30/09/21

Vale a pena se for...



"Ser cristão é passar da morte para a vida. O Cristianismo é portanto um movimento, um caminho; não é uma teoria, nem um conjunto de doutrina; o Cristianismo é vida, é um impulso vital que nos leva à verdadeira vida e, por conseguinte, abre também os nossos olhos para a verdade, que não é pensamento puro mas força criadora fundamentalmente idêntica à caridade."

"Nós sabemos que passámos da morte à vida".  O Cristianismo é, portanto, a inversão da direcção normal da nossa existência. A vida humana é, segundo a sua tendência natural, um caminho em direção à morte, em direção à dissolução da síntese maravilhosa que é a vida. Provavelmente, São João, com a sua definição de existência cristã, pretende mostrar não só a inversão da tendência normal de cada vivência, no processo batismal, mas também ainda a origem da história humana..."  (Pg 9-10)



28/09/21

Reformar e investir em educação 2

Esperança - a árvore frágil...


Alguns autores inspiradores para a nossa vida podem também iluminar um programa de educação estruturante para o futuro. Ajudam-nos a estabelecer um rumo, a ser vento e não andar ao sabor dele, ou seja, de modas atrabiliárias resultantes das agendas políticas e ideológicas dos governos actuais e dos que aí vêm, ou de facções modistas curriculares que não reflectem o que a sociedade precisa para os seus cidadãos: uns dias é área-escola, outros educação sexual, outros ainda cidadania e desenvolvimento, outros AEC e escola a tempo inteiro... um dia são objectivos e, no outro, competências...

Como aqui referi, uma reflexão possível, a partir da psicologia e pediatria, e de muitos modelos pedagógicos ou psicopedagógicos - convém conhecer Montessori, Freinet, Makarenko, Fröbel, Rogers, Piaget, Kohlberg, D. Rose... - integra três perspectivas: aprender numa escola inclusiva que educa para o bem-estar e para um mundo melhor, baseada numa cultura de educação diversa e plural, democrática e livre, igual e justa.

A escolarização continua a ser o processo mais comum de educação das crianças. Não ignorando formas alternativas que podem existir (ou mesmo a desescolarização), a maioria das famílias continua a querer os seus filhos na escola. E de facto, na escola reside a grande diferença em relação ao futuro pessoal de cada aluno e ao futuro da sociedade. Não podemos esperar uma sociedade desenvolvida sem o trabalho educativo de excelência desenvolvido nas escolas, não podemos esperar cidadãos responsáveis sem as aprendizagens humanísticas, técnicas e científicas efectuadas nas escolas. A escolarização continua a ser responsável pela definição do futuro.
É por isso que se ainda há lugares sagrados neste mundo, a escola devia ser um desses lugares, como ouvia dizer ao Prof. António Frade (Cousas e Lousas). A escola devia ser poupada à violência, ao bullying, mas também devíamos poupar os alunos e as famílias aos caprichos curriculares e à intrusão nas competências das famílias.

O que aconteceu para que a escola, principalmente nas sociedades democráticas, seja o lugar que é hoje? Se a escola é o centro da esperança no futuro também, ao mesmo tempo, é o sítio das desilusões de quem trabalha na educação, desmotivado e em burnout, o sítio das "mágoas da escola" (Pennac) de quem a frequenta.
Esta difícil situação deve ter em conta que os pais devem ter um papel na educação dos filhos, é uma questão fundamental em qualquer projecto educativo. Porém, isto não significa que os pais sejam intrusivos ou possam invadir a escola com a violência que conhecemos em algumas situações chegando à agressão física de professores. 
Outra coisa é o papel dos pais que desde logo devem ter a possibilidade de escolher o projecto educativo (currículo) mais adequado para os filhos. Com raras excepções, a educação é uma prioridade das famílias e muitos pais sabem qual é o seu papel na educação e instrução dos filhos, em colaboração com a escola e professores.
Para atingir estes objectivos, uma reforma concreta, uma reforma das pequenas coisas, teria em conta a realização dos seguintes aspectos críticos.

