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13/06/19

Drogas de sempre


O programa desta semana e o debate da rubrica da SIC “E se fosse consigo”, da jornalista Conceição Lino, teve como tema “os jovens e a droga”.
Em primeiro lugar, é de saudar que se apresente e debata um tema que tem andado esquecido da comunicação social e da informação/prevenção das actividades das escolas e organizações juvenis.
Em segundo lugar, é chocante a banalização existente na sociedade sobre o assunto, como o programa demonstrou com esta situação simulada, mas reveladora de que se acha normal poder aliciar alguém, num local público, para o consumo de drogas.
É tanto mais chocante quando há pouco tempo num programa sobre violência sobre animais as pessoas protestavam e ameaçavam com a polícia. Neste caso foi escasso o número de pessoas que se manifestaram.
Ainda focado pelo programa, é chocante a complacência com que se encaram os festivais de verão, (também podia falar-se das viagens de finalistas, das festas académicas), quando sabemos pelas apreensões que são feitas nesses festivais e eventos, a grande quantidade de droga que circula. Em alguns casos, mesmo quando os organizadores o negam, são implicitamente incentivadores do consumo. E, claro, se há consumo é porque há tráfico.
É chocante que continue a haver tanta condescendência com estas situações e se tente passar a ideia de que as drogas falsamente consideradas leves não têm qualquer problema para a saúde.
É chocante que seja necessário fazer legislação na Assembleia da República, para tratamento médico com derivados da canábis, quando isso não é necessário para outras substâncias para fins medicinais. Mas, claro, baralhar as situações tinha em vista que a justaposição ou associação dessas situações em que o auto-cultivo e consumo para fins chamados recreativos, fosse permitido.
Continua a justificar-se uma aposta na prevenção, como foi o caso deste programa, que é, aliás, uma das competências do Serviço de intervenção nos comportamentos aditivos e nas dependências (SICAD), porque: “A prevenção (é a) área onde o principal objetivo é a intervenção sobre as causas do fenómeno, procurando que este não venha a manifestar-se futuramente, fomentando não apenas o conhecimento sobre o fenómeno, mas também exponenciando a abrangência, eficácia, eficiência e qualidade dos programas de prevenção implementados".
Por outro lado, é importante esclarecer que com o Decreto-Lei n.º 130-A/2001, de 23 de Abril, houve descriminalização mas não houve despenalização. Deixou de se considerar crime o consumo de droga, a aquisição e a posse para consumo próprio, dentro de determinadas quantidades. No entanto, isso não significa despenalização.
As Comissões para a Dissuasão da Toxicodependência (CDT), que vieram substituir os tribunais criminais como resposta do Estado ao consumo de drogas, constituídas por técnicos da área da saúde e da justiça, procuram informar as pessoas e dissuadi-las de consumir drogas, e têm, também, o poder de aplicar sanções administrativas e de encaminhar pessoas para tratamento, sempre com o seu consentimento.

A “encenação” da iniciação da entrada das pessoas na "cena" da droga mostra, assim, facilitada, sem reacção dos que assistem, a porta de entrada, quando se junta a falta de informação, a necessidade de ter comportamentos miméticos ao grupo e a auto-avaliação da posse de uma personalidade suficientemente "forte" para saberem aquilo que querem e como e quando terminar. Nada mais falso.
Compreendemos a recusa pelos jovens dos bons conselhos de alguns adultos, racionais, correctos, cheios de bom senso e a fácil aceitação da complacência de outros. Mas mais uma vez, neste assunto, é necessário dizer a verdade aos jovens sobre as drogas mesmo quando consideradas falsamente leves.
É necessário explicar-lhes que há ideias erradas sobre a canábis, e outras substâncias psicoactivas, os riscos para a saúde e, em consequência, os efeitos nefastos para a vida.
 

25/04/19

"Onde estava no 25 de Abril ?"


