19/08/17
10/08/17
Confiança básica
...
"Olha-me. Nunca me irei embora; mesmo quando já cá não estiver,
basta-te abrir pernas e braços, pôr o peito para cima e fechar os olhos,
dessa vez fecha os olhos, para me veres onde estou: aí dentro. Quando
essa cabeça quiser pensar em nada, que serei eu dentro de ti, fecha os
olhos. Nós os dois aqui, um ao lado do outro, a boiar no mar calmo de
olhos postos no céu imenso.
Neste sítio, o tempo pára." (Insurgente, "Neste sítio, o tempo pára", André Abrantes Amaral)
A
extraordinária relação pai-filho que nasce nas pequenas coisas da vida,
da aprendizagem do quotidiano, da confiança básica (E. Erikson), do amor profundo entre dois seres. Muito
gratificante.
Obrigado AAA.
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09/08/17
Vinho, mulheres e canções
Valsa "vinho, mulheres e canções"
Orquestra Sinfónica da Rádio de Hamburgo - Dir. de Gudolff Rendel
Orquestra Sinfónica da Rádio de Hamburgo - Dir. de Gudolff Rendel
Talvez aqui.
É muito mais do que versar sobre a vida desregrada, a que Jeroen Dijsselbloem se referia, como o caminho a evitar, é o encantamento da vida - o principio do prazer.
Embora Dijsselbloem seja do norte disse o que se pode aplicar a todos os povos de todas as geografias, como a ele próprio. O azar dele foi tê-lo feito de forma focada nos europeus do sul quando isso também é coisa dos europeus do norte, como aqui se vê.
Também já não era o tempo próprio para isso. Quer dizer, foi aqui que nos trouxe o retrocesso em que estamos.
Por estes dias de embandeirar em arco, aliás o nosso querido presidente Marcelo já começou a travar tanta exuberância, principalmente depois das desgraças dos incêndios e de Tancos, o país que todos procuram pelo sol, pela comida, pela simpatia das pessoas, afinal também tem defeitos. Nada que surpreenda o que refere, no Labirinto da saudade, Eduardo Lourenço: "somos um povo de pobres com mentalidade de ricos". Como as críticas são "de casa", podem dizer o que pensam e o que entendem sobre a choldra ignóbil, apropriada ao "estado a que chegámos".
Também já não era o tempo próprio para isso. Quer dizer, foi aqui que nos trouxe o retrocesso em que estamos.
Por estes dias de embandeirar em arco, aliás o nosso querido presidente Marcelo já começou a travar tanta exuberância, principalmente depois das desgraças dos incêndios e de Tancos, o país que todos procuram pelo sol, pela comida, pela simpatia das pessoas, afinal também tem defeitos. Nada que surpreenda o que refere, no Labirinto da saudade, Eduardo Lourenço: "somos um povo de pobres com mentalidade de ricos". Como as críticas são "de casa", podem dizer o que pensam e o que entendem sobre a choldra ignóbil, apropriada ao "estado a que chegámos".
Mas não fomos sempre assim ? Podemos voltar ao passado, por altura dos descobrimentos, quando se criticava aqueles que comiam pão-de-ló com sardinha assada. Mas isso eram outros tempos?
Resta-nos a verdadeira paixão pela música, autêntica evolução no campo da igualdade de direitos.
Como referia E. Cintra Torres a propósito de "Duetos imprevistos". "A arte aprende-se. Os compositores, diz-nos Duetos, não são apenas homens
do seu tempo: têm as paixões do momento e de sempre. Tal como eles, os
dois apresentadores estão sempre à mesa comendo e bebendo (como
Bruckner), falando das apaixonadas e do seu papel na música (Liszt, o
Strauss das valsas), e procurando também assim recriar o seu amor pela
música, religiosa, popular ou o que seja. No écrã, recriam-se pulsões
dos compositores: vinho, mulheres e canções (Wein, Weib und Gesang: é o
título de uma valsa de Strauss)."
04/08/17
Todo o Mundo e Ninguém
Todo o Mundo e Ninguém, entremez do Auto da Lusitânia, escrito por Gil Vicente em 1531, e representado pela primeira vez em 1532, está mais actual do que nunca, não só pela estória da utilização da música dos 1111 num dos temas do álbum “4:44”, de Jay-Z, mas porque, passados 500 anos, podia ter sido escrito um dia destes, se ainda houvesse homens como Gil Vicente.
