, é necessário, aumentar o diálogo dentro da família e aumentar a conexão social através de formas activas de comunicação à distância.

Até para a semana, com muita saúde.












21/04/20

Era uma vez em Portugal

É gratificante fazer parte deste povo extraordinário que manifestou a intuição, nesta crise da covid-19, de se antecipar à visão do governo. Foi o que fizeram muitas famílias quando deixaram de levar os filhos às escolas e empresários começaram a fechar empresas e serviços, ou passaram para teletrabalho...

O estado de emergência impôs medidas acertadas e outras controversas, como  fechar alguns serviços de saúde, consultórios privados, desmarcar consultas em hospitais e  centros de saúde... (1)
Foram dadas informações e orientações que nem sempre eram precisas ou unânimes em relação a determinados procedimentos a adoptar como no caso das estatísticas ou do uso de máscaras...
Ainda não sabemos as consequências de tudo isto mas para já, sabemos  que baixaram, drasticamente, o número das urgências hospitalares mesmo em relação a casos graves como as doenças cardiovasculares.
É gratificante, por isso, poder contar com diversas opiniões convergentes ou divergentes  e, neste caso, poder criticar o poder – governo, assembleia e presidente – porque se não é correcto haver aproveitamentos políticos por parte da oposição o mesmo acontece em relação ao poder. (2)
Por isso, é patriota precisamente aquele que quer que o seu país seja governado sem corrupção, nepotismo, abuso do poder, pensamento único, e critica com responsabilidade, de forma ordeira e pacífica, (3)  quando isso não acontece, com esta crise ou sem ela. 

É gratificante poder contar com os profissionais de saúde, que trabalham, mesmo com falta de meios, pela sua reconhecida disponibilidade para estarem na linha da frente. (4)

É também gratificante poder contar com  as forças de segurança e as forças armadas portuguesas que na acção e simbolicamente mostraram esta força anímica:
 Em primeiro lugar pela disponibilidade  de quem está disposto a arriscar a sua  vida pelos outros e a disponibilizar os meios de que dispõem ao serviço da sociedade civil.
- A entrevista do general Ramalho Eanes que a par do equilibrio das decisões pessoais que contam, num contexto de crise, chamou a atenção para a necessidade de  definição de estratégias de primeira linha e de segunda linha. Como não estávamos preparados, foram os hospitais que apanharam o embate da primeira linha - honra lhes seja feita - quando deviam estar na retaguarda.
- E também pela autoestima que resulta das pequenas coisas como a canção "O amor a Portugal”  pela Orquestra Ligeira do Exército. (5)


A música extraordinária faz parte da banda sonora do filme "Aconteceu no Oeste" ou “Era uma vez no Oeste”, com realização de Sergio Leone, é de Ennio Morricone." Posteriormente foi gravada por Dulce Pontes  como "O amor a Portugal”. (6)



“Era uma vez no oeste” conta a estória de um  tempo em que o desenvolvimento trazido pelo comboio, dá oportunidade  a que as emoções mais destrutivas das pessoas se podem manifestar: os especuladores de terras,  os vingativos, os justiceiros, um mundo em que a lei do mais forte se sobrepunha à da justiça. Mas também as positivas: a amizade, a compaixão, a honradez, a verdade...

Imaginemos então que “era uma vez em Portugal” onde os sentimentos fossem os da solidariedade, da bondade e da eliminação do sofrimento dos outros.

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(1) O mesmo pode ser dito para muitos outros serviços, como cabeleireiros e barbeiros...
Também não se compreende como em relação aos funerais foram tomadas medidas tão díspares: em concelhos próximos  há freguesias que permitem 3 pessoas e outras 20...
(2) O líder do maior partido da oposição, "Rui Rio escreve aos militantes: criticar o Governo nesta altura não é “patriótico”". Os aproveitamentos políticos não são sempre condenáveis ?
(3) Os grandoleiros já não grandolam  e as manifs passaram a ser "ordeiras" e bem "adaptadas" ao   poder. Era preferível que fosse uma adaptação à democracia.   
(4) É também gratificante ver como a sociedade se mobilizou, como na educação, minimizando os estragos no processo de ensino aprendizagem; com empresas capazes de dar respostas às faltas de material sanitário, desde o fabrico de máscaras, até à criação de ventiladores e a solidariedade em  geral de toda a população para com os mais frágeis 
(5) Alice Costa, soldado, e João de Campos, sargento-ajudante, cantam  esta música com a Orquestra Ligeira do Exército que  ganhou um significado muito especial e em  menos de 48 horas teve a visualização de dois milhões e meio de portugueses.
(6)  Passou esta semana no Fox movies "Aconteceu no Oeste" (ou "Era uma vez no Oeste"),  uma história escrita por Dario Argento e Bernardo Bertolucci, com Claudia Cardinale, Henry Fonda, Charles Bronson... com realização de Sergio Leone e com a extraordinária música de Ennio Morricone. 
A música do filme foi posteriormente gravada por Dulce Pontes como "Your Love" e depois como "O amor a Portugal", com letra da própria Dulce Pontes e Carlos Vargas (2004).






