11/04/19

Vale mais prevenir

Vale mais prevenir do que remediar diz o povo e com razão. Porém, continuamos a funcionar em várias áreas da nossa vida social esquecendo este razoável ditado. É assim com os incêndios, com os acidentes de viação e segurança rodoviária, com a segurança no trabalho, com os hábitos alimentares, com os comportamentos aditivos e desajustados, com as doenças mentais…

Hoje, vamos deter-nos na área da saúde, onde a prevenção deveria estar sempre presente, a propósito do Prémio Bial de Medicina Clínica 2018 entregue ao médico Mário Dinis Ribeiro que defende a realização de uma endoscopia digestiva alta em simultâneo com o rastreio do cancro colorretal, para prevenir cancros.*
“O trabalho premiado acompanhou, entre 2005 e 2017, cerca de 400 doentes com lesões gástricas malignas ou pré-malignas. A abordagem utilizada permitiu definir novas orientações na deteção e tratamento do cancro gástrico, um dos mais mortíferos em Portugal, sobretudo devido ao diagnóstico tardio e elevada letalidade consequente."
"… salienta do seu trabalho o papel da endoscopia na deteção precoce do cancro gástrico ou de lesões precursoras de cancro, substituindo, em muitas situações, a cirurgia. No trabalho apresentado são também expostas recomendações inerentes aos principais fatores de risco associados ao cancro gástrico: a infeção pelo Helicobacter pylori e hábitos dietéticos errados, incluindo o consumo aumentado de sal e o tabaco."

"… alguns estudos sugerem que a bactéria Helicobacter pylori – causadora de inflamação (gastrite) e úlceras no estômago - constitui um importante factor de risco para o desenvolvimento do cancro do estômago."
Ora sabemos que 75-80% da população portuguesa tem Helicobacter pylori que muitas vezes não apresenta qualquer sintoma e apenas o rastreio pode levar à sua detecção e a uma intervenção precoce.

Embora esta não seja a minha área profissional, penso que esta proposta tem um interesse muito relevante não só em termos curativos mas também, e é isso que aqui mais interessa, em termos de saúde preventiva.
Por experiência própria verifiquei que é assim. De um momento para o outro a nossa qualidade de vida diminui, aparecem sintomas que nunca tínhamos sentido antes e que também não sabemos definir/explicar muito bem. Ficamos fragilizados não só fisicamente mas socialmente, são as alterações alimentares, o desprazer da comida, as alterações na vida social, o desinteresse em viajar ou passear, o medo de nos sentirmos mal em qualquer altura inesperada…
A dificuldade de obter um diagnóstico leva-nos a percorrer a internet à procura de clarificação. Passa a ser uma tarefa ansiosamente persistente. Chás, medicamentos, tratamentos naturais, dietas, alimentos ácidos e alcalinos…etc. são apresentados como cura para o mal que nos aflige. O Dr Google tem soluções para tudo, algumas contraditórias, mas isso não nos afasta de procurar desesperadamente uma solução.

A prevenção beneficia quando conta com o testemunho de algumas pessoas mediaticamente mais conhecidas, que por esse motivo podem influenciar o comportamento de outras pessoas, como foi, há algum tempo, o caso referido nas redes sociais, de Patrícia Matos: “pivot da TVI, sofre com bactéria grave. A jornalista mantém-se afastada do pequeno ecrã enquanto faz tratamento agressivo”.
A identificação da nossa situação à destas pessoas, para alem da solidariedade, serve-nos de modelo e de esperança na medida em que há pessoas como nós, na mesma situação, e sabermos que vale a pena lutar contra a doença mesmo quando sabemos que o tratamento pode ser eficaz e definitivo ou não.

Vamos esperar para ver como é acolhida a proposta do Dr. Mário Ribeiro, prémio Bial 2018, não apenas pelo serviço nacional de saúde mas por todo o sistema de saúde.

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*"Esta necessidade foi assumida a nível europeu, tendo sido preconizada a realização de teste primário com pesquisa de sangue oculto nas fezes, na população assintomática entre os 50 e os 74 anos, e sem outros fatores de risco. Nesta estratégia, aos doentes com pesquisa de sangue oculto positivo é proposta a realização de colonoscopia." (SNS)

05/04/19

"Mitos climáticos" 3


 
 Ricardo Felício – 'Aquecimento global é fraude'

"Mitos climáticos" 2


"O messianismo climático colocou na agenda política as alterações climáticas devidas à utilização de combustíveis fósseis e à desflorestação. criou de caminho um mercado de biliões de euros para algumas empresas, de generosos financiamentos para grupos de investigação e departamentos universitários em risco de desaparecimento, bem como muitas ONGs. Gerou assim uma legião de seguidores e de grupos de interesses, que atacam os que põem em causa as suas conclusões ou a pertinência das suas medidas, como sendo anti-ciência ao serviço das petrolíferas, das multinacionais do carvão, ou de interesses obscuros...

