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11/12/17

Direitos das crianças



Criada pelas Nações Unidas, a UNICEF iniciou suas actividades em 11 de Dezembro de 1946.  "Agência das Nações Unidas que tem como objectivo promover a defesa dos direitos das crianças, ajudar a dar resposta às suas necessidades básicas e contribuir para o seu pleno desenvolvimento.
A UNICEF rege-se pela
Convenção sobre os Direitos da Criança, e trabalha para que esses direitos se convertam em princípios éticos permanentes e em códigos de conduta internacionais para as crianças."

29/11/17

Direitos das crianças


 M. - 7;3(10)

Comemorou-se, a 20 de Novembro, mais um   Dia Universal dos Direitos das Crianças. Foi neste dia, em 1959, que se proclamou mundialmente a Declaração dos Direitos das Crianças e a 20 de Novembro de 1989 que se adoptou a Convenção sobre os Direitos da Criança , com o objectivo de salientar e divulgar os direitos das crianças de todo o mundo, consciencializar a população para a situação das crianças no mundo e para a necessidade de agir no sentido da promoção do seu bem-estar e do seu desenvolvimento saudável.
Todos conhecemos  os Direitos das Crianças que, basicamente, são os Direitos Humanos, como o direito à vida, à liberdade, à protecção contra a violência, à não discriminação, a um nome  e uma nacionalidade, à alimentação, habitação, a brincar,  saúde, educação...

Tenho-me dedicado, especialmente, a defender e promover a aplicação do artº 6º da Declaração,  que diz:
“A criança precisa de amor e compreensão para o pleno e harmonioso desenvolvimento da sua personalidade.
Na medida do possível, deverá crescer com os cuidados e sob a responsabilidade dos seus pais e, em qualquer caso, num ambiente de afecto e segurança moral e material; salvo em circunstâncias excepcionais, a criança de tenra idade não deve ser separada da sua mãe. A sociedade e as autoridades públicas têm o dever de cuidar especialmente das crianças sem família e das que careçam de meios de subsistência. Para a manutenção dos filhos de famílias numerosas é conveniente a atribuição de subsídios estatais ou outra assistência.”

Apesar da evolução que tem havido no nosso país, em que a maioria das crianças tem os seus “direitos básicos” assegurados, temos que melhorar em muitos aspectos. Um deles diz respeito à promoção da Saúde Psicológica.
A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) apresenta alguns dados que  merecem ser reflectidos :
- O aumento do número de crianças que sofrem de problemas de Saúde Psicológica relacionados com violência nos vários contextos em que vivem;
- O nível de pobreza e de exclusão social (2,6 milhões de Portugueses em risco);
- As falhas nos apoios às crianças / jovens com Necessidades Educativas Especiais (NEE);
- As crianças em idade escolar são muitas vezes vítimas de bullying – cerca de 1 em cada 5 – estimando-se que apenas 10% a 15% recebam a ajuda de que precisam;
- Em 2016, 3,7% das crianças e jovens Portuguesas (71.016) foram  acompanhados pelas Comissões de Promoção e Protecção das Crianças e Jovens (CPCJ), cerca de 33% das mesmas por "Exposição a Comportamentos que podem comprometer o bem-estar e o desenvolvimento" e 8,6% devido a maus-tratos: físicos (4,8%), psicológicos (2,1%) ou a abuso sexual (1,7%).

Refere ainda a OPP que a "violação" destes Direitos afecta o dia-a-dia das crianças e  o seu futuro:
- está associada ao insucesso e abandono escolar, ao aumento da violência, à instabilidade no emprego ou ao défice no funcionamento social,
-  a vulnerabilidades emocionais, à psicopatologia,
- e à transmissão intergeracional de padrões de relacionamento e de comportamento disfuncionais que se reflectirão nas gerações futuras.
- "Muitos destes padrões conduzem frequentemente a uma espiral de desvantagens e de vulnerabilidades, difíceis de reverter, e que representam custos sociais e económicos elevados, contribuindo para um País mais desigual e com menos coesão social.”

Neste dia, como em todos os dias, é necessário defender e promover os Direitos das Crianças de forma a que cada criança tenha “o amor e compreensão de que necessita para o desenvolvimento da sua personalidade".

