21/03/18
15/03/18
Dores há muitas ... Competências clínicas de comunicação
A comunicação, fundamental para o ser humano, é um
dos problemas em qualquer serviço onde haja pessoas que necessariamente têm
que comunicar. É ainda mais sensível quando ela se faz entre o doente e o seu médico ou psicólogo,
ou a equipa que atende o doente por exemplo num serviço de urgência
hospitalar, o médico, enfermeiros e outros profissionais dessa equipa.
Na posição de cliente ou doente que tem de recorrer, ultimamente com mais frequência, aos serviços de saúde particulares ou estatais, temos a perspectiva da parte mais fragilizada da interacção, de um dos lados dessa comunicação mas, obviamente, com toda a nossa experiência e vivência nesse campo.
Com o recurso às tecnologias é possível melhorar
a comunicação entre os vários profissionais, sabendo uns o que outros estão a
fazer, procurando com isso reduzir em
tempo oportuno, sofrimento físico e sofrimento psicológico.
Sem dúvida, tem sido feito um esforço pelos
serviços… Mas, p.ex., em visita recente do ministro da saúde à ULS - Hospital Amato Lusitano,
o seu director disse directamente ao sr.
ministro que havia falta de 40 profissionais nos serviços do hospital, sendo metade enfermeiros. Obviamente, podemos prever os constrangimentos
que esta redução de pessoal tem provocado...
Também, na relação humana, na comunicação com os
doentes, há muito que melhorar. É na
relação médico-doente que essa comunicação é fundamental. Também isto quer dizer
que apesar do défice de condições materiais para que o acto clínico possa decorrer nas
melhores condições, o que salva muitas vezes o funcionamento de um
serviço e, mais importante, o doente, é exactamente esse acto clínico, a competência e dedicação dos seus
profissionais, para além das condições.
As competências clínicas de comunicação são fundamentais para quem exerce esta relação e esta relação clínica.
Como dizíamos a semana passada é este doente concreto
que pede ajuda “e não a parte de si
suposta perturbada e muito menos a sua doença. Pede ajuda para a defesa e
manutenção de tudo aquilo que a doença lhe está
a ameaçar, a saber:
Integridade
física, psicológica e social; Segurança,
porventura a mais angustiante das necessidades; Controlo sobre a situação e o
stress; Informação e Decisão que
preservem a autodeterminação; Dignidade; Autonomia sinal primário de saúde. Às vezes, necessidade de Expressão e de Orientação no tempo e no espaço”
A resposta a todas estas necessidades pressupõe Comunicação. E não há necessidade mais básica do ser humano do que Exprimir-se."(p. 6)
A resposta a todas estas necessidades pressupõe Comunicação. E não há necessidade mais básica do ser humano do que Exprimir-se."(p. 6)
Uma dor intensa como numa litíase renal poderá
ser atenuada se for explicado ao doente o
que se passa. No meu caso, foi muito mais intensa porque só quando o
episódio estava ultrapassado compreendi a origem do meu mal.
A comunicação clínica tem melhorado muito desde essa
altura. No entanto, ainda se deve e se pode melhorar muito neste
aspecto.
Dispomos de imensa informação sobre saúde e doença, a todos os níveis, que também ela contribui
para as pessoas estarem mais informadas, compreenderem melhor as opções e estilos
de vida saudáveis que querem adoptar ou ignorar.
Para além da comunicação social massificada,
tanto nos canais abertos como no cabo, ou na internet, hospitais e farmácias têm
editado publicações, em papel e em formato digital, que ajudam a esclarecer,
prevenir, reduzir a ansiedade ou alertar para as questões de saúde que de alguma forma podem vir a comprometer o nosso bem-estar. É de elogiar esse esforço.
Toda a informação, no entanto, não dispensa a qualidade da relação e comunicação de que aqui falamos e as competências clínicas nela envolvidas.
Toda a informação, no entanto, não dispensa a qualidade da relação e comunicação de que aqui falamos e as competências clínicas nela envolvidas.
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Saúde,
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11/03/18
A balada das pessoas felizes
Zaz e G. Lenorman
Há sempre um motivo para te cantar a balada das pessoas felizes
Notre vieille Terre est une étoile
Où toi aussi tu brilles un peu
Je viens te chanter la ballade
La ballade des gens heureux
...
Tu n'a pas de titre ni de grade
Mais tu dis "tu" quand tu parles à dieu
...
Journaliste pour ta première page
Tu peux écrire tout ce que tu veux
On t'offre un titre formidable
La ballade des gens heureux
...
