02/10/16

Flashback

Entras no centro cultural e de repente todo um programa te faz viver. Lembras-te ? Uma espécie de  Recantiga, a música, os locais, estivemos ali ? O coro ACRA, ali estavas tu com tantos amigos, tão novos, sou mesmo eu ? Era um rapaz tão jeitoso.
Não. Lembras-te antes disso? Quando os teus olhos batiam nos dela e lhe davas a mão numa dança de roda, éramos tantos...
Eu sei, de manhã tu ias para a tua escola e eu ia para a minha mas depois da escola tínhamos todo o tempo do mundo para brincar, jogar e ...a música estava lá sempre, e a ironia e o sarcasmo: "estrada nova,estrada nova, começada em Janeiro, ela não foi acabada pela falta de dinheiro".
Era a música a encontrar-nos e não sabíamos onde acabava e começava este gostar de estar contigo.
Na rua, fazíamos as nossas actividades extra-escolares e éramos tão felizes. Não, não  era uma grande chatice porque nunca nos chegava o tempo para jogar... até que a nossa mãe nos chamava para voltarmos para casa  e depois povoávamos os sonhos das brincadeiras, de sentidos, de namoros infantis, sempre com a música de fundo e dos malvados que corriam atrás de nós e nos queriam apanhar. "Ai, ai, ai, senhor Alfredo" e os perigos deste mundo, "não me bata o pé que eu não lhe tenho medo". Mas tinha. Das trovoadas, "bendito e louvado seja",  e quando se ouvia a "encomendação das almas" na torre da igreja. Era quando tu me vinhas salvar e trazias essa música dos teus olhos doces. Depois passei a sentir que precisava sempre de ti, "...põe-te amor onde t'eu veja, não me faças revirar".
Não. Lembras-te antes disso? Não sei, foi há tanto tempo mas sei que havia música. Era mais do pai, acho eu, que pensava que era um bom tenor e cantava a "igreja de santa cruz feita de pedra morena", e  havia os versos da avó Ana, poesia que ela sabia ou inventava. Havia canções de embalar "...vai-te côca do telhado"... Mas não me lembro.
Está na hora de entrar. Creio que não é apenas um concerto que vai acontecer mas um musical da nossa vida colectiva. Sentia a calma de um regresso aonde fui feliz. "Eras tu, até que enfim,  a voltar p'ra mim".



01/10/16

Do melhor que há no mundo

Johannes Brahms - Op.49 No.4 Wiegenlied (Lullaby)


True Love (de  Cole Porter) - George Harrison - 1976 - Thirty three & 1/3.


Apetece-me ouvir, neste dia mundial da música, músicos que me ligam a tudo o que o mundo tem de melhor.

30/09/16

Hoje apetece-me ouvir: Miguel Araújo

Miguel Araújo e Inês Viterbo - Balada astral

...
Eu que pensava
Que ia só comprar pão
Tu que pensavas
Que ias só passear o cão
A salvo da conspiração
Cruzámos caminhos,
Tropeçámos num olhar
E o pão nesse dia
Ficou por comprar

Ensarilharam-se
As trelas dos cães,
Os astros, os signos,
Os desígnios e as constelações
As estrelas, os trilhos
E as tralhas dos dois

29/09/16

Esferográfica

117º Aniversário de Ladislao José Biro
László József Bíró 
(Budapeste, 29/9/1899 — Buenos Aires, 24/10/1985)
Inventou a moderna caneta esferográfica. Nasceu há 117 anos. Apresentou a sua primeira versão da caneta esferográfica na Feira Internacional de Budapeste, em 1931, e patenteou a invenção em Paris, em 1938.

Debates: "nem me explico, nem me entendes"


Como sabemos um  debate é uma forma de comunicação  e exposição  de ideias diferentes sobre um  tema entre duas ou mais pessoas que tem como finalidade  directa conhecer as posturas, bases e argumentos das partes em  discussão e, indirectamente, pode ter  um papel de aprendizagem e enriquecimento, pode eventualmente mudar de posição ou aprofundar e enriquecer a própria pessoa, ainda que não seja essa a finalidade ou o principal motivo de um debate.
Normalmente o debate  é formal, com um formato pré-estabelecido, assim como o tema específico a discutir, e tem um moderador.
No  mundo de informação e comunicação  em que vivemos há debates para tudo. Mas aquilo a que assistimos frequentemente é ao reforço das posições que os interlocutores já tinham antes do debate, não como resultado da discussão, mas pelo que acontece no processo de comunicação
Entre Donald Trump e Hillary Clinton houve esta semana  um debate formal, no contexto da eleição para a presidência dos Estados Unidos
O que acontece é que como este muitos debates  são  mais  compatíveis com aquilo que se chama  descomunicação. São um teste  para afirmar as diferenças, fraquezas e falhas,  quem ataca e quem fica à defesa e  para saber quem ganha ou quem perde.
O debate é supostamente sobre os conteúdos da comunicação mas aquilo que releva é a comunicação não-verbal, as emoções, o tom da voz. Porque  a comunicação faz-se desses aspectos e são estas informações não verbais que interessam mais aos espectadores.
Como refere Xavier Guix, "A comunicação não é algo que aconteça na realidade mas a realidade constrói-se na comunicação".
A complexidade de cada interacção vai depender de uma enorme diversidade de processos: semânticos, neurológicos, psicológicos, sociais e culturais.
Nestas  diferenças surgem frequentemente os conflitos  e, por isso, é tão complicado que as pessoas se entendam.
Segundo Xavier Guix, na comunicação entre duas pessoas podemos considerar a presença de vários princípios.
Há sempre intencionalidade, não fazemos nada porque sim mas temos sempre alguma intenção.
Cada pessoa é única mas  mesmo essa pessoa pode mudar, hoje não é a mesma pessoa que conheci há tempos atrás.  
As pessoas tem diferentes estilos afectivos, todos temos emoções, a expressão das emoções é universal mas o que não é igual é a velocidade, a expressividade, a intensidade e a latência da emoção.
A relação entre as pessoas é sistémica, a pessoa tem todo um mundo de pessoas, de informações e de vivências que fazem parte dela. Tem uma família, tem filhos e vivenciou contextos diversificados que a tornam ainda mais diferente.
A nossas decisões  e escolhas são  de alguma forma condicionadas pelas experiências que tivemos e pelas aprendizagens que fizemos. Vivemos uma espécie de “liberdade condicionada” que, no entanto, não se pode confundir com determinismo.
A relação é construtivista, cada um constrói as suas próprias verdades. E também construcionista. Temos uma personalidade que nos faz como somos mas essa maneira de ser não vem apenas do interior mas da relação com os outros.
São então estas duas pessoas que estão em debate e não apenas as suas ideias e propostas. Daí a dificuldade de comunicação entre elas. Ou seja quando falo contigo “ nem me explico nem me entendes”.