08/10/17

Mãe e filhos


1. É importante falar, escrever e fazer a divulgação da relevância  para o desenvolvimento da relação da mãe com os filhos. Esta interacção privilegiada, a vinculação 1, coloca em relevo o importante papel que a mãe assume nesse desenvolvimento.  É um comportamento inato dos primatas e em particular dos humanos.
"Embora o conhecimento esteja longe de ser definitivo 2, a investigação permitiu já concluir que os laços que se estabelecem entre mãe e filho constituem o primeiro modelo de relacionamento humano do bebé, potenciando uma sensação  de segurança e de autoestima positiva. Além de que a resposta dos pais aos sinais do bebé também pode influenciar o desenvolvimento social e cognitivo do bebé. Não há, contudo, uma fórmula mágica: é uma experiência pessoal e complexa que não pode ser forçada." (p. 16)
Este processo de vinculação começa muito antes do parto e continua depois do nascimento. De facto, "quando o parto acontece, já se pode dizer que os dois se conhecem, sendo reconhecido que a ligação afetiva que se estabelece durante a gestação é um dos processos mais importantes desses nove meses. É verdade que essa intimidade é sensível a um conjunto de variáveis, nomeadamente a idade da mãe, o apoio familiar e social recebido, o contexto da própria gravidez. Mas também é verdade que, após o nascimento é fundamental consolidar os laços que se começaram a gerar durante a gestação." (p.15)

Há situações, em que por diversas circunstâncias (falecimento, separação forçada pela guerra, acidentes, doença...) a mãe não está presente, e a vinculação é feita a pessoas de referência da criança... Mas esta é uma situação inultrapassável e não há outra resposta mais adequada para o desenvolvimento adequado e seguro da criança.
A adopção surge também como uma dessas possibilidades em que o superior interesse da criança passa por este tipo de resposta, sendo preferível  à institucionalização, p ex..


A partir dos anos 50 do século passado, a psicologia passou a dispor de um conjunto de dados resultante da investigação animal e humana que fundamentaram com segurança este processo de interacção.
Há alguns anos, R. Zazzo recolheu em livro a opinião de vários especialistas sobre  a vinculação. A mudança conceptual que vinha trazer em relação à necessidade primária que a vinculação representava, mostrava uma perspectiva diferente da  relação mãe-filho.  Ficava em questão quer o conceito da psicanálise enquanto defensora de que essa vinculação era secundária em relação à necessidade primária de alimentação, como o do behaviourismo que seria secundária em relação ao reforço.


Para Bowlby (O vínculo mai-filho e a saúde mental, Galiza editora) "a vinculação não é exclusiva da nossa espécie já que existe igualmente tal como o demonstraram outros autores (como Harlow, Hinde e Lorenz) na primeira infância de muitos mamíferos e algumas aves." (p.13)
A teoria da vinculação (apego) é um modo de conceptualizar a tendência dos seres humanos a estabelecerem fortes vínculos afectivos com outros seres particulares e de explicar as múltiplas formas de aflição emocional e transtorno da personalidade que compreendem a ansiedade, a ira a depressão e o desapego emocional a que dão lugar a separação e a perda não desejadas" (p. 27)
O DSM caracteriza a Perturbação reactiva de vinculação da primeira infância e início da segunda infância. (No Brasil, "Transtorno de apego").

2. A gestação de substituição, aprovada em conselho de ministros, (Decreto Regulamentar n.º 6/2017- DR n.º 146/2017, Série I, de 2017-07-31) 3 certamente tem muito a ver com o que se disse antes  e os senhores deputados devem ter ponderado o assunto, seriamente. De facto, a mãe é indispensável para o desenvolvimento da criança. Por isso, para este efeito há necessidade
"d) De uma declaração de psiquiatra ou psicólogo favorável à celebração do contrato de gestação de substituição".
 Apesar do risco, parece compreensivo que haja situações excepcionais em que a gestação de substituição tenha  lugar.

Por outro lado, há cláusulas que não se sabe como vão ser resolvidas, na prática, e como vai ser feito o seu controlo, como:
"k) A gratuitidade do negócio jurídico e a ausência de qualquer tipo de imposição, pagamento ou doação por parte do casal beneficiário a favor da gestante de substituição por causa da gestação da criança, para além do valor correspondente às despesas decorrentes do acompanhamento de saúde efetivamente prestado, incluindo em transportes".

3. Seja como for, o DR estipula as condições da gestação de substituição. Fora destas situações e fora dos limites impostos, trata-se de um negócio que nunca deixará de ser outra coisa senão a compra e venda de crianças.

4. O caso Cristiano Ronaldo, como escreve H. Raposo ou Isabel Stilwell, tendo em conta os direitos da criança a ter uma família não cabe nesta situação porque a legislação portuguesa não o permitiria. Mas a moral também não.  
Podemos ser fãs de Ronaldo, apreciar as suas atitudes e comportamentos nas diversas  situações desportivas, reconhecer a sua caridade ou filantropia para com os outros, nomeadamente as atitudes relativamente a crianças com dificuldades de saúde ou outra ordem, acompanhá-lo até ao fim do mundo, porém, o nosso caminho tem, necessariamente, que acabar aqui. Como Saramago, "até aqui cheguei", mas não daqui em diante.4

5. Do ponto de vista psicológico, qualquer situação deste tipo, configura uma situação de risco de vinculação. Ou seja, uma situação de risco em relação aos direitos da criança.

