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14/09/19

O som do meu nome

 

 Um projecto concretizado. Uma vida revista desde as memórias da infância e marcada pelas emoções. 

"O som do meu nome tem mil maneiras de ser dito e outras tantas de ser ouvido. Basta recordar como era dito pela nossa mãe, pela nossa namorada, pela pessoa amada, pelo nosso professor. O som do meu nome tem mil emoções nele contidas que me fazem chorar, sorrir, desconfiar ou pacificar. "
 

30/05/19

"Mitos climáticos" 7


Os adultos não devem mentir às crianças. Temos o preconceito de que normalmente quem mente são as crianças e não deixa de ser interessante a verificação de que, se fizermos uma pesquisa na internet sobre a mentira dos adultos, os resultados colocam sempre a questão do avesso, isto é, a mentira das crianças. Parece que os adultos falam sempre verdade e quem mente são as crianças…
Não estou a falar de estórias infantis, da fantasia, da imaginação, do ambiente mágico em que a criança vive, principalmente no período pré-operatório, em que a realidade e a ficção fazem parte do seu raciocínio.
Estou a falar da mentira dos adultos, da mentira que faz parte da educação, transmitida formal ou informalmente como é o caso da educação cívica ou da educação para a cidadania que não é outra coisa que a doutrinação do “homem novo” e das alterações ambientais.
Os temas ambientalistas estão eivados de mentiras que se transformam em verdades para muita gente. O caso das alterações climáticas confundidas com aquecimento global devido à acção humana tomou conta dos currículos formais ou informais.

O tema do aquecimento global devido à acção do homem aparece como verdade absoluta e inquestionável, e quem disser o contrário ou seja descrente é apelidado de "negacionista" e ostracizado em qualquer plateia real ou digital.
Mais grave é que os patrulheiros do aquecimento global causam alguns estragos pessoais e profissionais a cientistas que discordem desta verdade oficial, veiculada ao mais alto nível institucional como a ONU ou ao nível mais popularucho da menina Greta que começou a faltar as aulas às sextas-feiras para defender o planeta do aquecimento global provocado pelo homem…
A moda pegou e agora temos manifestações e alunos a faltar à aulas … porque segundo dizem  não temos planeta B, o truísmo mais ridículo repetido à exaustão como argumento para agir. A confusão propositada com poluição, com alterações climáticas que sempre existiram, e vão continuar a existir, façam as manifestações e as declarações  que fizerem. A propagação de medos faz o seu caminho num mundo infantil e juvenil em que alguns  adultos apelidados de “comunidade cientifica”, ou não, encontraram eco na generosidade dos jovens, nas suas actuações genuínas sem que haja qualquer contraditório que os possa esclarecer sobre a verdade e ou a mentira do aquecimento global…
Como dizia o poeta António Aleixo “Para a mentira ser segura e atingir profundidade tem de trazer à mistura qualquer coisa de verdade”

Como vamos sobreviver* é uma questão fundamental que se coloca ao ser humano. A rotura dos equilíbrios ecológicos, o desequilíbrio dos sistemas sociais, a questão demográfica e os recursos alimentares, os recursos não renováveis, devem fazer reflectir e agir, serenamente,  baseados em dados científicos, sem ameaças e sem inculcação de medos ancestrais, renovados em datas redondas como o ano 2000, nas previsões de videntes que não se enxergam a si próprios, mas adivinham que o planeta está condenado a breve prazo.
Não se trata de uma mentira infantil mas de mentiras que os adultos “ensinaram" a crianças e adolescentes, que vão fazendo os seus estragos sendo os principais sobre o "esquecimento" das questões que enunciei.
Manifestem-se sobre a energia nuclear, de que a central de Almaraz é um exemplo, sobre o problema da água, de que o Tejo internacional e os tranvases são exemplos, sobre as lixeiras de resíduos perigosos, sobre a substituição da utilização do plástico em actividades humanas, sobre a desertificação humana do interior, sobre a qualidade de vida dos idosos, sobre a segurança das populações, sobre os hábitos inúteis, tabagismo, alcoolismo, drogas, e …sobre a enorme desgraça social chamada corrupção. Sobre isto não há, praticamente, movimentações de jovens, nem de adultos, demasiado passivos, complacentes e tolerantes à existência destes problemas.
Concluo: Sobre questões ambientais, vamos falar verdade às crianças e aos jovens.  
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*Este The Ecologist de 1972 (trad. 1977) parece ter pouco a ver com este Ecologist.