Como escreveu Cícero, "A memória é o tesouro e o protector de todas as coisas". Mas como será esse tesouro? Será  que esse tesouro é como  uma biblioteca bem arrumada onde podemos ir buscar o livro que quisermos em qualquer momento da vida ? Ou é antes uma enorme confusão onde os livros estão desordenados e há páginas que desapareceram ou estão trocadas com outras páginas desse ou de outros livros ? (1)
O esquecimento é um processo biológico normal. Não seria possível vivermos, se tudo aquilo que vemos, lemos e sentimos ficasse gravado, definitivamente,  na nossa memória.
Então, a memória, por vezes, falha. As causas mais frequentes da diminuição da memória são diversas. Há situações do nosso quotidiano que interferem no funcionamento da memória, como aliás noutras funções psicológicas, como o cansaço, insónia, stress ou doenças que podem afectar a memória directa ou indirectamente.

Por outro lado, há alguns mitos sobre o que é é benéfico para a memória. É verdade que dormir facilita a memorização duma informação, como é verdade que o stress pode fazer esquecer;  ou que retemos melhor aquilo  que nos agrada ou de que gostamos;  como pode haver uma sobrecarga da memoria.  Porém, é  mito que os medicamentos à base de ginkgo biloba sejam eficazes para a memória; também não é verdade que fazer palavras cruzadas melhore a memória; que as crianças tenham uma memoria com mais performance ou desempenho; que consumir cafeína ajude  a reter informações ou que comer peixe seja mais benéfico para a memória. (2)

Temos ainda outro problema – o das falsas memorias. Como já dissemos, podemos falar de assuntos e informações que baralhamos com outros que inventámos na nossa memoria.  E isto não significa que estejamos a mentir.
A psicóloga Elisabeth Loftus (3) mostrou que é possível implantar falsas memorias na mente. Constatou que: “A formulação das perguntas influenciava o modo como as pessoas narravam o acontecido”.
Loftus também mostrou que “na vida real, como nas experiências, é possível chegarmos a acreditar em coisas que nunca aconteceram” 

Tenho experimentado  alguns exercícios (4) que podem ser benéficos para a memória:
- Por exemplo, escrever a autobiografia. A memória autobiográfica ou memória de acontecimentos do passado que a pessoa tenha vivido pode ser um óptimo desafio para por à prova a nossa memória.
- Outro exercício de memória autobiográfica e semântica será associar os nomes das pessoas que vejo e conheço ou conheci, o lugar onde as conheci, o que me dizem os rostos dessas pessoasalém disso, serve para ocupar o tempo quando se espera uma consulta no hospital ou ser atendido na loja do cidadão! Concluiremos que não é fácil fazer os exercícios…

Comemoramos hoje 45 anos do 25 de Abril. Um bom exercício sobre a memória e o esquecimento pode resultar da pergunta que se tornou famosa: “Onde estava no 25 de Abril?”
Talvez a sua memória não corresponda à verdade mas àquilo que acredita recordar, as emoções que sentiu, os acontecimentos que não é capaz de reconstituir, as falsas memórias que adquiriu ou que lhe foram implantadas.
Então faça o exercício: “Onde estava no 25 de Abril ?”

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(1) Romina Rinaldi ,  «Le capharnaüm de la memoire», Le cercle Psy, nº 31, 2018, pags. 66-69.
(2) «Mémoire - On a découvert la molécule de l' oubli!», Science & vie, Septembre 2003. pag. 60.
(3) Elizabeth Loftus, «As nossas certezas mais absolutas não são necessariamente verdade», O livro da Psicologia, Marcador, DK, pags. 202-207.
(4) Tom Wujec, em Jogos da memória - jogos e exercícios para treinar a sua mente, dá-nos inúmeras sugestões para treinarmos não só a memória como a mente.



