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26/12/18

De Josefa de Óbidos a Chiara Lubich


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Josefa de Óbidos, Adoração dos Pastores - óleo sobre tela (1669) - Museu Nacional de Arte Antiga de Lisboa.


"Aquele menino !

Quando Te rezamos, Jesus, no nosso coração, quando Te adoramos na Sagrada Eucaristia do Altar, quando conversamos Contigo, presente no Céu, e a Ti dizemos o nosso obrigado pela vida e em Ti lançamos o arrependimento das nossas faltas e de Ti invocamos as graças de que necessitamos, pensamos-Te sempre adulto, Senhor.
Ora eis que, luz sempre nova, em cada ano, de novo volta o Natal e como uma renovada revelação mostras-Te menino, acabado de nascer, num berço, e uma onda de comoção nos invade. E já não sabemos formular palavras, nem ousamos pedir, nem nos sentimos com coragem de ser um peso para tão minúsculas forças, embora omnipotentes.
O mistério faz-nos calar e o silêncio da alma em adoração confunde-se com o de Maria que, perante o testemunho dos pastores que ouviram o celeste canto dos anjos «conservava todas estas coisas, meditando-as no Seu coração»
O Natal ...: aquele Menino sempre nos aparece como um dos mistérios mais profundos da nossa fé, porque é o princípio da revelação do amor de Deus por nós, que depois se manifestará em toda a Sua divina, misericordiosa e omnipotente majestade."
(Chiara Lubich, Saber perder, p.108-109)



29/09/18

Momentos

Há momentos da nossa vida em que precisamos dos outros de uma forma mais intensa, mais empenhada e mais solidária.
Nestes momentos é reconfortante poder ter a esperança de que os enormes progressos científicos e técnicos adquiridos na área da saúde, física e mental, melhorem a nossa qualidade de vida, reduzindo a dor e sofrimento.
É animador poder ter confiança nas qualidades científicas, técnicas e humanas dos profissionais de saúde, médicos, enfermeiros, nas mãos de quem fazemos depender a nossa vida e do pessoal auxiliar que nos ajuda a ultrapassar as nossas limitações resultantes de fragilidades e dependências nas coisas mais básicas do dia a dia.

Nestes momentos entendemos melhor que a inclusão é um processo em que todos estão envolvidos  e de que todos irão precisar em algum momento da vida.

É muito bom poder ler e pensar com Séneca, Marco Aurélio, Epicteto, a filosofia... Nestes momentos mais difíceis, servem-me de lenitivo e refúgio com mais frequência  do que habitualmente.
Ou contar com a ajuda de estratégias como a meditação e oração, neste caso nas formas de obsecração e súplica, como é vista por João Cassiano e por John Main.
É fortalecedor contar com a psicologia positiva, proposta por Seligman, e procurar o bem-estar, conhecendo os pontos fortes da nossa personalidade, e a importância do optimismo como elemento fundamental da recuperação.

Por fim, talvez o mais importante, poder contar com o apoio da família onde, nestes momentos, os vínculos se manifestam com toda a sua força, e com o apoio de verdadeiros amigos que nos confirmam deste modo como gostam de nós.
É esta, verdadeiramente, a melhor sorte que podia ter.

(29 de Setembro - Dia mundial do coração)


21/06/18

O consolo da filosofia - o sofrimento

64. Quando estiveres em sofrimento:
Cuida para que não te envergonhe, nem denigra o teu espírito - para que não te impeça de agir de maneira racional e altruísta.
E na maioria dos casos, o que disse Epicuro deve ajudar-te: «A dor nunca é insuportável ou infinita, desde que te lembres das suas limitações e não a tornes maior que o pensamento.»
E também não esqueças de que a dor muitas vezes vem disfarçada  - em tonturas, febres, perda de apetite. Quando fores incomodado por coisas como estas, lembra-te: «Eu não cedo a nenhuma dor.»

68. Vive a vida em paz, imune às compulsões. Deixa que elas te gritem à vontade. Deixa os animais selvagens dilacerarem a frágil pele que te envolve. Nada disto te impede de manteres a tua mente calma - a  avaliar com verdade o que te rodeia - e estares preparado para fazer bom uso do que quer que aconteça. Para que o Juízo possa olhar o acontecimento nos olhos e dizer: «Isto é o que tu realmente és, independentemente do que possas parecer ser.» E a Adaptabilidade diz: « Tu és mesmo aquilo que eu procurava.» Porque, para mim, o presente é uma oportunidade para empregar a virtude da Razão - a virtude da civilidade -, ou seja, a arte que os homens partilham com os deuses. Porque ambos tratam tudo o que acontece como natural; nada de novo nem difícil, mas como familiar e fácil de lidar.

69. Perfeição de carácter: viver cada dia como se fosse o último, sem frenesim, nem apatia, nem fingimentos.

 Marco Aurélio, Meditações,  Livro 7, Cultura Editora, A companhia dos livros, p.93-94.

28. A dor pode afetar o corpo -  e neste caso, é o corpo que deve lidar com ela - ou afetar a alma. Mas a alma pode recusar-se a ser afetada, conservando a sua serenidade e tranquilidade. Todos os nossos impulsos, decisões, desejos e versões residem no nosso interior. Nenhum mal pode atingi-los.

Marco Aurélio, Meditações,  Livro 8, Cultura Editora, A companhia dos livros, p.103.