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01/11/13

Gentileza

Cosmos bipinnatus


Gentileza é a capacidade de perceber uma necessidade de alguém e ou retribuir algo que lhe foi feito, sem ser pedido. Ou seja, ser gentil é ter educação, ser delicado, amável, cordial, polido e ter urbanidade.
Ter um sorriso (1), um gesto para segurar a porta. Dizer com licença e obrigado…Pode ser um elogio ou ajudar a atravessar a rua…
Pode ser conversar, tentar dar ajuda ao outro através da confiança e da esperança, da partilha de experiências, de alertar para um perigo ou de uma proximidade que nos faz falta.
A gentileza é esta capacidade individual que faz falta na sociedade. Algumas pessoas com imagem pública não parecem estar muito preocupadas com comportamentos de gentileza. Pelo contrário, primam pela grosseria. (2)

Na política ouvimos essa linguagem grosseira a que não estávamos habituados e eu espero nunca me habituar. Parece até que estamos num concurso em que se procura superar o mais mal criado. 
Com raras excepções temos líderes e ex-líderes que criam animosidade dando a entender que as ruas têm alguma solução para a crise.
A palavra cooperação está arredada das interacções sociais e nem sequer uma base de trabalho para um entendimento se consegue. O esforço do Sr. Presidente da República para um entendimento que punha os interesses do país acima dos interesses partidários não teve seguidores.

No futebol, que por mais fair-play que digam ter, assistimos a insultos e falta de respeito pelos colegas do mesmo ofício. Aliás, há quem vá ao futebol ou a outras manifestações apenas para criar desordem …
De facto, temos muitas iniciativas sobre a paz e sobre a não violência e parece que não diminui a agressividade na vida das pessoas.
A gentileza é um valor positivo, e por isso não tem boa imprensa. O espírito de cooperação, de compreensão e de bondade não dão de facto boa imprensa, ao contrário da contestação, desconfiança, maledicência, manifestações e protestos.

Mais uma vez, talvez possamos esperar alguma alteração vinda da escola. A escola pode ser um local onde podemos pôr em prática a gentileza. Ser gentil é ter educação na sala de aula e no recreio com os adultos e colegas. (3)
E é verdade que a maioria das crianças cultivam a gentileza: ajudam os mais pequenos, ajudam os mais frágeis, os que têm alguma deficiência...
No trabalho, nas empresas, a gentileza é um factor importante para beneficio pessoal mas também da própria empresa. Gentileza significa também mais produtividade. (4) Gentileza rima com riqueza. (5)

O dia mundial da gentileza teve início no Japão, na década de 1960 (Small Kindness Movement), para conter a onda de violência na Universidade de Tóquio. Se cada um fizesse uma pequena gentileza diária, a bondade seria sentida na comunidade, na cidade ou até no país. (6)
O dia 13 de Novembro é o dia da gentileza e da bondade. 
Mas a gentileza é de todos os dias, começa em cada um de nós e não temos que ser santinhos ou diabinhos...
A propósito: Já hoje foi gentil com alguém ?

_________________________

(1) O Dia Mundial do Sorriso assinala-se a 28 de Abril. A data foi criada em 1963 por Harvey Ball, um artista de Worcester, Massachussets, que criou a imagem do smiley, reconhecida internacionalmente.



Smiley



(6) A ideia do World Kindness Movement foi concebida na conferência de Tóquio, em 1996, e o movimento foi criado na segunda conferência em 1997.

26/09/13

Para além da doença




Florescer pode significar estar em flor mas também, em sentido figurado, prosperar, brilhar.
Florescer, prosperar, era o que devia estar a acontecer com cada um de nós.
No entanto, pelos dados de que dispomos não é bem assim: o consumo de antidepressivos tem vindo a aumentar em Portugal mais do que noutros países.
Nos primeiros oito meses do ano, os portugueses compraram em média, por dia, mais de 75 mil embalagens de antidepressivos, estabilizadores de humor, tranquilizantes, hipnóticos e sedativos. Trata-se de um aumento de 1,9% face ao mesmo período do 2012, revelam dados da consultora IMS Health
Também aqui  é referido que 
"de facto, há um acentuar dos problemas de saúde mental, normalmente muito associados ao desemprego...
"De acordo com o mesmo estudo, as dificuldades económicas, aliadas ao aumento das taxas moderadoras, estão a condicionar o acesso à saúde, sobretudo dos grupos mais vulneráveis, como os idosos, que estão a adiar as idas ao médico e ao dentista, bem como a atrasar a compra de óculos e até a espaçar a toma de medicamentos para cortar nos gastos." 
O que está a acontecer? Aparecem algumas explicações como, por exemplo, as do Relatório da Primavera do Observatório Nacional dos Sistemas de Saúde.

No entanto, parece haver uma contradição: ao mesmo tempo que há aumento da prescrição de medicamentos, refere-se o condicionamento do acesso à saúde e aos médicos.

No entanto, o problema é mais complexo e é necessário saber o que está em causa na nossa felicidade ou na nossa doença.
Seligman, depois de ter estudado a felicidade das pessoas adopta um conceito mais geral, no sentido do bem-estar. Para vivermos bem é preciso perseguirmos cinco objectivos: felicidade, empenhamento, relacionamentos, propósito e realizações.
É importante procurar aquilo que nos dá prazer e alegria (felicidade), mas também uma actividade de que se goste (empenhamento), no meio de pessoas positivas (relacionamentos) e dar um propósito à nossa vida, como por exemplo, dedicarmo-nos à família, a instituições solidárias. Quando conseguimos atingir os nossos objectivos e dar um sentido à nossa vida podemo-nos considerar realizados.
Não há apenas um factor mas vários a determinar o nosso bem-estar. A complexidade do ser humano é a da sua personalidade onde se cruzam todos esses factores. Alguns deles são mais marcantes na nossa personalidade do que outros. Por exemplo, às vezes, podemos tentar viver bem pelo nosso empenho num projecto, exactamente porque as circunstâncias da vida nos foram adversas. É por isso que a resiliência é uma estratégia importante para lidarmos com a adversidade e a perturbação de stress pós-traumático .