24/01/18

Crenças e aprendizagens


As neurociências têm sido fundamentais para compreendermos o processo de ensino-aprendizagem. O interesse de educadores e psicólogos pelas neurociências vem do facto de funções como a atenção, senso-percepção, memória, orientação, consciência, pensamento, linguagem, inteligência, comportamento, etc., serem fundamentais nesse processo.
No entanto, embora até possam parecer “teorias” simpáticas, o lado negativo vem das crenças erróneas (1)  que  surgem com alguma facilidade nas neurociências,  se propagam à educação e  se perpetuam no tempo, quando não há provas que as fundamentem.
Em cada aluno que aprende, há um cérebro que aprende. Um cérebro, dada a sua complexidade, como cada corpo ou cada personalidade, é diferente de todos os outros pelo que seria de espantar a uniformidade destes processos.
Se se criam, facilmente, ideias erróneas sobre determinadas características do cérebro e da sua influência na nossa vida, também as ciências do cérebro desafiam o senso comum (ideias contra-intuitivas) a propósito do ensino e da aprendizagem:
- “O cérebro pode trabalhar nas suas costas”, isto é, “pode adquirir informações mesmo quando não lhes está a prestar atenção e não se apercebe disso”.
- O cérebro envelhecido pode aprender. Pensava-se até há pouco tempo que a partir de determinada idade o cérebro “estava equipado com todas as células que sempre teria e a idade adulta representava uma espiral descendente de perda de células e de deterioração da aprendizagem, da memória e do desempenho geral. No entanto, os trabalhos de investigação mais recentes começam a mostrar que esta visão do cérebro é exageradamente pessimista: o cérebro adulto é flexível, permite o crescimento de células novas e o aparecimento de novas conexões pelo menos em algumas regiões como o hipocampo. Embora a aquisição de novos conhecimentos se torne menos eficiente com a idade, não há nenhum limite de idade para apender” (O cérebro que aprende, p. 21)
 - Pode-se sempre melhorar o cérebro. A ideia de comparar um educador/professor a um jardineiro é ajustada na medida em que significa que o educador pode sempre melhorar o que já está no aluno.
Hoje não é possível ignorar, a escola e os educadores não podem ignorar, a investigação realizada pelas neurociências em problemas de desenvolvimento como o autismo, a dislexia e a perturbação de hiperactividade com défice de atenção (PHDA). (p 18)

Sobre os mitos e crenças erróneas (2) das neurociências, “um estudo americano recente veio mostrar que as crenças e os mitos sobre o cérebro continuam largamente difundidos… mesmo entre os indivíduos que têm estudos em neurociências” ( le cercle psy, nº27, p.10) (3)
Talvez a crença mais divulgada seja a de que só utilizamos 10%  do cérebro.  É uma crença completamente falsa.
Isto não significa que não possamos melhorar muito o que fazemos na sala de aula com o  potencial dos alunos ainda desconhecido.
Uma coisa é a possibilidade de melhoria das aprendizagens e dos comportamentos outra a de haver uma percentagem de cérebro que é utilizada.
Outra crença  muito divulgada é a de que  o  hemisfério esquerdo é lógico e analítico e o  hemisfério direito criativo
Esta crença daria origem a dois tipos de personalidade distintos: pessoas que pensam que são mais racionais e objectivas e outras mais intuitivas e criativas.
Outra crença refere que os alunos têm formas de aprender visuais, auditivas o cinestéticas. Assim seriam melhores alunos se  fossem ensinados conforme o seu estilo. O que acontece é que a aprendizagem é mais forte quando resulta da utilização de vários sentidos.

Em educação, é necessário que se utilize a informação de forma crítica. Os dados fundamentados das neurociências não podem ser ignorados  mas a discussão sobre a educação  é necessária, contra as crenças ou os formatos supostamente educativos  das televisões.
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(1) "Neuromito" (Alan Crockard) 
(2) Nueve falsos mitos sobre el cerebro 
(3) Kelly Macdonald et al., "Dispelling the Myth: Training in Education or Neuroscience Decreases but Does Not Eliminate Beliefs in Neuromyths"

