11/09/19

Verdete 2 - as profecias

Mais uma vez, com um grande agradecimento ao J. Rentes de Carvalho.

"Bilhetes (88)


Não há dia sem susto. Ou se começa já já a investir 1,6 biliões (quantos zeros?) de euros ou em 2030 a Terra torna-se um gigantesco charco e aos pobres que já conta serão acrescentados 100 milhões. Essa profecia vem da GCA (Global Commission Adaptation) e está nos jornais de hoje.
De qualquer modo, o calor, a seca e as inundações continuarão a causar prejuízos de 73 mil milhões de dólares, e como o volume da chuva que agora cai só se esperava daqui a cinquenta anos, o melhor é tomar precauções. E assim, para discutir o clima e a urgência das medidas a tomar, no dia 20 de Outubro vão reunir-se em Amsterdam entre quinhentos e mil cientistas e líderes mundiais.
Estou ansioso pelo resultado. Como em 2030 festejarei o meu centenário, espero voltar aqui para anunciar que os cientistas e os líderes mundiais reconsideraram as profecias de 2019, e que tudo vai ser pior, mais trágico, dos pobres só restam os indispensáveis para servir os ricos."

08/09/19

Verdete

Por estes dias em que o verdete tomou conta da campanha eleitoral e dos programas de praticamente todos os partidos, vale a pena voltar a ouvir o Prof . Luiz  C. Molion que há muitos anos vem lutando contra a "teoria" do aquecimento global devido à acção do homem. 



Eu não sei desta matéria mas Luiz Molion, Ricardo Felício, Delgado Domingos, Rui Gonçalo Moura, que tenho referido neste blogue, devem saber alguma coisa...

Hoje apetece-me ouvir: D.A.M.A.

D.A.M.A. - Era eu


...Quando tu dizias que a luz dos teus olhos era eu...

...Dá-me um segundo ainda não te disse adeus
Como é que tudo mudou tanto
Passou tudo num instante

Ainda não te disse adeus.

26/08/19

"... em vez de sonhos e esperanças, o mundo que deixo será um de medos e imposições."


Está aqui ao lado o link para o blogue de J. Rentes de Carvalho de que sou leitor assíduo, mas este bilhete foi particularmente impressivo para a minha sensibilidade. Também já não sou um optimista mas, até ao fim, havemos de lutar pelo sonho e esperança.



"Bilhetes (74)


Nasci, criei-me e vivi num mundo pobre, de fomes, de guerras e grandes diferenças, mas também de esperança, de sonhos e avanços espectaculares. Até há uns dez anos sentia-me bem nele, ainda sonhava, mantinha a ilusão de que à minha maneira e nos limites do que era capaz, contribuíra para justificar o ter vindo ao mundo: criei filhos, escrevi livros, plantei árvores.
Agora, todavia, a poucos meses de fazer noventa anos e na certeza de que a morte não demorará, olho com melancolia para o passado, porque este presente parece querer negar tudo o que foi sonho, destruir o que pareceu valioso, substituir a precisão de liberdade por todo um sistema arbitrário e refinado de censuras, ukases, proibições, imposições, mandamentos, justificando-se como todas as ditaduras e todas as tiranias com o argumento do bem comum, da felicidade universal, e a conhecida promessa de um futuro com o sol a brilhar para todos.
E assim o verde, que era a cor da alegria e da esperança, se mudou no vermelho do passado: a cor da repressão, do extermínio dos opositores, do Gulag, dos campos de concentração. É agora a bandeira da sociedade que se anuncia: dividida em bons e maus, os que seguem e os que se opõem, todos espiados e controlados por um governo que tudo pode, em tudo manda, tudo determina.
De modo que sei que não vou morrer em paz, porque mesmo que haja uma vida eterna levarei comigo a pena de que por muito tempo, quem sabe se para sempre, em vez de sonhos e esperanças, o mundo que deixo será um de medos e imposições."

23/08/19

José Cid

A lenda de El-Rei D. Sebastião - Quarteto 1111

Em Agosto de 1967, o "Em Órbita" passou pela primeira vez um tema português, "A Lenda de El-Rei D. Sebastião", pelo Quarteto 1111. O que provocou divergências entre Jorge Gil que não queria e João Manuel Alexandre e José Luiz Magalhães que queriam. (Wikipédia)
Parabéns!

