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19/03/20

Nos anos 50 ...

Les Paul e Mary Ford - How High The Moon (1951)

Les Paul (Lester William Polsfuss;  9 de junho de 1915 —12 de agosto de 2009), foi um virtuoso guitarrista e pioneiro no desenvolvimento de técnicas e instrumentos musicais eléctricos.

Gibson Les Paul é uma guitarra de corpo sólido que começou a ser vendida em 1952. A Les Paul foi desenhada por Ted McCarty e criada em colaboração com o popular guitarrista Les Paul, a quem a Gibson convidou para aprovar o novo modelo. Esse é um dos modelos de guitarra mais conhecidos do mundo, juntamente com os modelos Stratocaster e Telecaster da Fender e SG da própria Gibson. (Wikiipédia)


Somewhere there's music
How faint the tune
Somewhere there's heaven
How high the moon
There is no moon above
When love is far away too
Till it comes true
That you love me as I love


 
Frank Sinatra - When You're Smiling (1951)


When you're smilin', when you're smilin'
The whole world smiles with you
When you're laughin', when you're laughin'
The sun comes shinin' through


Em 1951, era  música assim que passava na telefonia.
Para o meu pai, neste estranho 19 de Março. 




16/03/20

Para este tempo estranho - La Bohème

 


Hoje no Mezzo.
La Bohème - Opera in four acts by Giacomo Puccini (1858 - 1924)
Libretto by Giuseppe Giacosa and Luigi Illica after Henry Murger's 'Scènes de la vie de bohème'
First performance in Turin, Teatro Regio, on the 1st of February 1896

Orchestra e Chorus of the Gran Teatre del Liceu
Marc Piollet (Conductor)
Saimir Pirgu (Tenor) : Rodolfo
Eleonora Buratto (Soprano) : Mimi
Gabriel Bermudez (Baritone) : Marcello
Olga Kulchynska (Soprano) : Musetta
Jonathan Miller (Stage Direction)

Recording: June 18 2016 - Gran Teatre del Liceu | Barcelona
Director: Stéphane Lebard
Duration: 01:51


MIMÌ
(um pouco titubeante, decidindo-se, depois, a falar; sempre sentada) 
Sim. Chamam-me Mimì mas o meu nome é Lucia.
A minha história é breve. Em tela ou em seda
bordo em casa e fora. Sou tranquila e feliz e divirto-me a representar lírios e rosas.
Gosto das coisas que possuem esse doce poder,
que falam de amor, de primaveras,
que falam de sonhos e de quimeras,
aquelas coisas que se chamam poesia...
Compreendeis-me?

RODOLFO 
(comovido) 
 Sim.

MIMÌ
Chamam-me Mimì, o porquê não sei.
(com simplicidade)
Sozinha, preparo as refeições para mim.
Nem sempre vou à missa
mas rezo com frequência ao Senhor.
Vivo só, sozinha lá num quarto branco:
olho para os telhados e para o céu,
(levanta-se)
mas quando chega o primeiro degelo
o primeiro sol é meu...
o primeiro beijo de Abril é meu!
Rebenta uma rosa num vaso.
Folha a folha a espio! *
Tão gentil o perfume de uma flor! 
Mas as flores que eu faço, infelizmente! ... não deitam cheiro!
Mais não saberia o que lhe contar: sou a sua vizinha
que o vem importunar fora de horas.

(04 Os Clássicos da Ópera - 400 anos, pag.46)


_______________________________________
*"Foglia a foglia l'aspiro"

04/03/20

A Sonata de Kreutzer

Beethoven - Sonata Nº 9. Op.47. Kreutzer.
(Anne-Sophie Mutter - Lambert Orkis)
   
0:49 - I. Adagio sostenuto – Presto  
16:29 - II. Andante con variazioni 
34:59 - III. Presto



A Sonata para violino n.º 9, em lá maior, op. 47, de Ludwig van Beethoven (1770-1827) foi inicialmente dedicada a George Bridgetower, que chegou a Viena no início de Abril de 1803. Porém, consta que devido a uma forte discussão sobre o aspecto duma mulher… Beethoven, furioso, desistiu da oferta que tinha feito a «Bridgetower», e acabou por dedicar a Sonata a um seu grande amigo, violinista, Rodolphe Kreutzer.