15/04/20

“Vai ficar tudo bem” ou “nada vai ser como dantes” ?


Doris Day - "Que sera, sera"


A pandemia covid 19 é de tal modo omnipresente que continua a ser, neste momento, a nossa principal preocupação e, por isso, continuamos a cumprir o distanciamento espacial/físico e social.
Esta doença alterou totalmente a nossa vida e os nossos comportamentos. As nossas formas mais profundas de estar no mundo: as relações familiares, profissionais, sociais, religiosas, e não sabemos que sequelas resultarão deste tempo perturbador. 
Muitas famílias estão a passar ou irão passar por situações estranhas de luto porque feito em condições fora do normal que não permitem um último contacto com os entes queridos.

A proxémica, disciplina que estuda a relação do indivíduo com o espaço, e a cinésica, que estuda o significado expressivo dos gestos e dos movimentos corporais que acompanham os actos linguísticos (posturas, expressões faciais, etc.), provavelmente, vão passar a compreender essas manifestações de forma diferente como, por exemplo, cumprimentar sem se tocar, as regras do uso das mãos, não tocar na cara, beijar ou abraçar...

O isolamento mostrou as nossas fragilidades psicológicas e sociais. Vivemos uma situação de expectativa e espera. Espera por uma vacina ou por um tratamento eficaz. E, enquanto não há uma coisa nem outra, está nas nossas mãos mudar os comportamentos a nível individual e a nível social e comunitário.
Comportamentos individuais: lavar as mãos, uso de máscaras, distanciamento social...
A nível social: informação verdadeira, que, como tal, leve à confiança das pessoas; União das pessoas que adoptam comportamentos sociais benéficos para os próprios e para todos.

A psicologia tem por isso, um papel fundamental na mudança de comportamentos e no equilíbrio protector do Eu quando sofre os embates destes contextos perturbadores em que tem que sobreviver.
“Com base nas suas competências e experiência profissionais, o contributo que cada Psicólogo pode dar vai para além daquele que é o seu contributo enquanto cidadão.
Os Psicólogos são mobilizadores sociais cruciais da adopção de comportamentos pró-sociais e pró-saúde face à pandemia COVID19. “ (OPP)

Vivemos entre a frase inspiradora do “vai ficar tudo bem” e o slogan cassandrista do “nada vai ser como dantes”. Sem dúvida que haverá alguma verdade nestas posições mas também muita incerteza onde se confunde a nossa vontade, o nosso desejo, com aquilo que gostávamos que acontecesse. Ora quanto às consequências da pandemia não fazemos a mais pequena ideia do que vai acontecer.
A única coisa que sabemos é que, como em qualquer outra crise, há sempre consequências negativas como a doença, a morte, as falhas, as faltas mas também positivas que resultam da superação da doença e das emoções positivas individuais e colectivas.
Há comportamentos onde releva a solidariedade das pessoas e vemos de facto actos de heroicidade por parte de tantos profissionais que dão aos doentes tudo o que de melhor sabem, em alguns casos com o sacrifício da própria vida.* Também temos assistido a actos de egoísmo entre países ou comunidades, como, por exemplo, a retenção ou “desvio” de equipamentos sanitários para combate a esta doença ou a a falta de solidariedade para com os mais frágeis, sejam países, mais ou menos desenvolvidos, ou pessoas, mais velhas ou mais novas.
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* Não é destes dias de emergência que sabíamos do valor destes profissionais da saúde, do SNS,  do subsistema privado, sector social e de todos os serviços que também integram o sistema de saúde como as farmácias, como aqui escrevi, em 29-9-2018,  ou como José Gameiro escreveu, em 28-7-2018, "Os heróis do SNS". Obrigado a todos.