O uso de medicamentos antidepressivos é necessário em muitas situações. E não podemos prescindir deles. Mas é também bom saber que analisando toda a literatura sobre anti-depressivos, descobrimos que eles melhoram os sintomas, em média, em 60 a 65%. Com o placebo, a melhora é de 40 a 50%. Basicamente, os anti-depressivos são úteis, mas limitados. 

É por isso necessário trabalhar outras capacidades, ou seja, os objectivos referidos por Seligman: o empenhamento, os relacionamentos, um propósito para a nossa vida, etc…para acabar com os problemas de humor, ansiedade e depressão. É preciso trabalhar para estes objectivos para florescer, além de tratar a depressão.
Todos conseguimos florescer. Podemos estar deprimidos mas se essas condições atrapalham o nosso bem-estar, não anulam a possibilidade de florescer. 
Mais de 20 estudos mostraram que é possível ter emoções positivas e alguma perturbação mental.
Afinal florescer é como o que acontece na natureza: é necessário arrancar as ervas daninhas que junto das flores não vão impedir que elas cresçam.


08/09/13

Paraísos




Prendo-me a estas leituras, no fim de semana. Não são apenas de fim de semana. Cada vez mais os meus paraísos: os espaços sensoriais, dos afectos, os jardins dos sentidos e das emoções. Perco-me por aqui, um jardim, uma horta, uma quinta, a família.
"Visitar ou estar num jardim, seja ele público ou privado, é um deleite para os nossos sentidos. Encantamo-nos em percorrê-lo ou, simplesmente, olhá-lo; cheiramos os seus aromas; ouvimos o chilrear dos seus pássaros; apreciamos o sabor de uma fruta colhida da árvore..." (Vera Nobre da Costa)
Perco-me no jardim dos afectos. A única coisa que interessa. Bowlby, Spitz, Winnicott, Ainsworth, depois de Freud, Klein, Bion...  mudaram quase tudo. 
Para um mundo violento e de guerras inter e intrapaíses, inter e intrafamiliares não mudou quase nada. 

Pena. Porque o amor é a única guerra que vale a pena travar. Porque 
"a necessidade de amor governa as vidas humanas e encontra-se na fonte do vínculo social."  (Martine Fournier)

19/04/13

Memes de paz



Os dias que passam são dias de dúvida e de angústia para muitas pessoas devidas  a dificuldades económicas mas também a problemas de valores e de cultura.
Sabemos o que quer dizer gene que existe no cromossoma e é um conjunto de informações biológicas que constituem as características individuais,  o património que está na base da hereditariedade.
Mas se na biologia temos o gene, na cultura, o meme (R. Dawkins) é uma unidade de informação cultural, é qualquer padrão permanente de matéria ou informação produzido por um acto de intencionalidade humana, 
passa de uma geração para outra através do exemplo e da imitação.
Os memes utilisam o parasitismo mimético e  tende a replicar-se cada vez mais:
Na politica , as velhas guerras replicam-se em novas guerras,
Na televisão os talk shows vão-se degradando até aos actuais reality shows e os comentadores todos os dias espalham o parasitismo ideológico onde se defende tudo e o seu contrário com a mesma certeza num tempo que sabemos de incerteza (N. Taleb).
As audiências, a guerra de audiências não é outra coisa senão a procura do meme que se imponha ao público, o meme fracturante e a competição de ideias  porque a esquerda tem sempre a solução certa para todos os problemas da sociedade.
O meme precisa apenas da nossa mente para se alimentar e replicar imagens de si mesmo na consciência….
A guerra dos memes faz-se entre o que alguns consideram progresso, como as barragens, ou da permanência como o património natural.
Grande parte da nossa energia é gasta a escolher entre estes memes e a reproduzi-los através do activismo politico e cultural ou levando a que cada vez menos as pessoas se interessem pela intervenção política por terem percebido que as diferenças partidárias só existem no papel dos programas… 
Na educação, apesar de termos oportunidade de introduzir conteúdos transversais como a educação para paz, continua a reprodução dos memes favoráveis à guerra.
O terrorismo político luta por objectivos. Um deles é o de levar ao terror todas as pessoas. Pelo contrário, a democracia é a libertação do medo (Churchill).
Quanto ao terrorismo não é possível enveredarmos por um caminho de ambiguidade e de justificação, isto é, dizermos que se trata de pessoas desesperadas, de gente pobre, etc…de alguma forma justificar a violência.
A pobreza não é homicida. A pobreza não é violenta. Os pobres regem-se por princípios éticos universais como todos os seres humanos que querem viver em sociedade.
Os acontecimentos de Boston mostram mais uma vez que não há qualquer fim que justifique o que se passou.
Nada justifica, nem porque "por muito menos mataram o rei D. Carlos", a intervenção política violenta numa sociedade democrática.
Pelo contrário, são memes de violência que se reproduzem a si próprios. 
E todos sabemos que “se a mente não semear milho, plantará espinhos. (Herbert) 

09/04/13

"Sistema imunológico psicológico"


