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26/02/20

Estrada Nacional 2

A desertificação, o despovoamento e o abandono do chamado “interior” tem vindo a ser concretizado desde há muito tempo pelos diferentes governos que nos têm desgovernado.
Mas “agora sim , damos a volta a isto”*, como diz a canção dos Deolinda. 
Temos o maior governo da democracia que soma cerca de 70 ministros e secretários de estado  para todos os gostos mas principalmente para combaterem a desertificação e o abandono:
Ministra da coesão territorial, Secretário de Estado da Conservação da Natureza, das Florestas e do Ordenamento do Território, Secretário de Estado Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Secretária de Estado da Valorização do Interior, Secretário de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Rural. 

John Steinbeck em “Vinhas da ira”, dá-nos um retrato do sonho americano desfeito  e sem esperança.  Conta a história  de uma família (Joad), que parte do Oklahoma em direcção à Califórnia em busca desse sonho, que como muitas outras famílias, após a Grande Depressão de 1929, as fracas condições económicas, as intempéries,  a incapacidade  de pagar os empréstimos aos bancos... tem que deixar as suas cidades,  as suas quintas em busca de algo melhor.
Fogem pela mítica Route 66 **, até à Califórnia em busca de trabalho e de melhores salários onde, afinal, o afluxo de muitos trabalhadores  não lhes vai permitir melhorar a situação.

Manhattan Transfer - ROUTE 66

Esta mesma estrada é um dos assuntos centrais do filme Cars, da Pixar (2006) , que é muito mais do que um filme para crianças, e da cidade fictícia de Radiator Springs simbolizando vários lugares reais da histórica Route 66
Uma excelente imagem da desertificação após a construção da Interstate 40 porque Radiator Springs deixou de ser passagem obrigatória para todos os que utilizavam a Route 66 e  levou a cidade, onde Faísca McQueen foi “cair”, ao abandono e ao marasmo.



Por cá temos a EN2  com 738,5 quilómetros *** que o escritor Afonso Reis Cabral (Ler, p. 116-127) percorreu a pé. Sendo a estrada nacional com mais longo percurso, torna-se fascinante percorrê-la, visitando o Portugal profundo: 11 distritos, 8 províncias, 4 serras, 11 rios e 32 concelhos.

Talvez inspirado por esta “aventura”, o sr. primeiro ministro não quis deixar de fazer campanha eleitoral à conta da EN 2.  
"Estamos brevemente a iniciar uma nova etapa na caminhada que iniciámos há quatro anos. E sempre que se inicia uma nova etapa é bom voltar ao quilómetro zero para ganhar inspiração para o que há a fazer nos quilómetros a seguir", afirmou António Costa, que hoje dedicou o dia à EN2, que atravessa o país entre Chaves e Faro, recusando-se a falar sobre outros assuntos da atualidade nacional.
... O também primeiro-ministro elogiou o projeto da Rota da N2, lançado em 2014, e disse que é "preciso relembrar que há mais país para além do país" que se vê "nas áreas de serviço"...

Como nas Vinhas da ira, como em Cars, o progresso conseguido não é definitivo. As autoestradas têm este reverso da medalha, a desertificação dos locais por onde passava a antiga estrada com curvas e contracurvas mas com tempo para apreciar a beleza da paisagem, e a falta de contrapartidas para as populações locais.
Por outro lado, o desenvolvimento passa pela coesão territorial, pelo equilíbrio inter-regional e local, passa pela manutenção das infraestruturas no seu conjunto nacional em todos os sectores, em todas as cidades, vilas e aldeias. De contrário, não há Eldorado que nos valha.

______________________________
António Costa arranca com iniciativa "Governo mais próximo" em Bragança
**Route 66 é uma rodovia histórica que foi construída na década de 1920 e atravessava sete estados dos EUA (Illinois, Missouri, Kansas, Oklahoma, Texas, Novo México, Arizona e Califórnia) com um percurso de 3.940 km.  Em 1985  foi substituída pela Interstate 40.
*** É a terceira mais extensa estrada nacional de todo o Mundo, apenas superada pela Route 66 (3.939 quilómetros), nos Estados Unidos, e a Ruta Nacional 40 (5.194 quilómetros), na Argentina.