___________________
1. Maria Rita Silva, «Mãe e filhos: uma relação única», PH, nº 15, Maio-Junho 2017.

2. Discute-se a questão da vinculação e critica-se que "La relation mère-enfant devient le seul objet de l’évaluation, elle est donc réalisée indépendamment de la relation paternelle (ici les absents n’ont pas toujours tort), de l’environnement familial élargi et du contexte culturel, économique et social dans lequel l’enfant a évolué." Le cercle psy
" Surtout diverses enquêtes, dont celles qui ont servi de base à la notion de résilience, montrent que bon nombre d’individus mal partis déjouent tous les pronostics. Inversement, d’autres tournent mal alors qu’ils ont bénéficié d’un soutien parental sans faille. L’attachement sécure est un atout, pas une baguette magique. Ni sans doute un ingrédient indispensable." J.- F. Marmion, Le cercle psy

3. A designação  "barrigas de aluguer" mostra bem que a natureza deste negócio não se coaduna com a letra ou o espírito do normativo  (Decreto Regulamentar n.º 6/2017DR).

4. Mesmo com a militância política de Saramago é necessário reconhecer-lhe a grandeza moral de condenar o regime cubano. De facto, quando "O governo cubano executou na sexta-feira passada três homens sumariamente condenados por assaltar uma balsa com o propósito de fugir para os EUA" , Saramago escreveu: "Até aqui cheguei. De agora em diante, Cuba seguirá seu caminho, e eu fico onde estou. Discordar é um direito que se encontra e se encontrará inscrito com tinta invisível em todas as declarações de direitos humanos passadas, presentes e futuras. Discordar é um ato irrenunciável de consciência." 16 de Abril de 2003, Folha de S. Paulo.

05/06/17

Ambiente e saúde


Durante esta semana, a 5 de Junho, passa mais uma comemoração do dia mundial do ambiente. Como acontece com as comemorações de outros dias mundiais, desde o seu início, em 1974, o Dia Mundial do Ambiente tem servido para "sensibilizar, consciencializar, chamar a atenção, assinalar que existe um problema por resolver, um assunto importante e pendente na sociedade para que através dessa sensibilização os governos e os estados actuem e tomem medidas ou para que os cidadãos assim o exijam aos seus representantes" (ONU)
Passados 43 anos desde o início do dia mundial do ambiente podemos dizer que os progressos não foram grandes. Por exemplo, a semana passada falámos do problema ambiental relacionado com o Tejo, devido à poluição e à central nuclear de Almaraz, e do significado ecológico e cultural para as populações que vivem ou não na sua proximidade.
Não será por isso que as coisas deixam de ser o que são ou que o aquecimento global deixará de se verificar se nada for feito. Também aqui tem que haver alternativas e o importante é procurar chegar a acordo com todas as partes, realizar estudos aprofundados sobre as suas causas e sobre o que cada estado deve fazer e deve suportar para melhorar o estado do ambiente. Porque  o ambiente é assunto que diz directamente respeito à vida e à saúde das pessoas e não pode deixar de ser um problema actual e para as próximas gerações.
Uma grande e boa surpresa foi a publicação (2015) da Carta encíclica Laudato si, do Papa Francisco, sobre o ambiente e o cuidado da “casa comum”.
A questão inicial é "que tipo de mundo queremos deixar a quem vai suceder-nos, às crianças que estão a crescer ?"
No fundo é uma questão geral sobre o sentido da vida e sobre os valores que a fundamentam: « Para que viemos a esta vida? Para que trabalhamos e lutamos? Que necessidade tem de nós esta terra?»
Francisco refere vários aspectos da actual crise ecológica: As mudanças climáticas, o acesso à água potável, a preservação da biodiversidade, a dívida ecológica.

Foi também uma boa  surpresa o livro de Manuel Pinto Coelho, Chegar novo a velho (2015) pela ligação que estabelece entre saúde ambiental e saúde individual, física e mental. Pinto Coelho  cita Francisco: “ a violência presente nos nossos corações está também reflectida nos sintomas da doença evidente no solo, na água, no ar e em todas as formas de vida” (p 154)
Nesta matéria, “a exposição ambiental às toxinas e metais pesados na nossa sociedade está a tornar-se uma condição clínica cada vez mais significativa nos dias que correm”.
Metais pesados como chumbo, mercúrio, arsénio, níquel, cádmio, alumínio e muitos outros, ou toxinas presentes praticamente em todo o lado: centrais eléctricas, automóveis, diesel, metalúrgicas e fundições, agricultura, esgotos, produtos de cosmética… constituem graves perigos para a saúde.

