13/12/17

"Fora do lugar"

Pelo sonho é que vamos, escrevia Sebastião da Gama. Quando olhamos para o mundo rural e para a desertificação humana que o caracteriza vale a pena continuar a sonhar. Há indícios de que a mudança se vai fazendo à medida que se pretende ter qualidade de vida, um estilo de vida que passa pelo mundo rural no que tem de mais identitário e original e pelo mundo urbano no que tem de excelência na criatividade e modernidade.
Uma grande permeabilidade entre o meio urbano e o mundo rural atenua diferenças e é uma inevitabilidade a globalização da informação e comunicação: o vizinho mais próxima encontra-se no teclado de um computador, temos a actualidade a ser debitada a todo o momento na internet, acedemos aos serviços em segundos e com frequência estamos fisicamente num mundo ou no outro. É um inconveniente mas também uma vantagem em relação ao passado.
Um dos factores que contrariam esta ideia é a tendência para seguir modas. Ao fazerem isso, as pessoas que estoicamente continuam a querer viver em espaços mais descentralizados como os espaços rurais, correm o risco de perderem a sua identidade.

O problema, então, é quando todos vão realizando projectos semelhantes e as mesmas actividades. Foram as rotundas, as piscinas, os polidesportivos, os parques infantis, as universidades da 3ª idade ... agora temos as feiras medievais, as festas das TVs, os festivais de verão...
Quando afinal o que distingue é a identidade inscrita no património construído e na cultura, nas tradições populares, na música, no artesanato, na relações de vizinhança e entreajuda.

A estratégia da câmara municipal de Idanha-a-Nova foi a aposta na música, fazendo parte da rede de cidades criativas da UNESCO - organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.
Em Idanha destacou-se a música e a ligação profunda a instrumentos tradicionais como o adufe e a manifestações musicais populares e religiosas.
Neste contexto, decorreu, no concelho de Idanha a 6ª edição do programa - "Fora do Lugar - Festival internacional de músicas antigas". A identidade aberta à música intemporal com intérpretes de todo o mundo.

Tive a oportunidade de estar em dois momentos "fora do lugar":
O primeiro, “conversa mesmo ao pé”, com o professor Jorge Paiva, biólogo e botânico da Universidade de Coimbra, com 84 anos de idade. Falou da biodiversidade de uma forma encantadora e simples. E só quem sabe muito consegue falar de forma simples de assuntos verdadeiramente complexos.
Sem facciosismos, considera que todas os políticos de todas as cores têm responsabilidade naquilo que estão a fazer ao mundo, em que os negócios e a devastação das florestas por causas humanas, e a comunicação social que desenfreadamente noticia durante imenso tempo os incêndios florestais.
Diz-nos que não são só as fábricas apenas que estão a destruir o ambiente. Mais importante é a devastação das florestas e da biodiversidade. Fala da necessidade da biodiversidade e das plantas que podem conter a resposta para muitas doenças da humanidade.
Jorge Paiva tem esperança em dias melhores e por isso manda anualmente as boas festas aos políticos com a fotografia de uma árvore de Natal especial.

O segundo momento foi o "concerto mesmo ao pé"- Musick's Recreation, com Milena Cord-to-Krax, flauta, (Alemanha), Alex Nicholls, violoncelo, (Austrália) e César Queruz, tiorba, (Colômbia), apresentado num local “fora do lugar”, o Centro de Dia de S. Miguel d’Acha, sem dúvida uma ideia óptima que leva música de excelência a quem é capaz de apreciar, a pessoas idosas que merecem o melhor.

Não faz parte do festival “fora do lugar”, mas podia, a exposição de pintura na casa da cultura de S. Miguel d'Acha dedicada ao tema "migração", com obras da colecção de Paulo Lopo: Gracinda Candeias, Júlio Pomar, Mário Cesariny, Lourdes Castro, José de Guimarães, Joaquim Martins Correia, M. Helena Vieira da Silva, Manuel Cargaleiro, Nadir Afonso. Todos têm em comum o facto de terem estado em algum momento das suas vidas noutro país.
Tem ainda em exposição uma obra de Carlos Farinha uma tela, de 2013, justamente intitulada “Migração” que pelas suas dimensões (220X700 cm) ficou exposta na igreja de S. Miguel.
Podemos dizer, parafraseando Sebastião da Gama,  que “pela cultura é que vamos”...
 