Tempo de mudança e data da libertação, a Páscoa é “passagem”, do Inverno para a Primavera, da escravatura no Egipto para a liberdade na Terra prometida, é um novo começo, a renovação da natureza. 
Mas cada um e nós vive a sua Páscoa, obviamente condicionado pela Páscoa dos que nos rodeiam. 
Várias dificuldades psicológicas acontecem connosco ao longo do ano, em especial nos tempos de festa. Momentos de maior ou menor tristeza, alegria e frustração… a nossa vida é dominada pela nossas emoções. E precisamos de uma "Páscoa" para mudarmos para uma vida mais saudável… 

Qual será o segredo para vivermos uma vida de forma mentalmente saudável ? Esta pergunta é mais que pertinente quando estamos a ser invadidos por todo o tipo de temporais psicológicos e físicos e por circunstâncias pouco tranquilas.
Como reagir à frustração se “ela está sempre presente cada vez que o nosso organismo encontra um obstáculo ou um impedimento mais ou menos intransponível no caminho que conduz à satisfação de qualquer necessidade vital” ? (Rosenzweig) 
Sabendo, actualmente, tanta coisa sobre as emoções como é que estamos a lidar com elas: da mesma forma como há muitos anos ? As guerras não deixaram de ser menos brutais, mantém-se a impotência da sociedade das nações para parar os líderes sanguinários que emergem com frequência, quem trava os tráficos de pessoas, drogas, armas, diamantes,  quem permite os paraísos fiscais ...
Estamos a lidar de forma diferente com as crises financeiras e económicas?

Os grandes e queridos “líderes“ terão apenas ruínas e a dor das pessoas para governar porque não desaparecerão nas próximas gerações... 
Para que serve a imensa informação que circula por todo o mundo? Para se transformar em comentário politico que amortece a dureza dos acontecimentos e os integra nas estratégias dos comités centrais ou dos secretariados partidários ?
"A sociedade não se importa um corno com a sua felicidade. À sociedade interessa-lhe que consuma e que pense que o consumo o pode fazer feliz."(Punset).
O que se passa no trabalho ? No sector de educação os professores integram as 10 profissões com maior risco de depressão. Como neste testemunho:“Sei que fiquei mais gordo, por causa dos medicamentos, mas sei porque vejo nas fotografias, não me lembro disso”, confessa ao jornal um professor com 28 anos de carreira mas que passou os últimos três em casa, de baixa. Neste caso, a mudança de escola foi dramática e foi “perdendo as forças para controlar a sala de aula”.

O que acontece é que o ser humano não activa o seu sistema de autodefesa como acontece com os animais. Podemos não dar importância mas o que vai acontecendo à sociedade tem impacto sobre cada um de nós. “A maioria dos casais que se separa fazem-no por falta de atenção aos detalhes da vida quotidiana cujo impacto é tão pequeno que quase passam despercebidos, porém que se acumulam ao longo do tempo até escavar os fundamentos sentimentais que sustem o casal". (Punset)
O que está a fazer mal à nossa sociedade é esta intrusão quase permanente na nossa vida que não desperta em nós o "sistema imunológico psicológico” * de autodefesa, mas esta frustração quotidiana que nos leva a deixar de gostar do nosso trabalho, de dar aulas, a deixar andar, em vez de sermos mais profissionais, gostarmos de ser bons alunos, produzirmos com mais qualidade, gostarmos de ser nós próprios. Esta mudança neste tempo de Páscoa podia bem ser a mudança de que necessitamos.
_________________
*Daniel Gilbert, referido por Punset, El alma está en el cerebro, pag. 404.

05/04/13

Felicidade



A felicidade, mesmo que patrocinada...
É pena que o estudo só tenha tratado da felicidade entre os 16 e os 55 anos.

Felicidade




À medida que os contextos de vida se vão modificando, independentemente desta ou de outra conjuntura, as famílias vão sentindo necessidades ou dificuldades diferentes e vão tomando decisões importantes ou sem grande relevo conforme essas necessidades. 
À espreita está sempre a tristeza patológica, a depressão, que limita ou anula a capacidade de sermos felizes. 
Face a essas situações procuramos que as nossas decisões sejam tomadas com base na racionalidade. Mas qual é o nível de racionalidade das nossas decisões ? Os publicitários sabem que não é muito elevado e dizem-nos: “Segue o que sentes”, apelando a uma decisão em que o mais importante é a emoção. 
A grande decisão da nossa vida é querermos ser felizes e, se isso dependesse da nossa razão, era o que queríamos para sempre. O problema é que “a felicidade é um estado emocional activado pelo sistema límbico em que o cérebro consciente tem pouco que dizer”. (Punset) 
Essas decisões são tomadas no nosso cérebro de modo que pessoas que tem lesões cerebrais que afectam as suas emoções tem dificuldade em fazer opções. 
No princípio e no fim de qualquer decisão sobre qualquer projecto humano o que conta são as emoções. Se pensarmos nos nossos projectos (profissão, casamento, divórcio, ter filhos…) o que foi determinante ? 
Faz todo o sentido que se faça um estudo racional sobre uma decisão a tomar. A orientação escolar e profissional que fazemos na escola, integra essa perspectiva racional: podemos tentar evidenciar os factores protectores e os factores de risco na tomada de uma decisão que é feita na mira de poder acertar na  felicidade individual. 
O que acontece é que as emoções estão presentes nessa decisão nas escolhas escolares que faço e, ao contrário do que acontece com outras situações, pouco importa a floresta, o que interessa é mesmo a árvore: aquilo que é mais pessoal e me distingue de todas as outras árvores da floresta. 
Quando perguntamos a um aluno do 9º ano o que o leva a escolher um determinado curso são motivos como: “satisfação pessoal” e “desempenhar uma profissão útil” que aparecem em primeiro lugar e só posteriormente “ter um salário elevado”. 
Parece-me que é uma escolha racional por mais emocional que possa ser no seu início. 
Ser feliz é a emoção mais adequada ao tempo em que vivemos. Acontece que é em condições adversas que as pessoas utilizam a sua coragem (e as emoções positivas) para ajudar o próximo e darem um sentido feliz à sua à vida (Csikszentmihalyi). 