  

https://www.mixcloud.com/RACAB/crónica-de-opinião-de-carlos-teixeira-27-02-2020/


22/05/19

Fim de semana em família

Lisboa, vista do Jamie's Italian, no Príncipe Real




Passou mais um 15 da Maio - Dia internacional da família. Para além deste, todos os outros dias são dias da família.
Fim de semana em família, quer dizer estar a tempo inteiro com os filhos e os netos, que são aquilo que define a família.
Procurar espaços onde se possa estar em família requer alguma procura. É necessário, por exemplo,    saber se o restaurante é kids friendly, se tem o equipamento essencial, cadeiras para bebés, menu para os mais pequenos... e sobretudo, o que não pode faltar, atitudes do pessoal e ambiente acolhedor e simpático para eles. Não deviam ser todos assim ?
Aqui deixo dois bons exemplos.

Procurar uma filosofia de vida, a procura do bem-estar, a de Epicuro, o prazer do sábio, a saúde do corpo e a tranquilidade do espírito, o domínio das próprias emoções... Eros vence Thanatos. Só podemos ser felizes quando os outros também o são.


21/12/18

Tempo de brincar


António Pinho Vargas - Dinky toys - album "A Luz e a Escuridão" (1996)


A infância, tempo de brincar. Para a criança, brincar é aprender. Não só no Natal mas sempre. Tempo de legos e de playmobil que já foi de meccano e dinky toys. Mudam os brinquedos mas não muda a luz que lhe vemos no olhar.

01/06/18

Jogo e desenvolvimento psicológico

Atividades para crianças: férias criativa e divertida 


jogo finalidade em si (Janet)
jogo energia vital que ultrapassa as necessidades imediatas e estimula o crescimento (Huizinga)
jogo realização do ego do indivíduo (Claperède e M. Mead)
jogo contágio e incubação de valores sócio-culturais
jogo secreção da actividade psicomotora
jogo "loisir" recriação como meio de libertação das preocupações e cansaço
jogo"momento de cultura"onde a criança se encontra com todas as possibilidades de expressão
         corporal, estética, coreográfica, literária, teatral, desportiva, científica
jogo expressão de uma vitalidade mental e concretização de um dom psicomotor
jogo"écran" onde se projecta o que ocupa, ou que invade o espírito e sensibilidade da criança
jogo recapitulação na ontogénese da filogénese (Stanley Hall)
jogo expressão psicomotora e sociomotora
jogo factor de libertação e formação
jogo realização psicomotora que não tende para nenhuma finalidade senão ela própria
jogo obstáculo à solidão, eclosão extra-espacial
jogo relação com os outros, factor essencial ao desenvolvimento da personalidade
jogo caminho para a conquista da autonomia da criança
jogo "écran"do quotidiano
jogo contributo para a realização de frustrações, de complexos, de insuficiências, de dificuldades de
       aprendizagem, de dificuldades relacionais, de reacções regressivas, de tendências agressivas e
       anti-sociais (Anna Freud)
jogo meio terapêutico no âmbito das perturbações psicomotores como também na esfera de
        prevenção de dificuldades escolares
jogo meio de expressão e libertação de forças não utilizadas (Schiller-Spencer)
jogo exercício de preparação para a vida séria (Gross)
jogo agente de crescimento dos órgãos dado que estimula a acção do sistema nervoso (Carr)
jogo exercício de tendências geralmente não utilizadas (Konrad-Langue)
jogo é tudo isto
        mas não é só isto...

***
Todas as crianças do mundo deviam ter direito a brincar, hoje, dia da criança, e todos os dias, em vez de estarem a lutar pela sobrevivência.

Artigo 31
1. Os Estados Partes reconhecem à criança o direito ao repouso e aos tempos livres, o direito de participar em jogos e actividades recreativas próprias da sua idade e de participar livremente na vida
cultural e artística.
2. Os Estados Partes respeitam e promovem o direito da criança de participar plenamente na vida cultural e artística e encorajam a organização, em seu benefício, de formas adequadas de tempos livres e de actividades recreativas, artísticas e culturais, em condições de igualdade.

(Convenção sobre os Direitos da Criança - Adoptada pela Assembleia Geral nas Nações Unidas, em 20 de Novembro de 1989 e ratificada por Portugal em 21 de Setembro de 1990).