09/05/18

Fazer e avaliar em vez de desfazer e apagar (2)

A qualidade da educação e do ensino é um dos principais objectivos da sociedade. Qualquer governo decente deve criar ou assegurar os instrumentos necessários para atingir esse objectivo tendo em conta que, numa democracia, não tem sentido impor ideias de forma autocrática.
Nem sempre tem sido assim. De facto, vamos tendo um pouco de tudo: "paixão pela educação", "escola na sociedade de classes",  educação "cívica" do "homem novo", metas que viram competências e competências que viram metas, currículos grandes, currículos pequenos, avaliação de desempenho burocrática, feita pelos pares, uma das maiores fontes de conflito nas escolas, colocação de professores, centralizada, com critérios diferentes todos os anos, contagem de tempo de serviço, que ninguém entende que raio de contagem é...
Apesar de tudo, e isso é o mais importante, o ensino tem vindo a obter resultados que, graças ao trabalho de alunos, professores, explicadores e pais, são muito encorajadores.

Nuno Crato dá conta ("Contra argumentos não há factos" - O Observador ) de como algumas alterações na exigência, isto é, na qualidade da educação, levaram a resultados que começaram a ter expressão em provas internacionais como o  PISA E TIMSS:
"Relembremos alguns factos. Qual era a situação relativa do nosso país? No TIMSS, em matemática do 4.º ano, de entre os países participantes, estávamos no antepenúltimo lugar com 475 pontos. Atrás de nós, havia apenas a Islândia e o Irão.
No PISA, em 2000, de entre os países participantes que pertenciam então à OCDE, Portugal ocupava a antepenúltima posição em ciências e a leitura. Em matemática, só tinha três países atrás.
A taxa de abandono escolar precoce era 43,6% em 2000. Quer isto dizer que apenas 56,4% dos jovens entre os 18 e os 24 estavam a estudar ou tinham completado o Secundário. Na União Europeia apenas Malta tinha um resultado pior.
Em 2000, as taxas de reprovação eram escandalosamente altas. Atingiam cerca de 10% no 4.º ano, 16% no 9.º e 50% no 12.º.

Entretanto, tudo ou quase tudo melhorou. Fruto de um esforço persistente das escolas, dos professores, dos pais e de vários governos, chegámos a 2015 com um panorama totalmente diferente.
No TIMSS, em matemática do 4.º ano, passámos do antepenúltimo lugar para um lugar cimeiro, acima da média, com 36 países atrás de nós. Passámos de 475 para 541 pontos. Passámos à frente da mítica Finlândia!
No PISA, das últimas posições ocupadas em 2000, passámos em 2015 para cima da média da OCDE. Em leitura, subimos de 470 para 498 pontos. Em matemática, progredimos de 454 para 492 pontos. E em ciências, passámos de 459 para 501 pontos.
A taxa de abandono escolar precoce melhorou, descendo dos 43,6% em 2000 para os 28,3% em 2010 e 13,7% em 2015. Passámos à frente da Espanha e da Itália.
As taxas de reprovação também melhoraram. Em 2015, no 4.º, 9.º e 12.º anos, desceram para 2%, 10% e 30%. Ou seja, no 4.º ano, e com a Prova Final da altura, reduziu-se a retenção para quase um quarto do que era; no 9.º e no 12.º, reduziu-se para dois terços do que era."

Crato tinha a sua ideia do que era o sector da educação, desde o tempo do programa televisivo "Plano Inclinado", e apesar de críticas justas de muitos profissionais  como, em algumas questões, as de Santana Castilho, teve o mérito de contribuir para a qualidade do ensino.
Mas o que dizer dos actuais "funcionários" deste ministério e de alguns dedicados “ajudantes progressistas", na assembleia da república? Não fazem ideia nem parece que venham a fazer sobre o futuro da educação, sobre a qualidade da educação, nem que tenham a percepção do alcance pernicioso que costuma vir da demagogia das medidas que tomam.

A Sociedade Portuguesa de Matemática já veio dar conta dos estragos que estão a ser feitos: "SPM considera, o projeto de decreto-lei Currículo dos Ensinos Básico e Secundário, um passo atrás.
Em suma, a SPM não pode deixar de lamentar veementemente e de forma pública este intempestivo e progressivo desmantelamento dos pilares em que se apoia a Escola portuguesa e dos progressos tão duramente conquistados pelos nossos alunos e respetivas famílias e escolas – num processo que, se não cessar com brevidade, trará consequências que levarão décadas a corrigir." ( Rui Cardoso)
Não concordei com muitas medidas de Nuno Crato. Discordei, por exemplo, quanto à questão do eduquês, cliché que só serve para mistificar (o falhanço de pedagogias erradas, a desorganização de recursos humanos, mudanças sistemáticas nos currículos), discordei de Crato quanto à questão do construtivismo, quanto à questão de falta de relevo dada às artes, e ainda por insistir nas medidas erradas que vinham do governo anterior, como a avaliação de desempenho, a prova de acesso à carreira profissional...
Críticas mas também elogios mereceu essa política educativa e sobre o assunto escrevi, por exemplo, nestes textos:

O que não se esperava era que sob o manto diáfano da fantasia da "escola na sociedade de classes", a confusão se instalasse na 5 de Outubro, dando espaço ao apagamento do que de positivo tinha sido feito, já que na sede da fenprof e para a maioria conveniente da assembleia da república, não há confusão nenhuma, é tudo "muito simples e muito claro!", como diria António Guterres.