Nesse sentido interroga-se A. Barreto: "Que é feito dos homens livres do meu país? Estão assim tão dependentes da simpatia partidária, dos empregos públicos, das notícias administradas gota a gota, dos financiamentos, dos subsídios, das bolsas de estudo e das autorizações que preferem calar-se? Que é feito dos autarcas livres do meu país? Onde estarão eles no dia e na hora do desastre? Talvez à porta do partido quando as populações pedirem socorro e conforto." (A. Barreto, Jacarandá)
Gil Vicente conhecia bem os vícios do seu tempo. Dinato e Belzebu, encarregues de relatar a Lúcifer tudo o que se passa (ver Auto da Lusitânia), escutam o diálogo entre Todo o Mundo e Ninguém.
Um rico mercador, chamado "Todo o Mundo" e um homem pobre cujo nome é "Ninguém", encontram-se e põem-se a conversar sobre o que desejam neste mundo. Em torno desta conversa, dois demónios (Belzebu e Dinato) tecem comentários espirituosos, fazem trocadilhos, procurando evidenciar temas ligados à verdade, à cobiça, à vaidade, à virtude e à honra dos homens.
Que andas tu aí buscando
Todo o Mundo:
Mil cousas ando a buscar:
delas não posso achar,
porém ando porfiando
por quão bom é porfiar.
Ninguém:
como hás o nome, cavaleiro?
Todo o Mundo.:
Eu hei nome Todo o Mundo,
e meu tempo todo inteiro
sempre é buscar dinheiro,
e sempre nisto me fundo.
Ninguém:
Eu hei Ninguém,
e busco a consciência.
Belzebu:
Esta é boa experiência:
Dinato, escreve isto bem.
Dinato:
Que escreverei, companheiro?
Belzebu:
Que Ninguém busca consciência,
e Todo o Mundo dinheiro.
...
25/07/17
Liberdade de escolha na escola estatal !
"Polícia foi chamada ao Liceu Pedro Nunes para acalmar pais revoltados com matrículas
O problema com as matrículas volta a repetir-se este ano e levou até a polícia a intervir, esta segunda-feira, na Escola Secundária Pedro Nunes, em Lisboa. Pais protestam contra moradas falsas." (Marlene Carriço, Observador, 25/7/2017)
"Afinal, a liberdade de escolha da escola existe
O debate já não é se deve ou não haver escolha. Ela existe nas escolas públicas, mas de forma ilegítima e só para alguns. A questão é se se a quer alargar a todos, a começar pelos mais desfavorecidos." (Alexandre Homem Cristo, Observador, 24/7/2017)
O ME pode continuar a ignorar tudo isto, a fechar escolas contratadas, a nem sequer regular, como deve ser, as matrículas nas escolas estatais, a que haja escolas "fim de linha". A realidade vai desmentindo todos os dias a hipocrisia socialista da "igualdade de oportunidades" para todos.
Os pais só têm que se defender destas utopias, ingenuidades e hipocrisias. E fazem bem que procuram a melhor educação ("waiting for superman") para os filhos nas escolas estatais, cooperativas, IPSS ou privadas.
19/07/17
O meu lindo país azul
Alfredo Keil (1850-1907)
O meu lindo país azul
Luís Pipa, piano
Esta é uma questão de todos, devia, por isso, ser tratada por todos, sem censuras ("lei da rolha") de qualquer tipo.
Não tinha passado muito tempo, ainda ardia a floresta com "a informação devidamente organizada e estruturada", e já uma "Comissão" recomendava à Porto Editora para "apagar" a venda de cadernos de actividades para meninos e meninas.
O meu lindo país azul... não pode ter essa tonalidade de azul. *
________________
* Revisto em 31/8/2017
Não tinha passado muito tempo, ainda ardia a floresta com "a informação devidamente organizada e estruturada", e já uma "Comissão" recomendava à Porto Editora para "apagar" a venda de cadernos de actividades para meninos e meninas.
O meu lindo país azul... não pode ter essa tonalidade de azul. *
________________
* Revisto em 31/8/2017
17/07/17
Hoje apetece-me ouvir: Billie Holiday
Billie Holiday - 7-4-1915 — 17-7-1959
A frase da mãe “God bless the child that’s got his own”, foi o ponto de partida para a canção. No entanto, o que está subjacente é a parábola dos talentos que é necessário desenvolver, sob pena de "... a todo o que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; mas ao que não tem, até aquilo que tem ser-lhe-á tirado” (Mateus 29)
Também é verdade que o dinheiro manda, os fortes, os amigos ricos ganham, os fracos desvanecem e bolsos vazios não chegam a lado nenhum...