Toi qui a planté un arbre
Dans ton petit jardin de banlieue
...
Il s'endort et tu le regardes
C'est ton enfant il te ressemble un peu
On vient lui chanter la ballade
La ballade des gens heureux
....
Toi la star du haut de ta vague
Descends vers nous, tu verras mieux
...
Roi de la drague et de la rigolade
Rouleur flambeur ou gentil petit vieux
...
Comme un choeur dans une cathédrale
Comme un oiseau qui fait ce qu'il peut
...
08/03/18
Mulher
PENSAMENTO
Sobre a Igualdade - como se isso me prejudicasse, dar aos outros
as mesmas oportunidades e direitos que a mim próprio -
como se isso não fosse indispensável aos meus próprios
direitos que os outros possuam o mesmo.
Walt Whitman, Folhas de erva, p.248
Sobre a Igualdade - como se isso me prejudicasse, dar aos outros
as mesmas oportunidades e direitos que a mim próprio -
como se isso não fosse indispensável aos meus próprios
direitos que os outros possuam o mesmo.
Walt Whitman, Folhas de erva, p.248
Dores há muitas...
Na universidade ensinaram-nos que
o homem é um ser biopsicossocial. Com o
tempo aprendi que era necessário acrescentar a estes factores que também é
um ser cultural e espiritual.
Em relação a qualquer comportamento,
também em relação à dor, cada pessoa tem comportamentos diferentes, de acordo com
esses factores. E como dissemos a semana
passada, a dor tem sempre uma característica subjectiva. Cada pessoa percepciona e
exprime a sua dor influenciada pela sua personalidade, pela sua cultura e pela
sua crença religiosa.
Já todos estamos habituados a
ouvir dizer os responsáveis pela saúde que as pessoas recorrem indevidamente às
urgências e que deviam ser atendidas
noutras estruturas designadamente
os centros de saúde.
De facto, em 2016, os dados do SNS, mostram que quase metade dos casos, 40%, (6,4 milhões de episódios), foram consideradas falsas urgências (pulseiras verdes, azuis e brancas) e
portanto não deviam acabar nos hospitais Esta percentagem
tem-se mantido estável desde 2013 e é na região de Lisboa e Vale do Tejo que
esta realidade tem mais peso, acima dos
45%.
Se é verdade que estes são os resultados estatísticos, a sua
compreensão não deve ser assim tão
linear, e é necessário perceber o que acontece
com o sofrimento das pessoas.
Salvo raríssimas excepções, ninguém iria a uma urgência se não necessitasse e
se não acreditasse que essa é a melhor maneira de responder aos seus problemas
de saúde, às suas dores, ao seu mal-estar.
Se os serviços de saúde primários,
funcionassem bem, particularmente em
termos preventivos, talvez o panorama se alterasse. Ora sabemos que não é assim.
Por que será que as pessoas
continuam a manter o mesmo comportamento
de recurso às urgências? São culpados de se sentirem doentes?
Será que podemos considerar razoável listas de espera intermináveis para uma consulta externa de especialidade ?
Será que podemos considerar razoável listas de espera intermináveis para uma consulta externa de especialidade ?
Podemos considerar razoável que os centros de saúde tenham “horário de função pública”?
Será razoável a organização e
gestão das consultas externas, com todos os doentes presentes à mesma hora da manhã, com consultas muitas horas depois?
Será razoável a burocracia de que já aqui falamos em relação
às baixas médicas e que mostram a desconfiança do estado nos profissionais de outros subsistemas de saúde?
Será razoável a incapacidade para
realizar um sistema expedito, interactivo e humanizado de marcações de consultas que hoje os meios tecnológicos permitem?
Mas, mais importante do que tudo
isso, é que se trata de seres humanos em
sofrimento envolvendo as suas
características pessoais, sociais, culturais e espirituais que recorrem ao
serviço de urgência a pedir ajuda.
Sabemos que ao longo da nossa
vida a dor é nossa companheira de viagem. Ela vai aparecer, às vezes inesperadamente, outras
vezes vai-se insinuando devagarinho, todos os dias, algumas dores, um sintoma novo, um mal-estar que não compreendemos…
É impossível viver sem emoções, é
impossível separar a mente e o corpo e
uma não existe sem o outro. A interacção
entre o físico e o psíquico constitui uma
unidade inseparável (A. Damásio) e
muitas das pessoas que procuram ajuda na urgência médica queixam-se sobretudo de
problemas de saúde em que os aspectos somáticos e psíquicos se combinam (doenças psicossomáticas).