1. Consolidação do sistema educativo
Há legislação a mais sobre a educação e a escola. Por isso, uma das medidas fundamentais é  legislar apenas o essencial para o sistema. Isto significa legislar menos e nos timings certos de forma a não criar disfuncionamentos e dificuldades de adaptação dos professores, pais e alunos, em cada ano lectivo que se inicia...
Aplicar a legislação em vigor e avaliar periodicamente, a longo termo, a sua eficácia.
Avaliar os projectos educativos, curriculares ou outros de cada escola.
O estado deve limitar-se, o que é muito, ao papel de gerir o sector educativo estatal e regular todo o sistema educativo.

2. Articulação do sistema educativo 
Necessidade de um sistema coerente entre os vários sectores ou subsistemas: estatal, privado, cooperativo e social e entre várias modalidades de repostas/valências educativas e terapêuticas...
Repor, na medida do possível, e alargar, os contratos de associação nas localidades onde se justificam.
Regular a articulação com o sector privado, social e cooperativo, de forma a que os resultados sejam idênticos ou melhores que no sector estatal, como têm sido, basta ver os rankings dos exames, e  sejam menos dispendiosos para o estado. 
Esta rede educativa pode ter as vantagens que apenas um sector não tem: a liberdade de ensinar e de aprender. 
A concorrência entre projectos educativos das escolas estatais  e privadas, pode criar opções de escolha às famílias e aos alunos, pode desempenhar um papel importante na redução de despesa do estado quer através de contratos de associação quer através de encargos das famílias que o estado deixa de ter com a educação.
No sector estatal, promover o desenvolvimento dos projectos de autonomia das escolas.

3. Estabilização dos recursos humanos
Negociar com os sindicatos de professores o tempo de serviço de  9 A 4 M 2 D: as formas possíveis de gestão deste tempo efectuado pelos professores e que de forma nenhuma lhes pode ser sonegado.
Alterar o sistema de recrutamento e selecção de professores: terminar com a centralização dos concursos, com benefício para a redução da deslocação de professores, contra o centralismo educativo saloio e provinciano do ministério da educação: concursos de professores, parque escolar...
Número limite de turmas/professor. Não faz sentido que um professor possa leccionar 500 alunos, como um professor de TIC, por exemplo, uma vez por semana...
Técnicos especializados: psicólogos, terapeutas da fala, intérpretes de LGP, formadores/prof de LGP - eliminação da precariedade e entrada no quadro após 3 anos de serviço efectivo.
A gestão estratégica dos recursos humanos da educação passa por um "Programa de rejuvenescimento do corpo docente", proposto  por António Costa Silva, com o qual estou de acordo (Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica de Portugal 2020-2030)

4. Avaliação das aprendizagens
Terminar com a actual periodização da avaliação, passando de três períodos de avaliação sumativa, para dois períodos, correspondentes a dois semestres, como acontece no ensino superior.
Repor a avaliação sumativa externa no final do 4º ano e 6º ano e acabar com a avaliação aferida no 3º e no 5º.
Definir o peso efectivo dessa avaliação externa no conjunto da avaliação contínua e interna.
Realizar uma prova aferida externa no final do 2º ano lectivo que terá como objectivo a avaliação das dificuldades individuais dos alunos na leitura, escrita e cálculo. Face aos resultados, cada escola deve desencadear o processo de apoios educativos e outros de que o aluno necessita para poder ultrapassar dificuldades detectadas.

