03/08/16

Quarto com vista...

Aproveitar para  ver filmes e  ler livros, antes que a criatividade extorsiva faça das suas... Imagine-se o preço e o respectivo IMI de um quarto com vista para o paraíso !

02/08/16

Ulisses, Cassandra e os do "nós por cá todos bem"

 

"A dívida pública portuguesa voltou a aumentar, em Junho, atingindo um novo máximo. Nos primeiros seis meses do ano a dívida aumentou em 8.674 milhões de euros.
A dívida pública, na óptica de Maastricht, ascendeu a 240.019 milhões de euros, em Junho, segundo os dados divulgados esta segunda-feira, 1 de Agosto, pelo Banco de Portugal. Este valor corresponde a um novo máximo histórico. O endividamento público aumentou assim pelo quarto mês consecutivo." (Sara Antunes, 01 Agosto 2016, Negócios)
"O nosso país atravessa hoje a maior crise de que guardamos memória: uma economia de rastos; uma dívida pública gigantesca; uma dívida externa bruta que durante muito tempo será uma pesada causa do nosso empobrecimento; uma taxa de desemprego que supera tudo o que consta nos registos existentes; uma justiça tornada inútil pela sua lentidão; um ensino sem presente nem futuro; uma corrupção sustentada pela intencional ausência de medidas tomadas pelo poder político; uma emigração salvadora dos próprios mas fatal para a Nação." (O fim da ilusão, 2011, Mário Medina Carreira)


Valeu a pena

Mário Moniz Pereira (11/2/1921 - 31/7/2016) 
 Carlos Ramos

01/08/16

Contado ninguém acredita

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Incrédulo com a criatividade extorsiva mais estúpida do mundo dos impostos, a gente lê isto:

"Maior exposição solar e vista privilegiada paga mais IMI" (Observador 1/8/2016). "Jornal de Negócios avança que mudança na fórmula de cálculo do imposto pode fazer aumentar o IMI a pagar no caso dos imóveis com maior exposição solar ou que tenham vista privilegiada."

N' O Insurgente, Carlos Guimarães Pinto (Agosto, 1, 2016) já fez a compreensão desta anormalidade "Imposto sobre as janelas."
"Nos séculos XVIII e XIX, alguns países europeus (notoriamente a Inglaterra e a Irlanda) impunham um imposto sobre o número de janelas que uma casa tinha. Foi considerado um dos impostos mais estúpidos de sempre e teve algumas consequências arquitectónicas que resistem até aos nossos dias."

Portugal +


Entrevista de  Alexandra Campos, de 28/07/2016 (Público), "Antes, um terço dos doentes deixava de trabalhar", a  Rui Tato Marinho, hepatologista no Hospital de Santa Maria (Lisboa) e vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia.

"Há uma história engraçada. Em 1974, num artigo publicado na revista Lancet, um autor escreve que deve haver um vírus que não é nem A nem B, deve ser C. Só que isto não pega, como em muitas coisas da medicina. Passou então a ser denominado “não-A não-B”. Mas a história do tratamento já tem 30 anos, fazíamos injecções com interferão e a percentagem de cura era de 6%. O problema é que até 1989 não havia teste. Foi uma revolução quando se descobriu o teste e o vírus."
...
"É importante dizer que Portugal, neste momento, tem duas das melhores coisas do mundo: o transplante de fígado, que chega para aí a 250 pessoas por ano, e o acesso de toda a gente ao tratamento, mesmo que não tenha doença grave."

