"Interessante seu blog, uma pausa para a gente descansar e ler coisas sadias, neste mundo insano." Eliane F. C. Lima
07/03/17
Obrigado !
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03/03/17
Afinados e ameaçadores

"Teodora Cardoso, presidente do Conselho de Finanças Públicas, está cética quanto ao futuro da economia portuguesa apesar dos resultados apresentados pelo Governo de António Costa para 2016. Se admite que o défice de 2,1% alcançado foi, “até certo ponto”, um “milagre”, defende também, em entrevista ao “Público” e à Rádio Renascença, esta quinta-feira, que a redução foi obtida à custa de “medidas que não são sustentáveis”. (Expresso, 02.03.2017)
"Diz o i que Teodora Cardoso acredita que o equilíbrio alcançado é, portanto, periclitante pelo que os resultados de 2016 não serão um fator apaziguador para os mercados.
“Este tipo de medidas não são sustentáveis. O que resolve o problema da despesa pública é uma reforma que tenha efeitos a médio prazo de melhor gestão das despesas, de qualidade das despesas e de ganhos de eficiência. Nunca fizemos esse esforço no passado, portanto, há-de haver espaço para ganhos de eficiência. Agora, isto não se pode fazer em seis meses, exige uma programação, exige uma forma de atuar diferente, que está aliás prevista na nova lei de enquadramento orçamental”, explicou a economista.
"Do coro de respostas às considerações da presidente do Conselho de Finanças Públicas (CFP) destacam-se António Costa, Carlos César e Marcelo Rebelo de Sousa.
O Presidente da República não deixou o “milagre” da economista sem resposta. “Milagre este ano em Portugal só vamos celebrar um, que é o de Fátima para os crentes, como é o meu caso, tudo o resto não é milagre. Saiu do pêlo e do trabalho dos portugueses desde 2011/2012”, disse Marcelo no final de uma aula sobre a vida de Sá Carneiro na escola Rodrigues de Freitas, no Porto."
"Também Carlos César fugiu para o inefável e aproveitou para reagir a outras previsões “O CFP, tal como em algumas ocasiões a OCDE ou o FMI, têm-se especializado em maus augúrios para o país”, afirmou o líder parlamentar do PS. “Para felicidade de todos nós, têm falhado. O país hoje está confrontado com resultados muito positivos em matérias de crescimento económico, aumento do investimento, aumento do consumo interno e das exportações, ao mesmo tempo que foram criados mais de cem mil postos de trabalho líquidos ao longo do último ano”.
"Depois do “milagre”, dos “maus augúrios” e do “sair do pêlo”, a resposta de António ao CPF voltou à terra – e ao trabalho. “O governo não faz milagres. Nós fazemos bem o nosso trabalho. Quem fez previsões é que cometeu um monumental falhanço”. ( ionline,03/03/2017)
São as opiniões críticas do coro dos afinados.*
Surge então ... a ameaça.
"O deputado comunista Miguel Tiago criticou declarações da presidente do Conselho de Finanças Públicas. "Milagre é Teodora Cardoso ainda ter salário e ocupar o lugar que ocupa” (Público, 3/3/2017).
O coro não permite desafinanços! E há sempre que contar com os coralistas mais afinados que, incomodados com a verdade, se sentem no dever de elevar a voz.
No que foi dito, afinal, era relevante o seguinte: Medidas como o PERES, por ex., não são sustentáveis. É necessária uma reforma da despesa pública, com efeitos a médio prazo, de melhor gestão das despesas, de qualidade das despesas e de ganhos de eficiência.
Uma opinião desafinada... mas certa.
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* Isto não impede a consideração pelo Prof. Marcelo desde o tempo em que mergulhou no Tejo à procura da Câmara Municipal de Lisboa...
No que foi dito, afinal, era relevante o seguinte: Medidas como o PERES, por ex., não são sustentáveis. É necessária uma reforma da despesa pública, com efeitos a médio prazo, de melhor gestão das despesas, de qualidade das despesas e de ganhos de eficiência.
Uma opinião desafinada... mas certa.
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* Isto não impede a consideração pelo Prof. Marcelo desde o tempo em que mergulhou no Tejo à procura da Câmara Municipal de Lisboa...
tícia
Neoliberalismo socialista
"... neoliberalismo é uma maneira marota e pilantra de parecer que você não é mais socialista, mas não passa disso" (José Monir Nasser)
01/03/17
Ruy de Carvalho: Amar é...
