08/03/17

8 de Março: mitos e realidade

8 de Março. Comemora-se o dia internacional das mulheres. Este dia foi oficializado pelas Nações Unidas em 1977. Tem a sua origem nas lutas operárias e sufragistas do início do século XX, quando as mulheres lutavam por melhores condições de trabalho e pelo direito de voto.
Quanto à sua origem, a criação de um «dia internacional das mulheres» foi proposta pela primeira vez em 1910, na II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, na Dinamarca, por Clara Zetkin, e foi aprovada por representantes de 17 países. O objectivo era honrar as lutas femininas e, assim, obter suporte para instituir o sufrágio universal em diversas nações. *
Mas a data não foi logo fixada, e apenas a partir de 1917, com a greve das operárias de São Petersburgo, a tradição do 8 de Março passou a ter lugar.
Depois de 1945, o dia internacional das mulheres tornou-se uma tradição no mundo inteiro.

Mas a origem deste dia está baseada em alguns mitos.
«Em 1955, a manifestação de 8 março de 1857 foi citada pela primeira vez, explica Françoise Picq. E a origem lendária, retransmitida todos os anos na imprensa, substituiu a realidade»...
Também se trata de mito a associação do dia internacional das mulheres ao incêndio, que se verificou em 25 de março de 1911, na fábrica de confeçções (Triangle Shirtwaist) que vitimou 146 trabalhadores - a maioria costureiras. O número elevado de mortes foi atribuído às más condições de segurança do edifício. Este foi considerado como o pior incêndio da história de Nova Iorque, até 11 de setembro de 2001. Para Eva Blay, é provável que a morte das trabalhadoras da Triangle se tenha incorporado ao imaginário coletivo, de modo que esse episódio é com frequência desde a década de 1950 erroneamente considerado como a origem do Dia Internacional das Mulheres.  (Dia Internacional da Mulher)

Também a propaganda política se tem aproveitado desta data, principalmente nos países comunistas, até 1989, como, por exemplo :
Na antiga Checoslováquia, (1948-1989), a celebração era apoiada pelo Partido Comunista. O "Dia Internacional da Mulher"era então usado como instrumento de propaganda do partido, visando convencer as mulheres de que considerava as necessidades femininas ao formular políticas sociais. A celebração ritualística do partido no Dia Internacional da Mulher tornou-se estereotipada. A cada dia 8 de março, as mulheres ganhavam uma flor ou um presente do chefe… (Dia Internacional da Mulher)
Ou como na antiga RDA onde eram apresentadas as realizações do socialismo sendo uma delas, a igualdade de direitos entre homens e mulheres, um dado adquirido.

No entanto, apesar de todos os tipos de aproveitamento que é feito, a comemoração desta data, é de grande actualidade e continua hoje plena de significado. Estamos longe de conseguir obter a igualdade de direitos entre homens e mulheres e em algumas situações até houve retrocesso.
Por isso, as Nações Unidas escolheram como tema de 2017 do Dia internacional das mulheres, o 8 de Março,  «as mulheres num mundo de trabalho em evolução: por um mundo 50-50 em 2030 ».
No contexto actual do mundo do trabalho, apenas 50 por cento das mulheres em idade de trabalhar fazem parte da mão-de-obra mundial contra 76 por cento dos homens. Além disso, uma grande maioria das mulheres trabalha na economia informal, ... com fraca protecção social. A igualdade entre os sexos no mundo do trabalho é um imperativo do desenvolvimento durável. »


Les femmes au sein de la population active mondiale

Nascer menina, nos dias de hoje, em quase todos os países, é poder contar com maiores dificuldades, à partida, em todas as vertentes da vida. Ora, a igualdade de direitos entre homens e mulheres começa na infância, na igualdade de direitos como a educação e porque, pela educação, se fará mais facilmente essa igualdade entre homens e mulheres no mundo do trabalho.