Não se trata de um aspecto estar
a influenciar o outro mas de "uma doença que resulta da interacção de condições
somáticas e psicológicas que coexistem numa pessoa em concreto”.
Não é, por isso, tão evidente a
decisão de quando se deve recorrer ou não a uma urgência mas quando se pede ajuda é este ser humano concreto que precisa ser ajudado.
_________________________
Enciclopédia da Psicologia, Tomo 3, Oceano, 1999. Cap. 20. Compreender e controlar o stress; Cap.21 - A dor. Cap. 22 - As somatizações; Cap. 23 - Estar e ser doente; Cap. 24. Medicina psicossomática.
04/03/18
Chuva... Chuva...
Zaz - La pluie
A chuva no Domingo, mas neste doce Portugal e em Março
Erik Satie - Sob a chuva
Jorge Palma - A chuva cai
02/03/18
Dores há muitas...
“A dor é um fenómeno complexo que envolve emoções e outros componentes que lhe estão associados…; a dor é um fenómeno subjectivo, cada pessoa sente a dor à sua maneira…; não existem ainda marcadores biológicos que permitam caracterizar objectivamente a dor; não existe relação directa entre a causa e a dor; a mesma lesão pode causar dores diferentes em indivíduos diferentes ou no mesmo indivíduo em momentos diferentes, dependendo do contexto em que o indivíduo está inserido nesse momento; por vezes existe dor sem que seja possível encontrar uma lesão física que lhe dê origem." (International Association for the Study of Pain)
Todos sabemos que o direito à saúde e bem-estar é um direito humano (Artigo 25.º, nº 1, da Declaração universal dos direitos humanos). Daqui resulta o direito a estar doente, a ser compreendido na sua doença e procurar tratamento para as suas dores e sofrimento.
No entanto, esta situação nem sempre parece evidente. É o caso das doenças psicológicas que nem sempre são vistas como doenças e isso justifica a secundarização deste sofrimento: “não tem nada”, “são manias”, “isso passa”…
Nem sempre é evidente o sofrimento, o mal-estar, o desconforto, a tristeza, a desmotivação, a dor física difícil de descrever, que todos os dias nos incomoda e não nos deixa ânimo para conseguirmos fazer o nosso trabalho ou podermos ser socialmente úteis. São dores reais e sofrimentos sistematicamente desvalorizadas que não são levados em conta para se obter o direito à saúde e bem-estar.
Na minha experiência, raro é o dia em que não sinta estas sensações/emoções/dores. Tornou-se mais assídua a consulta aos vários médicos especialistas. A procura de um diagnóstico, ocupa-nos uma boa parte do tempo. Muita pesquisa na internet, para baralhar, muitas conversas com familiares e amigos sobre alimentação saudável, dieta alcalina ou ácida... leitura várias, há sempre alguém que conhece um caso idêntico ao nosso ou pior do que o nosso...
O diagnóstico tarda e a incerteza torna-nos mais ansiosos o que só prejudica tudo. Sabemos que o psíquico e o somático andam sempre juntos a “brincar” um com o outro e ambos são responsáveis pelo sofrimento do indivíduo.
A dor é um sinal vital e a sua intensidade pode ser registada através de escalas de avaliação. Em 2003, a equiparação da dor a 5º sinal vital significa, concretamente, que se considera como boa prática clínica, em todos os serviços prestadores de cuidados de saúde, a avaliação e registo regular da intensidade da dor, à semelhança do que já acontece há muitos anos para os 4 sinais vitais, nomeadamente a frequência respiratória, frequência cardíaca, pressão arterial e temperatura corporal. (Circular normativa Direcção Geral de Saúde , dia 14 de Junho de 2003, institui a “Dor como 5º Sinal Vital”).
A obrigatoriedade da avaliação e registo da dor tem uma enorme importância, dado que, sobretudo por motivos culturais, a dor é ainda inúmeras vezes subestimada, escondida, negada e, consequentemente, negligenciada, tanto pelos doentes como pelos profissionais de saúde.
Por outro lado, tornando a dor visível não é possível ignorá-la, sendo imperioso estabelecer uma estratégia terapêutica adequada ao seu controlo, o que vai contribuir decisivamente para melhorar a qualidade de vida dos doentes e reduzir a morbilidade…(APED)
Em 2018, assinala-se ano o Ano Global para a Excelência da Educação em Dor. Tratar ou aliviar a dor é dos maiores desafios da medicina e da sociedade.