5. Estabilização e autonomia do Currículo 
O currículo nacional deve merecer uma atenção especial como, aliás, tem sido dada a língua portuguesa e matemática. 
Do currículo nacional deve fazer parte uma disciplina de música para todos os alunos do ensino básico.
Além disso, os alunos terão ainda a possibilidade de optar por clubes ou projectos artísticos ou desportivos.
Com esta opção termina a obrigatoriedade da frequência da "disciplina" de "cidadania e desenvolvimento". E as actividades circum-escolares estarão organizadas em clubes e ou projectos, de iniciativa da escola, e de acordo com os interesses dos alunos, no campo do desporto, artes e cultura, de acordo com os grupos disciplinares e tendo em conta o contexto cultural em que a escola se insere, substituindo as actuais AEC. 
As  alterações curriculares devem sempre ser sujeitas a um processo de avaliação do currículo em vigor e dos projectos desenvolvidos
Reposição da "educação vocacional". Avaliar a experiência efectuada (Ramiro Marques). Manter com alterações, se necessário, resultantes dessa avaliação. Seria preferível designar esta modalidade de educação de "Preparação para a formação profissional".
Definir a idade mínima de 13/14 anos para a integração nestes cursos. Isto significa que  seriam abrangidos alunos com duas ou mais retenções no 2º ciclo.
Estes alunos devem antecipadamente participar em projectos de OEP.
O projecto deverá ser alargado progressivamente a todo o país.

6. Redefinição da intervenção da ASE  
Os livros escolares serão gratuitos para todos os alunos. Não se compreende porque ficaram excluídos os alunos das escolas com contrato de associação  e escolas profissionais para além do ensino privado.
Os livros escolares ficam na escola acabando com o transporte quotidiano de peso exagerado nas mochilas, preservando a saúde dos alunos e ao mesmo tempo a preservação dos livros.
Gratuitidade das refeições terminando com os actuais escalões. Esta medida iria beneficiar todos os alunos e suas famílias.
Poderá haver um período de transição, até a despesa poder ser acomodada no orçamento do estado, em que tanto num caso como no outro se deve ter  em conta a situação de recursos, segundo os escalões do abono de família, por ex., em relação a todos os alunos.

7. Inclusão
Adoptar uma metodologia UDL (Universal Design for Learning) preconizada, aliás, no DL 54/2018, que sem dúvida será a melhor forma de inclusão de todas as crianças de acordo com as suas necessidades educativas.
As crianças consideradas com dificuldades de aprendizagem e com PHDA devem ter alternativas activas evitando a sua medicação - principalmente actividades curriculares e extracurriculares activas como o desporto, as artes, a música e a dança. 
Não nos podemos esquecer que milhares de crianças entre os 4 anos e a adolescência consomem milhões de anfetaminas. (Eduardo Sá)
Uma das fontes de indisciplina é o telemóvel. Cada escola deve determinar com as Associações de pais e com as Associações de estudantes as regras de utilização dos telemóveis na sala de aula.
Outra fonte de indisciplina é a duração dos tempos lectivos. Por isso, a referência temporal de uma aula deve ser a de uma tempo lectivo correspondente a 50 minutos. Deverá também haver flexibilidade para blocos de 2 tempos lectivos quando devidamente justificada.

8.  Planeamento da educação a longo prazo
Sabemos que a natalidade está a baixar enquanto o número de pessoas idosas cresce todos os anos.
Os vários sistemas da sociedade começam a ressentir-se desta realidade. Na educação os impactos vão ser enormes. Redução do número de alunos implica redução de escolas, de pessoal docente e não docente para assegurar o funcionamento das escolas. É agora que é oportuno planear o que vamos fazer para responder a estes problemas num tempo já bem próximo de nós.
Uma das consequências tem a ver com o fecho de escolas rurais e escolas de pequena dimensão. Apenas fecharão obrigatoriamente as escolas com menos de 5 alunos ou com mais alunos desde que essa seja a vontade dos encarregados de educação e pais e das autarquias.
Estas escolas ficarão como escolas anexas a escolas mais próximas e poderão ter parte do currículo preenchido com  actividades sociais e culturais em conjunto, em calendário previamente previsto.