 

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* Certamente houve antecedentes, em vários países, como por exemplo na Alemanha ("A luta das mulheres na Alemanha"):
Em 1865, foi fundada e Leipzig a associação Geral das mulheres alemãs - a sua luta incidiu,  sobretudo, na formação das mulheres, exigindo o seu acesso às universidades... Em 1893, primeiro liceu para raparigas... A partir de 1908, as mulheres foram admitidas às universidades prussianas.
Em 1891, o SPD integrou no seu programa a exigência do direito de voto feminino. E, em 1902, foi fundada a Liga alemã pelo direito de voto feminino.
Entretanto, surgem mais oportunidades de trabalho, o fim do espartilho, a participação das mulheres em associações de turismo e montanhismo, a bicicleta, as piscinas para ambos os sexos, os jornais diários com páginas dedicadas às mulheres e revistas dirigidas ao público feminino.
Após a guerra, a lei fundamental da república federal da Alemanha declarou a igualdade de direitos entre homem e mulher em todos as áreas da vida.
(Dietrrich Schwanitz, Cultura - da historia da música aos grandes pensadores, vol. 4, D. Quixote/Expresso, pags. 116-119)

Afinados e ameaçadores: da confiança à temeridade

Vai por aí um grande burburinho sobre a opinião que Teodora Cardoso manifestou, recentemente, em relação ao orçamento do ano passado.
Hoje, na AR (TV), o sr. primeiro ministro vangloriava-se sobre a enorme confiança dos portugueses (isto é, dos consumidores portugueses). Mudei para o "Cá por casa", do Herman, que é o único comediante que me enche de confiança.
Vale  a pena ler a opinião de Daniel Bessa (Expresso, 4/3/2017) que é, certamente, imparcial. Daniel Bessa não fala de "milagre" mas de «"nova religião de Estado", amplamente disseminada no nosso país (quem não se diz confiante não é bom português, no tempo novo e na ordem nova hoje prevalescentes)».


07/03/17

Obrigado !





"Interessante seu blog, uma pausa para a gente descansar e ler coisas sadias, neste mundo insano." Eliane F. C. Lima



03/03/17

Afinados e ameaçadores

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"Teodora Cardoso, presidente do Conselho de Finanças Públicas, está cética quanto ao futuro da economia portuguesa apesar dos resultados apresentados pelo Governo de António Costa para 2016. Se admite que o défice de 2,1% alcançado foi, “até certo ponto”, um “milagre”, defende também, em entrevista ao “Público” e à Rádio Renascença, esta quinta-feira, que a redução foi obtida à custa de “medidas que não são sustentáveis”. (Expresso, 02.03.2017)

"Diz o i que Teodora Cardoso acredita que o equilíbrio alcançado é, portanto, periclitante pelo que os resultados de 2016 não serão um fator apaziguador para os mercados. 
“Este tipo de medidas não são sustentáveis. O que resolve o problema da despesa pública é uma reforma que tenha efeitos a médio prazo de melhor gestão das despesas, de qualidade das despesas e de ganhos de eficiência. Nunca fizemos esse esforço no passado, portanto, há-de haver espaço para ganhos de eficiência. Agora, isto não se pode fazer em seis meses, exige uma programação, exige uma forma de atuar diferente, que está aliás prevista na nova lei de enquadramento orçamental”, explicou a economista. 
"Do coro de respostas às considerações da presidente do Conselho de Finanças Públicas (CFP) destacam-se António Costa, Carlos César e Marcelo Rebelo de Sousa.
O Presidente da República não deixou o “milagre” da economista sem resposta. “Milagre este ano em Portugal só vamos celebrar um, que é o de Fátima para os crentes, como é o meu caso, tudo o resto não é milagre. Saiu do pêlo e do trabalho dos portugueses desde 2011/2012”, disse Marcelo no final de uma aula sobre a vida de Sá Carneiro na escola Rodrigues de Freitas, no Porto."
"Também Carlos César fugiu para o inefável e aproveitou para reagir a outras previsões “O CFP, tal como em algumas ocasiões a OCDE ou o FMI, têm-se especializado em maus augúrios para o país”, afirmou o líder parlamentar do PS. “Para felicidade de todos nós, têm falhado. O país hoje está confrontado com resultados muito positivos em matérias de crescimento económico, aumento do investimento, aumento do consumo interno e das exportações, ao mesmo tempo que foram criados mais de cem mil postos de trabalho líquidos ao longo do último ano”.
"Depois do “milagre”, dos “maus augúrios” e do “sair do pêlo”, a resposta de António ao CPF voltou à terra – e ao trabalho. “O governo não faz milagres. Nós fazemos bem o nosso trabalho. Quem fez previsões é que cometeu um monumental falhanço”. ( ionline,03/03/2017)