28/02/13

Espiral depressiva



Leu bem, não estou a falar da actual repetida “espiral recessiva” económica mas da "espiral depressiva". Não sei qual delas é pior e também não sei qual é a relação que há entre elas.
Seligman* designa-a “espiral descendente”. Como sabemos, quer por experiência própria quer porque vemos isso nas pessoas em sofrimento, a depressão entra rapidamente em espiral descendente.
Vemos isso também na consulta (no nosso caso com crianças) onde facilmente elas vão assumindo atitudes negativas na sua vida relativamente às suas recordações e às perspectivas futuras: é  uma doença que surge, um teste negativo, uma relação com a namorada que se perde, um conflito com um amigo… tudo corre mal ... e há dias em que parece que é melhor não sair de casa.
A psicologia indica-nos que temos algo para mudar na nossa vida e temos que mudar radicalmente a educação das nossas crianças. 
Ouvimos falar, talvez excessivamente, de punições e castigos e quando estes não chegam nem são eficazes é necessário mais punições e mais castigos e cada vez mais fortes. Isto é, usamos sistematicamente as respostas das emoções negativas . Basta lermos as normas das escolas e da sala de aula para nos apercebermos que não estamos muito longe da visão das emoções negativas.
E se calhar tanto nas crianças como nos adultos o caminho da cura e do bem-estar é pelo lado da construção das emoções positivas.
Quando esta espiral descendente, isto é, uma depressão, acontece na nossa vida temos de ir à procura de uma forma de a quebrar.
Este é o primeiro passo: quebrar a espiral depressiva. Então e o que se sabe sobre essa possibilidade?
Há várias maneiras de lidar com o problema:  resignação, procura de conselho, reestruturação positiva, debate, fuga ou análise cognitiva. Nem todas com rsultados.
Perante situações em que os nossos filhos estão sujeitos a emoções negativas por terem sido agredidos ou ficado muito revoltados com o que lhes acontece no dia a dia, podemos tentar ensinar-lhes emoções positivas em vez de mostramos apenas solidariedade ou tentarmos aliviar essas emoções negativas:
- Aumentar as emoções positivas nos nossos filhos para começar a espiral ascendente da emoção positiva. A emoção positiva alarga e constroi recursos intelectuais, sociais e físicos de que ele vai precisar mais tarde na vida.
- As características positivas dos filhos são tão reais como as características negativas. Considerar as emoções positivas de uma maneira tão séria como as emoções negativas e as suas forças de uma maneira tão séria como as suas fraquezas. Infelizmente, há quem continue a referir apenas os pontos negativos e indique que no  perfil do aluno não se destacam pontos fortes
Além disso, há estratégias para lidar com as emoções positivas e negativas. Só temos que descobrir as forças da nossa criança. E elas têm muitas forças para lidar com a adversidade e para iniciar uma espiral ascendente, uma vida mentalmente saudável. 

* Felicidade autêntica, cap. 12, pag. 261 e segs.

14/02/13

A revolução da bondade


O ano passado, 2012, no Distrito Judicial de Lisboa, registaram-se 245 processos de violência nas comunidades escolares, mais 86 que em 2011, um aumento de 54%. * 
Estes dados referem-se apenas a ocorrências registadas oficialmente, não sabemos quantas ocorrências houve na realidade. 
Para além deste aumento, temos podido constatar que algumas destas violências tem características de grande intensidade para toda a comunidade escolar e de algum modo toca-nos de perto porque praticamente todos temos algum familiar a frequentar a escola. 
A indisciplina nasce fora da escola, na sociedade, mas também se exerce com os pares e é inevitável dado que a indisciplina é inerente à situação escolar. 
Mas há situações que ultrapassam fortemente os limites das regras da escola. 
É importante que se façam estudos sobre o que está afectar esta situação. Mas independentemente de ficarmos a debater se a violência tem a ver com as circunstâncias sociais ou com a genética, o que é facto é que há alunos que postos nas mesmas circunstâncias, desenvolvem comportamentos violentos e outros não. 
O que tem vindo a surpreender é que estas violências dentro da escola vem de todo o tipo de alunos: com ou sem problemas de aprendizagem, de qualquer estatuto sócio-económico. 
Além disso são conflitos em que se cria um ciclo de vingança e de ausência de perdão. 
É chocante ouvirmos alunos que se querem vingar do colega porque lhe chamou um nome, porque o empurrou, que goza com ele ou que chamou nomes à mãe.
E não entendem facilmente porque podem e devem ter outros comportamentos mais ajustados e mais equilibrados, em vez de reagirem apenas através das emoções negativas como a raiva e a vingança. 
De facto não é fácil perdoar e às vezes parece mesmo injusto. Temos memória desagradável da situação pelo que a bondade e o perdão não são fáceis de pôr em prática. 
Podemos até achar-nos cúmplices do agressor enquanto que com as vitimas ninguém se importa. 
A psicologia positiva pode ajudar-nos a entender e tratar alguns destes problemas. 
E podemos verificar que a bondade e o perdão ao impedir a vingança são respostas mais adequadas e vantajosas para quem perdoa. 
Desde logo quebra o ciclo da indisciplina e violência e tem ganhos para a saúde física e mental. 
Podemos superar a dificuldade de perdoar sem necessidade de esquecer a ofensa mas também podemos ter empatia para compreender o outro e optarmos pelo perdão. 
Afastar-se ou evitar o colega, deixar de brincar com ele, por exemplo, são melhores respostas do que querer vingar-se ou fazê-lo pagar pelo que fez… 
José Saramago acha que “a grande revolução, seria a revolução da bondade ...
Quando nós olhamos para o estado em que o mundo se encontra, damo-nos conta de que há milhares e milhares de seres humanos que fizeram da sua vida uma sistemática acção perniciosa contra o resto da humanidade.” ** 
De facto não vamos ficar bons de um dia para o outro mas se cada um fizer a sua parte de bondade a vida das pessoas ficará melhor. A começar pela vida das nossas escolas e dos nossos alunos. 



*Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa 




23/01/13

Gratidão


                      

A gratidão é uma apreciação da excelência de outra pessoa ao nível do carácter moral. Como emoção, é uma sensação de maravilha, agradecimento, apreciação da própria vida.  ( Seligman)
A investigação psicológica tem vindo a mostrar que os sentimentos de gratidão podem ser benéficos para o bem estar emocional do individuo. A gratidão melhora a saúde física e emocional, e pode fortalecer os relacionamentos e as comunidades. (Emmons)
A gratidão é uma das vinte e quatro forças do carácter e constituem as seis virtudes que existem em todas as religiões e culturas: sabedoria e conhecimento, coragem, amor e humanidade, justiça, temperança espiritualidade e transcendência (Seligman).
A gratidão integra a virtude da transcendência, ou seja, as forças emocionais que vão para além de si para o ligar a algo de maior e mais permanente: a outras pessoas, ao futuro, à evolução, ao divino ou ao universo.
Como sabemos, falar de virtudes nos tempos que correm não está na ordem do dia. Só que as investigações no campo da psicologia mostram a importância desta força na nossa vida.
As forças são traços de carácter, suficientemente organizadas para persistirem nas nossas atitudes e comportamentos mas sem serem necessariamente definitivas.
As forças apresentam outras características:
São valorizadas por si próprias.
São estados que desejamos e que não requerem justificação.
As minhas forças não diminuem a forças dos outros, pelo contrário todos ficam a ganhar.
A cultura apoia as forças porque delas falam as histórias, os rituais, os modelos, as parábolas…
Os modelos e os protótipos ilustram estas forças.
Pode haver jovens prodígios que as manifestam muito cedo.
E, finalmente, são ubíquas, isto é, são valorizadas praticamente em todas as culturas do mundo.
Nestas coisas da psicologia da gratidão, lembramo-nos de João dos Santos que escreveu n' O Jornal da Educação (nº 18, Dezembro de 1978), sobre o assunto.
João dos Santos conta a história de uma menina que passou por um litígio de divórcio em que um pai e um avô pretendiam tirar uma filha à mãe quando saíssem do seu gabinete.
Embora pudessem ter razões muito válidas para agiram daquela maneira, achou que não deviam entregar a criança ao pai contra a vontade da mãe. Mas que devia ser a justiça a tomar a decisão.
Entrou nesse processo o juiz Armando Leandro que muitos de nós conhecemos e a quem as crianças deste país muito devem pela defesa dos seus direitos, tal como aconteceu àquela menina, em que foram tidos em conta para além dos interesses legais dos pais, “o interesse vital da criança indefesa ameaçada na sua vida emocional” .
A história termina quando aquela menina quis falar a João dos Santos. Na sala de espera, a menina, não angustiada e aliviada, tirou do seu saco uma bela maça reineta e estendeu-a a João dos Santos que aceitou com entusiasmo aquela dádiva.
Foi desta forma que João dos Santos se achou honrado com aquela distinção e condecorado com a ordem da maça reineta.
A gratidão era uma das forças desta menina. Ela é fundamental no equilíbrio da nossa personalidade e também importante numa sociedade equilibrada.
Com frequência ouvimos falar da dispensa de funcionários, de que há funcionários a mais e que, pelos vistos, são descartáveis, de trabalhadores que vão para o desemprego ou para a reforma com “apagada e vil tristeza” .
Mesmo que tivesse que ser assim, a gratidão pelo trabalho prestado durante várias décadas, devia fazer parte da conduta das empresas e instituições.
A gratidão, se calhar, não se devia manifestar apenas no dez de Junho.
Mas não esperemos que a sociedade mude de um dia para o outro. Podemos esperar a gratidão na cumplicidade do sorriso de um aluno ou quando, na sua atitude genuína, nos diz “obrigado pela ajuda”. Nessa altura, podemos sentir-nos também condecorados como cavaleiros da ordem da maçã reineta. 