10/08/17

Confiança básica

 ...
"Olha-me. Nunca me irei embora; mesmo quando já cá não estiver, basta-te abrir pernas e braços, pôr o peito para cima e fechar os olhos, dessa vez fecha os olhos, para me veres onde estou: aí dentro. Quando essa cabeça quiser pensar em nada, que serei eu dentro de ti, fecha os olhos. Nós os dois aqui, um ao lado do outro, a boiar no mar calmo de olhos postos no céu imenso.

A extraordinária relação pai-filho que nasce nas pequenas coisas da vida, da aprendizagem do quotidiano, da confiança básica (E. Erikson), do amor profundo entre dois seres. Muito gratificante. 
Obrigado AAA. 
Partilhei no facebook.

09/08/17

Vinho, mulheres e canções


Valsa "vinho, mulheres e canções"
Orquestra Sinfónica da Rádio de Hamburgo - Dir. de Gudolff Rendel

Talvez aqui.
 


O título da valsa de Johan Strauss só por si, e para os dias que vão correndo, é um tratado do politicamente incorrecto, talvez, até um insulto, para os fracturantes de pacotilha.
É muito mais do que versar sobre a vida desregrada, a que Jeroen Dijsselbloem se referia, como o caminho a evitar, é o encantamento da vida - o principio do prazer.
Embora Dijsselbloem seja do norte disse o que se pode aplicar a todos os povos de todas as geografias, como a ele próprio.  O azar dele foi tê-lo feito de forma focada nos europeus do sul quando isso também é coisa dos europeus do norte, como aqui se vê.
Também já não era o tempo próprio para isso. Quer dizer, foi aqui que nos trouxe o retrocesso em que estamos.

Por estes dias de embandeirar em arco, aliás o nosso querido presidente Marcelo já começou a travar tanta exuberância, principalmente depois das desgraças dos incêndios e de  Tancos, o país que todos procuram pelo sol, pela comida, pela simpatia das pessoas, afinal também tem defeitos. Nada que surpreenda o que refere, no Labirinto da saudade, Eduardo Lourenço: "somos um povo de pobres com mentalidade de ricos". Como as críticas são "de casa", podem dizer o que pensam e o que entendem sobre  a choldra ignóbil, apropriada ao "estado a que chegámos".
Mas não fomos sempre assim ? Podemos voltar ao passado, por altura dos descobrimentos, quando se criticava aqueles que comiam pão-de-ló com sardinha  assada. Mas isso eram outros tempos?

Resta-nos a verdadeira paixão pela música, autêntica evolução no campo da igualdade de direitos. 
Como referia E. Cintra Torres a propósito de "Duetos imprevistos".  "A arte aprende-se. Os compositores, diz-nos Duetos, não são apenas homens do seu tempo: têm as paixões do momento e de sempre. Tal como eles, os dois apresentadores estão sempre à mesa comendo e bebendo (como Bruckner), falando das apaixonadas e do seu papel na música (Liszt, o Strauss das valsas), e procurando também assim recriar o seu amor pela música, religiosa, popular ou o que seja. No écrã, recriam-se pulsões dos compositores: vinho, mulheres e canções (Wein, Weib und Gesang: é o título de uma valsa de Strauss)."

05/05/17

Internet e dependência



A semana passada falámos das implicações dos videojogos no cérebro, falámos sobretudo dos efeitos benéficos. Terminámos a nossa conversa dizendo que os pais deviam controlar essas situações de jogo. Ora sabemos que não é fácil exercer esse controlo quando a Internet e os videojogos estão por todo o lado e o problema, mais genérico, refere-se a todo o mundo virtual.
Não podemos ignorar que videojogos e Internet podem criar dependência e emoções destrutivas, desadaptativas ou desorganizativas da personalidade.
O assunto tem vindo a ganhar relevo e “a indústria dos videojogos tem sido fortemente criticada pelos seus conteúdos mais violentos desde o massacre em Newtown (EUA)" e com a recente controvérsia gerada pelo jogo Baleia azul.
Entre nós, a controvérsia gerada com a comparação que Quintino Aires estabeleceu entre a dependência dos videojogos e a dependência da droga, vai certamente continuar.
Por seu lado Eduardo Sá, considera que “… a adição, como qualquer outra doença relacionada com os videojogos, poderá levar a comportamentos mais violentos e agressivos. Mas “os videojogos não conseguem, no entanto, mudar uma criança saudável a nível psicológico através dos seus conteúdos.” (Programa Falar Global).

