"Surgiu pela primeira vez na 5ª edição do periódico "A Lanterna Mágica", a 12 de Junho de 1875, na charge intitulada "Calendário Portuguez", alusiva aos impostos, onde se representa o então Ministro da Fazenda, Serpa Pimentel, a sacar ao Zé Povinho uma esmola de três tostões para Santo António de Lisboa (representado por Fontes Pereira de Melo) com o "menino" (D. Luís I) ao colo, tendo ao lado o comandante da Guarda Municipal, de chicote na mão, presente para prevenir uma eventual resistência." (Wikipédia)
Qualquer semelhança com a actualidade política nacional é mera coincidência !
Durante esta semana, a 5 de Junho, passa mais uma comemoração do dia mundial do ambiente. Como acontece com as comemorações de outros dias mundiais, desde o seu início, em 1974, o Dia Mundial do Ambiente tem servido para "sensibilizar, consciencializar, chamar a atenção, assinalar que existe um problema por resolver, um assunto importante e pendente na sociedade para que através dessa sensibilização os governos e os estados actuem e tomem medidas ou para que os cidadãos assim o exijam aos seus representantes" (ONU)
Passados 43 anos desde o início do dia mundial do ambiente podemos dizer que
os progressos não foram grandes. Por exemplo, a semana passada falámos do
problema ambiental relacionado com o Tejo, devido à poluição e à central
nuclear de Almaraz, e do significado ecológico e cultural para as populações que
vivem ou não na sua proximidade.
Não será por isso que as coisas deixam de ser o que são ou que o aquecimento
global deixará de se verificar se nada for feito. Também aqui tem que haver
alternativas e o importante é procurar chegar a acordo com todas as partes,
realizar estudos aprofundados sobre as suas causas e sobre o que cada estado
deve fazer e deve suportar para melhorar o estado do ambiente. Porque o ambiente é assunto que diz directamente
respeito à vida e à saúde das pessoas e não pode deixar de ser um problema
actual e para as próximas gerações.
Uma grande e boa surpresa foi a publicação (2015) da Carta encíclica Laudato
si, do Papa Francisco, sobre o ambiente e o cuidado da “casa comum”.
A questão inicial é "que tipo de mundo queremos deixar a quem vai
suceder-nos, às crianças que estão a crescer ?"
No fundo é uma questão geral sobre o sentido da vida e sobre os valores que a
fundamentam: « Para que viemos a esta vida? Para que trabalhamos e lutamos? Que
necessidade tem de nós esta terra?»
Francisco refere vários aspectos da actual crise ecológica: As mudanças
climáticas, o acesso à água potável, a preservação da biodiversidade, a dívida
ecológica.
Foi também uma boa surpresa o livro
de Manuel Pinto Coelho, Chegar novo a
velho (2015) pela ligação que estabelece entre saúde ambiental e saúde
individual, física e mental. Pinto Coelho cita Francisco: “ a violência presente nos
nossos corações está também reflectida nos sintomas da doença evidente no solo,
na água, no ar e em todas as formas de vida” (p 154)
Nesta matéria, “a exposição ambiental às toxinas e metais pesados na nossa
sociedade está a tornar-se uma condição clínica cada vez mais significativa nos
dias que correm”.
Metais pesados como chumbo, mercúrio, arsénio, níquel, cádmio, alumínio e
muitos outros, ou toxinas presentes praticamente em todo o lado: centrais
eléctricas, automóveis, diesel, metalúrgicas e fundições, agricultura, esgotos,
produtos de cosmética… constituem graves perigos para a saúde.
Francisco sabe que não é fácil reformular hábitos e comportamentos mas a «mudança nos estilos de vida», das pessoas, governos e empresas, é o caminho.
Como em tantas outras situações, a educação e a formação são instrumentos centrais para essa mudança se concretizar.
Há esperança de que cada um de nós
comece por mudar a sua relação com o ambiente, nas pequenas coisas, como evitar
o desperdício de água, luz ou alimentos.
Como diz Francisco: «nem tudo está perdido, porque os seres humanos, capazes
de tocar o fundo da degradação, podem também superar-se, voltar a escolher o
bem e regenerar-se ».