01/08/19

Z. Kodály - Na aflição...

Zoltán Kodály: Psalmus Hungaricus, Op. 13

Na aflição David queixa-se da malícia dos seus inimigos (SALMO  55)

  1. Inclina, ó Deus, os teus ouvidos à minha oração, e não te escondas da minha súplica.
  2. Atende-me, e ouve-me; lamento na minha queixa, e faço ruído.
  3. Pelo clamor do inimigo e por causa da opressão do ímpio; pois lançam sobre mim a iniquidade, e com furor me odeiam.
  4. O meu coração está dolorido dentro de mim, e terrores da morte caíram sobre mim.
  5. Temor e tremor vieram sobre mim; e o horror me cobriu.
  6. Assim eu disse: Oh! quem me dera asas como de pomba! Então voaria, e estaria em descanso.
  7. Eis que fugiria para longe, e pernoitaria no deserto.
  8. Apressar-me-ia a escapar da fúria do vento e da tempestade.
  9. Despedaça, Senhor, e divide as suas línguas, pois tenho visto violência e contenda na cidade.
  10. De dia e de noite a cercam sobre os seus muros; iniquidade e malícia estão no meio dela.
  ...

O carácter dramático da obra manifesta bem o sofrimento do povo húngaro, após o tratado de Trianon, como, aliás, ao longo da sua história.


30/07/19

A palavra e a coisa

Excerpto de uma entrevista do filósofo Michel Onfray publicada no número de 30/05/2019 da revista Marianne.
La novlangue se caractérise par une simplification lexicale et syntaxique de la langue. Entre l’écriture inclusive, la féminisation et l’apparition de nouvelles « phobies », n’assistons-nous pas au contraire à une complexification du langage ?
L’écriture inclusive est une des modalités du parler bébé. C’est une écriture illisible au sens étymologique : on ne peut la rendre à l’oral. C’est un jeu avec les mots, un jeu de mots, du genre de ceux qu’effectue un enfant entre 12 et 16 mois, quand il découvre le langage et croit que les mots lui donnent du pouvoir sur les choses et qu’en changeant les premiers il change les secondes.
Ce sont les mêmes nigauds qui, jadis, ont interdit le mot «clochard » en croyant que l’abolition du mot entraînerait de facto l’abolition de la chose et que, de ce fait, il n’y aurait plus de clochards. En effet, il n’y eu plus que des « sans domiciles fixe », avant qu’ils ne deviennent  des « SDF » ou des victimes du « mal-logement »…
Plus d’aveugles mais des « mal-voyants », plus de handicapés, mais des « personnes en situation de handicap », etc. Les mêmes ont pensé qu’en abolissant le mot « race » on supprimerait le racisme, tout en pouvant continuer cependant à être antiraciste – c’est-à-dire à s’opposer à une discrimination entre des choses qui n’existent pas. Croire qu’agir sur les mots, c’est agir sur les choses ne relève pas d’une complexification du langage, mais, bien au contraire, d’une régression du langage vers ses premiers moments. Cette fausse politisation de la langue travaille à une vraie dépolitisation de la société.

Também aqui, pelo José do «Porta da Loja» -  a ditadura está entre nós.

13/07/19

"As três bençãos"


Temos aqui falado da psicologia positiva criada pelo psicólogo Martin Seligman e da teoria do bem-estar que integra, entre outras medidas, as emoções positivas.
Temos tendência a dar relevo ao que de errado acontece na nossa vida e no meio social em que vivemos. O que atrai mais a curiosidade das pessoas, nos eventos sociais e políticos descritos pela comunicação social, são essencialmente os assuntos negativos e as notícias com maiores audiências são acidentes, desastres naturais, todo o tipo de violência, conflitos políticos, guerras ...
Por outro lado, a nível pessoal, na avaliação que fazemos dos nossos comportamentos, em geral, temos tendência a dar mais relevo ao que fizemos errado e a quem nos fez mal; vamos para a cama e não conseguimos dormir porque algo aconteceu que foi perturbador durante o dia e ficamos ali a ruminar nesses pensamentos negativos.

Seligman, tem vindo a estudar o que é a felicidade e o bem-estar. O bem-estar tem cinco elementos básicos:
1) a emoção positiva, da qual a felicidade e a satisfação com a vida são dois aspectos;  2) o envolvimento; 3) as boas relações ; 4) o significado; 5) realização pessoal.