Em 1889, Lev Tolstói (1828-1910), publicou uma história breve intitulada "A Sonata Kreutzer", que é uma análise dos comportamentos da época - que no fundo são intemporais - no que diz respeito às relações homem-mulher, ao divórcio, e ao fluir das paixões e das emoções de forma desequilibrada e violenta.
"A Sonata de Kreutzer" é um diálogo que acaba por ser um monólogo que ocorre durante uma viagem de comboio, em que estas relações são abordados por Pózdnitchev, o narrador, com uma visão bastante pessimista sobre a vida conjugal. 


Capa: Relógio D´Água Editores sobre pormenor de Kreutzer Sonata (1901)
de René François Xavier Prinet

No capítulo 23, vem a descrição sublime feita por Tolstói da influência da música no despertar do ciúme, em que mostra, pormenorizadamente, a relação-ligação do pianista Trukhatchévski com a violinista Lisa, mulher de Pózdnitchev, quando interpretam a Sonata Kreutzer.
Tolstói descreve, neste capítulo, o poder hipnotizador da música e os sentimentos terríveis que desperta em Pózdnitchev, sentimentos que até aí não tinha sentido.

As causas do ciúme são diversas, dependem da personalidade da pesssoa ciumenta, que alimentando-se da desconfiança, tortura a sua mente, mesmo com grande sofrimento psíquico.Do ponto de vista psicogenético, as causas do ciúme estão relacionadas com a infância, com a fase fálica do desenvolvimento psicossexual, em que a frustração inerente ao complexo de Édipo, é o fundamento de todos os ciúmes.
Muitos outros sentimentos fazem parte do ciúme: o sentimento de inferioridade, baixa autoestima, sentimento de injustiça, e medo inconsciente da perda do objecto amado.

O Manual Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM), define o subtipo Ciúme na Perturbação delirante (F22.0) quando o tema central do delírio do sujeito é que o seu cônjuge ou amante lhe é infiel. Esta crença surge sem causa evidente e é baseada em inferências indirectas suportadas por pequenas “evidências” (por exemplo, vestuário desarrumado ou manchas nos lençóis) que são guardadas e utilizadas para justificar as ideias delirantes. O sujeito pode tomar medidas extremas para evitar a suposta infidelidade.
O sujeito com ideias delirantes de ciúme, geralmente, confronta o cônjuge ou amante e tenta interferir na infidelidade imaginária (por ex.: restringindo a autonomia do cônjuge, seguindo-o secretamente, investigando o amante imaginário, atacando o cônjuge).



As causas do ciúme também podem estar associadas a algum quadro psiquiátrico como nos casos de alcoolismo (ciúme delirante), ou associado ao uso de outras substancias psicoativas; pode ainda estar associado a psicoses funcionais e aos transtornos ansiosos (particularmente ao transtorno obsessivo-compulsivo), e do humor (ciúme obsessivo).

As consequências do ciúme patológico são descritas por Tolstói numa complexidade de relacionamentos do casal e o narrador manifesta desde o início uma visão pessimista da vida e baixo nível de satisfação com a vida: o noivado horrível, um trabalho de Sísifo e a desgraça de ter filhos.
Em geral, como consequência, o ciúme leva à insatisfação e ao termo do relacionamento conjugal, ao adultério, à insatisfação no casamento, à violência doméstica... como já aqui vimos há algumas semanas.(Ciúme e violência doméstica)
Hoje ficamos a perceber como a complexidade do assunto requer que se pense esta violência doméstica com mais rigor, evitando tratar o assunto em termos demagógicos ou de campanha eleitoral.

________________________________________________
Obs.:

1. A capa do livro: Uma das obras mais conhecidas de René-Xavier Prinet, A Sonata de Kreutzer, fez 
parte, em 1901, da exposição «A Arte francesa contemporânea», em Stuttgart, onde foi vendida ao príncipe regente da Baviera.