Princípio 6º
Toda a criança deve crescer num ambiente de amor, segurança e compreensão. As crianças devem ser criadas sob o cuidado dos pais, e as mais pequenas jamais deverão separar-se da mãe, a menos que seja necessário (para bem da criança). O governo e a sociedade têm a obrigação de fornecer cuidados especiais para as crianças que não têm família nem dinheiro para viver decentemente.
Realizou-se,
esta semana, a cimeira
ibérica em que os governos de Portugal e de Espanha discutiram assuntos
comuns e de grande importância, suponho eu, para os dois países.
A
cooperação transfronteiriça parece ter sido o
grande assunto (pelo menos da agenda formal) nesta cimeira
ibérica. O objectivo para esta cooperação
transfronteiriça seria a transformação da interioridade em centralidade. É
óbvio que faz todo o sentido e o tema não é novo. Quem vive, por exemplo, em
Castelo Branco, sabe que nos deslocamos a Madrid tão facilmente como a Lisboa.
Mas
a notícia é preocupante quando refere que “A central nuclear de Almaraz, que
motivou uma manifestação com a participação d' «Os Verdes» e do BE, ficou de
fora da agenda da cimeira por, concluiu hoje António Costa, ser uma questão
discutida no passado e ter ficado «bem resolvida».
Na
verdade, não ficará bem resolvida, enquanto for adiado o “prazo de
validade “ da Central de Almaraz e enquanto existir.
Independentemente
de manifestações e de partidos que às vezes apenas servem para tirar
partido destas situações aproveitando-se dos sentimentos, preocupações e medos
das populações, depois de Chernobyl e Fukushima, em Lisboa ou em Madrid,
apercebem-se certamente de que este é o assunto mais importante a ser resolvido.*
A centralidade da interioridade é importante depois de resolvido um perigo potencialmente mortal que a central
de Almaraz significa para as pessoas e para o ambiente.
O
Tejo faz parte da nossa memória e da nossa cultura que só pode ser uma
cultura de vida: de Camões à poesia popular cantada num fado. O Tejo de Almeida
Garrett, de Pessoa, de Camões, de Alves Redol,Gedeão, de Sophia, de Manuel da Fonseca, dos Madredeus, de Frederico de Brito, de
Amália…
"Pelo
Tejo vai-se para o Mundo" (Alberto Caeiro), e fomos para o mundo interpelados pelo velho do Restelo:
"Ó
gloria de mandar ó vã cobiça
desta
vaidade a que chamamos fama"
É o Tejo das ninfas a quem Camõespede inspiração para escrever Os Lusíadas
:
“E
vós, Tágides minhas, pois criado
Tendes
em mi um novo engenho ardente …"
O Tejo espelho, do poema da
Memória, de António Gedeão
"Havia no meu tempo um rio chamado
Tejo
que se estendia ao Sol na linha
do horizonte.
Ia de ponta a ponta, e aos seus
olhos parecia
exactamente um espelho
porque, do que sabia,
só um espelho com isso se
parecia.”
O Tejo de Manuel da Fonseca: “
Tejo que levas
as águas
Correndo de
par em par
Lava a cidade
de mágoas
Leva as mágoas
para o mar.”
O
Tejo cantado pelos Madredeus
"Tejo,
meu doce Tejo, corres assim;
corres
há milénios sem te arrepender,
és
a casa de água onde há poucos anos eu escolhi nascer.”
É
este Tejo, inspirador, e tão maltratado pelas poluições de toda a
espécie, ao longo dos anos, e ao longo do seu percurso de 875 quilómetros, que na nossa memória se revela em todo
o seu esplendor.
É
este Tejo que, em nome do descontrolado progresso económico, colocam em risco
de sofrer a pior ameaça ambiental: a ameaça radioactiva.
Será
isto uma questão “bem resolvida” ? “Ó glória de mandar , ó vã cobiça”!
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* "O ministro do Ambiente afirmou hoje que a decisão espanhola de prolongar por dois anos o prazo para uma decisão sobre o funcionamento das centrais nucleares dará tempo a Portugal e Espanha para discutir compromissos sobre ambiente e energia." (Notícias ao minuto, 31-5-2017, Lusa)
"COPTA(S). Grupo religioso do Egipto [entre 6 e 8 milhões].