...Os desastres climáticos locais, de que os furacões Katrina ou Sandy são exemplo, tal como as catastróficas cheias de Lisboa em 1967, das chuvas e deslizamentos de terras na Madeira e no Rio de Janeiro, ou as que resultam de ondas de calor e de frio têm pouco ou nada que ver com emissões de CO2, mas sim com a criminosa imprevidência que a ganância ou a ignorância provocam. Invocar tais desastres como efeito de emissões de CO2, apenas serve para impedir a clara identificação e responsabilização dos verdadeiros responsáveis."

José Delgado Domingos, Anuário JANUS 2013, Biblioteca virtual da Universidade Autónoma de Lisboa, pags. 56-57.

04/04/19

"Mitos climáticos"

1. No dia 15 de Março, uma sexta-feira, por todo o mundo, jovens faltaram às aulas para participaram num protesto, reivindicando mais acções na sustentabilidade e defesa do clima ...
Em Portugal, um pouco por todo o lado, também foi seguido o padrão oficial sobre o clima e foram também muitos os eventos realizados, com direito a debate no prós e contras, neste caso prós e prós, porque estavam todos de acordo.1
A doutrina oficial, do Secretário-Geral da ONU, A. Guterres, a muitos governos, como o de A. Costa,  até aos alunos de uma qualquer escola, é a união contra o mal que os seres humanos estão a fazer ao clima, provocando o aquecimento global...

2. De facto, muita gente está convencida da verdade oficial sobre o clima: da ONU, da União Europeia, de ONG ou da chamada “comunidade cientifica” …
No entanto, para não mentirem aos jovens sobre as alterações climáticas, talvez não seja despiciendo ler o que pensam outras pessoas, cientistas, críticos, sobre uma das invenções intencionais mais lamentáveis do nosso tempo.

3. Contra esta concordância generalizada, no entanto, há vozes discordantes. São vozes que manifestam uma grande coragem de remar contra a corrente.

4. José Delgado Domingos, antigo professor catedrático do IST, falecido em 2014, com 79 anos, foi uma dessas vozes da oposição ao nuclear mas também um crítico das alterações climáticas.
Delgado Domingos refere o que está a acontecer na "comunidade científica": "Silenciar os cientistas críticos".
"...Propuseram-se mesmo alterar as regras de aceitação das publicações para consideração nos Relatórios do IPCC (Painel Intergovernamental sobre a Mudança do Clima) de modo a suprimir as críticas fundamentadas às suas conclusões. Em resumo, procuraram subverter, em seu benefício, toda a ética científica da prova, da contraprova e de replicação de resultados que está no cerne do método científico, controlando o próprio processo da revisão por pares. Em conjunto, conseguiram impedir que fossem publicados a maioria dos dados e conclusões que pusessem em causa e com fundamento o seu dogma do aquecimento global devido às emissões de CO2eq." ("O Climategate e a Conferência de Copenhaga")


5. Mitos climáticos, é o nome do blog de Rui Moura, também antigo professor do IST, falecido em 2010. Rui Moura criou este blog em 2005, e conjuntamente com Jorge Pacheco Oliveira, traduziu o livro "A Ficção Científica de Al Gore", de Marlo Lewis Jr..
Publicou no seu blog o texto de Geraldo Luís Lino "História (quase) secreta do aquecimento global", que por seu lado refere Elaine Dewar que descreve a atuação de Strong, em Estocolmo *:
"Quando a Conferência de Estocolmo foi instalada (iniciada), em 1972, Strong advertiu urgentemente sobre o advento do aquecimento global, a devastação das florestas, a perda da biodiversidade, os oceanos poluídos e a bomba-relógio populacional. Ele sugeriu um imposto sobre a movimentação de cada barril de petróleo e o uso desses fundos para criar uma grande burocracia da ONU, para chamar a atenção sobre a poluição onde quer que ela se encontrasse. Na medida em que eu lia esse velho discurso, eu compreendia que ele quase poderia ser repetido na Cúpula do Rio [em 1992]. Como essas mesmas questões poderiam estar na mesa vinte anos depois?"