Francisco sabe que não é fácil reformular hábitos e comportamentos mas a «mudança nos estilos de vida», das pessoas, governos e  empresas, é o caminho.
Como em tantas outras situações, a educação e a formação são instrumentos centrais para essa mudança se concretizar.
Há esperança de que  cada um de nós comece por mudar a sua relação com o ambiente, nas pequenas coisas, como evitar o desperdício de água, luz ou alimentos.
Como diz Francisco: «nem tudo está perdido, porque os seres humanos, capazes de tocar o fundo da degradação, podem também superar-se, voltar a escolher o bem e regenerar-se ».

24/05/17

"Normidável" ou "normopata"

Experiência de Asch

A psicologia social experimental permite conhecer mais profundamente o funcionamento mental das pessoas enquanto sujeitas a pressões do grupo a que pertencem.
Os  indivíduos ou grupos  tornam-se conformistas para evitar o conflito entre  opiniões diferentes (a da maioria e a do indivíduo ou grupo minoritário) e a rejeição pela maioria. (Solomon Asch) 1
O conformismo 2 pode resultar de vários factores como a falta  de informação, pressão da norma, atractividade do grupo maioritário, ou, ainda, do evitamento de sanções que são aplicadas aos desviantes ou inconformistas. Neste caso, de inconformismo, o indivíduo ou o grupo reage à submissão, não se conformando a crenças ou comportamentos do grupo.
A norma é "um conjunto de valores, regras, tradições e padrões  partilhados por um grupo social que regem as relações entre os seus membros" (Maxime Morsa, «Normidabe!!!» et si la norme nous voulait du bien?, le cercle psy,nº 23, p.80-83). Mas também pode acontecer que  não nos identificamos com aquelas regras, valores, tradições e padrões  do grupo.  É nisto que consiste este aspecto paradoxal da norma.
É importante ser aceite pelo seu grupo de pertença e não se pode ir contra as normas que ele defende. As normas são muito importantes no grupo de pares e ser excluído do grupo é, psicologicamente e fisicamente, desagradável.(M.Morsa)
Quando somos crianças e alunos uma das piores coisas que nos pode acontecer  é sermos excluídos do jogo do grupo. Muitas queixas aos professores e aos pais  acontecem porque "os meninos não querem brincar comigo...” ou, o que pode ser uma forma de bulling, quando os colegas combinam nunca passar a bola a um determinado aluno, excluindo-o dessa forma do grupo, quando é sempre o último a ser escolhido para a equipa, ou, quando muito, é, sistematicamente, obrigado a ficar a baliza.

É fundamental para o indivíduo ter um quadro de referência  e incluir o  grupo de pertença. Sem a norma viveríamos numa incerteza total e permanente o que tornaria a existência muito desconfortável. Imaginemos viver num mundo onde não se faça ideia do  que se considera como bem ou mal, aceitável ou não, valorizado ou não ... Não se pode começar tudo de novo todos os dias, a   norma tem um efeito informativo que nos permite agir. Felizmente ela é dinâmica e varia no tempo e no espaço, o que  significa que ela pode mudar  quando é infundada,  faz parte da construção da realidade e nós próprios participamos na sua construção. (M.Morsa)
Podemos estar então perante normas divergentes conforme o grupo social a que se pertence e dentro do próprio grupo social. 3
A normas são o quadro de referência para o individuo e grupo, e esse é o lado positivo, mas podem também levar ao conformismo que tem a força  negativa de avaliação e discriminação dos outros, ou de  normopatia, que leva a formas de pensar e de agir rígidas que não deixam a pessoa mudar mesmo perante a evidência da realidade e da verdade como acontecia com a experiência referida.
"A normopatia  diz respeito à ausência de subjetividade para reagir perante o que acontece à sua volta, numa atitude extrema de conformismo". M. Fontes, Knoow 4
Quando a norma é vivida desta forma, provavelmente, apenas traz sofrimento ao próprio e aos outros, como está a acontecer com a submissão a grupos de vários tipos, como grupos autoritários e terroristas.

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1 Para Asch, o conformismo corresponde a seguidismo, ou seja, o sujeito conserva a sua própria opinião mas assume publicamente a opinião da maioria.
Para Serge Moscovici o conformismo distingue-se do seguidismo, que é a vontade de parecer conforme à norma, o que constitui uma modificação aparente e superficial dos comportamentos, sem mudança real da convicção interna. (Wikipedia - Conformidade)
2 A quase uma terça parte das perguntas os sujeitos deram a resposta errada (32%).
3 As redes sociais são bem o exemplo de grupos de pertença onde cada um defende as normas do respectivo grupo social. Os estudos também indicam que temos tendência a sobrestimar o número de pessoas que estão de acordo com as nossas opiniões nas redes sociais. (M. Morsa)
4 Pierre Weil  refere o termo “normose”.