30/07/16

Liberdade de escol(h)a

Afinal há solução para as veleidades do ensino particular, cooperativo,  concessionado ou autónomo.
De facto, o que faz falta é uma vacina de escola pública, como alvitra José Diogo Quintela.
"As escolas com contrato de associação têm dois problemas: o primeiro é que não vendem nada; o segundo é que não estão localizadas no centro de Lisboa. Se, em vez de escolas espalhadas pelo país, fossem lojas na Baixa, podiam ser consideradas históricas e serem mais facilmente subsidiadas. Tiveram azar. Azar por isso e por esta ser a altura que a esquerda escolheu para renegar subvenções estatais. Bizarro. É como o Drácula anunciar que agora é vegan.
Mas o Governo tem razão. Se há duas escolas onde basta uma, não se devem duplicar custos. Só se justifica em casos muito específicos, em que a escola particular seja uma escola do tipo Lacerda Machado, que presta serviços de borla ao Estado."
...
"O ideal é acabar com todo o ensino particular. Quanto mais depressa uma criança entrar em contacto com a bandalheira do Estado, melhor. É o mesmo princípio da vacinação: ligeira exposição ao bicho numa tenra idade obriga o corpo a construir defesas. Uma inoculação de estatismo aguado, na altura certa, imuniza para a vida. Passados 30 anos, uma pessoa ainda conseguirá estar na mesma sala com um Mário Nogueira sem desmaiar."

Liberdade de escol(h)a

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No Expresso (23/7/2016), Luís Cabral desmonta a encantadora afirmação, do PS, de apoio à  "Marcha em defesa da escola pública", onde se  afirma que "a escola pública não escolhe alunos, a escola pública é para todos e é a única que garante igualdade de oportunidades. A escola pública é de todas as cores da democracia". 
"Duas frases com pelo menos três erros.
Em primeiro lugar, as escolas públicas têm capacidade limitada, pelo que escolhem em função da residência. Isto favorece os alunos que vivem junto das escolas melhores, bem como os alunos com uma 'tia' que vive junto dessas escolas.
Em segundo lugar, e apesar das diferenças de prestação, é notória a uniformidade de todos entre escolas publicas. Fala-se de "todas as cores da democracia" quando realmente estamos perante o Ford Model T: "any color you want so long as it is black". As escolhas curriculares, a estrutura dos exames, as normas de disciplina - quase tudo é decidido pelos illuminati da 5 de Outubro. (Em anos recentes, as condições de escolha e flexibilidade melhoraram um pouco, mas a minha caracterização da escola pública mantém-se essencialmente válida.)
Em terceiro lugar e este é o ponto que mais me interessa hoje — a afirmação de que "a escola publica é a única que garante igualdade de oportunidades" reflecte a confusão, entre dois conceitos relacionados mas distintos: o ensino publico e a escola pública.
...
Partilho 100% a visão do PS de um projecto de acesso universal ao ensino de qualidade num contexto de liberdade de escolha. Por isso acho particularmente chocante que o tal comunicado afirme que "defender a escola pública é defender a liberdade de ensinar e de aprender para todos. Por favor!".
A ideia de ensino público por iniciativa privada não é uma contradição de termos nem uma quimera. Uma proposta concreta a criar escolas charter de dois tipos. O tipo A corresponde a escolas públicas que se tornam autónomas do sistema das escolas públicas. O tipo B corresponde a escolas privadas que aceitam os três pontos fundamentais acima indicados (isto e, funcionar efectivamente como escola pública para efeitos de admissões e propinas). 
Dito tudo isto, quem são afinal os defensores acérrimos da escola pública? Em primeiro lugar, os que têm claros interesses pessoais em jogo, começando com o sindicado dos professores (que, numa postura hipócrita cada vez menos disfarçada, garante que é tudo uma questão dos "interesses dos alunos"). Em segundo lugar, os que encaram a escola pública como instrumento de engenharia social: o caminho para moldar a nova geração pelos contornos de uma ideologia específica.
Finalmente, temos um terceiro grupo - maioritário -  para quem a escola pública e o ensino público são a mesma coisa - o que não é verdade."


Acção psicológica "online"


O mundo da desinformação, contra-informação e propaganda online atrai cada vez mais indivíduos, grupos e empresas falsas. O mundo dos trolls serve para desestabilizar qualquer informação que não agrade ou para criar informação falsa.
As motivações e as metodologias fazem-nos pensar que ainda não vimos nada. Qual "psícola"? Qual 5ª divisão ?
Serve para compreender o putinismo e muito mais. 
Será que a verdade ainda importa? (Katharine Viner em 19/07/2016. Texto publicado originalmente no The Guardian , em 12/07/2016 sob o títuloHow Technology Disrupted The Truth).
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O site http://observatoriodaimprensa.com.br/monitor-da-imprensa/sera-que-verdade-ainda-importa/ já não está disponível.