2 . No capítulo 23, explica como "a música provoca um efeito sublime na alma" ou, pelo contrário...
«O almoço foi como outro qualquer, enfadonho, cheio de convencionalismos. A música começou bastante cedo. Ah, como eu me lembro tão bem de todos pormenores do sarau; parece que estou a vê-lo pegar no estojo, a abri-lo, a tirar uma colchinha bordada por uma senhora qualquer, a extrair o violino e a começar a afiná-lo. Vejo a minha mulher a sentar-se ao piano com um ar de fingida indiferença a encobrir, eu bem via, uma grande timidez (a timidez que o medo da sua inépcia, sobretudo, lhe provocava); portanto, sentou-se com ar fingido, começaram os habituais lás no piano, o pizzicato do violino, a instalação da pauta. Depois olharam um para o outro, olharam para as pessoas que se sentavam, trocaram umas palavras, e começou. Ela deu o primeiro acorde. A cara dele ficou séria à escuta, rigorosa, simpática, e depois, com o arco nos dedos cuidadosos, tocou nas cordas e respondeu ao piano. E começou...»
Pózdnichev parou, depois emitiu várias vezes o seu barulhinho habitual. Queria continuar, mas fungou e voltou a parar.
— Estavam a tocar a Sonata de Kreutzer, de Beethoven. Conhece o primeiro presto? Conhece? — exclamou. — Ooh!... Esta sonata é uma coisa terrível. Precisamente esta parte. E a música em geral. O que é isso? Não compreendo. O que é a música? O que ela nos faz? E por que é que faz o que faz? Dizem que a música provoca um efeito sublime na alma... Mentira, absurdo! Provoca um efeito, um efeito terrível (estou a falar de mim), mas não sublime. Não age na alma de modo sublime nem humilhante, mas de modo excitante. Como lhe hei-de explicar? A música faz-me esquecer de mim próprio, da minha verdadeira situação, transporta-me para outro espaço qualquer que não é o meu: a música parece que me faz sentir o que na verdade não sinto, que me faz compreender o que não compreendo, parece que com a música, posso fazer o que na verdade não posso. Explico-o assim: o efeito da música é como o do bocejo ou do riso; não tenho sono mas bocejo quando olho para alguém a bocejar; não tenho motivos de riso mas rio quando ouço alguém a rir-se.
«A música transfere-me de imediato para o estado de espírito do músico quando a compôs. Fundo-me na alma dele e, juntamente com ele, transporto-me de um estado para o outro, mas não sei por que o faço. O homem que compôs, digamos, esta Sonata de Kreutzer, Beethoven, sabia o porquê desse seu estado, um estado que o levou a praticar determinados actos, logo um estado que tinha sentido para ele mas que, para mim, não tem qualquer sentido. Por isso a música apenas excita, mas não determina. Bom, se tocam uma marcha militar, os soldados marcham, a música aqui determina alguma coisa; se tocam uma dança, dançamos, e tudo está definido; cantam uma missa, comungamos, também está definido. Mas aqui apenas há a excitação, e não se torna claro o que devemos fazer neste estado de excitação. Por isso a música é tão assustadora, por isso causa tantas vezes um efeito pavoroso. Na China, a música é uma prerrogativa do Estado. E tem de ser assim. Pode admitir-se que alguém hipnotize quem lhe apeteça, uma ou muitas pessoas, e depois faça com elas o que quiser? Sendo o hipnotizador, ocasionalmente, um homem imoral?
«Pois bem, este meio terrível cai nas mãos de qualquer um. Por exemplo, esta Sonata de Kreutzer, o primeiro presto. Será admissível tocar este presto num salão, no meio de senhoras decotadas? Ouvem, batem palmas, depois comem gelados e falam de um novo boato qualquer. Estas coisas apenas devem ser tocadas em circunstâncias importantes, significativas e quando é necessário realizar determinadas acções importantes que correspondam a esta música. Ouvir e fazer precisamente o que a música sugeriu. De outro modo solta-se uma energia e um sentimento que não correspondem ao lugar nem ao momento, e não se manifestam, o que não deixa de ser nocivo. A mim, pelo menos, esta peça influenciou-me terrivelmente; parecia que se me revelavam sentimentos e possibilidades absolutamente novos, desconhecidos para mim até àquele momento. Parecia que a minha alma me falava: isto é assim, não é como pensaste e como viveste antes. Não sabia que coisa nova me era dada a conhecer, mas a consciência do novo estado era muito feliz. As mesmas pessoas, incluindo ele e ela, eram-me reveladas a uma luz muito diferente.
«Depois do presto tocaram o andante, excelente mas banal, nada novo, com variações vulgares, e o final, então, foi mesmo fraco. Depois, a pedido dos convidados, tocaram ainda uma elegia de Ernst e algumas outras pequenas peças. Tudo muito belo, sim, mas não me produziu sequer a centésima parte daquela primeira impressão. Tudo o que ia acontecendo na música já vinha ofuscado por aquela primeira impressão. Senti-me leve e alegre durante todo o serão. Quanto à minha mulher, nunca antes a vira como naquela noite: os olhos brilhantes, a expressão rigorosa e significativa enquanto tocava e, quando acabou, o ar terno, o sorriso fraco, humilde e deliciado. Eu via tudo isso mas não lhe atribuía outro sentido senão o de que ela experimentava as mesmas sensações que eu, de que também para ela se revelavam, como que surgidos das névoas da memória, sentimentos novos nunca antes experimentados. O serão acabou da melhor maneira, todos os convidados partiram.
Lev Tolstói, A sonata de Kreutzer, Relógio D'Água, pags 89-92.