19/12/12

Os sentidos do Natal


O Natal é uma época extraordinária para os sentidos. A luz, o madeiro, os doces, as filhós, o tronco de natal, os cânticos, os sabores, os cheiros, as tradições, o calor da lareira, o frio da rua…
É um dos acontecimentos sociais mais importantes do ano porque se junta a nossa família dos afectos. Na ceia de Natal estamos com aqueles que amamos. Mesmo quando ausentes estão presentes com as saudades que deles sentimos
Na festa de Natal a alimentação é, principalmente, hedónica e simbólica. Comer é muito mais do que comer. Isto é, comer é muito mais do que a parte energética. É muito mais o prazer do convívio e dos símbolos presentes.
As escolhas alimentares estão directamente ligadas a regras sociais, culturais e à nossa personalidade.
São experiências passadas, inconscientes, que fizeram parte do nosso desenvolvimento e foram experiências agradáveis ou desagradáveis.
Somos muito determinados nos nossos gostos: gostamos ou não gostamos de determinado alimento. 
E é assim desde a infância. Matty Chiva (“Le gout et l' autre: sensation, émotion et communication dans la prime enfance”, 1980), concluiu que o gosto começa por ser um reflexo gusto-facial (se colocamos um alimento amargo na boca da criança muito pequena ela fará uma careta) e à medida que vamos saboreando vários alimentos o comportamento vai-se transformando em comunicação com o outro tornando-se cada vez mais uma interacção cultural, com a socialização e aprendizagem, que se realiza na mesa familiar.
É uma festa para os sentidos porque a variedade de alimentos, de cores, de sabores, de cheiros diferentes constituem uma oportunidade extradordinária para a criança efectuar e treinar a aprendizagem do paladar, de sabores novos e diferentes. Geralmente o aumento da aceitação de um novo alimento está sujeito a várias apresentações desse alimento. Os pais nem sempre são persistentes para que a criança possa fazer essa aprendizagem.
A alimentação da criança é muitas vezes um processo complicado e é necessário saber que a criança é muito selectiva em relação aos sabores. Porque está a fazer aprendizagens em relação aos seus gostos. É por isso que gostos se discutem e começam a discutir-se desde muito cedo. 
O Natal é uma festa para os sentidos porque é uma festa da relação. É uma festa que se faz com o outro. 
Para construirmos um mundo com sentido, precisamos de um mundo que seja coerente.
Natal continua a ser a festa da família e das recordações. Mesmo na ausência da família. A família real muitas vezes já não existe ou está ausente mas a recordação está bem presente. E pode existir numa recordação encobridora sugerida por um harmonioso quadro familiar de Natal. Como uma memória reparadora da falha, da ausência, do vazio.
A vida faz sentido quando temos afecto, uma identidade, pertencemos a alguém e a algum sítio, vivemos em paz e temos um espaço afectivo seguro. 
Neste Natal, é apenas isto que estão a pedir as nossas crianças.
O Natal é uma festa para os sentidos porque é o retorno à infância e à degustação. É bom não perdermos o sabor dos alimentos simples e diferentes, o olfacto das coisas naturais e o brilho colorido das luzes da infância .

11/11/12

Sistema de acompanhamento do progresso do aluno

Há necessidade de um instrumento de informação realista que permita gerir as expectativas e motivações dos alunos relativamente ao seu desempenho escolar.
Temos os planos de recuperação, acompanhamento e desenvolvimento. Sabemos que a ineficácia destes planos principalmente de recuperação e de acompanhamento é muito grande. Para além de serem muitas vezes um  exercício formal necessário (é interessante que, na escola, para abreviar, se fala muitas vezes de plano de retenção...).
Por isso este instrumento pode ser um óptimo contributo no conjunto de  medidas que podem ser implementadas, designadamente os planos de melhoria.
Se nos confrontamos com a questão: um aluno que inicia um ciclo com nível 2 numa determinada disciplina que expectativa poderá ter da sua aprendizagem, do seu esforço ? Infelizmente, a resposta será  de que venha a terminar com nível 2.
Claro que isso não faz sentido e a gestão da expectativa deverá ter como meta o nível seguinte.
Por isso, é necessário que se faça alguma coisa e esta informação disponibilizada através deste instrumento de trabalho do Prof. Júlio Diamantino poderá trazer algo de novo à orientação e aconselhamento do aluno no âmbito do SPO e do conselho de turma..

27/09/12

Prémios pecuniários vs motivos intrínsecos



Em 2008, numa altura em que já se adivinhava a crise, "aparecem" os prémios pecuniários para os alunos do secundário.
Nuno Crato acabou com isso. E fez bem. Depois passaram essa tarefa para as escolas. Enfim...
Escrevi na altura sobre a controvérsia inútil e sem grande sustentação por parte dos "indignados".
Mesmo os chamados "quadros de valor e mérito" serão tanto mais eficazes quanto mais se aproximarem da motivação intrínseca.
Bruner vai mais longe. No cap. 6 - "A vontade de aprender" do livro referido, fala-nos da motivação intrínseca: "A vontade de aprender é um motivo intrínseco que tem origem e recompensa no seu próprio exercício".
Conclui:
"Nesta altura, já se deve ter notado uma considerável desênfase nas recompensas e punições «extrínsecas» como factores da aprendizagem escolar. Tem havido, ao longo destas páginas, uma negligência um tanto intencional da chamada Lei do Efeito, segundo a qual é mais provável que uma reacção seja repetida se tiver sido seguida de um «estado de coisas satisfatório». Eu não descuido a noção de reforço. Apenas é duvidoso que os «estados de coisas satisfatórios» possam encontrar-se com fiabilidade fora da própria aprendizagem - nas palavras amáveis ou duras do professor, nas notas ou medalhas, na absurdamente abstracta garantia que se dá ao estudante do secundário de que os vencimentos de toda a sua vida serão 80% superiores se terminar os estudos. O reforço exterior pode de facto pôr um acto em andamento e pode até levar à sua repetição, mas não alimenta, de modo fiável, o longo curso da aprendizagem, através do qual o homem lentamente constrói, à sua maneira, um modelo útil do que é e pode ser o mundo."
(Bruner, J S.(1999). Para uma teoria da educação, Lisboa: Relógio d' Água)

02/07/12

Disciplinas essenciais ?