Bibliografia
Quão poderosa é a tendência para a conformidade social? Solomon Asch (1907-1996), O livro da psicologia, Marcador, p. 224-227
Maxime Morsa, «Normidabe!!!» et si la norme nous voulait du bien?, le cercle psy,nº 23, p.80-83

18/05/17

Atavismos culturais de esquerda


No último fim de semana, em especial no dia 13 de Maio, vários acontecimentos, como a visita do papa a Fátima, a vitória de Salvador Sobral no festival da Eurovisão, o tetracampeonato do Benfica, trouxeram à nossa vida colectiva algum colorido emocional e social, vivido genuinamente pelas pessoas em manifestações diversas, mas também aproveitado pelos políticos, principalmente candidatos a próximas eleições.
Embora os públicos destes eventos não sejam os mesmos, ainda que haja sobreposição em algumas situações, como acontece com portistas e sportinguistas que não tiveram um grande dia de felicidade, podemos dizer que a autoestima melhorou.
A coincidência destes sucessos nestas actividades relembram que há determinadas áreas da nossa vida colectiva que alguns insistem em ver como negativas.
Sou do tempo em que para criticar o regime político se cantava: “Paradas e procissões/Fátima, fados e bola/São as estas as distracções/De um povo que pede esmola” .
O jargão dos três “f”, “Fátima, fado e futebol”, tem hoje menos acrimónia e uma valoração diferente (o fado foi considerado património imaterial da humanidade). Já se percebeu que este país é muito mais do que estas “distracções” e também se percebeu, que não são as características nem as capacidade genuínas de um povo responsáveis pela sua sobrevivência com esmolas, ou resgates financeiros, mas a falta de capacidade para se auto-organizar, auto-governar e o desprezo pelos valores morais e espirituais. Basta olhar para o mundo para se perceber o que faz e quem faz a miséria das nações. Por isso, era tempo de nos livramos de atavismos culturais de esquerda e de todos os atavismos.
O importante era que as vitórias fossem uma aprendizagem para relevar o que são características positivas de um povo: a espiritualidade, a música, o desporto...
Talvez tenha sido na área da música que surgiu o mais inesperado: Uma música que resultou da criatividade de Luísa Sobral, arranjos de um músico vindo do jazz, Luís Figueiredo, e de uma interpretação limpa e simples onde o que releva é mesmo a música.
Não basta que haja uma melhoria da autoestima. Na realidade, as consequências desta vitória poderiam ser importantes se houvesse uma aposta na música de forma mais sedimentada, um projecto nacional que tornasse a música obrigatória em todos os anos de escolaridade do ensino básico e uma maior possibilidade de escolha no secundário.
Sabemos que a música tem grande importância no desenvolvimento do ser humano, em especial no desenvolvimento infantil. Temos informações suficientes para não podermos ignorar que:
- estudar música melhora as funções executivas do cérebro, responsáveis por capacidades como memória, controle da atenção, organização e planeamento do futuro. (Pesquisa da Universidadede Vermont, Estados Unidos)
- o contacto com a música, ainda que apenas como ouvinte, tem um grande impacto no desenvolvimento humano e prepara o cérebro para executar diferentes tipos de funções. (Elvira Souza Lima)
Por tudo isto, viva Fátima, viva o futebol, viva o fado e a música! Quando nos libertarmos dos atavimos de direita e de esquerda restará a cultura e todos os sucessos que conseguirmos obter serão vividos com felicidade, como fio condutor da nossa vida.

10/05/17

A fé, por estes dias de Maio




A fé, por estes dias de Maio, está fortemente presente na vida de muitas pessoas. Elas falam da fé nas peregrinações que decidiram fazer percorrendo os caminhos de Fátima. Para a maioria dos peregrinos esta aventura é devida à fé, para alguns, talvez, apenas à ideia de peregrinar.
A fé não é uma coisa que se compre nas igrejas, ou que se adquira estudando nos livros sagrados, ou nos outros, ou tampouco se dissolva com o ateísmo.
A fé tem uma origem e desenvolve-se ao longo da nossa vida e não é a mesma coisa quando somos crianças ou adultos. Com propriedade ouvimos algumas pessoas dizer que "o importante é crescer na fé".