21/02/18
Contra o espírito do tempo 2
Marco Aurélio foi imperador
romano durante 19 anos. O império
era marcado por guerras na parte oriental contra os partas,
e na fronteira norte, contra os germanos. Foi considerado o último dos cinco bons imperadores, é lembrado como um
governante bem-sucedido e culto, dedicou-se à filosofia,
especialmente ao estoicismo, e escreveu uma obra, Meditações.
O estoicismo é um movimento filosófico
que surgiu na Grécia Antiga por Zenão, no início do século III a.C.. Valoriza
o conhecimento e a razão e
desvaloriza os sentimentos externos e as emoções. É uma filosofia mas também um modo de vida e mais
do que o individuo diz interessa como se comporta.
O que está em questão são os problemas psicológicos de cada pessoa sujeita ao stress e ansiedade, aos estilos de vida que sempre resultam da interacção entre os homens e dos homens com a natureza e o universo. Era assim há dois mil anos na cultura greco-romana como é assim, actualmente, em todas as culturas. Ultimamente, por aqui me perco porque é o melhor sítio para me encontrar, aprendendo todos os dias, meditando com os sábios, procurando obter a serenidade que é a busca mais conforme à natureza e à razão.
Meditações, de Marco Aurélio, onde encontro mais semelhanças do que diferenças com as tão na moda meditações de atenção plena (mindfulness), é de uma actualidade fascinante. Mostra que a cultura greco-romana tem muito mais a ensinar do que aquilo que ensinam nas escolas. Provavelmente, a filosofia e a importância dos pensadores que hoje nos fazem meditar sobre a nossa verdadeira natureza e sobre o que é importante na nossa vida seria um bom contributo terapêutico contra as perturbações de ansiedade.
O que está em questão são os problemas psicológicos de cada pessoa sujeita ao stress e ansiedade, aos estilos de vida que sempre resultam da interacção entre os homens e dos homens com a natureza e o universo. Era assim há dois mil anos na cultura greco-romana como é assim, actualmente, em todas as culturas. Ultimamente, por aqui me perco porque é o melhor sítio para me encontrar, aprendendo todos os dias, meditando com os sábios, procurando obter a serenidade que é a busca mais conforme à natureza e à razão.
Meditações, de Marco Aurélio, onde encontro mais semelhanças do que diferenças com as tão na moda meditações de atenção plena (mindfulness), é de uma actualidade fascinante. Mostra que a cultura greco-romana tem muito mais a ensinar do que aquilo que ensinam nas escolas. Provavelmente, a filosofia e a importância dos pensadores que hoje nos fazem meditar sobre a nossa verdadeira natureza e sobre o que é importante na nossa vida seria um bom contributo terapêutico contra as perturbações de ansiedade.
Epicteto, Marco Aurélio, Epicuro, os estóicos ou
os epicuristas, por caminhos diferentes, contra o prazer ou pela sua busca, têm
muito a ensinar sobre a felicidade, sobre a forma de melhorarmos o nosso modo de
vida e procurarmos uma sociedade de bem-estar.
O primeiro livro de Meditações podia ser considerado o livro da gratidão. Aí,
M. A. agradece aos seus familiares, aos seus mestres e aos deuses tudo o que
aprendeu, a sua personalidade, a virtude, a inteligência, os modelos que teve. Inicia assim o primeiro ponto: “Aprendi com o
meu avô o carácter e a retidão.”
A Razão governa “a natureza (que) é flexível e
dócil”. “És dotado de razão? «Sou.» Então porque não usá-la? Não é tudo o que
desejas? Que a razão faça o seu papel?”
O homem faz parte da natureza, o homem vive na presença
da morte, que é desfazer-se nos elementos que o compõem, e, por isso, o que é a
fama ? O que é o elogio? O que é belo não é sempre belo, sem precisar de elogio?
Porque será que as pessoas acumulam bens
desnecessários? Nos dias em que vivemos, podíamos perguntar: porque se generalizou a corrupção que
quase sempre envolve milhões, se, afinal, “somente o necessário” é aquilo que
interessa ao homem? “A maior
parte das coisas que dizemos e fazemos não são necessárias. Se conseguires
eliminá-las terás mais tempo e tranquilidade. Pergunta-te a cada momento: «Isto
é realmente necessário?» (p. 43)
14/02/18
Contra o espírito do tempo
Somente o necessário. O extraordinário é demais. Ou como diz o Eclesiastes (1,2): "Mαταιότης ματαιοτήτων, τα πάντα ματαιότης". "Vaidade das vaidades , tudo é vaidade".
O livro da selva - Bare necessities - O necessário - Mogli e Balu
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