24/11/17

Tudo tem um fim

Seria mais um jantar... não fora  dar-se o caso de o sr. primeiro ministro resolver reagir estranha e excessivamente ao repasto da web summit, isto é, da cimeira tecnológica, “a maior conferência tecnológica do mundo”.
É realmente uma reunião de negócios importante*, em forma de show off. Por isso, estiveram lá "todos": 1º ministro, presidente da câmara municipal de Lisboa e até Marcelo.
Terminou (11/11/17) com "um jantar exclusivo com convidados da Web Summit na nave central do Panteão Nacional, em que participaram presidentes executivos, fundadores de empresas e ‘startups’, investidores de alto nível, entre outras personalidades. O jantar em questão chama-se ‘Founders Summit’…" (Observador)
Provavelmente a indignação do sr. primeiro ministro  terá nascido da intuição de que havia ali matéria para responsabilizar o governo anterior por tamanha falta de respeito aos nossos maiores.
Vai daí, reagiu assim: “A utilização do Panteão Nacional para eventos festivos é absolutamente indigna do respeito devido à memória dos que aí honramos”, referiu o gabinete do primeiro-ministro, em comunicado. Acrescentou que a situação estava contemplada num “despacho proferido pelo anterior Governo” e informou que vai alterar o regime “para que situações semelhantes não voltem a repetir-se, violando a história, a memória coletiva e os símbolos nacionais”. (TSF)
O Panteão Nacional pode não ser local apropriado para fazer jantares de negócios, para alguns até pode ser, como foi, mas o mesmo não se diga relativamente a outros eventos culturais de qualquer das áreas, por exemplo, onde brilharam e continuam a brilhar alguns dos heróis nacionais cujos restos mortais repousam naquele edifício.
Para além disso, o que há aqui que mereça perder mais tempo com este ”caso”?
1. Mais uma vez este governo nega a responsabilidade que lhe compete em acontecimentos negativos ou controversos...
Ora vai-se a ver este parece ter sido o 10º jantar ocorrido no local, o Panteão Nacional. Além disso, quando o primeiro ministro era presidente da câmara de Lisboa, também decorreu aí um jantar similar...

2. O sítio, Panteão Nacional, podia ser o local certo para mostrar a vida efémera do ser humano e, logo, da  web summit, se esse fosse o objectivo deste jantar.  E é aqui que pode residir o engano ou a claridade.
Em  entrevista a Clara Ferreira Alves (Expresso,     ), a propósito do seu último livro, A estranha ordem das coisas, António Damásio procura consciencializar para que "tudo tem um fim", alertar para o que se passa em Silicon Valey onde tudo parece ser possível no futuro, criar tudo, até eventualmente dar vida a robots. "Silicon Valey terá um despertar doloroso" porque aquilo que não estão a perceber é que "tudo tem um fim".  Podem até criar robots mais inteligentes que o ser humano, porém nunca lhe poderão dar sentimentos como acontece com os humanos.
Damásio refere no seu livro que  " Parte das sociedades que celebram a ciência e a tecnologia modernas, e que mais lucram com elas, parece estar numa situação de bancarrota “espiritual”, tanto no sentido secular como religioso do termo. A julgar pela aceitação despreocupada das crises financeiras problemáticas – a bolha da Internet de 2000, os abusos hipotecários de 2007 e o colapso bancário de 2008 – parecem igualmente estar numa situação de bancarrota moral. Curiosamente, ou talvez não tanto, o nível de felicidade nas sociedades que mais beneficiaram com os espantosos progressos do nosso tempo mantém-se estável ou em declínio, caso possamos confiar nas respectivas avaliações.(p.290-291)

3.O fait divers ou o erro de uma decisão, se o foi, foi da responsabilidade dos serviços tutelados por A Costa, veio por a nu a questão essencial com que se depara a humanidade, a sua finitude, e de como aqueles que pensam que tudo é possível, até a imortalidade, faz com que os panteões de hoje sejam os pandemónios de amanhã.

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* "Em certos setores da sociedade portuguesa, há ainda algum ceticismo relativamente à importância da Web Summit. As críticas incidem em questões que vão desde o deslumbramento tecnológico ao retorno económico do evento, passando pela descrença na viabilidade, competitividade e valor das startups. Existe também quem se limite a valorizar o evento pelas receitas turísticas que produz e pela promoção internacional do país, o que é manifestamente redutor.
A questão mais importante é certamente a do retorno económico da Web Summit, na qual o Estado português investe 1,3 milhões de euros por ano. Ora, sobre o impacto imediato já há dados concretos: em 2016, o retorno direto do evento foi de 200 milhões de euros e, nesta edição, prevê-se que seja de 300 milhões, subida que se justifica pelo aumento do número de participantes. Já o retorno indireto, que é de facto o que interessa ao país, é mais difícil de contabilizar, não só por se tratar de um impacto a médio/longo prazo, mas também por gerar um valor muitas vezes intangível."Vale a pena continuar a acolher a Web Summit?"  Adelino Costa Matos, Presidente da ANJE 14 Nov 2017.