6. A mentira fez o seu caminho e é lamentável que com base nela tenha acontecido o relatado no ponto 1. Os principais responsáveis não são os jovens mas os adultos, ao mais alto nível.

7. O que é importante, diz Delgado Domingos, é que os "Problemas ambientais de fundo devem ser atacados."
"Chame-se-lhe variabilidade climática ou alteração climática, os problemas de fundo da sustentabilidade ambiental permanecem e agravam-se pelo que devem ser atacados com determinação e realismo. Se os esforços internacionais mobilizados para Copenhaga (e, acrescento eu, outras conferências) conseguirem ultrapassar a obsessão do aquecimento/emissões (liderado pela UE) para se concentrar na eficiência energética, nas energias renováveis, na minimização dos efeitos das alterações nos usos do solo, no combate à desflorestação, à fome e aos efeitos da variabilidade climática, teremos uma grande vitória para o planeta se a equidade e a justiça social não forem esquecidas.

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1. Apesar de tudo, um dos jovens presentes introduziu um assunto interessante: não interessa apenas o PIB, mas também a FIB, a pegada ecológica... o que nos leva ao tema do "decrescimento sustentável"...
2. Em 1972, realizou-se a Conferência de Estocolmo. U Thant, na altura Secretário-Geral das Nações Unidas, nomeou Maurice Strong Secretário-Geral da Conferência. Esta conferência, considerada "a conferência do terror", de facto, não podia ser mais alarmista.

30/03/19

Vitaminas para a alma




Algumas das mais ricas manifestações culturais do concelho de Idanha-a-Nova têm lugar, durante a Quaresma e Páscoa, numa série de eventos de natureza religiosa cristã.
Tradições ancestrais, algumas com vários séculos, continuam a ser realizadas da mesma forma que o foram pelos nossos antepassados e, quando participamos nestas manifestações, temos a certeza de que vivemos momentos idênticos aos que eles viveram.

Reconhecendo a importância destas tradições, a Câmara Municipal liderada pelo seu presidente Armindo Jacinto, propôs a candidatura dos “Mistérios da Páscoa”, à Comissão Nacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).
Para A. Jacinto, estes eventos são um "excelente exemplo" das melhores práticas de salvaguarda do património cultural imaterial do território.
O projecto é sustentado em 250 manifestações de piedade popular que se desenrolam ao longo de 90 dias em todo o concelho, desde a Quarta-feira de Cinzas ao Domingo de Pentecostes.
Com o trabalho realizado foi possível “ recuperar e revitalizar manifestações, passando de 163 em 2009, para mais de 250, na atualidade".

O concelho de Idanha-a-nova tem vindo a editar todos o anos uma Agenda com o título “Mistérios da Páscoa em Idanha” que identifica os eventos que ocorrem durante este tempo nas freguesias do concelho.
Muito do mérito desta actividade pertence ao Prof. António Catana cujo trabalho merece forte elogio pelo empenho e dedicação à recolha e também à compreensão destes acontecimentos singulares das vivências e religiosidade de cada um dos povos que dão uma caracterização específica a cada uma das localidades que mantêm estas tradições.
Todos os anos a Agenda tem como tema principal os eventos de uma das freguesias. A Agenda de 2019 dos "Mistérios “, tem como tema principal as actividades culturais e religiosas que durante a Quaresma e Páscoa têm lugar em S. Miguel d' Acha..

Destaco duas dessas tradições em que habitualmente participo e que merecem realce por vários motivos: a Ladainha e o Terço Cantado realizados pelos homens no percurso onde se encontram os nichos correspondentes aos respectivos Passos.
Nestas tradições, podemos encontrar formas muito antigas de meditação e oração. O canto do mantra "rogai por nós", como na Ladainha, ou outros mantras, como o do Pai-Nosso, do Terço Cantado, canto repetitivo de frases simples que narram os acontecimentos de um evento excepcional da história que teve lugar há dois mil anos, são formas de meditação e de oração que mantêm uma elevada espiritualidade que existiu desde sempre ente os cristãos.

Esta espiritualidade e religiosidade também correspondem a uma genuína forma de meditação e oração que ajudam a mente em busca de tranquilidade para a vida complexa e complicada de qualquer pessoa.
Essa característica é procurada na actualidade de muitas maneiras, como forma de terapia.
Podemos procurar a espiritualidade em qualquer lugar. Alguns fazem a experiência a oriente, no Nepal, na Índia ou no Tibete.
Para nós, no entanto, aqui e agora, na nossa região, participar nestes "Mistérios" é um privilégio: tranquilidade para a mente e vitaminas para a alma.