Ruy de Carvalho retratado por Bottelho.
Entrevista a Ruy de Carvalho, que assinala 90 anos de vida.
... «Ao falar da profissão, o artista que já soma mais de 70 anos de carreira explicou que os egos nunca o afetaram. "Acho que tenho um chapéu-de-chuva maravilhoso. Não me chovia muito em cima essa maldade". Aliás, se há algo que tem vindo a tentar "semear" ao longo dos anos, é o amor. "Sem amor, a vida não vale a pena"».
… «E o que é, para ele, amar? "Amar é envelhecermos juntos. E a maior parte não envelhece juntos. Não são capazes de chegar ao fim da vida com o mesmo amor que tinham quando casaram. Não é fácil. Não é fácil viver em casamento. Inicialmente, a parte dominante é a sexual, mas há gente que não pensa que 23 horas e meia são para viver a vida, com maus cheiros, doenças, com ir à casa de banho, com mau hálito, com o ressonar... Há muita coisa que faz parte do casamento e isso tem que ser pensado. A estupidez é que destrói as coisas, o egoísmo, a preguiça, o egocentrismo"»... (Carolina Morais, DN , 25/2/2017)
"Outro dia de sol"
"Another day of sun" - Justin Hurwitz/Benj Pasek and Justin Paul
Um dos musicais de sempre é, sem dúvida, Sound of Music (1965). A tradução por "Música no Coração" parece-me feliz porque é disso mesmo que se trata: a música está sempre no coração.
A lista de musicais é grande e dela fazem parte filmes que também foram importantes enquanto espectador. Reminiscências de Joselito e Marisol ...
“Outro dia de sol” é um dos temas de La La Land, musical de 2016, que já obteve vários prémios. O musical foi notícia pelos prémios e também por ter originado uma excepcional gafe nessa feira das vaidades chamada "noite dos óscares" onde a passadeira vermelha a mostra, a vaidade, em todo o seu esplendor e mostra ainda como a vanglória e a vã glória andam muito aproximadas.
Apesar disso, mais uma vez a música esteve em destaque e isso é relevante porque, sem dúvida, a música acompanha a nossa vida.
Podemos não ter a sorte de José Cid que “nasceu prà música” mas certamente todos temos esse grande privilégio de viajarmos nesta vida acompanhados pela música. Desde as canções de embalar que acalmam e induzem o sono, até às mais estridentes que no-lo tiram.
A música esteve e está em momentos determinantes da nossa vida, na educação, no namoro, nas crises positivas e negativas da vida, nas situações convencionais e informais. Acompanhou todos esses momentos de fortes emoções.
A música é ainda uma terapia eficaz em muitas ocasiões. Não há dúvida de que a música tem uma influência positiva na saúde em geral.
A importância da música na saúde vem desde sempre. Os filósofos gregos como Platão e Aristóteles referiram-se a ela. Platão dizia que “a música é o grande remédio da alma” e Aristóteles que “as pessoas que sofrem emoções descontroladas, depois de ouvirem melodias que elevam a alma ao êxtase, regressam ao seu estado normal, como se tivessem experimentado um tratamento médico.”
Mas foi nos últimos 50 anos que os cientistas se dedicaram ao estudo sobre os efeitos da música na saúde.
Daniel Levitin refere-se aos "mecanismos neuroquímicos da música com efeitos em quatro áreas da vida humana: temperamento, stresse, imunidade e interacções sociais."
Para Armando Sena, "as alterações decorrentes da música são sobretudo a nível hormonal e de marcadores inflamatórios que se relacionam com o stresse, que alteram o sistema nervoso simpático e parassimpático. Estudos têm demonstrado que a música pode diminuir esses marcadores, já que favorece a resistência ao stresse."
A música reduz o stresse e a ansiedade (Equipa de cirurgia cardiotoráxica do Hospital Universitário de Orebo, na Suécia e outra equipa de investigadores), pode ajudar a prevenir a depressão, tem a capacidade de controlar os batimentos cardíacos e diminui a pressão arterial. (Uma Gupt)
A música pode ainda ajudar a controlar e a reduzir os níveis de dor. (Equipa de investigadores de Almeria, Granada e da Andaluzia e também de Taiwan)
Tem efeitos benéficos no cérebro: Nos estudos realizados, a música e o canto melhoravam a memória e consequentemente tinham impacto positivo na aprendizagem. (Karen Ludke, Fernanda Ferreira e Katie Overy)
A música ajuda o cérebro a libertar a dopamina, um neurotransmissor estimulante do sistema nervoso, e dessa forma pode prevenir doenças como Parkinson.