3. Da história da Sonata consta a censura que foi feita tanto na Rússia como nos EUA.
De facto, o breve romance "A Sonata a Kreutzer" foi proibido na Rússia pelos censores, mas uma versão mimeografada foi amplamente divulgada. Em 1890, o Departamento Postal dos Estados Unidos proibiu o envio de jornais contendo partes serializadas da obra. Isto foi confirmado pelo Procurador-Geral dos Estados Unidos no mesmo ano. Theodore Roosevelt chamou Tolstói de "pervertido sexual". A proibição da sua venda foi revogada pelos tribunais de Nova York e Pensilvânia em 1890.

4. O ciúme na literatura tem sido tratado por vários escritores, que descrevem este sentimento, entre eles, Tolstói n' A Sonata de Kreutzer.
No entanto, uma referência especial é sempre feita a Otelo de Shakespeare. Otelo é influenciado pela inveja de Iago, que trama uma cruel vingança, insinuando a Otelo que sua mulher e Cássio o traíam.
Otelo, a partir destas insinuações, passou a desconfiar da fidelidade da jovem com muita facilidade, através de “evidências” que, na realidade, não chegavam a ser motivos para tamanha desconfiança.
Este ciúme patológico, estes delírios de ciúme deram origem ao que se designa como a Síndrome de Otelo.






29/02/20

Hoje apetece-me regressar à infância e viajar até Viena

 Wiener Sängerknaben - (Meninos Cantores de Viena)
Wo die Zitronen blüh'n - (Onde Florescem os Limões)




Valsa Onde Florescem os Limões, Op.364 - Johann Strauss -
 Strauss-Orchester Wien



26/02/20

Estrada Nacional 2

A desertificação, o despovoamento e o abandono do chamado “interior” tem vindo a ser concretizado desde há muito tempo pelos diferentes governos que nos têm desgovernado.
Mas “agora sim , damos a volta a isto”*, como diz a canção dos Deolinda. 
Temos o maior governo da democracia que soma cerca de 70 ministros e secretários de estado  para todos os gostos mas principalmente para combaterem a desertificação e o abandono:
Ministra da coesão territorial, Secretário de Estado da Conservação da Natureza, das Florestas e do Ordenamento do Território, Secretário de Estado Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Secretária de Estado da Valorização do Interior, Secretário de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Rural. 