Samuel Silva, ("Mais de 70% dos jovens portugueses com sinais de dependência da Internet", Público, 03/11/2014) refere alguns estudos realizados em Portugal. Em 2014, num estudo do ISPA, conduzido por Ivone Patrão, com jovens e adolescentes dos 14 aos 25 anos, envolvendo quase 900 inquiridos, verificou-se que “73.3% dos jovens portugueses mostra sinais de dependência do mundo digital; mostra também que 13% dos casos são graves, que se manifestam através dos comportamentos mais extremos ( isolamento e comportamentos violentos.
Os próprios jovens parecem ter noção disto, uma vez que mais de metade (52,1%) dos inquiridos se percepciona como “dependentes da Internet”.
As características destes jovens são as seguintes:
- grau elevado de importância conferido ao computador ou aos dispositivos móveis;
- sintomas de tolerância face ao uso;
- sintomas de abstinência face ao não uso (como irritabilidade, dores cabeça, agitação e por vezes agressividade) e, em casos mais extremos, recaída face às tentativas sucessivas para parar.
- quase um quarto dos jovens (22,1%) apresenta elevados níveis de isolamento social.
Na primeira fase do estudo tinha-se verificado que os jovens dependentes são sobretudo do sexo masculino, não têm relacionamento amoroso e frequentam o ensino secundário.

Outros estudos recentes (Faculdade de Ciência Sociais da Universidade Nova de Lisboa, Cristina Ponte, que liderou os projectos EU Kids Online e, mais recentemente, Net Children Go Mobile) confirmam os sinais de uma geração cada vez mais dependente da tecnologia;
 6% dos jovens admitem ter ficado “sem comer ou sem dormir por causa da Internet”, por exemplo;
 "Há uma pressão para estarem sempre ligados”.

Marisa Pinto ( "Dependência dos Jovens em Internet e Jogos Electrónicos", 13-9-2012) refere
Kimberly Young que aponta como típicos os seguintes comportamentos nestas pessoas com dependência da Internet:
- Preocupação excessiva com a Internet;
- Necessidade de aumentar o tempo online para ter satisfação
- Exibir esforços repetidos para diminuir o tempo de uso da Internet;
- Presença de irritabilidade e/ou depressão;
- Quando o uso da Internet é restringido, apresenta labilidade emocional (Internet serve como forma de regulação emocional);
- Permanecer mais online que o programado;
- Trabalho e relações sociais em risco pelo uso excessivo;
- Mentir aos outros a respeito da quantidade de horas online.
Refere também que Brown (1993) sugere como características centrais do uso excessivo dos jogos electrónicos:
- O jogo torna-se na coisa mais importante da vida do sujeito;
- Sensação de prazer e alívio quando está a jogar;
- Necessidade de jogar por períodos mais longos de tempo;
- O sujeito sente desconforto quando não pode jogar;
- Existência de conflito com outras pessoas, em actividades sociais e com ele próprio…
- Tendência para voltar a jogar excessivamente após uma interrupção.
A dependência destas tecnologias traz consigo consequências, como por exemplo:
- Má alimentação;
- Desregulamento dos sonos;
- Falta de convívio social;
- Não sair de casa;
- Troca da vida real pela vida “virtual”;
- Baixa auto-estima;
- Falta da prática de desporto.

Por isso, é importante estar atento aos sinais e trabalhar na prevenção.


26/04/17

Cérebro e jogo

Daqui  - Origem do Tetris

Discute-se muito se os videojogos e a Internet tem influência positiva ou negativa na  saúde mental dos utilizadores, ou dito de outra forma, se poderá ter efeitos benéficos sobre o cérebro, quando usada dentro de limites adequados, conjugando esta actividade com todos os outros aspectos da vida.

Na área dos videojogos, quase todos os dias surgem novidades, mas mesmo assim, os estudos existentes podem dar-nos indicações sobre a normalidade do comportamento ou sobre o seu disfuncionamento quando jogamos.
Do ponto de vista industrial e comercial, é um dos sectores em grande desenvolvimento. “A indústria dos videojogos vale mais do que a do cinema e música juntas e, só em Portugal, já existem quase cem empresas nesta área,”(Lisboa Games Week, (FIL), Lusa, 06/11/2015)
Por outro lado, "os avanços em campos como a nuvem, o streaming e a redução de hardware, que agora é capaz de oferecer potência dentro do tamanho de um telemóvel ou um tablet, são aspectos fundamentais que determinarão a evolução das consolas.”… “O software para consolas vai deixar de sê-lo nos próximos dois a três anos ( Michael Pachter, referido por Luís Alves)
cursos superiores de jogos digitais e multimédia, tanto no ensino privado como estatal.