9. Definição e estabilização do papel dos municípios na educação
A gestão das escolas e dos agrupamentos de escolas deverá ser o mais autónoma possível. Assim, os contratos de autonomia devem alargar-se a todas as escolas e agrupamentos. 
A gestão dos recursos humanos devem igualmente ser da competência dos agrupamentos.
Os júris devem ser independentes, designados pelas escolas mas com nomeação pelo ME.
Para 2020, previa-se que dos 278 concelhos do continente, 84 municípios iam  assumir todas as áreas da educação excepto a colocação de professores. 
A mudança é urgente. Sabemos que a posição dos sindicatos a este propósito contraria este aspecto e que também não é popular entre os professores. Mas são os professores as principais vítimas.

Com estas propostas, não quero "reinventar a escola", não proponho uma "escola ideal", não é sequer a "escola dos meus sonhos" nem a "educação dos meus sonhos", não é a escola progressista nem último grito vindo da Finlândia, Japão, Suécia ou seja de onde for, não é a "escola da doutrinação pública", não é a escola dos oprimidos ou privilegiados (aliás, o problema da "Pedagogia do oprimido" é antes um problema de Oprimidos da pedagogia), não é a escola tradicional ou a escola dita democrática, nada disso... É apenas o resultado de uma reflexão de experiência feita que poderá melhorar as escolas  actuais. Um simples plano de melhoria para uma escola mais eficiente e mais eficaz. São propostas para uma escola em que as crianças são todas iguais, todas diferentes, mas em que cada uma delas merece o melhor que a sociedade dos adultos lhe pode oferecer.

Apesar do realismo destas medidas nada há a esperar em matéria de reformismo  do actual Ministério da educação, ou deste governo, durante o resto do mandato mas a esperança é a árvore frágil que tenta sobreviver a tudo, é "essa menina, que arrasta tudo consigo". (Péguy)




13/09/21

As pessoas que moram dentro dos políticos




Talvez as pessoas que têm partido sejam mais felizes do que eu ou pelo menos tenham o seu processo de decisão mais facilitado porque sabem sempre em quem votam e, como sabemos, votam sempre nos mesmos, aconteça o que acontecer, mude o que mudar no mundo e arredores...
Não tenho essa vantagem, esse conforto, e isso dá-me muito mais trabalho a encontrar a racionalidade do voto, em cada eleição que se apresenta aos cidadãos.
Nas actuais eleições autárquicas, precisava de dispor de pelo menos quatro votos para ficar satisfeito com a minha opção eleitoral em quatro pessoas.

O primeiro voto seria para João Belém a quem devo a minha transferência para o Ministério da Educação para exercer funções de psicólogo no CAE de Castelo Branco e pelos anos em que tive o privilégio de trabalhar na equipa por ele dirigida. E este é um ponto fundamental: a sua capacidade para dirigir equipas de trabalho, o seu humanismo nas relações interpessoais, a capacidade de resolver problemas.

O segundo seria para Leopoldo Rodrigues de quem tenho as melhores recordações do tempo em que na Escola Afonso de Paiva nos empenhámos na educação de todos os alunos em especial daqueles que tinham mais dificuldades de e na aprendizagem. Integrei o conselho de turma de um CEF de que era director de turma, durante vários anos, onde fui docente de Psicologia do desenvolvimento. Foi uma experiência extremamente enriquecedora que me permitiu constatar a sua capacidade de liderança, o seu humanismo, a sua compaixão pelos alunos mais frágeis.

O terceiro voto seria para Rui Amaro Alves que revela capacidade de liderança, capacidade técnica e de planeamento, tem feito as propostas mais inovadoras e de mudança tão necessárias à autarquia após tanto tempo de gestão, e refiro-me a vários mandatos, cheia de vícios, e que por isso necessita de outra forma de ser e estar ao serviço dos cidadãos albicastrenses.

