15/09/17
05/09/17
10 anos de "Educar em Diálogo"
10 anos de "Educar em diálogo". O objectivo inicial foi o de trazer algumas ideias sobre a educação que na altura passava por caminhos controversos e autoritários, com uma ministra da educação, Maria de Lurdes Rodrigues, que tinha dos professores a ideia de que eram o fracasso do sistema educativo e que era preciso ensinar-lhes as boas maneiras para serem professores. Muitos projectos eram os do regime "socrático": novas oportunidades, "magalhães", parque escolar, avaliação de desempenho altamente burocratizada, a divisão entre professores e professores titulares, a escola a tempo inteiro (AEC), as alterações do DL 3/2008 e as escolas de referência, a CIF, o número mágico de 1,8% de crianças com NEE, com a exclusão de muitas do apoio da educação especial, o encerramento de escolas rurais e de pequena dimensão... (A crise na educação)
O que mais chocava era a atitude arrogante do poder, em particular num sector onde o diálogo, como método, devia ser o caminho para tomar decisões e melhorar a educação.
21/08/17
10/08/17
Confiança básica
...
"Olha-me. Nunca me irei embora; mesmo quando já cá não estiver,
basta-te abrir pernas e braços, pôr o peito para cima e fechar os olhos,
dessa vez fecha os olhos, para me veres onde estou: aí dentro. Quando
essa cabeça quiser pensar em nada, que serei eu dentro de ti, fecha os
olhos. Nós os dois aqui, um ao lado do outro, a boiar no mar calmo de
olhos postos no céu imenso.
Neste sítio, o tempo pára." (Insurgente, "Neste sítio, o tempo pára", André Abrantes Amaral)
A
extraordinária relação pai-filho que nasce nas pequenas coisas da vida,
da aprendizagem do quotidiano, da confiança básica (E. Erikson), do amor profundo entre dois seres. Muito
gratificante.
Obrigado AAA.
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09/08/17
Vinho, mulheres e canções
Valsa "vinho, mulheres e canções"
Orquestra Sinfónica da Rádio de Hamburgo - Dir. de Gudolff Rendel
Orquestra Sinfónica da Rádio de Hamburgo - Dir. de Gudolff Rendel
Talvez aqui.
É muito mais do que versar sobre a vida desregrada, a que Jeroen Dijsselbloem se referia, como o caminho a evitar, é o encantamento da vida - o principio do prazer.
Embora Dijsselbloem seja do norte disse o que se pode aplicar a todos os povos de todas as geografias, como a ele próprio. O azar dele foi tê-lo feito de forma focada nos europeus do sul quando isso também é coisa dos europeus do norte, como aqui se vê.
Também já não era o tempo próprio para isso. Quer dizer, foi aqui que nos trouxe o retrocesso em que estamos.
Por estes dias de embandeirar em arco, aliás o nosso querido presidente Marcelo já começou a travar tanta exuberância, principalmente depois das desgraças dos incêndios e de Tancos, o país que todos procuram pelo sol, pela comida, pela simpatia das pessoas, afinal também tem defeitos. Nada que surpreenda o que refere, no Labirinto da saudade, Eduardo Lourenço: "somos um povo de pobres com mentalidade de ricos". Como as críticas são "de casa", podem dizer o que pensam e o que entendem sobre a choldra ignóbil, apropriada ao "estado a que chegámos".
Também já não era o tempo próprio para isso. Quer dizer, foi aqui que nos trouxe o retrocesso em que estamos.
Por estes dias de embandeirar em arco, aliás o nosso querido presidente Marcelo já começou a travar tanta exuberância, principalmente depois das desgraças dos incêndios e de Tancos, o país que todos procuram pelo sol, pela comida, pela simpatia das pessoas, afinal também tem defeitos. Nada que surpreenda o que refere, no Labirinto da saudade, Eduardo Lourenço: "somos um povo de pobres com mentalidade de ricos". Como as críticas são "de casa", podem dizer o que pensam e o que entendem sobre a choldra ignóbil, apropriada ao "estado a que chegámos".
Mas não fomos sempre assim ? Podemos voltar ao passado, por altura dos descobrimentos, quando se criticava aqueles que comiam pão-de-ló com sardinha assada. Mas isso eram outros tempos?
Resta-nos a verdadeira paixão pela música, autêntica evolução no campo da igualdade de direitos.
Como referia E. Cintra Torres a propósito de "Duetos imprevistos". "A arte aprende-se. Os compositores, diz-nos Duetos, não são apenas homens
do seu tempo: têm as paixões do momento e de sempre. Tal como eles, os
dois apresentadores estão sempre à mesa comendo e bebendo (como
Bruckner), falando das apaixonadas e do seu papel na música (Liszt, o
Strauss das valsas), e procurando também assim recriar o seu amor pela
música, religiosa, popular ou o que seja. No écrã, recriam-se pulsões
dos compositores: vinho, mulheres e canções (Wein, Weib und Gesang: é o
título de uma valsa de Strauss)."