11/12/17

Direitos das crianças



Criada pelas Nações Unidas, a UNICEF iniciou suas actividades em 11 de Dezembro de 1946.  "Agência das Nações Unidas que tem como objectivo promover a defesa dos direitos das crianças, ajudar a dar resposta às suas necessidades básicas e contribuir para o seu pleno desenvolvimento.
A UNICEF rege-se pela
Convenção sobre os Direitos da Criança, e trabalha para que esses direitos se convertam em princípios éticos permanentes e em códigos de conduta internacionais para as crianças."

10/12/17

Maldade: o caso das crianças desaparecidas

Há casos de crianças desaparecidas mais mediáticos que outros e, por isso, certamente, todos nos lembramos do caso Rui Pedro, Maddie ou, mais recentemente, Maëlys, uma menina que desapareceu num casamento, em França.
No entanto, todos os dias há crianças que desaparecem, são raptadas, traficadas e até escravizadas. Num ano, são dadas como desaparecidas 250 mil crianças na Europa.
Na sociedade em que vivemos muitas pessoas manifestam emoções de bondade e de perdão, de compaixão e empatia. Porém este é também o mundo em que há gente muito perigosa que surge em qualquer sítio ou situação mesmo nos espaços mais inocentes e, aparentemente, com pouco risco, como é um casamento. Claro que esta prática é hoje facilitada pelas redes sociais.
A mente humana é capaz de criar maravilhosas obras de arte ou extraordinários mecanismos tecnológicas mas igualmente a mente humana é responsável pela crueldade. Por que é que isto acontece, porque há pessoas que têm prazer em serem cruéis ? Não só as classificadas como psicopatas ou condenadas por crimes violentos, mas também os bullies nas escolas, os trolls na internet e até membros da sociedade tidos como respeitáveis… (Delroy Paulhus)
Nenhum país está ao abrigo da actuação destes criminosos. Seja pouco ou muito desenvolvido, desaparecem crianças, sem deixar rasto…

No entanto, havendo tanta maldade na nossa realidade, não encontramos a palavra “maldade", nos diversos dicionários de psicologia pesquisados. 1 No Dicionário temático Larousse – Psicologia, Círculo de Leitores, existe malignidade. propensão para fazer o mal. "Certas pessoas sentem prazer em suscitar cabalas, em propagar boatos malévolos em relação ao próximo. Nas crianças a malignidade exerce-se essencialmente sobre os animais e sobre os companheiros mais fracos, que martirizam física e moralmente; por vezes a malvadez toma por alvo um adulto, contra o qual são referidas acusações odiosas. Esta forma de perversão agressiva é frequentemente causada por distúrbios de desenvolvimento afectivo."

Para o psicólogo Delroy Paulhus, o mundo é complexo e não claramente dividida entre pessoas boas e más mas com muitas situações escuras, com personalidades escuras, socialmente aversivas. O seu interesse começou pelo maquiavelismo, narcisismo e psicopatia a que acrescentou o sadismo ("sadismo quotidiano").
Para o psiquiatra Michael Stone, actualmente, a palavra “maldade” não é considerada um termo médico e tampouco faz referência a alguma desordem mental. Mas deveria ser. 
Embora se possa discordar da sua análise, valorizando o papel dos valores sociais, religiosos e culturais que mudam com o tempo, ela tem vantagem pelo facto de se compreender que o leque de pessoas problemáticas nesta área é vasto. 
A partir do estudo de diversos casos de assassinatos em série e tratar alguns deles, ele criou e publicou um “índice da maldade”,  que inclui 22 tipos diferentes de maldade que variam do mais brando até ao mais grave. Assim, as pessoas perigosas andam por aí e vivem connosco, desde os que têm problemas passionais, ciúme, raiva, narcisistas e egocêntricos, até aos psicopatas que mostram prazer no mal que infligem aos outros, há uma série de situações consideradas no índice de maldade.
Estes indivíduos podem actuar em rede que vai desde o que fecha os olhos até ao que lucra com o negócio  ou ao que age, tortura e escraviza.
Porque a maldade existe, toda a prevenção, todo o cuidado dos pais é extremamente importante mas a sociedade tem que ter tolerância zero para estas situações. (Na internet encontra vários sítios que ajudam a ensinar a criança a proteger-se. P.ex.: 1; 2 ; 3 ... )
Vem aí mais um Natal em que os pais destas crianças nada vão saber do que aconteceu aos seus filhos. Uma dor inaudita continuará a habitar nos seus corações.