12/04/20

Nesta Páscoa singular...


Johann Sebastian Bach - Jesus alegria dos homens (Jesus bleibet meine Freude); 
Coral final da cantata 147 "Herz und Mund und Tat und Leben" ("Coração e Boca e Ações e Vida").

08/04/20

Consequências psicológicas do isolamento físico e social





É a primeira vez nas nossas vidas que passamos por uma crise de saúde desta dimensão e estamos todos a aprender como lidar com ela.
É inerente à natureza humana não saber que futuro será o nosso, porém, há sempre alguma previsibilidade espacial e temporal que facilitam o nosso comportamento adaptativo a essa incerteza.
A actual pandemia alterou esta perspectiva. Por um lado, gera ansiedade pelo confinamento espacial, o confinamento físico. Por outro, é também ansiogénica pela falta de confinamento temporal: não sabemos quando termina, não sabemos se vamos ser contagiados, ou familiares nossos, não sabemos as consequências do contágio, não sabemos como respondem as instituições de saúde, não sabemos quando haverá uma vacina ou medicamento eficaz, não sabemos se vamos continuar a ter emprego, não sabemos quando os filhos voltam à escola, não sabemos como fica a nossa família...

Mesmo para quem esteve em contextos stressantes, como situações de guerra, a actual pandemia é vivida de forma diferente e ultrapassa, também do ponto de vista psicológico, o que se pudesse imaginar.
Esta emergência pandémica veio confirmar que o aparecimento de “cisnes negros” negativos é cada vez mais frequente e podemos afirmar que vivemos, de facto, na “era da ansiedade”.
Também por isso, esta pandemia, embora inesperada, devia estar na previsibilidade dos radares dos dirigentes governativos, políticos e sociais, até pelos alertas e situações recentes, que deviam levar a identificar planos de contingência quando algo de semelhante, ou pior, viesse a acontecer.

Estamos em pleno impacto da situação sem sabermos muito bem como reagir e como controlar as emoções...
Cada família vive esta experiência de acordo com as suas diferenças e com as próprias estratégias... mas “estar isolado, em família, com crianças e/ou adolescentes é um desafio exigente...”, como refere a Ordem dos Psicólogos Portugueses.

Como acontece para abordar qualquer problema psicológico podemos recorrer à psicologia do desenvolvimento para nos ajudar a lidar com os filhos. Mesmo em emergência, a nossa actuação tem que ter sempre em conta o estádio de desenvolvimento das crianças e dos adolescentes.
Numa situação de confinamento ou isolamento físico, e também social, apesar de amenizado pelas redes sociais e meios de comunicação, podem aparecer com mais facilidade, nas famílias com crianças ou adolescentes, tensões, conflitos e ansiedade.
Nos casos que já estavam a ser acompanhados devido a pertubações mentais graves como crises graves de ansiedade, perturbações obsessivo-compulsivas, ou depressões, será necessário ter atenção redobrada para que não haja risco de agravamento dessas perturbações.

A Ordem dos Psicólogos Portugueses tem publicado vários documentos que nos sugerem algumas atitudes e comportamentos que podem ser adoptados nesta crise. São documentos acessíveis que podem ser consultados no site da Ordem.
“Os Pais/Cuidadores que têm disponibilidade para estar com os filhos todo o dia/ têm de aceitar que vai ser exigente (para todos!), e que será necessária uma dose reforçada de paciência, compreensão e criatividade para gerir o dia-a-dia em isolamento.
Os Pais/Cuidadores que estão em teletrabalho, têm ainda de aceitar que não conseguirão trabalhar o número de horas que trabalhariam numa situação normal e que a sua produtividade será menor (identifiquem prioridades e foquem-se nelas). A chave estará na forma como organizarem os momentos do dia.”

Na próxima semana, continuaremos a falar desta realidade tão brutal que nos atingiu a todos.










01/04/20

Momentos de paz !

Edvard Grieg

Lyric Suite, Op. 54, nº 3;  Notturno - Andante

Orchestra: Staatskapelle Berlin; Conductor: Otmar Suitner