Podemos estar de acordo que as disciplinas essenciais são aquelas que o ME acha que são. Podemos até estar de acordo que isso é verdade para a maioria dos alunos. Mas não estamos de acordo que o seja para todos os alunos nem que os outros, a maioria, possam ter uma educação equilibrada sem os conhecimentos das disciplinas que não têm esse qualitativo.


A escola esteve e está excessivamente aberta a todo o tipo de programas, projectos, actividades que surgem de todos os lados. Deram-se conta, finalmente, de que a sua mensagem passa melhor se for veiculada pela escola ... e a dispersão das actividades com prejuízo das aprendizagens essenciais é evidente porque, no fundo, o ensino básico serve para ensinar e aprender ...o básico.
A questão é que há tanta diversidade na personalidade dos alunos (há tantas inteligências) e dentro do básico (há tantas disciplinas, metodologias e formas de pensar) que o que está em jogo passa pela mudança de mentalidade.
Enquanto essa mudança de mentalidade não for acontecendo, o círculo continua: educação física conta, não conta, para a média, evt/ev/et, dois professores, um professor, música sim música não, menos horas mais horas...
O que são disciplinas essenciais para um aluno concreto ?
Ken Robinson fala da importância da experiência estética como um conhecimento fundamental...

22/06/12

Enfrentar os exames

Época de exames é época de medo e ansiedade. Nuns casos mais de medo concreto em relação ao exame e de reprovar no exame e  noutros de ansiedade generalizada em relação  às situações de avaliação .
Convém dizer, antes de mais,  que não há dois alunos iguais e, portanto, também as atitudes e comportamentos face aos exames são diferentes de caso para caso.
Podemos dizer que há uma situação de tensão face a qualquer tipo de avaliação e sabemos bem que tendo passado por avaliações diferentes, escolares ou outras, sempre se sente essa tensão.
Os alunos têm formas de reconhecimento das situações de avaliação de forma diferenciada, utilizam estratégias diferentes e reagem emotivamente também de forma diferente . E estas atitudes e comportamentos têm origem cerebral. Uma mesma simples sensação táctil desperta no cérebro a activação de zonas diferentes conforme a pessoa.
Temos então respostas a nível do pensamento, do organismo,  e a nível do comportamento.
O medo dos exames pode provocar algumas situações  que tendo em conta as diferenças de que falámos podem ser comuns a alguns de nós
Assim, podemos ter manifestações da ansiedade a  nível do pensamento, no organismo, respostas fisiológicas  e resposta comportamentais.

Manifestações de ansiedade
No pensamento
No organismo (resposta fisiológica)
No comportamento

·         Preocupação
·         Sensação de insegurança
·         Apreensão
·         Sentimento de inferioridade
·         Incapacidade de tomar decisões
·         Incapacidade de se concentrar
·         Confusão
·         Desorientação
·         Esquecimentos frequentes
·         Palpitações, pulso rápido, tensão arterial elevada
·         Acessos de calor, sufoco
·         Tensão muscular, tremores, sensação de fadiga
·         Sudação, secura da boca
·         Náuseas, vómitos, tonturas
·         Sensação de afogo, respiração rápida
·         Micção frequente
·         Disfunções sexuais

·         Evitação
·         Falar  rápido ou ter a voz entrecortada
·         Tremores
·         Movimentos embaraçosos e imprecisos
·         Tiques
·         Risos nervosos, bocejos
·         Explosões emocionais
·         Comer em excesso ou recusar comida
·         Abuso de tabaco, álcool, fármacos ou drogas





Baseado em  Pilar Varela  (2006),  Ansiosa-mente, Lisboa: A esfera dos livros

 Ora os exames são de facto uma situação de grande ansiedade. Mas existe uma relação entre o rendimento no exame e o nível de ansiedade. Até um nível razoável essa ansiedade é benéfica para o rendimento e quando começa a ser excessiva o rendimento começa a cair.
Para podermos enfrentar a ansiedade das avaliações com sucesso podemos ter várias estratégias:
- interpretação correcta do que se passa : o monólogo interior excessivamente preocupado, crítico, vítima, perfecciosista deve ser evitado,
- Não usar pensamentos ilógicos como pensar que vai acontecer uma catástrofe ou vai sair tudo errado. Ao contrário deve-se pensar que existe uma certa coerência e uma certa previsibilidade nos resultados.
Há uma relação entre as capacidades do aluno e o rendimento nos testes. Podemos prever que o aluno que tem essas capacidades e adquiriu determinadas competências vai ser bem sucedido nos testes e vai conseguir bons resultados.
Deve-se ter atenção aos pensamentos mágicos: pôr uma velinha ao santo da devoção ou tomar uns comprimidos para abrir a memória não vão fazer com que os resultados sejam positivos.
A sorte não está na nossa mão mas os resultados podem depender de dados objectivos.
A motivação para a realização e para o sucesso depende mais de factores intrínsecos do que de factores extrínsecos, isto é, os resultados dependem de mim e não de factores que eu não controlo como, por exemplo, a sorte.
Aquela famosa frase de que "o medo a mim não me assiste" pode fazer sentido quando fiz o trabalho de casa, isto é, quando controlei os factores que dependem de mim para ter sucesso.
Tudo isto junto com alimentação e sono equilibrados são a chave para podermos enfrentar os exames com sucesso.