Os Coptas, que vivem em geral nos centros urbanos e estão representados em todos os escalões da sociedade e em todos os ofícios, possuem uma identidade, indissoluvelmente egípcia e cristã. A sua igreja tem a chefiá-la um papa, assistido por um santo sínodo. Também existe um conselho comunitário (majlis ad-Milli) e um conselho de leigos.
A língua copta, que já somente é usada na liturgia, representa o último estádio de evolução do egípcio faraónico, associado a numerosas palavras gregas. Utiliza um alfabeto grego adaptado.
HISTÓRIA. A Igreja copta, que teria sido fundada em Alexandria por S. Marcos designa-se a si mesma por «Igreja dos Mártires». O seu calendário («a era dos Mártires» principia em 284, data da subida ao trono de Diocleciano: os cristãos do Egipto sofreram da parte dos imperadores umas duríssimas perseguições, que favoreceram o surto do eremitismo e do monaquismo."... (pag.110)
A psicologia social experimental permite conhecer mais profundamente o
funcionamento mental das pessoas enquanto sujeitas a pressões do grupo a que
pertencem.
Osindivíduos ou grupostornam-se conformistas para evitar o conflito
entreopiniões diferentes (a da maioria
e a do indivíduo ou grupo minoritário) e a rejeição pela maioria. (SolomonAsch) 1
O conformismo 2 pode resultar de vários factores como a faltade informação, pressão da norma, atractividade do grupo maioritário,
ou, ainda, do evitamento de sanções que são aplicadas aos desviantes ou inconformistas.
Neste caso, de inconformismo, o indivíduo ou o grupo reage à submissão, não
se conformando a crenças ou comportamentos do grupo.
A norma é "um conjunto de valores, regras, tradições e padrões partilhados por um grupo social que regem as
relações entre os seus membros" (Maxime Morsa, «Normidable!!!» et si la norme nous voulait du bien?, le cercle psy,nº 23, p.80-83). Mas também pode acontecer que não nos identificamos com aquelas regras,
valores, tradições e padrões do grupo.É nisto que consiste este aspecto paradoxal
da norma.
É importante ser aceite pelo seu grupo de pertença e não se pode ir contra as
normas que ele defende. As normas são muito importantes no grupo de pares e ser
excluído do grupo é, psicologicamente e fisicamente, desagradável.(M.Morsa)
Quando somos crianças e alunos uma das piores coisas que nos pode
aconteceré sermos excluídos do jogo do
grupo. Muitas queixas aos professores e aos paisacontecem porque "os meninos não querem
brincar comigo...” ou, o que pode ser uma forma de bulling, quando os colegas combinamnunca passar a bola a um
determinado aluno, excluindo-o dessa forma do grupo, quando é sempre o último a ser escolhido para a equipa, ou,
quando muito, é, sistematicamente, obrigado a ficar a baliza.
É fundamental para o indivíduo ter um quadro de referência e incluir o grupo de pertença. Sem a norma viveríamos numa incerteza total e permanente o que tornaria a
existência muito desconfortável. Imaginemos viver num mundo onde não se faça
ideia doque se considera como bem ou
mal, aceitável ou não, valorizado ou não ... Não se pode começar tudo de novo todos os dias, a norma tem um efeito
informativo que nos permite agir. Felizmente ela é dinâmica e varia no tempo e
no espaço, o que significa que ela pode
mudar quando é infundada, faz parte da construção da
realidade e nós próprios participamos na sua construção. (M.Morsa)
Podemos estar então perante normas divergentes conforme o grupo social a que
se pertence e dentro do próprio grupo social. 3
A normas são o quadro de
referência para o individuo e grupo, e esse é o lado positivo, mas podem também
levar ao conformismo que tem a forçanegativa de avaliação e discriminação dos outros, ou de normopatia,
que leva a formas de pensar e de agir rígidas que não deixam a pessoa mudar
mesmo perante a evidência da realidade e da verdade como acontecia com a experiência
referida.
"A normopatia diz respeito à ausência de
subjetividade para reagir perante o que acontece à sua volta, numa atitude
extrema de conformismo". M. Fontes,Knoow4
Quando a norma é vivida desta forma, provavelmente, apenas traz sofrimento
ao próprio e aos outros, como está a acontecer com a submissão a grupos de vários
tipos, como grupos autoritários eterroristas.