29/11/17

Direitos das crianças


 M. - 7;3(10)

Comemorou-se, a 20 de Novembro, mais um   Dia Universal dos Direitos das Crianças. Foi neste dia, em 1959, que se proclamou mundialmente a Declaração dos Direitos das Crianças e a 20 de Novembro de 1989 que se adoptou a Convenção sobre os Direitos da Criança , com o objectivo de salientar e divulgar os direitos das crianças de todo o mundo, consciencializar a população para a situação das crianças no mundo e para a necessidade de agir no sentido da promoção do seu bem-estar e do seu desenvolvimento saudável.
Todos conhecemos  os Direitos das Crianças que, basicamente, são os Direitos Humanos, como o direito à vida, à liberdade, à protecção contra a violência, à não discriminação, a um nome  e uma nacionalidade, à alimentação, habitação, a brincar,  saúde, educação...

Tenho-me dedicado, especialmente, a defender e promover a aplicação do artº 6º da Declaração,  que diz:
“A criança precisa de amor e compreensão para o pleno e harmonioso desenvolvimento da sua personalidade.
Na medida do possível, deverá crescer com os cuidados e sob a responsabilidade dos seus pais e, em qualquer caso, num ambiente de afecto e segurança moral e material; salvo em circunstâncias excepcionais, a criança de tenra idade não deve ser separada da sua mãe. A sociedade e as autoridades públicas têm o dever de cuidar especialmente das crianças sem família e das que careçam de meios de subsistência. Para a manutenção dos filhos de famílias numerosas é conveniente a atribuição de subsídios estatais ou outra assistência.”

Apesar da evolução que tem havido no nosso país, em que a maioria das crianças tem os seus “direitos básicos” assegurados, temos que melhorar em muitos aspectos. Um deles diz respeito à promoção da Saúde Psicológica.
A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) apresenta alguns dados que  merecem ser reflectidos :
- O aumento do número de crianças que sofrem de problemas de Saúde Psicológica relacionados com violência nos vários contextos em que vivem;
- O nível de pobreza e de exclusão social (2,6 milhões de Portugueses em risco);
- As falhas nos apoios às crianças / jovens com Necessidades Educativas Especiais (NEE);
- As crianças em idade escolar são muitas vezes vítimas de bullying – cerca de 1 em cada 5 – estimando-se que apenas 10% a 15% recebam a ajuda de que precisam;
- Em 2016, 3,7% das crianças e jovens Portuguesas (71.016) foram  acompanhados pelas Comissões de Promoção e Protecção das Crianças e Jovens (CPCJ), cerca de 33% das mesmas por "Exposição a Comportamentos que podem comprometer o bem-estar e o desenvolvimento" e 8,6% devido a maus-tratos: físicos (4,8%), psicológicos (2,1%) ou a abuso sexual (1,7%).

Refere ainda a OPP que a "violação" destes Direitos afecta o dia-a-dia das crianças e  o seu futuro:
- está associada ao insucesso e abandono escolar, ao aumento da violência, à instabilidade no emprego ou ao défice no funcionamento social,
-  a vulnerabilidades emocionais, à psicopatologia,
- e à transmissão intergeracional de padrões de relacionamento e de comportamento disfuncionais que se reflectirão nas gerações futuras.
- "Muitos destes padrões conduzem frequentemente a uma espiral de desvantagens e de vulnerabilidades, difíceis de reverter, e que representam custos sociais e económicos elevados, contribuindo para um País mais desigual e com menos coesão social.”

Neste dia, como em todos os dias, é necessário defender e promover os Direitos das Crianças de forma a que cada criança tenha “o amor e compreensão de que necessita para o desenvolvimento da sua personalidade".