16/03/12

Cooperação e educação


A escola é um local privilegiado para o desenvolvimento da cooperação e da solidariedade.
A cooperação dentro da escola apresenta aos alunos uma visão realista da sociedade e implica, na sua prática, a interacção na sala de aula e o exercício dos direitos e deveres enquanto alunos e cidadãos.
Mais do que um método pedagógico, a cooperação é uma característica da inteligência emocional. É uma dimensão da personalidade relacionada com o desenvolvimento dos valores: saber ouvir e respeitar o outro, partilhar saberes, entreajudar nas forças e fracassos, responsabilizar pelas atitudes e comportamentos e ganhar autonomia.
Pode traduzir-se em documentos formais como o projecto educativo de escola ou de turma mas a sua aplicação concreta faz-se todos os dias nas várias disciplinas através dos valores que são aprendidos e postos em prática na vida dos alunos: a ajuda a um colega com cadeira de rodas, a ajuda a um aluno instável ou com dificuldades de aprendizagem, a tolerância para com os comportamentos desajustados dos outros, a partilha de uma mágoa, a generosidade de professores, técnicos e funcionários em relação à obtenção dos objectivos da escola, o tempo não contabilizado para apoiar um aluno directa ou indirectaramente, a colaboração com a rede de instituições de apoio à infância e juventude, a atitude compreensiva nas relações humanas, o contributo para um ambiente menos intimidante e para uma cultura de paz e segurança…
A prática da cooperação traduz-se na modificação do comportamento na medida em que impossibilita ou dificulta o comportamento incompatível: a violência, as incivilidades, o bullying, a insegurança…
A cooperação situa-se do lado das forças de cada um e dessa forma é uma força da instituição escola, ajuda a ter uma imagem positiva de si próprio e da escola, fortalece a identidade pessoal e colectiva.
A cooperação não é oposta a competição nem exclui a competição. O “nós” não tem que apagar o “eu” e “tu” pelo contrário quando a maré sobe todos os barcos, pequenos ou grandes, novos ou velhos, bonitos ou feios, sobem com ela.
A cooperação na escola não pode ser alheia à competição na sociedade sob pena de todos estarmos a ser enganados. É mesmo necessário preparar os alunos para uma sociedade competitiva e desenvolver o espírito de liderança.
Deste modo uma atitude cooperativa/competitiva não significa rivalidade nem falta de solidariedade, não diminui a auto-estima nem aumenta o medo de falhar, a frustração e agressão.
A cooperação deve manter a integridade do Eu e manter a coerência entre os vários “módulos” do homem moderno, entre os vários “pedaços” da vida da família e da comunidade que os alunos trazem e partilham na escola. Por isso, tanto a escola como a família são igualmente responsáveis pela cooperação, competição e pela educação axiológica dos alunos.
Os pais não devem temer dizer aos filhos que podem competir nas várias áreas da vida, de uma forma saudável, e, simultaneamente, que devem cooperar com os colegas para uma vida mais feliz.
O Cristiano Ronaldo e o Lionel Messi não deixam de ser competitivos mesmo quando cooperam com a equipa para ganhar os jogos em que participam.

02/03/12

As fraquezas e as forças

Temos tendência a dividir a sociedade em duas partes, como acontece com a luta de classes, sempre com ideia de que os trabalhadores são os bons e os empresários são os maus da fita mas estes podem pensar que é exactamente ao contrário.
E há quem pense que a sociedade é isso e evolui dessa maneira: uns contra os outros, a luta de classes permanente, a guerra social contínua. Pode adoptar novas designações mas no fundo a clivagem dos bons contra os maus permanece. Dividir o mundo em bons e maus ou em "descomplexados competitivos" e "preguiçosos autocentrados" (P. Pereira) torna tudo mais facilmente entendível. Mas o mundo é muito mais complexo e não se coaduna com esta visão mecanicista da sociedade.

Refere P. Pereira que: "O curso de História, se tivesse feito parte do currículo do desempregado, colocá-lo-ia de imediato na categoria de "preguiçoso autocentrado", antiquado e inútil, "piegas" e queixoso, a quem é preciso dar um abanão de pobreza a ver se se torna "competitivo". Estamos, como já referi, perante uma nova forma de luta de classes: a que opõe "descomplexados competitivos" a "preguiçosos autocentrados".
Foi sempre mais fácil encontrar estereótipos sociais com este  dualismo simplificador que de facto não existe na realidade. Há trabalhadores competentes e incompetentes e empresários competentes e incompetentes. O que acontece é que o ser humano tem dentro de si as duas coisas: uma parte positiva e uma parte negativa que é, se quisermos,  o lado lunar (Carlos Tê/Rui Veloso)
Toda a alma tem uma face negra
Nem eu nem tu fugimos à regra
Tiremos à expressão todo o dramatismo
Por ser para ti eu uso um eufemismo
Chamemos-lhe apenas o lado lunar

O sr. Primeiro Ministro quer viver num país melhor e ele tem um lado positivo e também um lado piegas. (Não quero aqui deturpar a frase do sr. Primeiro Ministro que se referia aos alunos que deviam estudar e não ser piegas).  É como eu que tenho esses dois lados: um com grande vontade de trabalhar e de fazer todos os dias melhor e outro em que só me apetece ir para a praia, para o sul e para o sol.
O líder da oposição certamente quer um país melhor mas não vejo porque é que há-de ter o exclusivo da parte positiva e dizer que todas as medidas estão erradas e que as dele estão certas.
Será que todos os políticos se levantam todos os dias com a mesma disposição para trabalhar ? Ou será que não lhes ocorre que podem estar errados ? Quem os ouve falar é levado a pensar que não têm defeitos. Estão sistematicamente contra.
A realidade é que todos integramos o sistema social com as fraquezas e as forças que resultam das características de cada ser humano.
Defender um passado recente que quase nos deixou no desastre com a megalomania de viver com o dinheiro dos outros, sem vontade para mudar, essas são as fraquezas.
Olhar para o futuro com outra atitude, sem pieguice, essas são as nossas forças e ambas fazem parte de cada um de nós.