23/07/12

3720

"Com este anúncio, o número de escolas do primeiro ciclo encerradas desde o ano letivo 2005/2006 sobe para 3.720. No próximo ano estarão em funcionamento 2.330 escolas a leccionar até ao quarto ano de escolaridade."
"Por regiões, na área abrangida pela Direcção Regional de Educação do Norte é onde vão encerrar mais estabelecimentos (126), seguida do Centro (66), Lisboa e Vale do Tejo (33), Alentejo (10) e Algarve (três)."

Interessante: fecharam 3720 escolas e vão funcionar 2330.
Afinal, o que é que mudou ?
Estejamos descansados ! É "atendendo à melhoria da qualidade de ensino"!

19/07/12

A fé do(s) homem(ns)

Saudades do tempo em que D. Januário exigia “deixem-nos pensar”.
Agora está tudo pensado: há anjos e demónios. Uma questão de fé. Uma fé que acabou de definir quem são os anjos e quem são os demónios. Agora fez-se a luz que rompeu as trevas.
Os anjos podem gastar à tripa-forra e lixarem a vida das gerações futuras. E não são responsáveis por nada. Os anjos vivem na rive gauche, ou mesmo só na gauche. O céu na terra.
Os anjos não precisam de procurar a equidade porque eles são a própria equidade. Está tudo certo com os anjos. Fazem tudo para bem do povo.
Os demónios estão todos no governo. Esforçam-se por pagar a factura que outros deixaram lixando a vida à actual geração.Vivem em massamá ou numa linha da direita. Um inferno na terra. Fazem tudo para mal do povo.
Estão onde é tudo errado e iníquo. Irão parar "às profundezas do inferno" onde Luís Garra "os irá perseguir" para todo o sempre.

É a fé do homem em políticos maus e políticos bons e que já não precisa de pensar.

Mas não será a fé de D. Januário que me fará perder a Fé.

Há muito tempo que perdi a fé nestes políticos  e nestes crentes mas não vou perder a liberdade de escolher pensar.
Escolher continuar a pensar numa busca incessante de ver alguma luz no comportamento humano em que todos somos anjos com pés de barro.

Aqui (M. Filomena Mónica, "Os barões do regime") pode estar esta evidência.

Credores

Fala-se dos mercados como qualquer coisa indefinida. Ou então de uns malandros neo-liberais que existem algures nos paraísos fiscais em ilhas minúsculas, lá onde o vento dá a curva... 
Parece que os mercados são mais concretos e estão mais perto de nós do que podemos pensar.

12/07/12

Quantos são os alunos com NEE?

O Correio da Manhã divulgou o número de alunos com NEE baseando-se num relatório da UE.
Num total de 615.883 alunos, 48.802 têm necessidades educativas especiais (8%).
Além disso, 1.929 (0,3 por cento) frequentam escolas especiais segregadas e 5.321 (0,9 por cento) estão em classes especiais segregadas.
A população escolar em Portugal no ensino obrigatório não tem nada a ver com o número referido pelo jornal que não se sabe então a que se refere.
Source: European Agency for Development in Special Needs Education, Country Data 2010

Além disso, o relatório refere 35894 (2,7%), em 2010, que parece um número mais ajustado ao que sei desta realidade.

Se fosse como na notícia do Correio da Manhã, estávamos bem longe dos objectivos traçados pelo governo anterior que apostava em 23 000 alunos com NEE.
Tanto no primeiro caso como neste me parece exagero. Há aqui qualquer coisa que não está certa. 



Em 2009, os números do ME eram os seguintes:


Isto é, a informação do jornal, repetida em vários blogues, só pode estar errada. Mas também o que é que isso interessa ? Não temos nem merecemos melhor ?
(Actualizado em 19-7-2012)



O relatório da IGE, Educação Especial: Respostas Educativas - Relatório 2010-2011, em 46 escolas intervencionadas, num total de alunos de 67499, refere o seguinte:
Constata-se que o número de alunos a quem são prestados apoios especializados no âmbito da Educação Especial (3040) corresponde a cerca de 4,5% do total de alunos das escolas intervencionadas (QUADRO 3). Verifica-se também que, dos 1637 grupos e turmas que incluem crianças e alunos com NEE, 795 têm redução do número de crianças e alunos, correspondendo a 48,6% do total de grupos e turmas. 