Hoje apetece-me ouvir: George Harrison

 
George Harrison, (25/21943 – 29/11/2001)
 Dear One

24/11/17

Tudo tem um fim

Seria mais um jantar... não fora  dar-se o caso de o sr. primeiro ministro resolver reagir estranha e excessivamente ao repasto da web summit, isto é, da cimeira tecnológica, “a maior conferência tecnológica do mundo”.
É realmente uma reunião de negócios importante*, em forma de show off. Por isso, estiveram lá "todos": 1º ministro, presidente da câmara municipal de Lisboa e até Marcelo.
Terminou (11/11/17) com "um jantar exclusivo com convidados da Web Summit na nave central do Panteão Nacional, em que participaram presidentes executivos, fundadores de empresas e ‘startups’, investidores de alto nível, entre outras personalidades. O jantar em questão chama-se ‘Founders Summit’…" (Observador)
Provavelmente a indignação do sr. primeiro ministro  terá nascido da intuição de que havia ali matéria para responsabilizar o governo anterior por tamanha falta de respeito aos nossos maiores.
Vai daí, reagiu assim: “A utilização do Panteão Nacional para eventos festivos é absolutamente indigna do respeito devido à memória dos que aí honramos”, referiu o gabinete do primeiro-ministro, em comunicado. Acrescentou que a situação estava contemplada num “despacho proferido pelo anterior Governo” e informou que vai alterar o regime “para que situações semelhantes não voltem a repetir-se, violando a história, a memória coletiva e os símbolos nacionais”. (TSF)
O Panteão Nacional pode não ser local apropriado para fazer jantares de negócios, para alguns até pode ser, como foi, mas o mesmo não se diga relativamente a outros eventos culturais de qualquer das áreas, por exemplo, onde brilharam e continuam a brilhar alguns dos heróis nacionais cujos restos mortais repousam naquele edifício.
Para além disso, o que há aqui que mereça perder mais tempo com este ”caso”?
1. Mais uma vez este governo nega a responsabilidade que lhe compete em acontecimentos negativos ou controversos...
Ora vai-se a ver este parece ter sido o 10º jantar ocorrido no local, o Panteão Nacional. Além disso, quando o primeiro ministro era presidente da câmara de Lisboa, também decorreu aí um jantar similar...

2. O sítio, Panteão Nacional, podia ser o local certo para mostrar a vida efémera do ser humano e, logo, da  web summit, se esse fosse o objectivo deste jantar.  E é aqui que pode residir o engano ou a claridade.
Em  entrevista a Clara Ferreira Alves (Expresso,     ), a propósito do seu último livro, A estranha ordem das coisas, António Damásio procura consciencializar para que "tudo tem um fim", alertar para o que se passa em Silicon Valey onde tudo parece ser possível no futuro, criar tudo, até eventualmente dar vida a robots. "Silicon Valey terá um despertar doloroso" porque aquilo que não estão a perceber é que "tudo tem um fim".  Podem até criar robots mais inteligentes que o ser humano, porém nunca lhe poderão dar sentimentos como acontece com os humanos.
Damásio refere no seu livro que  " Parte das sociedades que celebram a ciência e a tecnologia modernas, e que mais lucram com elas, parece estar numa situação de bancarrota “espiritual”, tanto no sentido secular como religioso do termo. A julgar pela aceitação despreocupada das crises financeiras problemáticas – a bolha da Internet de 2000, os abusos hipotecários de 2007 e o colapso bancário de 2008 – parecem igualmente estar numa situação de bancarrota moral. Curiosamente, ou talvez não tanto, o nível de felicidade nas sociedades que mais beneficiaram com os espantosos progressos do nosso tempo mantém-se estável ou em declínio, caso possamos confiar nas respectivas avaliações.(p.290-291)

3.O fait divers ou o erro de uma decisão, se o foi, foi da responsabilidade dos serviços tutelados por A Costa, veio por a nu a questão essencial com que se depara a humanidade, a sua finitude, e de como aqueles que pensam que tudo é possível, até a imortalidade, faz com que os panteões de hoje sejam os pandemónios de amanhã.