Finalmente, preciso de um quarto voto para resgatar Carlos Semedo à actual gestão autárquica pelo reconhecimento do que tem feito na gestão da área da cultura.

Sinceramente, ainda precisava de mais alguns votos para pessoas que têm mérito e  me agradam como Ernesto Candeias, José Pires, Maria do Carmo Andrade...

Não sendo possível, espero que, após as eleições, os eleitos tenham a grandeza de espírito de, na prática, darem oportunidade ao consenso e continuidade às melhores propostas que se encontram nos programas que estas pessoas propõem ou defendem para Castelo Branco.
Creio que, como eu, todos amam Castelo Branco e, por isso, o esforço tem que ser feito para melhorar a vida dos albicastrenses  e tornar o espaço dos nosso afectos mais agradável para viver.



11/09/21

"O dia que fez abalar o mundo"


O passado, há vinte anos, quando o impensável aconteceu, convoca-nos ainda hoje para tentar compreender, para pensar, este acontecimento e estes comportamentos, porquê e para quê da "mais fantástica e incisiva acção terrorista de que há memória", porque "à irracionalidade subjacente a tal violência criminosa, se não dá a razão palavras e entendimentos, aquela fica em cada um de nós, tão só irracional e, por isso, feroz, maligna e estúpida" (p. 239). 
C. Amaral Dias ajuda-nos a tentar compreender estes comportamentos em "O dia que fez abalar o mundo", Um Psicanalista no Expresso do Ocidente (2003).
Por outro lado, a resposta intervencionista e de ocupação militar sem avaliação de consequências e deixando à sua sorte todos os que acreditaram noutro futuro mostram a fragilidade da decisão e de quem toma a decisão de intervir e de abandonar... 
Passados vinte anos, ficam para trás os direitos humanos, a liberdade e principalmente a liberdade das mulheres. Podemos pensar que mudou alguma coisa ? Ou que ainda vai mudar ?
O anacronismo dos comportamentos em relação à mulher poderá ter alguma expectativa de mudança como escrevia Aragon: "O futuro do homem é a mulher"? 


Capa do Anuário do Expresso de 2001



 

21/07/21

A força da liberdade


Celia Cruz - Burundanga

O ditador gostava de ouvir burundanga quando estava na Sierra Maestra. O ditador queria que ela cantasse para ele. Ela nunca lhe foi reverente nem  se curvou e cantava o seu programa. O ditador não permitiu que ela fosse ao funeral de sua mãe. Ela nunca mais voltou a Cuba.

"Por si acaso no regreso", como aconteceu, ficou  a liberdade  e liberdade de expressão que nenhuma "revolução" conseguiu ou consegue  amordaçar.



02/07/21

Reformar e investir em educação 1





A  “Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica de Portugal”, de António Costa Silva * sublinha a importância estratégica do sector de educação e apresenta três temas da maior importância: a qualificação de adultos, o apoio social, o rejuvenescimento e formação de professores.

Os temas referidos no relatório relevam a melhoria das condições para a aprendizagem  como a acção social e os equipamentos ...  

 

Não podemos continuar com políticas de remendos levadas a cabo pelos diversos ministérios de educação, de várias cores políticas, ao sabor de projectos envoltos em controvérsia do ponto de vista das estratégias dos seus criadores e promotores. ** Pelo contrário, devemos estabelecer prioridades.  

Dito de outra forma, um programa estratégico do sector de educação deve dar relevo a três aspectos fundamentais: Educar para a inclusão, Educar para o bem-estar (M. Seligman), Educar para um mundo melhor (B. Spock)

 

1. A inclusão não é apenas o direito de todos à igualdade de educação é também o direito a uma igualdade que seja justa, sendo necessário que a máxima “todos diferentes todos iguais” possa ser aplicada a todos os alunos, de acordo com os pais e encarregados de educação, no acesso às escolas, aos cursos, às aprendizagens o que por vezes significa a necessidade de ser desigual nas estratégias, nos currículos, nos apoios educativos. Implica ainda uma articulação de todas as respostas educativas, das várias escolas, estatais, privadas, ipss, cooperativas, que respondam melhor às necessidades educativas de cada criança.   