São as opiniões críticas do coro dos afinados.*
Surge então ... a ameaça.
"O deputado comunista Miguel Tiago criticou declarações da presidente do Conselho de Finanças Públicas. "Milagre é Teodora Cardoso ainda ter salário e ocupar o lugar que ocupa” (Público, 3/3/2017).

O coro não permite desafinanços! E há sempre que contar com os coralistas mais afinados que, incomodados com a verdade, se sentem no dever de elevar a voz.
No que foi dito, afinal, era relevante o seguinte: Medidas como o PERES, por ex., não são sustentáveis. É necessária uma reforma da despesa pública, com efeitos a médio prazo, de melhor gestão das despesas, de qualidade das despesas e de ganhos de eficiência.
Uma opinião desafinada... mas certa.
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* Isto não impede a consideração pelo Prof. Marcelo desde o tempo em que mergulhou no Tejo à procura da Câmara Municipal de Lisboa...

Neoliberalismo socialista

"... neoliberalismo é uma maneira marota e pilantra de parecer que você não é mais socialista, mas não passa disso" (José Monir Nasser)




01/03/17

Ruy de Carvalho: Amar é...

Ruy de Carvalho retratado por Bottelho.

Entrevista a Ruy de Carvalho, que assinala 90 anos de vida.
... «Ao falar da profissão, o artista que já soma mais de 70 anos de carreira explicou que os egos nunca o afetaram. "Acho que tenho um chapéu-de-chuva maravilhoso. Não me chovia muito em cima essa maldade". Aliás, se há algo que tem vindo a tentar "semear" ao longo dos anos, é o amor. "Sem amor, a vida não vale a pena"».
… «E o que é, para ele, amar? "Amar é envelhecermos juntos. E a maior parte não envelhece juntos. Não são capazes de chegar ao fim da vida com o mesmo amor que tinham quando casaram. Não é fácil. Não é fácil viver em casamento. Inicialmente, a parte dominante é a sexual, mas há gente que não pensa que 23 horas e meia são para viver a vida, com maus cheiros, doenças, com ir à casa de banho, com mau hálito, com o ressonar... Há muita coisa que faz parte do casamento e isso tem que ser pensado. A estupidez é que destrói as coisas, o egoísmo, a preguiça, o egocentrismo"»... (Carolina MoraisDN , 25/2/2017)

"Outro dia de sol"

"Another day of sun" -  Justin Hurwitz/Benj Pasek and Justin Paul

Um dos musicais de sempre é, sem dúvida, Sound of Music (1965). A tradução por "Música no Coração" parece-me feliz porque é disso mesmo que se trata: a música está sempre no coração.
A lista de musicais é grande e dela fazem parte filmes que também foram importantes enquanto espectador. Reminiscências de Joselito e Marisol ...
“Outro dia de sol” é um dos temas de La La Land, musical de 2016, que já obteve vários prémios. O musical foi notícia pelos prémios e também por ter originado uma excepcional gafe nessa feira das vaidades chamada "noite dos óscares" onde a passadeira vermelha a mostra, a vaidade, em todo o seu esplendor e mostra ainda como a vanglória e a vã glória andam muito aproximadas.
Apesar disso, mais uma vez a música esteve em destaque e isso é relevante porque, sem dúvida, a música acompanha a nossa vida.
Podemos não ter a sorte de José Cid que “nasceu prà música” mas certamente todos temos esse grande privilégio de viajarmos nesta vida acompanhados pela música. Desde as canções de embalar que acalmam e induzem o sono, até às mais estridentes que no-lo tiram.
A música esteve e está em momentos determinantes da nossa vida, na educação, no namoro, nas crises positivas e negativas da vida, nas situações convencionais  e informais. Acompanhou todos esses momentos de fortes emoções.