24/03/19

A síndroma do impostor


Na semana passada falámos da superioridade ilusória de uma pessoa quando avalia as suas capacidades, de forma errada, como sendo muito maiores do que realmente são... ora esta avaliação errada constitui um problema porque quando as pessoas são incompetentes, não apenas chegam a conclusões escolhas erradas, mas também são incapazes de perceber os seus erros. A diferença é que as pessoas competentes conseguem ajustar, e ajustam, a sua autoavaliação quando recebem feedback apropriado, enquanto as incompetentes não conseguem. Chama-se a esta perturbação cognitiva efeito Dunning-Kruger.

O que Dunning e Kruger também verificaram foi que as pessoas realmente inteligentes também cometem erros na autoavaliação que fazem das suas capacidades.
Descobriram que estudantes com elevado desempenho e com pontuações cognitivas muito elevadas, subestimavam essas capacidades. Esses estudantes presumiam que, se essas tarefas cognitivas eram fáceis para eles, então deveriam ser também fáceis, ou até mais fáceis, para todos os outros.
Ao contrário do efeito Dunning-Kruger, os mais bem-sucedidos não conseguem reconhecer os seus talentos e o seu sucesso e pensam que os outros são igualmente competentes. (Kate Fehlhaber)

As psicólogas Pauline Clance e Suzanne Imes, utilizaram o termo "Impostor Phenomenon" para descreverem este conceito.
Elas verificaram que os alunos bem sucedidos pelos padrões externos, acham que o seu sucesso foi devido a um misterioso acaso, sorte ou grande esforço...

Embora a síndroma do impostor não esteja incluída na lista do Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-5), ela é reconhecida por psicólogos e outros profissionais de saúde mental como uma forma muito real e específica de dúvidas sobre a personalidade intelectual. Os sentimentos de quem sofre desta síndroma são geralmente acompanhados de ansiedade e, muitas vezes, depressão. (Letícia Brito, "Síndrome do impostor e o medo da máscara cair: qual tipo é o seu?" Meu Cérebro, 03/06/2018).
É um fenómeno frequentemente associado a questões de desempenho e de avaliação de desempenho.
A síndroma do impostor pode atingir qualquer pessoa. Basta pesquisar na Internet para encontramos alguns casos  famosos: Emma Watson, Michelle Obama, Natalie Portman …
A síndroma não significa baixa autoestima porque pessoas com baixa autoestima têm momentos em que conseguem reconhecer o seu sucesso.
Parece que a síndroma afecta mais as mulheres do que os homens.
Ser afectado por esta síndroma não é facilmente admitido pela pessoa que a sofre. Têm sido descritos alguns sinais que podem ajudar a fazer o diagnóstico:
- Tem prazer no que faz, mas sente uma insatisfação crónica;
- Sente que não merece elogios pelo sucesso alcançado;
- É um perfeccionista crónico, que nunca descansa;
- Em momento algum, é capaz de atribuir o sucesso a si próprio, tende a explicar tudo o que de bom lhe acontece de forma racional e/ou com recurso a atribuições externas — “Tem que ver com os outros, com sorte ou com as circunstâncias dos meios”;
- Sente-se uma fraude e tem medo de ser descoberto/a — “Eu não sou o que pareço ser e as pessoas, mais dia menos dia, vão descobrir o que realmente sou”;
- Sente um certo vazio e acha que, ao final do dia, ainda tem muito por conquistar.
(Filipa Jardim da Silva, Observador, 2015/06/09, "Estes famosos sofrem de síndrome do impostor. E você?")

Bertrand de Russell resume bem estas perturbações quando refere: “Uma grande parte das dificuldades que o mundo atravessa actualmente são devidas ao facto de que os ignorantes estão completamente seguros e os inteligentes estão cheios de dúvidas”.





20/03/19

Who will comfort me?

 Melody Gardot
Who will comfort me

"My soul is weary and beaten down from all of my misery
Oh Lord who will comfort me?"

Talvez a resposta possível: "O Senhor é meu pastor nada me falta, leva-me a descansar em verdes prados, conduz-me às águas refrescantes e reconforta a minha alma." (Salmo 22)


19/03/19

Pais para sempre

Podem inventar as tretas que quiserem para os documentos da escola, para o cartão de cidadão ou outro qualquer que ... pai há-de sempre ser pai.