Durante o envelhecimento ajuda a manter a saúde física e mental: melhora a disposição, a memória, o sentido de orientação e a coordenação motora geral.
Tem efeitos no sistema imunitário uma vez que a música tem potencial para aumentar a resistência e resposta do sistema imunitário face a diversas doenças. *
Mas o que todos já sabíamos é que mesmo no dia mais nublado, com música, é sempre “outro dia de sol".
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*A segunda parte do texto foi baseada no artigo “A música faz (mesmo ) bem à saúde?”, Lusíadas, nº 6, Inverno, 2016.
28/02/17
Hoje apetece-me ouvir: Saint-Saëns
Saint-Saëns - Le carnaval des animaux (1886)
A suíte é composta por 14 movimentos:
I - Introdução e Marcha Real do Leão (0;00)
II - Galinhas e Galos (2;00)
III - Hemíonos (Animais velozes) (2;42)
IV - Tartarugas (3;22)
V - O Elefante (5;25)
VI - Cangurus (6;58)
VII - Aquário (7;52)
VIII - Personagens de orelhas compridas (9;58)
IX - O cuco nas profundezas dos bosques (10;35)
X - Pássaros (12;41)
XI - Pianistas * (13;52)
XII - Fósseis (15;16)
XIII - O Cisne (16;41)
XIV - Final (19;41)
23/02/17
Ler para crescer
Creio que a maioria de nós começou por ouvir histórias em casa, lidas ou contadas oralmente. No meu tempo de criança não abundavam os livros e ainda menos os livros infantis. Não é conversa fiada aquela de que o primeiro livro que ouvimos ler, ou lemos, foi a Bíblia. Era de facto o que havia. Além disso, talvez houvesse um ou outro livro escolar, que os pais sabiam de cor.
Ao contrário do que se diz agora, os livros escolares não eram para deitar fora porque serviam para os irmãos e primos mais novos, não eram para deixar mais ou menos em estado lastimável porque havia a preocupação de os estimar e também não eram para outros alunos carenciados porque eram totalmente pagos pelos pais.
Os livros e os livros escolares carregam o peso individual da pertença e, acima de tudo, contam histórias pessoais, algumas de espanto outras de tristeza, de sucesso e de fracasso, de louvores e castigos, aonde podemos voltar sempre que assim o entendermos.
Em muitas casas são ainda hoje os livros que existem. Na minha era assim.
A pouco e pouco a biblioteca foi-se construindo chegando, hoje, a vários milhares de exemplares, sendo a maioria das áreas de que gostamos, no meu caso, obviamente, da psicologia.
Os livros são de facto companheiros inseparáveis , insubstituíveis. ... e fizeram parte do meu crescimento.
Foi assim que cresci com os livros de histórias da Bíblia ou da história do país, contadas ou lidas pelos pais.
Foram, juntamente com os companheiros, os primeiros professores e mestres que tratavam da sexualidade, do amor, da existência, da fé, do Mundo e do que está para lá do mundo.
"São raros os instrumentos educativos que possuem tantas virtudes como o livro. Ele é para os mais pequenos assimilável a um brinquedo que estragam e maltratam….” e até comem…
Eu tenho alguns, em parte comidos, em parte com garatujas e outros desenhos que os tornam, para mim, ainda mais valiosos…
As crianças muito pequenas começam por ter imensa curiosidade em relação aos livros: folheiam, apontam as imagens, nomeiam e imitam os sons das imagens e gostam dos conteúdos afectivos das personagens, os bons e os maus.
Gostam que lhes contem histórias, lidas ou não nos livros, com mais ou menos liberdade mas não pensem em mudar muito o conteúdo porque depressa elas dizem que não é assim.
Gostam de recontar as histórias mesmo que seja completando as deixas de quem lhes estiver a ler.
“A diferença entre o objecto real e a imagem que ela representa vai dar origem à representação simbólica do mundo.
Entre os 18 meses e os 2 anos o desenho representa qualquer coisa que ela pode reconhecer e que o texto conta uma historia, é um verdadeira mudança que se opera e é a verdadeira entrada na linguagem.”
Em crianças com grande atraso de desenvolvimento, esta capacidade não está adquirida e não fazem esta distinção…
A criança começa por apontar uma imagem, em seguida nomeia a imagem, posteriormente, os pormenores dessa imagem e, finalmente, é capaz de recontar a história, com acções e minúcias 1.