O que é necessário para ser feliz ou ter uma vida boa? O triângulo ser rico, ter poder e sucesso social é talvez o que move muita gente. Porém, podemos perguntar quantos milhões de euros são necessários para fazerem a nossa felicidade, ou a que preço fica o poder ou o sucesso. Os dias de hoje são elucidativos quando a corrupção de milhões, todos os dias com novos casos, nos deixa estupefactos sobre a indignidade e também fragilidade do ser humano, face a estas três situações.
Ou, pelo contrário, a felicidade será ser capaz de desenvolver e atingir o potencial humano sentindo-nos desta forma mais felizes… e o bem-estar está em aumentar as nossas emoções positivas, as relações positivas e a autorrealização? Esta perspectiva psicológica - a psicologia positiva - é mais enriquecedora do que a perspectiva psicopatológica do disfunconamento mental.

O trabalho de procurar o funcionamento positivo da nossa mente pode ser desenvolvido com crianças, adolescentes e adultos. Com base na perspectiva de Seligman, trabalhava com os meus alunos, sobre as forças positivas que cada um de nós tem, tentando descobrir aquelas que são os pontos fortes da sua personalidade. Era interessante verificar como, por vezes, ficavam surpreendidos com as suas forças positivas que eles desconheciam de uma forma estruturada.
A gratidão é uma dessas forças. Já aqui falámos várias vezes sobre ela.

Hoje queria falar de outro exercício proposto por Seligman. (pag. 47)
A dor e a perda que mais tarde ou mas cedo perpassa pela nossa vida transformam-nos e podem conduzir a estados depressivos ou a sentimentos mais profundos de compreensão do que somos na realidade interior e na relação com os outros.
E, embora possam ter os seus pontos mais perturbadores em determinados momentos, todos os dias nos confrontamos com estes sentimentos, com a nossa cultura de preocupação e de ansiedade.
Seligman propõe o exercício das "três bênçãos", que consiste no seguinte:
Durante a próxima semana, antes de ir dormir, em 10 minutos, escreva três situações que correram bem durante um dia, considerando-se o porquê de isso ter acontecido.
Podem ser acontecimentos importantes mas também os mais simples do nosso quotidiano.
No princípio poderá parecer estranho mas o mais provável é que daqui a seis meses esteja menos deprimido, mais feliz e viciados neste exercício.

Neste período de férias que se vai seguir queria deixar uma nota positiva para o bem-estar de cada um. Às vezes as ideias simples e positivas são as mais eficazes. Gostava de despertar em si este sentimento de que é uma pessoa abençoada.
Boas férias.

06/07/19

"Mitos climáticos" 13


Clima, narcisismo e educação parental

O narcisismo está presente na nossa vida, faz parte do nosso desenvolvimento e quando equilibrado dá-nos uma imagem positiva através dos outros. Mas em excesso ele é perturbador.

Freeman Dyson, físico famoso, citado por Rentes de Carvalho, refere, em entrevista, o seguinte
- É interessante notar – diz o jornalista – que muitos (cientistas) cépticos acerca do aquecimento global são pessoas idosas. Porque será?
Dyson permanece calado alguns segundos, o seu olhar preso no do interlocutor:
- Os cientistas idosos são financeiramente independentes e podem falar com toda a liberdade… Fora de dúvida existe um lobby do clima. Há um vasto número de cientistas que ganha dinheiro assustando o público. Não digo que o façam conscientemente, mas é facto que muitos rendimentos provêm desse medo.
O presidente Eisenhower disse um dia que o poder dos militares em determinado momento se torna perigoso, pois é tão grande. O mesmo se constata com o lobby do clima: com o poder de que dispõe torna-se perigoso
Esta separação entre idosos cépticos e jovens defensores do aquecimento global parece ter associadas a culpabilização dos pais e antepassados, por terem estragado o planeta que vão deixar aos vindouros, um planeta em ruínas e sem conserto, e a autoflagelação, dado que os jovens são o ideal que esperávamos de nós próprios, eles são a consciência que nos faltou. Não fomos capazes de lhes transmitir uma sociedade perfeita, uma educação perfeita, um clima perfeito e somos culpados de produzir CO2 em excesso...
Fazemos tudo para que nada lhes falte, das necessidades mais básicas à gestão de expectativas de patamares de excelência nas suas profissões que nós não conseguimos para nós próprios.
Toleramos ou apoiamos as manifestações e as faltas às aulas porque eles estão a lutar contra as nossas falhas na educação parental.
Permitimos que faltem ao respeito aos professores e que exerçam bullying e ciberbullying contra os colegas.
Não compreendem nem lhes importa saber como foi possível terem o nível e a qualidade de vida que têm, neste momento, na Europa. Usam a electricidade, o frigorífico, o automóvel, a climatização, as autoestradas, os transportes... como se isso não existisse para o ambiente. *
Não têm qualquer gratidão aos mais velhos que conseguiram uma vida melhor, pelo sofrimento que tiveram com várias guerras, com a criação da Europa como a zona democrática do mundo onde melhor se vive actualmente. **

