1. É provável que mesmo os menos familiarizados com a Psicologia,
já tenham lido ou tenham ouvido falar das necessidades humanas. Mas certamente
todos sentimos a realidade dessas necessidades.
O psicólogo Abraham Maslow concebeu a motivação humana
como um conjunto de necessidades hierarquizadas
que definem as necessidades básicas e outras necessidades do indivíduo para ter uma vida plena.
De facto, o homem procura ao longo da sua via a autorrealização.
Para isso, o indivíduo deve ter asseguradas as necessidades básicas.
Estas necessidades primordiais são as fisiológicas: ar,
alimento, bebida, sono, calor, exercício, logo seguidas das necessidades de
segurança: segurança, estabilidade, saúde, refúgio, dinheiro, emprego, e das
necessidades de amor e pertença: aceitação, amizade, intimidade, relação,
e ainda de autoestima: sucesso, reconhecimento, respeito, competência. (O Livro da Psicologia, Abrahm Maslow, «O que um homem pode ser, deve sê-lo», págs. 138-139)
2. Como necessidade fundamental, a segurança do cidadão
deve estar garantida de forma a que o indivíduo
possa desenvolver-se e ascender às necessidades de autorrealização.
Como podemos conseguir atingir este patamar? Maslow “afirma que cada um de nós tem um propósito
individual para si, para o qual está singularmente dotado e parte do caminho em
direcçao à plenitude consiste em identificar e perseguir tal propósito.”
Portanto, não se trata apenas de vivermos
numa sociedade que proporcione todas as necessidades básicas ao individuo mas também de cada individuo
procurar o propósito da sua vida e assim tudo poderá concorrer para atingir a
autorrealização. Isto é, se podemos ser infelizes na mais segura das
sociedades, isso não tira importância ao papel que as instituições do estado e
da sociedade civil devem ter na protecção dos cidadãos.
3. Como sabemos, "A violência, nascida com
a vida, acompanha o homem ao longo da sua história. Mas nenhum historiador é
capaz de dizer como este fenómeno evoluiu ao longo dos séculos. Ao
contrário, as estatísticas, após uma data relativamente recente, permitem
afirmar que a violência, considerada sobre todas as suas formas, aumenta." (Jean Voujour, La sécurité du citoyen, p. 3)
O que é contraditório é que o “meio económico, cada
vez mais complexo pelo progresso técnico, assim como a elevação do nível de
vida, fonte de multiplicação de bens, revela-se em parte responsável pela
violência, incitando à agressão, facilitando o acidente, enquanto que ao mesmo
tempo, a protecção eficaz dos bens e das pessoas é frequentemente
negligenciada. Por conseguinte, a segurança tornou-se um dos maiores problemas
da nossa sociedade." (idem, p. 3)
Por outro lado, numa altura em que o terrorismo chegou à obscenidade dos últimos tempos, a corrupção nunca foi
tão avassaladora, as instituições do Estado devem assegurar a segurança no nosso
quotidiano
4. Perante este problema, o governo minoritário de A.
Costa, apresenta-se como a última versão pós 25 de Abril do "nós por cá
todos bem", nega os problemas graves, nega até que haja problemas, não
reconhece a responsabilidade dos responsáveis governativos pelas cativações, principalmente
na saúde, com as infindáveis listas de espera, o aumento da dívida, a
procrastinação do investimento, o atraso nas pensões, o amiguismo e o nepotismo, as falhas estruturais
de combate aos incêndios, o roubo de armas, o tratamento dado aos professores* e
aos técnicos especializados da educação (psicólogos, terapeutas, ILG...), aos enfermeiros, etc.
Assim, quem é que pode estar seguro ?
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* Afinal havia um problema com os professores, criado no Parlamento por uma "coligação negativa". Este texto foi escrito antes de 3 de Maio, data da ameaça de demissão do governo pelo primeiro-ministro, ele próprio à frente da mais longa "coligação negativa" que existiu neste país e a que Paulo Portas, eufemisticamente, deu o nome de "geringonça".