Madrid




























Madrid: da humanidade e compaixão, da política, da história e cultura, da religiosidade (Jesús de Medinaceli, Almudena) da reabilitação urbana (Mercado de San Miguel), da justiça, das finanças e economia, da bicha para o Museu do Prado, de Ortega y Gasset, de Velázquez (no Gran Hotel Velázquez)*, de Cervantes, de Lope de Vega **,  das pessoas, do convívio e da amizade.
_______________________
* Diego Velázquez, filho de um advogado de nobre ascendência portuguesa, o seu avô paterno era do Porto e, em 1581, deixou Portugal para se instalar com sua esposa em Sevilha, onde Diego nasceu a 6 de Junho de 1599...

**
 «—¡Ay, amargas soledades
de mi bellísima Filis,
destierro bien empleado
del agravio que la hice!

Envejézcanse mis años
en estos montes que vistes,
que quien sufre como piedra
es bien que en piedras habite.

¡Ay horas tristes,
cuán diferente estoy
del que me vistes!
 ...
(Poemas del alma)

22/09/16

Madrid



 Madrid: da mobilidade, "cada vez que paseas, vuelve el cielo de Madrid"...

"Madrid é a metrópole mais populosa do sul da Europa e a terceira mais populosa do continente. Na cidade vivem aproximadamente 3,23 milhões de pessoas (5294,5 habitantes por km²) e a sua área metropolitana tem mais de 6,5 milhões de habitantes.
A cidade é conhecida pelas suas largas avenidas e por quatro circulares rodoviárias principais, ligadas por uma infraestrutura rodoviária radial. Mas Madrid é também famosa pelo seu sistema de transportes públicos de grande capacidade: uma rede de metropolitano com 293 km e nove linhas de comboios suburbanos com 89 estações que ligam a área metropolitana à cidade, onde existem 13 grandes interfaces de transportes. A rede de autocarros urbanos, com 200 linhas que percorrem trajetos com uma extensão total de aproximadamente 775 km, cobre áreas não abrangidas pelo metropolitano. As 1 560 bicicletas elétricas do sistema público de bicicletas e os serviços de partilha de automóveis reforçam a flexibilidade de transporte.
Quarenta e três por cento do espaço total da cidade é destinado aos peões; 42 por cento dos cidadãos utilizam transportes públicos, 29 por cento deslocam-se a pé e 29 por cento utilizam veículos privados. Apesar da repartição modal já positiva, o PMUS de Madrid pretende continuar a desencorajar a utilização de automóveis particulares em favor dos transportes públicos e de modos de transporte ativos, com vista a reduzir os impactos negativos do tráfego automóvel e a melhorar a qualidade de vida dos cidadãos."


Hoje apetece-me ouvir: Sima Bina



Uma canção de embalar de que não é necessário entender rigorosamente nada para se perceber que um bebé se sentirá feliz quando sua mãe ou alguém por ela interage desta forma com ele.
As canções de embalar contribuem para o desenvolvimento das suas capacidades, reforçam a vinculação afectiva e dão a segurança de que o bebé precisa para um sono tranquilo.
Enquanto é proibida de cantar no seu país, Sima Bina continua a cantar por todo o mundo.

21/09/16

Monsanto: simbolismo e bom senso


Reconquista, 15 de Setembro de 2016




Reabertura da escola de Monsanto, uma escola de pequena dimensão que nunca deveria ter passado pelo processo aqui descrito. Os alunos e as famílias não o mereciam. As políticas de régua e esquadro podem servir na 5 de Outubro mas não são úteis para as populações. Tantas vezes defendemos as políticas de Crato mas neste aspecto elas eram erradas e prejudiciais para os alunos e famílias. Esta alteração é, aliás, uma excepção, porque para o actual governo nada mudou de substancial em relação a estas escolas.
Merecem reconhecimento os autarcas que compreendem as preocupações das famílias com a educação dos seus filhos. Aposto que os burocratas não desejam melhor educação para os alunos do que os seus pais e de quem está no terreno.
Além disso, há a visão dos autarcas que sabem que se não há pessoas nas aldeias, em breve elas faltarão nas sedes do município e vão até ao limite para que, de acordo com os pais e encarregados de educação, se mantenham as escolas abertas.
Temos defendido aqui (1, 2, 3, 4, 5 ...)  as escolas de pequena dimensão. Esta reabertura é um acontecimento feliz para a educação destas crianças.


Madrid




















Madrid: dos jardins (Retiro, Paseo de Recoletos, Prado, Vertical, Atocha), dos passeios largos, das esplanadas, do estacionamento subterrâneo, das ruas limpas, da vida nas ruas, da organização...