Do ponto de vista da saúde mental, sempre houve pessoas viciadas em jogo. Nos casinos ou fora deles, os jogos de fortuna e azar, como bingo, máquinas caça-níqueis, jogos de cartas, lotaria, raspadinha e até bolsa de valores, podem causar compulsão. (Calcula-se em até 2% da população brasileira; entre 0,16 e 0,20 por cento da população potencialmente dependente, dados de há 10 anos). Todas essas formas de jogo continuam a existir e também os problemas daí resultantes.
Mas as tecnologias digitais, a que qualquer criança ou adolescente tem acesso, trouxeram outras formas de jogo e novos desafios. De facto, os jogos tradicionais foram em grande parte substituídos por estas novas formas de jogar e, como em geral acontece, os videojogos têm efeitos positivos e negativos no cérebro.
“Os videojogos têm sido associados ao comportamento violento e a perda de concentração nas crianças No entanto, estudos recentes mostram agora que têm efeitos neurológicos benéficos: potenciam a atenção e desenvolvem a coordenação “. (O cérebro e os videojogos, Lusíadas)
O problema está na sua utilização ser feita ou não na justa medida. E, certamente que a justa medida, será aquela em que sou eu que comando a máquina e não a máquina que tem domínio sobre mim.
Podemos resumir alguns dos efeitos positivos verificados em vários estudos (O cérebro e os videojogos, Lusíadas): Na ambliopia (Tetris, p.ex.); Melhores resultados na escola, entre os 6 e os 11 anos; Estimula a criatividade (estudo com alunos de 12 anos); Reforça a confiança; Estão também a ser desenvolvidos jogos terapêuticos para aumentar a atenção e minimizar a distracção.
Os efeitos negativos podem ser verificados a partir de casos individuais: A exposição abusiva a jogos violentos pode aumentar a possibilidade de aparecimento de pensamentos, sentimentos e comportamentos agressivos a curto e longo prazo; Os utilizadores de jogos violentos têm propensão para a ansiedade; Uma semana de videojogos violentos pode levar a uma diminuição da actividade no lobo frontal interior esquerdo do jogador em processos emocionais e, também, no córtex cingulado anterior, na execução de tarefas matemáticas; O excesso de horas de jogo conduz a diminuição da actividade do lobo pré-frontal o que pode causar mudanças de humor e comportamentos agressivos prevalecentes mesmo depois de desligar o jogo.  
Os pais devem, por isso, limitar o tempo que a criança ou adolescente dedica aos videojogos e terem todos os cuidados quando se trata de jogos violentos.
Jogar videojogos, sim, mas com conta, peso e medida.


23/11/16

"Construção louca"

 

Por volta dos 6 anos de idade, as crianças manifestam comportamentos que, ao contrário de se considerarem de indisciplina ou desorganização, são momentos de uma relação de qualidade com os pais ou avós.
O mais velho (6;7) que iniciou a escolaridade este ano, toma a iniciativa da brincadeira criando o que chama de “construção louca” ou seja, o local da brincadeira feito com todas as almofadas que se encontram na sala, uma “montanha” de almofadas, para onde irá saltar, de diversos sítios e com diversas “acrobacias”…
É uma actividade onde as habilidades psicomotoras são testadas e nos obriga a avisar “cuidado”, várias vezes, com os saltos mais ou menos arriscados que realiza, e com a dúvida se não será melhor acabar com aquela brincadeira. Claro que não mas deve dizer-se que é necessária alguma supervisão para não deixar objectos, como brinquedos inofensivos, que naquelas circunstâncias, se podem tornar perigosos que podem magoar quando salta para a "construção", como na foto.
A segurança da brincadeira torna-se mais sensível quando a irmã mais nova (2;3) também resolve imitar o irmão e entrar na brincadeira.