John Steinbeck em “Vinhas da ira”, dá-nos um retrato do sonho americano desfeito  e sem esperança.  Conta a história  de uma família (Joad), que parte do Oklahoma em direcção à Califórnia em busca desse sonho, que como muitas outras famílias, após a Grande Depressão de 1929, as fracas condições económicas, as intempéries,  a incapacidade  de pagar os empréstimos aos bancos... tem que deixar as suas cidades,  as suas quintas em busca de algo melhor.
Fogem pela mítica Route 66 **, até à Califórnia em busca de trabalho e de melhores salários onde, afinal, o afluxo de muitos trabalhadores  não lhes vai permitir melhorar a situação.

Manhattan Transfer - ROUTE 66

Esta mesma estrada é um dos assuntos centrais do filme Cars, da Pixar (2006) , que é muito mais do que um filme para crianças, e da cidade fictícia de Radiator Springs simbolizando vários lugares reais da histórica Route 66
Uma excelente imagem da desertificação após a construção da Interstate 40 porque Radiator Springs deixou de ser passagem obrigatória para todos os que utilizavam a Route 66 e  levou a cidade, onde Faísca McQueen foi “cair”, ao abandono e ao marasmo.



Por cá temos a EN2  com 738,5 quilómetros *** que o escritor Afonso Reis Cabral (Ler, p. 116-127) percorreu a pé. Sendo a estrada nacional com mais longo percurso, torna-se fascinante percorrê-la, visitando o Portugal profundo: 11 distritos, 8 províncias, 4 serras, 11 rios e 32 concelhos.

Talvez inspirado por esta “aventura”, o sr. primeiro ministro não quis deixar de fazer campanha eleitoral à conta da EN 2.  
"Estamos brevemente a iniciar uma nova etapa na caminhada que iniciámos há quatro anos. E sempre que se inicia uma nova etapa é bom voltar ao quilómetro zero para ganhar inspiração para o que há a fazer nos quilómetros a seguir", afirmou António Costa, que hoje dedicou o dia à EN2, que atravessa o país entre Chaves e Faro, recusando-se a falar sobre outros assuntos da atualidade nacional.
... O também primeiro-ministro elogiou o projeto da Rota da N2, lançado em 2014, e disse que é "preciso relembrar que há mais país para além do país" que se vê "nas áreas de serviço"...

Como nas Vinhas da ira, como em Cars, o progresso conseguido não é definitivo. As autoestradas têm este reverso da medalha, a desertificação dos locais por onde passava a antiga estrada com curvas e contracurvas mas com tempo para apreciar a beleza da paisagem, e a falta de contrapartidas para as populações locais.
Por outro lado, o desenvolvimento passa pela coesão territorial, pelo equilíbrio inter-regional e local, passa pela manutenção das infraestruturas no seu conjunto nacional em todos os sectores, em todas as cidades, vilas e aldeias. De contrário, não há Eldorado que nos valha.

______________________________
António Costa arranca com iniciativa "Governo mais próximo" em Bragança
**Route 66 é uma rodovia histórica que foi construída na década de 1920 e atravessava sete estados dos EUA (Illinois, Missouri, Kansas, Oklahoma, Texas, Novo México, Arizona e Califórnia) com um percurso de 3.940 km.  Em 1985  foi substituída pela Interstate 40.
*** É a terceira mais extensa estrada nacional de todo o Mundo, apenas superada pela Route 66 (3.939 quilómetros), nos Estados Unidos, e a Ruta Nacional 40 (5.194 quilómetros), na Argentina.

  

https://www.mixcloud.com/RACAB/crónica-de-opinião-de-carlos-teixeira-27-02-2020/


30/01/20

"O capitão fantástico"




Filme de 2016. A ideologia de Noam Chomsky está expressa logo no início: "o povo é que mais ordena... abaixo a autoridade".
Mas, como sempre, é necessário, num mundo de ilusões, ter alimento para sobreviver. A operação chama-se "Missão libertar a comida".
O tema é recorrente: a educação natural vs civilização consumista. Uma, a primeira, é boa, a outra má.
Viver segundo a natureza, sem educação que manche essa boa natureza e em que apenas importa uma educação familiar radical e utópica.
De Rousseau no que tem de pior ao menino selvagem mas da frente para trás, na direcção contrária das crianças do "capitão". Ou seja:  Fugir da civilização e criar os filhos na floresta.