"... Ser pai é amar, amar e amar. Sem intervalos nem férias. E sermos tomados pelo medo que o céu desabe sobre a cabeça dos nossos filhos, se não estivermos por perto. E, por isso mesmo, não nos sentirmos autorizados nem a morrer nem a desistir. E termos, na exacta medida daquilo que eles esperam de nós, a secreta certeza que, mesmo quando não estivermos, seremos pais. Sempre pais. Muito para lá de sempre." (Eduardo Sá, "Ser pai, é fazer de super-homem")

16/03/19

Hoje apetece-me ouvir: Khatia Buniatishvili

 
Khatia Buniatishvili
Schubert - "Ständchen" (Serenata); Transcrição para piano de F. Liszt


Novo álbum de  Khatia Buniatishvili - Schubert  - 15 de Março de 2019

13/03/19

Superioridade ilusória




Podemos definir um viés cognitivo como a tendência a pensar de certa maneira que pode levar a desvios sistemáticos de lógica e a decisões irracionais. Um dos vieses mais conhecidos é o da Superioridade ilusória.
Há episódios caricatos que nos mostram este funcionamento psicológico. Ficou famoso um vídeo (youtube) em que um indivíduo a andar de skate grita: “O medo é uma cena que a mim não me assiste", que acaba por se esbardalhar no meio do mato…
Todos conhecemos aquela imagem do gato que se olha ao espelho que reflecte um leão feroz.
Ou como na história da Branca de Neve, a madrasta que pergunta ao espelho: "espelho meu quem neste reino é mais bela do que eu?”

A gravidade de tudo isto é que na vida quotidiana este viés cognitivo, a superioridade ilusória, afecta vários comportamentos. Por exemplo, algumas pessoas avaliam-se como superiores pelo facto de pertenceram a uma qualquer associação partidária , clubística, religiosa. Na política isso é demasiado evidente e está na origem de muitos desastres sociais e humanitários.
É também o caso da “superioridade moral dos comunistas” ou “do partido com paredes de vidro” que não passa de uma superioridade ilusória, assim como de quem tem soluções para tudo e para a vida de cada um, de tal ordem que não se sendo especialista, não se tendo estudado, nem feito investigação, se consideram nascidos com este dom da superioridade.


No nosso dia a dia, há comportamentos culturalmente enraizados que leva a essa situação: todos sabemos que não há nenhum automobilista que considere que conduz mal ou se ache inferior a qualquer outro. Os nabos da condução são sempre os outros… “Um estudo descobriu que 80% dos motoristas se consideram acima da média... E tendências similares foram encontradas quando as pessoas avaliam sua popularidade relativa e suas habilidades cognitivas.” *
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O que os sabe-tudo não sabem, ou a ilusão da competência
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Kate Fehlhaber 02 Jun 2017
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O que os sabe-tudo não sabem, ou a ilusão da competência Kate Fehlhaber 02 Jun 2017
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O que os sabe-tudo não sabem, ou a ilusão da competência Kate Fehlhaber 02 Jun 2017
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O que os sabe-tudo não sabem, ou a ilusão da competência Kate Fehlhaber 02 Jun 2017
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Um alcoólico tem-se em alta consideração e superioridade em relação à sua capacidade de resistência aos efeitos do álcool: “Quanto mais bebo mais lúcido fico”.
Hoje a internet está cheia de peritos, gurus, youtubers… que têm a solução para todos os nossos problemas sociais, de saúde … mas todos sabemos que a ignorância é atrevida.
Os concursos das TVs sobre talentos também mostram que a autoavaliação de algumas pessoas sobre as suas capacidades pessoais, ultrapassa a realidade.

Os psicólogos David Dunning e Justin Kruger partindo da história de um assaltante de dois bancos, em plena luz do dia , em 1995, que acreditava que usando sumo de limão na sua pele se tornaria invisível, ficando surpreendido por isso não ter resultado quando foi preso, concluíram que, embora quase todos tenham percepções favoráveis das suas habilidades em variados âmbitos sociais e intelectuais, algumas pessoas equivocadamente avaliam essas habilidades como sendo muito maiores do que realmente são.*
Tanto em laboratório como no terreno Dunning e Kruger comprovaram estes resultados*
O problema é que, quando as pessoas são incompetentes, não apenas chegam a conclusões erradas e fazem escolhas infelizes, mas também são privadas da sua capacidade de perceber os seus erros. O efeito Dunning-Kruger é uma perturbação cognitiva em que os indivíduos que possuem pouco conhecimento sobre um assunto acreditam saber mais que outros mais bem preparados, porém esta própria incompetência restringe-os da capacidade de reconhecer os próprios erros. Estas pessoas sofrem de superioridade ilusória. *