Aos seis anos de idade, a criança está em franco desenvolvimento físico, psicológico e emocional.
Um dos grandes psicólogos do desenvolvimento, Arnold Gesell *, continua a ser uma referência na descrição minuciosa do comportamento da criança
Gesell diz-nos que aos seis anos, submetida à mais leve tensão, a criança tende para comportamentos extremos, sempre que tenta servir-se dos seus actuais recursos.
As suas novas possibilidades de comportamento parecem surgir nela aos pares. Sente-se muitas vezes compelida a manifestar, primeiro, um dos extremos de dois comportamentos alternativos e depois logo a seguir o comportamento precisamente contrário (p. 97)

“A auto-activação dramática é simultaneamente um método de crescimento e de aprendizagem. É um mecanismo natural mediante o qual a criança organiza a sua maneira de sentir e de pensar. Mas a tarefa é grande demais para ela só. A escola é o instrumento cultural que deve ajudá-la a alargar e a apurar as suas autoprojecções dramáticas. Instintivamente a criança identifica-se com tudo o que acontece à volta dela e até com as figuras e as letras do seu livro e os números escritos no quadro. Assim como precisa de pegar num bloco e manuseá-lo para ficar a conhecer-lhe as propriedades, assim carece também de projectar as suas atitudes mentais e motoras em situações da vida. As emoções não são forças amorfas; são experiências esquematizadas. A função da escola é a de lhe fornecer experiências pessoais e culturais que organizem simultaneamente as emoções em desenvolvimento e as imagens intelectuais a elas associadas.” (p. 100)

“Os seis anos é uma idade activa, a criança encontra-se numa actividade quase constante, quer seja de pé quer sentada. Parece que anda a equilibrar conscientemente o corpo no espaço. Está em toda a parte - ou anda a trepar às árvores ou a arrastar-se de gatas por cima, por baixo e à roda das suas grandes construções de blocos ou das outras crianças. Parece que é toda ela braços e pernas, quando vai a dançar pela casa fora.” (p. 104)
A criança está a iniciar uma grande mudança cognitiva: o período das operações concretas (Piaget). O seu pensamento vai adquirir uma das ferramentas mais importantes de que poderá dispor – a reversibilidade. A lógica vai entrar na solução dos problemas da sua vida.
Estas actividades e comportamentos fazem parte desse desenvolvimento. Por isso, não faz sentido que sejam reprimidos e muito menos sujeitos a castigos, quando ficamos com a casa virada do avesso ou chegamos a casa cansados do trabalho.
______________________________
* Gesell, A., A criança dos 5 aos 10 anos, D. Quixote.

16/11/16

Alcochete forever

 O Tejo visto do restaurante Alfoz, em Alcochete.

Há sítios extraordinários, de paz, de felicidade. A paisagem é deslumbrante mesmo num dia cinzento que não deixa vislumbrar a ponte Vasco da Gama. Tempo agradável para este Outono, quente, como os sentimentos dos que amamos. Momentos inesquecíveis quando estamos com quem mais gostamos. Mesmo que não seja forever é, pelo menos, sempre repetível. 
E depois... o local tornou-se mítico pelas anedotas dos políticos...

09/11/16

Madrid


"ISTO É MADRID 
Madrid é como uma ex-colegial, uma adolescente rebelde que quebrou as fronteiras do hedonismo, mas que acabou por crescer e se tornar sofisticada, sem nunca esquecer como se divertir. É uma cidade tão à vontade nas discotecas e bares que preenchem as ruas com a sua banda sonora como nos grandes salões da alta cultura. É verdade que a capital espanhola não tem o impacto imediato de Roma, Paris ou até daquela outra cidade um pouco mais acima, Barcelona. A arquitetura é belíssima, mas não se vê nenhum Coliseu, Torre Eiffel, nem qualquer excentricidade pensada por Gaudí para fotografar, para que depois possa voltar para casa e dizer aos seus amigos: «isto é Madrid». Contudo, esta cidade é um conceito, uma forma de viver o presente, à qual pode ser difícil resistir. São muitos os cartões de visita que caracterizam Madrid: galerias de arte assombrosas, uma vida noturna dinâmica e incessante, a sofisticação e variedade da vida que flui pelas ruas ou que repousa nas praças da cidade, a sua extraordinária e relativamente recente transformação em cidade da moda por excelência de Espanha, o florescimento do panorama musical, com espetáculos de flamenco e jazz, um banquete de bons restaurantes e bares de tapas; e uma população especialista na arte de aproveitar as coisas boas da vida. Não é que outras cidades não tenham algumas destas coisas, só que Madrid tem-nas para dar e vender. Costuma-se dizer que Madrid é a cidade mais espanhola de Espanha e sem dúvida de que é, de longe, a cidade europeia mais apaixonante. São poucos os madrilenos originários desta cidade, pelo que é possível que Madrid seja a capital europeia mais acolhedora e recetiva. Esta ideia pode ser resumida naquela única frase que se ouve frequentemente: «Se está em Madrid, então é de Madrid». Não é que o deixem arrebatado com calorosas boas-vindas, mas se se encontrar num bar ou perdido e a precisar de indicações, rapidamente o farão sentir-se como um deles. Num ápice, sem perceber bem como, vai aperceber-se de que nunca mais quer deixar Madrid." (lonely planet)