Salva-se a música dos Guns N' Roses - Sweet Child O' Mine




Sweet Child O' Mine

Ela tem um sorriso que parece
Lembrar-me de memórias de infância
Onde tudo era fresco
como o brilhante céu azul
De vez em quando eu vejo seu rosto
Ela me leva para aquele lugar especial
E se eu olhasse por muito tempo
Provavelmente perderia o controle e choraria
Oh, oh! Minha doce criança
Oh, oh, oh, oh! Meu doce amor
Ela tem olhos dos céus mais azuis
Como se eles pensassem na chuva
Odeio olhar para dentro daqueles olhos
E ver um pingo de dor
O seu cabelo lembra-me um lugar quente e seguro
Onde como uma criança eu me esconderia
E rezaria para que o trovão e a chuva
Passassem quietos por mim
Para onde vamos?
Para onde vamos agora?
Para onde vamos?


18/12/19

Carrapatoso - "Ó meu menino"

Eurico Carrapatoso - "Ó meu menino" de "Magnificat em Talha Dourada" (2005)
Soprano Angélica Neto
Grupo vogal Olisipo com direcção de Armando Possante 

Menino de Pias

Ponde em nós os Vossos olhos,
Misericórdia, amor!

Ó meu Menino,
Meu doce Jesus,
Ó meu Redentor,
Salvai-me, Senhor!

Ó meu Menino,
Sorrindo na dor,
Quem tudo sustém,
Do mundo Senhor.

Ó meu Menino,
Que pobre que estais,
Na gruta despido,
Por entre animais.

14/12/19

Por estes dias de Europa...


Georg Friedrich Händel
(Halle an der Saale, 23/2/1685 — Londres, 14/4/1759)
Sarabanda

Compositor alemão, naturalizado cidadão britânico em 1726. Contra a vontade do pai que o queria advogado, conseguiu estudar música. A sua carreira foi passada em Hamburgo, Itália, Hanover, Londres. Quando adquiriu cidadania britânica adoptou o nome George Frideric Handel.
Europeu, com Brexit ou sem ele, com União Europeia ou sem ela...



03/11/19

Muros de silêncio

The sound of silence - Paul Simon


... And in the naked light I saw
Ten thousand people, maybe more
People talking without speaking
People hearing without listening
People writing songs that voices never share
And no one dare
Disturb the sound of silence
"Fools" said I, "You do not know
Silence like a cancer grows
Hear my words that I might teach you
Take my arms that I might reach you"
But my words like silent raindrops fell
And echoed
In the wells of silence...

O silêncio é de ouro mas o silenciamento não. Nesse caso "é como um cancro que cresce".
David Draiman dos Disturbed, na sua versão de "The sound of silence", dá bem a ideia do dramatismo do silenciamento, talvez mais do que a versão original de Paul Simon.
Dá também Uma resposta ao silenciamento de Roger Waters sobre as ditaduras mais ferozes que têm grassado por este mundo.
A questão, afinal, não é "nós não precisamos de educação" mas, sim, precisamos de uma educação decente, nós precisamos de uma educação livre, crítica, sem os muros (quem diria!) de silêncio que Roger Waters quer impor aos outros, os muros da palavra, simbólicos, da liberdade, de poder cantar seja onde for para quem quiser ouvir.
As sociedades democráticas estão carregadas de defeitos, alguns dos líderes democráticos não são do nosso agrado, merecem todas as críticas porque e quando se põem a jeito, mas, e esta diferença é determinante, sabemos que serão substituídos pelos eleitores em próximas eleições.
Já não podemos dizer o mesmo dos pulhas que se mantêm no poder anos intermináveis, sem eleições democráticas, até caírem da tripeça, deixando os respectivos países ainda mais miseráveis.