 (Actualizado em 23-7-2012)


Exames, fraudes e outros problemas

 Assistimos por esta altura do ano à discussão sobre se os exames foram mais fáceis ou mais difíceis do que no ano anterior. Se são fáceis é facilitismo se são difíceis é excessivo rigor ou os alunos não estavam preparados para este tipo de exames...
Pede-se a demissão do director do gabinete de avaliação (GAVE). Critica-se o ministro. Critica-se a escola, criticam-se os alunos porque não estudam.
Eu estou convencido de que os exames vão ser sempre controversos.
Obviamente, serão menos controversos se o sistema educativo, currículos, metas, manuais, organização e gestão de turmas, apoios, necessidades educativas especiais, estiver mais estabibilizado. Este é o problema mais importante. Estabilizar o sistema educativo.
As reformas devem ser testadas a longo prazo, e no final, avaliar e mudar, se necessário.
As mudanças do currículo devem reflectir as mudanças na sociedade, as mudanças devem depender da resposta a esta questão: o que mudou na sociedade.
As mudanças económicas, porque não há dinheiro ou porque há muito, reflectem-se necessariamente na educação mas há limites que não devem ser ultrapassados.
Quer em tempos da vacas gordas ou magras os exames serão sempre fonte de controvérsia.
Qual é o parâmetro para os exames serem considerados fáceis ou difíceis ? Em termos individuais, para os alunos que têm negativa serão sempre difíceis.
Para o sistema educativo, quando é que são difíceis ? Quantos alunos podem chumbar ? 10% ou 90% dos alunos ? Claro que o sistema nunca admitiria uma coisa dessas e mudaria os critérios de correcção até se aceitar um "número razoável" de chumbos. 
Em sociedades com sistemas educativos mais estabilizadas acontece essa controvérsia.
Mesmo quando existem testes padronizados, os exames que seleccionam alunos para universidades americanas SAT(Scholastic Assessment Test) e ACT (American College Testing) surgem problemas de fraude. Há alunos que de uma forma fraudulenta fazem os exames por outros que são pagos para isso. Agora vai ser exigida a fotografia para inscrição nas universidades que será confrontada com a fotografia exigida para o exame.
Há faculdades nos EUA que mentem para melhorar a posição nos rankings. O mundo académico ficou decepcionado, mas não surpreendido porque a prática é comum.
Várias faculdades nos últimos anos têm sido acusadas de tentar burlar o sistema principalmente alterando os significados das regras, apresentando apenas os dados positivos ou simplesmente mentindo.
Mas o problema é mais extenso. As empresas que fazem os exames preparam os alunos para fazerem os exames e estudar acaba por ser estudar para os exames.

Apesar de tudo os exames são uma forma de avaliação importante na regulação das aprendizagens e na classificação para entrada na universidade mesmo com os problemas e as fraudes que sempre aconteceram, acontecem e vão continuar a acontecer.

Bem, é tempo de esquecer os exames porque este é tempo de férias .
Boas férias para todos.

08/07/12

País, fundação e afundanço

Sabe qual é a diferença entre dirigir um país ou uma fundação?
É esta.
É por isso que o país está neste afundanço.

Outsourcing



O problema é mesmo o da desregulação completa do outsourcing. Finalmente, percebeu-se o que estava a acontecer e aonde leva esta forma de gestão.
São também os nutricionistas, os psicólogos...
Trabalho igual salário igual.
A equidade também se deve aplicar aqui.
O ministro da saúde, Paulo Macedo, falou na indexação à base da tabela salarial da respectiva carreira. É um grande progresso.
Pelo tal princípio, deve aplicar-se a todos os outros trabalhadores: médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, professores, etc.

05/07/12

"Tratantes"

Entre os privilégios que ainda existem em Portugal – e que seria bom que acabassem, uma vez que o país, como bem manifestou ainda a última questão das ostras*, começa a odiar todo o privilégio - contam-se em primeira linha os privilégios que a chamada carreira política permite àqueles que a seguem.
Para servir tais privilégios, a opinião pública obteve meios de dividir uma coisa essencialmente indivisível e una –a probidade – em probidade política e probidade individual.
Uma vez admitida esta casuística um tanto imoral, o indivíduo considera-se irresponsável perante a sociedade por todas as ignomínias, por todas as baixezas, por todas as infâmias que comete na política. É vulgar dizer-se: “Velhaquíssimo em política, mas de resto um perfeito cavalheiro!”
Ora nós não queremos defender o privilégio para a engorda da ostra. Notamos só que a política assim considerada fica sendo igualmente - uma ostreira de tratantes.


Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão (Coord. M. Filomena Mónica), As Farpas, Principia, pags. 157 e 158.

*Refere-se ao marquês de Nisa que teve o monopólio da cultura das ostras, em viveiro, ao longo de parte da costa portuguesa.


Só mudaram as ostras...