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1Para Asch, o conformismo
corresponde a seguidismo, ou seja, o sujeito conserva a sua própria opinião
mas assume publicamente a opinião da maioria.
ParaSerge Moscovici o conformismo distingue-se do seguidismo, que é a vontade de parecer conforme à norma, o que constitui uma modificação aparente e
superficial dos comportamentos, sem mudança real da convicção interna. (Wikipedia- Conformidade) 2 A quase uma terça parte das perguntas os sujeitos deram a resposta errada (32%). 3 As redes sociais são bem o exemplo de grupos de
pertença onde cada um defende as normas do respectivo grupo social. Os estudos também indicam que temos tendência a sobrestimar o número de
pessoas que estão de acordo com as nossas opiniões nas redes sociais. (M. Morsa) 4Pierre Weil refere o termo “normose”.
Bibliografia
Quão poderosa é a tendência para a conformidade social? Solomon Asch (1907-1996), O livro da psicologia, Marcador, p. 224-227
Maxime Morsa, «Normidable!!!» et si la norme nous voulait du bien?, le cercle psy,nº 23, p.80-83
No último fim de semana, em especial no dia 13 de Maio, vários acontecimentos, como a visita do papa a Fátima, a vitória de Salvador Sobral no festival da Eurovisão, o tetracampeonato do Benfica, trouxeram à nossa vida colectiva algum colorido emocional e social, vivido genuinamente pelas pessoas em manifestações diversas, mas também aproveitado pelos políticos, principalmente candidatos a próximas eleições.
Embora os públicos destes eventos não sejam os mesmos, ainda que haja sobreposição em algumas situações, como acontece com portistas e sportinguistas que não tiveram um grande dia de felicidade, podemos dizer que a autoestima melhorou.
A coincidência destes sucessos nestas actividades relembram que há determinadas áreas da nossa vida colectiva que alguns insistem em ver como negativas. Sou do tempo em que para criticar o regime político se cantava: “Paradas e procissões/Fátima, fados e bola/São as estas as distracções/De um povo que pede esmola” . O jargão dos três “f”, “Fátima, fado e futebol”, tem hoje menos acrimónia e uma valoração diferente (o fado foi considerado património imaterial da humanidade). Já se percebeu que este país é muito mais do que estas “distracções” e também se percebeu, que não são as características nem as capacidade genuínas de um povo responsáveis pela sua sobrevivência com esmolas, ou resgates financeiros, mas a falta de capacidade para se auto-organizar, auto-governar e o desprezo pelos valores morais e espirituais. Basta olhar para o mundo para se perceber o que faz e quem faz a miséria das nações. Por isso, era tempo de nos livramos de atavismos culturais de esquerda e de todosos atavismos. O importante era que as vitórias fossem uma aprendizagem para relevar o que são características positivas de um povo: a espiritualidade, a música, o desporto...
Talvez tenha sido na área da música que surgiu o mais inesperado: Uma música que resultou da criatividade de Luísa Sobral, arranjos de um músico vindo do jazz, Luís Figueiredo, e de uma interpretação limpa e simples onde o que releva é mesmo a música. Não basta que haja uma melhoria da autoestima. Na realidade, as consequências desta vitória poderiam ser importantes se houvesse uma aposta na música de forma mais sedimentada, um projecto nacional que tornasse a música obrigatória em todos os anos de escolaridade do ensino básico e uma maior possibilidade de escolha no secundário. Sabemos que a música tem grande importância no desenvolvimento do ser humano, em especial no desenvolvimento infantil. Temos informações suficientes para não podermos ignorar que: - estudar música melhora as funções executivas do cérebro, responsáveis por capacidades como memória, controle da atenção, organização e planeamento do futuro. (Pesquisa da UniversidadedeVermont, Estados Unidos) - o contacto com a música, ainda que apenas como ouvinte, tem um grande impacto no desenvolvimento humano e prepara o cérebro para executar diferentes tipos de funções. (Elvira SouzaLima) Por tudo isto, viva Fátima, viva o futebol, viva o fado e a música! Quando nos libertarmos dos atavimos de direita e de esquerda restará a cultura e todos os sucessos que conseguirmos obter serão vividos com felicidade, como fio condutor da nossa vida.