 

2. O bem-estar (Seligman). A escola deve dar a cada aluno os instrumentos  pessoais e culturais necessários a uma vida boa  que valha a pena viver. Podemos conhecer as nossas forças e virtudes, construir relações profundas e duradouras com os outros e sermos pessoas positivas e felizes.

 

3. Educar para um mundo melhor (B. Spock)Mesmo que hoje pareça que se desmoronam  os valores da família, da escola, da sociedade, não só é possível acreditar na construção de um mundo melhor para os nossos filhos, como é, pela educação dos e para os valores, a única via para conseguir esse mundo melhor....

 

Por onde começar? Antes de tomar outras medidas, igualmente necessárias, e de que havemos de falar a seguir, há duas que deviam ter uma intervenção imediata e definitiva:

- Acabar, de uma vez por todas, com o amianto nas escolas.

- Instalar sistemas de climatização nas escolas para acabar com o frio e calor excessivos permitindo condições de trabalho na sala de  aula. Não é razoável, todos os anos, vermos alunos e professores, no Inverno,  enregelados por falta de aquecimento nas salas onde, no Verão,  é impossível permanecer com o calor que se faz sentir. Este problema é mais premente nas regiões do interior onde as amplitudes térmicas são mais extremas.

 

A importância estratégica do investimento em  educação reflecte-se no desenvolvimento   individual mas também social. Mais e melhor educação significa mais e melhor produção, mais produtividade, melhor ambiente social e convivência social, menos criminalidade, mais qualidade de vida.

 

Boas férias e até Setembro. 

 


___________________

* Segundo a Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica de Portugal 2020-2030, pag 79-80, "Face a tudo isto e também a algumas fragilidades que o sistema de ensino e de investigação nacional ainda tem, é importante o Plano de Recuperação Económica considerar os seguintes investimentos
Programa de qualificação de adultos
Reforço dos programas de qualificação de adultos visando generalizar o nível secundário, nas dimensões escolar e profissional e alargar a formação profissional pós-secundária, promovendo a articulação entre escolas, instituições do ensino superior, centros de formação profissional, empresas e administração pública central e local.
Programa de apoio social a estudantes em todos os graus de ensino
Aumentar o investimento nos programas de ação social para os ensinos básico, secundário e superior, para estimular e assegurar o acesso ao ensino das crianças e jovens de famílias mais carenciadas, e contrariar a tendência para o abandono e diminuição de estudantes que se revela em cada crise económica e social.
Investir na requalificação e modernização da rede de escolas e de centros de formação profissional, com vários objetivos. Em primeiro lugar, corrigindo localizações segregadas que comprometem o futuro dos jovens que as frequentam. Em segundo lugar, melhorando as condições de trabalho e estudo nos edifícios onde tal for necessário e ampliando o leque de valências disponibilizadas. Finalmente, modernizando as infraestruturas tecnológicas de educação e formação, sempre que obsoletas. A gestão de todo este investimento deveria contar com a participação ativa das autarquias e das empresas.
Programa de rejuvenescimento do corpo docente e de formação de professores
Investir num programa de reformas antecipadas negociadas com os professores mais idosos e alargar o recrutamento de novos professores jovens. O programa deveria ser de adesão voluntária e os modos de acesso à carreira pelos novos docentes deveriam ser revistos. Reformar e financiar o sistema de formação de professores em todos os domínios: na formação de base, na formação em exercício e na formação contínua. O programa deveria ser desenvolvido em negociação com as instituições do ensino superior implicadas na formação de professores, num tempo curto, para poder ter efeitos no processo de rejuvenescimento do corpo docente, assegurando que esse rejuvenescimento seria também um momento de requalificação da profissão."