25/10/17

Marcelo: o alfabeto do coração

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1. A dor de Marcelo. A dor de cada um de nós. "A nossa dor neste momento não tem medida". Marcelo decidiu dar importância às pessoas, lá onde elas têm as suas circunstâncias e o seu sofrimento. E sabemos como é difícil ao poder reconhecer e dar importância às pessoas que sofrem, para além dos lindos discursos de solidariedade.
Não é de agora mas o comportamento de Marcelo ainda nos surpreende pelo espontâneo e genuíno sentimento de compaixão, que contrasta com o calculismo de alguns políticos. São centenas de abraços que, parece, nunca o cansam. É importante a abreacção. É importante que a dor de cada pessoa tenha uma expressão: de choro, desabafo e sentimento.
Não é necessário concordar com tudo o que Marcelo fez ou faz. No essencial é com grande inveja que tenho visto a capacidade de um homem expressar um comportamento genuíno, de ser pessoa aqui e agora, de ser gente com gente na frente, de se meter no fato e nos factos do outro.
Excesso de exposição ou a mais profunda solidariedade? Marcelo não tinha necessidade de estar em grande parte das coisas em que tem estado... Mas ainda bem que o tem feito. O contacto, o toque das emoções com os mais frágeis, idosos, crianças, sem abrigo, e agora com as vítimas dos incêndios tem sido apaziguador do conflito interior de quem ficou com nada do trabalho de uma vida inteira. É ainda uma tomada de consciência da incapacidade que foi manifestada pelo executivo de ao menos pedir desculpa e tomar medidas expeditas para minimizar ocorrências semelhantes.

2. Marcelo diz que devemos ter uma "visão panorâmica": "cada um na sua casa pensa que tem melhor visão do que os outros", referia Marcelo no cimo de uma colina, num destes dias de calamidade.
É esta visão que um político deveria ter sempre para poder ser político. Nesta discussão sobre os incêndios ouvimos todas as opiniões e as suas contrárias. São os eucaliptos, a desertificação, a falta de limpeza das matas, o desordenamento, a falta de meios, de comunicações, de vigilância… Por isso uma metodologia panorâmica parece ser a melhor para encontrar soluções mais do que a solução.

3. Marcelo tem o seu estilo próprio. Poderá haver pessoas que exprimem sentimentos de compaixão de outra forma. No entanto, este estilo é de enaltecer vinda do PR ao lidar com uma tragédia como esta. Podia ou deveria servir de modelo para os políticos que com distância e frieza trataram o assunto e que não deixa de evidenciar um contraste chocante com a realidade das pessoas.
Marcelo mostrou solidariedade e compaixão com a compreensão que fez do estado emocional das outras pessoas. A compaixão usa a delicadeza para com aqueles que sofrem e alivia o sofrimento de outro ser humano.
James Doty criou o “alfabeto do coração” para ser usado como um exercício de meditação. O alfabeto do coração inclui: Compaixão, Dignidade, Equanimidade, Perdão, Gratidão, Humildade, Integridade, Justiça, Bondade e Amor.
Marcelo diz que gosta de tratar as pessoas assim porque gostou da compaixão dos outros quando em sofrimento. Não é mais do que “tratar os outros como gostávamos de ser tratados por eles”.
O alfabeto do coração também inclui:
A dignidade que todo o ser humano deve ter.
Equanimidade, a serenidade encontrada entre os altos e baixos dos acontecimentos.
Saber perdoar aqueles que falharam .
Gratidão por tudo o que conseguimos obter.
Humildade porque não é melhor nem pior do que outros.
Ter integridade, ou seja, orientar as suas acções pela honestidade.
Ter justiça para com aqueles que são mais vulneráveis.
Bondade pelo reconhecimento da humanidade do outro.
E, finalmente, o Amor que contém e liga tudo.