A música é ainda uma terapia eficaz em muitas ocasiões. Não há dúvida de que a música tem uma influência positiva na saúde em geral.
A importância da música na saúde vem desde sempre. Os filósofos gregos como Platão e Aristóteles referiram-se a ela. Platão dizia que “a música é o grande remédio da alma” e Aristóteles que “as pessoas que sofrem emoções descontroladas, depois de ouvirem melodias que elevam a alma ao êxtase, regressam ao seu estado normal, como se tivessem experimentado um tratamento médico.”
Mas foi nos últimos 50 anos que os cientistas se dedicaram ao estudo sobre os efeitos da música na saúde.
Daniel Levitin refere-se aos "mecanismos neuroquímicos da música com efeitos em quatro áreas da vida humana: temperamento, stresse, imunidade e interacções sociais."
Para Armando Sena, "as alterações decorrentes da música são sobretudo a nível hormonal e de marcadores inflamatórios que se relacionam com o stresse, que alteram o sistema nervoso simpático e parassimpático. Estudos têm demonstrado que a música pode diminuir esses marcadores, já que favorece a resistência ao stresse."
A música reduz o stresse e a ansiedade (Equipa de cirurgia cardiotoráxica do Hospital Universitário de Orebo, na Suécia e outra equipa de investigadores), pode ajudar a prevenir a depressão, tem a capacidade de controlar os batimentos cardíacos e diminui a pressão arterial. (Uma Gupt)
A música pode ainda ajudar a controlar e a reduzir os níveis de dor. (Equipa de investigadores de Almeria, Granada e da Andaluzia  e também de Taiwan)
Tem efeitos benéficos no cérebro: Nos estudos realizados, a música e o canto melhoravam a memória e consequentemente tinham impacto positivo na aprendizagem. (Karen Ludke, Fernanda Ferreira e Katie Overy)
A música ajuda o cérebro a libertar a dopamina, um neurotransmissor estimulante do sistema nervoso, e dessa forma pode prevenir doenças como Parkinson.
Durante o envelhecimento ajuda a manter a saúde física e mental: melhora a disposição, a memória, o sentido de orientação e a coordenação motora geral.
Tem efeitos no sistema imunitário uma vez que a música tem potencial para aumentar a resistência e resposta do sistema imunitário face a diversas doenças. *
Mas o que todos já sabíamos é que mesmo no dia mais nublado, com música, é sempre “outro dia de sol".
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*A segunda parte do texto foi baseada no artigo “A música faz (mesmo ) bem à saúde?”, Lusíadas, nº 6, Inverno, 2016.

28/02/17

Hoje apetece-me ouvir: Saint-Saëns

Saint-Saëns - Le carnaval des animaux (1886)



A suíte é composta por 14 movimentos:
I - Introdução e Marcha Real do Leão (0;00)
II - Galinhas e Galos (2;00)
III - Hemíonos (Animais velozes) (2;42)
IV - Tartarugas (3;22)
V - O Elefante (5;25)
VI - Cangurus (6;58)
VII - Aquário (7;52)
VIII - Personagens de orelhas compridas (9;58)
IX - O cuco nas profundezas dos bosques (10;35)
X - Pássaros (12;41)
XI - Pianistas * (13;52)
XII - Fósseis (15;16)
XIII - O Cisne (16;41)
XIV - Final (19;41)


"Pre-mortem", pensar antecipadamente...



