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| Experiência de Asch |
A psicologia social experimental permite conhecer mais profundamente o
funcionamento mental das pessoas enquanto sujeitas a pressões do grupo a que
pertencem.
Os
indivíduos ou grupos
tornam-se conformistas para evitar o
conflito
entre
opiniões diferentes (a da maioria
e a do indivíduo ou grupo minoritário) e a rejeição pela maioria. (
Solomon Asch)
1
O conformismo
2 pode resultar de vários factores como a falta
de informação, pressão da norma
, atractividade do grupo maioritário,
ou, ainda, do evitamento de sanções que são aplicadas aos desviantes ou inconformistas.
Neste caso, de inconformismo
, o indivíduo ou o grupo reage à submissão, não
se conformando a crenças ou comportamentos do grupo.
A norma é "um conjunto de valores, regras, tradições e padrões
partilhados por um grupo social que regem as
relações entre os seus membros" (Maxime Morsa, «Normidabe!!!» et si la norme nous voulait du bien?,
le cercle psy,nº 23, p.80-83). Mas também pode acontecer que
não nos identificamos com aquelas regras,
valores, tradições e padrões
do grupo.
É nisto que consiste este aspecto paradoxal
da norma.
É importante ser aceite pelo seu grupo de pertença e não se pode ir contra as
normas que ele defende. As normas são muito importantes no grupo de pares e ser
excluído do grupo é, psicologicamente e fisicamente, desagradável.(M.Morsa)
Quando somos crianças e alunos uma das piores coisas que nos pode
acontecer
é sermos excluídos do jogo do
grupo. Muitas queixas aos professores e aos pais
acontecem porque "os meninos não querem
brincar comigo...” ou, o que pode ser uma forma de
bulling, quando os colegas combinam
nunca passar a bola a um
determinado aluno, excluindo-o dessa forma do grupo, quando é sempre o último a ser escolhido para a equipa, ou,
quando muito, é, sistematicamente, obrigado a ficar a baliza.
É fundamental para o indivíduo ter um quadro de referência
e incluir o
grupo de pertença. Sem a norma viveríamos numa incerteza total e permanente o que tornaria a
existência muito desconfortável. Imaginemos viver num mundo onde não se faça
ideia do
que se considera como bem ou
mal, aceitável ou não, valorizado ou não ... Não se pode começar tudo de novo todos os dias, a norma tem um efeito
informativo que nos permite agir. Felizmente ela é dinâmica e varia no tempo e
no espaço, o que
significa que ela pode
mudar quando é infundada, faz parte da construção da
realidade e nós próprios participamos na sua construção. (M.Morsa)
Podemos estar então perante normas divergentes conforme o grupo social a que
se pertence e dentro do próprio grupo social.
3
A normas são o quadro de
referência para o individuo e grupo, e esse é o lado positivo, mas podem também
levar ao conformismo que tem a força
negativa de avaliação e discriminação dos outros, ou de normopatia,
que leva a formas de pensar e de agir rígidas que não deixam a pessoa mudar
mesmo perante a evidência da realidade e da verdade como acontecia com a experiência
referida.
"A normopatia diz respeito à ausência de
subjetividade para reagir perante o que acontece à sua volta, numa atitude
extrema de conformismo".
M. Fontes, Knoow 4
Quando a norma é vivida desta forma, provavelmente, apenas traz sofrimento
ao próprio e aos outros, como está a acontecer com a submissão a grupos de vários
tipos, como grupos autoritários e
terroristas.
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1 Para Asch, o conformismo
corresponde a seguidismo, ou seja, o sujeito conserva a sua própria opinião
mas assume publicamente a opinião da maioria.
Para
Serge Moscovici o conformismo distingue-se do seguidismo, que é a vontade de
parecer conforme à norma, o que constitui uma modificação aparente e
superficial dos comportamentos, sem mudança real da convicção interna. (
Wikipedia - Conformidade)
2 A quase uma terça parte das perguntas os sujeitos deram a resposta errada (32%)
.
3 As redes sociais são bem o exemplo de grupos de
pertença onde cada um defende as normas do respectivo grupo social. Os estudos também indicam que temos tendência a sobrestimar o número de
pessoas que estão de acordo com as nossas opiniões nas redes sociais. (M. Morsa)
4 Pierre Weil refere o termo “
normose”.