E, assim, a criança está cada vez mais embrenhada no mundo relacional “que lhe abre o acesso ao processo de filiação permitindo uma inscrição na cultura”
Os afectos estão aqui presentes e “a qualidade da narrativa reflecte aquela (relação), segura, insegura ou evitante, das primeiras ligações mãe-criança ou criança-pais... a voz da mãe, a sua música, as mímicas que a criança pode ler no seu rosto, a troca de olhares, numa palavra o prazer do jogo à volta da leitura dum livro são experiências sem fim concreto, mas sem as quais o desenvolvimento da criança não será o mesmo.”
Ou seja, o fim é o crescimento e, então, é necessário, ler para crescer 2.
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1. Os testes de maturidade para a leitura e escrita contêm uma prova deste tipo, onde os critérios de avaliação se baseiam no número de acções e minúcias que a criança é capaz de reproduzir.
2. Anne-Claire Thérizols, "Lire pour grandir", le cercle psy, nº 23 , pag 46-49.
2. Anne-Claire Thérizols, "Lire pour grandir", le cercle psy, nº 23 , pag 46-49.
16/02/17
Logoterapia: A vida tem sentido
A relação paciente-terapeuta é de extrema importância no trabalho psicológico, na psicoterapia. “Esta relação entre as duas pessoas é o aspecto mais significativo do processo terapêutico, um factor mais importante que qualquer método ou técnica . ("Instrumentos y técnicas de logoterapia")
Assim acontece em várias abordagens psicológicas, como nas três escolas de psicoterapia austríacas: a psicanálise de S. Freud, a psicologia individual de A. Adler e a logoterapia de V. Frankl.
"Para a Logoterapia, a busca de sentido na vida da pessoa é a principal força motivadora no ser humano... a é considerada e desenhada como terapia centrada no sentido. Vê o homem como um ser orientado para o sentido". (Frankl). De facto, o homem sempre procurou dar um sentido à sua vida, à sua existência e ao seu sofrimento.
A falta de sentido significa o vazio existencial, ter que viver a vida como se fosse um absurdo, como defendem alguns filósofos.
O niilismo existencial, por outro lado, argumenta que a vida não tem sentido objectivo, propósito ou valor intrínseco… para o niilismo existencial um único ser humano ou mesmo toda a espécie humana é insignificante, sem propósito e irrisória a ponto de não mudar em nada a totalidade da existência. Dada esta circunstância, a própria existência — toda a acção, o sofrimento e sentimento — é, em última instância, sem sentido e vazia.
Pelo contrário, esse sentido da vida, começa muito cedo. E essa perspectiva de existir com sentido, coloca-nos num futuro onde sabemos que se situam os nossos interesses, enquanto motivação, e aquilo que podemos fazer por nós e pelos outros.
Claro que se coloca com mais acuidade em determinados momentos da vida, como quando temos que fazer face a situações de crise, desde a escolha de um curso, uma profissão ou a perda de um familiar. Estas escolhas, ou decisões, motivam para a vida e dão sentido às nossas actividades.
No momento em que se discute a eutanásia, a informação e o debate sinceros são necessários, apesar da complexidade do tema.
A psicologia, na relação psicólogo-paciente, oferece-nos esta possibilidade de procurar um sentido, uma intervenção onde se poderão encontrar perspectivas para uma resposta a um problema ético tão crucial.
A experiência de V. Frankl, nas circunstâncias mais adversas da vida, onde o sofrimento atingia as formas mais deshumas de existência, mostra que é possível dar um sentido à vida e ao sofrimento.
“O sentido é algo que não inventamos mas sim que descobrimos e devemos ser nós próprios a encontrá-lo”… “O ser humano, diz-nos V. Frankl, tem dois potentes recursos psicológicos que lhe permitem suportar as situações mais dolorosas e seguir em frente: a capacidade de decisão e a liberdade de atitude”. “Não estamos à mercê do nosso ambiente nem dos acontecimentos, pois somos nós que decidimos como deixamos que nos moldem.” (O livro da psicologia, Marcador, DK, p.140)
Assim, a vida tem sentido até ao fim.
15/02/17
Erros de percepção

Caixa. Costa confirma confiança em Centeno, que admite "erro de percepção mútuo" com Domingues.
As notícias informam-nos de que nas duas situações houve "erros de percepção". A diferença é que lá, nos EUA, os que os cometem demitem-se ou são demitidos. Há erros de percepção e "erros de percepção".
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