Para a psicologia do desenvolvimento, de facto, a fé vai-se construindo e vai crescendo à medida que também as outras capacidades da nossa vida, cognitiva, emocional, social e moral se vai desenvolvendo. Tem crises e conflitos e pode passar por dúvidas ou parar num determinado estádio.
Em 1981, James Fowler, psicólogo e teólogo, publicou o livro Estádios da Fé - psicologia do desenvolvimento humano e a busca de sentido.
A fé para Fowler é entendida como "religiosa ou não religiosa: uma pessoa pode ter fé num deus, na ciência, na humanidade ou numa causa à qual atribui valor fundamental". (Papalia, D. e Olds, S., Desenvolvimento Humano, 7ª ed, Artmed, p 386-387)
Os estádios da fé estão na linha de pensamento de Piaget, desenvolvimento cognitivo, Kohlberg, desenvolvimento moral, Erikson, desenvolvimento psicossocial, Levinson, estádios da vida adulta, e Selman, desenvolvimento social.
Até aos dois anos de idade a criança depende de outras pessoas, adquire a confiança básica, aprende a linguagem e a ter autonomia em alguns aspectos.
A partir dessa altura, a fé desenvolve-se de acordo com os seguintes estádios:
Estádio 1: fé intuitiva-projectiva (de 18-24 meses a 7 anos): a criança esforça-se por compreender as forças que controlam o mundo. As crianças têm imagens poderosas, imaginativas muitas vezes apavorantes e às vezes duradouras de Deus, do céu, do inferno. São imagens das histórias contadas pelos adultos ou que vêem ou lêem. São muitas vezes irracionais, onde realidade e fantasia se confundem.
Estádio 2: fé mítica-literal (7 a 12 anos): as crianças estão no estádio das operações concretas e estão mais lógicas, tendem a interpretar os símbolos e histórias religiosas literalmente, enquanto adoptam as crenças e costumes da sua família e comunidade. Elas acreditam que Deus é justo e as pessoas ganham o que merecem.
Estádio 3: fé sintética-convencional (adolescência ou posteriormente): O adolescente é capaz de raciocínio abstracto. À medida que busca a identidade procura um relacionamento mais pessoal com Deus. A sua identidade ainda não tem bases seguras e procura os outros em busca de autoridade moral. A sua fé não é questionada e conforma-se aos padrões da comunidade.
Estádio 4: fé individual-reflexiva (desde os 20 anos.): os adultos que atingem este estádio pós convencional têm uma fé crítica, subjectiva e pessoal, independentemente da autoridade externa e das normas do grupo.
Estádio 5: fé conjuntiva (meia-idade e depois): as pessoas tornam-se mais conscientes dos limites da razão. Conhecem os paradoxos e as contradições da vida e lutam com os  conflitos entre a satisfação dos seus próprios desejos e o sacrifício pelo outro .
Estádio 6: fé universal (terceira idade): Vai para além das culturas e credos. Estádio socialmente proactivo e propositivo de ideias que rompem com o estabelecido. Fowler coloca neste estádio líderes espirituais e morais como Gandi, Luther King, Madre Teresa... (Papalia, D. e Olds, S., Desenvolvimento Humano, 7ª ed, Artmed, p 386-387)

Nunca o mundo precisou tanto de pessoas com estes níveis de desenvolvimento da fé, de líderes simples, humanos e lúcidos, para quem a vida de uma só pessoa vale a luta pela paz.

22/03/17

Birras “boas” e birras “más”

As birras não são apenas manifestações do comportamento infantil, também acontecem com os adolescentes e os adultos.
São diferentes das birras das crianças, isto é, enquanto as birras infantis são barulhentas e dão muito nas vistas, as dos adolescentes e adultos também têm aspectos espalhafatosos mas são mais de carácter silencioso. São igualmente perturbadoras para o próprio, e para quem se pretende atingir, e, em geral, duram muito mais tempo. Pode ser atirar a loiça ao chão, ou o que estiver à mão, mas os amuos, por tudo e por nada, são o comportamento mais habitual. 
Pretende-se atingir outra(s) pessoa(s) pelo silêncio, pelo isolamento, pela não participação, de forma a que se possa impor a própria vontade e os ganhos que daí resultam. 
Como acontece com as crianças, é sempre uma forma de quebrar as regras, perder o controlo e testar os limites.
O pediatra Mário Cordeiro fala das birras que, frequentemente, acontecem no quotidiano dos adultos, p, ex. no trânsito, quando o outro condutor estaciona o carro à nossa frente, no lugar que pensávamos já ser nosso e fazemos uma cena porque achamos que temos direito ao lugar…
Ou quando no café, na esplanada, fazemos uma cena se não somos imediatamente atendidos porque não queremos ou não somos capazes de esperar a nossa vez... Isto é, não sabemos lidar com a frustração.
No entanto, nos adultos, há birras que podem ser consideradas reacções saudáveis face a comportamentos desajustados de outras pessoas e que não são mais do que formas de reacção e manifestação da gestão emocional perante as injustiças. Às vezes é melhor “deixar sair” a raiva e a irritação do que sentirmo-nos culpados pelos desajustamentos dos outros.
Isabel Stilwell conta como aprendeu a fazer birras com as netas. “As minhas netas contagiaram-me com a eficácia da birra, e temo que lhe tenha tomado o gosto. Percebi como gritar e bater os pés, atirar objectos para longe e deixar-me apoderar pelos nervos tem um efeito extraordinário de catarse sobre as desilusões e as irritações acumuladas” (Diário de uma avó galinha, pag 94)
Perante uma injustiça, somos sensíveis, incomodamo-nos com as coisas desagradáveis que nos acontecem, mas logo a seguir a irritação “vai embora” e voltamos à serenidade. 