29/07/16

De desígnio nacional a inimigo principal


A CEE/UE foi-nos "vendida" como o grande desígnio nacional pelos avós dos que estão actualmente no poder.
"Os motivos que me levaram a requerer a adesão à CEE ‐ que muitos portugueses na altura contestaram, mas que partidos maioritários na Assembleia da República apoiaram – não foram, ao contrário do que alguns ainda hoje julgam, essencialmente, económicos. Foram políticos e tiveram a ver com um grande desígnio para Portugal: a consolidação da democracia pluralista e civil, liberta há pouco tempo da tutela militar; e também o reconhecimento de que o ciclo imperial tinha terminado com a descolonização." (Comemorações da adesão de Portugal à União Europeia, Mário Soares)

Não deixa de ser estranho que a vemos agora promovida a alvo de todos os ataques por ser responsável pelos insucessos que temos vindo a coleccionar. É com estranheza que, vemos, ouvimos e lemos, tem de se bater o pé, dizer não, ameaçar com processos e tribunais a essa desgraçada que nos rouba a capacidade de decisão e a  soberania económica.
A rábula das sanções parece que está a  chegar ao fim pelo menos por enquanto. Já a invenção do inimigo principal vai continuar em modo estival moderado, agora que a Europa saiu derrotada pela nossas forças e daqueles que sempre foram contra a Europa.

Por enquanto a batalha foi ganha e por isso há um jogo que vale a pena ser jogado. "Vale a pena jogar o jogo das regras" europeias, frisou o chefe da diplomacia portuguesa, insistindo que  o "mais importante" na decisão da Comissão foi o "dar razão a Portugal" e aos seus argumentos.

O quê? Não, não.  "O jogo da Comissão Europeia, o jogo da União Europeia, não é um jogo que valha a pena ser jogado, é a roleta russa, e por muito que tenhamos ganho desta vez, continua a ser a roleta russa em setembro, por isso nós sabemos que Portugal não ganha por jogar pelas regras, Portugal ganha por defender a dignidade de quem aqui vive e por não ceder à pressão." ("Notícias de catástrofe" até aprovação do OE",Catarina Martins)

O inimigo principal, portanto, é a União Europeia, nem sequer a Comissão Europeia ou a actual Comissão Europeia. Por isso,  tem-nos à perna, é preciso não jogar pelas regras ou como escrevia António Barreto, gritar  "Às armas!" ( DN, "Sem emenda",   de 17 de julho de 2016). A culpa é dos outros.Tem sido assim na história e ultimamente a culpa é da Europa. Os europeus “…São eles os responsáveis pelas nossas dívidas, os causadores das nossas perdas, os obreiros da nossa crise e os culpados das nossas dificuldades!"
"Em vez de procurar valorizar o que temos, de aproveitar o que sabemos e de organizar a economia; em vez de investir, de diminuir o desperdício e de fazer obra útil; em vez de apenas gastar o que temos, de atrair investimento externo e de trabalhar e poupar; em vez de estudar, de nos governarmos com mais sabedoria e de fazer com que o Estado respeite os cidadãos, em vez disso, procuram as autoridades comover os sentimentos, confundir os espíritos e mobilizar contra alguém, o inimigo, o adversário, a ficção dos que querem mandar em nós, a invenção dos que não respeitam os portugueses e a fantasia dos que não honram uma nação com oito séculos de história!”…

É confrangedor assistir à parceria "estratégica" Costa/Catarina que levantaram voo com a vaca e vivem cada um no seu mundo mas os dois igualmente virtuais: onde a Europa é a fonte de todo o mal.
E, afinal (oh inanidade!): "A correspondência do Governo português e a Comissão é isso mesmo: a correspondência do Governo português e a Comissão." (A. Costa, 5/7/2016).