07/09/16

Regresso ao trabalho



 
 
Estamos de regresso ao nosso programa e, como nos anos anteriores, iremos dar aqui a nossa opinião livre sobre temas que, penso, podem interessar aos nossos ouvintes. No nosso caso, vamos continuar a falar de psicologia, de psicopedagogia, de escola e de todas as situações sociais, culturais e políticas que mais relação têm com a educação, fazendo uma compreensão dessas situações à luz da psicologia.
Para começarmos, hoje vamos falar do regresso ao trabalho e das implicações psicológicas que pode ter para cada um de nós.
Em psicologia diferencial, sabemos que a mesma situação ou estímulo pode desencadear respostas diferentes segundo a personalidade. É também o que acontece com o fim das férias e o regresso ao trabalho.
Com a generalização das férias a todos os trabalhadores, o ciclo trabalho-férias-trabalho criou um desfasamento cada vez mais profundo entre as duas actividades… e, inclusive, podemos falar de uma entidade psicopatológica: stress pós-férias ou síndroma pós-férias, isto é, a dificuldade grave do regresso às rotinas do trabalho.
Esta perturbação afecta 40 % dos portugueses, mais mulheres do que os homens e mais a faixa etária 25-45 anos (dados de 2015). Apresenta alguns destes sintomas:

Físicos
%
Emocionais
%
Comportamentais
%
Dores musculares e de cabeça
Cansaço
Insónia
Problemas gastrointestinais
87
83
42
28
Angústia
Ansiedade
Culpa
Raiva
89
83
78
61
Uso de drogas e medicamentos
Consumo de bebidas alcoólicas
Consumo de comidas calóricas
Tabagismo
68
52
38
33
Alexandra Carita (texto) e Ana Serra (infografia), "Era bom mas acabou-se", A revista do Expresso, 3/9/2016

De facto não é fácil  adaptar-se de novo às rotinas, aos horários, aos mesmos ou novos colegas de trabalho de quem se gosta menos...
A psicóloga Kathleen Hall, consideram que “o stress que costuma marcar o regresso ao trabalho envolve uma reacção, muitas vezes difícil, de adaptação ao dever, em oposição ao lazer registado durante as férias”. Para ela, “a ansiedade e tristeza sentidas no regresso à rotina serão tanto maiores quanto mais longo for o período de férias”.

Mas a reacção de stress pode estar mais relacionada com o regresso a um ambiente de trabalho desagradável, desmotivante e até  hostil, do que com o fim das férias. Stress pós-férias  é uma coisa, insatisfação no trabalho outra coisa completamente diferente
Para mim sempre foi pacífico o regresso ao meu local de trabalho, à escola. Por ser um local onde me sentia motivado e feliz, desejava voltar com entusiasmo.
Agora o problema é outro: não voltar. Este não regresso é um tempo  nostálgico de rotinas de anos que deixaram de se repetir. Voltar a ver os colegas com quem se desenvolveram tantos projectos, se criaram relações fortes que ficaram  para a vida, faz-nos ter esse sentimento de saudade de um tempo em que para além de sermos  mais novos, éramos mais activos, mais empreendedores e também mais iludidos com os resultados da nossa intervenção profissional.
Com stress pós-férias ou com tranquilidade são as formas alternativas de viver o   regresso ao trabalho.
Mas, para quem já não regressa ao trabalho, como no meu caso, podemos ainda viver e sofrer com a nostalgia de tantos regressos ao local e ao trabalho onde fomos felizes.
Bom trabalho. Até para a semana.