23/02/17

Ler para crescer

Creio que a maioria de nós começou por ouvir histórias em casa, lidas ou contadas oralmente. No meu tempo de criança não abundavam os livros e ainda menos os livros infantis. Não é conversa fiada aquela de que o primeiro livro que ouvimos ler, ou lemos, foi a Bíblia. Era de facto o que havia. Além disso, talvez houvesse um ou outro livro escolar, que os pais sabiam de cor.
Ao contrário do que se diz agora, os livros escolares não eram para deitar fora porque serviam para os irmãos e primos mais novos, não eram para deixar mais ou menos em estado lastimável porque havia a preocupação de os estimar e também não eram para outros alunos carenciados porque eram totalmente pagos pelos pais.
Os livros e os livros escolares carregam o peso individual da pertença e, acima de tudo, contam histórias pessoais, algumas de espanto outras de tristeza, de sucesso e de fracasso, de louvores e castigos, aonde podemos voltar sempre que assim o entendermos. 
Em muitas casas são ainda hoje os livros que existem. Na minha era assim.
A pouco e pouco a biblioteca foi-se construindo chegando, hoje, a vários milhares de exemplares, sendo a maioria das áreas de que gostamos, no meu caso, obviamente, da psicologia.
Os livros são de facto companheiros inseparáveis , insubstituíveis. ... e fizeram parte do meu crescimento.
Foi assim que cresci com os livros de histórias da Bíblia ou da história do país, contadas ou lidas pelos pais.
Foram, juntamente com os companheiros, os primeiros professores e mestres que tratavam da sexualidade, do amor, da existência, da fé, do Mundo e do que está para lá do mundo.

"São raros os instrumentos educativos que possuem tantas virtudes como o livro. Ele é para os mais pequenos assimilável a um brinquedo que estragam e maltratam….” e até comem…
Eu tenho alguns, em parte comidos, em parte com garatujas e outros desenhos que os tornam, para mim, ainda mais valiosos…
As crianças muito pequenas começam por ter imensa curiosidade em relação aos livros: folheiam, apontam as imagens, nomeiam e imitam os sons das imagens e gostam dos conteúdos afectivos das personagens, os bons e os maus. 
Gostam que lhes contem histórias, lidas ou não nos livros, com mais ou menos liberdade mas não pensem em mudar muito o conteúdo porque depressa elas dizem que não é assim.
Gostam de recontar as histórias mesmo que seja completando as deixas de quem lhes estiver a ler.
“A diferença entre o objecto real e a imagem que ela representa vai dar origem à representação simbólica do mundo. 
Entre os 18 meses e os 2 anos o desenho representa qualquer coisa que ela pode reconhecer e que o texto conta uma historia,  é um verdadeira mudança que se opera e é a verdadeira entrada na linguagem.”
Em crianças com grande atraso de desenvolvimento, esta capacidade não está adquirida e não fazem esta distinção… 
A criança começa por apontar uma imagem,  em seguida nomeia a imagem,  posteriormente, os pormenores dessa imagem e, finalmente, é capaz de recontar a história, com acções e minúcias 1.
E, assim, a criança está cada vez mais embrenhada no mundo relacional “que lhe abre o acesso ao processo de filiação permitindo uma inscrição na cultura”
Os afectos estão aqui presentes e “a qualidade da narrativa reflecte aquela (relação), segura, insegura ou evitante, das primeiras ligações mãe-criança ou criança-pais... a voz da mãe, a sua música, as mímicas que a criança pode ler no seu rosto, a troca de olhares, numa palavra o prazer do jogo à volta da leitura dum livro são experiências sem fim concreto, mas sem as quais o desenvolvimento da criança não será o mesmo.”
Ou seja, o fim é o crescimento e, então, é necessário, ler para crescer 2.
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1. Os testes de maturidade para a leitura e escrita contêm uma prova deste tipo, onde os critérios de avaliação se baseiam no número de acções e minúcias que a criança é capaz de reproduzir.
2. Anne-Claire Thérizols, "Lire pour grandir", le cercle psy,  nº 23 , pag 46-49.