Faz-me lembrar qualquer coisa deste país...
04/07/17
Faz a tua parte
Zaz - La légende du colibri
O impossível reside nas mãos inertes daqueles que não tentam. (Epicuro)
03/07/17
Hoje apetece-me ouvir: Les choristes
Les choristes (Os coristas) - Vois sur tom chemin
Filme * de Christophe Barratier, 2004; Música de Bruno Coulais
Vois sur ton chemin/ Vê no teu caminho
Gamins oubliés égarés/ Crianças esquecidas perdidas
Donne leur la main/ Dá-lhes a mão
Pour les mener/ Para os conduzir
Vers d'autres lendemains/ A outros amanhãs
...
* Passou há alguns dias na RTP1
28/06/17
Para um sistema de saúde
A saúde em Portugal tem
melhorado. No entanto, não deixa de continuar a manifestar fragilidades
e sintomas preocupantes por falta de respostas eficazes às necessidades da
população.
Foi apresentado, a 28 de Junho, o relatório do Observatório Português dos Sistemas de
Saúde (OPSS), que tem por base dados
relativos a 2014 e 2015. (RTP, 28 Junho, 2017)
O relatório,
que faz a avaliação geral do funcionamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS), tem um título sugestivo: “Viver em tempos incertos: sustentabilidade e
equidade na saúde”. Partir do princípio da incerteza pode ter grande vantagem para a prevenção.
Algumas conclusões do relatório
não são novas e vêm sendo repetidas há bastante tempo, sem que haja melhorias. Assim:
- Para se manterem saudáveis, os portugueses gastam
muito mais que a maioria dos europeus.
- Agravamento
de desigualdades no acesso à saúde; apesar das
melhorias substanciais no estado de saúde da população portuguesa, "as
desigualdades de género, geográficas/territoriais e socioeconómicas
persistem".
- Mantêm-se as barreiras socioeconómicas no acesso a
medicamentos e a consultas de especialidade, sobretudo em saúde oral e mental. A “carência de
serviços” estatais nestas duas especialidades é o principal motivo para esta
falta de equidade.
- Embora
o consumo excessivo de antibióticos tenha decrescido entre 2004 e 2014,
continua a ser elevado.
- E, também já sabíamos, há “desilusão e
descontentamento” crescentes dos profissionais de saúde.
Há alguns meses, outro relatório, "Revisão do sistema de saúde", do Observatório
europeu de políticas e sistemas de saúde, (Health System Review, HIT (Health Systems in Transition, European Observatory on Health Systems and Policies), alertava para conclusões muito interessantes e importantes. (Relatório. Informação: Marta F. Reis, Sol ,28 de Abril.).
Um sistema deve integrar todas as políticas sectoriais.
Ora segundo o relatório, “falta saúde em todas as
políticas, “ministros não falam uns com os outros”, ou seja, não há coordenação interministerial (pelo menos) nesta área; “…
continua também a faltar o “cimento”: “o que outros países conseguiram fazer
foi dar corpo à ideia de que a saúde deve estar presente em todas as políticas.
Ambiente, Educação, Justiça, Agricultura devem ser cúmplices na promoção da
saúde”.
A segunda conclusão é particularmente sensível,
dado o envelhecimento da população. Os
maus resultados do país no chamado envelhecimento saudável são um “falhanço
coletivo”. Os portugueses são dos europeus que vivem
menos tempo saudáveis depois dos 65 anos de idade. (Jorge
Simões, ex-presidente da Entidade Reguladora da Saúde e coordenador do estudo,
Comissariado pelo Observatório Europeu de Sistemas e Políticas de Saúde.)
Em
2014, os europeus contavam viver em média 8,6 anos de vida saudável depois dos
65 anos, tanto os homens como as mulheres. Em Portugal, o número de anos
saudáveis depois dos 65 anos não vai além dos 5,6 anos no caso das mulheres e
de 6,9 anos nos homens.(Eurostat)
O que falta, antes de mais, talvez seja, sem novidade nenhuma, maior investimento na promoção e na prevenção da saúde, incluindo os outros sectores do estado, de forma a que possamos ter, por ex., alimentação saudável, actividade física e, em geral, bem-estar (Seligman).
Não
há uma rede de cuidados continuados suficiente, assim como de cuidados
paliativos.
O serviço nacional de saúde é apenas uma parte do sistema nacional de saúde. Enquanto não for
criado um sistema que respeite as regras do sistema, dificilmente haverá melhorias
significativas na saúde dos portugueses.
Desejo a todos umas
férias com saúde. Até Setembro.
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