_________________________
* "Em certos setores da sociedade portuguesa, há ainda algum ceticismo relativamente à importância da Web Summit. As críticas incidem em questões que vão desde o deslumbramento tecnológico ao retorno económico do evento, passando pela descrença na viabilidade, competitividade e valor das startups. Existe também quem se limite a valorizar o evento pelas receitas turísticas que produz e pela promoção internacional do país, o que é manifestamente redutor.
A questão mais importante é certamente a do retorno económico da Web Summit, na qual o Estado português investe 1,3 milhões de euros por ano. Ora, sobre o impacto imediato já há dados concretos: em 2016, o retorno direto do evento foi de 200 milhões de euros e, nesta edição, prevê-se que seja de 300 milhões, subida que se justifica pelo aumento do número de participantes. Já o retorno indireto, que é de facto o que interessa ao país, é mais difícil de contabilizar, não só por se tratar de um impacto a médio/longo prazo, mas também por gerar um valor muitas vezes intangível."Vale a pena continuar a acolher a Web Summit?"  Adelino Costa Matos, Presidente da ANJE 14 Nov 2017.

09/11/17

Cem anos de complexo de esquerda


A  7 de Novembro, passaram cem anos da  revolução russa. As repercussões infelizmente foram brutais não só para esse país que foi a sua principal vítima, como para mais alguns, provocando milhões de vitimas. Mesmo assim, muitos anos depois, ainda há quem comemore esta tragédia.

Logo a seguir ao 25 de Abril, em Junho de 1974, esquerda e direita eram definidas assim  na "Cartilha política do povo":
"Esquerda. Esta palavra aplica-se aos membros de um partido com ideias avançadas, ideias de progresso. Opõe-se à direita, aos conservadores. Na esquerda militam aqueles que consideram injusta para os trabalhadores a situação de explorados. A esquerda é mais uma classificação de pensamento e de actuação política do que uma situação social. Há com efeito, cidadãos bem situados na vida que militam na esquerda para lutarem pelos trabalhadores e por uma maior justiça social….”
"Direita. Este termo relaciona-se com as individualidades que no Senado ficavam à direita do presidente e eram conhecidas pelas suas ideias conservadoras. Hoje o termo emprega-se em política para referir a todos os que não desejam mudanças, que querem o "statu quo" (aquilo que está) e como está. A direita é formada por um conjunto de elementos já instalados na sociedade, geralmente ricos e com uma certa idade, que procuram defender as suas posições de modo a que a sua riqueza, o seu poder e os seus privilégios não sejam abalados pelo povo.”
Desde então tem sido esta concepção que prevalece. Nestas definições é óbvia a preferência pela esquerda mas é evidente que não corresponde à realidade vivida pelas pessoas, designadamente dos países onde  há ou houve ditaduras de esquerda.

Acontece que "... a política portuguesa mudou desde há quase um ano e tem agora uma nova semântica. A oposição entre esquerda e direita voltou à primeira página. No poder e a tentar construir uma solução parlamentar inédita, a esquerda reintroduziu uma liturgia repetitiva que agora serve de pensamento. O que é de esquerda é bom. O que é de direita é mau. E não há mais espaço para argumentação. O Partido Socialista tem-se deixado contaminar por este palavreado." António Barreto,"outono socialista, DN, 14-8-2016.
Ora o problema é, quando nesta história de bons e maus, a esquerda se auto-avalia como a parte boa.
O complexo de superioridade marxista faz sempre uma  auto avaliação positiva das suas realizações e são sempre a maneira de se afirmar na sociedade, para justificar os abusos, no fundo, a sua falência. Têm o único instrumento para análise correcta da sociedade: o marxismo-leninismo. Por isso, consideram-se mais inteligentes** mas também "moralmente superiores", como refere Álvaro Cunhal: “Os comunistas não se distinguem apenas pelos seus elevados objectivos e pela sua acção revolucionária. Distinguem-se também pelos seus elevados princípios morais.”