04/08/17
Todo o Mundo e Ninguém
Todo o Mundo e Ninguém, entremez do Auto da Lusitânia, escrito por Gil Vicente em 1531, e representado pela primeira vez em 1532, está mais actual do que nunca, não só pela estória da utilização da música dos 1111 num dos temas do álbum “4:44”, de Jay-Z, mas porque, passados 500 anos, podia ter sido escrito um dia destes, se ainda houvesse homens como Gil Vicente.
Nesse sentido interroga-se A. Barreto: "Que é feito dos homens livres do meu país? Estão assim tão dependentes da simpatia partidária, dos empregos públicos, das notícias administradas gota a gota, dos financiamentos, dos subsídios, das bolsas de estudo e das autorizações que preferem calar-se? Que é feito dos autarcas livres do meu país? Onde estarão eles no dia e na hora do desastre? Talvez à porta do partido quando as populações pedirem socorro e conforto." (A. Barreto, Jacarandá)
Gil Vicente conhecia bem os vícios do seu tempo. Dinato e Belzebu, encarregues de relatar a Lúcifer tudo o que se passa (ver Auto da Lusitânia), escutam o diálogo entre Todo o Mundo e Ninguém.
Um rico mercador, chamado "Todo o Mundo" e um homem pobre cujo nome é "Ninguém", encontram-se e põem-se a conversar sobre o que desejam neste mundo. Em torno desta conversa, dois demónios (Belzebu e Dinato) tecem comentários espirituosos, fazem trocadilhos, procurando evidenciar temas ligados à verdade, à cobiça, à vaidade, à virtude e à honra dos homens.
Que andas tu aí buscando
Todo o Mundo:
Mil cousas ando a buscar:
delas não posso achar,
porém ando porfiando
por quão bom é porfiar.
Ninguém:
como hás o nome, cavaleiro?
Todo o Mundo.:
Eu hei nome Todo o Mundo,
e meu tempo todo inteiro
sempre é buscar dinheiro,
e sempre nisto me fundo.
Ninguém:
Eu hei Ninguém,
e busco a consciência.
Belzebu:
Esta é boa experiência:
Dinato, escreve isto bem.
Dinato:
Que escreverei, companheiro?
Belzebu:
Que Ninguém busca consciência,
e Todo o Mundo dinheiro.
...
25/07/17
Liberdade de escolha na escola estatal !
"Polícia foi chamada ao Liceu Pedro Nunes para acalmar pais revoltados com matrículas
O problema com as matrículas volta a repetir-se este ano e levou até a polícia a intervir, esta segunda-feira, na Escola Secundária Pedro Nunes, em Lisboa. Pais protestam contra moradas falsas." (Marlene Carriço, Observador, 25/7/2017)
"Afinal, a liberdade de escolha da escola existe
O debate já não é se deve ou não haver escolha. Ela existe nas escolas públicas, mas de forma ilegítima e só para alguns. A questão é se se a quer alargar a todos, a começar pelos mais desfavorecidos." (Alexandre Homem Cristo, Observador, 24/7/2017)
O ME pode continuar a ignorar tudo isto, a fechar escolas contratadas, a nem sequer regular, como deve ser, as matrículas nas escolas estatais, a que haja escolas "fim de linha". A realidade vai desmentindo todos os dias a hipocrisia socialista da "igualdade de oportunidades" para todos.
Os pais só têm que se defender destas utopias, ingenuidades e hipocrisias. E fazem bem que procuram a melhor educação ("waiting for superman") para os filhos nas escolas estatais, cooperativas, IPSS ou privadas.
19/07/17
O meu lindo país azul
Alfredo Keil (1850-1907)
O meu lindo país azul
Luís Pipa, piano
Esta é uma questão de todos, devia, por isso, ser tratada por todos, sem censuras ("lei da rolha") de qualquer tipo.
Não tinha passado muito tempo, ainda ardia a floresta com "a informação devidamente organizada e estruturada", e já uma "Comissão" recomendava à Porto Editora para "apagar" a venda de cadernos de actividades para meninos e meninas.
O meu lindo país azul... não pode ter essa tonalidade de azul. *
________________
* Revisto em 31/8/2017
Não tinha passado muito tempo, ainda ardia a floresta com "a informação devidamente organizada e estruturada", e já uma "Comissão" recomendava à Porto Editora para "apagar" a venda de cadernos de actividades para meninos e meninas.
O meu lindo país azul... não pode ter essa tonalidade de azul. *
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* Revisto em 31/8/2017
17/07/17
Hoje apetece-me ouvir: Billie Holiday
Billie Holiday - 7-4-1915 — 17-7-1959
A frase da mãe “God bless the child that’s got his own”, foi o ponto de partida para a canção. No entanto, o que está subjacente é a parábola dos talentos que é necessário desenvolver, sob pena de "... a todo o que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; mas ao que não tem, até aquilo que tem ser-lhe-á tirado” (Mateus 29)
Também é verdade que o dinheiro manda, os fortes, os amigos ricos ganham, os fracos desvanecem e bolsos vazios não chegam a lado nenhum...
Faz-me lembrar qualquer coisa deste país...
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