As birras são uma doença mental? Como sabemos o DSM (Manual de diagnóstico e estatística das doenças mentais) é a “cartilha” onde estão inscritas as diversas doenças mentais. É, sem dúvida, de grande utilidade para o trabalho clínico, mas, apesar disso, deve ser usada com todos os cuidados, principalmente, quando se trata de crianças.
Tanto mais que, ao longo dos anos, têm sido feitas várias revisões, e a última, a quinta, tem recebido várias criticas pelo facto de “patologizar” a normalidade.
Relativamente às perturbações mentais infantis, conhecemos bem, p. ex., o que aconteceu com o diagnóstico de “perturbação de hiperactividade com défice de atenção” (PHDA) que levou ao aumento do número de casos diagnosticados com essa doença e, como consequência, levou ao aumento extraordinário do consumo de medicamentos.
É necessário, ser muito cauteloso, na distinção do que são crises normais de comportamento inscritas no desenvolvimento psicológico daquilo que são crises patológicas.
Pensar que as birras constituem um quadro de “perturbação disruptiva de desregulação do humor” pode se um erro de diagnóstico com consequências graves para a criança.
Em relação às crianças aliás, qualquer diagnóstico deve ser prudente dada as características do desenvolvimento infantil. “Os diagnósticos de crianças deviam ser escritos a lápis”, defende Allen Frances.
O stress, as birras, as experiências com altos e baixos, a tristeza, o luto, os contratempos, fazem parte da vida, são problemas normais e não patológicos. E não faz sentido medicar o que é normal. *
_______________________
 * Encontra inúmeros sites que dão conselhos (dicas) para lidar com as birras das crianças. Em "Birra de criança: tudo que você precisa saber sobre ela", há conselhos adequados e talvez eficazes.

15/03/17

As birras são para ver e ouvir


Entre o nascimento e os 3 anos de idade a criança faz uma série de conquistas extraordinárias no domínio do seu autocontrolo. Pelo ano de idade adquire a locomoção, entre os 18 meses e os 2 anos, o domínio da função simbólica, designadamente da linguagem, pelos 3 anos o domínio do controlo dos esfíncteres (média de 33,3 meses, Brazelton, pag. 264).

Porém, há outras situações em que esse controlo se está ainda a fazer, o controlo emocional de responder ajustadamente ao contexto social em que se insere está longe de estar adquirido.
E é precisamente em momentos mais ou menos inesperados que surgem comportamentos mais bruscos como as birras.

“As birras nascem de forças interiores que a criança procura controlar. Embora o controle a partir do exterior possa certamente ajudá-la a consegui-lo por si mesma, o objectivo último consistirá em que ela constitua o seu próprio limite. Por isso, o papel dos pais torna-se o de verem onde é que ela necessita de controles e ajudarem-na a encontrá-los sozinha.” (Brazelton, p. 43)

As birras surgem quando aquilo que pode não ter importância para nós, pode ser importante para a criança. “ E o importar-se (é) um reflexo da agitação interior provocada pela tomada de decisão com que nos defrontamos quando as decisões se tornam nossas e já não são tomadas por um dos pais. É muito provável que as birras sejam necessárias e sejam expressão íntima dessa perturbação. São adequadas à idade.”

Há alguns mitos acerca das birras que muitas vezes levam a que os pais se perguntem o que fizeram de errado na educação dos filhos.
Um mito é o de que “as birras são o reflexo de uma verdadeira perturbação da criança e a marca de um a amor materno fraco.”
“Outro mito é sobre o que deve ser feito para travar as birras o que é mais um sinal de que são más – como se tivessem de ser um sinal neurótico ou pudessem fazer mal à criança se se permitir que continuem.”
Este tipo de pensamento leva os pais a terem que fazer alguma coisa para lhes por fim ou distraírem a criança com outra actividade. O problema é que muitas vezes os esforços não resultam e ficam agitados, tentam punir a criança…

Muitas birras ocorrem em casa, às refeições, ao adormecer… mas é nas várias situações sociais que se tornam verdadeiramente espectaculares como no restaurante ou no supermercado. É verdade que no restaurante as pessoas pagam a sua refeição e desejam estar num ambiente agradável. Mas o que fazer quando inesperadamente uma criança decide fazer birra ? De repente todo o restaurante fica em silêncio para se ouvir apenas o choro da criança, às vezes acompanhado por alguma agitação motora.
Às vezes, é, apenas, a reacção ao que vai comer: “ já disse, não gosto de coisas verdes!”; outras vezes, é porque o sumo não vem quando o do irmão, outras vezes é por nada... E lá temos o restaurante virado para a nossa mesa certificando-se donde vem aquela decisão tão solene e espalhafatosa; muitas vezes, ainda, as birras podem resultar da frustração da criança quando os pais não cedem à manipulação... 