E nós os mais velhos perguntamos onde é que errámos? O que se passa com os nossos "príncipes" e "princesas" ?
De facto, errámos e erramos quando não lhes dizemos:
Que educação não se faz sem sofrimento, real e simbólico, através da integração na comunidade, de que a linguagem aproxima mas também afasta dos outros;
Que a educação se faz de forma a terem que lidar com limites e também com a frustração;
Que é necessário, por vezes, dizer não;
Quando não se pode diluir a responsabilização individual em relação a droga, álcool e outros comportamentos aditivos, na ideia de que  “não são todos assim ?";
Quando apagamos as relações hierárquicas no interior da família e não respeitamos os lugares e funções diferenciadas de cada um no grupo familiar;
Quando não lhes damos oportunidade de serem críticos das falsas verdades oficiais em que vivemos, como a das alterações climáticas por acção do homem.

___________________
* Usam computadores, telemóveis sofisticados... desde que o lítio venha de outros países...  
** São descartáveis e são um problema social...


02/07/19

"Mitos climáticos" 12


"Alterações climáticas" - Blog "Corta-Fitas", por  Henrique Pereira dos Santos...


«...Hoje, muito mais que declarações de emergência climática por parte de parlamentos (sobre as quais manifesto o mesmo desinteresse que por Greta Thundberg), interessam-me as opções dos consumidores que obrigam as empresas a mudar os seus modelos de negócio, interessam-me as empresas que por opção interna olham seriamente para as melhorias de eficiência do processo produtivo e investem na inovação que responde às necessidades sociais, incluindo as necessidades de mitigação e adaptação climática.
Os Estados, com certeza, têm um papel nesse processo, por exemplo, quando resolvem taxar o trabalho e o capital em detrimento do consumo, ou quando resolvem apoiar a produção em vez de colmatarem falhas de mercado, ou quando confiam ou não confiam nos seus cidadãos.
Na verdade o potencial para os Estados intervirem negativamente na sociedade é muito grande (logo à cabeça, na limitação da liberdade, por terem o monopólio da violência legal, como é bem visível no triste episódio do prédio Coutinho, em que o Estado pretende resolver coercivamente um erro seu, em vez de o resolver por via negocial), mas o potencial para criarem riqueza e soluções novas é muito limitado, muito menor que o potencial da multidão criar riqueza, novidade e soluções, desde que tenha liberdade para empreender e falhar, por sua conta e risco.
A segunda coisa que me distingue de boa parte dos meus amigos é que eu acho normal que pensem de forma diferente da minha e aceito isso, mas muitos deles recusam-se simplesmente a discutir esta divergência essencial, preferindo eliminá-la para não atrasar a transformação social que acham urgente.
E eu acho essa atitude um erro que se pagará caro, se for a atitude dominante sobre o assunto.»

 
"O Verdete da esquerda" -  Blog "Porta da Loja"


«A ecologia é o último refúgio da esquerda totalitária. O trend, a brand destes tempos é a ecologia orientada para a modificação do mundo, desiderato de sempre desse totalitarismo.
A maioria esmagadora dos media segue a onda, a marca, ao ponto de dar crédito a uma rapariguinha de 16 anos cuja formação científica é incipiente e despreza os cientistas experimentados que não seguem a cartilha.
A denúncia deste novo totalitarismo é apresentada no número desta semana da revista francesa Valeurs Actuelles.»
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