27/04/18

Fazer e avaliar em vez de desfazer e apagar

Isabel Leiria , "Medidas de Crato apagadas do sistema", Expresso, 21-4-2018.























Desfazer o que o governo anterior fez, parece ser a actividade política favorita dos governos no poder. É assim na saúde (1), no mapa judiciário (2), nas autarquias (3), na educação.
Andamos de revisão em revisão sem haver motivos fundamentados para isso.  Os benefícios que daí advêm não se conhecem, mas sabe-se que são, quase sempre, instrumentos eleitoralistas. Reversões, cativações e apagões são  o saldo político negativo de uma governação dita de esquerda. Nada, portanto,  de estruturante ou que interesse para o futuro.

Na educação, é essa a estratégia deste governo minoritário, apoiado pela  maioria dita de esquerda no parlamento, como titula o Expresso: “medidas de Crato apagadas do sistema” .
Obedecendo a ideais, às vezes pessoais, de grupo ou a ideologias partidárias, impõem-se medidas e terminam-se medidas num experimentalismo radical, na escola e na sala de aula,  como se na escola houvesse cobaias para "suportar" os desenhos ideológicos  de ditas esquerdas ou ditas direitas.
A educação, a escola, merece mais respeito:
-  É necessário ter em conta que o aluno é pessoa, tem direitos como pessoa e como aluno. O direito à educação, a saber utilizar ferramentas fundamentais  para a vida de cidadão e para a vida profissional.
- É necessário ter em conta que os professores não são meros executores de medidas ao gosto dos governos e merecem respeito como qualquer outro profissional. (4)
- É necessário ter em conta os dados da ciência, as descobertas no campo da neurologia, da psicologia do desenvolvimento e da aprendizagem.
- É necessário ter em conta as experiências dos outros países,  as boas práticas, mas de forma contextualizada, aqui e agora.
- E necessário fazer avaliações das estratégias seguidas antes de atirar para o lixo a experiência de vários anos.
- É necessário ter em conta que as reformas na educação podem levar vários anos, e, portanto, várias legislaturas, para serem aplicadas e, por isso, se deve pensar em compromissos entre maiorias diferentes que se vão constituindo.

Ora tudo isto tem sido mais ou menos irrelevante na estratégia do ministério da educação e nas medidas tomadas pela maioria conjuntural dita de esquerda da assembleia da república.
Nada de novo em desfazer ou apagar medidas, uma vez que a dita esquerda sempre usou o apagamento do que não lhe interessa. Convém até não deixar vestígios de que há outras formas de pensar e de fazer, com mais eficiência e melhores resultados. Lamento que algumas dessas medidas tenham sido apagadas, como o caso dos cursos vocacionais, os exames de português e matemática no 4º e 6 anos, o exame de português no ensino profissional, a autonomia das escolas na possibilidade de contratação a nível de escola...
A minha vida profissional esteve ligada à educação, vi entrar e sair ministros e secretários de estado, de que já ninguém  lembra o nome, mas alguns  fizeram muito mal à educação, porque  achincalharam os professores, prejudicaram os alunos e as suas famílias e instabilizaram o sistema educativo.
Com esta política, a instabilidade continua... 
O trabalho que estava a ser feito não era perfeito mas era mais exigente, correspondia mais às necessidades dos alunos e começava a haver resultados positivos (Programme for International Student Assessment - PISA, Trends in International Mathematics and Science Study- TIMSS).
Avaliar é uma coisa, desfazer e apagar, outra, bem diferente.
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(1) Na saúde, já não é possível ignorar as condições miseráveis em que são atendidas crianças doentes, como acontece no Hospital de S. João, no Porto, ou no Hospital de Abrantes…
(2) "Fazer e desfazer" é o título da crónica  de M. F. Leite, no Expresso, de sábado passado, a propósito das alterações ao mapa judiciário, feitas pelo ministério da justiça, que foi revisto no governo anterior e parece que  vai ser revisto novamente.
(3) Parece que vai haver reversão da extinção das freguesias... Ao contrário deste populismo, o passo seguinte não seria extinguir alguns concelhos?
(4) 102 agressões a professores em 2016.