De facto, quando tudo o que fazem, acham eles, é para bem do povo, certamente os meios são justificados pelos fins, mesmo quando isso implique liquidar  milhões de adversários, discordantes ou inocentes que nada tiveram a ver com facções políticas.
Eles acham que são (d)o bem, são a esquerda, a verdadeira esquerda, não a  infantil, não revisionista, não maoista, ou a verdadeira esquerda marxista-leninista-maoista... Automaticamente, acham que a esquerda é tudo o que está bem e a direita tudo o que está mal. Não há mais variações. Não há mais nada, apenas a esquerda e direita que eles  próprios definem. Não há extrema esquerda ou se há é democrática mas há de certeza extrema direita que não tem direito a existir porque é anti-democrática e fascista. Talvez seja por isso que “os fascistas do futuro chamam-se a eles próprios antifascistas”. (Frase atribuída a Winston Churchill)

_____________________
* José Pires, Paulo da Trindade Ferreira, M, Helena de Sá Dias, Vítor Melícias Lopes.
** Até há estudos que o provam (!). Ex.: Os "de esquerda" são mais inteligentes, afirma estudo;Why Liberals Are More Intelligent Than Conservatives.

01/11/17

Para além da crise e dos especuladores

  As primeiras cegonhas chegaram, hoje, a Castelo Branco.

Até Putin !

O memorial feito por Frangulyan
Gueorgui Frangulian... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2017/10/30/putin-repudia-repressoes-na-urss-ao-inaugurar-muro-da-dor-em-moscou.htm?cmpid=copiaecola
Gueorgui Frangulian... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2017/10/30/putin-repudia-repressoes-na-urss-ao-inaugurar-muro-da-dor-em-moscou.htm?cmpid=copiaecola
Gueorgui Frangulian... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2017/10/30/putin-repudia-repressoes-na-urss-ao-inaugurar-muro-da-dor-em-moscou.htm?cmpid=copiaecola
 "Muro da dor"- Do arquitecto Gueorgui Frangulian
Gueorgui Frangulian... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2017/10/30/putin-repudia-repressoes-na-urss-ao-inaugurar-muro-da-dor-em-moscou.htm?cmpid=copiaecola
Gueorgui Frangulian... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2017/10/30/putin-repudia-repressoes-na-urss-ao-inaugurar-muro-da-dor-em-moscou.htm?cmpid=copiaecola
Gueorgui Frangulian... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2017/10/30/putin-repudia-repressoes-na-urss-ao-inaugurar-muro-da-dor-em-moscou.htm?cmpid=copiaecola
 Daqui

"Putin inaugura memorial às vítimas da repressão política". (Agence France-Presse (AFP), 30 de Outubro de 2017).
"O presidente da Rússia, Vladimir Putin, inaugurou na tarde de segunda-feira em Moscou o chamado “Muro da Dor”, um memorial dedicado às vítimas da repressão política na URSS. O memorial, escolhido por concurso, é o projeto de maior envergadura apoiado pelo Estado, feito em lembrança aos mortos nos períodos de terror após a revolução bolchevique de 1917. Esse acontecimento histórico, sobre o qual os russos ainda não chegaram a um consenso, completa um século no próximo dia 7 de novembro. “Esses crimes não podem ter nenhuma justificativa”, disse Putin na cerimônia. A abertura do memorial é, para o presidente russo, “especialmente atual no ano do centenário da revolução”... 
"A inauguração de um monumento nacional às vítimas do terror foi uma ideia expressada pelo líder comunista Nikita Khrushchov em 1961, que a Associação Memorial, dedicada a manter viva a memória histórica, resgatou nos últimos anos da URSS. Putin deu forma a ela em setembro de 2015 ao assinar o decreto para a construção do monumento. Um total de 170 pedras procedentes de diversos campos de concentração do Gulag, de Solovki a Kolimá, foram utilizadas na confecção do conjunto escultórico, que ocupa mais de 5000 metros quadrados em torno a um muro de bronze com um baixo-relevo no formato de atormentados corpos humanos, onde é possível ler a palavra “lembre” em vários idiomas." 

Por cá, "PCP continua a falsificar a História". "O PCP criou um site para celebrar os 100 anos da revolução bolchevique de 1917, mas abre-o logo com uma fotografia falsificada de Lenine. Trata-se apenas da primeira de muitas falsificações históricas",  José Milhazes, O Observador, 24/6/2017.