Que fazer? O papel dos pais deve ser o de compreenderem que se algumas birras podem ser prevenidas como acontece quando a criança esta cansada, com sono ou fome … outras são inevitáveis. 
“Acho que o papel dos pais nessa altura deve residir em confortarem e harmonizarem os aspectos dessa luta. Recuarem completamente por medo de desencadearem birras ou envolverem-se tanto que acabem por também terem uma explosão não será, com certeza, ajuda para o bebé. Pegarem-lhe para o acarinharem e confortarem depois e perceberem que são necessários limites, quer o bebé reaja com uma birra quer não, talvez sejam os melhores papéis que os pais podem desempenhar.” (Brazelton, pag. 43) 
Também as pessoas devem compreender que as crianças vivem na família e na sociedade e sentir, dessa forma, como assunto nosso. 
Não gostamos que as crianças tenham estes comportamentos mas devemos saber que eles são inevitáveis. 
Em geral, pouco adianta o cliché "os pais não sabem dar educação aos filhos…" 
Talvez possam ajudar mais os pais e as crianças se também perceberem que quando surge uma birra se trata de uma criança a aprender os seus limites e a melhor forma de tomar decisões. 

16/11/16

"O sonho do século"


Há mais de cem anos, Sigmund Freud  fez importantes descobertas sobre o psiquismo. A história da psicanálise começa em Abril de 1886 quando Freud se instala em Viena como especialista de doenças “nervosas” depois de ter trabalhado em Paris com Charcot.
Perante a ineficácia dos tratamentos (electroterapia, hidroterapia, hipnotismo) aplicados a muitos doentes que não sofriam de lesões orgânicas, descobriu  a psicanálise como método de estudo do comportamento humano, teoria do comportamento e método de tratamento.
Muitos comportamentos  e doenças psicológicas passaram a ser compreendidas e vistas de outra maneira. Um dos casos que se tornou célebre foi o de Anna O. que sofria de diversas perturbações (vómitos, incapacidade de beber água, esquecimento da língua materna, paralisias).
Entretanto, verificou-se grande evolução no tratamento das doenças nervosas mas os problemas psicológicos do ser humano continuam a ser actuais, como acontece nas neuroses, casos borderline e psicoses.
Giorgio Abraham, em O sonho do século, fez um retrato do que foi e é  a psicanálise e das evoluções que entretanto se verificaram.
A profunda reflexão sobre o inconsciente, feita por Freud, veio dar-nos a real dimensão do que é a nossa vida psicológica. Provavelmente, o inconsciente não é  o dono tirânico e despótico da nossa vida psicológica mas é “uma parte submersa do ser interior que contém as nossas forças mais genuínas e poderosas” (p 21)
Freud viveu em Viena até 1938 quando, após o Anschluss (anexação da Áustria pela Alemanha)  e em razão de sua etnia judaica se  refugiou em Inglaterra.
Freud sofreu os  momentos angustiantes vividos antes da 2ª guerra mundial mas, falecido em Londres em  23 de Setembro de 1939, a guerra tinha começado em 1 de Setembro do mesmo ano,  não viria a saber da violência de que seres humanos seriam capazes, nos anos seguintes e, posteriormente, com o disseminar das guerras, durante a guerra fria ou com o terrorismo bárbaro, sem regras e sem humanidade, em que não se respeitam convenções nem tratados internacionais e os assassinos podem exibir os seus crimes nos media.
Esperávamos outro futuro. Seria preocupação suficiente para a nossa vida, conviver com o sofrimento insuportável da morte, da doença física e psíquica. Podíamos ter dado uma oportunidade à paz. Podíamos pensar que provavelmente a tarefa principal do ser humano fosse procurar por todos os meios o bem-estar (Seligman). Mas, pelo contrário,  “... a violência não faz poupança." (pag.107). 
Os conflitos internos explicam os conflitos externos. As forças destrutivas podem ser controladas pelos mecanismos de defesa. “Talvez a raíz profunda da violência seja uma forma de pressa excessiva, um sinal da nossa incapacidade de espera, uma inquietação perante o futuro, a expressão plena do medo da morte.” (p.108) Não evoluímos nesse sentido, pelo contrário as novas possibilidades tecnológicas deram oportunidades de agir a crueldade em limites a que antes não tinha chegado.
“O sonho do século”, as descobertas de Freud,  as novas descobertas, como as das neurociências, as novas terapêuticas, a compreensão dos conflitos internos, da angústia, e do tratamento das doenças psicológicas, mostram que  o horizonte, apesar de tudo, está aberto. As bases lançadas por Freud para a compreensão do psiquismo continuam a dar-nos esperança de que o ser humano há-de, alguma vez, viver "um século de sonho".