Onde estão os que não se calam, os que não são corruptos, os corajosos, os que não são calculistas, os que não são hipócritas, os que não são habilidosos  e videirinhos... Onde estão ?
Onde está a comunicação social livre  e independente que dá voz aos que a não têm, que não vai atrás de modas de share ou lá o que é, mas que não passa da voz do dono ?
Onde estão os que não calam os criminosos, onde estão os procuradores e os juízes que devem fazer justiça ?

Há quantos anos vivemos com a extrema-esquerda no parlamento e na rua,  neste país e por todo o lado, e silenciamos  a sua filiação à mais profunda das desgraças, violências, que reinaram nos países, arruinaram povos, dizimaram etnias... que tiveram a infelicidade de saber o que ela é ?
Onde está a comunicação social - que tem nesta matéria uma responsabilidade particular - e os jornalistas independentes ?
intelligentsia parece esquecida destas realidades quando defende  não a "liberdade" mas o eufemismo das "mais amplas liberdades"? Foi assim em Portugal, é assim nos países onde a extrema-esquerda é quem mais ordena.
Onde estava Bernard Shaw quando os opositores de Estaline eram dizimados ?
Onde está Noam Chomsky quando ignora o "Arquipélago de Gulag"  e defende todas as ditaduras de esquerda ?

O silêncio não é de ouro quando é silêncio que fala alto através da linguagem das armas mas também de outras formas simbólicas ensinadas não apenas nos quartéis mas nas escolas e universidades. 
Paradoxalmente, assistimos a estas lutas interculturais  e  intraculturais, à violência mais feroz que fica dentro de fronteiras, dentro de casa, da luta de classes às guerras civis.

"Porque os outros se calam mas tu não", escrevia Sophia e Fanhais cantava (Porque). 
Entretanto, ninguém perturba o som do silêncio ...  trinta anos depois do muro de Berlim.


26/10/19

"À Pátria"

Vianna da Motta - Sinfonia "À Pátria", em Lá maior, Op. 13 ( 1894 )




(Depois dos insultos à bandeira nacional e à cultura dos portugueses)


"3. Os símbolos nacionais são bens jurídicos considerados dignos de tutela penal. Logo em 1910, o artigo 3º do decreto com força de lei de 28 de dezembro veio determinar que «aquele que, de viva voz ou por escrito publicado ou por outro meio de publicação, ou por qualquer ato público, faltar ao respeito devido à bandeira nacional que é o símbolo da Pátria, será condenado na pena de prisão correcional de três meses a um ano e multa correspondente e, em caso de reincidência, será condenado no mínimo de pena de expulsão do território nacional, fixado no § único, do artigo 62º, do Código Penal». Atualmente, o artigo 332º do Código Penal pune com pena de prisão até dois anos ou com pena de multa até 240 dias «quem publicamente, por palavras, gestos ou divulgação de escrito, ou por outro meio de comunicação com o público, ultrajar a República, a bandeira ou o hino nacionais, as armas ou emblemas da soberania portuguesa»; no caso de símbolos regionais, a pena é de prisão até um ano ou multa até 120 dias. "



14/10/19

Sem paridade


Phil Spitalny formou uma orquesta apenas com mulheres, solista Evelyn Kaye Klein.
(Do filme  "Here Come the Co-Eds", de 1945, com Abbott & Costello)

08/09/19

Hoje apetece-me ouvir: D.A.M.A.

D.A.M.A. - Era eu


...Quando tu dizias que a luz dos teus olhos era eu...

...Dá-me um segundo ainda não te disse adeus
Como é que tudo mudou tanto
Passou tudo num instante

Ainda não te disse adeus.

23/08/19

José Cid

A lenda de El-Rei D. Sebastião - Quarteto 1111

Em Agosto de 1967, o "Em Órbita" passou pela primeira vez um tema português, "A Lenda de El-Rei D. Sebastião", pelo Quarteto 1111. O que provocou divergências entre Jorge Gil que não queria e João Manuel Alexandre e José Luiz Magalhães que queriam. (Wikipédia)
Parabéns!