30/06/21

Nine Million Bicycles (em Pequim)... mas tu és aquele que eu amo

Katie Melua - Nine Million Bicycles



Há nove milhões de bicicletas em Pequim
Isso é um facto,
É algo que não podemos negar,
Assim como o facto de que irei amar-te até eu morrer
...
Há seis bilhões de pessoas no mundo
Mais ou menos
E isso faz-me sentir bem pequena
Mas tu és aquele que eu amo mais que todos



25/06/21

Recuperação, resiliência e respostas sociais





Obviamente que não é possível meter assunto tão vasto no tempo disponível para esta crónica. No entanto, queria fazer uma ligeira reflexão sobre alguns aspectos sociais do plano de recuperação e resiliência. 

Apesar de tudo o que já se disse que vai da foleira designação de “bazuca” ou “já posso ir ao banco ?”, até à constatação séria da necessidade de ajuda externa para ultrapassar a crise em que vivemos, ou às criticas que possamos fazer, o plano aí está como  um facto consumado.

 

O Plano contém projectos interessantes, como, por exemplo, os projectos sobre as respostas inovadoras para idosos ou sobre acessibilidades ... 

Vão ser gastos 583 milhoes de euros * em reformas e investimentos em respostas sociais.

É verdade que “Portugal, à semelhança de outros países europeus, tem vindo a confrontar-se com desafios exigentes ao nível demográfico, socioeconómico e ambiental. Alguns destes desafios foram reforçados e ampliados pela situação de pandemia vivida no último ano. “

Porém, o que se passa em Portugal parece bastante mais gravoso do que na maioria dos países europeus por nos situarmos abaixo da média nos vários parâmetros que possamos analisar.

É, por isso, uma necessidade, como diz o Plano,“reforçar, adaptar, requalificar e inovar as respostas sociais drigidas às crianças, pessoas idosas, pessoas com deficiência ou incapacidade  e famílias”.

 

Mas não nos podemos esquecer de que, se não houvesse a crise sanitária covid19, estas reformas e investimentos seriam igualmente necessários...

Há projectos que nos parecem familiares e que é necessário pôr a funcionar eficazmente e dar continuidade. Sem dúvida, é necessário haver Reformas  nos  Equipamentos e Respostas Sociais, como por exemplo, nos cuidados prestados nas Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI), no licenciamento ou regularização das estruturas que estão a operar fora do sistema, como ficou bem evidente com a pandemia... 

Mas, não sabemos muito bem o que sejam “respostas sociais inovadoras como são as respostas de Habitação Colaborativa, ou um modelo de apoio domiciliário inovador, ou um projecto designado Radar social, mas, pelo menos no campo  das intenções, serão certamente melhores respostas do que as actualmente existentes.

Fazem falta creches  mas também é muito importante “adaptar as respostas às necessidades das famílias e das realidades laborais que têm horários e contextos novos que importa acompanhar”.

É necessário reforçar as respostas destinadas a pessoas com deficiência ou incapacidade.

Além destas reformas, vão ser feitos Investimentos numa Nova Geração de Equipamentos e Respostas Sociais (417 M€) tendo em vista respostas sociais de proximidade e que promovam o máximo de autonomia das pessoas.... 

Ou em Acessibilidades 360º (45 M€) nos edifícios públicos, espaços públicos e habitações (cerca de 10,7% da população (dos 15 aos 64 anos) manifesta ter muita dificuldade ou não conseguir realizar pelo menos uma das seis atividades básicas de vida).


Sem dúvida, está aqui todo um programa de governo para uma década. Vale a pena acreditar que estes mais de 500 milhoes de euros* vão ser bem empregues. De uma vez por todas era bom que fosse verdade. 

Era bom que houvesse reformas estruturais. 

As pessoas mais vulneráveis merecem que não as desiludam mais uma vez.



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* Na versão de 22-4-2021 foi alterada para 833 milhões de euros.