01/08/19

Z. Kodály - Na aflição...

Zoltán Kodály: Psalmus Hungaricus, Op. 13

Na aflição David queixa-se da malícia dos seus inimigos (SALMO  55)

  1. Inclina, ó Deus, os teus ouvidos à minha oração, e não te escondas da minha súplica.
  2. Atende-me, e ouve-me; lamento na minha queixa, e faço ruído.
  3. Pelo clamor do inimigo e por causa da opressão do ímpio; pois lançam sobre mim a iniquidade, e com furor me odeiam.
  4. O meu coração está dolorido dentro de mim, e terrores da morte caíram sobre mim.
  5. Temor e tremor vieram sobre mim; e o horror me cobriu.
  6. Assim eu disse: Oh! quem me dera asas como de pomba! Então voaria, e estaria em descanso.
  7. Eis que fugiria para longe, e pernoitaria no deserto.
  8. Apressar-me-ia a escapar da fúria do vento e da tempestade.
  9. Despedaça, Senhor, e divide as suas línguas, pois tenho visto violência e contenda na cidade.
  10. De dia e de noite a cercam sobre os seus muros; iniquidade e malícia estão no meio dela.
  ...

O carácter dramático da obra manifesta bem o sofrimento do povo húngaro, após o tratado de Trianon, como, aliás, ao longo da sua história.


17/06/19

"Sociedade de preservação de Green Village"

 
The Village Green Preservation Society - The Kinks

 
 Na versão de Kate Rusby


Para os que usam as palavras mágicas da política actual, "alterações climáticas", a "sociedade de preservação"  é o mais verde que pode haver. A oferta política de "verdes" é o que está a dar e vai da esquerda à direita. Há verdes por todo o lado.
Entretanto, o interior, o ar puro, a vida tranquila das aldeias, tem cada vez mais adeptos de pacotilha. Não pára de crescer a desertificação humana.
Neste desvario, é bom ouvir a ironia e sarcasmo dos Kinks. Também interessante a versão de Kate Rusby e do vídeo.

16/06/19

Callas, Puccini, Zeffirelli

“Callas, a Diva” (2002) – Naquela que foi a sua derradeira longa-metragem, Franco Zeffirelli combina recordações pessoais de Maria Callas (magnificamente personificada por Fanny Ardant) com elementos ficcionais, para homenagear o talento e a integridade artística daquela que foi sua amiga e que dirigiu em palco. (Eurico de Barros, Observador)

Maria Callas - O Mio Babbino Caro (Tosca) de Giacomo Puccini

22/05/19

Taxman



Como escrevi em 2016, a canção dos Beatles não é assim tão exagerada para um governo (Costa/Centeno) que continua a taxar tudo o que mexe, negando que o faz, como convém.
A segunda troica é muito mais eficiente que a primeira a cobrar impostos, sem manifestações, sem indignação, até com alguma felicidade! Gaspar era um aprendiz nesta matéria.


 
'Cause I'm the taxman... / Porque eu sou o homem dos impostos
Yeah, I'm the taxman / Sim, eu sou o homem dos impostos
If you drive a car / Se conduz um carro
I'll tax the street / Vou taxar-lhe a rua
If you try to sit/Se tentar sentar-se
I'll tax your seat / Vou taxar-lhe o assento
If you get too cold / Se ficar com muito frio
I'll tax the heat / Vou taxar-lhe o calor
If you take a walk / Se for passear
I'll tax your feet / Vou taxar-lhe os pés...

"A carga fiscal aumentou 6,5% em 2018 face ao ano anterior, representando 35,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Os dados foram revelados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e indicam que é valor mais alto desde 1995, ou seja, desde o início da série.
A receita dos impostos e das contribuições sociais efetivas atingiu no ano passado os 71,4 mil milhões de euros (mais 4,3 mil milhões de euros face a 2017), crescendo 6,5% em termos nominais, após o aumento de 5,3%, para 34,4% em 2017." (Sónia Peres Pinto, Sol, 13-5-2019)


(29/5/2019)
A cobrança de impostos na estrada, sob ameaça das autoridades, está para além de qualquer imaginação indecente.